Direto do túnel do tempo

 

Young woman driving car  Direto do túnel do tempo Woman driv huffingtonpost

Oscar Wilde dizia que não se pode confiar numa mulher que conta a verdadeira idade, pois se ela disser isso, é capaz de dizer qualquer outra coisa. Isto posto, não contarei minha idade, nem a confirmarei ou desmentirei mesmo que insistam, mas vocês poderão ter alguma idéia com o que me lembrei estes dias.

Relendo minhas colunas, me chamou a atenção o comentário de um leitor a respeito do problema que meu tio teve no Citroën 3 CV com o condensador. Condensador? Ora, quantos outros itens os carros não têm mais hoje? E comecei a relembrar alguns – certamente não todos, mas apenas aqueles que saíram por livre e espontânea vontade do baú da minha memória. Aqueles que se esconderam, seja por falta de bits e bites no meu disco rígido mental seja porque não convivi com eles, continuam lá no fundo.

Afogador

A injeção eletrônica tornou obsoleto o afogador – aquele botão de puxar que os carros tinham próximo do volante para ajudar a dar partida e que uma distinta senhora teria achado que era o lugar perfeito para pendurar a bolsa. Se alguém não se lembra, ele servia para enriquecer a mistura de ar e combustível ao dar partida no motor frio e assim permitir que ele “pegasse” com mais facilidade. Era tudo bem mecânico, mesmo. Quando se puxava o afogador, uma borboleta limitava o fluxo de ar na entrada do carburador enriquecendo a mistura ar-combustível. Depois de alguns minutos, era só voltar o afogador para a posição inicial e deixar que o motor recebesse a mistura, digamos, convencional, de ar e combustível. A injeção eletrônica acabou com a necessidade de se ajustar a mistura manualmente — o comando de enriquecimento é eletrônico —e acabou o botão de pendurar bolsas – aliás, lugar deveras incômodo para isto, especialmente no meu caso que carrego bolsas gigantes. Engraçado como as pessoas se lembravam de voltar o afogador para a posição inicial e hoje, com muitas menos operações para fazer, tem gente que nem lembra de acender os faróis do carro à noite…

 

Afogador c  Direto do túnel do tempo Afogador c

O botão é do afogador, não um acessório para pendurar a bolsa… (pumaclassic.com.br)

Carburador

O carburador merece um lugar especial na minha memória. Como já disse aqui, meu primeiro carro tinha não apenas um, mas dois carburadores. Como dizem lá em Sorocaba, ô inferno! Hoje a injeção eletrônica jogou para o esquecimento os carburadores. Pena, no sentido figurado, pois achava um charme saber como era o funcionamento de um, pois faz parte do que chamo de mecânica básica. Basicamente, ele servia para formar a mistura de ar e combustível para permitir que a combustão fosse completa e o motor funcionasse corretamente. Voilá, lembrei das aulas de Física e os tais motores a combustão. A mistura ideal é também chamada de mistura estequiométrica. Lembro que quando aprendi cálculo estequiométrico no segundo grau (fiz Exatas), era minha parte favorita da Química. Mas com as dificuldades que sempre tive, me divertia juntando moléculas que nunca se uniriam e deixando as de oxigênio livres por ai. O que acontecia com elas? Ora, era ar, e ele sumia! Entrava uma coisa e saia outra, mas no meio ainda tinha evaporação, condensação e outros fenômenos físicos ainda não descobertos. A bem da verdade, tenho que dizer que não dava muito certo. Criei muita substância que não existe e com moléculas que nem amarradas se juntariam – mas sempre era divertido e um enorme exercício de criatividade.

Mas voltemos à mistura estequiométrica. Mantê-la a faz com que o motor extraia o maior proveito da densidade de energia do combustível. Se houver menos ar que o necessário, a mistura será rica e causará consumo excessivo de combustível e o motor “afogará”. Se, ao contrário, houver ar demais junto com o combustível, a mistura será pobre e sua queima produzirá menos potência. Claro que o equilíbrio perfeito não foi alcançado de primeira, e nem teve ajuda minha. Na teoria, a relação ideal ar-gasolina seria 14:1, ou seja, 14 partes de ar para uma de gasolina. Digo na teoria, pois isso seria para um motor a gasolina, esta sem álcool nenhum. Mas com as constantes mudanças na proporção de álcool na gasolina, o cálculo tem de ser refeito constantemente. No caso da gasolina com 22% de álcool é 13,2:1; se álcool puro, 9:1.

 

Carburador_Solex  Direto do túnel do tempo Carburador Solex

Carburador hoje está virando peça de museu (pt.wikipedia.org)

Condensador (ou capacitor)

E, claro, não podia deixar de falar do condensador – ou mais adequadamente, o capacitor. O que é que ele fazia, mesmo? Absorvia corrente elétrica no momento em que o platinado abria, de modo a interrompê-la completamente, sem deixar haver faiscamento, e, assim, assegurar a perfeita indução na bobina para a produção de corrente de alta tensão destinada às velas. Se não cumprisse sua função plenamente a tensão de saída na bobina era insuficiente ou nula. Hoje essa função cabe a diodos.

Mudando de assunto: Podem alegar que eu tenho dificuldades com as Ciências Exatas, eu aceito. Mas exatamente como é que a Prefeitura de São Paulo pode dizer que o tempo médio de viagem de ônibus, do ponto inicial ao final, diminuiu de 66 minutos em 2013 para 63 no ano passado no horário de pico da tarde se, ao mesmo tempo, ela mesma divulga que a velocidade média dos ônibus no mesmo horário passou de 16 km/h em 2013 para 15 km/h em 2014 – mesmo com a implantação de mais 77,8 km de corredor de ônibus de um ano para o outro? Que os corredores de ônibus não adiantaram, ou até pioraram a situação, parece-me claro, mas alguém pode me explicar como uma velocidade média mais baixa resulta em menos tempo total? Só se encurtaram o percurso, o que falsearia as estatísticas, ou se a velocidade fora dos corredores aumentou (então para que servem?). Se não, acho que perdi essa aula de Matemática na escola…

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade da sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

Publicações Relacionadas

  • Carlos A.

    Nora, para os que adoram carros, o carburador não está tão distante assim ou se quer virou peça de museu rsrsrsrs, mas entendi o comentário relativo aos carros ‘atuais’ ou nem tanto, se levar em conta que no fim da década de 1990 já não tinha mais carro fabricado com o velho carburador, então muitas pessoas nem chegaram a dirigir um carro com esse equipamento. Meu caso por exemplo ainda tenho carro carburado (além de um moderno, injetado), sem falar no condensador que no meu caso também acompanha. Para falar a verdade, confio muito mais nesse sistema mecânico que nos atuais injetados, por gostar de fazer a manutenção pessoalmente, nada como uma chave de fenda, e alicate para resolver qualquer problema! Certa vez, quebrou o cabo do acelerador do meu carro carburado e sai do ‘apuro’ simplesmente desativando a mola que puxava a borboleta do afogador, transformando-o num ‘belo’ acelerador de mão, simples assim! Hoje com os carros injetados e com acelerador eletrônico (sem cabo de aço) fica mais complicado ainda, com tanta eletrônica é queimar um fusível e pronto! Tem que chamar o socorro, principalmente levando em conta a maioria que não entende nada.
    Alias, atualmente muitos carros zero sequer estão vindo com fusíveis sobressalentes, um absurdo na minha opinião! Também os manuais hoje se limitam a ensinar no máximo a trocar um pneu, li não me lembro de qual carro foi que para simples troca de uma lâmpada dos faróis principais, o proprietário deveria procurar a concessionária, devido a complexidade e necessidade de remoção até do para-choque para se desmontar o farol!
    Me surpreendi ao ler o manual de um Fusca 69 (mesmo não tendo nascido nessa época) que ensina tudo praticamente sobre o carro, desde a troca do pneu, até a regulagem das válvulas do motor!

    • Nora Gonzalez

      Carlos A, por mais que goste de mecânica cada vez está mais difícil que eu consiga mexer num carro. Já troquei cabo de embreagem, mas não faço a menor idéia do que teria de fazer se meu câmbio automático travasse. Ou sei, sim: ligaria para a seguradora.

  • vstrabello

    Meu primeiro choque com um carro sem afogador foi com uma Saveiro, ainda “quadrada” de um tio avô meu, que tinha injeção. Já no meu Celta, ele mantém a rotação acima de 1.000 rpm até esquentar, abaixando um pouco depois de alguns minutos.

  • Leonardo Mendes

    tem gente que nem lembra de acender os faróis do carro à noite
    Parte disso pode ser creditada aos painéis com iluminação permanente, como o do Corolla… de todos os carros que vi com faróis apagados a maioria esmagadora era desse modelo.

    Carburador é um item que ainda encontra aceitação em motos de baixa cilindrada, se bem que até essas estão “injecionando” de uns tempos pra cá.
    Que me lembre no momento, só as linhas 125 de Suzuki e Yamaha ainda o usam… a Honda o baniu de vez com o lançamento da nova Pop 110i.

    • Lorenzo Frigerio

      Em 2005 aluguei uma Impala em Miami. O carro tinha DRL, que iluminava bem. Como o painel só acendia com os faróis ligados, precisava ficar escuro para eu me ligar, ao ver aqueles instrumentos apagados. Não sei por que isso até agora não chegou ao Brasil.

  • Roberto Neves

    Podem me chamar de neurótico (e assumo: sou!), mas fico doente quando vejo um carro rodando com faróis apagados, à noite ou, mesmo de dia, em estacionamentos cobertos, garagens de condomínio etc. Fico atônito, tentando imaginar o que leva um vivente a arriscar a própria vida e a dos outros: total inconsciência, um ritual filosófico de viver mais intensamente afrontando a morte…?

    • CorsarioViajante

      É muito comum, também acho chocante!

    • Davi Reis

      Uma vez, acidentalmente, dei uma fechada em um cidadão que vinha atrás de mim, pois o mesmo estava com apenas os faroletes acesos (e ainda por cima com luz azul, ainda mais fraca que a original, nada daria na mesma), em um carro preto, no escuro e ainda com os vidros completamente selados, inclusive o dianteiro. É o tipo de ser que pensa “ora, se estou vendo, não preciso dos faróis”. Se esquecem ou sequer param um pouco para cogitar que os faróis não são apenas para ver, mas também para ser visto.

  • Nora, acho que você perdeu as aulas de matemática do Prof. Haddad.
    Olha essa pérola:
    https://youtu.be/9AF2N6lDyK0

    Me diga em que livro de física está essa conta? E olha que sou engenheiro há mais de 20 anos.

    • Diego Clivatti

      Não moro em São Paulo, tão pouco já dirigi aí – acho que não é para mim –mas é uma lógica tão estranha, que não entendo nem como o Haddad consegue acreditar (se é que realmente acredita), mas tenho algumas perguntas básicas
      1- Ser adotada a mesma medida em Paris, significa que necessariamente tal medida é aplicável em São Paulo?
      2- Se velocidade média é conseguida com fluidez, não seria mais fácil aumentar a fluidez com medidas mais básicas (educação para o trânsito e civilidade por exemplo)?

      PS. uma das coisas que mais diminui fluidez, mas que nenhum governo abre mão são as malditas lombadas eletrônicas, tão ou piores que as lombadas físicas.

      • Nora Gonzalez

        Diego Clivatti, bem lembrado. Além das lombadas ainda tem os buracos, os ambulantes, o súbito desaparecimento e fusão de faixas de rolamento que fazem com que não haja fluidez no trânsito. Mas nesses itens não houve nenhuma melhoria – nem lembraram deles. E, de novo, se algo é bom para outra cidade, seria para São Paulo? Quando Giuliani era prefeito de Nova York o salário dele era US$ 1 ao ano. Mas isso não é copiado por estas paragens.

  • Mr. Car

    Nora, sou péssimo para estimar idade das pessoas, mas acho que em algum momento (talvez nem todos, acho que sou um pouco mais velho), fomos crianças “juntos”. Também sou do tempo dessas coisas todas. Ah, e do quebra-vento, he, he!

    • Nora Gonzalez

      Mr. Car, gosto de pensar que sou atemporal, eterna quiçá… 😉

  • m.n.a.

    Legal!

    Condensador talvez alguns poucos, mas muitos dos leitores aqui do site ainda usam carburador e afogador, e eu sou um deles !

  • Eduardo Silva

    Logo mais poderá listar aquele estranho pedal que ficava do lado esquerdo do freio. E também aquela haste que ficava no meio do assoalho e precisava ser manipulada justamente no momento em que a pessoa estava ocupada, dirigindo.

    • Lorenzo Frigerio

      Para os americanos, já faz uns 60 anos que esses dois dispositivos são estranhos.

  • CorsarioViajante

    Do jeito que vai, daqui a pouco vamos lembrar com saudade um equipamento que caiu em desuso chamado “acelerador”…
    A Prefeitura de SP ressuscitou um discurso meio soviético-stalinista, do tipo “a realidade é menos importante do que a vontade férrea dos companheiros na épica luta contra etc etc etc”. Juntou aí também aquele descaso com as pessoas típicos dos “grandes experimentos sociais” do século XX, com populações inteiras sendo “remanejadas” ou tendo, por imposição, que alterar drasticamente seus costumes, usos e culturas. Tudo isso chega aqui mais de meio século depois e, se no original já era tenebroso, agora ficou também ridículo. O governo do Haddad está cheio deste discurso de “experimento social”, mas nunca deixam claro quem são as cobaias descartáveis de tantos “experimentos”.
    Na prática, se a matemática ou a lógica mostram algo que vai contra o “planejado”, a solução é inventar uma nova lógica ou matemática alternativa ou, melhor ainda, promover “estudos” que, de antemão, já apontam para resultados desejados. Foi o que se fez para, sem nenhum motivo, fechar a Paulista, que já dispõe de calçadas largas e ciclovia. Ou então o “brilhante” argumento de que, como as marginais de madrugada tem baixo movimento, podem ser fechadas – ou seja, se o trânsito flui na via ela é supérflua e se o trânsito empaca a via tem que ser restrita como a famosa alça campeã das multas. Engraçado que o mesmo raciocínio não vale para os corredores de ônibus nem para as ciclovias, pois nestes a ociosidade seria indício de eficiência.
    Outro bom exemplo é o novo argumento que vive na ponta da língua dos defensores de que “reduzindo a velocidade máxima aumenta-se a média”, gostaria de saber que fórmula matemática é essa onde andando-se mais devagar anda-se mais rápido. Entendo e existem estudos que mostram que, em algumas situações delimitadas, isso pode ocorrer, mas não é certamente uma regra universal como alguns querem fazer crer. Exemplo: é óbvio que se o farol da frente está fechado não adianta acelerar tudo até lá e ficar dez segundos parados, pode ser melhor manter o carro lento até o farol abrir para seguir no embalo, quase todo mundo que dirige já notou isso. Mas isso não se aplica de forma alguma à vias livres como as vias expressas ou rodovias.
    Ufa! Falei demais e coisas que pouco tem a ver com sua coluna Nora, me desculpe mas eu, como tantos outros, estou engasgado.

    • Eduardo Silva

      Muito bom Corsário. Excelente desabafo. Esse assunto da cidade de São Paulo tem me irritado a ponto de tirar o sono às vezes. Não somos ouvidos, não existe discussão, só arbitrariedade.

      Ontem vi num jornal repórteres concordando com a diminuição da velocidade em uma via de Brasília (perigosa, de fato) porque um panaca costurou em alta velocidade e por isso causou um acidente, como se ele fosse respeitar o limite caso fosse menor.

      Um monte de gente se baseando no ridículo experimento do arroz que prova a realidade do arroz e do funil, e só. E se fosse água?,Não prova absolutamente nada. Provaria se a analogia fosse:
      Cenário 1 – Todos os carros entrarem juntos, na mesma hora, no mesmo ponto da marginal.
      Cenário 2 – Os carros viessem em número compatível com o tamanho da via em momentos diferentes e entrassem na marginal.

      E tudo em nome da segurança. Tudo em nome da família. Vende-se muito em nome da família, de margarina sem gordura a carro blindado.

      Bem disse o MAO, estamos sendo governados pelas mães que mandam colocar o casaquinho porque vai esfriar.

      Pronto, desabafei também. Só ia escrever a primeira frase.

      • CorsarioViajante

        É Eduardo, para essa turma do funil eu adoro enviar o brilhante texto do Andre Dantas sobre a inteligência das máquinas, a parte seis.

    • Lemming®

      Praticamente uma coluna. E de boa qualidade.
      Concordo em gênero, número e grau.

      • CorsarioViajante

        Obrigado, é apenas um desabafo de um cara que nem mora mais em São Paulo mas fica fulo com tanta bobagem!

        • Lemming®

          E a bobagem se espalhando para São José dos Campos…
          Corredor de ônibus em avenida com duas faixas e acesso à Embraer. Com câmeras para multar e exclusivo na hora do rush…

    • Ilbirs

      @CorsarioViajante:disqus, não é algo stalinista essa história de “a realidade é menos importante do que a vontade férrea dos companheiros na épica luta contra etc etc etc”, mas sim a operacionalização daquilo que Marx já dizia: ter de destruir tudo que aí está para que surja o novo homem que supostamente estaria livre dos vícios. Claro que é apenas e tão somente uma retórica feita para conquista de poder e na qual os do topo não acreditam nem um pouco, mas induzem os de baixo a acreditar para que façam o serviço para eles.
      Recentemente vi uma boa para se falar com quem compartilha desse ideal e porventura tenha uma companheira: você aceitaria que sua namorada/esposa/ficante tivesse relações sexuais com outro cara? Se o cara disser que não, diga para ele que está sendo incoerente com o que o Karl em questão diz, pois o próprio falava claramente em “coletivização das mulheres”. Se o cara disser que sim, está mostrando ao mundo que é um corno manso que pegou textos já existentes e os usa para racionalizar seu status de traído para manter-se coerente com aquilo que foi dito em conjunto com Engels.

      E sigo com aquelas dicas para a eleição de 2016:

      1) Não votar no PT;

      2) Não votar em nenhum partido que faça parte do Foro de São Paulo (PT, PSB, PDT, PPS, PPL, PC do B e PCB);

      3) Não votar em nenhuma linha auxiliar do Foro (PSOL, PSTU, PCO);

      4) Lembrar que PSDB é só a outra lâmina da tesoura da estratégia gramscista e que na prática é que nem o PT, apenas falando “por obséquio”, como se pode ver por Fernando Henrique e José Serra defendendo Dilma;

      5) Olhar atentamente para candidaturas aparentemente antipetistas e anti-Foro, mas que na prática podem ser candidaturas “cristianizadas” (usando aqui o jargão político brasileiro), feitas para perder e propositadamente incentivadas pelo pessoal do Foro para que dividam o voto contrário a tal organização para que ao segundo turno sejam alçados só candidatos de esquerda. Há fortes suspeitas de o Datena ser isso, uma vez que o mesmo já disse que sempre votou no Lula, está no PP, partido da base governista e, como sabemos bem, aqui em São Paulo Maluf está apoiando o Haddad;

      6) Lembrar sempre do voto no Legislativo, pois mesmo que de repente ganhe candidatura do Foro ou da estratégia das tesouras, vereadores contrários a isso que sejam eleitos podem na prática barrar essas ações tal qual estão fazendo os parlamentares na atual legislatura do Congresso.

    • Marco

      Vou apenas dar um “like” e me abster de comentar. Se escrever o que penso sobre o prefeito e seu fiel secretino, serei bloqueado…hehe

  • Mr. Car

    Não falou demais, não. Falar contra essa “gente” nunca é falar demais.

    • Mr. Car
      Nem entre aspas resolve. Aquilo não é gente.

      • Mr. Car

        Bob, se eu usasse o termo que gostaria, você não publicava, he, he! Não é gente mesmo.
        Abraço.

        • francisco greche junior

          Não é gente mesmo, mesmo!

  • GFonseca

    Nora, não é você que tem dificuldades com exatas, é esse prefeito safado que tem proficiência em torturar os números para justificar suas decisões malucas. Junte-se a isso a grande maioria que não tem senso crítico (na minha opinião por preguiça, e não por incapacidade), e está feito o estrago.

  • Nando

    A prefeitura de São Paulo é uma piada (pronta) de mau gosto.

  • Roberto Neves

    Acabo de ler em outro site que o limite de velocidade será reduzido para 50 km/h em todas as vias de São Paulo! Cáspite! Arre! Irra! Unbelievable! Nekredebla!

  • Lemming®

    Coisas realmente do fundo do baú.
    Lembrando também do dínamo antes do alternador…medonho…

  • Rolim

    Ficou no passado (ainda bem! rsrsrs) dos carros de passeio:
    Lixar contatos do platinado.
    Verificar se o diafragma da bomba de combustível não está furado.
    Verificar folga dos eletrodos das velas.
    Calibrar folga das válvulas, conforme a ordem de ignição.

    • Domingos

      Folga dos eletrodos ainda é bom checar, especialmente nos carros que as trocam de muito em muito tempo.

      Já folga das válvulas, alguns motores ainda pedem, mas é cada vez mais raro.

  • Maycon Correia

    No meu Fusca, que uma senhora comprou 0-km aos 55 anos de idade, ela tinha outro costume pior. Andar com o pé repousando sobre a embreagem. Mal esse que tive de retificar o motor aos 129.000 km onde poderia ter durado mais de 250.000 km. O afogador ainda está lá e funciona desde 3/12/1970, porém platinado, condensador e dínamo aquele Fusca 1500 não tem mais!

    • Davi Reis

      Já faz algum tempo, mas o Bob já escreveu um texto sobre mitos, e esse de apoiar o pé na embreagem estava lá. Desde que o acionamento passou a ser por rolamento, e não por carvão, essa regra não vale mais. Mas que é um costume desconfortável, isso é.

  • André K

    Excelente coluna, como de hábito. Permita-me extrapolar um pouco o assunto do atual prefeito de São Paulo e sugerir uma “pauta” à equipe do Ae: na época da eleição, quando os candidatos já estiverem definidos, o Ae poderia DEMOCRATICAMENTE enviar uma lista pré-elaborada de questões pertinentes, aos candidatos das principais capitais e publicar um comparativo das respostas por cidade. Me parece ser do interesse do público do Ae, dos editores e até mesmo dos candidatos.

  • Christian Bernert

    Ai que saudades de gastar um sábado a tarde para desmontar um carburador, limpar peça por peça, montar tudo outra vez, bem lubrificado. E em seguida ter o prazer de afinar o motor até deixar aquela marcha lenta bem redondinha.

  • Marco
    De modo algum haveria bloqueio do seu comentário por esse motivo.

  • Danilo Grespan

    Boas lembranças..se formos mesmo lembrar de tudo, ainda tem muita coisa que entrou em desuso para discutirmos! Exponho mais uma: os faróis amarelos, presentes desde Fuscas à Opalas!

    http://4.bp.blogspot.com/-RsrUA7Kj-lM/Usot5ccQAtI/AAAAAAAAArA/_8nvsqmdnmI/s1600/gol-bx-par-farois-cibie-amarelo-german-look-farol-saveiro_MLB-F-3888764637_022013.jpg

    • Por falar na antiga Cibié, ainda estes dias eu estava lembrando dos postos que ele mantinha, por exemplo na Av. Adolfo Pinheiro (com aquele lindo pôster dos corredores brasileiros da época que tinham patrocínio da Cibié no fundo da loja). Lá era possível dar uma regulada grátis nos faróis, bem como fazer uma verificação dos faróis, piscas e lanternas, passando pela luz de freio (ainda não tinha aparecido o “brake-light”).
      Pena que isto passou, aliás alguém saberia dizer onde se pode regular os faróis em São Paulo???

  • RoadV8Runner

    Eu vivenciei (e ainda vivencio…) todos esses apetrechos publicados no texto. Sobre o carburador, acredito que não exista outro componente mecânico pelo qual tenha tanta admiração até os dias de hoje. Como já disse em outros comentários aqui no Ae, o carburador praticamente nunca permite mistura ideal em condição alguma de funcionamento, mas propicia que se use o veículo de forma no mínimo razoável em qualquer condição de carga e velocidade. E fazendo tudo isso de forma puramente mecânica, sem qualquer auxílio eletrônico (excluí dessa análise os derradeiros carburadores “eletrônicos” usados por estas terras).
    Sobre essa matemática petista demago-hipócrita, sem comentários. Tem que ser muito cara-de-pau para falar tamanha estupidez. Está chamando a todos de imbecis.

    • Eduardo Mrack

      Mais um adepto e ativo do mundo dos carburadores, eu. Me fascina tal componente ( e todos os outros conjuntos mecânicos ), cumprirem suas funções, dentro de uma margem de eficácia, sendo completamente e puramente mecânicos.

  • É a “matemática pública”. Coisa que os mortais nunca vão entender. Um exemplo prático é:
    -Na sua casa faltou dinheiro:
    – Corta a Pizza;
    – Tira supérfluos do supermercado;
    – Atrasa aquela compra daquela coisa que você queria.

    -Em qualquer coisa pública falta dinheiro:
    – Aumenta os impostos;
    – Cria novos impostos…

    Enfim: Não tenta entender.

    E Parabéns pelas belas publicações.

    • Nora Gonzalez

      André Vazzoller, obrigada por suas palavras. Quanto às atitudes do governo, acrescentaria incluir recorrer a bancos públicos (BNDES também) para financiar a máquina do Estado. Com nosso dinheiro, é claro.

  • Prezada Nora. Belo post! Veja que, no seu relato, todas as coisas em desuso nos carros de hoje permanecem em “uso” físicamente, porém com gerenciamento artificial ( sensores e placas eletrônicas e outros quesitos mais! ) que são extremamente necessários para o motor á ( ainda! ) explosão funcionar… Em resumo: Permite que o indivíduo com menos ( ou nenhum! ) conhecimento da máquina venha a operá-la sem problemas na condução pela sua ignorância…É o mundo de hoje; Sabe-se cada vez menos e usa-se cada vez mais. Lendo seu belo post, lembrei-me da exclusão das aulas de caligrafia no ensino moderno das crianças…A linguagem e a escrita estarão lá, embora quem a acesse não saiba fazê-la! E com isto se vai a evolução cognitiva do ser… Os andróides do futuro somos nós mesmos!

    • Nora Gonzalez

      Huttner, garanto que não sou tão velha assim. É apenas que estudei em escolas muito especiais e com muitas matérias e uma carga horária enorme. Mas na Argentina tive aulas de caligrafia e aprendi a escrever em gótico no primeiro grau – que me ajudou em viagens pelo interior da Alemanha. Realmente, conhecimento nunca é demais.

  • Davi Reis
    Uma coisa é apoiar, outra é apoiar e pressionar o pedal. Só nos sistemas folga zero, como no 147 Spazio de 1983, sem batente de repouso no pedal, com acionamento permanente do rolamento de embreagem, é que descansar o pé no pedal e exercer alguma pressão no pedal pode (mas não necessariamente vai) iniciar desacoplamento da embreagem.

  • Danilo Grespan

    Eu sei que clientes Porto Seguro, Itaú e Azul podem fazer isso de graça nas oficinas deles… fora isso, desconheço

    • Grato pela dica, vou verificar onde clientes da Porto Seguro podem fazer isto…