Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas VENDAS DE JULHO EM QUEDA ADIAM EXPECTATIVAS DE MELHORA – Autoentusiastas

VENDAS DE JULHO EM QUEDA ADIAM EXPECTATIVAS DE MELHORA

mais um mês de fartas promoções

Mais um mês de fartas promoções

As expectativas de 2º semestre de recuperação, mesmo que moderada, foram adiadas. Tentemos olhar o que acontece com algum realismo.

Entre os principais fatores que influenciam a retração nas vendas deste ano, juros em alta, crédito mais restritivo, queda na renda e na confiança do consumidor, vemos que, excetuando alguns acenos de taxa zero em 48x de promoções espalhadas por aí, as demais não apontam inversão de tendência ou mudança para agora. Nas seguidas tentativas de conter a inflação, o Banco Central elevou a taxa Selic em mais meio ponto (14,25% a.a.) o que na esteira encarece os empréstimos bancários. O difícil panorama político-institucional ajuda a explicar em parte a menor confiança do consumidor e ela não deve voltar a subir no curto prazo em nenhum dos desdobramentos possíveis. Esse índice de confiança é estatístico e subjetivo, mas pouco contestável, estendendo-se a a investimentos e bens de capital. Ainda no setor automobilístico as vendas de caminhões despencaram mais de 40% neste ano, uma barbaridade.

Nessas circunstâncias, assistimos uma queda nos emplacamentos diários que chegou a preocupantes 9.300 e reagiu poucos dias antes do mês fechar julho com 9.896/dia, graças às conhecidas ações de atacado e varejo de fim de mês, de “socar” vendas nos seus pontos finais para fechar números. E dá-lhe estoque de carros emplacados.
Importante frisar que, a cada mês está havendo uma deterioração nas vendas, a despeito dos vários esforços em conter essa tendência. Ao encerrar o primeiro bimestre, o mercado havia caído “apenas” 18%, depois essa queda acumulada ficou em 20% e agora em julho atingiu 21%. Comparando julho atual com o do ano passado temos  – 22,8%.

 

FENABRAVE resumo julho15

Os fabricantes e respectivos concessionários vêm tentando se virar como podem e resistindo bravamente em mexer nos preços, o que, por um lado poderia trazer mais consumidores às lojas e, por outro, corroeria ainda mais as margens já nocauteadas pelos aumentos de custos. Creio que essa alternativa pode demorar mais alguns meses, logo saberemos. Por enquanto assistimos criativas promoções que vão bem além da “taxa 0%”.

No mesmo mês de julho, poucos dias antes de a GM anunciar importantes investimentos em renovação de produtos, o presidente da fabricante para a América do Sul, Jaime Ardila comentou numa entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que aqueles 300 a 400 mil novos consumidores/ano de carros 0-km do segmento de entrada desapareceram. Eles compravam Celta e Classic da GM, assim como Palio Fire e Uno da Fiat, VW up!, com financiamentos de acima de 48 meses, pouco de entrada e prestações mensais de até R$ 400 — a tal da parcela que cabia no bolso do orçamento familiar da “nova classe média”.

Quando esses novos consumidores vieram atrás de carros zero-quilômetro a indústria preparou-se para recebê-los criando aquele segmento de entrada “de entrada”, carros de menos de 30 mil reais e com algum equipamento de conforto e com acesso a financiamentos de até 72 meses. Chegaram a representar algo como 15% das vendas totais. Foram importantes no contexto sócio econômico também, representando motorização para mais brasileiros. Creio aí estar acontecendo uma mudança estrutural e que a indústria entende que será de recuperação lenta.

Como primeiro reflexo, a retirada de linha do Chevrolet Celta. Não foi a primeira: o novo Ford Ka, carro de entrada da marca, passou a custar R$ 40 mil, uma forma sutil de abandonar aquele segmento.

Isso também ajuda a explicar a queda de participação das três grandes, cada uma delas apresenta redução de vendas superior a 30%, num mercado que se retraiu naqueles 21% que citei. Em julho Fiat, GM e VW somaram menos de 50% do bolo, quando no mesmo mês do ano passado eles representavam 56,5%. Apenas essas três tinham produtos para atender a essa nova classe de consumidores que deixou de ir às lojas.

Esperemos esse momento não se transforme em anos, o que seria uma enorme pena. Lembremos que o mercado brasileiro somente amadureceu de vez quando acesso ao automóvel novo estava ao alcance de importante parcela da população.

 

FENABRAVE ranking mais vendidos mês

Ranking dos mais vendidos em julho

As férias coletivas que vários fabricantes recorreram em diferentes ocasiões ao longo do primeiro semestre se repetiram em julho e ajudaram os estoques a baixar de 46 para 45 dias, uma melhora marginal e que significa que os níveis de produção precisarão de mais cortes de dias trabalhados daqui até o final do ano, com o porém que não deve haver muito mais férias a conceder. Daí a conveniência da discussão de redução de jornada e salários haver tomado conta da cena, com o PPE (Plano de Proteção ao Emprego) anunciado pelo governo federal para evitar que as demissões tomem proporções nefastas.

Na contramão, os asiáticos e os crossovers. A Toyota anunciou que irá expandir a produção de seu modelo de entrada Etios com a contratação adicional de 600 pessoas em mais um turno de produção, o que merece destaque. A Jeep seguiu seu plano de aceleração de produção (ramp-up) do Renegade, que alcançou 4.028 unidades e encostou no novo líder e queridinho do segmento, o Honda HR-V, com 4.429 unidades, ambos superando os até então donos do pedaço Ford EcoSport (2.890) e Renault Duster (3.198). Vale lembrar que os fornecedores nacionais do novo Jeep ainda não atingiram a sua plena capacidade, havendo portanto espaço para crescer e incomodar a Honda mais um pouco.

Os dois Fiat Palio seguem à frente, com 11.312 unidades, seguidos de perto pelo Chevrolet Onix, com 10.726, Hyundai HB20 9.462, Ford Ka tomando um bom 4º lugar, com 9.281. O bom posicionamento do Ford pode ser melhor explicado por haver figurado no topo do ranking das vendas diretas do mês (ver gráfico abaixo), com 3.892 unidades, ou seja, 41,9% de seus emplacamentos foram a frotistas, quando a média dos automóveis é de cerca de 24%, segundo a mesma Fenabrave. Mas a lista dos mais vendidos por via direta revela  que Ford não está só, Fiat Strada tem essa proporção invertida e o varejo fica com 39% de suas vendas totais.

participacao venda direta acumulado jul'15

Participação de venda direta e varejo até julho de 2015

Neste mês publicamos essas informações da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) para facilitar a análise do leitor. Acompanhemos o mês de agosto atentamente.
Até o mês que vem.MAS



Sobre o Autor

Marco Aurélio Strassen

Engenheiro Mecânico pós-graduado em Finanças e Marketing trabalha há vários anos na indústria de autopeças e faz a análise mensal sobre mercado especialmente para o AUTOentusiastas.

  • Luiz_AG

    Não há muito segredo… A economia vem crescendo baseada no crédito desde 2009, sendo que não houve nenhum avanço em P&D e produtividade. Conclusão: Secou o pote de ouro do governo e todo mundo ficou na mão.
    Estamos pagando só 6 anos de adiamento de ações de austeridade, ou seja, 6 anos de uma vez.
    Só lá para segundo semestre de 2016 ou início de 2017 vai melhorar.

    • F A

      Foi isso que o PT fez sempre. Falso poder de comprar com crédito fácil. De que adianta aumentar financiamento de imóveis de 15 anos para 35 anos, sendo que o preço subiu junto para manter a “parcela que cabe no bolso” igual? Só ganha o banco com mais juros, as construtoras com mais lucro e o governo que saía como bonzinho da história. Quem não tinha condições de comprar em 15 anos, também não o faz agora em 35 anos. Com carros a mesma coisa.

      • Domingos

        “De que adianta aumentar financiamento de imóveis de 15 anos para 35 anos, sendo que o preço subiu junto para manter a “parcela que cabe no bolso” igual?”

        Matou a coisa. É isso mesmo.

  • Douglas

    Isso já era completamente previsíviel.
    As vendas estavam elevadas artificialmente pela manobra do IPI zero, o que fez com as pessoas antecipassem a troca do carro, agora estão de carro novo e endividadas.

  • Marcelo R.

    MAS,

    Tudo isso que você falou, mais o desestímulo ao uso do automóvel praticado pelos srs. Haddad e Tatto, na minha opinião, explicam essa queda nas vendas. Mesmo que a ação da dupla dinâmica não seja o fator principal, acaba sendo mais um motivo que se soma a todos os outros…

    Um abraço!

    • Fabio Toledo

      Eu mesmo gostaria muito mais de comprar uma moto do que trocar de carro no momento! Mas tirar a CNH para moto no momento está complicado.

      • Domingos

        Estão criando dificuldade?

        • Fabio Toledo

          Preciso responder? Moro no ABC paulista e trabalho em São Paulo, após a volta às aulas o trânsito piorou exponencialmente! Mas por que será, não é?

  • Christian Bernert

    Moral da história: Chegamos ao fundo do poço?
    Acho que sim. Mas agora descobrimos que não é um poço, é uma panela. Desceu e não sobe mais. Parece que teremos um longo caminho pela planície até que possamos chegar à parede do outro lado. E o fundo da panela é bem grande. Cabe o país inteiro…

    • Lemming®

      Ainda não…se segura que o fundo é mais embaixo…

    • TSI

      Está mais para um mar de lama… e ainda estão em alto-mar!

  • Gustavo

    Um fato me deixou intrigado: mesmo com a grande queda nas vendas, os preços não têm caído significativamente. No máximo umas promoções. Isso indica que a margem das fábricas e concessionárias já está no limite? E aquela história de que carro no Brasil é mais caro que no resto do mundo? O Calmon já demonstrou que essas análises só aparecem em época de dólar baixo. Será que é isso mesmo?

    • TSI

      Prezado,
      Agora estão com a corda no pescoço. Quanto de um carro é importado? O lucro de uma fabricante filial para a matriz é dado em que moeda? Quanto desvalorizou o real? Quanto está o juros (taxa Selic) no Brasil? Quanto ficou o custo dos investimentos feitos e a fazerem com este juros? Com o juros alto desta forma, compensa produzir em uma indústria que remunere menos que a taxa Selic, com todos os riscos envolvidos? O retorno obrigatório não se torna maior? Como ficaram as taxas de retorno dos investimentos neste cenário? Será que com o povo endividado e com a economia recessiva, se diminuírem os preços elevariam as vendas na mesma proporção? E a inflação, como anda? Graças a este governo, hoje temos carros mais baratos que os europeus, mas em proporção maior que o preço caiu, nós ficamos mais pobres (quem tinha R$ 1.000.000,00 ano passado tinha US$ 500.000,00, hoje tem R$ 285.000,00). Abraço

    • jr

      Gustavo, nunca vi queda de preço mesmo. O que já vi acontecer é aquela história de “nota de preço de fábrica” (com o valor normal de venda na concessionária) ou “juros zero em x vezes”. Aliás, vejo que os preços oscilam um pouco para baixo em situação “normal” (sem excesso de procura) ou um pouco para cima (quando oferecem o tal juro zero em z vezes, e a pessoa esquece que tem TAC, IOF, e sei lá mais o quê). Como assim para cima quando oferecem juro zero – é o que já notei quando fiquei fazendo pesquisa antes de comprar algum carro.

      Agora, no último ano e meio ocorreu um degrau de aumento nos preços que, nos tempos de Real, só me lembro de ter ocorrido em 2002-2003.

      No meu caso em particular a solução é simples: vou deixar meu carro alcançar os 6 anos (pelo menos – costumava trocar a cada 3,5 – 4,5 anos) e quando for trocar será por um carro mais barato. Se quatro anos atrás troquei com tranquilidade um médio por outro, a próxima troca será de um médio por um compacto (ou subcompacto). Se não der, continuo com o meu por mais dois anos.

      Bom, já que Curitiba é a “cidade cercada”, e como hoje posso fazer quase tudo à pé, fora ir ao supermercado (tem vários por perto, mas carregar sacolas por quarteirões é um pouco demais), talvez simplesmente eu só venda meu carro e nunca mais compre outro. O carro já com 4,5 anos tem valor real de mercado menor que a metade do que paguei como zero km (carro não é investimento), gasto quase R$ 1.500,00 de impostos / ano + R$ 2.000,00 de seguro, R$ 3.000,00 por ano em revisões e para arrumar estragos causados por outros (batem no teu carro no estacionamento fechado, no estacionamento da rua, parado no sinal, andando, enfim, batem em mim pelo menos 2 vezes por ano e fogem, roubam placa, quebram retrovisor, quebram lanterna, roubam palheta, etc). Isso dá R$ 6.500,00 só para manter o carro em dia. Dá para pegar muito táxi com isso.

      E o que quero dizer com “cidade cercada”? Todas as vias de acesso (SP, Santa Catarina, interior, litoral) são congestionadas. A cada 3 vezes que preciso sair daqui, em 2 vezes entro em congestionamento que aumenta o destino em 2 a 8 horas… Só dá para sair da Terça até Quinta, o resto da semana… Ter o prazer de ir até o litoral a 50km para comer um camarão ou peixe? Tá louco. É uma tortura só, andando em congestionamento.

      Enfim, usar o carro tem se transformado de um prazer em um amontado de desgostos e gastos.

      Enfim, …

    • Christian Bernert

      Isto é um princípio básico de administração. Na crise a pior coisa a fazer é baixar os preços. Na verdade na crise os preços têm que subir.
      É que com as vendas em baixa o faturamento tende a ficar abaixo do ‘Ponto de Equilíbrio’; que é o nível de faturamento para o qual o lucro é zero. Acima do Ponto de Equilíbrio a empresa faz lucro. abaixo do Ponto de Equilíbrio a empresa faz prejuízo. Isto ocorre porque a empresa tem custos fixos além dos custos variáveis. Os variáveis são proporcionais à produção, mas os fixos, como o próprio nome já diz, não variam proporcionalmente.
      Sendo assim a única forma de sobreviver com o baixo faturamento resultante da crise é aumentando o preço.

      • Domingos

        Depende de conjuntura. Se boa parte da composição do seu preço é inflação, em crise o preço abaixa.

        Porém aqui ainda estamos saindo da loucura.

  • Fabio Toledo

    Estão mantendo os “dias de pátio” na base das coletivas e redução de jornada… huuuuummm… Ainda não é o momento… Aliás, tem mais gente pra entrar na taxa zero!!!! Mesmo que agora esteja mais caro… Sangue frio, afoitos!!! Sangue frio!

  • pkorn

    Atenção, fabricantes: baixem o preço que eu compro um carro!

  • Eduardo Cavalcante

    Por que os fabricantes não baixam os preços? Por que deixam para o concessionário sofrer e ter que queimar sua margem, fazendo quebrar vários?

  • contratudoisto

    Este panorama é ESPETACULAR!!! Os preços dos automóveis, sabidamente os maiores do mundo DURANTE DÉCADAS, principalmente considerando o que entregam pelo que fornecem, vão ter que cair e a propina do setor aos políticos vai ter que diminuir. Menor propina, menor poder de fogo para esta raça maldita. Os caminhões da minha empresa eu comprei pelo Finame a juros de 6%, 2,5% e 5% AO ANO. Se assim não fosse, não compraria. A crise nos caminhões só não ocorreu ANTES devido ao Finame e a correta atuação do governo no setor. Mas os fabricantes de caminhões não deixaram por menos e subiram EXTORSIVAMENTE os custos de venda. Um modelo que eu comprei por 135 mil em 2011 estava por 190 mil em 2014! Quanto aos carros….nada diferente no front…A mesmice continua e deve piorar com o dólar e euro nestes patamares e o baixo retorno da filial Brasil aos fabricantes.Comprar um importado só se for de marca que tem fábrica no Brasil (põe o preço que quiser, pois tem cota) e que não dolarize o carro. Se dolarizar e deixar nos patamares anteriores, custariam pelo menos o dobro do que há dois anos. Seria como pagar no meu Omega cerca de 300 mil reais. Eu jamais pagaria e creio que poucos o fariam. Quero ver como as empresas vão fazer. A GM já fez. Cortou a importação do Omega. O Ultimo foi em 2011 e eu paguei em um zero-km, na concessionária aqui no Brasil, em 2012, menos do que o valor de venda dele lá na Austrália!!!!. Só volta quando der lucro. E lucro com dólar e euro do jeito que estão, só nos nacionais.

    • Christian Bernert

      Não acho que o aumento de 135 mil para 190 mil de 2011 para 2014 tenha sido extorsivo. Caminhão é aço, polímeros, alumínio. Tudo Commodity. Neste período o dólar subiu os mesmos 40% (de 1,60 para 2,25). Nenhuma surpresa neste quesito.

      • Domingos

        Convenhamos que tudo onde se abre linha farta de financiamento aumenta de preço misteriosamente, mesmo contanto inflação e aumento de custos.

        Infelizmente país com juros altos e demanda reprimida deveria desincentivar fortemente empréstimos e financiamentos de muito longo prazo, pois caso contrário entre inflação e composição de preço os valores chegam a dobrar em poucos anos.

        O que adianta poder financiar em 48 vezes se você vai pagar o que seria a mesma parcela de 24 vezes há 3/4 anos atrás…

      • contratudoisto

        Pois é…Quem acha não sabe. Vai comprar um para você ver. E quando o dólar baixar? Você já viu alguma coisa baixar quando o dólar baixa? Tudo sobe quando o dólar sobe. Nada baixa quando o dólar baixa. O inferno é aqui!!!

    • Maycon Correia

      Pelo menos seus caminhões não engolem um barril de Arla a cada dois dias, e a manutenção deles com certeza é mais fácil e mais barata que os de 2015…

      • contratudoisto

        Maycon; Meu caminhões 31-330 engolem Arla sim. Tenho TRÊS! Mas não como os seus, acredito. E Arla na minha planilha não pesa quase nada. O duro é o Diesel, pneus, troca de óleo, ensaio de fumaça preta, laudos e mais laudos, exigências de toda ordem. Um inferno. Assim que acabar de pagar eu vou vender e desistir do negócio. Menos um concorrente na praça!

    • jr

      Pois acho que esta “solução” é uma parte do problema real. Em vez de transparência, de políticas idênticas para todos os setores da economia, se dá uma quebrada de galho aqui, outra ali. É a chamada política do puxadinho. Um desastre!

      Nos países sérios (como a Colômbia, por exemplo), vale a mesma regra para todos. Por que a sua empresa tem esse benefício e a minha não? O seu setor é mais bunitinho que o meu? E algum outro setor é ainda mais bunitinho e merece empréstimos subsidiados pelo caixa do governo federal (i.e., nossos impostos) via BNDES aumentando a (nossa) dívida pública em R$ 148.000.000,00 só nos últimos anos?

      O mesmo vale para impostos sobre produtos. Se taxa na venda. Se é 100% nacional, o imposto é x (ex: 15%). Se tem algum conteúdo importado, é y (ex: 20%). Se é totalmente importado, é z (ex: 25% – teto dos tetos). Simples assim. Imutável. Simples.

      E o imposto só é cobrado na ponta, na hora da venda.

      Mas, se houver seriedade quem é que vai se eleger prometendo “uma ajudinha setorial” ou coisa pior?

      Tá loko.

  • jr

    Expectativa de melhora? Me desculpe, mas é melhor esperar para a partir de 2017, ou depois.
    Ninguém sabe quando será o fundo do poço, mas estamos longe disso ainda.
    Não entendo como grandes empresas deixaram para entrar em produção agora. Não notavam o que vinha acontecendo desde 2008 para cá?

    • Mr. Car

      “Nós não vamos fixar uma meta para o fundo do poço. Quando vocês pensarem que nós atingimos a meta, então nós dobraremos a profundidade do poço”.

      • jr

        Ilário Mr. Car, kkkkk. Dá-lhe meta!

      • RoadV8Runner

        Mr. Car,
        Só mesmo você para conseguir fazer rir em uma situação dramática como essa!

  • REAL POWER

    Três VW Kombi, dois Toyota Bandeirantes e um Engesa EE-34 !!!!!
    Pode isso, Marco Aurélio?

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    A queda nas vendas vai abrir mais feridas no mercado de trabalho. Só a GM demitiu ontem algumas centenas de trabalhadores, coisa que já fez alguns meses atrás. Imagine então o que vem por aí entre os fabricantes de caminhões… Entre concessionários, centenas fecharam as portas nos últimos 12 meses, e parece que muitas ainda o farão.

    Talvez os fabricantes recorram a um reposicionamento de preços de alguns modelos de baixa procura, porque taxa zero parece que não está ajudando muito. Financiamento não combina com baixa confiança do consumidor e alta taxa de juros combinados.

    Fizeram bem as marcas que lançaram modelos mais ao gosto do mercado, e com preços até competitivos (não necessariamente baixos) em seus segmentos, além daquelas que investiram mais em pós-venda (notadamente japonesas, em ambos os casos).

  • Daniel S. de Araujo

    Quer baratear o preço dos carros? Propiciem as fabricas ambientes estáveis, reduzam impostos (não estou falando de IPI nem de ICMS sobre o produto final. Falo de impostos na cadeia produtiva) e promovam um ambiente de negócios estáveis, onde as regras do jogo são constantes e menos sujeitas a boa vontade de quem tem a caneta na mão.

    Muito se fala do “Lucro Brasil” (e ele existe sim!) mas um dos componentes dos lucros, além da remuneração do capital ao longo do tempo, engloba também o componente “risco”. E o risco de algum governante populista mudar as regras do jogo com uma canetada é grande.

    • RoadV8Runner

      O pior é que, no momento, o custo que está pegando pesado não tem nem nenhuma relação com o risco de se investir nesta terrinha torta, é o custo básico mesmo que assusta. Por exemplo, onde trabalho, o que vem incomodando bastante foi o absurdo aumento no valor da energia elétrica. A encrenca foi tamanha que, no início do ano, quando o responsável internacional pela área da empresa onde trabalho ficou sabendo que o custo da energia elétrica subiria em torno de 38% neste ano, pediu para rever todo o plano financeiro para 2015… E o lucro foi significativamente afetado por isso. Só não ficamos em papos de aranha porque o dólar subiu (muito!) e o euro manteve-se razoavelmente estável. Como compramos matéria-prima em euro e o preço de venda do produto é fixado em dólar, houve uma certa compensação da encrenca.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Alguém sabe explicar a aparição de 2 Toyota Bandeirantes no ranking de comerciais leves. Se não me engano, aconteceu o mesmo no mês passado…

    • Mr. Car

      Li alguns comentários dizendo que são carros que estavam guardados, sem nunca terem sido emplacados.

      • César

        Mas não é por isso que a concessionária mais barata de outra cidade não quer vender para você. É porque a maioria das fabricantes considera “invasão de território” (isso existe desde o tempo em que meu pai trabalhou no ramo, nos anos 70). Algumas marcas impõem multa à revenda que quebra o acordo.

        • César

          São Paulo Capital está inclusa na chamada “zona livre” da maioria das marcas. De lá (ou daí) vende-se para todo o Brasil. Algumas cidades do interior tidas como pólos regionais também (Lages, SC, por exemplo). Mas em muitas cidades, muitas marcas se negam. Minha namorada comprou o Pajero TR4 (eca!) na concessionária de Porto Alegre, porque valia a pena em relação ao preço pedido na cidade do interior onde moramos. Porém o emplacamento teria que ser feito ou em Porto Alegre, ou no endereço da casa da praia (em Torres), por ser zona livre já que em Torres não há revenda da marca. Senão a venda não seria feita porque o revendedor seria multado pela fábrica.

      • Domingos

        Algumas fabricantes não liberam a venda para carros a serem emplacados em outros estados ou por pessoas com residência fora do estado da concessionária a ser comprado o veículo.

        Fora isso, comprar em outra cidade no mesmo estado é tranqüilo mesmo.

        • Domingos

          Sei disso, porém só liberam o carro após processo, o que é um pouco desgastante.

          Realmente é ilegal que não te deixem comprar em outro estado, porém é assim que fazem.

          Mais fácil comprar em nome de alguém que more no outro estado, caso tenha essa possibilidade, emplacando fora da concessionária quando o carro chegar no destino.

    • César

      Possivelmente troca de placa de 2 letras com recadastramento Renavam. Note que tem também um Engesa EE34. O mesmo deve ter ocorrido com a Kombi, porque pode ser um modelo bem antigo. Lembrando que quem confecciona e publica essas tabelas não entende absolutamente nada do assunto. Os sujeitos não sabem a diferença entre um Bandeirante e uma Hilux. Por isso esses dados não são desconsiderados.
      Reforço minha tese tendo em vista o veto ao primeiro emplacamento de veículos novos sem airbag desde maio passado.

  • Piero Lourenço

    Alguma fabricante baixou os valores? Margem? Lucro? Não podem reclamar!

    • Domingos

      Perfeito. Assim como o mercado de varejo, as fabricantes ainda querem manter o preço de mercado aquecido.

      Logo, não reclamem das vendas. Apenas o setor de serviços começou a baixar preços.

    • Carlos

      Parabéns pela matéria! Há alguns anos quando se vendia muito, um amigo que trabalhava com vendas de 0-km recebeu a seguinte proposta: ou aceitava a diminuição de comissão ou seria demitido.

  • REAL POWER
    Com toda certeza foi desimobilização, carros que estavam em estoque e só agora foram vendidos.

  • anonymous

    Quando o Ae vai falar algo sobre Uber x taxistas?
    http://naofo.de/6h5f

    • ochateador

      De momento acho perda de tempo falar disso. Deixa a pancadaria inicial abaixar que fica mais tranqüilo de fazer uma matéria decente.

    • Holandês Louco

      A indústria fonográfica levou a pior quando tentou freiar os avanços vindos da internet.
      A indústria cinematográfica levou a pior quando tentou freiar os avanços vindos da internet.
      A indústria da pornografia levou a pior com os avanços vindos da internet (foi a que se deu melhor das 3)
      Todas tinham leis paleozóicas protegendo os seus direitos

      Alguém acha que os taxistas vão a melhor contra a Uber ou as próximas empresas? Lembro das empresas de ônibus versus vans em São Paulo…

  • Danilo Grespan

    Mas para que comprar carro? Daqui a pouco nem vamos precisar mais deles mesmo… Tá aí, só para confirmar a loucura do Haddad: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/08/10/haddad-vai-reduzir-velocidade-para-50-kmh-em-todas-as-ruas-de-sp-ate-dezembro.htm. Logo logo, será mais rápido andar a pé, ou de bicicleta!

  • RoadV8Runner

    Sei que vou levar pedrada de tudo quanto é lado, mas as margens de lucro dos fabricantes de carros nacionais não é essa maravilha que a maioria pensa. Só para começar a ter noção do tamanho da encrenca, cada funcionário custa, para a empresa, 1,6 salário, em média. Ou seja, ela paga 1 salário para você e outro 0,6 para o governo, entre encargos e impostos de tudo quanto é tipo. E, esse ano, para deixar o cenário ainda mais bacaninha, houve aumento de cerca de 38% no custo da energia elétrica, o dólar disparou praticamente da noite para o dia e vem ocorrendo retração de vendas mês a mês.
    Até eu ter mais contato com a composição dos custos de fabricação também tinha idéia de que o Lucro Brasil era fantástico. Pode até ser que no passado as empresas nadaram de braçada e fizeram rios de dinheiro, mas nos últimos 15 anos, no geral, as margens diminuíram muito, por conta dos escorchantes impostos que vêm subindo ano a ano, tanto em valor quanto em quantidade.
    Eu estou muito preocupado com os rumos que esta terrinha vem tomando, pois não há muita saída para melhora se o pessoal não parar de enfiar a mão na cumbuca e raspar o cofrinho onde depositamos o nosso suado dinheirinho dos impostos para manter o burocrático e inchadíssimo elefante branco governamental em movimento.

    • Christian Bernert

      Sim, mas dramática mesmo é a situação dos fornecedores das fabricantes. Os pedidos são cortados e “virem-se”.

    • Cristiano Reis

      Para falar a verdade, um funcionário de carteira assinada custa o dobro do salário que o mesmo recebe, pois temos que incluir férias, décimo e no caso a multa demissionária. Na minha área, que é infraestrutura, mais do que isso, pois pagamos ainda a hospedagem, alimentação (café, almoço e jantar), e PiS e transporte.

  • marcus lahoz

    Ouvi hoje que 2016 esta perdido também, lamentável.

    A melhor forma de baixar o custo é aumentar volume, e estávamos conseguindo.

    Não vamos colocar profundidade no poço, mas quando chegarmos ao fundo vamos cavar o dobro.

  • César

    Uma opinião bem sutil: vejam-se os modelos que aparecem na figura de abertura do post.
    Não me interessa nenhum deles, nem de brinde. Todos ou com tecnologia dos anos 90, ou superfaturados.

  • Fat Jack

    Para mim, qualquer previsão de retomada antes do segundo semestre de 2016 é utopia, com as empresas de todas as áreas em condição demissionária, não há área comercial (desde eletrodomésticos a confecção popular, está tudo parado!) que consiga retomar vendas, a automobilística é somente mais uma…
    É a situação na qual o governo federal conseguiu nos colocar…, empurraram com a barriga tanto tempo a “marolinha” que ela virou “tsunami”.

    • RoadV8Runner

      Na verdade, os mais realistas esperam retomada de vendas somente a partir de 2017… Como pode um (des)governo acabar dessa forma com a economia de um país? É muita incompetência.

  • Fat Jack
    • Marco Aurélio Strassen Murillo

      Fat Jack,
      Falta menos de um ano e meio para esse prefeito sair, qualquer um que entrar será capaz de encher de felicidade milhões de paulistanos em somente desfazer metade das bobagens que esse sujeito fez, não precisará nem justificar o por quê redefinir velocidades máximas realistas, todos irão entender.

      • Marcelo R.

        MAS,

        Queria Deus que o próximo faça isso!

      • CorsarioViajante

        Vai ser muito, muito, muito difícil voltarem o limite ao que era antes.

    • Celso Fernando Ferrer Singh
    • Cristiano Reis

      Imagine a quantidade de CO2 que será lançada na atmosfera com essa medida. Alô Greenpeace!

    • João Carlos

      Passei na Av. Aricanduva e Av. Nova Trabalhadores deu até desgosto, você não trafega, se arrasta.

      E o que eu já previa aconteceu: idiotas andando a 40 km/h, outros menos, em todas as faixas.

      O pessoal é tão cabeça de vento, que não usa a faixa de ônibus quando ela é permitida, como num domingo!

      E o que acontece? Fluxo parado até em horário que nunca acontecia isso.

      É simples entender:

      Juntou prefeito louco com motoristas ruins, está pronto o Inferno na Terra!

  • Lucas dos Santos

    Mudando de assunto, olha só o que saiu no Jornal Nacional nesta segunda-feira:

    Prefeituras recebem autorização para usar câmeras de segurança para multar motoristas http://globo.tv/m/v/4383578

    • Domingos

      Em tempo de crise, o povo paga. Isso acontece em todo mundo, para falar verdade.

      Multa de trânsito é um dos primeiros instrumentos para arrecadação em massa quando as contas apertam.

      Impeachment não deveria depender do congresso e sim de plebiscito e deveria acontecer com qualquer esfera do poder – não apenas a federal.

    • RoadV8Runner

      Ou seja, é o “Grande Irmão” pouco a pouco tomando conta da nossa vida…

  • DPSF

    Pode ser algum carro esquecido em alguma propriedade rural, que estava sem emplacar ou que ainda estava com as placas amarelas. No momento da regularizaçao, mudando p placa cinza, acaba contando como emplacamento novo. Pode ser isso, ou qualquer outra possibilidade nessa linha…

  • RoadV8Runner

    Dá para ser competitivo internacionalmente com encargos e impostos desse nível? Difícil…

    • Paulo Phx

      Infelizmente não dá, ai querem culpar só as fabricantes de nos manterem atrasados, e inferiores ao resto do mundo, (isso vale para carro, eletrodomésticos, informática, tecnologia em geral etc..) a culpa é do governo com juros e mais juros, e também nossa porque todo mundo sai de uma empresa e “manda na justiça” para arrancar mais uma graninha, o que volta para nós mesmos, pois isto (somado aos “direitos trabalhistas”), aumenta o custo das empresas que têm seu produtos/serviços mais caros para custear e acaba pagando mal seus funcionários porque já sabem do custo que eles representam, no presente e no futuro. Tomem como exemplo países desenvolvidos e subdesenvolvidos, os de 1º mundo têm muito menos “direitos trabalhistas” do que os de 3º mundo. Ironia, não é?

  • RoadV8Runner

    Esse é o problema de crises econômicas de grandes proporções, o elo mais fraco da linha produtiva é que arrebenta primeiro. E o que me deixa perplexo é que, lá fora, os mercados voltaram a crescer, enquanto aqui…

  • Fat Jack

    Tomara que você tenha razão (e que as pessoas nunca mais esqueçam porque Erundina, Marta e Haddad não elegeram sucessores), porque não tenho a menor dúvida de que ele tentará a reeleição e é dado como certa a candidatura de uma certa “relaxa e goza” por outro partido (provavelmente o PC do B) para a prefeitura de São Paulo, é só o que nos falta…

    • Marcelo R.

      Marta, Russomano, Datena, Haddad… Só falta o Tiririca sair candidato, também, desta vez.

    • Ilbirs

      A Marta passou ao PSB, partido esse que também faz parte do Foro de São Paulo, em uma manobra que parece muito calculada, visto que a pessoa jurídica de nome Partido dos Trabalhadores está com a reputação bastante manchada, tanto quando pensamos em sua atividade-fim quanto considerando uma marca.
      Logo, segue a dica principal: não votar em nenhum partido que faça parte do Foro (PT, PSB, PDT, PPS, PC do B, PCB e PPL) ou que seja linha auxiliar (PSOL, PSTU e PCO).

  • Acyr Junior

    Quando chegarmos ao fundo do poço, ao invés de nos dar a mão, algum filho de dama que presta favores sexuais remunerados se encarrega de jogar uma pá !!!

  • contratudoisto

    JR, Não sei com o que você trabalha. mas a regra do Finame foi para TODO MUNDO! Nada de bonitinho ou isto ou aquilo. Creio que se você quisesse comprar teria feito! Bastava ter nome limpo e ser aprovado em um dos bancos credenciados, INCLUSIVE o banco VW. Comprei pelo BB, Itaú, VW sem problemas. Jamais teria conseguido em outros governos. Jamais. Nunca teve isto na minha geração. E tenho 53 anos! Pago em dia, gero empregos, ajudo a desenvolver o país. Nos EUA qualquer equipamento que você queira comprar, seja onde for, você paga quase do jeito que quiser! Abrir uma empresa lá é um bilhão de vezes mais fácil que aqui.

  • contratudoisto
    É por isso que estou em campanha para mandar prender o Jorge Ben Jor, por pregar a mentira cantando “Moro/Num patropi/Abençoado por Deus…” Isto aqui é um país amaldiçoado, isso sim.

  • contratudoisto
    É por isso que estou em campanha para mandar prender o Jorge Ben Jor, por pregar a mentira cantando “Moro/Num patropi/Abençoado por Deus…” Isto aqui é um país amaldiçoado, isso sim.

  • FocusMan

    Eu bem vivo essa realidade

  • Fat Jack

    Firme e forte, seguindo a dica!

  • Luiz AG

    César, é uma coisa que não entendo.. como conceitos totalmente inexoráveis são totalmente inseridos na população de modo geral?
    Existe uma lei proibindo isso. Na lei é classificado como Cartel. Crime contra economia popular. Mas as pessoas aceitam como verdade. E a vida segue…
    Isso me lembra da história do óleo para 5 mil e 10 mil km.