O direito no lado esquerdo — uma fábula do dia a dia de um tempo pioneiro

Esta é a história de um funcionário da produção da Volkswagen do Brasil. O “Zé das Portas”, hoje merecidamente aposentado, iniciou o seu trabalho na indústria automobilística na Fábrica II da Volkswagen do Brasil, no Ipiranga, na Vila Carioca, antiga Vemag.

O registro de funcionário foi feito em 1969 na Fábrica Anchieta, onde ficava o setor de recrutamento.

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Vista aérea da Fábrica Anchieta da VW em  São Bernardo do Campo-SP

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Antiga portaria da Fábrica Anchieta da VW, na rua Galvão, onde ficava o recrutamento

Naquele tempo o DKW-Vemag já não era mais produzido (havia apenas uma produção de peças de reposição). A fábrica, agora da Volkswagen, produzia o VW 1600 quatro-portas, depois apelidado de “Zé do Caixão”, e o TL.

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Pátio da Vemag nos tempos áureos da produção de DKWs

O “Zé das Portas” foi trabalhar na área de funilaria e lá acabou se especializando em portas. Sim, por incrível que possa parecer, naqueles tempos desenvolviam-se especialistas na funilaria de partes dos carros, mas a especialização não pára por aí, não.

Obviamente, os carros têm lados, direito e esquerdo, ambos iguais, e em função das ferramentas disponíveis, dado o trabalho manual de lixamento e ajuste necessário para tirar algumas imperfeições e garantir a qualidade final do produto, formaram-se especialistas em lados: direito e esquerdo.

Mas esta escolha não era muito democrática, a preferência recaía sobre as portas do lado direito, mais fáceis de processar. Ocorre que o “Zé das Portas” não recusava tarefas e enfrentou com galhardia a tarefa de processar portas do lado esquerdo. Uma complicação, verdadeiro desafio!

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Este era o instrumento de trabalho de nosso herói anônimo; fagulhas marcavam o rastro de um cuidadoso trabalho

Na equipe em que ele trabalhava todos eram destros, inclusive ele. Para operar a lixadeira o operador segurava no apoio da mesma com a mão direita, com isto o sentido de operação da lixadeira era definido pelo operador, ou seja, este apoio servia para direcionar o instrumento para o local a ser lixado. A locomoção era iniciada sempre para frente do carro (considerando estar processando uma porta direita), ou seja, da esquerda para direita.

Já trabalhando no lado esquerdo, a lixadeira era a mesma, e como não podia mudar este apoio auxiliar — um tipo de cabo com manopla (ainda não havia uma preocupação ergométrica com os operadores) — começavam da direita para esquerda, o que obrigava o operador a se deslocar para trás. Este era um grau maior de dificuldade para os destros! Apesar desta dificuldade peculiar, o “Zé das Portas” se especializou em trabalhar no lado esquerdo das peças estampadas.

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Para dar um exemplo do trabalho que o “Zé das Portas” fazia, nesta foto um colega seu lixa detalhes num Brasília

Em toda a sua vida profissional na Volkswagen do Brasil o “Zé das Portas” sempre trabalhou nas portas do lado esquerdo do VW 1600, TL e DKW-Vemag — estas para o mercado de reposição. Este lado era sempre recusado pelos colegas de trabalho! Diante deste fato, em 1979, ele foi transferido para Fábrica Anchieta.

Alguns detalhes desta mudança de local de trabalho. A Fábrica II, antiga Vemag, era situada em São Paulo e portanto estava fora da área de atuação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e permaneceu funcionando durante a grande greve de 1979 no ABC. Nesta ocasião o “Zé das Portas” acabou sendo transferido para a Fábrica I (Anchieta), também para cobrir os demitidos em função desta greve. No mesmo ano as atividades na Fábrica II foram encerradas e suas dependências passaram a ser usadas como depósito.

Na Fábrica I ele foi alocado na Ala 2 e trabalhou exclusivamente no Voyage e na Parati, também no lado esquerdo destes carros! Lá já existiam robôs na linha de produção, porém, exclusivamente na armação do monobloco, sendo que os pára-lamas, portas e capôs, ainda eram produzidos em processo manual.

Porém, devido à tal grande greve foi feito um investimento radical em robôs para diminuir a dependência de operários. Acho que todos sabem quem era o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na época…

Lula

Eis o tal líder sindical discursando para os trabalhadores, encarapitado no pára-choque de um Fusca equipado com alto-falantes!

E o “Zé das Portas” acabou sendo remanejado em meados de 1990 para a Ala 21, onde ficava o estoque de peças de reposição, onde trabalhou como conferente de peças para atender os mercados interno e externo.

A título de curiosidade, o “Zé das Portas” comentou que os trabalhos no Voyage e Parati para o mercado americano e canadense (Projeto P99, alusão ao volume planejado de 99.000 unidades), que lá acabou sendo batizado de Fox — nome da época que não tem nada em comum com o atual Fox e que repetia a denominação do Audi 80 naqueles mercados uma década antes — eram de outro nível, pois a chapa era de qualidade superior; assim, não havia a necessidade de serviços de funilaria como era requerido para os carros de produção normal. Mesmo assim estes carros brasileiros não tiveram o sucesso esperado na América do Norte, em grande parte por não terem câmbio automático, crucial nos mercados americano e canadense.

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Nosso herói fez parte deste mar de gente que se formava na troca de turnos na Fábrica Anchieta da VW

O “Zé das Portas” é uma pessoa que não recusou qualquer atividade, enfrentou as dificuldades naturais que surgiram, transformando isto no que hoje em dia se convencionou chamar de “vantagem competitiva”.

Com este relato entramos num dos milhares de aspectos envolvidos na fabricação dos carros Volkswagen no Brasil e onde pessoas como o “Zé das Portas” fizeram a diferença, isto nos tempos anteriores aos robôs e aos padrões de controle de qualidade atuais.

A qualidade era resultado de um complexo de atividades onde os artesãos envolvidos tinham uma função de destaque para que os carros saíssem de um modo tal a conquistar a confiança dos usuários.

Na pessoa do “Zé das Portas” registramos o importante trabalho deste exército anônimo de “especialistas de portas esquerdas”, de “direitas”, de incríveis “ajustadores/afinadores de câmbio pelo ouvido” e assim por diante, que certamente puseram a mão na massa nos carros de muitos dos colecionadores que mantém viva a tradição destes valentes veículos.

Fica aqui o reconhecimento e os parabéns a toda esta legião de “especialistas” anônimos, verdadeiros heróis!

O  nome real do protagonista desta história foi omitido a pedido dele. Mesmo passados tantos anos, ele preferiu ficar no anonimato. Decidi chamá-lo de “Zé das Portas”, pois este apelido está ligado ao caso. Esta matéria foi escrita com base nas informações do seu genro, e que também não pôde ser identificado para atender ao pedido de seu sogro de não ter o nome revelado.

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A fábrica da Vemag no auge da produção do DKW-Vemag

Mesmo não sendo o foco deste trabalho, como citei a Vemag acho que cabe ressaltar a importância desta fábrica no contexto da indústria automobilística brasileira. Era uma fábrica moderna que foi pioneira na produção de veículos nacionais plenos (com todo respeito às Indústrias Romi S.A., de Santa Bárbara d’Oeste/SP, cujo produto, o Romi-Isetta, era um microcarro). O ocaso da Vemag se deve a uma situação que estava totalmente fora de seu controle e que foi um reflexo de acontecimentos na Alemanha que resultaram na sua compra pela Volkswagen e da descontinuação da fabricação de motores de dois tempos para veículos de passageiros. Se bem que ficou a dúvida sobre se este princípio não teria como ser modernizado para atender às condições de meio ambiente que levaram à sua extinção.

Para colecionadores e preservadores da história, a erradicação da Vemag, inclusive física com a demolição da fábrica, sem o cuidado de ter sido preservado ao menos o prédio da administração (que poderia ter sido aproveitado no projeto do atual uso do terreno) é motivo de uma tristeza adicional. Hoje quem for procurar o que existe no número 1.036 da Rua Vemag, endereço original da fábrica, irá encontrar parte do Central Plaza Shopping e a seu lado a Estação Tamanduateí do Metrô…

 

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Fachada do prédio de administração com a entrada característica e o logo Vemag gigante

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Foto de 2009 mostrando as ruínas que restaram do prédio de administração; a porta, que era magnífica, e as janelas do térreo, foram cimentadas…

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Hoje, na rua Vemag 1.036 está o Central Plaza Shopping

Ainda sobre a Vemag, para meus contemporâneos as cenas do vídeo que se segue ainda devem estar presentes em suas mentes, mas sempre é uma boa oportunidade de rever este trabalho do cineasta francês radicado no Brasil Jean Manzon (2/02/1915–1/01/1990), com a locução do lendário Luiz Jatobá (5/01/1915–9/12/1982), num elogiável trabalho de preservação da Dana Holding Corporation Brasil:

AGr

Nota do autor: este material, foi originalmente publicado na minha coluna “Volkswagen World”, do Portal Maxicar (www.maxicar.com.br), e esta publicação ocorre de comum acordo com o meu amigo Fernando Barenco, gestor do MAXICAR, companheiro de muitos anos de trabalho em prol da preservação dos veículos VW históricos e de sua interessante história. O conteúdo foi revisado, ampliado e atualizado. Material pesquisado junto ao genro do “Zé das Portas”, fotos de acervo e da internet.

A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 



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Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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  • ALEXANDRE

    Parabéns, não me canso deste site e seus (sua) colunistas (a). Sempre detalhes históricos fantásticos. Leitura obrigatória (voluntária) diária.

    • Obrigado pela parte que me toca, caro Alexandre!
      Seu comentário é um orgulho para todos nós AUTOentusiastas…

  • Luciano Ferreira Lima

    Tão bela homenagem a um colaborador e o mesmo preferiu ficar no anonimato? Deve ser plausível suas razões. Parabêns “Zé das portas”.

    • Caro Luciano Ferreira Lima,
      Algo deve ter ocorrido com o Zé das Portas, pois inicialmente ele havia topado integralmente, e a idéia era até colocar uma foto dele, mas num dado momento ele pediu para ter seu nome preservado, mas permitiu o uso das informações que ele deu.
      Ainda bem, pois preservar uma interessante curiosidade destas vale muito a pena.

  • Utzig

    Baita texto!

    Algo que acho curioso na imagem das peruas em frente à Vemag, é que pelo menos duas unidades não tem o teto branco!

    • Grato pelo “baita texto”, fico contente que você gostou, Utzig!
      Agora quanto à sua pergunta relativa à cor do teto das peruas…
      Você está sentado??? Então sente-se:
      A cor branca do teto era um acessório – era um “teto térmico” opcional!!! Não é fantástico?
      Agradeço a meu grande amigo Eduardo Pessoa de Mello, do Auto Union DKW Club do Brasil, pela ajuda com esta resposta!

  • Lemming®

    Acho muito bom resgatar a memória destes que fizeram uma diferença positiva. Saber quem são. Mesmo anônimos.

    Dos que fizeram o contrário é mesmo para não esquecer…ohh desgraça anunciada.

  • Aldo Jr.

    Sem saber, devo ter apreciado algumas vezes o trabalho do “Zé das Portas”. Visitei a fábrica da Volkswagen muitos anos como fornecedor, “batendo ponto” por lá no mínimo uma vez por semana. Ficava maravilhado ao passar pelo setor de Funilaria, onde os monoblocos recém montados recebiam os ajustes finais dependendo, até onde entendia, da sensibilidade dos profissionais que ali trabalhavam. A foto do pessoal saindo também trás a memória do volume de gente que trabalhava ali, 40 mil pessoas salvo engano.Uma fábrica como aquela, nos dias de hoje seria impensável pela própria dinâmica do setor, mas que esse “líder” ajudou a apressar o processo e deteriorar o nível de empregos da região, isso não tenho dúvida. Parabéns pela matéria. Abs.;

    • Caro Aldo Jr.,
      O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC conseguiu esvaziar São Bernardo do Campo que deixou de ser a capital do automóvel brasileiro. O custo da mão de obra e a insegurança funcional, devido às greves muito freqüentes não só provocaram a automatização acelerada de fábricas como pulverizaram a fabricação automobilística pelo Brasil a fora.
      O Brasil com o governo do tal “lider” se transformou numa “república do sindicalismo” e toso o mal que está sendo feito está causando um segundo êxodo, agora do Brasil rumo ao Paraguai onde várias empresas brasileiros, d vários ramos estão se estabelecendo em condições muito melhores e trabalho!!!
      Em suma, uma catástrofe cujas proporções só serão conhecidas com o tempo…

      • BlueGopher

        É uma pena que muitos destes sindicatos busquem só vantagens imediatas, principalmente a de autopromoção e perpetuação no poder da liderança do momento.
        Apesar de nunca ter trabalhado em RH, naquela época tentei inúmeras vezes conscientizar representantes do sindicato lá da empresa em que eu trabalhava, da necessidade de pensar e agir pensando sempre a médio e longo prazo, mas inutilmente.

        Percebi que a maioria destes representantes haviam sido escolhidos com base em sua capacidade limitada de raciocínio e fanatismo inquestionável aos objetivos dos seus líderes.
        Os operários viravam massa de manobra.
        Os funcionários que não concordavam com certas greves eram pressionados por piquetes na fábrica ou mesmo pessoalmente, nos bairros em que moravam.

  • CCN-1410

    Conheci muitas pessoas anônimas eficientíssimas, mas também conheci inúmeros safados que se aproveitavam dessas pessoas para alavancar suas carreiras. Coisas do Brasil!

  • Silvio

    Uma pequena correção bem ao final do texto, a data está errada.

    “com a locução do lendário Luiz Jatobá (5/01/2015–9/12/1982)”

    • Silvio,
      Um errinho de 100 anos…(rs). Desculpe, está corrigido e obrigado pela alerta.

  • Uber

    Falando de Vemag, será que eles não poderiam ter negociado com a VW e aproveitado o motor do Fusca nos seus carros? Como ficaria um DKW com motor de Fusca na dianteira? Alguém tentou fazer isso?

    • Pois é, Uber,
      Talvez poderiam ser usados o motores a água no DKW, não sei se o a ar teria dado muito certo.
      Aliás a história mostra que algo parecido ocorreu na compra da Chrysler do Brasil, quando passaram a existir “Dodges Polara” saindo com motor AP, coisa que durou muito pouco tempo, pois a partir de 1981 a fábrica foi dedicada à fabricação de caminhões e a produção de carros foi encerrada.
      Pois tudo que a VW do Brasil certamente não queria nos dois casos era concorrência para seus produtos…

  • Geraldo Luís

    Podem me criticar, mas vou deixar aqui minha opinião. Esse negócio de Sindicato no Brasil nunca funcionou e nem vai funcionar se continuar com as regras do jeito que está. Digo em causa própria. Essa contribuição sindical obrigatória eu não engulo. Certa vez, fulo da vida por ter que pagar mais uma “Contribuição” ao meu sindicato, questionei-os sobre os gastos e a relação custo-benefício de se manter filiado. Bom, resumindo fui agredido verbalmente e moralmente de todas as expressões possíveis. A mais tranqüila foi “Pelego, puxa-saco patronal”. Creio que os sindicatos sejam apenas um estágio evolutivo para que os líderes sindicais se tornem futuros políticos de esquerdas como o “Meliante” da foto de cima que discursava montado num pobre Fusquinha.

    • Caro Geraldo Luiz,
      Eu já comentei no post do Aldo Jr. logo abaixo sobre o êxodo de empresas automobilísticas que saíram, ou não ampliaram mais, em (ou de) São Bernardo do Campo devido ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; arrematei falando do êxodo de empresas brasileiros, para o Paraguai, em função do estrago que esta corja de sindicalistas está a fazer no Brasil.
      E a coisa ainda tende a piora muito mais a permanecer estes partido no governo…

    • Danilo Grespan

      Sinceramente, acho que ninguem irá te criticar não…

    • Lorenzo Frigerio

      A verdade é que pelegos são eles. A consideração sobre o nível de emprego no ABC sempre suplanta quaisquer outras. Os caras dormem com o inimigo, literalmente.

  • Silvio

    AGr, na rua Vemag existe um enorme galpão, que se estende por toda a quadra desde a Av Pres Wilson até a rua Auriverde, que imagino ainda seja resquício da era DKW, o mesmo galpão que creio tenha sido usado pela Puma. Não sei se ainda é usado por alguma empresa, ou órgão público, coisa de uns 15 anos atrás haviam placas da Prefeitura de São Paulo.

    Realmente uma pena a falta de cuidado com a história de grandes instituições.

    Mais triste ainda ver como um “Zé Folgado” atrapalhou e segue atrapalhando a vida e o trabalho de tantos “Zés das Portas”

    • Sim, Silvio, Há um galpão em ruínas que fazia parte do complexo da Vemag, mas acho que a sua permanência é uma mera questão de tempo.
      Este “Zé Folgado” tem logo que encontrar o seu rumo para a cadeia, para ficar junto com os seus amiguinhos de partido que já estão por lá…

      Voltando ao galpão é sobre este que você está falando?

  • Fórmula Finesse

    Verdadeiros heróis anônimos…hoje é tão fácil tecer loas aos RR’s, Bristol, Bentley , Ferrari’s de outrora quase sempre lembrando da industrialização quase artesanal (que paradoxo) desses carros; do cuidado na elaboração, escolha e manufatura dos melhores materiais primários. Mas esse post lembra mui dignamente das nossas próprias realizações humanas na talvez mais generalista das marcas…(de fusca a phaeton W12, de Kombi a engenharia fina do Veyron…etc), gente que mourejava duro sob a faísca das lixadeiras, sob a luz enganadoramente inofensiva azul das soldas…no encaixe das peças, colocação de rodas, apertar dos parafusos. Quanto toda a linha de montagem estava muito feliz; perante um feriado, no dia do pagamento ou por vitória do Corintians (rsrsrs – coopright JLV), era exequível esperar carros que tornariam muito felizes seus futuros donos.
    Bons tempos…Eu gostaria de voltar alguns bons anos no tempo só para ver in loco a mega fábrica da Ford quando do auge do Model T.
    FF

    • Pois é, Fórmula Finesse, e hoje em dia várias fábricas foram de um extremo para outro e passaram a ter fábricas que mais lembram espaçosas salas de operações de hospitais de alto luxo; num claro e indefensável aumento de custos de fabricação!!!

    • Maycon Correia

      Ou esses certos carros fabricados as vésperas de feriados deixariam seus donos de cabelos brancos… A empresa de um amigo comprou uma Kombi branca zero-km a álcool em agosto de 1993, que trabalhou incansavelmente sem nunca incomodar ou ser rebocada até 2008. Porém era pouco, e em 9 meses tiveram de comprar mais uma. Dessa vez a pronta entrega tinha uma bege, a gasolina e “sem ágio” estava marcando 19 km e disseram assim: foi entregue na revenda errada, então veio de lá aqui rodando. Faturou embarcou nela e recebeu a instrução. Abastece logo pois vem quase sem gasolina. Andou poucos metros encheu o tanque e foi Para a empresa, onde já era esperado para carregar a Kombi e sair a entregar verduras frescas recém-saídas da Ceasa. E a Kombi não o levou ao fim da rua! Morreu repentinamente e com o tanque cheio. Ligou para a finada revenda, onde uma F-4000 do Touring Club foi buscar. Um dia inteiro perdido e descobriram que havia queimado a central da ignição eletrônica. Dois dias depois já carregada de verduras, ela parou de novo! Dessa vez a bobina que fez o serviço sujo. Depois foi homocinética. E tudo que podia quebrar ainda na garantia! Portas não fechavam. aí olhando a data no carimbo era sexta de Carnaval a inspeção final de montagem. Claro que não deve ter sido isso o fator predominante da Kombi mal assombrada. Mais aos 15 dias de uso a empresa do leasing se negou a trocar o carro. Na revenda essa Kombi era conhecida como sexta-feira 6:20 da tarde.
      P.S.: são máquinas, e toda máquina pode durar muito ou pouco. Não acredito nas superstições, mais tem um mínimo fundo de verdade.

  • Mr. Car

    Não é por acaso que não raro, sai crime de morte na disputa por um sindicato. Não é por acaso.

  • Mr. Car

    Gromow, que beleza de matéria, adoro estas informações de bastidores, he, he! E o filme…fantástico! Sou fascinado por estes documentários do Jean Manzon. Fascinado! E toda vez que indico para alguém ver, não deixo de dar crédito e parabenizar à Dana pela magnífica iniciativa de patrocinar a restauração destes filmes, iniciativa esta ainda mais louvável por sabermos da triste (e real) fama que o Brasil tem, de ser um país sem memória. Quanta coisa se perdeu, e quanta coisa estamos perdendo, por absoluto descaso com a memória, com a preservação da história. Fico arrepiado quando penso por exemplo, na deterioração daquilo que um dia foi a Fordlândia! Que história, que empreendimento épico, monumental! E tudo se deteriorando, alvo de saques, invasões, depredações. Triste e vergonhoso para mim, como brasileiro. Aliás, a Fordlândia daria um belo post no Autoentusiatas, he, he!
    Abraço.
    Para pensar: “Perdi metade da vida por certo prazer fatal, e a outra metade daria, por outro prazer igual”. (Ramón de Campoamor)
    Para ouvir (Youtube): “David Bowie Absolute Beginners Official Music Video”

    • Fórmula Finesse

      Também gosto muito dos filmes de Manzon que conheci há relativamente pouco tempo…vi todos da série com especial regalo nas versões a cores!

      • Lorenzo Frigerio

        Quem também fez muitos filmes foi o Primo Carbonari. Ele era um daqueles italianos arquetípicos, super-grosso, e correspondentemente sua família brigou pelo seu espólio após a sua morte. Os filmes estavam armazenados em condições menos que ideais.

    • Caro Mr. Car, agradeço a seu comentário e concordo plenamente como que você ponderou. Nos caminhos que já percorri nestes mais de 30 anos pesquisando a história do Fusca vi vária vezes gente que preferia jogar documentos históricos importantes no lixo ao invés de passar para pessoas, como eu, que poderiam utilizar este material e dividi-lo com a comunidade interessada em manutenção histórica.
      Uma lástima…

    • Lorenzo Frigerio

      É uma pena que a resolução dos vídeos seja tão baixa. Provavelmente o filme foi feito em 16 mm, o que daria um belo Full HD, se escaneado do próprio negativo.
      Parece que alguém gravou em VHS e anos depois botou no YouTube.

      • Os vídeos originais foram feitos em 35 mm, que era o padrão, pois também passavam em cinemas da época. A qualidade atual vem do pós processamento. Em algum lugar deve existir o original em 35 mm. Seria bacana escanear este material do original, concordo…

  • BlueGopher

    Eu também visitava bastante a VW naquela época, e esta troca de turnos era realmente impressionante!

    O que lembro também era o ajuste final das portas da Kombi, em especial a da tampa traseira.
    O profissional, que poderia ser chamado de “Zé da Marreta”, fazia os ajustes necessários com um martelo de borracha, quando a porta não fechava bem (quase sempre).
    Com vigorosas e sonoras marteladas em alguns pontos, ele fazia com que a porta passasse a fechar suavemente.
    Procurei, mas nunca encontrei nenhum amassadinho nos pontos onde ele batia na chapa…

    • Não era só marreta que os ajustadores das portas de Kombi usavam, caro BlueGopher, eles usavam também um “arsenal” de pedaços de madeira de diferentes formas e tamanhos que estava maceteados para corrigir deformações específicas! Eu vi ajustadores em plena ação na visita de despedida À linha de montagem da Kombi que eu pude fazer, dias antes do término da mesma…

    • Maycon Correia

      E basta trocar a borracha original ressecada por uma nova que começa a fábrica encantada de barulhos!

  • Mr. Car

    Acabei esquecendo de duas coisas: 1- Quem quiser ver mais documentários do Jean Manzon, pode ir direto em http://www.acervojeanmanzon.com.br
    2- O único pecado de seu post, Gromow: publicar a foto do talzinho que “não sabia de nada”. Podia ter nos poupado este desgosto, he, he!

    • RoadV8Runner

      Pois é, graças a esse barbudinho que, naquela época, muita gente boa perdeu seus empregos e, outros, boa parte dos benefícios que algumas empresas davam, sem que houvesse lei para isso. Quando os sindicatos passaram a exigir isso e aquilo, todas as empresas passaram a dar aos funcionários única e exclusivamente o que a lei determina.

    • Salve de novo Mr. Car,
      1-Boa dica, muito válida! É uma importante acervo de vídeos.
      2-Quem? o “Zé Folgado”, como o Silvio o apelidou? Mas isto faz parte da história e esta não se apaga na base da canetada…
      Apesar de muita gente de “comissões de inverdades” estar criando histórias unilaterais por ai, repito história não se apaga na canetada…
      De mais a mais, também não gosto do “Zé Folgado”, então faça o seguinte ao olhar a foto veja somente o Fusquinha com as cornetas de som (um trio elétrico tipo popular) honestamente trabalhando sem esmorecer…

  • Mauro

    Beleza de post. E falando de história, Alguém poderia escrever sobre a greve de 86 ou 87, dos tempos da Autolatina, quando os operários depredaram carros zero da linha de montagem.

  • Cafe Racer

    AGr
    Muito legal esse vídeo da fábrica da Vemag.
    Pena que nada restou do prédio para lembrar a história.
    Infelizmente, não faz parte da nossa cultura a preservação de nossa história e memória… Existem, mas, são raras as exceções.
    Aliás, acho que as grandes (VW,,Ford,,GM e Fiat) deveriam ter um museu com o acervo dos seus carros, produzidos ao logo desses anos todos,de operação no Brasil … Caberia até, como uma ferramenta de marketing e divulgação, coisa que tão bem as grandes fabricantes fazem lá fora… Isso valeria também para os pesados (Mercedes, Scania, Volvo etc )
    Acho que muitos que hoje trabalham na indústria automobilística e em sua cadeia de distribuição (revendedores), trabalham por trabalhar.
    Falta o “brilho nos olhos” e verdadeiro entusiasmo por carros.

    Quando se gosta mesmo, o resultado do trabalho é muito diferenciado..
    Como exemplo cito o Eduardo Souza Ramos, que faz um excelente trabalho há anos…
    Divulgou e consolidou a marca Mitsubishi no Brasil, construiu e administra um autódromo (Velo Città) e por lá possui um maravilhoso acervo de carros histórico e clássicos.

    • Caro Café Racer,
      Concordo em gênero número e grau com o que você escreveu, mas, como eu costumo falar repetidamente: vivemos ao sul do equador e isto complica muito o meio de campo!
      O índice de seriedade por aqui é, infelizmente, muito baixo e isto nos puxa para baixo e todos os sentidos.
      Veja o exemplo do natimorto “Museu da Chevrolet do Brasil” que o André Beer tentou fazer. Tenho até um amigo que doou um carro excepcional para esta empreitada, pois acreditou que seria algo sério. Do lado do Beer era, mas do lado da GM parece que não, pois o museu acabou não saindo e pior, o seu acervo foi entregue para o Museu da Ulbra cujo triste fim todos conhecem (e meu amigo não ganhou a sua raridade de volta).
      Mas, na minha praia, a VW teve duas oportunidades incríveis de locais para o seu tão protelado museu, uma foi a fábrica da Simca que ficava no outro lado da Anchieta, e que foi comprada pela VW, e cujo acesso poderia ser facilmente feito pela passagem subterrânea que lá existe (com a vantagem de permitir acesso livre do público, pois não estaria no terreno da Fábrica Anchieta). Outra foi o galpão da Rua do Manifesto, onde a sua história começou no Brasil e que esteve à venda e agora deu lugar a um prédio – teria sido um lugar ímpar e com tremendo valor histórico!!!
      Enfim, a VW of South Africa, pequena como é, tem o seu singelo museu – o que prova que tudo isto está rigidamente atrelado ao uma coisa que se convencionou chamar de “vontade política”…
      Resumo da ópera: tudo isto é uma tristeza…

      • Maycon Correia

        Nossos queridos Fuscas nacionais não tem os dados microfilmados divulgados. Está ali uma fonte de renda para o museu. Visite o museu e leve a certidão de nascimento do seu Fusca! Muita gente iria ceder seu carro para uma temporada no museu. Colocariam um Fusca de cada ano e modelo para divulgar os detalhes diferentes, cores da linha 73 por exemplo! Temática diferente todo mês era algo para encher sempre.

        O exemplo de bagunça começa na idéia do renascimento do Fusca, em 1993, já que não havia nenhum guardado, eles tiveram de recomprar alguns e pegar outros emprestados para fazer os testes.

        Acredito que eles têm muita história para contar, só eles que não se dão conta disso.

        • Caro Maycon Correia,
          Você tocou num assunto que me deixa acabrunhado há muitos anos: os microfilmes com as fichas de fabricação dos primeiros carros fabricados na Fabrica Anchieta. Esta é uma história que mais parece um conto de horror…
          As fichas, inicialmente manuscritas foram microfilmadas e podiam se vistas a partir de um aparelho que era um tipo de projetor que projetava a imagem da ficha numa tela que funcionava como visor. Havia comandos de adiantar ou atrasar o microfilme bem como para ajustar a imagem. Algo parecido com o que está na foto.Há muitos anos circulou a notícia que o tal aparelho quebrou e que os microfilmes foram “guardados” em algum canto – e de lá para cá não se consegue mais notícia sobre este material tão precioso. Já naquele tempo os microfilmes apresentavam problemas de manutenção, alguns já estavam rasgando.
          O único modo de salvar estes documentos – se eles ainda existirem – e que, na verdade, pertencem ao patrimônio automobilístico brasileiro, seria fazer a sua cuidadosa recuperação e digitalização num sistema de arquivo que permita encontrar cada uma das fichas existentes de maneira rápida através de um computador comum. É um investimento que, ao que parece, ninguém na VW do Brasil quer assumir, ao passo que a fábrica investe milhões em cachês de jogadores de futebol para propagandas… Novamente nos chocamos naquilo que se convencionou chamar de “vontade política” e que parece não contemplar a recuperação destes dados primordiais para muitos dos colecionadores de veículos VW antigos e que teimam em mantê-los na categoria de “colecionáveis”. Ainda tenho a esperança de ver este material recuperado e devidamente “salvatado” servindo como base para “certidões de nascimento, como aquelas que o AutoMuseum VW fornece aos colecionadores de carros alemães.
          Se alguém tiver alguma sugestão de como fazer isto acontecer, que dê a sua informação.

  • RoadV8Runner

    Gosto muito das histórias de tempos antigos, onde tudo tinha que ser feito “na fé e na coragem”, o cara tinha que ter talento para trabalhar em muitas atividades hoje corriqueiras. Não sabia que a carroceria dos carros destinados aos “meros mortais” tinha que passar por um acabamento fino à mão (ou melhor, à lixadeira…).
    Acredito que foi na finada Quatro Rodas que li, a um bom tempo atrás, que a linha de montagem da Kombi, mais especificamente a parte de montagem da coluna de direção, era tido como castigo dentro da VW, pois o cidadão tinha que sentar a marreta na coluna, até chegar na posição correta.

    • Caro RoadV8Runner,
      Comparativamente era como “no tempo das diligências” nos famosos “tempos dos pioneiros”…
      Mas em muitas coisas a qualidade e expertise de especialistas não tem como ser desprezada. Como o exemplo das linhas de pintura automatizadas, “pero no mucho”…
      A programação dos robôs é feita a partir da cópia dos movimentos de pintores especializados, através da digitalização deste movimentos. Ou seja, os pintores entram em cena, pintam um carro e um sistema computadorizado de câmaras e sensores traduz isto em linguagem de comando para milhares de pinturas automaticamente feitas dai em diante.

  • JC Kloske

    Mais uma excelente reportagem… e uma aula de história VW…
    Parabéns Herr Gromow!

    • Grato pelo prestígio de sua leitura, caro JC Kloske; e obrigado pelo comentário!

  • Danilo Grespan

    AGr, excelente história, parabéns mais uma vez! A propósito, esse maldito sindicato dos metalúrgicos é o pior de todos ele, num mundo onde nenhum presta. Não é a toa que a GM aqui de São José dos Campos está fechando, e não receberá NENHUMA parte do investimento destinado ao país. Embraer está indo para o mesmo caminho, vai internacionalizar toda sua produção, além de parte que irá para Gavião Peixoto-SP… quero só ver quantas pequenas indústrias daqui irão fechar, considerando que mais da metade da produção da cidade é destinada a aéreas.

    • Um problema enorme, a luta entre o capital e o trabalho. onde o capital está cada vez mais atacando com ferramentas de automação industrial, um robô pode quebrar, mas não faz greve.
      Por aqui, como eu já comentei há um fluxo não desprezível de empresas brasileiras se estabelecendo o Paraguai…

  • Luciano Gonzalez

    Alexander, já que você falou de Zé do Caixão e de Portas, vou dar um pitaco sobre o Typ 3, Brasil e portas:
    Salvo engano, o Typ 3 não era unanimidade na Alemanha e o Brasil carecia de um pequeno sedã na linha e o que veio a calhar: o Typ 3 no Brasil… porém o ferramental disponibilizado pela VWAG era 2-portas e a VWBR queria um sedã 4-portas… é claro que a matriz ganhou o braço de ferro e o ferramental do 2-portas foi despachado para o Brasil.
    Porém, como nem tudo são flores, o navio afundou com todo o ferramental do veículo 2-portas e daí então o Zé do Caixão nasceria 4-portas.
    Essa história me foi contada por um amigo que ainda está na Anchieta, foi piloto de testes por muito tempo e hoje cuida do acervo da Cia.

    Com relação ao P99: discordo que tenha sido um fracasso, pelo contrário, dentro das metas da Cia. foi mais uma cartada certeira de Herr Wolfgang Sauer.

    Abraços!

    • Salve Luciano Gonzalez!
      Muito interessante este relato. Mais um motivo para pesquisa…
      Que eu saiba, o nosso Sedan VW 1600 acabou sendo baseado no protótipo EA 97 que era de duas portas mesmo e que nunca entrou em fabricação, hoje ele repousa no AutoMuseum Volkswagen em Wolfsburg. A modificação deste projeto para o Brasil foi feita pela equipe do Piancastelli que dele fez um carro de quatro portas (que era o plano original para este carro no Brasil – dada a necessidade de um carro 4-portas para servir como táxi – depois veio o TL de 4 portas) . O carro “equivalente” que saiu na Alemanha, o VW 1500 Typ 3 Sedan, era muito bonito, mas tinha duas portas também e era de estilo diferente do EA 97 e, portanto, do Zé do Caixão. Uma coisa que seria interessante saber é: de que carro era o ferramental que afundou??? Quem sabe seu amigo que ainda está na ativa pode ajudar a deslindar este mistério.

      A observação sobre o insucesso do P99 foi de nosso Zé da Portas. Que eu saiba a meta de exportação foi dobrada, mas, novamente, é um objeto para pesquisas quanto à economicidade do projeto; se bem que naqueles tempos ganhar alguns dólares americanos não fazia mal para ninguém (hoje em dia também não), mas resta saber a que custo isto ocorreu (pois a série do P99 era de produção especial – tipo “custom made” = custos maiores)… Mas se tivesse sido um grande sucesso a quantidade de vendas deveria ser muito maior, considerando o poderio de compra do mercado americano. Não saberia dizer o que 200.000 unidades totais representaria no mercado americano… Comparando com a quantidade de Fusca vendidos por lá esta quantidade seria desprezível. mas é um assunto que deve ser relativizado. Fato é que a meta, que neste caso é conhecida, acabou sendo dobrada, neste sentido foi um sucesso.

      • Luciano Gonzalez

        Vou conversar com ele, talvez você o conheça.. o Bob e o Meccia com certeza o conhecem. só não vou divulgar o nome dele publicamente pois não tenho autorização.
        Forte Abraço!

    • Maycon Correia

      Já ouvi essa do navio, é uma lástima sem tamanho, era o mesmo europeu que viria? Ou seria exatamente o nacional e com duas portas?

  • Lorenzo Frigerio

    Muito bom!
    O filme me lembra muito “São Paulo S.A.”. Bons tempos para o Brasil. Eu era muito pequeno, mas dá saudade mesmo assim.
    O locutor Luís Jatobá lembra aquele do filme “O Bandido da Luz Vermelha”, outra pérola dos anos 60. Será que era ele?
    Quanto à VW, uma vez fui lá preencher uma ficha. Achei curioso o fato do departamento de recrutamento e seleção ficar na própria portaria. Reflexo de que não queriam estranhos perambulando dentro da fábrica, e também de que muita gente mesmo devia querer trabalhar lá.

    • O filme São Paulo S.A., hoje em dia, é muito interessante para que quiser relembrar de como era São Paulo no início dos anos 60, ver as ruas como eram, os carros, os meios de transporte de como as pessoas se vestiam, como as favelas (hoje “comunidades”) eram…
      Quem quiser mergulhar neste passado, basta clicar em:
      https://youtu.be/ns-LPKhz_AE

  • Se soubessem, esses trabalhadores deixariam esse molusco falando sozinho.

    • E o pior, muitos deles ainda continuam a “marcar o 13 e confirmar”…

    • A. Pulcides

      Claro, porque bom mesmo é o trabalhador ser tratado como peão, ficar 12h numa fábrica, ganhando uma miséria, sem garantia de estabilidade e direito a indenização.
      Uma hora ou outra o patrão iria dar um agrado para eles, não é?

      • Ah vá! Os direitos trabalhistas dos brasileiros são uma piada!

        Aconselho você assistir esse vídeo: https://youtu.be/naa5ackwzRQ

        Esse ladrão do Lula nunca trabalhou um dia na vida. Estamos atolados nessa crise por conta desse maldito.

  • Antonio C. Kaio Castro

    Viver, Ver e Rever…

    • Sem dúvida, estimado amigo Antonio C. Kaio Castro,
      Não se pode ter um futuro seguro sem se estar seguro sobre o que ocorreu no passado!
      Muita energia e dinhairo se perde diariamente “inventando” coisas que já tinham sido inventadas e necessitariam somente de uma “atualização”…

  • vstrabello

    Legal ver as Vemaguet saindo da linha. E deve ser uma beleza ver uma dessas na cor vermelha ao vivo!

    • Ao menos este filme (sim pois foi filmado em 35 mm) registro para o futuro (agora) imagens que nos remetem aos tempos áureos da Vemag.

  • Agnaldo Timoteo

    Bacana,

    Mas, não tem como ficar contente quando há o registro de que as peças feitas para o mercado externo sempre são de melhor qualidade do que as que suprem o mercado interno.

    • Sem dúvida, caro Agnaldo Timoteo!
      Isto só esta começando a incomodar mais gente, a meu ver, graças à Internet e à evolução dos usuários de veículos no Brasil, que começam a encontrar termos de comparação.
      Eu sempre repito que “vivemos abaixo do equador” e nesta grande “zona cinzenta” fabricantes fazem o que querem, já que o mercado é francamente comprador (era…) e é composto por uma massa de ignorantes que não sabem pleitear produtos melhores.
      Fabricantes afirmam que têm que ajustar os produtos do mercado brasileiro ao poder de compra dos usuários, só que nesta equação eles omitem a parcela dos grandes lucros próprios (que parcialmente são usados para pagar suas ineficiências). Dai os produtos não têm como equivaler aos congêneres do mercado externo.

  • Silvio

    AGr,

    O prédio que imagino tenha sido do complexo da DKW e abrigado a Puma, é este das imagens abaixo, ocupa toda ama quadra na rua Vemag, entre a Auriverde e a Pres Wilson. É realmente muito grande, e desde que circulo pela região, mais de 20 anos, nunca vi ser realmente utilizado. Logo logo vai acabar sendo alvo da especulação imobiliária dada a proximidade com a estação de metrô.

  • Fernando

    O meu avô infelizmente teve que se aposentar muito cedo por conta disso. Pressão de uma praga que dizia que os “mais velhos”(na faixa dos 50 anos!) tinham que se aposentar para dar lugar para os mais jovens.

    Será esses os atuais eleitores deles?

    Para mim a única vantagem foi poder conviver um pouco mais com o meu avô e na sua oficina em casa.

    • Caro Fernando,
      O “Zé Folgado” traiu muitos de seus seguidores, fez muita gente iludida por greves que ele incitava perder o emprego e faturou bastante com isto; pois estava de conchavo com os empregadores. Só os cegos deste povão de ignorantes, continua a acreditar neste mitômano contumaz e totalmente amoral…

      • Fernando

        O pior é ver que mesmo após tanto tempo, parecem ser inabaláveis. Tem muita gente que ainda é iludida por eles, mas as que não sei numerar são as que preocupam: as que querem mamar na mesma teta e se sujeitam a todo tipo de ilegalidade para fazer parte da mesma multidão, é algo criminoso mesmo.

        Ao mesmo tempo que torço para que a sujeirada chegue à consciência de todos (pois conhecimento muitos tem) penso que nós devemos fazer nossa parte e saber que a força dos que querem o bem pode prevalecer.

  • Fernando

    Excelente seqüência de posts, parabéns Alexander!

    • Obrigado Fernando,
      O desafio é manter o ritmo semanal nos posts, mas há alguns em “gestação”…
      Receber um feedback ajuda muito nesta empreitada, valeu!

  • Delícia de texto! Se possível, envie meus agradecimentos ao sr. “Zé das portas”…Artistas como êle me inspiraram a ser o que sou e, acredito, 99,9% dos autoentusiastas que lêem e relêem posts como estes ,os quais só encontramos por aqui. Como já dizia um grande professor meu: Um professor “dá” a matéria, um bom professor ensina a matéria, já um mestre inspira o aluno… Obrigado inspiradores deste blog que alegram entusiasmados como eu! (quanto ao pelegão da foto: desejo a ele vida longa para que possa assistir lúcido a decadência moral de seus próprios descendentes e confirmar com isto a sua mediocridade na passagem por esta vida!)

  • francisco greche junior

    Excelente matéria! Eu não conhecia a fundo tais detalhes.

  • Newton ( ArkAngel )

    Ainda lembro do pessoal classificando os tipos de aço com base na observação do tipo de faísca que fazia quando o metal era esmerilhado.

    • Quem sabe sabe, caro Newton (ArkAngel)!
      Experiência é uma coisa que não se compra, assim tipo café solúvel, num supermercado!
      Estes que sabem classificar o aço pela cor das fagulhas levaram um tempo para chegar lá, são mestres a seu modo!

  • Maycon Correia

    Ainda existe o sindicato de trabalhadores de sindicatos! É Brasil

  • Maycon Correia

    Ele fez a propaganda perfeita! Defendendo as minorias, passando a mão na cabeça dos pobres, hoje os pobres continuam pobres, e ele está lá podre de rico e dando palestras milionárias! Credo, se me obrigassem a ir em uma palestra dessa eu assinaria minha carta de demissão.

  • Valeu pelo prestígio de sua leitura, caro Francisco Greche Júnior!
    Grato pelo comentários!!!

  • Grato Huttner,
    Como eu disse na chamada desta matéria, o importante é não deixar as possibilidades re “capturar” esta histórias e tentar preservá-las de modo que demais auto-entusiastas possam conhecê-las!
    Sim, pode deixar eu vou passar seus agradecimentos ao “Zé das Portas” através do genro dele, com quem mantenho contato há muito tempo, aliás foi num papo sobre outra coisa que esta história acabou sendo devidamente fisgada.
    Agradeço pela parte que me toca no seu agradecimento aos “inspiradores deste blog que alegram entusiasmados como você!”
    (concordo com a sua posição sobre o pelegão das foto, mas não teria nado contra se ele testemunhasse a decadência toda por detrás de grades bem fortes).

  • Faltou colocar a foto do tal visor de microfichas citado no texto:

  • Também existem filmes do Roland Henze, mas não sei onde eles estariam agora…

  • Fernando

    O importante é sempre nos brindar com matérias deste nível, a semana vai passando com cada dia ótimos posts no Ae, cada um com um sabor diferente mas sempre com um carinho importante como nestes seus falando da VW é algo sem igual. É de muita gratidão ver quem tem tanta informação as compartilhar assim, tem um valor especial.

  • Maycon Correia

    Mesmo sabendo a história do meu carro, sabendo quando foi feito, inclusive o dia que teve o carimbo de pintura aprovada, não houve mudanças que o descaracterizaram, e eu tiraria a certidão como capricho e para tentar arrumar a forma como foi documentado. Em algum momento alguém cadastrou ele como VW Fusca 1300, porém com chassi BS, manual original e vários outros exemplos de Fuscas emplacados certos. O Detran/SC pede uma carta-laudo que a VW não fornece. E com isso tentaria arrumar o erro que não gosto de ver.

    Olha quanta gente está movendo céus e terras para deixar um Fusca do jeito que saiu de fábrica. E se soubessem do jeito que realmente foi feito iriam atrás para refazer tudo!

  • Lorenzo Frigerio

    Se bobear, deve ter leitor de microfilmes à venda no eBay.

  • agent008

    AGr, parabéns por mais uma história fantástica. Estou comentando pouco mas tenho lido todos os seus post. Sempre excelentes, obrigado por vir participar do Ae. Abraço

    • Grato agent008,
      O fato de ler já é um prestígio, agradeço.
      Quando vem um comentário é muito bom, agradeço…

  • Lorenzo Frigerio

    Se foi em 35, é nível Full HD, especialmente com a imagem escaneada direto do negativo (o som pode ser tirado de uma cópia de exibição) – mas a 24 qps. O problema é que ninguém quer gastar um tostão furado nisso. Quem é que vai pagar uma pessoa de bom nível para inspecionar todas as latas, para etiquetar e catalogar o que existe nelas?

  • Rogério Oliveira

    GromoW! Fiquei muito feliz com esta matéria! Cada palavra na sua ordem! Agradeço muito por esta homenagem!
    Tenho muito orgulho em poder ser seu amigo!