Este artigo conta um pouco da história de um tipo de decoração de veículos no Paquistão, uma arte única e tradicional naquele país e suas vertentes e mostra exemplos em Fuscas decorados.

O carro do título é um Fusca 1960, que Nasir Shaikh, seu dono, mandou decorar no mais puro estilo paquistanês. Billo é a palavra Punjabi para uma “donzela de olhos azuis.” Aqui a referência é para a cor azul turquesa do carro. Esta foto foi tirada no Canadá durante a estada de cinco anos do carro naquele país. Este é um de nossos heróis nesta matéria, aquele que motivou o estudo desta arte.

 

Mas para entender bem a decoração do Billo e de outros Fuscas é preciso entrar no âmago deste país do sul da Ásia que ocupa área de 880.940 km², pouco mais que a décima parte do território brasileiro mas tem uma população próxima à nossa, 185 milhões de habitantes, que tem uma arte sui generis, a de usar caminhões para expressão de arte.

AG-06-Foto-02  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 02Das margens do Oceano Índico aos picos do Himalaia, as estradas do Paquistão estão cheias de telas móveis, obras de arte ambulantes.  A arte em caminhões é uma prática única de transformar os transportadores de carga em obras de arte e tem sido muito popular há muito tempo. Em todo o Paquistão, enormes somas de dinheiro, anos de experiência, e detalhes meticulosos trouxeram estas obras de arte para cada cidade, vila e porto com acesso a uma estrada.

Este fenômeno encontra o extraordinário no ordinário e eleva a habilidade dos artesãos a uma forma de arte. Inclusive uma destas obras de arte foi exibida no Festival de Folclore do Instituto Smithsoniano de Washington, EUA, em 2002.

A maioria dos caminhões que roda nas estradas no Paquistão está decorada de cima a baixo e até mesmo os tanques de combustível e rodas recebem tratamento de embelezamento, sem esquecer do interior das cabines dos caminhões. Os principais temas da decoração são ditados pela escolha dos proprietários para refletir a sua herança cultural, o seu gosto, imaginação, filiação política etc.

AG-06-Foto-03  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 03

Um caminhão decorado na estrada; a altura da carga leva a crer que a questão do centro de gravidade dos caminhões não preocupa os motoristas paquistaneses

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Paqui  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO Paqui1O interior de um caminhão paquistanês costuma ser intensamente decorado com pinturas e diversos penduricalhos. A invasão da área útil dos pára-brisas está sendo reprimida pela polícia rodoviária de lá gerando um choque cultural. Os desenhos consistem em padrões geométricos e florais, paisagens, mesquitas (a mais popular é a mesquita Faisal com os seus minaretes em forma de mísseis), faisões, pavões, cavalos, tigres pulando em cima de suas presas e belas artistas celebradas em filmes.  Um favorito de todos os tempos é o cavalo alado com uma cara de mulher que representa Buraq — transporte usado pelo profeta Maomé quando ele visitou o céu. Os artistas envolvidos nesta arte incrível quase sempre são analfabetos, sem educação formal ou formação em arte. Eles usam sua imaginação para criar suas obras de arte. Os estilos variam conforme a localização geográfica de cada artista que aperfeiçoou sua arte do seu próprio modo. A herança étnica contribui para o estilo diferente da arte do caminhão em cada província. Algumas das cenas de paisagem mais populares, aquelas que representam os leões e tigres, galos e patos, cenas de caçadas ou uma donzela cheirando uma rosa, parecem cenas tiradas diretamente das pinturas Mogul.

 

AG-06-Foto-04  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 04

O da direita é um exemplo de caminhão decorado com um Buraq,  o cavalo com cabeça de mulher que transportou Maomé numa visita ao céu

A pintura Mogul é um estilo particular de pintura do sul da Ásia, geralmente restrita a miniaturas ou como ilustrações de livros, ou como uma única obra a ser mantida em álbuns, estilo este que surgiu a partir da pintura em miniatura persa, com influências hindus, jainistas, budistas, e que foi desenvolvida em grande parte na corte do Império Mogul (entre os séculos 16 e 19), que depois se espalhou por outras cortes indianas, tanto muçulmanas, como hindus e sikhs.

AG-06-Foto-05  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 05

Exemplo de pintura Mogul clássica

Os desenhos mais intrincados são, de longe, aqueles feitos em Quetta (Baluquistão). A razão disto pode ser a influência iraniana. Esses caminhões são quase sempre desprovidos de figuras humanas. Os caminhões decorados em Peshawar são uma mistura de painéis de madeira de nogueira entalhada, trabalhos de pintura e colagens.

Enquanto a maioria dos Pukhtoons (moradores da Província da Fronteira Noroeste que falam o idioma Pushto) escolhe o Marechal Ayub Khanimagem por razões óbvias — ele erada Província da Fronteira Noroeste) para decorar o painel traseiro de seus caminhões, uma significativa proporção escolhe a imagem de uma heroína de filmes do passado com proporções muito saudáveis e generosas.

 

AG-06-Foto-05a  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 05a

Pavão colorido em chapa aplicado sobre a carroceria do caminhão

Artistas em Pir Wadahi (um subúrbio de Islamabad) e Badami Bagh (o distrito de transportadoras de Lahore) e proprietários de caminhões em Punjab preferem paisagens, formas geométricas e flores em relevo em chapa de aço inoxidável preenchidas com fita refletiva 3M, assim como retratos de estrelas de cinema. Caminhões em Sindh quase sempre apresentam paisagens pintadas com lagos rios, cachoeiras, picos de montanhas cobertas de neve, flores e mesquitas. Os materiais escolhidos para decorar os caminhões em conjunto com o estilo geral empregado, em última análise, servem como uma representação cultural da província em questão. Através dos anos, os materiais utilizados foram evoluindo a partir de madeira, passando para pintura, chapa metálica cromada, plástico e fita de vinil reflexivo.

As estradas intermunicipais no Paquistão não são iluminadas, de maneira que as decorações refletivas servem como uma segurança essencial.

Nos últimos anos caminhões e ônibus foram decorados adicionalmente com painéis cravejados com LEDs. Os artistas competem para ver quem pode executar as obras de arte mais ousadas, coloridas, por vezes deslumbrantes, em caminhões, ônibus, navios, picapes e riquixás. As cores usadas são vermelho elétrico, laranja e amarelo, rosa choque, verde e azul.

De pára-lamas dianteiros a traseiros, arcos das rodas, laterais e todas as outras áreas imagináveis pendem correntes de metal. O comprimento dessas correntes é ajustado de tal forma que pequenas peças de metal tocam a estrada no ponto mais baixo, produzindo um tilintar agradável quando os caminhões sobrecarregados balançam de um lado para outro pelas estradas, que estão longe de serem perfeitas. Pequenos sinos de bronze também são pendurados a estas correntes.

AG-06-Foto-06  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 06

As estradas interestaduais no Paquistão estão longe de serem boas, muito menos iluminadas, aí a decoração com material refletivo mostra o seu valor

As Filipinas têm seus Jeepnies, a Tailândia tem os seus tuk-tuks pintados, mas em nenhum lugar do mundo os artistas automobilísticos vão a extremos como no Paquistão!

Um Jepnee  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 07

Um Jepnee filipino

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Um Tuck-tuck decorado  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 08

Um tuk-tuk decorado para levar turista para visitar os templos na Tailândia

O Billo, um Fusca com muito estilo

Nasir Shaikh, um Fuscamaniaco paquistanês membro do Volkswagen Club of Pakistan (VWCOP), decidiu incrementar um de seus carros, no caso o seu Fusca 1960, o Billo, com uma decoração típica de seu país, isto depois de ter feito uma cuidadosa reforma do carro, que incluiu uma repintura na sua cor original. O trabalho foi feito em 2006 na localidade de Rawalpindi, que fica junto à capital Islamabad, localidade que é um tipo de “Meca” da decoração de veículos à moda paquistanesa. Neste caso o material usado foram fitas de vinil refletivo da 3M. O trabalho começou pelas calotas e foi se alastrando por outras partes do carro até um ponto que o Nasir achou suficiente para que o carro refletisse a cultura típica dos caminhões paquistaneses. Todos os desenhos foram meticulosamente recortados e colados em camadas de maneira a formar a delicada e elegante decoração do seu Fusca, algo realmente impressionante quando se observam os detalhes. Nada como dar uma olhada nos detalhes desta transformação, desde o início dos trabalhos no Billo, até a sua conclusão com os ricos detalhes baseados na técnica usada nos caminhões paquistaneses.

 

A foto seguinte serve muito bem para demonstrar que o trabalho todo foi feito em material refletivo; ela foi tirada dento de um ferryboat na época que o Billo “morou” no Canadá:

 

AG-06-Foto-19  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 19

Uma foto com flash numa área escura ressalta todas as superfícies decoradas com material refletivo

Um Fusca para ir de carro de Islamabad a Paris

Como já dissemos, a localidade de Rawalpindi é um centro de decoração no estilo dos caminhões paquistaneses, e lá foi decorado um outro Fusca usando uma outra técnica, bem mais antiga, que é a de pintar a decoração sobre a chapa, conhecida com Truck-Art — arte de caminhões. Assim como nos caminhões, a decoração é pintada tanto do lado de dentro como no lado de fora dos veículos.

AG-06-Foto-20  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 20

O pintor Ustad Habibur Rehman dá uns retoques no Foxy Shahzadi demonstrando a técnica que é realizada com pincel do modo tradicional

Este Fusca acabou sendo batizado de Foxy Shahzadi, onde Foxy é uma das formas que o Fusca é chamado no Paquistão e Shahzadi quer dizer princesa, que foi a exclamação de um dos envolvidos na reforma quando o carro ficou pronto no dia 13 de setembro de 2009 depois de quatro meses de trabalho. Ele exclamou: “Está saindo a princesa…”

Tudo começou quando um médico francês da ONG Médicos Sem Fronteiras estava terminando o seu contrato de três anos de trabalho de intensivista na capital Islamabad e decidiu que a volta para Paris seria num Fusca decorado no estilo Truck-ArtIsso para que, no caminho que atravessaria vários países, fosse apresentado o “lado soft” do Paquistão através da arte com a qual seus caminhões são decorados. Isto num tempo em que o terrorismo interno estava na ordem do dia na imprensa internacional e, internamente, afetava fortemente a vida nas grandes cidades do Paquistão.

O Foxy Shahzadi inicialmente era um carro abandonado em uma das ruas de Islamabad, uma sucata, e foi “reformado” para poder enfrentar os 10.000 km até Paris, passando pelo Irã, Turquia, Grécia e Itália. Dois amigos, outro médico, Vincent Loos, e um engenheiro de TI, Salman Rashid, se uniram ao mentor do plano, Haroon Khan e partiram para Paris. Na foto, já em Lahore, o destaque no fundo, à esquerda, é a Torre de Lahore a Minar-e-Pakistan.

AG-06-Foto-21  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 21

Os três intrépidos e corajosos viajantes, da esquerda para a direita: Vincent Loos, Salman Rashid e Haroon Khan, ao lado do Foxy Shahzadi

A “reforma” deste carro e os extensos trabalhos de decoração foram registrados no blog que registrou a aventura. O vídeo que segue mostra algumas fotos deste processo, praticamente da sucata ao Fusca decorado:

O Foxy Shahzadi, chegou a Paris e ficou por lá, onde continua a divulgar a Truck-Art paquistanesa tanto para os franceses quanto para os turistas, pois volta e meia ele faz passeios pelas ruas da Cidade-Luz.

AG-06-Foto-22  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 22

O Foxy Shahzadi foi devidamente licenciado na França, sua nova pátria, mas manteve a sua “placa” paquistanesa

Mais um Fusca “transcontinental” decorado com Truck-Art, agora com destino a Berlim, Alemanha

Este projeto de viagem foi lançado por um empreendedor alemão da área de energia que estava terminando a sua estada de um ano em Islamabad e decidiu voltar rodando para Berlim, uma interessante aventura, um desafiador modo de voltar para casa.

Decorado com algumas imagens tradicionais do estilo Truck-Art, o carro também recebeu alguns detalhes mais originais. Os pássaros são certamente algumas das formas de representação mais comuns, que aparecem em vários locais. Há um bem-pintado Buraq, o cavalo do profeta, retratado como ele normalmente aparece na arte de caminhões. Há alguns animais da selva, incluindo elefantes e girafas, que são menos comuns. Ao invés de retratar quaisquer líderes paquistaneses individuais, a obra de arte retrata locais paquistanesas notáveis, como Torre de Lahore a Minar-e-Pakistan, onde o Estado paquistanês foi oficialmente criado, e o icônico Portão de Khyber, que marca a entrada do Passo de Khyber, que liga o Paquistão ao Afeganistão. Aliás, estes símbolos paquistaneses, juntamente com a Mesquita de Faisal, são muito apreciados pelos caminhoneiros, tanto que podem ser vistos várias vezes nas pinturas apresentadas nesta matéria.

Algumas fotos do “Fusca do Alemão” com seus detalhes peculiares. Na foto seguinte se pode ver no pára-lama traseiro direito o Buraq, cavalo do profeta, e o Portão de Khyber, elementos freqüentes. Um pássaro na lateral direita traseira, uma zebra na lateral direita traseira e um elefante no pára-lamas dianteiro direito, elementos raros neste tipo de decoração. Detalhe para os guizos presos ao estribo, imitando as correntes que os caminhões recebem. É interessante que neste caso as calotas não foram decoradas.

AG-06-Foto-26  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 26

Lateral do “Fusca do Alemão”

Nesta foto do carro a frase “Pakistan to Germany 2010” (Do Paquistão à Alemanha 2010) chama a atenção, e ela é completada pelas bandeiras da Alemanha e do Paquistão na tampa do motor. Nesta também aparece a Torre de Lahore, além de quatro cabeças de pássaros diferentes. O pára-choque foi decorado.

AG-06-Foto-27  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 27

Fusca visto de trás

Comparando com o Foxy Shahzadi, os desenhos do “Fusca do Alemão” tem contornos mais finos e os desenho são mais detalhados. Um trabalho cuidadoso e um resultado impressionante e belo. A decoração invade a área do pára-brisa e dos demais vidros do carro.

AG-06-Foto-28  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 28

“Fusca do Alemão” visto de frente

Enquanto o seu dono não conseguia o visto para trafegar pelo Irã, o “Fusca do Alemão” ficou morando no pátio onde ele foi pintado, disputando espaço com os caminhões.

AG-06-Foto-28a  BILLO, UM FUSCA DECORADO À MODA DOS CAMINHÕES  DO PAQUISTÃO AG 06 Foto 28a

O “Fusca do Alemão” aguardando o início da viagem para Berlim

Este Fusca aparece neste vídeo da BBC que fala das pinturas tipo Truck-Art. O vídeo mostra detalhes dos trabalhos dos artistas e serve como um bom arremate sobre o assunto. Veja-o:

A “Velha Senhora” também é submetida à decoração Truck-Art, e aqui vai um exemplo, num estilo de desenho menos detalhado:

Temos o nosso estilo brasileiro de decoração de caminhões, uma arte que lentamente está se perdendo, como ocorreu com as deliciosas frases de pára-choques que infelizmente caíram em desuso, mas foram até motivo de livros de pessoas que as iam recolhendo. Por falar nisto uma das que eu mais gostei foi:

Minha sogra caiu do céu…
…é que quebrou a vassoura dela…

 AGr

Nota do Autor: este material, em sua versão resumida, foi originalmente publicado na minha coluna “Volkswagen World”, do Portal Maxicar (www.maxicar.com.br), e esta publicação ocorre de comum acordo com o meu amigo Fernando Barenco, gestor do MAXICAR, companheiro de muitos anos de trabalho em prol da preservação dos veículos VW históricos e de sua interessante história. O conteúdo foi revisado, ampliado e atualizado. O seu conteúdo é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Colaboração e consultoria de: Nasir Shaikh. Pesquisas complementares na Internet por Alexander Gromow. Ilustrações: Nasir Shaikh e pesquisa na Internet.
A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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  • rebuli

    Cada pais com suas caracteristicas… a Kombi estilo Truck-Art ficou mega enfeitada… o que importa que cada canto domundo tem um “besouro” zunindo!!!… abraço amigo

    • Grato por seu comentário caro Rebuli,
      Realmente o Fusca ainda está a zunir pelo mundo e estes si estão com uma decoração mais do que original.
      As Kombis não escaparam também, se bem que existem carros de outras marcas e outro meios de transporte como bondes!!!
      Este ai é de Melbourne, uma influência na Austrália do Truck-Art paquistanês:

  • Valmir Azevedo

    Muito legal a matéria!! Que loucura,fazer todos detalhes com pincel! Com certeza fazem muito sucesso por onde passam.

    • Grato Valmir Azevedo,
      E olhe que é só pincel, também tem a alternativa de recortar fita refletiva 3M, como foi feito no Billo.
      E agora estão incrementando o trabalho com LEDs!!!

  • Lorenzo Frigerio

    Muito legal. “Intrépidos e corajosos” viajantes é apelido… tem um filme com Steve Carell que mostra uma turma de amigos “descolados” viajando pelos EUA numa Kombi. Os atores sofreram barbaramente, pois, como todas as Kombis, o carro não tinha ar condicionado e teve que enfrentar o deserto do Arizona.

    • Grato Lorenzo Frigerio,
      Tenho um amigo no Bahrein que tem um Fusca e uma Brasília de 4 portas. Ele comenta que no verão o banco vira uma chapa de fogão!

  • Mr. Car

    Muito interessante como característica cultural de um povo e manifestação de habilidade na arte da pintura, mas absolutamente over para o meu gosto pautado pela estética ocidental. Em carros, o máximo de variedade de tinta que admito são duas (ou uma mesma em dois tons), para compor a famosa pintura “saia e blusa”, e fazer uma coisa linda como foram os Opala/Caravan Diplomata, e os Monza Classic SE.
    Para pensar: “Se resistimos às paixões, é pela fraqueza delas, e não pelas nossas forças”. (François de La Rochefoucauld)
    Para ouvir (Youtube): “The Korgis – Don’t Look Back – 1982 – Vinil”
    Chega a ser irônico que uma canção das que mais me instigam a recordar tempos passados, pregue em sua letra, justamente o contrário. Sou um saudosista de carteirinha, incorrigível, he, he!

  • Renato

    Arte curiosa e interessante.
    Não sei se seu custo é significativo para os proprietários doa caminhões mas, qual é o estado de conservação dos trabsportes?
    Eles deixam de fazer a manutenção recomendada para gastar em decoração?

  • Uber

    “… mas em nenhum lugar do mundo os artistas automobilísticos vão a extremos como no Paquistão!”

    Será?
    Japão, Dekotora:
    http://www.flatout.com.br/dekotora-historia-dos-caminhoes-decorados-e-reluzentes-japao/

    http://flatoutcombr.c.presscdn.com/wp-content/uploads/2014/11/dekotorrra-3-620×450.jpg

    • Caro Uber.
      Acho que com tinta e pincel, tesoura e material refletivo, o pessoal do Paquistão continua na ponta em matéria de extremos e detalhes…

  • Danilo Grespan

    Sensacional, que arte! Há um tempo atrás comecei a ver películas de quadrinhos e outros desenhos coloridos, para colar somente em partes da lataria do carro, deixando-o, muitas vezes, muito pior do que já está (normalmente são rebaixados, barulhentos, com faróis de “chenon”, som – de péssima qualidade – tocando funk no talo…)… e tem quem ache isso o máximo, fazer o que, não!
    Sempre curti frases de pára-choques, e realmente de um tempo para cá sumiram… o que será que houve? Pelo jeito essa hipocrisia que toma conta do mundo, deixando ele cada dia mais chato, impedindo que façamos comentários mais ácidos – e normalmente reais – deve ter contribuído “contra o preconceito” das frases…

  • Danilo Grespan

    OFF-TOPIC: Falando em Volks, hoje a coisa está feia em Frankfurt…

    Ações da VW despencam em meio a escandalos:
    http://economia.terra.com.br/acoes-da-volkswagen-despencam-em-meio-a-escandalo,edecc40d41a280495e66b06b16226f069kdc77r1.html

    Pelo que diz a matéria, a VW mentiu para a agência americana reguladora de emissões, instalando um software que burla a medição de CO2 no diesel… e se realmente rolar a multa correta, a VW estará BEM encrencada.(óbvio, isso não acontecerá)

    • Ilbirs

      Sergio Marchionne deve estar rindo à toa. Qualquer impacto com software espertinho que a Fiat possa ter tido em alguma época ficou lá nos anos 1990 (aquela malandragem do Mille Electronic).
      Pelo que vi, a multa será de US$ 1 bilhão, mais os custos do recall. Tenho cá minha impressão de que esse episódio poderá acarretar ao grupo VW impacto parecido ao que suscitou o fim da “velha GM” (General Motors Corporation) e criação da “nova GM” (General Motors Company). Pode ser que o gigante caia devido a seu próprio peso e tenha de ressuscitar menor e com menos divisões.

      • Danilo Grespan

        Na realidade, pela conta que fiz ($37500 por carro), juntando VW com Audi (475k vendidos), as multas chegariam a US$18 bilhões …

    • Uma verdadeira catástrofe para a marca, caro Danilo Grespan!
      Mas acho que seria difícil dizer que este tipo de falcatrua tenha vindo da casa matriz na Alemanha.
      Tomando por base tudo o que ocorreu com a fabricação do Golf nos EUA, quando executivos americanos contratados pela VW acabaram enterrando a reputação do carro fazendo coisas sem consenso com a casa matriz, mas agindo segundo o que as práticas do mercado local.
      Não sei se a VW irá se recuperara deste golpe nas terras do Tio Sam… O seu renome já não era uma Brastemp e agora então…
      O único carro que foi consenso de aprovação nos EUA foi o bom e velho Fusca que deixou saudades, tanto que acabou surgindo o New Beetle em 1998…

    • Lorenzo Frigerio

      O Daily Telegraph soltou um artigo ligando o escândalo à mania de diesel na Europa, que tornou irrespirável o ar nas grandes cidades de lá. Basicamente, satanizaram os EUA ao longo das décadas pelas emissões de CO2, que não é tóxico, em favor de particulados cancerígenos emitidos pelos diesel. Uma figuração interessante do artigo: para proteger os ursos polares do séc. XXIII, estão matando as crianças do séc. XXI. E nós aqui, na perifa do mundo, discutindo a liberação dessa desgraça para carros.
      http://www.telegraph.co.uk/news/earth/environment/11878435/Europe-must-now-come-clean-on-diesel.html

  • Diogo

    Caramba, que post bacana. Misturou carro / caminhão / cultura / geografia. De fato no Brasil não se decora mais as carrocerias de caminhão, entretanto nos demais países da América Latina ainda é bem comum ver caminhões e ônibus exageradamente decorados, muitas vezes com gosto bem duvidoso.

    • Bom que você gostou, caro Diogo,
      Concordo com você quanto a decoração de ônibus e caminhões em países hispano falantes da América Latina.
      Como é o caso deste “Chiva” da Colômbia:

  • BlueGopher

    Sempre achei fabulosas estas pinturas artísticas nos caminhões paquistaneses.
    Aliás, a foto acima, que mostra o interior de um destes caminhões, até parece o interior de uma mesquita ou o salão do palácio de um califa!

    No tempo em que os caminhões brasileiros usavam principalmente carrocerias de madeira, era quase uma norma que estas fossem decoradas com delicados arabescos coloridos.

    E os artistas faziam esta decoração à mão livre, com uma perfeição incrível. Valia a pena assistir.

    Falando em carros pintados, marcante também é o Porsche Type 356C Cabriolet 1965 da Janis Joplin, que vai a leilão no fim do ano:

    http://mediad.publicbroadcasting.net/p/wunc/files/styles/medium/public/201401/Porsche_Type_356C_Cabriolet%2C_1965%2C_view_2.jpg

    • Pois é BlueGopher,
      Em matéria de outros carros pintados este Porsche da Janis Joplin é um belo exemplo dos tempos da psicodelia. mas tem um

      carro igualmente famoso, e pintado em Truck-Art, que é o Rolls-Royce que pertenceu ao John Lenon, reflexo da fase indu dos Beatles:

  • Mr. Car

    Já que falou nelas, Gromow, me lembrei de algumas frases de pára-choque de caminhão que vi em minhas andanças por este mundão véio.
    1- Coração de pobre não bate, apanha.
    2- Feliz foi Adão: não teve sogra, nem caminhão.
    3- Vou rezar 1/3 para encontrar 1/2 de te levar para 1/4.

    • Caro Mr. Car, eram tantas…

      Tropece no teu orgulho e caia nos meus braços
      Não sou rei mas gosto de coroa
      Mulher é como relógio, deu o primeiro defeito nunca mais conserta
      Minhoca é um absurdo: não tem pé nem cabeça
      Champanhe de pobre é Sonrisal
      Feliz foi Adão não teve sogra e caminhão
      Quem ama as rosas suporta os espinhos
      “É facio lembrar de mim – dificio é me esquecê”
      Não sou sanfoneiro mas toco a noite toda
      No baralho da vida perdi por uma dama
      Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça…
      80 ação! 20 ver! 100 você, não sei viver

      … e por ai vai!!!

  • A pergunta que não quer calar: em que país esses Fuscas foram fabricados?

    • Pois é, Aléssio Marinho,
      No Paquistão e na Índia não foram nem montados nem fabricados Fuscas, é de se imaginar que ele vieram para lá da Alemanha; mas é um assunto a pesquisar, pois houve montagem ou fabricação, de caso a caso, na Malásia, Indonésia, Tailândia, Filipinas, Singapura. Mas saber se estes países chegaram a exportar para o Paquistão depende de um estudo.

    • Acabo de me comunicar com o Paquistão, com o amigo Nasir que confirmou que os carros são da Alemanha.

      • Nossa! Estou surpreso com a rapidez da resposta!
        Obrigado, Gromow!

        • Ocorre que ele está do outro lado do mundo e estamos a mais de 10 h de diferença, madrugada aqui-dia lá.
          Estamos em contato preparando um outro trabalho.

  • Ilbirs

    Falando de caminhões e retomando um assunto sobre o qual fiz comentário que deu certa repercussão, eis que surgiu nos últimos dias uma prova de que dá para fazer superleito segundo as estritas dimensões europeias, com a apresentação da cabine-conceito 2020, da Kamaz:

    http://www.4truck.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/09/kamaz-apresenta-conceito-de-cabine-futurista-4-truck-6.jpg

    http://i.ytimg.com/vi/RLHN37hw7XY/hqdefault.jpg

    http://www.trucksplanet.com/photo/for_news/2015/aug/kamaz/6ede93da4e1e4c388c77a36e79d47757.jpg

    http://www.trucksplanet.com/photo/for_news/2015/aug/kamaz/f56544b2da48597e17f5c433331d5cc0.jpg

    http://www.trucksplanet.com/photo/for_news/2015/aug/kamaz/c4568a0d52212b46eab7ee28bb4b1b88.jpg

    http://www.trucksplanet.com/photo/for_news/2015/aug/kamaz/1ddf010e451b8becf3127f2067cf5d16.jpg

    Descontando exageros normais de conceito, observe-se que é cabine com cara de estar bem próxima de produção, não sendo por acaso o nome 2020, alusivo ao primeiro ano da próxima década. O superleito à russa inclusive coincide com aquela ideia que tive de superleito à brasileira usando o comprimento de cabine típico de caminhão europeu com a tal altura típica de leitos com cama no teto sobre a fileira de assentos. Basicamente você tem tudo aquilo que teria em um superleito de série americano, ou até mais se pensarmos que há previsão de chuveiro, apenas aumentando o aproveitamento geral devido ao menor comprimento da cabine.
    Considerando-se o contexto russo, que é pior ainda que o brasileiro (país com tamanho de dois continentes e muito mais estradas ruins que por aqui), algumas coisas de conceito que parecem exageradas podem ter algum sentido de existência por lá. De resto, as coisas universais são perfeitamente aplicáveis ao Brasil e seu contexto mais aproximado ao de Estados Unidos e Austrália.

    Como a Kamaz arrefeceu em suas previsões de fábrica no Brasil, talvez alguma das marcas aqui instaladas pudesse pensar em licenciar essa nova cabine quando se tornar produto de série.

  • Fernando

    Muito legal o post AGr!

    Fiquei meio agoniado com o Fusca do Alemão ter tanta pintura nos vidros hehehe

    A Kombi pareceu receber bem os desenhos também, a lembrança da imagem delas nas mãos dos hippies foi o mais próximo que tinha visto e acho que um carro assim multiuso ficou bem assim!

  • Realmente Danilo Grespan,
    Houve a moda dos apliques adesivos em carros de “boys”, acho que pelo estado de alguns deste carros, quando a moda passou e eles tentaram tirar as tais películas muitos arrancaram a tinta junto…
    Falando das frases de caminhões:

    Antigamente existiam mais caminhoneiros autônomos. Hoje em dia, como os veículos são caros, muitos trabalham para empresas que costumam não permitir a prática das frases de pára-choques. Este espaço passou a ser usado para as propagandas das empresas.

    O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) não tem nenhuma norma que proíba
    a prática, mas emitiu uma resolução que define um padrão de pintura de pára-choques,
    que acabou transferindo as frases que ainda resistem para o lameiro do caminhão.
    Há quem diga que as frases permitiam, também, a identificação de caminhões em casos de acidentes e fuga de caminhões envolvidos…
    Em todo o caso é triste deixar de ter este desfile de frases espirituosas, alguma machistas, outras políticas, muitas de excelente humor…
    As gerações novas nem sabem mais o que isto quer dizer.

    • Danilo Grespan

      Com certeza é uma pena, era meio que um padrão, ao pegar as estradas, observar os para-choques e a carroceria, e em meio a aquela arte desenhada a mão, continha também palavras escondidas e frases interessantes/AGr.

  • RoadV8Runner

    É interessante para conhecer a cultura de outros povos, mas não me agrada nem um pouco esse tipo de decoração… Eu surtaria se ficasse mais do que alguns segundos a bordo de um veículo cujo interior fosse decorado como o apresentado na quarta foto!

    • Realmente RoadV8Runner,
      Realmente mais parece o interior de uma igreja barroca bem pequenininha. Mas o povo por lá gosta disto e pára para ter um caminhão assim…

  • Grato Fernando,
    Falando dos tempos Hippie que chegaram até o Brasil eu me lembro da moda de colar flores coloridas nos carros…
    Naqueles tempos eu tinha um Chevrolet 47 – 4 portas, que tinha passado boa parte de sua sofrida vida como táxi e que, para variar, era preto! Ele, apesar de sua sobriedade, acabou por receber algumas destas flores coladas em sua tampa do porta-malas…
    Era algo como o que aparece nesta miniatura de Kombi:

  • Aureo Teixeira

    Mais um excelente post. Por isso que considero o AUTOentusiastas uma pós-graduação automobilística!

  • Ilbirs

    Vi essa notícia dos R$ 18 bilhões mais agora mesmo. Independente do valor, é uma bala das boas e creio que vai ser mesmo necessário a VW se reinventar para sobreviver a um impacto desses. Avento as seguintes possibilidades:

    1) Desfazer-se ou fechar a SEAT, que nem de longe consegue ser a usina de criatividade e bons projetos que é a Skoda;

    2) Desfazer-se de divisões que tenham pouco ou nenhum compartilhamento de componentes com o resto da linha. Logo, creio que dá para vender Scania (que até hoje não compartilha nada com a MAN nem é de pegar componentes maiores em prateleira de fornecedor) e Ducati (essa então, menos ainda);

    3) Não acho que a Bugatti seja uma divisão da qual se deva desfazer, uma vez que sua produção é baixa, mas talvez seja necessário dar adeus a Lamborghini e Bentley, uma vez que estas redundam com Audi e Porsche de alguma forma, mas nem de longe têm o volume de vendas das marcas de Ingolstadt e Stuttgart;

    4) Talvez seja necessário também se desfazer de uma parte da MAN que não comprometa o controle majoritário.

    Compradores para as divisões que hipotetizo a venda? Vamos a alguns:

    1) Scania: de repente, os chineses que compraram a Saab podem querer voltar a reunir as marcas em um único guarda-chuva, vai saber. Poderíamos aqui também considerar a possibilidade de o fabricante sueco voltar a ser independente, dentro de alguma manobra sofisticada. Não acho que Volvo ou Daimler quisessem essa marca, uma vez que esbarraria em leis antitruste, mesmo motivo pelo qual não consigo enxergar Fiat Industrial (dona da Iveco) e Paccar (dona da DAF) fazendo o mesmo.
    Ford? Vai saber, ainda mais se considerarmos que ela se empolgou com a ideia de voltar ao mercado de caminhões maiores com mais força após ver a boa recepção do novo Cargo (projeto da Otosan que apenas leva a marca oval como forma de ficar mais vendável). Toyota? De repente, se considerarmos que a Scania é para Europa e América Latina o que é a Hino para a Ásia, seria uma boa ocasião para o grupo japonês estender sua presença. Tata? De repente, a se considerar o bom trabalho já feito com Jaguar e Land Rover, poderia ser uma forma de ter mais um pé na Europa. Mahindra? Se considerarmos que recentemente ela desfez a parceria com a Navistar e toca sozinha seu negócio de caminhões, poderia ser uma opção para se tornar menos restrita à Índia. Kamaz? Como já disse aqui, os russos podem acabar surpreendendo, uma vez que já mostraram ser possível fazer superleito de nível americano dentro das restrições europeias. Navistar? Por ora essa marca não está por cima da carne seca como já esteve outrora, mas ter um departamento que saiba projetar caminhões à europeia não é algo a se desprezar, ainda mais após o fim da parceria com a Mahindra e, consequentemente, ter ficado sem uma cabine para o AeroStar;

    2) Ducati: poderia interessar a algum indiano ou chinês interessado em mostrar algo além de simples motos baratas. De repente a indiana Hero, que não mais é parceira da Honda, poderia se interessar nas motos desmodrônicas altamente ágeis feitas na Itália. Harley-Davidson? Vai saber. A recém-ressuscitada Indian? Seria uma pequena comprando outra, ambas com foco bastante especializado. Não consigo ver as japonesas adquirindo, uma vez que elas já fazem com marca própria coisas de nível tecnológico altamente parelho com o da Ducati;

    3) Lamborghini: aqui também poderia haver algum interesse de chineses e indianos. Para a Tata seria um bom complemento a Land Rover e Jaguar, considerando-se que a estratégia de divisões altamente especializadas vem revertendo em bons resultados.
    A hoje divisão italiana voltaria a tempos mais de raiz, pois as tecnologias que são proprietárias e não compartilhadas são o motor V12 e a transmissão automatizada monoembreagem de sete marchas. Fazer um sucessor para o Huracán, que usa componentes de origem VW, poderia ficar na base de criar um V10 serrando dois cilindros da unidade maior;

    4) Bentley: esta só teria mesmo como produto de raiz o Mulsanne e seu motor V8 OHV de 6,75 l e quem comprasse essa marca teria de basicamente fazer o que a própria VW fez quando fez a marca deixar de fabricar Rolls-Royces com outro logotipo para ter uma linha mais marcante, ainda que compartilhando componentes com outros modelos do grupo alemão.
    Não consigo imaginar alguma marca que fizesse boa liga, mas creio que a BMW não iria querer voltar a reunir as outroras irmãs, uma vez que já investiu um belo tanto na Rolls;

    5) Parte da MAN: pelo tamanho dessa marca também fica difícil saber quem poderia adquirir. Novamente esbarramos em leis antitruste e boa parte das grandes europeias pode ser considerada carta fora do baralho.
    Toyota? Se considerarmos o quão regionalizada é a Hino, poderia aqui ser algo como a sugestão de adquirir a Scania, ainda que seja mais negócio ter o todo de um fabricante menor do que ter parte de um maior. Mahindra? De repente, já que estão com moral de deixar uma Navistar de lado e caminharem com as próprias pernas, seria uma forma de avançar mais seus caminhões. Navistar? Como já dito antes, não está tão por cima da carne seca quanto outrora, mas seria uma forma de compensar a perda da parceria com a Mahindra e consequente fato de o AeroStar só ser agora um chassi sem cabine. Tata? Considerando-se o que esse grupo tem feito, creio que interessaria mais mesmo adquirir uma divisão inteira, tal qual fez com Jaguar e Land Rover. Kamaz? Se já fizeram acordo com a Daimler AG para usarem a cabine do Axor até que surja uma versão de série da cabine-conceito 2020, poderia também ser oportunidade para ter mais tecnologia quando o assunto é motor e chassi. Caterpillar? Poderia ser, ainda mais se pensarmos que eles deixaram a Navistar de lado e irão ter projetos próprios de caminhões para o futuro. Se considerarmos o braço não-caminhoneiro da MAN, também há afinidades interessantes com a marca do maquinário amarelo escuro.
    Se considerarmos que a operação brasileira de caminhões e ônibus é bem saudável, de repente seria uma boa voltar a separá-la da MAN dentro daqueles bem-bolados internos. Ninguém se importa de caminhões VW na prática serem “cozidões” de peças vindas das prateleiras de fornecedores e por vezes até preferem saber que podem consertar os motores Cummins e transmissões Eaton também em terceiros, diferente do que ocorre quando o motor é de marca própria. Aqui também há o apelo de “faz o mesmo que Volvo, Scania e Mercedes, mas a preços menores”, além de poder tocar bem uma próxima geração do furgão Crafter, que por ora está sendo projetado em conjunto com a MAN.

    Enfim, ficam as especulações para o futuro de um grupo VW que está bem encrencado por ora.

    • Danilo Grespan

      É, esse definição de estratégia sobre cada uma de suas marcas será fundamental agora… o problema maior, por incrível que pareça, talvez nem seja esse financeiro imediato, mas sim o impacto no grupo em si, na visão que todos tem dele, principalmente em países que respeitam de verdade regras e leis. Saiu mais uma afirmação do grupo dizendo sobre terem colocado o falsificador de informações em 11 milhões de veículos pelo mundo, de diversas marcas… se já separaram mais de 6 bilhões para esse problema, é porque estão esperando algo bem grande mesmo. Aí pergunto: será que era mesmo necessário? Compensa? Não era mais fácil possibilitar que o carro atendesse as normas?

      http://economia.uol.com.br/noticias/afp/2015/09/22/volkswagen-admite-que-11-milhoes-de-carros-tem-software-que-frauda-testes.htm

      • Ilbirs

        A impressão que me passa é a de que a VW foi tolerante demais com psicopatas em seu corpo de funcionários e, mais ainda, no corpo diretor. Essa coisa dos 11 milhões de veículos com malandragem tem mecânica típica de psicopatia:

        1) Desdém por regras que orientam a sociedade, vendo-as como algo a ser burlado (sempre deixando claro que há diferença em ver brechas e burlá-las): se havia uma malandragem capaz de identificar que o motor estava sendo lido por um detector de emissões, lá foram usá-lo;

        2) Resultados positivos a curto prazo: a VW havia conseguido a proeza de ser a marca que mais vende carros a diesel nos Estados Unidos;

        3) Charme superficial: as pessoas olhavam os TDIs sem saber que na prática poluíam 40 vezes mais do que o divulgado, uma vez que tinha a tal malandragem informática identificadora de leitores de emissões. Já os diretores também apareciam para a mídia como os responsáveis por proezas como um motor capaz de atender às normas de 50 estados americanos e também tinham seus egos acariciados;

        4) Conquista por meio de ludibriação e apelo à boa fé das pessoas: a pessoa adquiria um TDI achando levar para casa algo que estava rigorosamente em ordem, mas agora está com um abacaxi de caroço daqueles, inclusive prejudicado no valor de revenda;

        5) Não se pôr no lugar do outro: o pessoal responsável por esse papelão estava dando de ombros para quem estivesse próximo e só os via mesmo como forma de conseguir realizar seus objetivos. Não importava para os que deixaram isso acontecer que 11 milhões de pessoas estivessem levando para casa algo bichado, mas sim a grana que essas pessoas pagavam por esse algo bichado sem saber o quão bichado estava;

        6) Quando as consequências da psicopatia se revelam, são muito maiores do que se supunha: primeiro achou-se que eram só os TDIs vendidos nos Estados Unidos, mas agora vemos serem 11 milhões de TDIs, significando uma fraude não só de grandes proporções, mas que se prolongou por anos ou mesmo décadas, significando aí ser algo de conhecimento não só do pessoal atual como também de quem antecedeu;

        7) Megalomania: psicopatas amam fazer coisas de grande porte e que preferencialmente surjam rapidamente. Não duvido que esse excesso de marcas que redundam entre si em um mesmo grupo tenha exatamente a mesma mecânica dos TDIs malandros, uma vez que psicopatas amam serem vistos como melhores que os outros. A VW estava até confortável quando era a quarta ou quinta maior marca do mundo, mas aí cismaram que ela tinha de ser maior que a GM ou a Toyota, nem que fosse a qualquer custo, mesmo que na base de fraude altamente disfarçável;

        8) Só admitirem algo quando claramente pegos no flagra, mas ainda assim sem parecer demonstrar arrependimento: vide as desculpas protocolares pelos 11 milhões de carros bichados. Se não tivessem sido prensados contra a parede e desmascarados, talvez só falassem em relação ao ocorrido nos Estados Unidos, alegando que os motores de lá têm muitas diferenças em relação aos europeus, quando não é nem de longe o caso;

        9) Desprezo pela estrutura da realidade: aqui consideraria também a “audização” da VW neste século, com modelos totalmente distantes do ideal de algo bom e barato. Veículos como Touareg e Phaeton fariam mais sentido se quatro argolas ostentassem na frente, em vez do medalhão redondo cromado com um V pequeno sobre um W de pernas compridas. Porém, tinha gente agindo naquela base de “se os fatos não corroboram nossa teoria, pior para os fatos”. E nessa, uma marca notória por fazer um bom feijão com arroz foi usada para que se tentasse empurrar algo diferente daquilo que sempre fez direito para que o narcisismo de alguns fosse abastecido.

        Talvez esse caso seja uma mostra boa para outras empresas para que combatam a psicopatia corporativa justamente pelos maus resultados que ela gera no longo prazo. Já no grupo VW, vai ser preciso haver alguém como um Heinrich Nordhoff para pôr a casa de Wolfsburg nos eixos, e aqui com a diferença de ser um problema surgido em tempos de paz.

  • vstrabello

    Legal ver os Fuscas. O do Shaikh ficou bem estiloso, combinou com a cor e legal a viagem do “Fusca do Alemão”. Essa foto é demais!
    http://autoentusiastas.com.br/wp-content/uploads/2015/09/AG-06-Foto-16-Billo-foto-08.jpg

    • Caro vstrabello ,
      Eu concordo que o Billo ficou estiloso, com uma decoração típica, muito bem feita, mas sem exageros.

  • pkorn

    Achei pitoresco essas tão diminuídas máquinas terem ao final da vida um renascer, servido de tela para obras de arte e para a intrepidez humana.

    • Caro pkorn,
      Eu relatei exemplos com Fuscas, mas carros de várias marcas foram submetidos a tratamentos de “embelezamento” semelhantes. Nas mãos de colecionadores tais máquinas se distanciam de uma final de vida alcançam sobrevida, como Foxy Shahzadi que de quase sucata está a brilhar nas ruas de Paris. Decorar veículos desta maneira é um aspecto cultural de toda aquela região e que tem seu ponto alto no Paquistão. Mandar fazer este tipo de decoração não é barato nem é feito em poucas horas… Talvez a breve entrevista do repórter da BBC com um caminhoneiro paquistanês mostre que este tipo de decoração é algo arraigado naquele povo, diz o caminhoneiro:
      -“Nós mandamos fazer isto tudo, pois nos amamos isto. Partindo da base do caminhão até o acabamento no topo da cabine, nós montamos isto tido junto, você vê?”
      Ou seja não há uma explicação racional para este tipo de coisa.
      É uma tradição apreciada por todos.
      Pois é, até Vespas acabam sendo pintadas no estilo Truck-Art:

  • CorsarioViajante

    MUito interessante! Não é do meu gosto pessoal mas é inegável que fica um trabalho muito original e criativo!

    • Bacana CorsarioViajante,
      Realmente é algo bem peculiar, mas é mais uma coisa para ficar conhecendo, não é mesmo?

  • Rogério Oliveira

    Gromow, como é impressionante á inclusão do Fusca em todos os países que foi comercializado! O Fusca tem uma característica tão forte com habitat que ele é inserido!
    Será que Porsche algum dia teve á noção que seu Kafer seria responsável ou melhor inserido na família de seus donos, como um integrante para todos os momentos!

    Ótima matéria!