Essa veio do nosso amigo, leitor e “tratorzeiro” Daniel S. de Araújo. É ele mesmo que conta:

“Breve história: equipado com motor 2-cilindros arrefecido a ar e 1,8-L a gasolina, reza a lenda que esse foi um projeto encomendado pelo Ministério da Agricultura para ser comercializado e empregado nas lavouras de café do país (dai essa carenagem maluca). Mas problemas (sempre eles!) entre o Governo e a Allgaier-Porsche não permitiram a seqüência do projeto, de forma que foi vendida apenas a encomenda inicial de 300 exemplares.

Reza a lenda também que alguém esqueceu de avisar aos alemães que aqui é quente e que o trator fritava o operador que ia praticamente escondido dentro da carenagem aquecida pelo motor arrefecido a ar e por isso esses modelos duraram muito pouco. Sobraram muito poucos exemplares, a maioria foi comprada por negociantes brasileiros e exportados para a Europa, onde foram restaurados. Sei de dois aqui no país, um em Brasília e outro aqui em Lupércio (a 30km de onde moro — esse eu vi de perto mas está bem surrado e foi feita muita gambiarra…não é original).”

O Daniel me mandou o link do site porschetractors.com para quem quiser dar uma olhada e de onde duas fotos foram tiradas, que achei a coisa mais curiosa deste mundo.

Neste site, nesta página, há um pequeno texto intitulado “Coffee Train P312”, com as duas fotos, texto que traduzo:

 

Coffee Train P312

 

Porsche tractor B

“Salvo da morte por ferrugem num galpão no Brasil, despachado para o Reino Unido por mar em 2000, e, após anos sendo restaurado, essa extraordinária máquina é o cruzamento de um submarino com um míssil. Acredita-se ser o único exemplo completo e funcionando dos cerca de 300 tratores Porsche projetados para trabalhar nas plantações de café e exportados para o Brasil.

O trator laranja brilhante parece ser a última palavra em aerodinâmica de tratores, mas suas linhas suaves foram desenhadas para evitar danos às delicadas árvores de café. Do mesmo modo, é o único na linhagem dos tratores Porsche que tem motor a gasolina — os donos das plantações de café não queriam cheiro de diesel perto de suas plantas…

Cilindrada: 1.800 cm³
Potência máxima: 24,2 cv
Quantidade produzida: aprox. 300”

BS

Fotos: site PorscheTractor

 



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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Eduardo Jorge R. A. Silva

    Há um desses na Fazenda de Ecoturismo Floresta, em Lupércio/SP, mas sem a grade acoplada. É muito baixinho, não deve ter 1,5 m de altura, e muito estreito. Se não mudou com o passar dos anos, ainda está aberto a visitação em um galpão.

    • Daniel S. de Araujo

      Está lá até hoje. O proprietário não vende de maneira alguma.

    • Roberto Nasser

      Bob,
      Não creio em desencontros ou desavenças entre órgãos oficiais e fabricantes de tratores. O que ocorreu à época, nunca compreendido por mim, é que o fomento à industrialização começou pelos caminhões, utilitários, jipes, veículos de trabalho.
      O Dr. Sydney Latini, ex-poderoso e vitorioso secretário geral do Geia, o Grupo Executivo para a implantação da indústria automobilística brasileira, alegou que os tratores não necessitariam ser um grupo a mais, sendo conseqüência da industrialização de motores, câmbios e eixos reforçados para os caminhões.
      Pensamento lógico, mas abandonou a idéia da Fábrica Nacional de Motores em produzi-los, e da Romi, sempre pioneira, com seu trator Toro, oficialmente desprezado pelo Ministério da Agricultura.
      Assim, permitia-se a importação destes, e o fato de europeus, especialmente de países sofridos no pós-guerra, terem menor preço, propiciou a entrada de uma miríade de marcas e tipos no mercado nacional, quase todos derrotados por regra do setor: produto acaba quando não há manutenção.
      Porsche foi um destes casos, como Ursus, CZ etc.

      • Daniel S. de Araujo

        Roberto Nasser, peço licença para tecer alguns comentários. Não vivi nessa época, mas gostaria de falar com base no que eu li e escutei dessa época e assim, quem sabe, tentarmos lançar alguma luz a essa história pouco narrada.
        -> O que diferencia esse Allgeier Porsche dos Ursus, Fendt, Deutz e demais marcas é que o P-312 foi projetado para o Brasil. Tudo bem, um projeto estranho, mas ele foi feito para os cafezais brasileiros.
        -> o Geia surgiu em 1956 com Juscelino. A essa época o P-312 já não era mais produzido.
        -> 1954 foi um ano conturbado politicamente: a crise e a oposição crescente ao Varguismo que culminaram com seu suicídio em agosto.
        -> Acredito que seja viável um desentendimento entre a Allgeier-Porsche com o governo brasileiro. Com o suicídio de Vargas, assumiu Café Filho que levou uma série de políticos da UDN ao primeiro escalão e como é praxe no Brasil, quando um governo de oposição assume, congela-se ou cancela-se tudo o que o governo anterior fez…

        • Roberto Nasser

          Daniel,
          Observações pertinentes. Minha resposta ficou truncada e deu a impressão que a postura anti-tratores nacionais ocorreu com o Geia, quando na realidade este apenas espelhou o anteriormente ocorrido.
          O toro, primeiro trator feito no Brasil, no caso pela Romi, data de 1948. e o cometido pela FNM foi logo após 1950. Em ambos os casos o governo desestimulou a produção, da mesma maneira que inviabilizou uma tentativa da mesma FNM em importar tratores Fiat CKD para aqui agregar peças nacionais de sua lavra e fornecedores em 1954/55.
          A postura de não conceder incentivos – tipo redução de impostos ou garantia de financiamento incentivado aos agricultores –, abriu o mercado no geral. Nesta época as primeiras fabricantes nacionais tentavam repetir a FNM. A Studebaker se transformando em Vemag trazendo os Massey-Harris, e a Varam, montadora de Nash, com os Ferguson, mas chegaram ao limbo econômico por você referido, a fase mediando entre Getúlio, tipo déspota esclarecido e o autor dos primeiros passos para sedimentar a indústria de autopeças e fomentar a de veículos, e o sucessor JK, que se valeu do autor destes projetos para implantar o Geia.
          No intervalo valeu tudo – aliás repetiu o ocorrido nos poucos anos pós-guerra, quando importamos tudo o que havia de automóvel no mundo, incluindo Skodas, Tatras, Warzawas, Singers, Jowetts, – sem cuidar da manutenção, hoje quase todos sem exemplares remanescentes – como os tratores.
          Há um Porsche destes em Brasília, achado há uns 20 anos num ferro-velho a 150 km. Possui a carenagem explicada como cafeeira, embora a região à época fosse apenas para gado criado a pasto.

          • Daniel S. de Araujo

            Roberto Nasser, na época era comum os cafeicultores capitalizados buscar terras em outras frentes. Aconteceu nos anos 40 com o norte do Paraná e posteriormente no Centro-Oeste na criação de gado, meio que apenas como povoamento de território.

            Uma duvida, já que tocou no nome de Vemag, conheceu os nomes de Domingos Alonso Fernandes e José Gomes Fernandes?

  • Pablo Nascimento

    Desse eu nunca tinha ouvido falar!
    Mas uma pergunta: para que serve aerodinâmica em um trator?

    • André Stutz Soares

      Pablo, está no texto: “O trator laranja brilhante parece ser a última palavra em aerodinâmica de tratores, mas suas linhas suaves foram desenhadas para evitar danos às delicadas árvores de café.”

      • Pablo Nascimento

        Opa! Obrigado, acho que pulei essa parte do texto!

  • Fernando

    Já tinha visto algumas fotos destes que andaram aparentemente em certa quantidade pelo interior de São Paulo e noto como são bonitos com essa carenagem feita para não enroscar nas plantas.

    Sabem precisar os anos em que foram fabricados?

    • Daniel S. de Araujo

      Foram apenas 300 exemplares (aproximadamente) no ano de 1954

  • VeeDub

    Trator Porsche, olha essa !

    Outra que descobri recentemente, a Lamborghini continua com sua linha de tratores

    • lightness RS

      Mas não é mais junto com a Lamborghini carros, são marcas diferentes!!! Eles são apenas tratores SAME com outro logo.

      • VeeDub

        São DEUTZ-FAHR!

  • Este trator de 1954 talvez seja o mais “esquisito” trator feito pela Porsche – modelo P312 Kaffeelug.

    A maioria dos 300 exemplares foi despachada para o Brasil † e este equipamento foi customizado para uso mas alamedas entre os pés de café em cafezais.

    O corpo totalmente carenado (para não “agredir” as ramas dos pés de café) foi montado num chassi rebaixado baseado na mecânica trator “Allgeier Porsche”.

    A motorização original composta por um motor de dois cilindros a gasolina com 30 hp foi considerada muito fraca.

    A cilindrada dos motores teve que ser aumentada de 1.600 cm³ para 1.820 cm³. Os tratores da Porsche usavam comumente diesel como combustível, o que não era aceitável para o uso em plantações de café, talvez pela influência do cheiro deste combustível que podia afetar a qualidade do produto final.

    O exemplar das fotos está na Inglaterra e pertence a Peter Bradley, que o encontrou em Guararema, perto de São Paulo, no ano 2000.

    Ele ficou embalado por 8 anos antes de ser usado entre 1962
    e 1968 numa plantação de café local. Depois ele foi abandonado num celeiro por 31 anos quando foi encontrado pelo dono atual.

    Foi restaurado meticulosamente e está perfeitamente operacional.

    [Fonte dos dados livro: Legendary Tractors – A Photographic
    Story por Andrew Morland

    • Daniel S. de Araujo

      Dentro das fazendas, celeiros, garagens e galpões (e mesmo no tempo) de sitios há muitas reliquias escondidas. Eu mesmo estou de olho uma para restaurar…

      • Mr. Car

        Sim, he, he! Na fazenda do meu avô mesmo, havia em um quartinho junto à garagem dos tratores, todo o mobiliário de seu consultório médico e pequena clínica cirúrgica, que ele fechou ao se aposentar, em 1970. O mobiliário, se não me engano, era dos anos 40. A fazenda foi vendida em 1997, porteira fechada. Não sei que fim levaram, mas estava tudo ainda em condições de restauro. As miudezas (instrumentos cirúrgicos, seringas etc, um primo médico levou, e estão expostos em uma cristaleira na casa dele, em Brasília. Já eu, peguei uma parte da coleção de revistas “Seleções do Reader’s Digest”. Tenho exemplares de 1942 até 1970. Em perfeito estado. Não dou, não vendo, não alugo, e não empresto. Para mim, são como um pequeno tesouro, he, he!

      • Bucco

        Prefiro que essas relíquias permaneçam “perdidas” por aí. longe da especulação.

        • Daniel S. de Araujo

          E deixar a história morrer como ferro e aço retorcido…

          Se conseguimos visitar museus ou contemplamos belos carros, tratores e objetos restaurados, não foram pensamentos como o seu que permitiram essas pequenas “células do tempo” chegarem até nós e conhecermos como era numa época que não conhecemos.

          Outro dia vi veementes protestos de algumas pessoas reclamando contra a exportação de Kombi´s nacionais pré 1974 para o exterior. Absurdo! Melhor essas Kombis serem restauradas e permanecerem vivas na mão de quem sabe dar valor do que acabarem como galinheiros aqui no Brasil apenas para dizermos “é nosso”.

  • Daniel S. de Araujo

    Naquele tempo o servi;o no cafezal era muito simples: rotativa e gradear as ruas de café (pratica hoje condenada por acabar com a matéria orgânica superficial e deixar o solo exposto) apenas para manter livre do mato. Não havia herbicida químico, não se pulverizava a lavoura e quando isso acontecia, era feito via aérea, passando B.H.C. (o famoso pó de broca).

    Hoje um trator de 60 cv é o mínimo requerido mesmo para uma pequena propriedade de café.

    • Marcos Amorim

      Depende do cultivo. Conheço gente que se vira com enxada mesmo, pequenas produções sem uso de defensivos químicos – não chega a ser o tão idolatrado orgânico. Conseguem compensar a baixa produção vendendo como produto diferenciado, algo que está ganhando espaço com a atual onda gourmet.

      • Daniel S. de Araujo

        Cultivo de hortaliças é viável usar enxadas e até pequenos tratores tipo Tobata, até porque 1 hectare (10.000 m² – aproximadamente 1 quarteirão) desse tipo de cultivo é algo enorme, descomunal.

        Mas um sitio de maior porte é imprescindível ter um trator para o preparo de uma terra, semeadura etc. Não se pode comparar cultivos, muito menos formas de exploração!

        • Marcos Amorim

          Mas não é hortaliça, é café mesmo. Como disse, os produtores compensam a produção baixa com valor agregado, muitas vezes classificando como gourmet. É a saída que encontraram, principalmente quem tem 20 ha onde de um lado é morro e do outro é rio.

          • Daniel S. de Araujo

            Pelo jeito você é cafeicultor…também fui. Mas você sabe bem que o manejo de colheita e acima de tudo o clima do momento influencia muito mais na qualidade do café do que o uso de enxada ou de trator. Isso é o que menos importa.

            Colher em cereja, lavar e despolpá-lo agrega muito mais do que mexer com enxada no resto do ano

  • Fernando

    Obrigado Daniel!

  • Marcos Amorim

    Aquilo ali atrás é uma rotativa?

  • Almeida

    Olá, Bob, gostaria, se possível de uma ajuda, alguns posts atrás li que você disse que o óleo do motor aquece mais quando o motor está em alta rotação. Tenho uma Caravan 90 4-cilindros e ela não aquece em trânsito, marcha-lenta etc, apenas quando pego aclives em estradas ou avenidas, a temperatura vai subindo e não abaixo a não ser quando chega o plano ou declive. O radiador já foi varetado, as mangueiras foram trocadas, está só com água no sistema com alguns ml de óleo solúvel, como recomendado no manual. Será que o óleo do motor está aquecendo demais e impedindo nessas situações o sistema de arrefecimento de dar conta de baixar a temperatura do motor? Pergunto aqui porque o mecânico já não sabe o que fazer…
    Grato por qualquer ajuda!
    Abs a todos!

  • Fórmula Finesse

    Coisinha mais linda; em que década foi? Respondido nos comentários – 1954! (P.s: me amarro nos tratores Ford antigos, aqueles a gasolina com lataria cinza e corpo do chassis e motor pintados de vermelho; quando bem pequeno, um vizinho nosso nos levou em um daqueles passear pelas colônias…me lembro que todos os Ford’s tinham um botijão de gás na lateral (rs). O motor desses tratores, tinha alguma coisa a ver com os motores do Ford model A?)

  • Almeida
    O óleo não tem nenhuma participação no que está acontecendo com a temperatura da água. Recomendo você usar aditivo de radiador em vez de óleo solúvel, este não abaixa a temperatura de ebulição da água. Em geral, problema de aquecimento em alta rotação está na bomba d’água, peça ao seu mecânico para verificar seu estado.

    • Almeida

      Agradeço as respostas, Rodolfo e Bob, vou revisar as galerias de água do motor, bomba, usar aditivo e ver como o carro se comporta. Algum aditivo recomendado? A tampa do radiador é de plástico.

  • Rodolfo Feijó

    Tenho um colega que tem um Gol 1.8 – 1992, e o carro dele aquecia porque as galerias d’água do motor estavam entupidas.
    Veja o estado que estavam as galerias d’água dele:
    http://golquadrado.com.br/forum/viewtopic.php?f=22&t=36169&start=40

  • CCN-1410

    Nessa do aquecimento do operador também foi falha da Porsche que não investigou o ambiente onde o trator seria utilizado.
    Na cidade onde moro conheço um trator Deutz, da década de sessenta, ainda em atividade.

  • RoadV8Runner

    Muito interessante esse trator “aerodinâmico”. Me pegunto se o Dr. Porsche deixou de lado algum ramo da mecânica inexplorado!

  • Lucas Nori Micheletti

    http://tratoresantigos.blogspot.com.br/2015/07/fotos-antigas-allgaier-p-312-desfilando.html

    Para quem quiser ver um desses “Antigamente” e no Brasil!!!

  • Lucas Nori Micheletti

    Para quem quiser ver um desses “Antigamente” e no Brasil !!!