É irracional pagar por um utilitário esportivo sem tração integral muito mais que por um sedã ou perua….

 

Como justificar a súbita preferência nacional pelo utilitário esportivo (SUV)? Racionalmente, nenhum argumento. Mas compra racional é de ônibus e caminhão, onde tudo é preto no branco, na ponta do lápis. Quanto custa, qual a capacidade de carga e o custo do quilômetro rodado. E o retorno: quanto sobra no fim do mês? Não importa ser bonitinho ou feinho.

No automóvel, a razão dá lugar à emoção. O design fala mais alto: “adorei aquele vermelhinho! Vamos levá-lo, amor?” E o casal fecha negócio na gracinha do SUV vermelho, sem se preocupar com aspectos racionais como valor de revenda, consumo, custos de manutenção, seguro e revisões.

O brasileiro já teve outras irracionalidades. Foi único no mundo a preferir carro de duas portas. Modelos europeus tiveram seu projeto original (de quatro portas) adaptado para ser produzido aqui. Madames chiquerésimas faziam ginástica para se acomodar no banco traseiro do Opala cupê com motorista. Não se vendia modelo de quatro portas no Brasil porque “vão confundir meu carro com táxi” ou “é perigoso para as crianças”. Este argumento, aliás, sem nenhum sentido, pois as maçanetas traseiras podiam ser bloqueadas…

Existem alguns (poucos) argumentos em favor do utilitário esportivo. O motorista tem melhor visibilidade por ser alguns centímetros mais alto. Passa a impressão de maior segurança (mas fica na impressão mesmo…). No Brasil, enfrenta melhor nossas crateras asfálticas graças às rodas e pneus maiores.

Entretanto, são muitos os pontos negativos dos SUV´s. Seu centro de gravidade elevado prejudica a estabilidade. Quanto mais alto, maior propensão a se inclinar nas curvas e torná-las mais perigosas. Existe uma parafernália de dispositivos eletrônicos para atenuar este efeito maléfico. Mas ainda não se descobriu como mudar o imutável princípio da física que rege o comportamento do automóvel em função da altura do centro de gravidade. Os sistemas de controle resolvem ou atenuam o problema, mas dentro de determinados limites.

Outro ponto negativo do SUV é seu peso, dezenas de quilogramas superior ao do sedã ou perua. Conta que se paga no posto e no ar que respiramos, pois aumenta consumo de combustível e emissões.

A maioria dos jipinhos, jipões e congêneres são dotados de dimensões avantajadas, o que dificulta manobras, principalmente em vagas mais apertadas. Encostar um paquiderme destes numa vaga de shopping pode ser um exercício de talento e paciência.

Não bastasse, ainda são muitos os utilitários esportivos que carregam o famigerado pneu sobressalente na tampa traseira. As mulheres costumam a-do-rar a solução, pois é prova cabal de estarem ao volante de um jipe. Confere indiscutível aspecto de veículo “macho”, mas já aborreceu donos de automóveis que tiveram o capô amassado ao estacionar inadvertidamente atrás de um SUV. O estepe lá atrás aumenta ainda mais seu peso em função do reforço estrutural para seu suporte. É também um complicador para a abertura da tampa e sua articulação acaba se tornando uma irritante fonte de ruídos. Além de alvo fácil dos ladrões.

A rigor, qualquer sedã, perua ou hatch vence os “obstáculos” a que são submetidos “jipinhos e jipões” utilizados por madames para irem às compras ou à manicure. “E nem pensar em botar minha gracinha na lama”…

Finalmente, é irracional pagar por um utilitário esportivo sem nenhum dispositivo adicional de tração muito mais que por um sedã ou perua. Pois as fábricas enfiaram a mão ao perceber a atração exercida por esta nova espécie sobre rodas…

BF

Foto de abertura: Paulo Keller
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


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Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • Leo-RJ

    Caro Boris,

    Concordo bastante! Fato que é que menos de 5% dos proprietários desses carros utilizam a tração 4×4 (nos modelos dotados delas, claro).

    Curto bastante jipes, mas quase como “veículo recreacional”, uma vez que utilizo mesmo para trilhas. Já tive duas Toyotas Bandeirantes, Suzuki Samurai, Lada Niva e um JPX, que inclusive adorava (a versão nacional do Eike Batista para o francês Auverland). Mas esses caros eram usados para trilhas e passeios similares, com família, amigos ou nos famosos passeios do Clube do Jipe do Rio, do qual fui filiado.

    Eram sempre como segundo carro, e, de fato, utiliza-me da tração. E por isso desde sempre me causa espanto quando as pessoas compram esses veículos, bem como as enormes Pick Ups 4×4, e utilizam a tração somente… na chuva (que aliás não é recomendado), posto que nunca fazem trilha com o veículo. Já ouvi os mais diversos argumentos, desde medo do carro dar problema no meio de trilha (e por isso deve ser feita com mais de um carro ou em grupo) até os prosaicos medos de “arranhar”, “estragar” etc.

    Já ouvi até um ex-jipeiro experiente, ao comprar um Toyota Hilux falar que “… pô, não comprei esse carro para enfiar no barro ou na trilha… ele não merece.” Ora, comprou para que, então, já que nem usa caçamba???

    Enfim, fato é que o brasileiro os compra mesmo para dar a sensação de se impor no trânsito. Querer ser “o maioral” e coisas assim. Pelo menos é o que acho.

    Abç!

    • Lucas Mendanha

      Conheço um que comprou uma TR4 porque queria um carro “altinho”..ela dava 7 km/l de gasolina na estrada e rodou um tempão com ela em 4h porque não fazia ideia de como (e pra que) funcionava a tração dela..

  • Rodolfo

    O que percebo de quem dirige geralmente estes carros grandes é que eles pensam que quem tem carro menor que eles vai ter medo de dividir um espaço com eles no trânsito… eles dirigem como se só estivem eles na rua… são os donos da rua.

    • Newton(ArkAngel)

      Já andei por um tempo em um carro com aparência ruim, porém com a mecânica boa…os tais donos de SUV sempre tentavam se impor pelo tamanho, mas ao verem um carro todo amassado vindo para cima deles, saíam da frente rapidinho. E o medo de amassar o “bibelô”? Hehehehe!

  • Rochaid Rocha

    Compartilho da mesma opinião. Tem muita madame que jamais viu uma roça na vida, usando camionete 4×4 gigante. Além dos SUVs. Mas sabe para quê? “Ostentação”. Essa é a palavra. Nada além da costumeira frivolidade de alguns que possuem mais dinheiro que outros. Só; A inteligência não os nivela. E aposto que muitas dessa madames, e me perdoem as madames, não só elas, tem muitos senhores nessa conta também, vivem comentando em suas redes sociais a respeito de ecologia, ficam indignados com a morte de um leão ou de uma baleia, tubarão talvez. Podem ser vegetarianos também. Pois estão preocupados com a sustentabilidade, e outras baboseiras. Não que eu ache esses problemas ilegítimos. Mas vindo desse povo, me cheira hipocrisia.

  • kravmaga

    Concordo plenamente e já caí nessa de comprar um SUV (na verdade um crossover médio 4×2), uma Captiva 2.4.

    O carro até que não era ruim, apesar de ser um SUV, graças a um motor grande e moderno com boa potência e torque e aos 6 air bags e controles de estabilidade, mas o peso excessivo de 1700 kg cobrava o preço no consumo de gasolina, na aceleração (que não era ruim mas podia ser bem melhor para a potência que o motor tem) e no grande raio de giro por causa do tamanho enorme das rodas, que dificultava a manobra em garagens apertadas.

    Quando à maior adequação para o nosso piso lunar dos SUVs eu concordo só em parte baseado na minha experiência com a Captiva. O perfil grande dos pneus realmente evitava raspagens em meio-fios, mas por outro lado a suspensão tinha que ser mais para rígida para compensar a maior altura do carro (para não inclinar muito nas curvas) e o resultado final é que o carro sentia mais buracos e lombadas do que sedãs médios com suspensão molenga (como a de um Corolla, carro que tive antes). Ou seja, se a pessoa quer um carro que filtre bastante as ondulações, nem sempre vai encontrar isso num SUV !

    Na troca de carro seguinte, acabei voltando para um sedã médio mais racional mesmo, um Jetta TSI. Nunca precisei de carro para fazer trilha e, se precisasse, compraria logo uma picape 4×4 cabine dupla ou um jipe 4×4 diesel.

  • Roberto Mazza

    Caramba, de novo o mesmo autor com o mesmo blablablá? No próprio texto há argumentos que contradizem a idéia central, por exemplo “Madames chiquerésimas faziam ginástica para se acomodar no banco” se for assim, é muito mais prático e agradável entrar e sair de carros com altura por volta de 1,60 m do que carros com altura por volta de 1,45 m.

    E, francamente, convenhamos, a diferença de estabilidade em modelos similares para quem faz um uso moderado (a grande maioria das pessoas) nas nossas vias que permitem 110 ou 120k m/h, é ínfima. A diferença de peso, idem, por exemplo, um Audi Q3 1,4 pesa meros 37 kg a mais que um Golf Variant 1,4. Essa diferença no meu entender é ridiculamente pequena. Estabilidade? Acredito que dificilmente eu notaria alguma vantagem séria comparando um Q3 e um Golf Variant.

    Indicar que os carros possuem como defeito para manobras dimensões avantajadas também é falso, tendencioso e preconceituoso. Lamentável ler esse tipo de coisa justamente num site que respeita a pluralidade de idéias como o AUTOentusiastas. Um HRV é mais curto que um Civic (que tem os mesmo comprimento do CRVV), 3008 é mais curto que um 408, Tiguan mais curto que Jetta ou Golf Variant, até um RAV4 é mais curto que um Corolla.

    A grande maioria das pessoas que roda bastante sabe muito bem como é a qualidade de pavimentação tanto em cidades quanto em muitas estradas secundárias e vicinais. Impossível ignorar isso. Sem contar a quantidade de valetas, quebra-molas, rampas etc. Pneus perfil 45 com aro 17 podem ficar bonitos, mas tem gente que prefere pneus maiores, que notadamente são geram mais conforto e são mais resistentes à nossa buraqueira. Fato.

    Outrossim, vá no site da Volkswagen da Alemanha, um dos maiores fabricantes do mundo em quantidade de unidades e em variedade de carrocerias, e um país de referência em cultura automobilística, certo? Veja que maravilha que lá eles têm modelos interessantíssimos como GOLF SPORTSVAN (um Golf em formato minivan como um Fiat Idea só que muito mais moderno), VW TOURAN, sete lugares similar à Zafira/Spin com muito mais capricho, VW SHARAN, 7 lugares, mais espaçosa, similar à Chrysler Caravan etc. Carros excelentes e que adoraria ver disponíveis aqui, em respeito à pluralidade de gostos, e em companhia aos Golf Variant e Passat Variant que já temos. Idem Ford B-Max, Ford C-Max e Ford Kuga, europeus que também não temos.

    E a moda dos carros “cross” ou aventureiros? Acha que é só coisa de brasileiro? No site da VW Espanha você pode ver Golf Alltrack que é a perua Golf em versão Cross, ou na VW Alemanha Passat Alltrack que idem é a perua Passat em versão Cross. BMW, Audi, Mercedes e outras também estão vendendo mundo à fora milhares de X1, Q3, GLA e outros modelos afins. Se alguém não gosta, tudo bem, mas não perturbe com argumentos fracos.

    O editor-chefe Bob Sharp é um que já disse, de forma bastante clara, que por gosto pessoal prefere automóveis mais baixos, acredito que abaixo de 1,50 m de altura. No entanto milhões de pessoas tem gosto diferente, preferem carros um pouco mais altos. Simples assim. Certamente o senhor Sharp sabe diferenciar gostos pessoais de análise moderada e imparcial. Por isso é tão respeitado.

    E entendo que minivans e crossovers são meramente AUTOMÓVEIS DE PASSEIO em sua essência e em seu uso principal. Não são “veículos utilitários de uso misto”. Por isso é que a maior parte da imprensa adotou o termo crossover, que facilita a compreensão do grande público, fazendo entender claramente que trata-se de modelo de automóvel que diferem de utilitários que são originados em caminhonetes e afins. Insistir em falar desses carros como se fossem todos SUV, para mim é apenas preconceituoso e desinformativo.

    • Diney

      Concordo plenamente com você, e o mimimi dos SUV já deu…

    • Comentarista

      Falou tudo. As vezes os textos aqui refletem a opinião pessoal do autor ou mesmo do grupo do site, nem mesmo aceitando as opiniões dos leitores. Mesmo assim adoro aqui pois a parte técnica é perfeita. Também gosto de cutucar de vez em quando para o Bob ficar zangado rsrs.

    • Davi Reis

      Roberto, o que me incomoda mais ultimamente é o preço que andam cobrando desses modelos. Claro que as empresas não estão aí para fazer caridade, mas acho que já andam cercando a falta de bom senso. Se o HR-V tivesse preço equivalente ao Civic por exemplo, a história já seria outra.

      E até conversamos sobre isso outro dia, nosso mercado evoluiu muito considerando os últimos 10, principalmente 20 anos, mas a falta de modelos mais familiares incomoda. Antes poderíamos ir de Zafira, Scénic, Picasso e cia., mas hoje… Qualquer um que quiser um carro com posição de dirigir mais alta, maior versatilidade e espaço interno, tem que partir para os pequenos utilitários. A Spin não foi uma substituta a altura de Zafira e Meriva, a Livina saiu de linha, a Fiat abandonou o Idea e o SpaceFox é interessante, mas com um preço simplesmente insano. Não precisava ser assim.

    • Ricardo Talarico

      Caro Roberto Mazza,
      Penso como o Boris Feldman, mas respeito sua opinião e concordo com vários argumentos de ambos.
      Até o programa TOP GEAR já testou SUVs, mas também fizeram colocações iguais às do Feldman.
      Um fato inegável ainda na linha de pensamento do Bóris é que,
      no caso do HR-V da Honda, é um carro sobre a plataforma do FIT/CITY, por preço de Civic. Uma “gourmetizada”. 🙂

      Só um pequeno deslize, em seu primeiro parágrafo:
      O Bóris se referia às madames entrando no banco traseiro de Opalas Cupê, não de SUVs.
      Forte Abraço.

  • Diego

    Bom argumento, nem vale a pena discordar, mas se a percepção de valor (nisso entra qualquer produto não apenas carros) dependesse apenas de racionalidade, centenas de produtos sequer deixaria a cabeça de seus criadores, coisas como chinelos de borracha a preços de tênis, sapato de salto alto, camisa ser mais caro por ter um jacaré estampado etc.
    Mas eu acredito que essa percepção de valor é pessoal de cada um. Se tem quem goste do pneu pendurado a trás do carro, daquele monte de pára-lama de plástico vagabundo sem pintura, suspensão alta sem motivo etc., que eles comprem os carros ruins superfaturados (que mantém o caixa das empresas do ramo no verde) e nós compremos os carros bons…

  • Milton Evaristo

    O cara que tem medo ou não consegue fazer curvas com esses utilitários de hoje não devia nem ter habilitação. Não usam mais chassi, são quase todos monobloco. Alguns derivados de automóveis, com o motor lá em baixo. Dá para dar muita lenha e sem sustos ou desconforto com esses carros. Eu usava um EcoSport da empresa, e cansei de ter que limpar o tráfego, de suve mesmo. E em alguns é mais fácil entrar e sair para quem tem pouca mobilidade, comparado a um sedã. O que mata é o peso de alguns, como o Renegade. Alguns hoje parecem mais um hatch médio (ou uma perua) elevada.

    • Guilherme Keimi Goto

      Sou cético sobre isso que você falou da altura Milton.
      Vou usar os Peugeot como exemplo do que eu acho, puro achismo mesmo: Eu imagino que um 208 tenha seu centro de gravidade uns 50 cm acima do solo, se uns 2008 tem o centro de gravida somente 60 cm acima do solo já temos uma acréscimo de 20% na altura e isso é MUITA transferência de carga. Talvez as pessoas imaginem que é somente a altura do teto vs altura do teto, mas acho que a exposição que fiz é válida. De novo, puro achismo.

      • Milton Evaristo

        Tem diferença sim, mas daí a ser o perigo todo que andam dizendo, falta muito. Muitos hatchs e minivans também são altos.

    • Newton (ArkAngel)

      Desculpe por discordar, mas afirmar que esse tipo de veículo tem estabilidade igual ao de um sedã não faz sentido. Se o motorista da Rota que capotou a SW4 estivesse em um sedã, isto não aconteceria. Claro que a estabilidade dos SUVs melhorou bastante em relação aos modelos antigos, mas ainda fica aquém dos outros veículos.

      • Milton Evaristo

        Não disse que é igual. Mas não é esse perigo todo que se fala, sobretudo os de monobloco, que acho que não é o caso do SW4.

  • BlueGopher

    Desde meu primeiro carro, uma Veraneio 1967, gosto dos utilitários ou peruas, como eram chamados antes dos anglicismos entrarem em moda.
    Pena que devido aos altos e baixos da vida, somos geralmente obrigados a trocar nossos gostos pela profundidade do bolso, mas continuo tendo muito prazer em dirigir um destes utilitários, e os tenho na garagem sempre que possível.
    Claro que se um carro alto for dirigido como um esportivo, ele torna-se perigoso, como citou o caro Boris, mas suponho que cada um tem que ter noção do que está fazendo, não?
    Mas sinceramente, não considero que curtir um prazer como este seja algo irracional.
    Aliás, o cúmulo da suposta racionalidade acaba se tornando algo também irracional, como o que acontece hoje no trânsito de São Paulo, por exemplo.
    O melhor é sempre o caminho do meio.

  • Diogo Rengel Santos

    A opinião do Boris faz sentido, mas eu vou bancar o advogado do diabo em favor das SUV’s…. Há um sério problema nos carros convencionais modernos e que me incomoda bastante: o vão livre do solo e as frentes muito baixas que vivem encostando em guias de calçada e rampas de garagens…

    Tudo bem, tem suas vantagens em melhor comportamento dinâmico, mas poxa vida, é muito chatio ter que ficar cuidando da frente para não ficar esfregando…. E é ruim de ver….

    E outra, vale lembrar que com o advento das plataformas de carros convencionais deixaram muitos SUVs com comportamento dinâmico excelente. Se não são dignos de esportivos, ao menos não devem em nada aos demais carros de passeio…

    • Diego s

      Opa, e aí, tudo bem ‘quase xará’!
      Quanto a vão livre do solo e as frentes muito baixas: Eu pensava assim, e tinha interesse pelos carros da linha adventure (com suspensão erguida alguns centímetros).
      Hoje mudei de idéia lendo o Ae, e comparando a altura dos dois carros de casa, percebi que o carro que eu mais uso e mais gosto, é o mais baixo. Já o tenho há trocentos anos, e mais outros trocentos quilômetros.
      E sabe de uma coisa. Pensava, erradamente que precisava de mais vão livre em relação ao solo.
      Daí parei pra pensar quantas vezes bateu algo em baixo do carro, ou raspou a frente.
      Sabe o que eu percebi? Que o meu carro já tem uma altura muito boa, e eu não preciso de mais.
      Então consultei o manual dele para saber qual era o valor numérico da altura do meu carro:
      14,5 centímetros, e eu não preciso de mais. E faço a ressalva que ando muito em estrada de chão.

  • CCN-1410

    É engraçado como concordamos facilmente com quem escreve o que pensamos, hehehe…
    Eu ainda prefiro carros com duas portas e assim que não precisar mais transportar netos, é provável que eu compre um novamente.
    Também acho bonito jovens em carros com duas portas.
    Quanto aos suves e picapes para passeio, concordo totalmente.

  • Zidane

    Não sou fã de SUV e afins, mas entendo facilmente porque fazem tanto sucesso hoje. São menores por fora e maiores por dentro, simples assim. Pegue o caso de um Ford Ecosport. Ele é 10 cm menor que um Focus, mas tem porta malas maior e mais espaço no banco traseiro. O mesmo com o Peugeot 2008 em relação ao irmão 208. O SUV é apenas 15cm maior e oferece um porta-malas 70 litros maior e muito mais espaço interno. Soma-se a isso o visual mais robusto, posição mais elevada, maior visibilidade, maior status (na cabeça do brasileiro médio….). Acredito que a grande moda agora será estes pequenos SUV.

  • Roberto

    Isto é verdade. Muitos compram este tipo de veículo para se impor no trânsito. Tanto que é comum ver nas estradas motoristas neste tipo de veículo “comprando” a faixa da esquerda, não deixando ninguém utilizá-las nem sequer para ultrapassagens ou senão pressionando os demais veículos sem necessidade.

  • Gustavo

    Por obra do destino, um jipinho da moda, desses com estepe pendurado atrás, veio parar na minha garagem. Tenho que concordar com os argumentos apresentados. Mas tem um ponto positivo pouco falado: o pneu de perfil alto absorve bem as pancadas causadas pela buraqueira do asfalto. Faz tempo que não vejo roda amassada, direção desalinhada, etc. O termo “aventureiro urbano” reflete bem a proposta desses veículos: encarar a selva de pedras.

  • Os EUA são a Meca dos carros grandes e extra-grandes, que, aliás, vendem como água. Na verdade não deve existir muito motivo lógico do lado racional que não seja de foro mais íntimo. Quem sabe para preencher egos inseguros com uma carapaça de “segurança”…
    Seja lá o que for, curvo me ante o raciocínio meridiano de meu amigo Boris Feldman e, já de antemão, dou as duas mãos à palmatória, pois eu também gostaria de ter um SUV bem grandão…

    • Milton Evaristo

      Na neve um carro leve com tração dianteira é
      sempre pior que um utilitário, esporte ou não,
      pesadão e com tração nas quatro rodas. O peso maior ajuda aos pneus
      acharem o asfalto e a tração 4×4 garante dirigibilidade e tração
      muito superiores. Basta rodar alguns quilômetros na neve para concordar
      com os americanos que moram em locais com inverno rigoroso: um picapão
      ou suve se torna fator de segurança, principalmente quando o motorista
      não tem lá muita vocação para piloto de rali.

  • Daniel S. de Araujo

    Mercado é mercado…por que comprar um IPhone de 4 mil Reais se um LG faz a mesma coisa custando R$1 mil? A lógica é semelhante…compra-se pelo status, percepção de valor, aparência…a racionalidade na aquisição é saciar desejos de consumo e não a questão econômica. A lógica da compra e a satisfação e não a questão financeira.

    Sobre os SUVs o único modelo diferenciado que vi até agora foi o HR-V pelo espaço interno e o Renegade pelo diesel. De resto, são carros comuns que cresceram para cima (vide o Idea, Ecosport e outros)

    • Comentarista

      Um colega disse que vai vender um Corolla 2011 que tirou zero e está com 40 mil km e vai comprar um Renegade diesel. Ele veio perguntar se valeria a pena. Falei que se ele queria um, que fosse o flex e expliquei os motivos. Ele não viaja, não faz trilha, só vai casa trabalho shopping. Para que pagar 20-25 a mais num mesmo carro só porque é diesel? Ele disse “ah o diesel é mais econômico.” Para pagar a diferença ele teria que andar uns 150 mil km só pra empatar o extra do diesel na hora da compra, fora seguro e manutenção muito mais altos do que no flex. Ele concordou. No outro dia ele veio dizendo que pensou, é que o diesel para ele valeria sim a pena porque ele vai puxar uma moto aquática (rs) e precisa ser um 4×4. Igual ao texto, compra de carro para a pessoa normal é emocional.

      • Nelson C

        Adoro isso #sqn: a pessoa que pede opinião sendo que já tomou a decisão. Na verdade, só está à procura de quem valide o que ela deseja.

  • marcelo

    Boa tarde a todos, apesar de gostar muito do Boris terei que discordar dele desta vez. Moro na cidade de Manaus e quem conhece esse lugar sabe a qualidade de ruas, muito piores que as de São Paulo e Rio. Tive que trocar meu novo Ford Ka por um carro com maior vão livre, pois o Fordinho raspava no monte de calombos das ruas manauaras. Sinto informar que é minha Segunda experiência com os ditos SUV e digo que hoje são mais práticos na maioria das situações. Sabemos que em São Paulo o certo é a pessoa ter um carro econômico, pequeno e de preferência automático para o dia a dia e um maior para-o uso familiar. Mas quem só pode ter um, pelo menos na cidade que moro escolhe SUV ou picape.

  • braulio

    Hoje o texto promete: Logo no primeiro parágrafo lembrei de vários ônibus bonitos: O King Kong, o Chevrolet 51, Mercedes Monobloco, Marcopolo Bertioga (uma batedeira sobre rodas, mas que fica bonito se bem pintado), Thamco Gemini, e tantos outros, só para ficar na indústria nacional (e lembrar os Routemasters londrinos, por que não?)
    Particularmente, gosto de carro duas portas. Não compro um médio nessa configuração por uma série de fatores (não existe tal modelo à venda, não quero pagar IPVA de um zero-km porque acho que a prefeitura não tem feito por merecer, e, francamente, meu dinheiro não nasce no capim para eu trocar de carro toda hora!), mas se pelo menos dois deles fossem resolvidos, seria minha escolha.
    Quanto aos SUVs, para a maioria dos compradores, outros modelos de carros atenderiam às necessidades de forma mais eficiente. Mas, num momento em que a tendência é a diminuição das opções, condenar que uma certa categoria tem ido na contramão e recebido atenção da indústria e dos consumidores soa quase estranho.

    • Nelson C

      IPVA é um imposto estadual.

      • braulio

        Sim, mas parte dele (50%) fica no município. Para um município que proíbe o estacionamento e depois não fiscaliza (ou seja, deixa as vagas reservadas para quem não se incomoda em seguir a lei…), muda sentido de direção tão rápido que até alguns semáforos ficam virados para a contra-mão e interdita ruas sem nenhum motivo aparente, é muito. Não sei como os paulistanos aceitam pagar o deles, já que a prefeitura de lá é ainda pior para o motorista.

  • Maurilio Andrade

    Belo artigo, concordo plenamente.
    E é por causa destes modismos que as peruas estão acabando.

  • jr

    Bom, não gosto deste tipo de carro também, mas tratar tudo apenas pelo racional também é complicado. Pelo racional quase todo mundo teria carro 1.0 de 900 kg, prata, duas portas, rodas de aço de 13″, …

    Que seria do amarelo se todos gostassem do azul?

    • braulio

      Só não entendi porque o prata seria mais racional que outras cores (o branco, mais fresco, o amarelo e o vermelho, mais visíveis no trânsito, o bege, no qual a poeira não aparece tanto…)

  • Comentarista
    E pensa que não percebo isso, de você e de alguns? (rs). Opinião dos leitores, aceitamos com total prazer, menos quando defendem ou justificam atos do PT ou vêm com a idéia de transformar São Paulo numa Amsterdã…

  • Artigo polêmico, uma vez que um Cherokee, um ML ou mesmo um Vitara são quase inquestionáveis para quem gosta ou, autoentusiastas como eu, gostam também e apreciam… Mas acho que o cerne do post é: Modismo e um grande oportunismo de nossa indústria (que, é claro, tem de aproveitar o momento da onda ou a onda criada no momento!) O que acho e’ que um Fiesta, um Fox, Um Etios e tantos outros, usando a mesma plataforma e inflados por adornos plásticos e outros apêndices jipeiros (fora os horríveis pneus biscoitudos que alguns vestem que são péssimos no asfalto!) não podem ser confundidos com carros fortes e resistentes, quando na verdade não o são….

  • claudio fischgold

    Boris,

    sobre o fato destes carros virem com o estepe pendurado na traseira, não seria conveniente que o pára-choque traseiro ficasse alinhado com o estepe? Ao menos não amassaria mais os capôs dos outros carros estacionados atrás.

  • Danilo Grespan

    Prezado Boris, quero iniciar dizendo que admiro e respeito tanto seus textos, como qualquer outro postado no Ae, porém, acho que aconteceu algo “estranho”, parafraseando o título da publicação anterior, com um saleiro na chamada. Não sei se foi a intenção, mas no meu ponto de vista, esse saleiro foi mais para pensar o quanto nossas vidas está ficando “sem sal” por racionalidade demasiada, do que para ter ligação com o assunto da retirada do sal servido a clientes de restaurantes. E é justamente essa linha racional que vi nesse post. Precisamos na realidade é incentivar o diferença nas escolhas, o gosto variado culminando no prazer de dirigir. O prazer não é um sentimento racional, e se alguém gosta de andar um pouco mais alto, varando estradas de chão batido sentindo mais conforto, ou ainda com a simples sensação de olhar tudo por cima, desde que sem prejudicar os demais, é direito dele. Eu mesmo tenho a sorte de poder ter mais de um carro, e meu foco esta nas diferenças em ter sensações diferentes em dias variados, ter mais tecnologia e velocidade num dia, e no outro ter mais calma, controle e sensação mecânica. Entre meus próximos, tenho tanta vontade de ter um V40 e um Suzuki Samurai, quanto um Miura ou um Mustang dos primeiros. Se eu fosse totalmente racional, sendo solteiro, sem filhos, dirigindo quase exclusivamente em bom asfalto, um Onix com direção assistida e ar-condicionado já me seria suficiente, sendo para mim um dos melhores custo-benefício atualmente. Um abraço!

    • Cadu

      Como eu penso exatamente como o BF, permita-me: a questão não é apenas a diversidade e o prazer da livre escolha. Em mercado de consumo, poucas são, de fato, nossas escolhas. O marketing e a propaganda acaba escolhendo por você. Mas, voltando ás vacas frias: o grande problema, ao meu ver, é o “modismo”, as tendências. Hoje, os SUVs enterraram as peruas. Alguns SUVs pequenos canibalizaram as vendas até de médios, mesmo sendo compactos (HR-V, por exemplo)
      Eu não vejo problema na pessoa que usa qualquer tipo de argumento acima (altura, posição de dirigir, design) para escolher um carro. O problema é quando a maioria passa a ir de acordo com a boiada.

      • Danilo Grespan

        Sobre a determinação de “tendências” eu concordo contigo: “o carro do vizinho é mais alto!”, acompanhado da pressão por se sentir imponente no transito, as vezes já é um motivo para comprar um carro muito maior que o seu, mesmo que você queira dirigir como um piloto, algo incompatível com esses tipos de carros. Agora, sobre as peruas, nunca entendi porque elas “morreram” por aqui… existem versões sensacionais, principalmente algumas alemãs, que realmente dão vontade de ter! Não acho que a SUV seja um substituto que determine seu sumiço, é só dirigir um exemplar de cada para se notar o quanto a perua se encaixa melhor em dirigibilidade x carga, além de, em muitos casos, beleza e equilíbrio.

    • Perácio

      Boris é Mineiro. E Mineiro de BH, o mais fechado dos mineiros. Não se assuste com visão a fechada dele. É típico da região. Já se perguntou porque mineiro é desconfiado? Hora, lá quase não tem turismo, nada para fazer, praia, isolados pelas montanhas, não convivem com estranhos, pessoas de outros estados, etc etc. Sendo assim, mineiro só lida com mineiro…..Entendeu?

  • Diogo Rengel Santos

    Olha Diego, seu contraponto é interessante não vou negar… Talvez no fundo seja tudo apenas questão de impressão mesmo…

  • Vagnerclp

    Só não concordo com o fator “valor de revenda”, porque principalmente aqui no Brasil, os carros bons de revenda, normalmente são as carroças de cor prata (já estou enjoado desta cor) e das 4 mais tradicionais marcas (VW, Fiat, Ford e Chevrolet). E eu (particularmente) compro um carro de acordo com o meu gosto, não para agradar o próximo proprietário.

  • TSI

    Como diriam, SUV é igual pato:
    Anda, voa e nada…. mas não faz nenhuma delas direito…
    E ainda há SUVs com porta-malas menores ou do mesmo tamanho que os hatches.

  • Cadu

    Belo texto. Não acrescentaria nenhuma vírgula!!

  • Marcio

    Ontem fui ao shopping com minha namorada, ela apontou um Spin e soltou: “Você viu que agora tem um desses com estepe atrás? Que coisa ridícula!”. Fiquei com um sorriso no rosto e me senti mais feliz, por que tempos atrás ela era louca para ter um… CrossFox! Concordo com o texto, muitas questões racionais ficam de lado na hora da compra, e as fabricantes sabem muito bem disso. Só que confesso que eu mesmo, que gosto do assunto, devo colocar entre 20 a 30% de peso no emocional para fechar uma compra, às vezes até fechando negócio que racionalmente não é tão bom, mas que emocionalmente vai me deixar tranqüilo por um tempo. Aliás, sei que o maior peso do meu carro é devido a maior robustez da plataforma, e que o estepe está pendurado atrás porque ele não caberia sobre o diferencial traseiro, ou acabaria com o espaço do porta-malas. Apesar dele ser mais gordinho que a média, suas rodas esterçam mais e por isso consigo entrar e sair do shopping com mais facilidade que muito sedã!

  • Lucas Mendanha

    Nessa questao, eu vejo dois motivos principais:

    1 – Status: Para muitos, pega bem pra sociedade chegar num mini-suv ou picape, ja que sao carros reconhecidamente mais caros (opa, to rico em gente! Foi mal ai queridos)..e como pra quem pensa assim, carro e meio de transporte, a dirigibilidade nao importa…

    2 – Precoceito bobo – Desde os primordios, todos sabem que o melhor dos mundos e ter uma perua..dirigibilidade e espaco no mesmo produto! Mas perua sempre foi carro de mulher, ai nao pega bem com os amigos..”vou ser motivo de chacota da turma”.. Ja um mini-suv nao.. tem (quase) o espaco de uma perua, mas tem pinta de macho..e se somar ao item 1, ao inves de chacota “vou ser o cara da turma”… tanto e que a megane grand tour de 49k saiu de linha pra entrar o duster (equivalente) de 59k e vendeu muito mais..o que e uma pena! Foi a ultima perua decente e acessivel por estas bandas…

  • Hein?

    Vejo diversos pontos positivos e algumas incongruências na avaliação do Boris ; vejamos: Brasileiro não gosta de carro quatro portas: balela! A “industria nacional” não tinha nada de novo, não produzia nada de novo, não inovava nada, não dava qualquer opção ao Brasileiro. Tinham alguns quatro portas na década de 70, na maioria Opala, Maverick, Dojão, Galaxi; Fora isto mais nada a não ser gatos pingados. Todos carros ultrapassados, mesmo para a época e fora do alcance da esmagadora maioria da massa de Brasileiros que compravam carro. E a massa comprava o que tinha abaixo disto que era corcel, fusca, Zé do Caixão, variant e Fiat 147. Cadê quatro portas para poder optar, a não ser um desmilinguido corcel que cabiam quatro anões apertados lá dentro e o tal caixão? Na década de 80 idem. Década de 90? Idem, salvo salvo santana ( plataforma Audi 100 descontinuada lá fora e vendida aqui como novidade…)!!! Fala aí o que teve de novo? Del Rey? Brincadeira né…. Lá fora centenas de modelos. Aqui meia dúzia de porcarias ultrapassdas.Quanto aos SUVs, entendo a avaliação como correta. Mas as 4 montadoras “nacionais” hoje já tem alguma concorrência aqui, embora detenham, ainda, mais de 60 % do mercado. E se o mercado COMPRA elas vão lançar porque estão obrigadas a isto, não porque o público quer e isto ficou provado no exemplo acima. Elas estão aqui para ganhar dinheiro e isto é correto. Incorreto é ganhar dinheiro às custas de um mercado fechado e sem opções, vendendo produtos ultrapassados, verdadeiras carroças, sem inovações a um público cativo, refém da vontade de políticos que extorquiam enormes propinas e em troca davam o mercado às montadoras para elas fazerem o que quisesem. Todo mundo sabe disto. Se instaurarem uma “lava jato” em cada setor público Brasileiro vão trazer à tona as safadesas, as extorsões a que são submetidos os empresários pelos políticos nojentos que se apoderaram do estado brasileiro. Da década de 70 a decada de 90, reinaram praticamente soberanas, nada fizeram, não inovaram, pintaram o 7 e hoje, depois da GM quebrar, Ford quase quebrar, Volks perder a liderança e Fiat ver seu mundo ameaçado, resolveram se mexer um pouco e tentar reagir. Acontece que deram de cara com fabricantes muito melhores e mais bem preparados, notadamente os japas que dominam até nos USA!. Nós perdemos o bonde e eles, sem imaginar e pensando apenas no lucro fácil de um mercado estagnado e fechado, sem concorrência, pararam no tempo e perderam o bonde também aqui. Nem os produtos top que eles tem lá fora são capazes de salvá-los pois se o fossem já teriam feito. Além disto, no meu caso, eu não compro mais qualquer carro nacional das quatro e tenho uma dezena de amigos que não compram e não deixam os filhos comprarem, etc. Fizeram o que quiseram. Agora aguentem.

    • Rodrigo Oliveira de Abreu

      Acho que você esqueceu que nos anos 70 tinhamos o excelente Passat 4-portas e nos 80, o Monza, que foi o mais vendido em 84, 85 e 86.

    • János Márkus

      Ops. Falta um detalhe: na década de 80 teve novidade sim, o Monza 4p que começou a reverter a rejeição por este tipo de carroceria. Foi a partir de 83 que o consumidor começou a rever seus conceitos a partir do desenho do 4p muito mais harmônico do que o 2p.

    • Rafael

      Havia, sim, uma rejeição por carros de quatro portas, expressa enésimas vezes na boca dos consumidores e nas vendas contidas dos poucos modelos disponíveis. A indústria até tentava inserir modelos com portas traseiras, mas os resultados nas vendas eram desanimadores. Décadas se passaram até que essa irracionalidade se dissipasse, muito em função da entrada de novos consumidores menos influenciados pelos antigos vícios.

  • tabajara_music

    Depoimento de uma conhecida minha, se referindo ao Eco Sport: “adoro esse carro, ele me deixa bem alta no trânsito”.

    Racionalidade ou não, é o tipo de idéia que deve aparecer muito nas pesquisas de mercado.

  • Mauro Schramm

    Concordo com as afirmações do autor sobre as desvantagens dos SUVs. Apenas não concordo que o HR-V seja pertencente a essa categoria: esse modelo da Hona pesa o mesmo que um hatch médio e tem mais espaço interno e porta malas maior. Numa comparação direta entre HR-V e hatchs médios, considero o primeiro uma escolha muito mais racional.

  • CorsarioViajante

    Sei lá, a grande maioria aqui (eu incluso) não gosta de SUV, pseudo-SUV e cia, mas ficar marretando esta tecla ao infinito… Ainda instistindo nos estereótipos do tipo “mulher burra”… Vira este disco povo!

  • CorsarioViajante

    Pois é Huttner, e se é para atacar modismo, vamos lembrar que pouco tempo atrás o modismo era ter um carro rebaixado, esporte. Todo yuppie teve um BMW um tempo atrás.

  • Ricardo

    Concordo, e também não consigo entender por que a pessoa leva menos, por mais. Menos conteúdo, menos dirigibilidade, menos comodidade para estacionar, por mais din-din na compra. Enfim, não são todos que gostam de carros como a gente (de carro para dirigir), é lógico que outros fatores também pesam (inclusive subjetivos), mas carro para mim é para primeiro dar prazer de dirigir….depois o resto.

  • Fernando

    Esse assunto é um que sempre esquenta novamente, mas me parece que muitas vezes se esquece de alguns fatos.

    Foi algo realmente de fim dos anos 60 me parece. Nele haviam os Willys Teimoso/Dauphine/Gordini, DKW-Vemag Belcar(inclusive só tivemos a versão 4 portas nele), acima deles os Simca, Aero-Willys, e mais para o fim dos anos 60 eram lançados o Galaxie, o “Zé do Caixão” e Opala, tudo isso exclusivamente com 4 portas.

    Ao mesmo tempo que nasciam pony cars e muscle cars, aqui não havia nada do gênero(sedãs 2 portas ou cupês), mas sim carros de conotação totalmente esportiva como os Willys Interlagos, Uirapuru, Karmann-Ghia e nasciam as primeiras Puma.

    Mas repare que entre tantos GM, Ford e Dodge que haviam por lá, aqui não se tinha opção mas talvez uma dose de vontade em alguns donos. Eis que foram oferecidos o Opala Cupê, Maverick, os Simca morriam e a Dodge vinha com Dart e Charger com 2 portas, e então era uma porta aberta a quem comprasse. Foi o que fizeram.

    Nos anos 70 com 4 portas houveram(pensando rapidamente): o próprio “Zé do Caixão”, Chevette, Brasilia, TL, Maverick, Passat, continuavam a haver Opala e Galaxie/Landau. TODOS estes foram oferecidos, mas não tiveram vendas consideráveis. Aí que não vejo culpa alguma das fabricantes, foi sim pura opção do consumidor.

    Anos 80 foi a seqüência: Del Rey, Escort, Passat Iraque, Voyage, Santana, Monza, Uno, Premio, Opala, até o começo da década ainda haviam os Dodge e Landau. Também não acho poucas opções, visto que carros como o Escort simplesmente deixaram de ser oferecidos por falta de vendas. Talvez o ponto interessante fosse ainda manter em linha por mais que houvessem poucos compradores, mesmo que não desempenhando a opção principal, no fim dos anos 80 as coisas já estavam se invertendo, inclusive com a reabertura das importações nos anos 90.

    O que realmente não entendo é como as peruas ficaram de fora das 4 portas por tanto tempo. Desde os anos 60 até fins de 80, nelas sim pouca coisa houve pelas próprias fabricantes, exemplar realmente era a Simca Jangada. Mas nunca entendi não haver Vemaguet, Caravan, Belina/Scala, Panorama, Parati (quadrada) Marajó com 4 (na verdade 5) portas a não ser por mãos de empresas que as alterassem, como fizeram com transformações para essa demanda reprimida com Caravan 4 portas, perua de Monza, de Passat, de Maverick e Galaxie.

    Para os anos 90 a solução: Elba já passou a oferecer as portas a mais, a Ipanema demorou mas veio, Parati idem, Tempra SW, Suprema, Escort SW, Corsa Wagon, Palio Weekend e por aí as coisas estão como vemos diariamente.

  • Fernando

    Concordo com o que você e os outros disseram ao mesmo tempo:

    Esses carros altinhos ainda assim tem muito chão sim, ainda mais se for comparar com carros de antigamente, hoje quase não tem carro mal acertado de suspensão, para um motorista ruim de braço fazer muito estrago.

    Mas ao mesmo tempo esse centro de gravidade mais alto, a reação de pêndulo para a cabeça, pneus mistos no caso dos “cross”, são todos coisas que noto e motivos para eu desejar o contrário.

  • Fernando

    Quando vêem um carro “Madmax” assim eles assustam e a “sensação de segurança” dá lugar ao medo de quebrar o brinquedo hehehe

  • Polento

    Na verdade Boris, o SUV vem como substituto da camioneta, wagon ou SW.
    Sobre a questão de ser mais ou menos seguro, esses carros têm que passar por uma colisão lateral nos EUA para serem homologados. Num compacto hatch isso é no meio da porta, no SUV perto no assoalho, parte mais resistente, por isso o SUV É ATÉ MAIS LEVE que um equivalente baixo.
    Quanto à preferência ao duas portas antigamente, eu tenho duas teorias:
    1) duas portas tem menos peças móveis, assim bate menos e entra menos pó nas estradas de chão.
    2) Os carros antigos 4-portas tinham o teto reto, nos 2 -portas ele afinava no fim da porta até o vidro traseiro, e ainda por cima o teto era menor. Assim os 2-portas tinham carroceria bonita, mais bem esculpida, e transição vidro-carroceria bonita. O 4-portas pareciam uma perua cortada.

    • EvertonLM

      Foi único no mundo a preferir carro de duas portas?Por que então Mustang, Camaro, Dodges etc são tudo duas-portas?