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COMPUTAÇÃO MALUCA

HAL9000: Uma visão profética dos problemas computacionais

HAL9000: Uma visão profética dos problemas computacionais

O filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de 1968, direção de Stanley Kubrick, foi um marco na história do cinema, mas foi muito além. Como previsão, errou feio, imaginando uma mente eletrônica funcional monolítica amarrada a um grande mainframe. O tempo passou, ultrapassamos a data prevista, e não conseguimos criar nenhuma inteligência artificial minimamente parecida com HAL9000, mas este personagem ainda assim foi profético sobre a estranha realidade que aos poucos vamos desvendando.

Através de seus diálogos proféticos, ele será nosso companheiro ao longo deste artigo, explorando e destacando um estranho mundo que aos poucos se descortina.

 

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“Eu ainda tenho o maior entusiasmo e confiança na missão. E eu quero ajudá-lo”

 

A estranha computação que surge do caos

Vamos começar com um vídeo:

 

Calma. O AUTOentusiastas não virou site de jogos de computador. Apesar do jogo ser de futebol americano, há muitos detalhes sutis neste vídeo que interessa aos entusiastas de carros.

O jogo é o recente Maidden 16, da EA Sports, e já possuía uma série de reclamações de bugs e comportamentos estranhos poucos dias após ser lançado. Entretanto, o vídeo apresenta um comportamento que vem sendo tratado como um dos bugs mais bizarros dos últimos tempos pela imprensa especializada.

Entretanto, este não é um bug simples. Sequer há um bug no programa que gere esta maluquice. O que vemos ao longo de 9 longos minutos de um jogo non sense não é a bagunça pura tanto quanto parece. Se repararmos bem, o amontoado de jogadores se jogando no chão tentando chegar à bola é consistente tento em formato como estável ao longo do tempo. Isto não é um bug, mas a manifestação de um comportamento emergente muito consistente. Um comportamento emergente indesejável.

Já tivemos um grande artigo sobre comportamento emergente , mas vale a pena recapitular e reforçar alguns detalhes. Comportamento emergente ocorre da interação de vários agentes atuando dentro de um determinado espaço. Cada agente muitas vezes segue regras muito simples, mas a interação deles gera comportamentos altamente complexos.

O exemplo clássico é o formigueiro. Cada formiga realiza um trabalho bastante simples e pouco inteligente, mas a soma de milhares de formigas criam um formigueiro com comportamento complexo e inteligente. Mas este é um comportamento emergente positivo, desejável.

No caso do vídeo, cada jogador segue regras simples, mas a interação entre eles eventualmente gera aquele comportamento emergente negativo, indesejável. Aqui surge um aspecto importante para o comportamento emergente. As regras que cada jogador recebe foram programadas de forma que esses jogadores virtuais se comportem como jogadores reais. As regras são parecidas, mas não iguais, e esse é o problema.

Na maioria das vezes, os jogadores se comportam como previsto pelo projetista, simulando jogadores reais, porém, sob condições muito específicas o sistema deixa de se comportar como previsto e passa a operar de forma estranha, como no vídeo. Este comportamento estranho, embora anômalo, é estável e não se desfaz facilmente, além de ter uma conformação física bem característica. Estas três características — forma, estabilidade e tolerância a falhas — são explicadas porque o sistema opera dentro do que os matemáticos chamam de “atratores estranhos”.

Percebam que há tanto o comportamento individual dos jogadores bem como um comportamento coletivo do amontoado deles, formado pela união dos comportamentos de cada um, assim como num formigueiro.

Estes atratores são entidades matemáticas que definem um espaço limitado das variáveis de comportamento, dentro do qual o sistema passa a operar ciclicamente. Eles explicam por que na maioria das vezes o sistema opera como previsto e de repente muda para um comportamento estranho: as regras dos jogadores faz o jogo funcionar na maior parte do tempo dentro de um grande atrator que opera como imaginado pelo programador, mas sob determinadas condições o sistema “escorrega” para um atrator alternativo, não percebido pelo programador quando criou as regras dos jogadores, mudando o comportamento para algo não pensado e muitas vezes estranho.

Entretanto, citando George Dyson em seu livro “Darwin among the Machines”, “comportamento emergente é o que não pode ser previsto através da análise em qualquer nível mais simples que a do sistema como um todo . Comportamento emergente , por definição, é o que resta depois que tudo foi explicado.”

O que Dyson explica e seu livro é que os agentes nunca são indivíduos autônomos por completo. Eles se complementam através da sua iteração com os outros agentes dentro do ambiente do sistema como um todo.

No caso do jogo, só mesmo contemplando o seu ambiente como um todo é que comportamentos emergentes como o observado no vídeo podem ser previstos. Se o programador focar exclusivamente nas regras que cada jogador deve seguir, será impossível prever comportamentos emergentes como este. É provável que este enfoque tenha escapado ao gestor e programadores do jogo. Esta é uma conclusão muito importante sobre o projeto de qualquer tipo de sistema autônomo.

Mas este não é o único problema. Quando tornamos um sistema cada vez mais complexo e o deixamos trabalhar cada vez com maior carga, a maior complexidade gera mais atratores para comportamentos emergentes e os que existem se tornam ainda mais complexos e estranhos, e muitos deles, indesejáveis, enquanto a sobrecarga  faz o sistema ciclar mais e mais rápido, facilitando com que o sistema “escorregue” para estes novos atratores.

Ninguém via esse tipo de comportamento nos jogos de console Atari, por exemplo. Os jogos eram elementares demais para o surgimento de comportamento emergente.

Embora o vídeo apresente um jogo, o problema de engenharia computacional que ele revela é comum a todos os projetos modernos, de jogos de computador cada vez mais realistas a grandes complexos industriais altamente automatizados.

 

O comportamento emergente e o carro autônomo

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A complexa programação dos carros autônomos é capaz de gerar estranhos comportamentos emergentes

O conceito expresso por Dyson é especialmente preocupante no caso de carros autônomos, e começa pelo próprio termo usado para defini-lo. Quando dizemos “autônomo” pensamos em um veículo capaz de realizar uma tarefa complexa por conta própria, ou seja, é um conceito de que algo é auto-suficiente por si só e sem depender do mundo exterior, enquanto Dyson nos diz que cada agente se complementa através do ambiente que o circunda e não é completo por si só.

Quando a automação do carro autônomo é pensada para que e o automóvel se torne auto-suficiente, não se prevê os efeitos colaterais entre a interação da programação da automação e as ações dos demais agentes em volta do veículo. Isso é um passo para comportamentos emergentes, muitos indesejáveis.

Observe o vídeo a seguir:

 

Este é um pequeno trecho da competição Darpa Urban Challenge de 2007 (Darpa é a sigla, em inglês, de Agência de Projetos de Pesquisas Avançadas de Defesa, do Departamento de Defesa dos EUA e o Urban Challenge/Desafio Urbano é um dos seus programas).  Forma-se um “congestionamento” de carros autônomos por comportamento emergente. Cada carro, embora siga uma programação diferente das demais, recebe instruções para ações “tímidas” ou “covardes” para preservar a segurança. Assim, quando chegam todos juntos ao cruzamento, cada um espera ser o último a sair. Quando algum deles desiste e isso ocorre junto com outro que toma a mesma decisão, a movimentação mútua dos carros leva todos a pararem e esperarem novamente a serem os últimos. E o mais interessante: os carros entram em uma ressonância que gera o comportamento emergente, apesar de seus programas não serem escritos para isso.

 

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Imagem de 1957 mostra que o carro autônomo é sonho antigo; naquela época ninguém imaginaria a complexidade da tecnologia necessária

Esse comportamento “tímido” ou “covarde” pode evitar situações de risco, mas imaginem o quanto podem atrapalhar o já confuso trânsito da cidade. Dado o explicado por Dyson, vemos que os carros autônomos ainda terão muitos anos de refinamento em condições reais antes que comportamentos emergentes indesejáveis sejam ao menos minimizados, dado que não há massa crítica de carros autônomos rodando em condições reais para que se possam observar todos os seus comportamentos emergentes.

Se os fabricantes de automóveis autônomos não se prepararem adequadamente, seus produtos serão mais a causa dos futuros congestionamentos do que a pretensa solução que poderiam oferecer por um bom tempo.

 

O carro do Google e a bicicleta

Um exemplo de como a programação dos carros autônomos ainda está na infância foi a experiência descrita por um ciclista de seu encontro com um carro autônomo do Google. Segundo a narração, o carro chegou a uma zona de cruzamento um pouco antes do ciclista. O ciclista respeitou o direito do carro cruzar seu caminho parando numa manobra chamada “track stand”, que consiste em permanecer equilibrado sobre duas rodas sem tocar no chão com o pé. Entretanto, o “track stand” não é uma manobra completamente estática, e é necessário alguns movimentos para frente (ou para trás, como se faz em monociclos).

O “track stand” deixou o carro do Google confuso, sem saber se a bicicleta estava parada ou em movimento, fazendo-o acelerar e frear seguidamente na tentativa de atravessar o cruzamento. Segundo o ciclista, os técnicos do Google davam grandes risadas da situação enquanto digitavam em seus notebooks.  A “dança” demorou cerca de dois minutos, mas sem oferecer risco algum.

 

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“Descobri uma falha na unidade de AE35. Ele terá uma falha de 100% em 72 horas”

A descrição do ocorrido é visivelmente o de comportamento emergente do carro autônomo, criado por regras pouco flexíveis sobre o que é ou não um agente genérico parado ou em movimento e que define se o carro autônomo deve seguir ou parar. Percebam que em oito anos após o Darpa Urban Challenge há regras básicas de controle que ainda não foram evoluídas o suficiente para não causar  comportamentos emergentes estranhos e prejudiciais ao fluxo de tráfego.

A descrição evidencia que algumas regras de controle do carro autônomo são de automação convencional, de lógica digital do tipo “se algum objeto se mover para cruzar a trajetória do veículo, pare imediatamente”. Aí o ciclista se move para manter o equilíbrio e o carro autônomo do Google mantém um ciclo acelera-e-freia e fica pulando feito cavalo em rodeio.

Motoristas não têm esse comportamento, pois a rede neural do cérebro, além de seguir regras mais evoluídas, é muito mais progressiva nestes casos, mantendo o carro em velocidade baixa segura enquanto o objeto estiver distante o suficiente.

Se este é um caso recente, imaginem o que esses carros farão quando representarem 5% ou 10% da frota circulante e se relacionarão simultaneamente com centenas ou milhares de carros, convencionais ou autônomos, ao mesmo tempo.

 

Atenção à conectividade móvel

Fabricantes vêm investindo na conectividade, e um dos aspectos é a melhoria da segurança. Automóveis “conversarão” entre si, avisando o motorista ou mesmo agindo em antecipação para manter a segurança, informando situações de risco.

 

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O veículo não conectado tem limitações para detectar agentes móveis ocultos de seus sensores, e não pode antecipar acidentes

A proposta em si é interessante, porém o trânsito é um ambiente caótico carregado de comportamentos emergentes. A introdução de sistemas de conectividade veículo-a-veículo e veículo-a-infraestrutura podem introduzir mais complexidade ao trânsito, sendo um prato cheio para o surgimento de novos comportamentos emergentes indesejáveis.

 

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Carros conectados podem trocar dados, melhorando a percepção de agentes móveis, aumentando a segurança

Quando avaliamos o caso do carro autônomo do Google e vemos o que uma regra inflexível, digital causa ao comportamento do veículo, podemos imaginar o que o mesmo tipo de lógica afetará veículos que conversam. E esse comportamento estranho terá conseqüências sobre os demais veículos em volta dele.

 

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A comunicação do carro conectado com a infraestrutura permite a percepção do estado da sinalização não visível, e pode até alterar seu estado caso possível

 

O estranho caso da aceleração súbita.

Os autoentusiastas devem lembrar do caso de aceleração súbita nos carros da Toyota que terminou com uma convocação-monstro. Isso foi entre 2009 e 2010.

O caso todo foi mal contado. Inicialmente o caso foi explicado como sendo uma confusão com os pedais causado pelos motoristas, depois passou para o pedal do acelerador ficando preso pelo tapete e depois um problema de fabricação do próprio pedal, gerando a convocação. A Nasa foi chamada ao caso por duas vezes e nada foi encontrado. Após a convocação, aos poucos o caso saiu dos holofotes da imprensa e o caso foi esquecido pelo grande público.

Mas engana-se quem pensa que o problema foi encerrado. As reclamações de aceleração súbita ocorrem cada vez com mais regularidade pelo mundo. Só nos Estados Unidos, a NHTSA (Agência Nacional de Segurança do Transporte Rodoviário) recusou a abertura de duas novas investigações sobre o caso ainda em 2015, sendo a última no mês de agosto.

Vejamos este vídeo com uma coletânea de vídeos de acidentes de pretensas acelerações súbitas:

 

Há uma série de detalhes que podem ser extraídos dessas imagens. A primeira e mais óbvia é que há uma diversidade de marcas, modelos e países onde esses casos foram documentados. Ao contrário das conclusões atrapalhadas do caso da Toyota, essa diversidade exclui prováveis problemas de erros de programação ou de falha de material causando estes problemas, já que cada carro possui fornecedores e programações diferentes.

Também, até hoje não foram observadas e reproduzidas as condições relatadas pelos motoristas para comprovar a existência real desse comportamento.

Para muitos, isso é evidência de que o caso é pura invenção da imaginação coletiva. Porém, como se costuma dizer, a ausência de provas não é prova da ausência. Parece fácil jogar a culpa sobre motoristas, mas não é. Os primeiros indícios de que  o assunto não é tão simples apareceram durante o caso da Toyota, quando foi anunciado que o problema era de confundir os pedais.

Uma análise da base de reclamações junto à NHTSA mostrou que uma percentagem significativa de motoristas eram experientes o bastante para que esta hipótese não fosse completamente verdadeira. Havia casos envolvendo pilotos de corrida, policiais com cursos de perseguição, motoristas para autoridades com cursos de pilotagem de fuga, motoristas profissionais com mais de 40 anos de experiência, entre outros.

Mesmo que confundir os pedais explique a maioria dos casos , há ainda uma quantidade significativa de motoristas qualificados que não podem todos terem cometidos erros elementares de confusão com pedais. Além disso, muitos casos ocorreram em condições onde o disparo do veículo não causou um acidente imediato, dando tempo para o motorista perceber um engano com os pedais. Não se pode alegar que um motorista qualificado se engane com os pedais ou tenha o pedal preso pelo tapete por tanto tempo. Estes casos carecem de melhores explicações.

Estudos feitos por grupos independentes revelou alguns dados curiosos sobre casos no mundo inteiro. Há todo tipo de relato de aceleração súbita, mas há uma classe muito especial onde há várias coincidências.

A primeira verificação mostrou que não há uma diversidade diferenciada entre os motoristas que sofreram esse tipo de acidente e a população local de motoristas onde cada acidente ocorre. A grande maioria são de pessoas de bem, sem interesses de mentir ou adulterar fatos, e a habilidade ao volante é variada, havendo vários motoristas com qualificações para que nem todos os acidentes possam ser classificados como erro humano ou por motivos elementares como pedal preso pelo tapete. Além disso, os motoristas não se conheciam e há relatos muito semelhantes vindos de lugares bem distantes entre si.

A segunda verificação cruzou dados técnicos do veículo e chegou-se a algumas grandes coincidências dentro desta classe, e que podemos reparar no vídeo anterior:

– Os carros possuem acelerador eletrônico e câmbio automático inteligente. Em nenhum caso registrado na NHTSA haviam carros com acelerador mecânico, com câmbio manual, automatizado, robotizado ou automático puramente hidromecânico, e esse comportamento parece se repetir no resto do mundo, onde os relatos não são tão bem documentados.
– Os carros estavam engrenados, parados ou em baixa velocidade. Não há casos relatados de disparos de rotação de motor com o câmbio em ponto-morto.
– Muitos relatam que uma fração de segundo antes do disparo do veículo ouve-se um ruído no câmbio, como se houvesse algum acionamento estranho dentro do mecanismo.
– Em uma parcela dos casos existe o relato da exposição do veículo a extremos de temperatura, baixa em alguns casos e alta, em outros;
– Após o disparo, o veículo ignora quaisquer comandos de desligamento do motor, de comutação do câmbio para ponto-morto ou do uso dos pedais. Os relatos dizem que a alavanca pode ser tão inútil quanto um teclado para um computador travado.
– A incidência do problema de aceleração súbita é tão maior quanto mais sofisticado e complexo for o modelo de carro.
– Os casos relatados de aceleração súbita não só não pararam de acontecer, como vêm se avolumando ao longo do tempo, mesmo sendo um fenômeno esquecido da mídia. Não parece ser um fenômeno de modismo passageiro.

Os pesquisadores da área da saúde e a indústria farmacêutica possuem ferramentas estatísticas que permitem separar os casos de uma doença rara desconhecida e classificá-la apenas pela coincidência dos sintomas, mesmo que o ruído sobre essas informações seja muito grande. Quase sempre o uso dessa ferramenta é o bastante para disparar novas pesquisas e selecionar possíveis pacientes acometidos desse mal.

O uso destas ferramentas sobre o caso da aceleração súbita mostra que  há consistência suficiente dentro dos relatos para não classificá-los como mentiras ou enganos. Há um fundamento de verdade naquilo que é narrado sobre estes eventos.

Se por um lado há evidências estatísticas de que o caso não é mera histeria coletiva, por outro, a parte técnica mostra que as novas tecnologias permitem que o caso ocorra. Considerando-se que nestes veículos quem comanda a aceleração do motor não é mais o motorista diretamente, mas o software de gerenciamento do conjunto motriz, estabelece-se uma condição de viabilidade técnica para este comportamento. O veículo é comandado pelo computador, cabendo ao motorista apenas o papel de guia para a automação. E o computador pode agir de forma diversa aos sinais do motorista, e se o computador decidir da forma errada, há pouco que o motorista possa fazer.

 

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“Desculpe, Dave . Não posso fazer isso … Esta missão é muito importante para mim para que você possa pô-la em perigo… Dave, essa conversa não possui mais qualquer propósito. Adeus…”

As explicações oficiais não dão conta de todos estes detalhes e geralmente recaem em explicações simplistas e genéricas par ao caso. As trapalhadas do caso da Toyota mostram que nem as autoridades americanas têm uma noção real do que está acontecendo. Há, entretanto, uma explicação que especialistas em matemática, física e automação dão ao caso: comportamento emergente.

Assim como ocorreu no jogo Madden 16 e em outros eventos de comportamento emergente, na grande parcela das vezes o carro funciona como projetado, mas sob condições bem específicas uma vez sendo atingidas, dispara-se um comportamento emergente indesejável de aceleração súbita. Neste caso específico, este evento pode ser tão raro de ser atingido que o mínimo desvio de qualquer variável pode manter o veículo dentro do comportamento projetado, tornando muito difícil reproduzir o evento em condições controladas.

Isso explicaria os eventos com carro parado ou em baixa velocidade, engrenados, os extremos de temperatura, a desobediência aos controles e a maior incidência em sistemas mais complexos.

Mas como a tese de comportamento emergente explica o fato dele atingir diferentes fabricantes e modelos, se cada modelo usa um conjunto diferente de componentes e softwares de controle? E por que o problema afeta apenas veículos com câmbio automático inteligente? A resposta está nos hólons.

Vamos pensar no cérebro. Ao longo dos anos os cientistas mapearam várias zonas do cérebro humano, cada uma com uma função: visão, olfato, paladar, sentimentos, racionalidade etc.. Há no entanto, um mistério ainda a ser compreendido. Descendo na escala de tamanho, quando deixamos as macroestruturas cerebrais e entramos a nível microscópico, cada cérebro possui sua própria rede de neurônios e sinapses, e ainda falta compreender como microestruturas diferentes conduzem a macroestruturas de funcionamento similar. Ao que tudo indica, a conectividade neural, embora única para cada cérebro, é orientada para atingir um funcionamento médio da macroestrutura. Todos os cérebros saudáveis tem zonas de mesma função, mas cada zona tem um funcionamento particular em relação às zonas dos outros cérebros. É isso que leva à individualidade das pessoas.

Este fenômeno, onde o comportamento emergente é dependente da macroestrutura e não de sua microestrutura é encontrada em várias partes da natureza e mesmo da realidade humana.

Em sistemas de hólons as estruturas que são edificadas tanto de baixo para cima (bottom-up) como  de cima para baixo (top-down). Enquanto as microestruturas constróem as macroestruturas, as macroestruturas ditam como as microestruturas se ligam para chegar à funcionalidade da macroestrutura.

Automóveis de modelos, fabricantes e fornecedores diferentes possuem macroestruturas semelhantes em suas funções, mesmo que seus subconjuntos mecânicos, elétricos e informáticos sejam diferentes. A teoria dos hólons abarca a hipótese de que o comportamento emergente indesejável de aceleração súbita pertença ao domínio da macroestrutura de funcionalidade comum a todos os fabricantes (gerar potência e tração através de motor a combustão e câmbio automático inteligente) e não da microestrutura que é particular a cada um. E vai além: assim como no jogo, há um atrator estranho que define o funcionamento normal desse conjunto motriz, mas pode existir outro, ainda desconhecido, para o qual o sistema pode “escorregar” sob condições muito específicas.

 

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“Estou completamente operacional, e todos os meus circuitos estão funcionando perfeitamente”

Isso explica também o por que apenas carros com câmbios automáticos inteligentes são afetados. Seria como comparar cérebros de animais diferentes. Há funções homólogas, mas não exatamente iguais, causando diferenças de funcionamento que podem gerar ou anular comportamentos de aceleração súbita.

Se  relembrarmos o que diz George Dyson sobre a imprevisibilidade do comportamento emergente sem que abarquemos a totalidade do sistema, que o conjunto motriz dos carros automáticos estão imersos em um sistema complexo maior, e que ele pode estar ligado à macrofunção do conjunto motriz e não à sua microestrutura, tentar encontrar a causa da aceleração súbita fazendo uma auditoria no código de automação se mostraria uma atitude altamente improdutiva, como vimos no caso da Toyota com a entrada da Nasa para a auditoria do código-fonte do veículo.

 

A questão política da aceleração súbita

É política da indústria, não só a automobilística, afirmar que seus produtos são seguros, perfeitos, isentos de qualquer possibilidade de falha. E isso se repete no caso da aceleração súbita. Porém, basta pensar em quanto nossos computadores recebem atualizações para correção de erros de programação e falhas de segurança e que nossos carros possuem softwares quase tão complexos quanto os computadores para percebermos que isto não é verdade.

 

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“Deixe-me colocar desta forma , o Sr. Amor. A série 9000 é o computador mais confiável de todos os tempos. Nenhum computador 9000 jamais cometeu um erro ou distorceu informações. Estamos todos, por qualquer definição concreta das palavras, infalíveis e incapazes de erro”

O tema de aceleração súbita é uma pedra no sapato da indústria porque ela não se tem mostrado mero modismo passageiro, e conforme os casos se acumulam, as explicações oficiais se desgastam até o ponto de ninguém mais acreditar nelas. Então essas explicações precisam ser administradas com cuidado para não se desgastarem.

Os dois processos de investigação solicitados à NHTSA, envolvendo vários casos de acidentes, foram negados pela única explicação de “confusão no uso dos pedais”.

Qualquer pesquisador sério sabe que “onde há fumaça, há fogo”, mas a falta em conseguir reproduzir a aceleração súbita tem induzido muitos especialistas a considerar o assunto como mera lenda urbana, o que é perigoso. Há elementos técnicos e estatísticos suficientes para uma avaliação criteriosa e científica do assunto. Se os métodos convencionais da engenharia não dão conta desta explicação, então justifica-se o uso de métodos não convencionais, mas o que não se pode fazer é “varrer o problema para debaixo do tapete”.

 

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“Isto só pode ser atribuído a erro humano”

Considerar que a aceleração súbita é um problema de comportamento emergente indesejável, por um lado alivia a pressão da responsabilidade sobre a indústria. Tendo em vista que o carro é complementado pelo ambiente que o circunda, é impossível para o programador encontrar a razão da aceleração súbita apenas olhando para o código da automação. Além disso, comportamento emergente não é um bug de programação, mas uma propriedade do próprio sistema.

Por outro lado, essa explicação causa certo desconforto. Se ela é real, significa que enquanto a indústria não encontrar usa causa, ou ela abandona o sistema de câmbio automático ou ela assume que há um risco, por mínimo que seja, de ocorrer aceleração súbita com este tipo de veiculo. Seria um risco comparável ao de viajar de avião: por mais seguro que esse meio de transporte seja, algum risco sempre irá existir.

 

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“Eu sei que já tomei algumas decisões muito ruins recentemente, mas eu posso te dar minha total garantia de que meu trabalho voltará ao normal”

O avião é o exemplo ideal desta situação. Sabe-se que o computador não é perfeito e já causou vários acidentes aeronáuticos. Ainda assim, numa comparação mais direta, para cada erro fatal introduzido pelo computador que seria evitado pelo ser humano, há pelo menos 50 erros fatais humanos que poderiam ser evitados pelo computador. Uma melhora na proporção de 50 para um é espetacular e seria mais do que suficiente para justificar o uso do computador nos aviões como meio de segurança. Mas admite-se que a introdução do computador é um troca de 50 possibilidades de acidente humano por uma possibilidade de acidente que antes não havia.

Seria uma boa justificativa também para a indústria automobilística, mas ao custo dela admitir que há possibilidade de erro pelo computador. Esta é uma questão política que a indústria automobilística não deseja assumir.

 

Aprender com o passado, evitar erros no presente e aplicar no futuro

No final do século 18, engenheiros e cientistas explicavam o Universo sob as luzes da Física de Newton e restava apenas as estranhas curiosidades de fenômenos como o magnetismo e a eletricidade. Veio o século 19 e tivemos a revolução nestes dois mistérios que um século antes eram apenas truques de salão. Mas não foi só isso. A revolução do uso do eletromagnetismo nos conduziu para uma nova física, cheia de gatos zumbis, meio vivos e meio mortos e de gêmeos de idades diferentes. Era uma física estranha, mas que novamente nos conduziu à realidade moderna, onde reina o computador.

Pois é este mesmo computador que está nos colocando à beira de um novo limiar: a de compreendermos a natureza do caos. O caos sempre esteve à nossa volta, mas nunca antes tivemos a capacidade de percebê-lo ou compreendê-lo. Mas agora com o computador podemos estudá-lo em sua complexidade.

Mas não só isso: nós estamos gerando mais e mais caos quanto mais usamos o computador para criar complexidade em torno de nós, e isso cria uma série de situações inesperadas e algumas bem indesejáveis.

O estado atual da ciência do caos se assemelha muito à da história da eletricidade. Estamos no limiar de uma nova fronteira para a ciência e a tecnologia, mas assim como os pioneiros da eletricidade, não sabemos bem com o que estamos mexendo e estamos criamos espetáculos com centelhas e cabelos em pé. Porém, esta brincadeira tem um risco. Cada dia que passa, nos cercamos de mais e mais computadores controlando até cafeteiras e lâmpadas, só porque é possível, é barato e confortável de ter. Mas isso esconde o caos crescente que nos rodeia, e que ainda não dominamos.

A evolução da ciência do caos nos permitirá maravilhas impensáveis no futuro, mas no presente, incontrolável e desconhecido, é um inimigo oculto.

A informática sofreu uma explosão nos últimos 30 anos. O que antes era uma caixa com um teclado e algo parecido com uma TV em preto e verde e que pouca gente entendia agora está por todas as partes, coloridas e divertidas como nunca e comandam até as coisas mais improváveis naquela época.

Se há 20 anos celular tijolão e internet telegráfica era para poucos, agora temos ambos juntos no mesmo aparelho dentro dos nossos bolsos. E logo será a vez da internet das coisas, onde até geladeira da cozinha dirá a você (e a quem mais?) tudo que ela sente e faz e se integrará com seu automóvel para mudar sua rota para o supermercado (indicado por quem?) para comprar os gêneros de necessidade (ou nem tanto).

Estamos automatizando tudo e tornando mais inteligente aquilo que já foi automatizado. Fazemos porque o poder computacional se tornou barato e acessível. Fazemos porque é fácil e só vemos as vantagens disso.

Entretanto, nada é perfeito. Se a automação em larga escala nos trás conforto, alguma desvantagem deve oferecer. Mas que deveria ser um pensamento saudável passa a ser um pensamento inconveniente.  Muitos irão pensar “Como é que algo tão legal pode ter um lado ruim?”.

Mas não somos deuses para violar as leis naturais. Quanto mais tornamos um sistema complexo e sobrecarregado, mais próximo do caos ficamos. Quando automatizamos nossas vidas em larga escala e passamos a depender delas, nos aproximamos justamente do caos que queremos evitar. Este é o caminho direto para gerarmos mais e mais comportamentos emergentes, e não temos pessoal qualificado para lidar com ele.

O caso é tão grave que que o assunto foi incluído no currículo de cursos de reciclagem para técnicos e engenheiros da Marinha americana.  O grau de surgimento de comportamentos emergentes indesejáveis era tal que afetava desde equipamentos isolados a até mesmo softwares de gestão e controle tático das frotas, e o despreparo destes profissionais retardava ou impedia o diagnóstico correto e a correção do problema.

Se hoje um sistema operacional complexo como o Windows 10 contém algo em torno de 50 milhões de linhas de código, um carro para classe média já contém 15 milhões de linhas, e isso sem contar a conectividade plena que estará logo aí, e mais futuramente o carro autônomo.

Sem os devidos cuidados, os veículos do futuro serão assombrados por comportamentos emergentes cada vez mais  bizarros e freqüentes. E ninguém parece preocupado com eles por enquanto, quanto mais preparado para diagnosticar e corrigir automóveis “teimosos”.

Se hoje está fácil para a indústria e as autoridades impingirem ao motorista a responsabilidade pela aceleração súbita e ficar tudo por isso mesmo, no ritmo que estamos de carregar os carros de mais e mais software sem compromissos com limites ou responsabilidades e só pensando o quanto isso vende carros, outros comportamentos emergentes se farão presentes e rotineiros, inviabilizando esse discurso.

Antes era difícil escrever este artigo por falta de exemplos ilustrativos. Hoje o exemplo se faz presente e pôde ser facilmente demonstrado de forma didática.
Só espero que no futuro não seja esta uma realidade diária em todas as coisas.

AAD

Origem das imagens:
http://paleofuture.gizmodo.com/driverless-car-of-the-future-1957-512626169     http://wahuntley.blogspot.com.br/2013/10/2001-space-odyssey-1968-review-stanley.htmlhttp://www.cagle.com/2014/06/google-tests-driverless-congress-without-eric-cantor/https://www.press.bmwgroup.com/global/pressDetail.html?title=the-bmw-group-gets-cars-and-motorcycles-talking-to-each-other-in-the-simtd-research-project-one-of&outputChannelId=6&id=T0132925EN&left_menu_item=node__5236http://bmwblog-rus.com/noveyshie-tehnologii-bmw/tehnologii-budushhego-ot-bmw-chast-2http://electronicdesign.com/iot/internet-things-hits-road

P.S.: Para quem não sabe, HAL9000 foi uma inteligente forma de merchandising, em que a IBM divulgou num filme seu mais recente computador, o IBM9000. Basta o leitor substituir as letras H-A-L pelas que a sucedem no alfabeto.



Sobre o Autor

André Dantas

Engenheiro Mecânico / Mecatrônico formado pela USP/São Carlos e técnico eletrotécnico pela Escola Técnica Federal de São Paulo. É um tipo de Professor Pardal e editor de tecnologia do AUTOentusiastas. Também acumula mais de 20 anos de experiência em projeto, montagem, ajuste e manutenção de máquinas e equipamentos pesados com sistemas de automação além uma empresa de Engenharia Pericial com foco no ramo automobilístico.

  • Lorenzo Frigerio

    Não vou nem citar qualquer tópico agora; vou deixar para depois… o professor André Dantas mantém sua lógica inabalavelmente perfeita mesmo quando descreve “universos paralelos”. Sem demérito dos outros, ele é o “príncipe” do Ae, anos-luz à frente do resto. Parabéns por este artigo, e pelos anteriores também!

  • Mr. Car

    Impressionantemente assustador este vídeo das acelerações súbitas! Me incomoda demais saber que um acidente pode ocorrer sem a menor interferência minha para que ele ocorra, nem que não há nada que eu possa fazer para que não ocorra. Me sinto muito mais confortável sabendo que eu estou no comando, e que para que não aconteça um acidente, pelo menos não um causado por mim, basta basicamente ter atenção e prudência, não abusar, não dirigir feito um louco, não dirigir bêbado, com sono, ou coisas assim. Não dizem que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose? Pois acho que nos carros (e aviões), a dose de “computadorização” já está se tornando algo venenosa. Em tempo: aqui no Rio já ocorreram alguns acidentes algo inusitados (sempre com carros modernos caros e importados), aos quais se atribuiu falha do condutor para suas causas. A dinâmica deles hoje me parece ser a mesmíssima dos causados pela aceleração súbita.
    Para pensar: “A poesia nunca soube exprimir a felicidade, como exprime a dor. É, sem dúvida, por ser a felicidade um segredo que Deus guardou para o Céu, ao passo que o homem, ao contrário, conhece a dor em toda a sua intensidade”. (Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine)
    Para ouvir (Youtube): “Amelinha – Mulher nova bonita e carinhosa ( CBS – 1982 )”

  • Newton (ArkAngel)

    Como o corpo humano funciona maravilhosamente bem!

    • Newton, consta-se que uma vez perguntaram a um sábio se Deus existia. Então o sábio disse:
      – Depende!
      E as pessoas, intrigadas perguntaram:
      – Depende de quê?
      E o sábio respondeu:
      – Depende de onde cada um o coloca.

      Cada pessoa tem sua fé e isso precisa ser respeitado.
      Entretanto, a matemática vem mostrando uma propriedade inacreditável de criar formas, comportamentos, estruturas, enfim, ordem a partir do caos.
      É uma estranha mão criadora oculta por trás de equações e leis universais que atua das menores estruturas até a grande estrutura do Universo.

      Se o Universo fosse puramente caótico, e tudo o que existe dependesse da estatística como nossa ciência estabelecida faz crer, então as chances de um Universo estruturado seriam muito, muito próxima de zero, e este seria um Universo estéril e sem as belezas e maravilhas que nos cercam.

      Cada um coloca seu Deus onde sua fé diz que está, mas talvez o melhor lugar para ele habitar esteja no meio dos números…

      • Esse seu comentário me lembrou o livro Contato, do Carl Sagan, em especial o finalzinho, onde a personagem principal encontra Deus no π(pi).

  • Fat Jack

    Por essas e por utras que tal qual no filme o “O Demolidor” (com Silvester Stallone), pretendo conservar um antiguinho (no máximo com ignição eletrônica)…, pode ser muito útil nestes dias de “futuro inseguro” com carros comandando seus proprietário, prefiro o bom e velho “Non ducor duco” (isso se eles ainda não tiverem seu uso proibido fora de locais “específicos”).

    • Fat Jack, meus textos são alertas sobre o futuro para aqueles que só enxergam o lado bom dos computadores. Mas não sou ludista para dizer para não avançarmos.

      Temos que avançar, mas com mais cuidado.
      Estamos mexendo com uma força criadora da natureza capaz de formar de átomos ao grande tecido de galáxias que compõem o Universo, e esta força mal começamos a compreender.

      • Fat Jack

        André, concordo com você, até um certo ponto houve e há avanços, sem dúvida, mas a meu ver o que os recentes incidentes demonstram claramente é que a indústria automobilística não tinha plena ciência de “onde estavam se metendo”, das possibilidades e riscos de tal nível de informatização dos veículos e dos “acessos externos” aos sistemas.
        (aproveito para lhe pedir que delete meu comentário anterior que acabou sendo enviado incompleto…, grato!)

  • Victor Gomes

    André, gosto muito dos seus textos. A leitura, apesar de tratar sempre de temas complexos, é agradável devido à sua narrativa didática. Foram graças aos seus textos que decidi aprender programação por conta própria. Ainda estou engatinhando nesse mundo maravilhoso, complexo e tal como a ocorrência dos comportamentos emergentes, misterioso. Não consigo nem mesmo ir muito além do “hello word” numa linguagem de programação no mais alto nível possível. Como estou aprendendo sozinho, cheguei num ponto onde não consigo mais resolver os exercícios propostos pelo site e, por causa disso, estou começando novamente as lições mais básicas da linguagem de programação que escolhi. Nessas horas, bate um desanimo em querer aprender algo tão complexo sozinho. Mas então eu venho aqui no Ae e procuro pelos seus textos, onde me inspiro e recobro minha força de vontade em continuar aprendendo. Muito obrigado, André!

    • Victor, o computador é uma máquina fantástica. É um espaço ilimitado por onde a mente e a imaginação podem se aventurar.
      Infelizmente hoje o papel dele está deturpado, servindo a interesses mais mundanos.

      Aprenda a programar, e a sua visão de mundo nuca irá parar de mudar.

      O primeiro jogo de damas que você programar e jogar melhor que você é inesquec[ivel.

    • Não desanima Victor, programar é muito bom, gosto mais de programar do que de dirigir rsrs

  • jordan sobral

    Por isso gosto tanto do filme “Eu, robô.”
    Mais um excelente esclarecimento de quanto avançamos no escuro…

  • BlueGopher

    Certa vez um filósofo escreveu que costumeiramente o ser humano médio não costuma agir de forma muito inteligente, mas quando está agindo em grupo, torna-se então um completo imbecil.

    Exemplo deste pensamento são aqueles protestos onde a multidão inicia depredações sem sentido. Incentivadas por uns poucos indivíduos radicais, as pessoas agem de forma irracional, algo que nunca fariam se estivessem a sós.
    Talvez este seja um dos comportamentos emergentes indesejáveis que surgem quando os diversos e complexos sistemas racionais humanos individuais interagem entre si.

    Os artigos do André Dantas são sempre excelentes.

  • Marco R. A.

    Belo texto. Parabéns.

    Eventualmente as fabricantes serão obrigadas a, no mínimo, disponibilizar uma versão manual para todos os seus modelos.

  • Marcos Namekata

    Creio que comportamentos emergentes exigem maior visão sistêmica, talvez até global para minimizar o tempo para descobrir como e porque eles acontecem.
    Cada vez mais, por incentivo do próprio mundo capitalista, informatizado e hedonista, tudo que é novo é incentivado, apresentando apenas o viés benéfico.
    Como num vídeo que vi há algum tempo (O futuro do varejo, https://www.youtube.com/watch?v=PpmaXDju_7U ), a parte boa é exaltada, como facilitar a vida, comodidade gerada, e até mesmo economia. Por outro lado, somado à Internet das Coisas, as organizações podem conhecer melhor sobre você e sua casa do que você mesmo. Além da “invasão de privacidade” (entre aspas, já que ela vira uma moeda de troca pela comodidade), gera mais e mais oportunidades para surgimento de comportamentos emergentes, por exemplo do sistema de pagamento automatizado que envia dinheiro para algum lugar aleatório porque você comprou um determinado valor em um determinado número de itens em certo horário que gerou o comportamento emergente.

    Há muita coisa para acontecer… e como todo problema, muitas oportunidades para aqueles que têm disposição (e curiosidade) para entender e resolver estes problemas, que normalmente são taxados de malfeitores pela alcunha de “hackers”.
    André, parabéns pelo artigo.

    • Marcos, gostei desse vídeo exatamente pelo revés negativo dele.

      Ele pinta um mundo idílico do consumo. Mas veja que o que ele mostra é uma grande armadilha para vender o que as pessoas não precisam, e conhecer as pessoas em sua intimidade é um pulo para empurrar para elas aquilo que elas não precisam.

      Reparou como a idéia do vídeo é usar o conhecimento íntimo de cada consumidor para ele comprar mais do que planejava?
      Pai, mãe e filha saíram da loja com muito mais ítens do que planejavam comprar a princípio.

      Reparou como é passado sutilmente a idéia da mãe ter economizado tempo nas compras e mostrando que isso é positivo? Existe o outro lado da moeda para esta idéia. Quanto mais o consumidor demora para efetuar uma compra, mais ele pensa racionalmente e não compra por impulso.
      Facilitar o processo de compra e reduzir o tempo que o consumidor gasta para colocar os ítens no carrinho faz o consumidor comprar mais do que precisa.

      No mais, é mais uma demonstração de um fato que não tolero mais. Em todos os cantos que vamos somos bombardeados com compre…, compre…, compre…”, e esse vídeo mostra como isso pode ser incrementado até o nível do absurdo.

      • Domingos

        AD, idílico me lembra uma coisa: o componente hedonístico.

        Esse talvez seja até mais importante que a dinâmica por você explicada.

        No fim existe um apelo visual, sensorial, lingüístico e até mesmo sexual em todas essas coisas com telinhas brilhantes e coloridas, videozinhos em alta definição, efeitos de som, vozes de locutores de cinema e compartilhamento instantâneo com os outros de cada passo seu.

        Posso apostar, por exemplo, que o sexo feminino tem de fato prazer com esse tipo de “nova forma de viver” que temos.

        Isso é um componente gnóstico, hedonista mesmo, que talvez seja o maior apelo e a maior razão de aceitarem isso – mesmo que muitos saibam o que há por trás.

        Acredite, tem gente que prefere passar vergonha e ter sua privacidade corporal invadida que deixar de mostrar às amigas/amigos e conhecidos o que faz, compra, visita, pensa etc.

        Em especial é uma festa, novamente, ao sexo feminino, que gosta de falar por códigos. É uma forma de falarem qualquer coisa “sem serem descobertas”, o que é uma tara.

        Daí para o sexo masculino, por seleção de reprodução, entrar no jogo, é a mesma coisa.

        Conheço UM MONTE de gente que não dava a MÍNIMA para informática, mas devido a essas possibilidades criadas por essa dinâmica, passaram a saber de cada detalhe do último smartphone e sistema operacional…

  • ussantos

    A coisa mais parecida com o HAL, é o amazon echo: https://www.youtube.com/watch?v=EaynIXcWvyM
    Mas ainda falta um pouco para “chegar lá”.

  • José Henrique V. Guimarães

    O poder de frenagem é superior ao de aceleração. E até onde sei os freios ainda não estão pendurados na rede computacional (ABS, EBD,… são independentes?!?!). Se acelerar sozinho, não basta enfiar o pé no freio????

  • Rubem Luiz

    No caso da aviação acho mais interessante como o engenheiro de voo pode quase que completamente sumir das grandes aeronaves, trocado por software. Uma pessoa e um painel enorme sumiram, virou software que automatiza quase toda essa parte.

    Ou seja, 1 humano inteiro pode ser substituído por software. No mundo automotivo que humanos seriam esses? Poderia ser a sogra, que fica no banco de trás berrando “Olhando o carro vindo”, “Olha o buraco”, “Vai mais devagar”.

    É um passo bem modesto, ter histórico de buracos ou curvas fechadas (Ou lombadas) pra avisar antes, interconexão pra avisar sobre veículo lento a frente, ou sobre um esquina sem trafego transversal (E isso economiza combustível, não é questão de correr! Os ecochatos deviam ser os primeiros a lutar por esse tipo de coisa afinal gera economia enorme de combustível ao reduzir o acelera e freia).

  • André K

    Que viagem! Obrigado!

  • ochateador

    Rapaz, isso que é matéria bem escrita e que faz a gente pensar.

    Enquanto a indústria automobilística não aceitar essa falha da “aceleração súbita” ninguém irá correr atrás de uma correção… precisarão morrer mais quantas pessoas até arrumarem isso ?

  • Douglas

    Isso da aceleração súbita acredito que seja a troca dos pedais mesmo, do contrário a pessoa teria o reflexo de frear o carro.

    Na troca de pedais o motorista não se dá conta que está apertando o acelerador em vez do freio e pensa que o carro está acelerando sozinho, com isso no seu reflexo de frear aperta o acelerador com mais força ainda já que acredita estar com o pé no freio.

  • Mr. Car, quando puder, leia o laudo do acidente da Lauda Air.
    É grande, altamente técnico, mas é um documento que lembra um romance policial onde as descobertas são feitas peça por peça. E o resultado é assustador.
    Inicialmente haviam 12 hipóteses para a falha. Uma a uma as hipóteses foram sendo eliminadas. Foram eliminadas todas, menos uma: a abertura do reverso de uma das turbinas de alguma forma fora comandado pelo computador. O sistema de segurança fora projetado para que o reverso fosse aberto apenas sob a sequência correta de acionamentos, impensável de ter ocorrido por mero acaso.

    Mais terrível ainda é que o acendimento da lâmpada de abertura de reverso em pleno vôo constava no manual de vôo do aparelho e foi lido pelo copiloto após um evento inicial que pouco depois cessou. 11 minutos depois a luz reacendeu e desta vez o reverso realmente abriu em vôo.

    Nunca descobriram a falha do jato da Lauda Air. Os sistemas foram reprojetados e o defeito da lâmpada acender em vôo nunca mais ocorreu.

    • Mr. Car

      Dantas, já vi este caso no programa “Mayday, Desastres Aéreos”, do canal National Geographic. Com tanta computação nos aviões hoje, acho que me sentiria melhor voando em um Electra, que aliás, nunca tive o prazer de experimentar, embora tenha passado muitos domingos no restaurante do aeroporto Santos Dumont, vendo-os pousar e decolar, he, he!
      Abraço.

    • Domingos

      Passou da hora de voltarem a ter os engenheiros de vôo e sistemas independentes completos de controle, que ficariam desligados por completo e seriam ligados em caso de necessidade, com o engenheiro de vôo programando todos os parâmetros desejados nesse sistema.

      Antes disso os outros seriam desligados. Assim as questões de desobediência e concorrência entre dois sistemas paralelos seria resolvida.

      Me parece que existe um medo de dar esse poder – de desligar sistemas – novamente aos pilotos.

      Talvez erros de falha de máquina sejam “aceitáveis” ao público e à justiça, mas erros humanos não.

  • Lorenzo, grato pelos elogios.

  • Lorenzo Frigerio

    Já repararam como os povos pré-colombianos da América do Sul construíam edificações com pedras cortadas de tamanhos diferentes? Depois de ler o artigo, me ocorreu que isso ajuda a evitar ressonâncias prejudiciais numa região bastante dada a terremotos.
    A ocorrência de comportamentos emergentes indesejados resultante da interação de sistemas diferentes que seguem lógicas parecidas me faz lembrar a afirmação de Nelson Rodrigues, de que “toda unanimidade é burra”. Eu sempre fui do contra; desconfio daquilo que, por comodismo, segue sempre uma lógica comodamente constante. Pois desse mato nunca sai cachorro (inovação) algum.

    • Lorenzo, eu passo por situações muito engraçadas aqui no Ae.

      Compara o que eu escrevo com o que o colega Carlos Mechia.
      Ele também é um engenheiro competente e de textos brilhantes. Mas tem uma diferença.
      Ele tem uma vida dentro da indústria automobilística, e eu nunca trabalhei nesse setor. Eu é que sou o estranho no ninho que é o Ae.

      Esse detalhe é que marca todas as diferenças entre meus artigos e os do colega Mechia, tanto em assunto como em enfoque. Mas cada um com seus méritos e qualidades.
      E quem ganha com isso? São vocês, leitores.

      Minha vida profissional é muito variada, indo do programa nuclear brasileiro a até ser sócio de empresa de software e hoje trabalho como perito judicial.
      Diferente de muitos profissionais que passam 20, 30 anos fazendo a mesma coisa e se tornam super-hiper-ultra especialistas num detalhe muito pequeno, eu sou o engenheiro que vive de conhecer sem tanta profundidade uma diversidade enorme de assuntos. Só que isso cria um outro tipo de especialidade.
      O que eu aprendo e vivencio, eu não esqueço. Tempos depois pego um trabalho novo e ligo com algo que aprendi em outro trabalho de outra área e aí a situação fica engraçada, porque a solução que eu tiro é completamente fora da caixa para aqueles que são daquele setor.

      Já várias vezes conversando com colegas do setor automobilístico, vejo-os arrancando os cabelos com um “problema difícil” que colocado sob outra ótica, tinha solução “arroz com feijão” no setor de elevadores. Só que essa solução é completamente estranha para esse pessoal, pois a maneira de pensá-la está “fora da caixa”.

      • Lorenzo Frigerio

        O Meccia, pelo que percebo, é um engenheiro tradicional, com várias canetas no bolso da camisa; aquele cara que explica as coisas de maneira fácil e sucinta para quem tem dúvidas ou desconhece um assunto, e sempre buscará resolver um problema com soluções “no-nonsense”. Você é um “meta-engenheiro”… um engenheiro de engenheiros. Que nem Jeff Beck ou Robert Fripp estão para a guitarra, ou Le Corbusier e Louis I. Kahn para a arquitetura.

        • Domingos

          Nunca duvide da capacidade inovativa de um “tradicionalista”, que no caso da engenharia meramente quer dizer aquele cara que conhece os pontos básicos e imutáveis da coisa.

          Geralmente pessoas assim inovam por requisição ou por necessidade, porém quando o fazem, fazem direito – pelo respeito aos fundamentos.

          Não falando de ninguém em específico, mas por vezes o reinventor da roda faz um trabalho porco e que no fim tem uma novidade para 500 mil problemas e se termina com um produto que ninguém quer, que não serve a nada a não ser “ser diferente” (o que não quer dizer nada sozinho) e que ainda por cima é tem problemas.

  • Fabio

    Mais uma aula de motivação para estudo das equações de van der pol, duffing etc… Muito legal, parabéns Andre Dantas!

  • H_Oliveira

    Cara, infelizmente, nem sempre dá para ler os seus textos AAD (falta de tempo), mas quando leio sempre vale a pena! Obrigado.

    • H_Oliveira,
      Faça um esforço e leia esse, vai valer a pena, garanto.

      • H_Oliveira

        Esse eu li Bob. E valeu a pena demais!

    • H_Oliveira, essa é a melhor recompensa para quem escreve. Obrigado.

  • Newton(ArkAngel)

    Proporção divina.

    • Domingos

      Boa. Dizem inclusive que o tino dos judeus aos negócios e números seja por serem conhecedores de certos “traços deixados por Deus”.

      Algo como uma astrologia, porém com números.

  • Ilbirs

    De minha parte, não chego a tal extremo, mas me sinto seguro de saber que o único acesso informático ao carro que tenho é via porta OBD, ainda mais depois de ocorridos mostrando ser possível a distância tirar de alguém o controle de um carro se este possuir uma central multimídia com GPS ligada aos outros sistemas do carro.

  • Lucas Sant’Ana

    E quem conseguir controlar tudo isso (governo ou corporações) poderá criar uma ditadura sem precedentes na História do mundo

    • Lemming®

      Não estamos muito longe.
      As notícias já são controladas. Internet, celulares e rádios monitorados…
      Se o Google não encontra então não existe, se (não) está na mídia (não) é verdade e por aí vai (generalizando)…

      • Lemming, isso se chama “modelagem da realidade” e vai muito além das coisas que são intencionalmente manipuladas e que vem preocupando muita gente.

        O Google, por exemplo, já demonstrou preocupação com um fenômeno. Mais de 95% das vezes que uma pesquisa é feita na página do buscador, o usuário não vai além do 5º link mostrado.
        Isso preocupa o Google porque gera uma distorção. Quanto mais um link é clicado no buscador, mais ele ganha importância para ser mostrado na próxima pesquisa. Se as pessoas escolhem pelo imediatismo e não pela qualidade, isso distorce a qualidade dos links oferecidos pelo Google.
        As pessoas tem uma percepção da realidade dependente das informações que recebem, e isso distorce a realidade delas. No fundo isso é um comportamento emergente.

        Outro exemplo preocupante ligado ao mesmo comportamento está no Facebook.
        As pessoas são atraídas pelos seus interesses. Quanto mais elas buscam aquele assunto, mais elas reafirmam a própria realidade e o interesse. Isso gera o ambiente ideal para a criação dos “fanboys”.

    • Lucas, faça a releitura da minha série “mundo estranho”, em especial a última parte.
      Há anos há um grupo de hackers éticos que lutam por uma sociedade onde não há controle sobre a informação.

      Darknets, Freenet, rede I2P são resultado são todos meios criados por hackers na internet para evitar que a informação seja proibida de circular, que seja manipulada e seus autores e leitores sejam rastreados e perseguidos.

      • André K

        E a questão do Big Data, André? Você crê que esses entes tenham capacidade para analisar o volume de informação criada e solicitada por eles mesmos? Ainda me parece meio impossível conseguir analisar tudo, mas pode ser uma questão de tempo apenas.

        • André K, Big Data é um “Big” problema. Hoje a coleta de dados é enorme. Mas esses são dados brutos. Refinar esses dados paa dali tirar dados sintéticos é um problema. Há tanto problemas de ordem técnica como humana.

          Em primeiro lugar, você precisa ter capacidade de armazenar e de processar tantos dados em tempo hábil. Isso você não faz com um PC em cima da mesa. Big Data é uma brincadeira cara.

          Depois, os computadores aprendem com esses dados sobre coisas com alta correlação estatística. Só que isso também é um problema que exige a inteligência humana.
          Computadores podem aprender que há uma correlação muito forte entre as variações das cheias do rio Nilo com o tamanho do busto da Miss America.
          A inteligência humana é importante para que os computadores busquem correlações entre dados que realmente possam estar relacionados entre si para não desperdiçar o caro poder computacional necessário (caro não só em termos financeiros, mas de precioso tempo) e de perceber se os padrões encontrados são coerentes ou não.

          O problema computacional hoje é até fácil de resolver. Desde que se desenvolveu a computação distribuída, com dezenas ou centenas de PC’s rodando o mesmo programa em paralelo como se fosse um computador gigante, o problema se resume a montar a rede.

          O problema humano é mais complicado.
          Poucos tem os conhecimentos de estatística e computação para lidar com o problema, e destes, poucos tem o “feeling”, o “faro” para perceber as sutilezas dos dados.

          Já ouvi dizer que o Big Data é o tipo de tecnologia que pode fracassar mas não porque não seja interessante ou deixe de trazer resultados, mas porque não tem pessoal suficientes para atender o mercado.

          • André K

            Para mim é difícil imaginar que o governo americano não esteja fazendo pesquisas sérias nesse sentido. Eu acho que será uma questão de tempo.

            “Poucos tem os conhecimentos de estatística e computação para lidar com o problema, e destes, poucos tem o “feeling”, o “faro” para perceber as sutilezas dos dados.” Se essas poucas pessoas existirem, certamente serão achadas pelos “recrutadores” americanos (sem nenhum juízo de valor nesse sentido).

      • Domingos

        Basicamente ao mesmo tempo um objetivo impossível e inútil.

        No final é tudo questão de usar a cabeça. Competir com sistemas e soluções é jogo ganho, o “carro mais potente” com certeza será de quem tem o maior número de servidores.

        Eu duvido uma agência internacional não conseguir quebrar quase qualquer criptografia disponível/viável a um usuário doméstico em poucas horas com a capacidade computacional que possuem à disposição.

        Da mesma forma, o medo de um governo tirânico só se resolve com cidadãos dispostos a fazerem sua parte (inclusive no caso de uso da força).

        Se for por “sistemas democráticos” “perfeitos” ou qualquer outra solução, sempre irá ter um dominado.

        No fim essas soluções todas são todas um pouco propagandistas ou, como a democracia, ilusão de “poder ao povo”.

        Servem mais como uma utilidade do dia-a-dia, para que o muleque com um laptop caindo aos pedaços não esvazie sua conta.

        Um governo querendo, fará o mesmo não importa o quanto você “se proteja”.

        E aí que entra a disposição das pessoas em se sacrificarem por uma causa. Não é com virtualidades como sistemas e democracia que isso se “ganha”.

        E é uma batalha constante.

  • RoadV8Runner

    Como sempre, mais um excelente texto esmiuçando as nuances que estão por trás de assuntos sérios e que, infelizmente, não são tratados com o devido cuidado.
    Nunca havia ouvido falar sobre o comportamento emergente, mas agora fica claro que ele ocorre com relativa freqüência em nosso dia-a-dia. Até mesmo nos equipamentos automatizados da empresa onde trabalho esse comportamento pode ter ocorrido algumas vezes, pois já houve diversos casos de problemas totalmente estranhos que não faziam o menor sentido, justamente por não serem reproduzíveis ou então serem intermitentes.
    Um detalhe que nunca havia notado sobre os carros com sistema de ligamento e desligamento por botão é serem susceptíveis a falhas e não ser possível desligá-los em situações de risco. Nesse caso, o melhor seria haver uma opção de desligamento por chave mecânica, como ainda o é na maioria dos veículos. Como a energia é interrompida mecanicamente, não há como o veículo permanecer ligado em condições indesejáveis.
    Por isso na indústria aeronáutica novas soluções que, aparentemente, são perfeitas, passam por anos e anos de testes intensivos, até que se tenha absoluta certeza de que não há grande risco em adotá-los. Caso mais recente é a fibra óptica, que vem sendo usada somente nos sistemas multimídia. Embora os sistemas de transmissão de dados ópticos encontre-se bastante evoluído, ainda não é possível garantir que seja tão confiável quanto o tradicional sistema de cabos de cobre, que usa a conhecidíssima eletricidade para transmissão de dados. A grande vantagem da fibra óptica é ser totalmente imune a radiação eletromagnética, o que torna desnecessário o uso de cabos blindados (aterrados) para eliminar ruídos.
    Enquanto o caos não for completamente entendido, vou fazer de tudo para me manter o mais distante possível de automações ou conectividades que considero desnecessárias…

    • RoadV8Runner, não é só o botão liga/desliga que é eletrônico nos carros modernos. O freio de mão, a alavanca de câmbio automático ou robotizado, o acendimento dos faróis, o limpador de parabrisas, o ar condicionado…
      A automação melhorou o uso do automóvel em diversos sentidos, mas nunca podemos esquecer que aquilo que trás coisas boas também trás ruins. É o eterno preceito do Yin e Yang.
      No caso da automação automotiva, ela permite que os carros sejam mais facil e completamente hackeáveis, e sensíveis a comportamentos emergentes.

      Se você vem tendo problemas com comportamentos emergentes indesejáveis, de imediato te passo este documento:
      http://www.hpl.hp.com/techreports/2006/HPL-2006-2.pdf

      Repara que é um documento da própria HP, o que mostra a seriedade do assunto.
      Tenho aqui uma boa coletânea deste assunto, inclusive a apostila do curso da marinha americana a que me referi no texto.

      Havendo interesse, me manda um e-mail que eu vejo um jeito de disponibilizar esse material pra você.

      • RoadV8Runner

        André,
        Obrigado pelo artigo. Vou ler e, dependendo do caso, entro em contato para ver os demais documentos a respeito de comportamento emergente.
        E por isso que prefiro carros o mais “mecânicos” possíveis, justamente para reduzir os riscos de mal funcionamento em situações críticas.
        Abração!

  • RoadV8Runner

    Se o carro acelerar a pleno, o freio é pouco ou nada eficaz, pois a potência do motor é suficiente para manter o carro em movimento, a não ser que se esteja ao volante de um carro pouco potente. Além disso, não é estranho os casos de aceleração súbita ocorrerem somente em modelos de câmbio automático, justamente os modelos que têm o pedal de freio em tamanho bem maior que em modelos de câmbio manual? Não acredito mesmo em erro humano, como troca de pedais, principalmente nos casos do vídeo onde o carro bate e continua acelerando forte.

    • Victor

      Não é boa prática da indústria automotiva equipar os carros com freios mais potentes que o motor e capazes de parar o carro sob aceleração? Nosso amigo Carlos Meccia poderia responder essa.

      • Domingos

        Diz a lenda que quase nenhum carro tem sistema de freios menos potentes que o motor.

        De fato, não conheço um carro que acelere mais rápido do que pare.

  • RoadV8Runner

    Não é bem assim, pois em carros com potência razoável o freio é pouco ou nada eficaz com aceleração plena. Tive um Caravan 1988 6 cilindros a álcool. Como o dono anterior não acelerava a fundo com freqüência, na primeira pisada a fundo que dei, ambas as borboletas do carburador travaram abertas, durante uma ultrapassagem. Ao aliviar o acelerador e perceber que o carro continuava ganhando velocidade muito rápido, pisei no freio e o máximo que consegui foi segurar o carro a cerca de 70 km/h, pois ocorreu fading do conjunto de freio. A solução? Desliguei a chave e deixei o carro perder velocidade naturalmente.

    • F A

      Eu tive um Opala que aconteceu isso. Mas eu pisei na embreagem e coloquei em ponto morto.

      • RoadV8Runner

        Pensei em fazer isso, mas aí a rotação iria para as alturas, correndo o risco de danificar válvulas e varetas por excesso de giro.

        • F A

          Verdade. Lembro que o meu foi depois de uma esticada e parei num trânsito e a rpm a mil. E baita vergonha, todo mundo olhando. Mas eu pisei na embreagem e no freio e depois soltei a embreagem para morrer.

          • Lorenzo Frigerio

            Quem dirige esses carros tem a manha deles. É natural.

  • Fat Jack

    Concordo com você, mas que os recentes acontecimentos demonstram claramente

  • José Henrique V. Guimarães
    Teoricamente, basta frear com tudo, mas lembre-se que com acelerador todo aberto não há vácuo no coletor de admissão, portanto não se conta com o servofreio, exigindo muita força no pedal. Para o motorista comum é comum se o carro estivesse com pouco ou nenhum freio. Para minorar esse problema, a maioria dos carros hoje tem uma proteção, que é o acelerador fechar automaticamente ao se frear.

    • RoadV8Runner

      Agora entendi porque não consegui parar meu Caravan quando o carburador travou totalmente aberto. O que senti não foi fading nos freios então, mas sim falta de força para parar o carro de fato, por conta da falta de vácuo.

    • Douglas

      Mas o sistema fica com um pouco de vácuo suficiente para umas 2 ou 3 frenagens.

      Já fiz o teste com o meu carro, em quinta marcha acelerei tudo e fui testando o freio, nas duas primeiras frenagens freou normal, só a partir da terceira ou quarta que o pedal ficou duro(o que mostra também que ele não corta o acelerador ao frear).

    • Danniel

      Fiz o teste ontem, primeira marcha andando lentamente, pé embaixo. Esperei atingir uns 4500RPM e pisei no freio. O carro diminuiu até quase morrer. Fiz o teste com maior velocidade em segunda marcha e também consegui segurar tranquilamente, ainda tinha bastante vácuo no servofreio. Depois vou fazer o teste com o Omega que tem menor capacidade de frenagem nas rodas motrizes.

  • Warley S

    Apenas para critério de informação, tanto Arthur Clarke quanto Stanley Kubrick negaram que “HAL” foi uma referência à IBM, afirmando que significa apenas “Heuristically programmed ALgorithmic computer”, e disseram que se tivessem percebido a coincidência certamente teriam alterado a sigla. Inclusive, no filme, são observadas outras máquinas com o logotipo da IBM original, nesse caso sim podendo ter sido um merchandise de brand placement.

    • Warley, já vi realmente as declarações do Arthur Clarke e do Stanley Kubrick que são oficiais, mas existem algumas lendas a esse respeito.
      Pra começar, as declarações são recentes, pouco antes das mortes dos dois, enquanto que a tese de que “HAL” é um anacrônimo de “IBM” vem desde os tempos do próprio filme.

      Muita gente acredita que houve dinheiro da IBM para isso no filme, mas com o passar do tempo, tendo o filme virado um clássico cult, tornaria essa associação eterna, mas nem Clarke nem Kubrick ganhariam um tostão com elas.
      Pelos mesmos motivos, há quem acredite que as declarações tão tardias apenas são uma forma de criar um mito e uma teoria conspiratória em torno dela, quando negar passa a ser uma forma indireta de afirmar.

      De qualquer forma, uma das teorias referentes ao caos e a comportamentos emergentes diz algo interessante a respeito.
      Existem dois tipos de cobra coral, a verdadeira e a falsa. A verdadeira é extremamente venenosa e rara, enquanto a falsa é bastante comum. A similaridade entre ambas gera uma confusão nos outros animais, que por receio, evita a ambas.
      A similaridade é evidentemente vantajosa para a falsa, mantendo predadores em potencial afastados, mas o que é menos evidente é que a imitação também é positiva para a cobra verdadeira. Sem a falsa, a verdadeira seria tão rara que os outros animais não a conheceriam e não a temeriam, e ela contantemente teria de lutar para se defender dos predadores. A imitação da falsa mantém constantemente fresca na memória dos outros animais do potencial de encontrar a verdadeira.

      Funcionalmente no meio ambiente, pelo menos em um aspecto, não há distinção entre a cobra verdadeira e a falsa, e gera o mesmo beneficio a ambas.

      Da mesma forma, não importa se originalmente a intenção dos autores do filme era ou não criar uma relação com a empresa na época. O fato é que as pessoas acreditam nisso, então a idéia funciona como tal e assim funciona como se verdadeira fosse, independente dela ser verdadeira ou não na sua origem.

      • Lorenzo Frigerio

        Isso é apenas o que eu ACHO: na natureza, animais com manchas e cores berrantes tendem a ser venenosos; plantas, idem. Não creio que exista essa “lembrança” que você falou, tampouco essa “vantagem” da verdadeira de ter a falsa “perpetuando a lenda”. Isso seria antropomorfizar o comportamento animal.

      • Warley S

        Ótimo posicionamento, André. Valeu!

  • Marcio Rogério Dorigon

    Texto muito legal, nos faz pensar um pouco fora da caixa e tentar entender algumas coisas por outros pontos de vista. Essa da aceleração subita faz muito sentido, uma gama de fatos ocorrendo que levam a eletronica do carro a chegar a ordem de acelerar…pode ser realmente plausivel ja que é somente em cambios inteligentes e aceleradores eletronicos, que devem estar trabalhando em conjunto pra terem melhor desempenho do veiculo. Me lembra uma historia que ouvi sobre freios abs nos primordios da comercialização. Um certo mecanico de uma autorizada de carros de luxo saiu fazer um teste, em um dia chuvoso, em uma rua de paralelepipido… conclusão ao frear o carro, a combionação, chuva, paralelepipidos lisos, pneus perfil baixo e roda pulando fora a velocidade… o carro não parou, acertou um velhos volks boxer por de tras. Uma situação que não estava sendo prevista na programação do abs daquele carro e que com certeza hoje em dia não acontece mais. Alguma situação deve ocorrer e o sistema inteligente toma essa ação de acelerar, como os sistemas todos interagem, ja viu néh. As vezes fico muito feliz com o meu velho cicatriz (escort zetec glx 98).

    • Marcio, esse comportamento era comum nos primeiros ABS, e não ocorria apenas em paralelepípedo com chuva.
      Bastava o carro encontrar uma ondulação de pista conhecida como “costela de vaca” que o problema acontecia mesmo em pista seca.

      E essa falha do ABS pode ser caracterizada como comportamento emergente.

  • Douglas, olhe o próprio vídeo que postei. Não dá para dizer que todos ali foram enganos de pedal. Motorista assustado tende a tirar o pé do acelerador, e a sensação e a posição do pedal do acelerador é diferente da do freio, e muitos desses acidentes ocorrem com motoristas experientes. Não dá para classificar todos como mero erro humano.

    • Douglas

      André, olhei o vídeo.
      Realmente cada caso é um caso e não dá para dizer que todos são erros humanos como você bem mencionou.
      Mas ainda acho que parte desses acidentes é por troca dos pedais.
      No desespero nem todo mundo tira o pé do acelerador justamente por pensar que está com o pé no freio.
      Já soube de um caso próximo a mim em que a motorista confundiu os pedais num carro automático e atravessou o muro que separa a casa dela da casa vizinha, percorreu a garagem da vizinha, derrubou o portão e foi parar na outra rua. Casos como esse são até comuns e os motoristas reconhecem que trocaram os pedais.

  • Marcos Alvarenga

    André, fico impressionado com a sua capacidade de pensar além do censo comum. Você traz questões filosóficas e de física para o dia-a-dia de forma prática e aplicada. Quem imaginaria que a teoria do caos e dinâmica de fluidos estão tão presentes em nossa vida?

    Mais fácil é chamar os outros de barbeiros e enfiar o processo de investigação em uma gaveta…

    Parabéns.

    • Marcos, pois esta é realmente a grande revolução da teoria do caos. Estamos cercados dele e nunca o percebemos porque ele é cotidiano.

      Na verdade, quando digo “teoria do caos” cometo uma simplificação muito grande, porque a teoria do caos é parte de uma teoria maior, chamada de teoria da complexidade.

      Pense na internet. As pessoas se ligam através dela de forma caótica. Isso é teoria do caos.
      Mas pessoas se ligando, assim como máquinas se ligando para formar a internet montam redes, e entramos no domínio da teoria das redes. Pessoas e equipamentos se relacionando são agentes em um ambiente altamente complexo, gerando comportamentos emergentes, apegados a atratores estranhos, e voltamos ao domínio da teoria do caos. Comportamentos emergentes positivos são incentivados pelo sistema, enquanto comportamentos indesejáveis são reprimidos e eliminados, e entramos no domínio da Seleção Natural de Darwin (que não se aplica apenas à biologia). Comportamentos emergentes positivos são altamente flexíveis e respondem naturalmente de forma inteligente, e entramos na área da inteligência natural e artificial. Redes humanas e de máquinas como sociedades e internet podem ser divididas em unidades menores, que possuem conformação e propriedades semelhantes à do agrupamento maior, e isso é um princípio chamado de auto-similaridade que é a base da Geometria Fractal.

      Quase todos os problemas que envolvem a teoria do caos acaba por envolver todo o resto da teoria da complexidade. Você começa com um problema de caos e sai numa questão de redes. Você começa com um problema de inteligência artificial e termina em um problema de geometria fractal.

      Esse é um assunto fascinante e mostra como coisas próximas a nós, que nem questionamos, são tão complexas.

      • André K

        “Esse é um assunto fascinante e mostra como coisas próximas a nós, que nem questionamos, são tão complexas.”
        Com o tempo, perderemos a noção de como fizemos? Em “A Fundação” Asimov brilhantemente criou uma premissa na qual a humanidade não sabia mais como havia chegado naquele estágio de evolução, perdeu-se a história e a sabedoria do feito, uma ficção bem plausível – cada vez mais! Quando a história for um banco de dados numa “máquina”, um erro, um comportamento emergente, um acidente, qualquer coisa pode por tudo a perder.
        – Mas, haverá segurança!
        Nem tudo é passível de ser protegido todo o tempo…

  • Lucas

    É por receio desses comportamentos emergentes que eu jamais largo a chave dentro de um carro com travas e vidros elétricos. Se isso tiver que ser feito, deixo a porta aberta. Um simples mau contato no botão de acionamento do alarme e está feita a caca, especialmente nesses carros que fecham os vidros em conjunto com o travamento das portas, como é o caso do Astrinha que tenho. A oficina em que sempre levo meu carro adotou essa prática após eu explicar essas coisas.

    • Felipe A. Debortoli

      Sempre foi o meu medo!!

      Já presenciei com um amigo meu em um domingo e a dor de cabeça que foi… Depois disso tenho medo até de deixar a chave dentro do meu Uno que nem alarme tem… 😛

    • Viajante das orbitais

      Se o carro estiver com motor ligado muitos carros farão isso, inclusive o Astra.

      • Lucas

        Sim, eu sei. Mais um motivo pra ficar atento. Apesar de que o meu Astra ainda não tem esse recurso de travar as portas automaticamente com o carro ligado.

    • Eu não tenho esse receio. Sempre carrego comigo uma chave reserva do carro.
      Aí acontece a Lei de Murphy: em 15 anos com meu carro, nunca tive problemas, se quer de perder a chave.

      • Lucas

        Pois é, André. Conforme respondi abaixo pro Fernando, não tenho chave reserva desse meu carro. Constantemente homenageio por isso o antigo dono que ficou com ela.
        Mas uma hora dessas, tomo vergonha (ou o Murphy me obriga) e mando fazer uma cópia.
        Valeu.

  • Fat Jack, infelizmente não é só a indústria automobilística que está nessa onda de automatizar o que é possível.

    Aceleração súbita é só a ponto do iceberg.
    Imagina casos onde plataformas de petróleo passam a operar em comportamento emergente indesejável. São enormes tanques de combustível prontos para explodir. E casos de plataformas inteiras ficarem malucas existem e não são poucos. Só que nunca sai na imprensa.

  • Fernando

    E eu já vi isso acontecer, em carros com travamento automático.

    Ando com a chave junto a mim para evitar isso, no carro sozinho já basta aprender com o erro dos outros…

    • Lucas

      Pois é… Ajudaria se eu tivesse a chave reserva do carro, mas o antigo (talvez o primeiro) dono…. Deve conservá-la, juntamente com o manual, emoldurada num altar como lembrança….

  • Claudio Abreu

    Impecável, como sempre.
    Ia cobrar o tal post sobre clonagem de humanos, mas a dose de hoje foi alta – melhor esperar mesmo uns dias pra digerir…
    Obrigado por disponibilizar seu conhecimento de forma tão clara e pertinente, amigo.
    Abraço

    • Claudio Abreu, antes do artigo de clonagem humana tem outro na fornada: aquecimento global.

  • francisco greche junior

    Como sempre ótimo texto e ótimas explicações, basicamente no final vemos que por exemplo um acelerador eletrônico existe basicamente porque temos como fazer. Sendo que o mecânico por cabo funciona muito bem.

    • Lorenzo Frigerio

      Acho que existe uma vantagem no eletrônico: eliminar NVH, pois a vibração do motor viaja pelo cabo até o seu pé. Mas a razão de se fazer assim tem por provável objetivo a economia; é por isso que algumas pessoas não gostam das reações dele.

      • francisco greche junior

        Ah sim, tudo caminha em caminhos distintos, pena que as vezes fica difícil de se escolher. Entendo plenamente que carros modernos precisam responder a emissões e consumo restritos, inclusive como argumento de venda. Agora no caminho de desempenho e esportividade discordo do que o Thiago afirma, acho uma piada a galera colocando artitfícios para diminuir o “LAG” do acelerador eletrônico, até porque conforme explica o Thiago não necessáriamente é um LAG e sim uma característica.
        Agora piada mesmo, são pessoas que instalam injeções programáveis tipo Fuel Tech em carros antigos preparados para performance e ainda adaptam aceleradores eletrônicos. Sinceramente eu não entendo.

        • Thiago Teixeira

          Francisco, eu não quis especificar sobre esportividade. Foi um exemplo. O programador pode criar mapas de funcionamento para todo ângulo de abertura do acelerador melhor que nosso pé.
          Quanto a diminuir artificialmente o LAG a partir da abertura da borboleta isso pode ser feito mesmo com cabo usando o expediente de diferentes raios na guia do cabo junto ao eixo de borboleta.
          Essa manobra é usada em carros 1.0L que faz parecer mais forte que é. Você dá uma pequena acelerada e o carro parece bem forte. Então você usa todo curso de acelerador e percebe a não linearidade da suposta força.

          • Domingos

            Exatamente. Até Porsche é assim hoje. Um toque no início do curso do acelerador na verdade abre a borboleta um bocado, dando a impressão do carro ser muito mais forte do que é.

            Pessoalmente acho uma porcaria, especialmente se for necessário controle fino do acelerador.

            Ao menos nos carros mais específicos para isso, como a própria Porsche, dá para regular a “enganada”.

    • Thiago Teixeira

      Não vejo como limitado a existir por ter como fazer. Além do pontuado pelo Lorenzo abaixo, o sistema eletrônico favorece o comportamento do motor buscando força e economia a partir de mapas mais inteligentes que apenas acelerar. Quando pisamos até o fim o acelerador ele entende que queremos andar mais faz da melhor forma que um cabo que simplesmente deixaria todo “ar aberto”.

      • Thiago Teixeira

        *mas faz…

  • CorsarioViajante

    Sempre demoro para comentar seus textos pois espero ter um bom momento para poder ler com calma. Como sempre, excelente! A idéia de usar o HAL9000 como “condutor” dos temas foi excelente e didática.

    • Corsario, o HAL9000 entrou de uma forma muito interessante na matéria. Para um título de “Computação Maluca” já se esperaria que ele aparecesse de alguma forma, mas repara que, tirando a introdução, ele não aparece mais no texto.
      Eu não tinha imaginado introduzir o HAL9000 a princípio. Deixei “baixar o santo” e fui escrevendo. Mas quanto mais eu chegava nos “chavões” da indústria do software (“isso é erro humano”, “computador não erra”, “o sistema é perfeito”, etc.), mais eu pensava “Já ouvi isso antes. Onde foi?” Foi aí que lembrei dos diálogos do HAL9000.
      A história do HAL9000 todos conhecem, então percebi que quando é ele que personifica os chavões através dos seus diálogos, cria-se uma dramaticidade que destaca aquilo que estou dizendo. Era juntar a fome com a vontade de comer.

      Como não tem imagens com esses diálogos e quando tem, não seguem o mesmo padrão, tive que pesquisar os diálogos e editar as imagens.
      Deu trabalho, mas acho que atingi o objetivo.

      • CorsarioViajante

        Atingiu sim, o contraponto foi perfeito! Seus textos são brilhantes e tratam de assuntos complexos de forma acessível e divertida!

  • CorsarioViajante

    Esse “efeito” é engraçado, quando pego fila no super-mercado começo a pensar com calma e muitos itens acabam ficando abandonados mesmo.
    Em restaurante o mesmo ocorre: Às vezes o serviço é tao lento ou desatento que você acaba desistindo de pedir mais uma bebida ou uma sobremesa, por exemplo.
    Em ambos os casos, você questiona sua necessidade e percebe que, talvez, não precisasse tanto daquilo.

  • CorsarioViajante

    Na escola isso era muito claro: às vezes um cara que era amistoso com você, quando numa turma maior, agia como um babaca.

  • Lucas

    Felipe,

    quando eu era pequeno presenciei a dor de cabeça que foi tirar a chave de dentro de um Corcel 2…

    Em outra ocasião, um amigo meu contou que conseguiu trancar a chave dentro do Fusca que ele tinha. Inventou de quebrar a ventarola pra abrir o carro e se deu mal, pois, segundo ele, acabou sendo o vidro mais caro pra trocar depois. Diz ele que teria sido mais barato trocar o pára-brisa do que a ventarola…..
    Pelo menos esses dois casos foram de descuido das pessoas mesmo.

    Mas antes de eu ter esse Astra eu tive um Fusca e um Passat Pointer. Bem, nesses, estando a janela aberta, a porta destrancada, eu não me preocupava em deixar a chave dentro. heheheh
    Abraço.

  • CorsarioViajante

    Tive um Gol com alarme do paralelo que tinha este terrível hábito, após a ignição dava uns cinco segundos e trancava. Até hoje fiquei cabreiro de deixar chave no carro!

    • Thiago Teixeira

      Alguns modelos de alarme fecham as portas após algum tempo com a ignição ligada. Ai crio uma situação: Ligo a ignição, ligo as luzes do carro, saio e fecho a porta para conferir se tem lâmpada queimada e… a porta trava.

      • CorsarioViajante

        Exato, ou mais comum ainda: liga o carro, sai para abrir a porta da garagem, e… Catástrofe! rs
        Acho que por isso este sistema caiu em desuso, que eu saiba não é mais utilizado, preferindo-se a trava não por tempo mas quando se alcança determinada velocidade.

    • Domingos

      Hoje arrumaram isso cancelando essa função se você abre a porta por qualquer motivo.

      Uma vez passado o período de espera para o travamento, esse não acontece novamente a não ser que se desligue e ligue o carro novamente.

      Aí a chance é esquecer a porta aberta, mas melhor que fechada não…

  • CorsarioViajante

    Só não adianta guardar a chave-reserva… No porta-luvas! rs

  • Lorenzo Frigerio

    Parece que carro francês é dado a essas coisas.

  • Lorenzo Frigerio

    Existe uma “chave cartão”, que as cias. de seguro fazem para essas circunstâncias, para ter na carteira, mas eu nunca vi uma.

    • Você quer dizer uma destas?

      • Lorenzo Frigerio

        Nunca vi uma, mas é ela… o nome era esse.

        • Domingos

          Algumas seguradoras no passado guardavam a chave reserva e em caso de necessidade era só requisitá-la.

          Achava bem cômodo, apesar do risco de ter a chave copiada. Apesar que a maior interessada em que não roubassem seu carro era justamente a seguradora…

          Infelizmente nunca vi mais isso.

  • Thiago Teixeira

    Que texto das galáxias! Não sei se aumentou ou reduziu meu vasto curto conhecimento.
    Meu Focus tem uma bizarrice, que quando desligo o motor e piso na embreagem faz piscar uma vez as luzes de controle dos vidros e retrovisor do motorista! Simples caos eletrônico?! Me parece.

    • Thiago, pode ser caso de caos no sistema, sim. Mas basta que não seja como o piscar da lâmpada de reverso do 767…

    • Mineirim

      Thiago,
      O meu é MK2 automático. Portanto, não tenho como testar esse procedimento com a embreagem. Mas sei que, quando a bateria começa a ficar fraca, ele lampeja os faróis quando se liga o carro. Neste caso, acho que é para alertar.

  • Warley S

    Lorenzo, acho que não é questão de antropomorfizar o comportamento animal. É mais do que provado que o instinto faz com que animais naturalmente evitem outros animais e plantas que podem oferecer riscos à eles, como cores fortes por exemplo. Inclusive li certa vez que os seres humanos tem uma repulsa natural por ofídios, é o instinto primário. Se há alguma simpatização, é posterior. O primeiro contato sempre será repulsivo.

  • Lorenzo, todo ser vivo tem duas programações básicas, de onde deriva todo o resto:
    – Ele tem de sobreviver;
    – Ele tem de reproduzir.

    Todo ser vivo reconhece seu predador, mesmo que seja uma simples bactéria.

    Quer ver uma coisa? Temos medo e repulsa por baratas. Algumas pessoas tem isso tão profundamente que chega ao ponto da fobia. Já a chamada “joaninha” é um tipo de besouro até certo ponto aparentado com as baratas, mas ninguém tem medo delas. As crianças adoram elas.
    O medo de barata não é algo aprendido. É algo instintivo, impresso na essência humana desde o nascimento.

    Ninguém sabe como o medo instintivo das baratas surgiu, mas é um sentimento que evoluiu junto com o ser humano.

    Elefantes realmente possuem medo de ratos. Não é lenda.
    O medo do elefante tem uma razão. Na África, faz muito calor durante o dia, mas esfria muito durante a noite, e os ratos podem escolher o ouvido dos elefantes como “toca” porque é quente. Mas no conduto auditivo dos elefantes há uma artéria importante que alimenta o cérebro deles e que fica comprimida quando o rato entra no ouvido e pode matar o elefante por falta de oxigênio no cérebro.

    • Domingos

      Aí é fenomenologia também, que só pode ser entendida se percebendo o algo que coordena o “caos” e as “coincidências”.

      A barata tem uma estética inteiramente repulsiva. E de fato é um inseto inteiramente repulsivo, que além de se alimentar apenas de lixo e se reproduzir como louca, ainda por cima é capaz de picar como um mosquito.

      Em crianças elas podem chegar a causar problemas sérios!

      Já o gato, por exemplo, instintivamente é sinônimo de beleza em todos os lugares e culturas. Não é à toa.

  • Domingos

    Interessante a percepção. Conheço muita gente com uma personalidade mais científica ou dada a números/programação que fala o mesmo.

    Pessoalmente, acredito nisso também. Estatisticamente muita coisa seria impossível. Ou simplesmente coincidência demais.

    Já me falaram que a matemática e as regras da engenharia, além de outras constantes, meramente seriam reflexos dessa organização, estrutura e força.

    E organização não acontece sozinha, ao acaso, com uma constante se aplicando por todo o universo…

  • Fernando

    André,

    também sou um daqueles que não lê seus textos no exato momento da publicação no Autoentusiastas mas depois leio até os comentários do pessoal.
    O que me fez abrir a cabeça foi o artigo de sua autoria do Yin Yang e hoje vejo o mundo de outra forma.
    Tenho uma professora muito boa também que me fez ver o mundo de outra forma e creio que pessoas como ti e ela são raras e que não aceitam o sistema como ele esta formado lutando como podem para abrir a cabeça de todos nós.

    Recomendo a todos lerem o artigo “O Golem Laborioso” que também me mostrou outra forma de pensar. Esta disponível no seguinte endereço: http://www.scielo.br/pdf/osoc/v9n25/09.pdf

    Continue nós presenteado com esses artigos pois pode ter certeza que quem lê já pensa diferente sobre o sistema como um todo.

  • Thiago Teixeira

    O meu é o Mk2 também. Também tem essa pane do farol. O do meu pai é igual o teu e idem. São 2009 gasolina.

    • Mineirim

      Thiago,
      Veja que coincidência: umas semanas atrás notei o lampejar dos faróis quando eu ligava o carro. Levei na oficina. Na mosca: bateria estava ficando fraca. Troquei-a faz uns dias e os faróis não lampejam mais sozinhos…