UM SÉRIO CASO DE AMOR

Família que restaura unida, permance unida... (foto arquivo Rod Tempero)

Linhagem de restauradores: Alan (E), Rod e Errol Tempero… (foto arquivo Rod Tempero)

Galinhas ciscando aqui e patos ali, um galo que canta fora de hora, vacas pastando no jardim e, como ponto de referência de tamanha cena bucólica, um galpão repleto de brinquedos de gente grande. Ali dentro um neozelandês usa fresas e martelos para materializar o amor herdado do avô.

 

A réplica da Ferrari 330 P4 (foto arquivo Rod Tempero)

Habitantes locais pastam indiferentes à réplica do 330 P4 (foto arquivo Rod Tempero)

Agora imagine tudo isso numa cidadezinha bem longe, com pouco mais de 13 mil habitantes e que hoje tenta capitalizar em cima de uma urbanização consolidada no período 1880/1980. Esse lugar existe e tem dono: Maru.

 

O glorioso período entre 1880 e1980 começa a reviver a economia de Oamaru (foto stuff.co.nz)

O glorioso período entre 1880 e 1980 começa a reviver a economia de Oamaru (foto stuff.co.nz)

Na verdade falo de Oamaru — palavra da cultura maori que significa Lugar de Maru — que fica na costa sudeste da Nova Zelândia, terra que faz autoentusiastas lembrar de nomes como Bruce McLaren, Dennis Hulme e Chris Amon. É lá que um imigrante de origem supostamente italiana e que atende pelo nome de Rod honra a terceira geração da famiglia Tempero ao materializar sua arte restauração e construção de clássicos como Ferrari 330 P4, Jaguar D Type ou Maserati 250F.

 

Um dos projetos atuais é a construçnao desta réplica da Maserati 250F (foto arquivo Rod Tempero)

Um projeto atual é a construção desta réplica do Maserati 250F  de F-1 (foto arquivo Rod Tempero)

Rod representa a terceira geração dos Tempero no negócio de restauração de clássicos e construção de réplicas de alta qualidade: história iniciada pelo avô Alan, em 1946. Em 1979 foi a vez de Errol iniciar o filho no negócio que mais tarde seria vendido para terceiros. Não demorou muito e Rod decidiu continuar a tradição por conta própria e se consolidar no mercado.

 

A “linha de produção” vai do interior da oficina ao gramado… (foto arquivo Rod Tempero)

“Atualmente produzimos cerca de dois carros por ano, mas esse prazo varia de acordo com o projeto, assim como o preço. Um esportivo sem capota dos anos 1950, por exemplo, sai mais barato que um carro de corrida dos anos 1960.”

 

Projeto em andamento: Jaguar D-Type (foto arquivo Rod Tempero)

Projeto em andamento: Jaguar D-Type (foto arquivo Rod Tempero)

Entre as peças mais caras estão os motores e as caixas de câmbio e para conseguir itens fundamentais há soluções diversas. Segundo Rod, as três possibilidades mais comuns são comprar um carro da marca, as peças separadas ou aproveitar o que o cliente já possui.

 

Carros restaurados e, ao fundo, o company car" (foto arquivo Rod Tempero)

Carros restaurados e, ao fundo, o “company car” (foto arquivo Rod Tempero)

Uma empresa local, a Giltech, produz alguns itens como cabeçotes, coletores de admissão, cárteres e rodas. Projetos atuais incluem a construção de um Maserati 250F de F-1 e um Jaguar D-Type. Entre os carros já entregues destacam-se um Ferrari 330 P-4 e o 250 GTO, modelo que  você pode ver neste vídeo.

 

No Brasil

O país vive um momento interessante no mercado de restaurações: temos bons profissionais e a procura por aperfeiçoamento dos consolidados e formação de novos artesãos é grande. Recentemente a atividade ganhou uma nova tribo, dedicada aos karts clássicos. Embora existam restauradores espalhados por diferentes Estados, São Paulo é talvez o pólo mais importante dessa atividade que envolve customização, fabricação e restauração de automóveis nacionais e importados.

 

Alexandre Salzano (E) e Toni BIanco (foto arquivo Studio Salzano)

Alexandre Salzano (esq) e Toni BIanco (foto arquivo Studio Salzano)

Decano dessa arte, o italiano Toni Bianco é o nome mais importante desta mistura de entusiasmo, paixão e habilidade para dar a forma correta a um sonho ou a um renascimento. Alexandre Salzano é um dos discípulos de Bianco e, detalhe importante, dedica-se não apenas a recuperar carros em estado de decomposição, como a aperfeiçoar seu conhecimento e difundir a sua arte. Iniciado no assunto em 1978 como auxiliar de mecânica, atualmente Salzano exibe com orgulho passagens pela Contour Autocraft Academy, escola inglesa que foca na restauração mecânica e de arquitetura. A decisão o ajudou a trabalhar muito além do mercado de carrocerias em plástico reforçado com  fibra de vidro.

“Apesar de toda a experiência acumulada, incluindo a fabricação artesanal de itens de carroceria, percebi que, no exterior, mais especificamente na Europa, as técnicas de restauração eram muito mais avançadas. Em 2004, viajei à Inglaterra e lá aprendi como restaurar tais veículos, conhecimento que pretendo difundir no Brasil

Figura conhecida em autódromos e eventos, o engenheiro Ricardo Oppi admite que sua paixão pela restauração de antigos deve muito ao que aprendeu em seus tempos de preparador.

“A melhor escola que tive foram as pistas. Se não tem peça, vamos criar.”

 

Ricardo Oppi e o Aruanda, carro urbano projetado em 1965 (foto arquivo pessoal)

Ricardo Oppi e o Aruanda, carro urbano projetado em 1965 (foto arquivo pessoal)

Professor universitário com alunos espalhados por quatro faculdades de engenharia, Oppi dedicou boa parte de sua história para preparar carros de fórmula e hoje, a exemplo de Salzano, também ministra cursos e atua junto ao Clube do Carro Antigo. Entre seus trabalhos mais importantes destacam-se a recuperação do Fiat/NSU 1200 com carroceria Pininfarina e a restauração do Aruanda, projeto de carro urbano de Ari Antônio da Rocha premiado na Itália que este ano completa 50 anos.

 

A RE é focada em carros ingleses, como este belo Jaguar E-Type (foto R E Restaurações)

A RE é focada em carros ingleses, como este belo Jaguar E-Type (foto R E Restaurações)

Os amigos Richard Flynn e Eduardo Lambiasi formam uma dupla de perfil baixo e alta reputação, conseqüência da dedicação e qualidade do seu trabalho que é  focado em carros ingleses. Os dois tocam a RE Restaurações, que há vários anos funciona em galpões no bairro da Lapa, e sempre perto de onde funciona o MG Club do Brasil.

 

Fernando Batistinha se destaca na restauração de clássicos americanos (foto Batatinha)

Fernando Batistinha se destaca na restauração de clássicos americanos (foto Batatinha)

Para quem curte automóveis clássicos e não abre mão de uma mecânica mais apurada o contato mais indicado é o de Fernando Batista, da Batistinha Garage. Segunda geração da família a se envolver no negócio, Batistinha herdou a paixão pelo pai e pode ser encontrado na sua oficina no bairro da Barra Funda ou nas competições de Força Livre ou track days. Além do trabalho de restauração e customização, ele também comercializa uma linha de equipamentos esportivos.

 

Kart Mini de Maneco Combacau restaurado por Marcelo Afornali (foto Afornali)

Kart Mini de Maneco Combacau restaurado por Marcelo Afornali (foto Afornali)

Quem é fanático pelo kart também pode encontrar um novo caminho com a recente onda de restauração de karts clássicos. Além de associações e grupos voltados a essa vertente, dois nomes se destacam no trabalho de recuperar a memória do setor: Jayme Barbarisi, em São Paulo (SP) e Marcelo Afornali, em Morretes (PR).

 

Serviço:

Alexandre Salzano
Studio Salzano Funilaria Artesanal e Cursos
Rua Pedro de Godoi 137, S.Paulo (SP)
(11) 2341-6255
[email protected]

Ricardo Oppi
(11) 5011.9111
[email protected]
www.clubedocarroantigo.com.br

R&E Restaurações
Rua Dom João V, 435,  São Paulo – SP
(11) 3676-1425
[email protected]

Batistinha Garage
Rua Dr. Ribeiro de Almeida, 304,  São Paulo- SP
(11) 3392-2233/3392-4648
www.batistinha.com.br

Marcelo Afornali
(41) 3532-7852
www.museudokart.com.br

 

WG



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  • AlexandreZamariolli

    Nova Zelândia, terra de Bruce McLaren, Dennis Hulme, Chris Amon… e Burt Munro.

    • Wagner Gonzalez

      Muito bem lembrado, Alexandre. A vida do Burt Munro pode ser conhecida no filme The World’s Fastest Indian, produzido em 2005 e dirigido por Roger Donaldson. Interpretação magnífica de Anthony Hopkins no papel de Burt Munro.

  • Cafe Racer

    WG
    Parabéns pela sua iniciativa em divulgar o trabalho desse pessoal… Muito mais que restauradores são grandes artesãos que, num país, como o Brasil lutam arduamente em prol do antigomobilismo.
    Pessoas que com seu conhecimento e técnica difundem a cultura e fomentam a preservação e memória da nossa indústria automobilística.

    • Wagner Gonzalez

      Cafe Racer, pelo seu nick suponho que voce curta os restauradores das duas rodas. Estou certo? Obrigado pelo prestígio da sua leitura.

      • Cafe Racer

        Também gosto de motos , mas minha paixão são os carros. Principalmente os clássicos e em especial os esportivos!
        Sou antigomobilista há muitos anos e gostei bastante da sua matéria
        Abs.

  • Marcelo R.

    Muito obrigado pelos contatos no final da matéria!

    • Wagner Gonzalez

      Use e abuse.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Estes neozelandeses são o que eu considero autoentusiastas crônicos, sem chances de “cura”. Sensacional!

    • Wagner Gonzalez

      Esses “kiwi” – como os neozelandes são conhecidos – são muito gente boa!

  • WSR

    O kart Mini era interessante. Um dos meus tios teve um (lembro bem dos pedais), mas deixou a oxidação tomar conta e o kart acabou-se no meio do mato, sob sol e chuva, infelizmente. Wagner, poderia indicar alguma literatura sobre restauração de automóveis?

    • Wagner Gonzalez

      WSR – algo a ver com a equipe West Surrey Racing, do Dick Bennetts? – uma visita aos sites indicados e nos fóruns sobre o tema será possível obter alguma informação.

    • Wagner Gonzalez

      WSR, tanto o Alexandre Salzano quanto o Ricardo Oppi ministram cursos sobre o tema. Eles são ótimas fontes e certamente terão prazer em ajudá-lo.

  • Bera Silva

    Muito boa a matéria Wagner. Começou mostrando um trabalho de ponta feito lá fora e depois completou mostrando o que se faz aqui em nossa terra. No Brasil há bons profissionais e estes devem ser divulgados.

    • Wagner Gonzalez

      Bera,

      Temos expoentes de classe internacional em muitas áreas e é sempre um prazer poder mostrar esses artesãos.

  • Teresa Garcia

    Muito bom esse seu trabalho sobre restauração de clássicos aqui no Brasil e fora dele! Fechou! Perfeito! Parabéns Wagner Gonzalez! Como sempre, impecável! Teresa Garcia

    • Wagner Gonzalez

      Obrigado.

    • Wagner Gonzalez

      Obrigado, Teresa.

  • Leo-RJ

    Caro Wagner Gonzalez,

    Obrigado por nos brindar com esta excelente matéria!

    Abç!

    • Wagner Gonzalez

      Obrigado, Leo-RJ

  • vstrabello

    Acho demais o trabalho em funilaria artesanal, como o do Studio Salzano, quando houver oportunidade, quero fazer um curso lá com eles. Show!

    • Wagner Gonzalez

      Strabello,

      Sem dúvida é uma boa oportunidade para se aprofundar no campo da restauração e fazer novos amigos.

  • Wagner,

    Esse é aquele tipo de texto que a gente copia, cola num email e manda para a gente mesmo, para guardar. Você lê e sabe que vai precisar dele, um dia…

    Obrigado por compartilhar!

    Ainda acho um artista para dar uma geral na lata do Gol GT…

    Abs,

    • Wagner Gonzalez

      Bom saber que você gostou e poderá tirar proveito das dicas de serviço! Uma boa semana para você, Ricardo.

  • WSR

    Não, rs. WSR são as iniciais do meu nome. Apenas uma feliz coincidência, rs.

  • Juvenal Jorge

    Wagner,
    estive em Morretes há menos de uma semana. Estou me mordendo de raiva de não saber sobre o trabalho do Marcelo Afornari antes !

    Grato pelo texto, muito bom trabalho.

    • Wagner Gonzalez

      Acontece nas melhores famílias, caro amigo! Obrigado pelas palavras elogiosas.