The 20th century was a test bed for big ideas – fascism, comunism and the atomic bomb.*

*O século 20 foi um campo de testes para grandes idéias – fascismo, comunismo e a bomba atômica.

Patrick Jake “PJ” O’Rourke – americano,  jornalista, escritor e crítico social satírico

 

Os problemas que as pessoas que conduzem  carros e demais veículos trazem são enormes, isso todo mundo que dirige ou anda de carona sabe. Não só em carros de passeio — termo detestável por todos que usam o carro para trabalhar — mas a mesma coisa em ônibus, caminhões e qualquer outra coisa que rode e leve gente dentro.

Congestionamentos, acidentes de todos os tipos, poluição, assaltos a motoristas e passageiros, nervos à flor da pele, xingamentos, buzinadas, enfim, tudo que deveria ser inadmissível à uma cultura humana com alguns milhares de anos de existência se torna visível a qualquer momento em que se faça parte do trânsito.

O lado ótimo da liberdade de locomoção fica esquecido, ou ao menos não falado, pelos profetas da desgraça, aqueles que por um motivo pessoal qualquer, ou como é comum, copiado do que outra pessoa disse, enchem os pulmões e, com voz calma, mas com ódio interior, afirmam que o automóvel é o causador de todos os problemas numa cidade grande, e que a solução é o transporte coletivo.

Esses querem que carros sejam artigos extintos, num radicalismo que deveria ter desaparecido na Idade Média. Fingem esquecer a utilidade do carro, do transporte pessoal e particular, aquele que está parado ali perto de você lhe esperando para ir onde for necessário. Esquecem tudo de bom que já fizeram tendo o carro como meio de transporte, o jeito de “chegar lá”, todos os problemas que resolveram de forma feliz tendo o carro como ferramenta fundamental, todas as pessoas queridas, amadas ou importantes de alguma forma que encontraram na hora necessária porque usaram o carro como transporte, enfim, todos sabemos a utilidade desse que é, sem dúvida, a maior invenção da humanidade no que se refere a mobilidade.

Alguns podem dizer que chamar de “maior do mundo” é um absurdo, já que um carro nem ao mesmo voa, mas pensem na facilidade de operação de um carro e de um avião, e do quanto de estudo e treinamento é necessário para operar um ou outro. O carro, colocado o problema custo de lado, é democrático como nada mais, mais que uma moto ou bicicleta, já que estas requerem uma condição física melhor do que para dirigir um automóvel, fora o inconveniente de só levar um passageiro ou nenhum, respectivamente. Compra-se o carro que o bolso pode pagar e, sabendo-se dirigir, sua liberdade de ir e vir está garantida. Assim como o corpo seco em caso de chuva, fora a sombra em dias de sol.

Mas é claro que eu não seria imaturo e radical de dizer que todo mundo tem que andar de carro o tempo todo para tudo. Eu mesmo não faço isso. Usando-se a lógica, fica claro que alguns deslocamentos sempre devem ser feitos a pé ou em transporte coletivo, mesmo que por motivo puramente econômico ou de tempo. E tempo é dinheiro. O problema são os itinerários, muitas vezes inconvenientes e que limitam o uso do ônibus, seja por distâncias grandes demais entre as paradas ou entre o lugar em que se está e o lugar em que passa o ônibus. Mesmo problema se a pessoa possuir dificuldades de locomoção.

O que se passou nas últimas semanas aqui em São Paulo se somou ao meu entendimento do que o prefeito e seu secretário de transportes estão fazendo com quem precisa usar o carro para suas atividades.  Me refiro às autoritárias,  absurdas e ilógicas reduções de limite de velocidade nas avenidas Marginais dos rios Pinheiros e Tietê, vias expressas, e outras avenidas com semáforos, fora as medíocres ” Área 40″, aberrações  fartamente noticiadas e, no caso das Marginais,  alvo de processos judiciais contra a decisão intempestiva e unilateral da administração municipal, que é péssima não apenas no assunto trânsito, se parecendo muito com governos comunistas dos mais retrógrados e extintos. Um Jurassic Park político, é o que vivemos na maior cidade sul-americana.

Não é a simples e asinina raiva dos automóveis que os motivaram, nem a dita e não provada maior segurança. Um motivo pouco comentado é que a redução da velocidade média dos carros faz  parecer que os ônibus são mais rápidos de um ponto ao outro. Como estes são lentos ao extremo e os carros ainda eram mais rápidos em muitos locais, ficava claro que andar de ônibus era desvantagem em se tratando de tempo. Agora, a coisa começa a pender para os ônibus, mas feito da forma errada, contrária, torta, como é a mente desses administradores de baixa qualidade mencionados.  São só aparências, lembrem-se. As velocidades médias dos ônibus são também muito ruins em quase toda a Grande São Paulo.

Exemplo claro dessa besteira implantada pela sofrida CET, à margem dos caprichos de pessoas ruins como os dois servidores públicos comentados, está nos vários vídeos disponíveis, onde se vêem bicicletas andando mais rápido do que carros, nessas mesmas avenidas Marginais, via local, limite de 50 km/h. Imaginem o nível de delinqüência de uma pessoa andando no mais frágil dos veículos, a bicicleta, entre carros, caminhões e ônibus. É praticamente pedir para morrer. E os motoristas dos veículos maiores e menos manobráveis que a bicicleta nem precisam estar conduzindo de forma agressiva. Uma bobeada ou distração de qualquer das partes e pronto, está feita a tragédia.

Mas saindo desse baixo nível e indo para o futuro que já começa a ocorrer, pensemos no carro autônomo, o que se auto-dirige, sem intervenção do homem.

Tido como “A SOLUÇÃO” para a locomoção humana, os robôs sobre rodas estão em testes e desenvolvimentos há tempos. Há pelo menos seis anos, a gigante Google faz suas experiências, assim como dezenas de outras empresas, co-ligadas a universidades e governos em alguns lugares, notadamente nos Estados Unidos, como não poderia deixar de ser, terra das oportunidades.

Mas os mais inteligentes se preocupam com a quê isso poderá levar. Vozes pró-tecnologia dizem que é o futuro inevitável, e que nós não dirigiremos mais carros em alguns anos. Outros dizem que não vai funcionar, já que é impossível fazer 100% dos carros de hoje desaparecerem e colocar as máquinas autônomas no lugar, como foi com o cavalo, por exemplo, que ainda é usado em muitos lugares mundo afora.

Opinião mais lógica é que existirão cada vez mais lugares que serão isolados dos carros que nós dirigimos, para que os autônomos possam rodar sem interferência. Exemplos óbvios são centros de cidades muito ocupados, ou mesmo alguns bairros ao redor, ou quem sabe, uma cidade inteira, desde que organizada para tal. Não é o caso de São Paulo, e muito provavelmente de nenhuma cidade brasileira.

Já em estradas isso não é tão simples, já que elas ligam cidades, estados e países, e é claro que poderá ocorrer uma mistura de carros autônomos e normais  que poderá gerar sérios problemas.

Não irei tentar entender tudo que seria necessário alterar em uma cidade do tamanho de São Paulo para fazê-la 100% amiga do carro autônomo. Imagino que seria algo de proporções faraônicas ou bíblicas, e por isso mesmo, praticamente inexeqüível. Mas as multas de trânsito deverão ser extintas caso isso ocorra, pois um carro robotizado não terá como descumprir as leis de trânsito, tampouco os limites de velocidade.

Mas pode ser que alguma administração desequilibrada tente, mesmo que de forma porca, como são as faixas de ônibus e bicicletas atuais, totalmente sem padrões e em locais inapropriados.

De qualquer forma, não é só a perda de julgamento que o ser humano será vítima quando os carros autônomos dominarem. É mais que isso. Embarcar em uma coisa que ao comando conveniente lhe carrega a um lugar, sem sua interferência, faz desses carros mais uma espécie de transporte coletivo. Algo que é extremamente desagradável por definição, onde se embarca e se viaja com pessoas que não sabemos quem são e/ou com as quais não queremos ficar juntos.  Liberdade cerceada. Comunismo da pior espécie.

E os ladrões, que hoje abordam carros parados, ou até andando quando usam motos, poderão embarcar nos pontos de parada dos carros autônomos, e executar sua função sentados, no mesmo conforto que a vítima. Fabuloso, não ?

Também  o uso do cérebro será muito menos necessário, já que dirigir é um exercício mental dos melhores. Dirigir bem, entendam. Não apenas fazer o carro andar. E com o passar do tempo, as habilidades cerebrais e motoras dos motoristas estarão fadadas à extinção para a maioria, sobrando alguns que serão os operadores de veículos especiais, cujo computador não conseguiu substituir. Se é que existirá algum veículo assim.

Há milhares de análises sobre os carros autônomos em qualquer lugar que se procure, com diversas opiniões divergentes. Para mim, é mais uma das conquistas das pessoas que detestam dirigir, e que dão suas almas para não terem nem ao menos que trocar de marcha. Seres extremamente esquisitos e que gostam de ser controlados por máquinas.

E pensar que tudo começou com um limpador de pára-brisa que liga sozinho quando vê água, besteira aclamada pelos “modernos”.

Triste futuro da humanidade.

JJ

 

 

 

 

 



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Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

  • Mingo

    Como nem daqui a 100 anos esse negócio de “carro autônomo” será possível no Brasil, podemos ficar tranqüilos e pelo menos ter a certeza que poderemos dirigir até o fim de nossas vidas. Já meus netos e bisnetos, sei não…

  • Marcio TD

    E ainda há pessoas que dizem que conspiração, é papo de doente.
    mas é nítida a intervenção do estado, cada vez maior na vida das pessoas. Até mesmo em coisa que não lhes cabe.

  • Fat Jack

    Excelente análise JJ (Os 3 últimos parágrafos definem soberbamente!).
    Relembrando o (excelente) post do Lucas dos Santos no tópico “AOS NOSSOS INIMIGOS, UMA BANANA”, estamos caminhando a passos largos para a realidade vista no filme “O Demolidor”, onde tudo é obrigatoriamente politicamente correto (menos a política, familiar não???), e todo tipo de liberdade é cerceada em nome de um “bem maior”.
    O que me preocupa é a diminuição rápida e acelerada da perda de capacidade de análise, julgamento e indignação das pessoas, o “efeito manada” (onde um animal começa a correr e os demais acompanham sem ter a menor ideia do porquê) está tomando conta da população em geral e eu acho isso extremamente preocupante (ainda mais num país com a população mal instruída e afeita a teoria do “pão e circo”).

    • Uber

      Faltou você destacar que o filme a que se refere é “O Demolidor” com o Sylvester Stallone, título original “Demolition Man”, para não confundirem com o filme do herói cego da Marvel.

    • Juvenal Jorge

      Fat Jack,
      obrigado. E o efeito manada é nítido, concordo. E sempre foi assim, isso é o mais triste. E te digo mais, perdi meu emprego há alguns meses exatamente por isso.

  • Christian Bernert

    JJ, não fique tão triste.
    Pelo menos eu sou um tolo sonhador que acha que carros autônomos não serão tão ruins. Afinal eu penso que carros autônomos poderão ser conduzidos em modo autônomo ou manual, e quem decidirá isto seremos nós os motoristas.
    Sendo assim o carro autônomo pode ser a saída para quem não quer usar o transporte público, mas também não quer se estressar no trânsito carregado. Deixe então estes momentos para que o automatismo tenha o ‘prazer’ de conduzir.
    A pista ficou livre? Assuma o comando e seja feliz.
    Transporte 100% autônomo eu acho que é mesmo uma utopia. Já imaginou como seria fácil sabotar o sistema?
    Por outro lado eu acho que veículos autônomos seriam também uma ajuda e tanto para pessoas que precisam de transporte mas não tem habilitação. Seja por idade de menos, idade demais ou limitações físicas.
    Se soubermos extrair o que há de bom acho que podemos ver vantagens no carro autônomo.
    Até as insanas velocidades limitadas dos dias de hoje não me fazem tão mal (mesmo assim eu odeio este descalabro) pelo simples motivo de que o meu carro tem controlador de velocidade capaz de manter qualquer velocidade programada a partir dos 20 km/h. Você não imagina como isto ajuda para desestressar um pouco.

    • Juvenal Jorge

      Christian,
      eu também sou muito sonhador, mas estou mais acreditando na ignorância humana sem limites atualmente.

  • Marcelo R.

    JJ,

    Carro autônomo comete infração de trânsito? Não? Então pode ficar sossegado que eles nunca serão permitidos aqui no Brasil. Você acha que as “otoridades”, ainda mais as do nível de um certo prefeito que não preciso dizer o nome, permitirão um “atentado” desses contra a arrecadação com as infrações de trânsito???

    Um abraço!

    • Piantino

      Calma Marcelo, se a arrecadação de multas cair, eles vão criar um imposto para os carros autônomos… Aí tudo volta a normalidade…

    • Juvenal Jorge

      Marcelo R.
      também acredito nisso, ao menos até que a imoralidade política continue como é hoje. Se o Brasil conseguir se safar de políticos caras de pau, quem sabe o carro autônomo chegue para ficar.

  • Mr. Car

    Eu não tenho nada que refletir: não quero, e ponto. De qualquer forma, ainda que isto seja imposto à sociedade, até que o sistema esteja efetivamente instalado, seja uma coisa comum como é hoje um telefone celular, não vou estar aqui para ver. Ainda bem.

    • Mingo

      Mr. Car, imagine só um carro autônomo rodando aqui por nossas ruas totalmente esburacadas, cheias de bueiros desnivelados, ladrões, lombadas e valetas, sem contar é claro, na falta de sinalização horizontal. Essa turma da prefeitura não pinta nem uma simples faixa de travessia de pedestres…
      Nossas ruas, avenidas e estradas precisariam melhorar muito, mas muito mesmo para tornar possível essa utopia, caso contrário esses carros se desintegrariam na primeira semana de uso.

    • Fat Jack

      Faço minhas as suas palavras, se chegarmos a este ponto (onde possivelmente seremos impedidos de utilizar os “não autônomos”), gostaria que fosse após a minha existência…

  • Car Science

    Penso também que veículo 100% autônomo me soa um tanto utópico. Porém tenho que reconhecer que algumas circunstâncias até agradeceria se existisse esse “botão autônomo” em meu carro (rs). Posso estar enganado, mas os testes que vêm sendo realizados por algumas empresas como a Mercedes, por exemplo, têm o objetivo de misturar no trânsito o carro autônomo como normal. Acredito, sim, que poderão coexistir as duas formas. Acredito ou torço que isso aconteça.. não sei bem o termo. Mas espero que seja assim.

    • Juvenal Jorge

      Car Science,
      espero que seja assim, se a desgraça toda for mesmo inevitável. Só quero saber como vão comandar o robô com rodas para ele sair da esquerda quando estiver no limite de velocidade e deixar quem precisa andar mais rápido passar.

      • Celso Fernando Ferrer Singh

        Isso dá para programar através de vários sensores no veículo e via estrutura de decisão em uma linguagem de programação, que acionaria um bloco de instrução que resultaria na mudança de faixa, o grande problema do carro autônomo é que ele é chato, perde-se a essência do carro, uma coisa é você facilitar, melhorar o conforto para tornar a experiência única de dirigir um automóvel mais confortável ou menos desconfortável (este último me refiro aos câmbios automáticos), já a outra coisa é você pegar o produto (automóvel) e matar a sua essência sua “personalidade”, destruir a sua identidade. Lembro-me de uma entrevista em 2007 de Steve Jobs e Bill Gates lado a lado falando do futuro da computação e um jornalista fez uma pergunta a ambos, o que eles achavam que iria acontecer com os notebook e os desktops com a difusão dos smartphones com tecnologia touch (nessa época e ainda hoje acreditam que tudo tem que ser touch, tão como antes de 2007 acreditavam que quanto menor o celular mais moderno ele era), então Steve Jobs respondeu: “O que acontece se tirarmos o volante de um carro e automatizarmos ele? Isso é possível hoje em dia, mas por que não fazemos?”, e ele mesmo respondeu “Porque não seria legal, as pessoas gostam de pegar no volante, sentir a essência do produto, devemos é melhorá-lo”. Não me lembro ao certo quais foram as palavras de Jobs, mas foi algo parecido com isto. Por fim logo ele concluiu dizendo que os computadores notebooks e desktops tinham seu lugar no mercado e os teclados físicos também, porém eles deveriam ser aperfeiçoados. Isso vemos hoje com notebook mais finos, mais silenciosos e mais leves, já nos carros vemos esse aperfeiçoamento com a direção com assistência hidráulica e elétrica, câmbio automático, assistente de estacionamento etc. Por fim concluo, não vejo nexo em matar o propósito do automóvel tal como ele foi culturalmente concebido em sua essência ao longo de décadas, entretanto para a finalidade de locomoção de ponto A a ponto B existe um espaço para uma nova tecnologia autônoma, Individual? Coletiva? Não sei, mas não tem lógica nenhuma destruir o carro, já que este nunca foi racional, mas sim emocional desde sua concepção.

  • Do jeito que anda a redução de velocidade pelas ruas de São Paulo e pelo aumento constante dos controladores de velocidade, um veículo autônomo para andar na cidade até que teria suas vantagens: você vai para o trabalho dormindo, com um cobertorzinho, a 20 km/h, sem tomar multas! 🙂

    • Juvenal Jorge

      Victor H,
      um ex-colega de trabalho cochilou num congestionamento certa vez, e acordou com uma arma apontada para ele.
      Você acha mesmo que vai dar para dormir tranqüilo dentro de um carro autônomo ?

      • Grande JJ! Sim. É bem possível que sim. No carro autônomo teremos cortinas (ou algo mais avançado tecnologicamente, mas com a mesma função), o usuário fecha toda a área envidraçada, incluindo o pára-brisa. Então os possíveis ladrões nem terão idéia do que tem dentro do carro, se é um grupo de 4 lutadores de karatê, se são 4 policiais da Rota, se é uma velhinha de cadeira de rodas indo pro médico sozinha, ou se é um bêbado voltando para casa desacordado. Além, é claro, do fato de o carro não ficar parado dando sopa. PS: lamento pelo acontecido com seu amigo. Abraços!

  • Fórmula Finesse

    Podendo desabilitar o sistema quando surge a oportunidade de realmente sentir prazer na condução (não o anda-pára do trânsito fechado), por mim tudo bem, nos livrará de muita gente meia-roda que consegue fazer estrago até nos estacionamentos a céu aberto que viraram as avenidas das grandes cidades. Mas na estrada, eu sou o senhor do meu carro e destino.

    • Fórmula Finesse
      Meu sonho é ter um carro de duplo comando total, como os aviões, ou comandos que possam mudar de lado como parece ser o do desenho. Nada como estar dirigindo e precisar interromper a condução por algum motivo (como falar ao telefone, pois quando falo dirigindo falo mal por dar prioridade ao dirigir), dizer para a esposa “está contigo, dirija um pouco”.

      • Fórmula Finesse

        Não creio que seja utopia Bob; é uma idéia bem interessante e de certa forma atenderia todo o tipo de público, nós – em franca minoria e sendo caçados como marginais pela malta política – e ao resto que não dá a mínima pelota para carros, dirigem mal e seriam melhor servidos (e a nós por tabela) pela tecnologia autônoma.

      • AlexandreZamariolli

        Bob,
        Serve um Mercedes Unimog? Além dos comandos de direção poderem ser deslocados de um lado para o outro da cabine, ele é imune a lombadas, os flanelinhas de semáforo não alcançam o pára-brisa e, quando o esquerdinha mandar você passar por cima do carro filmado e rebaixado dele, você passa.

  • CCN-1410

    Se o carro fizer tudo direitinho, para que cinto como na foto?

    • CCN 1410
      Brilhante, perfeito!

    • Car Science

      (rs) É verdade! Boa observação

    • Juvenal Jorge

      CCN-1410,
      pelo mesmo motivo que muita gente faz back-up de seus arquivos importantes fora do computador.

    • Thales Sobral

      O computador teoricamente faz tudo certinho. Aí de vez em quando, ele trava.

  • BlueGopher

    De todos os fatores apontados, o que mais preocupa é a aceleração do emburrecimento da humanidade.
    Neurônios são como músculos, precisam se exercitar.

    – Mas poucos leem (ainda prefiro a forma “lêem”) livros, as revistas estão se tornando mais visuais, coloridas e com textos superficiais, a internet divulga qualquer besteira, que é aceita e repetida por muitos sem qualquer análise e julgamento, etc, etc,
    – Muitos órgãos públicos promovem funcionários por tempo de serviço, e não por competência, premiando a mediocridade,
    – A pátria educadora é na verdade um lema vazio, sempre em greve.

    E voltando ao setor automobilístico, os carros já acendem faróis, ligam limpadores, abrem portas, e tudo o mais sem auxílio.
    Agora, carros totalmente autônomos?
    Poderemos até ir dormindo para o trabalho (se isto ainda for necessário), desta forma os neurônios perdem massa cerebral mais depressa…

    • CorsarioViajante

      Discordo BlueGopher. De forma geral hoje se lê muito mais, inclusive na internet, que ainda é baseada fortemente em texto. O acesso à informação nunca foi tão fácil, com qualquer smartphone você pode acessar conteúdos diversos, como música, textos, vídeos, livros, etc etc. Se você queria ouvir uma música, ler um livro ou ver um filme e a gravadora, editora ou distribuidora não trazia pro Brasil, pode esquecer. Hoje você não é mais refém, tem infinitos outros canais para acessar os conteúdos.
      O nível de conhecimento vem subindo de forma considerável geração após geração, basta lembrar que até algumas décadas atrás um sujeito ter diploma era raro, falar dois idiomas então, raríssimo.
      O ponto é que me parece que muitas vezes o foco vem sendo dado na informação, e não na interpretação. Temos aparelhos fantásticos nas mãos, mas como qualquer tecnologia, podem ser usadas para o emburrecimento ou aprimoramento – depende do usuário, e acho que sempre foi assim.

      • BlueGopher

        Sem dúvida Corsário, a disponibilidade de informações atualmente é gigantesca.
        Lembro do tempo em éramos obrigados a ir à biblioteca, consultar enciclopédias, fazer pesquisas etc simplesmente para conseguir alguma informação que hoje achamos em segundos na internet.
        A questão é que esta facilidade toda, como tudo na vida, é uma faca de dois gumes.
        Traz ajuda inestimável para alguns e pura acomodação para outros.
        Não sei qual o nível cultural das pessoas com quem você convive, mas eu, por amizade, dou algumas aulas de reforço (matemática, física) para a criançada da vizinhança, todos relativamente simples, estudando em escolas públicas.
        Sem generalizar, fico espantado com a dificuldade de raciocínio que eles têm.
        São ases no Ctrl C e Ctrl V, mas não sabem tabuada, escrevem em garranchos e de forma errada, pois preferem teclados e abreviações, acham desgastante ler um livro, por mais que eu tente lhes convencer do bem que isto faz.
        Mas a pior dificuldade é conseguir que desenvolvam pensamento lógico e organizado, parece que em muitos casos há um amortecimento ou dispersão cerebral.
        Seria excesso de estímulos externos?
        Mas o ser humano é assim mesmo, o mundo está sempre disponível para todos, mas o crescimento individual depende principalmente de algo que brota lá dentro de nós, e é mais importante do que os estímulos externos.

        • CorsarioViajante

          É isso mesmo BlueGopher! Também trabalho como professor, embora não em tempo integral, e vejo que o buraco é mais embaixo, temos muitas variáveis, desde o ambiente de onde a pessoa vem, até os valores da família, e principalmente sua postura de vida. Também noto que muita gente se limita a ser, com gosto, um zumbi, enquanto outros usam exatamente as mesmas ferramentas – smartphone, internet, apps etc – para fins inteligentes e construtivos.

    • Mingo

      Para quem comanda e decide os rumos de nossas vidas, quanto mais bovina for a população melhor.
      Aliás, acho que desde sempre foi assim. As classes dominantes sempre tiveram acesso a bens de consumo, educação e saúde de melhor qualidade. Pergunte para o Alckmin ou o Roberto Setúbal se eles mandaram seus filhos para a escola estadual, se o Lula troca o Sírio Libanês pelo SUS, se o Haddad anda de bicicleta ou mesmo se o Renan Calheiros já foi multado. Essa turma está acima de tudo e de todos, e pode ter certeza que seus filhos, netos e bisnetos continuarão a fazer a mesma coisa com nossos descendentes…

      • Juvenal Jorge

        Mingo,
        apesar de ser azedo muitas vezes, eu sou otimista a longo prazo. Essa porcaria toda gerada pelos políticos tem que mudar, nada é eterno. Otimismo meu amigo !

    • Juvenal Jorge

      BlueGopher,
      tudo errado, e não acontece uma revolução. Só panelas e protestos na rua. Nada contra, fui no de domingo passado, mas é inacreditável que não aconteça nada maior.

    • Rochaid Rocha

      Que graça terá um carro assim? Sem um ser humano pensando, se divertindo, curtindo. Que graça tem isso? Se eu for para ter um carro assim, prefiro ficar parado na minha simples ignorância. O mundo caminha para uma era de “zumbis”. Os filmes de ficção não estão tão errados assim. Só erram na forma dos zumbis, afetados por uma doença, um vírus. A doença será a tecnologia. Já é. Andam corcundas pelas ruas olhando seus celulares como se o céu ou os olhos das pessoas não mais existissem. É triste isso.

  • Silvio

    JJ, sua descrição vai ao encontro com o tema do filme Minority Report, carros autônomos são usados e podem, a muito custo, ser guiados pelo homem… acho que o futuro nos países desenvolvidos será bem próximo ao que vemos nos filmes… já na Banânia…

  • CCN-1410

    Nos anos sessenta, acreditávamos que teríamos cidades espaciais e carros voadores como os mostrados nos desenhos dos Jetsons.
    Eu acho que não será bem assim como muitos pensam. Se misturá-los com outros veículos nas grandes cidades, eles ficarão tão bobos que nem conseguirão sair do lugar, ou então levarão horas para atingir seu destino. Tem carro que encosta na esquerda, outro na direita, é outro que se aproxima muito da traseira, ou que repentinamente dá ré, etc, etc… E o sistema todo fica doidão.
    Hoje nem os carros totalmente elétricos são viáveis e que mostra que antes disso, a era futura pertencerá aos híbridos.
    É claro que em alguns locais ele poderá ser utilizado, mas jamais terá a capacidade de substituir o motorista. Pelo menos não em um futuro próximo.
    O caminho para as grandes cidades é o metrô e a utilização de carros menores. Quem sabe com engates tipo lego.

  • CorsarioViajante

    Acho que existem muitos fatores aí, é engraçado como quando o assunto é este cada um mostra esperar – e temer – coisas distintas do sistema.
    O metrô, por exemplo, se não me engano já testa sistemas autonômos de controle dos trens. Na prática se tornou mais rápido, mais eficiente. Mas o metrô é uma realidade completamente diferente dos veículos que podem ir para onde quiserem.
    Não acho que o carro autônomo represente o fim da liberdade humana, pois obviamente a “liberdade humana” é muito maior que os carros. Pode, sim, a longuíssimo prazo, ser uma nova limitação, assim como foram limitadas as “liberdades” de porte de arma ou de fumar em qualquer lugar.

  • Car Science

    Ao invés de investirem em carros autônomos poderiam investir em Teletransporte! Vide matéria abaixo. Ainda não se faz Teletransporte de matéria, porém quem sabe.
    http://noticias.uol.com.br/tabloide/ultimas-noticias/tabloideanas/2014/05/31/cientistas-dizem-que-teletransporte-e-possivel-acabou-a-desculpa-do-atraso.htm

  • Plantino
    A Martaxa não queria cobrar energia elétrica de quem utilizava energia solar? É bem como você disse.

    • Marcelo R.

      Quer dizer que além do IPVA eu teria que pagar o IPVAA (Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor Autônomo), caso eu estivesse disposto a ter um desses??? Isso não configuraria bitributação??

    • Marcio TD

      Isso é sério???

      Caramba, aí é de lascar.

  • Frank Pontes

    Muito mais do que apenas um meio de transporte, o carro é um bem de consumo. Compramos carros por motivos diversos do que apenas fazer o nosso transporte particular, da mesma forma que compramos roupas com objetivos muito além de nos protegermos do sol e do frio. Coisas como status social, vaidade, prazer influenciam muito. Arrisco dizer que quase 100% da frota mundial de automóveis é subutilizada. A exceção é feita apenas a veículos comerciais que rodam dia e noite.
    Na minha visão o pior aspecto da proliferação dos carros autônomos seria reduzir os automóveis a meros meios de transporte. Chegaria um ponto em que ninguém compraria carros, a tendência seria eles pertencerem apenas a frotistas que prestariam serviços de transporte individual. Para que alguém vai investir um montante alto num carro que não lhe oferece nada mais que transporte do ponto A ao ponto B? Sairia mais barato contratar um “táxi autônomo” em todos os seus deslocamentos e não ter que se preocupar com estacionamento, seguro, IPVA, garagem etc. E isso traz muitos problemas. Esses “táxis autônomos” não seriam subutilizados, reduzindo drasticamente a frota de automóveis. Não é a indústria automobilística a que mais emprega em nível mundial? As conseqüências econômicas e sociais de um colapso nessa indústria em nível global seriam catastróficas.
    Só para concluir, é sim um futuro que temo, mas me conforta acreditar que ainda está muito distante.

  • Alexandre Zamaiolli
    Eu não conhecia essa capacidade do Unimog de se poder passar os comandos de um lado a outro, que notável! As outras, sim (rs).

    • AlexandreZamariolli

      Pois é. O sistema, disponível em algumas versões do Unimog, é chamado VarioPilot. A coluna de direção, o painel de instrumentos e os pedais deslizam sobre um trilho ao longo do painel dianteiro. Mas só existe conexão mecânica no sistema de direção, mediante encaixes existentes em cada lado da cabine que ligam a coluna ao resto do sistema. Os freios são a ar e a embreagem é hidráulica, sendo as conexões feitas por tubos flexíveis, e o acelerador é eletrônico. Caso a coluna de direção não seja corretamente posicionada, o veículo simplesmente não dá partida.

      A página no site da Mercedes está aqui.

      Goleada de 7×1 em engenharia!

  • Frank Pontes
    Concordo com cada palavra do seu comentário, parabéns.

  • RoadV8Runner

    Para mim, o carro autônomo é o apocalipse sobre rodas, o fim de uma era, aniquilação completa daquilo que nos dá imenso prazer, visto que os autoentusiastas de verdade vêem no carro muito mais que um meio de transporte ou algo que dê liberdade.
    Se esses “carros-robô” tornarem-se realidade enquanto eu ainda estiver por estas terras, simplesmente me negarei a entrar em um. Usarei somente transporte coletivo, como já escrevi por aqui diversas vezes. Me recuso a ceder o banco do motorista a um robô. Com certeza os ônibus também serão autônomos, mas aí não há muita diferença para os dias atuais.
    Realmente, o mundo está ficando muito, mas muito chato mesmo. Tudo pasteurizado, padronizado… Estou lendo o livro “1984”, de George Orwell, e agora entendo porque alguns defendem esse livro como uma crítica ao mundo moderno.

  • Lucas CRF

    Ótimo texto. Muito bom mesmo.

    Abraço

    Lucas CRF

  • Thales Sobral

    Triste futuro? Estou torcendo pra que esse futuro chegue, e logo! Gosto muito de carros e gosto de dirigir, mas com o tanto de insanidade (tanto dos motoristas quanto das ant…. digo, legisladores), dirigir se torna cada vez mais enfadonho, e um “mal necessário” para sair de um lugar e chegar a outro. Dessa forma, assim como já deleguei a tarefa de passar marchas à maquina (comprei um carro automático por problemas no joelho), não ofereceria muita resistência a delegar o resto do serviço não. E se o teletransporte se tornar realidade algum dia, melhor ainda.

  • Thales Sobral

    Não se assuste, diminuirá o número de postos de trabalho para fabricar os carros, aumentará o número de postos de trabalho para dar manutenção aos sistemas autônomos. Antigamente tudo era manufaturado, e a automação na indústria também sofreu dessas “profecias apocalípticas”. O que vemos hoje em dia? Cada vez mais robôs em linhas de produção, e gente qualificada para trabalhar em outras áreas. A introdução do Plano Real “matou” o trabalho de etiquetador (que trabalhava bastante na época de hiperinflação). E ninguém chorou o fim dessa carreira.

    • Frank Pontes

      É diferente Thales, porque não diminuiria apenas os postos de trabalho, mas a própria demanda pelos produtos. Com demanda por menos veículos, serão menos engenheiros para projetá-los, menos operários para produzi-los, menos mecânicos para fazer a manutenção, menos comerciantes para vender peças de reposição e por aí vai. Isso sem falar nos motoristas profissionais. Mas você tem razão em um ponto: vão ser mais vagas na área de TI. Mas em número muito, muito menor que os postos de trabalho fechados.

  • Celso Fernando,
    Ótimo comentário, só no final você deu uma derrapada: o automóvel foi talvez a invenção mais racional de todas, ou a mobilidade terrestre a tração animal seria suficiente para os anos à frente? Emocional sim, também, não poderia deixar de ser diante do horizonte que se descortinava. Mas, de resto, ótimas ponderações suas.

    • Celso Fernando Ferrer Singh

      Claro que não seria,,entretanto a maioria das invenções são muito mais emocionais do que racionais, no entanto todas servem a um propósito racional e funcional , a grande questão é a experiência que elas entregam e como elas tornam esta experiência única. Muito Obrigado pelo elogio Bob

  • BlueGopher
    Quando você escreveu “Mas a pior dificuldade é conseguir que desenvolvam pensamento lógico e
    organizado, parece que em muitos casos há um amortecimento ou dispersão
    cerebral”, adivinhe quem me veio à cabeça? Dou-lhe uma, dou-lhe duas…. (rs)

    • BlueGopher

      Acertou!! rsrs

    • Rochaid Rocha

      Ela mesmo.

  • Fat Jack

    Lamento muito saber disso, mas mesmo institucionalmente isso ocorre.

  • Oli

    Quem mais tem que se preocupar com carros autônomos são as empresas de transporte aéreo e rodoviário. Para que eu vou pegar uma ponte área Rio-São Paulo se meu carro me leva da minha casa para o lugar que eu quero a 200 km/h (ou mais), e eu posso ir dormindo, vendo um filme, trabalhando…

  • Juvenal Jorge

    Car Science,
    eu tenho uma lista de gente para ser teletransportada e não tornar a se materializar. Comecemos pelo prefeito de São Paulo!

    • Car Science

      Rs. Que comecem os testes!

  • Piantino. Isto é a maior certeza do mundo. Não há limites para a criatividade em se tratando de arrecadação.