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UM LUXO SÓ

GRANADA painel

Lembro-me dos idos da década de 1970, quando os engenheiros da Ford, eu inclusive, eram praticamente obrigados a dirigir e avaliar periodicamente os veículos da concorrência e da própria Ford para entender  a interação entre os sistemas, fazer engenharia reversa e descobrir detalhes construtivos operacionais e de acabamento, que pudessem ser aplicados no desenvolvimento de novos projetos.

Numa época em que a maioria dos veículos fabricados no Brasil eram praticamente desenvolvidos localmente, era muito importante entender o mercado e os detalhes importantes de projeto, para eventualmente aplicá-los.  A Ford mantinha uma frota grande de veículos para servir a engenharia, ao estilo do produto  e também ao marketing.

Hoje em dia, com a globalização dos produtos, os engenheiros são praticamente “de aplicação”, responsáveis pela implementação dos veículos mundiais, sem projetar nada de novo, praticamente copiando o existente. Os engenheiros passam o dia na frente do computador, administrando datas, reuniões, definição e cumprimento das etapas dos programas como um receituário padrão, sem nenhuma criatividade ou novas idéias. O fato é que a “mão na massa” praticamente desapareceu e isso foi o que me fez antecipar a minha aposentadoria. Eu sempre lutei, no bom sentido, para que a parte prática do processo fosse cada vez mais forte e que os engenheiros tivessem orgulho da profissão, entendendo profundamente o projeto em termos de causa/efeito e valorizando o trabalho em equipe. Deixarem de serem autômatos, enfim.

A Ford, em 1978, tinha acabado de lançar o Corcel II,  já pensando em projetar um veículo mais luxuoso, na realidade um sedã, que pudesse substituir o já antigo Maverick. Foram feitos vários estudos, inclusive um considerando uma nova plataforma e utilizando a mesma motorização 2,3-litros fabricada em Taubaté. O que ficou mais fácil, porém, foi adotar a mesma plataforma do Corcell II,  incluindo o seu motor e transmissão e projetar uma nova carroceria que representasse em estilo o que de melhor existisse na Ford Europa. E assim foi feito, com a importação de dois Ford Granada, um Mark I 1976/77 e outro já atualizado Mark II 1977/78, ambos produzidos na Ford alemã em Colônia.

 

ford granada mark I 1976

Ford Granada 1976 Mark I

propaganda granada Mark II 1978

Ford Granada Mark II 1978, propaganda europeia

As duas versões fizeram parte de uma “clínica” do departamento de marketing para verificar o gosto do consumidor brasileiro e o ganhador foi a versão Mark II, o “quadradinho”, que foi escolhido, então, como base para o novo projeto. Na realidade, as duas versões foram consideradas para a escolha dos materiais e acabamento interno.

 

granada mark I painel

Interior do Ford Granada 1976 Mark I

granada mark II painel

Propaganda Ford Granada 1978, Mark II

foto

Ford Granada Mark II, um luxo

Recordo-me do orgulho de fazer um “overnight” — ir com o carro para casa depois do trabalho —com o luxuoso Ford Granada Saloon (sedâ, na Inglaterra) Mark II, 4 portas, com motor V-6 2,3 litros de comando no bloco  (108 cv a 5.000 rpm), tração traseira, distância entre eixos de 2.769 mm, comprimento 4.650 mm, câmbio automático de 3 marchas e pneus 195/70HR14 com rodas de liga leve. Com 1.325 kg em ordem de marcha tinha a maciez de um Galaxie e um comportamento direcional digno de elogios, graças às suas suspensões independentes,  dianteira de duplo triângulo, traseira McPherson com grandes braços semiarrastados de articulação em diagonal, além da precisa caixa de direção de pinhão e cremalheira.

 

granada manual do proprietario

Ford Granada Mark II 1978, manual do proprietário original

Ford Granada suspensão dianteira por triângulos superpostos

Ford Granada, suspensão traseira por braços semiarrastados sem controle superior: McPherson

O Granada tinha uma versão perua, a Estate, como são chamadas na Inglaterra, que não foi prontamente considerada por motivos de complexidade e custos adicionais

 

GRANADA STATION 1

Granada Estate 1976

GRANADA STATION

Granada Estate 1976, habitáculo e compartimento de bagagem

E assim foi, o inicio do desenvolvimento do novo Ford para o Brasil, apelidado  de “Míni-Granada” pela sua incrível semelhança com o seu irmão mais velho.

Já na metade de seu desenvolvimento, a engenharia sabia o seu nome,  escolhido previamente pelo departamento de marketing. Creio que foi a primeira vez que um nome de batismo foi escolhido nos meio de um programa: Ford Del Rey.

A ordem foi caprichar, utilizando os melhores materiais de acabamento existentes, tanto nos bancos de veludo navalhado quanto  nas laterais das portas e  forração do assoalho em carpete.

O pessoal da  Oficina Experimental e a Ferramentaria da Ford se esmerou na fabricação de vários protótipos de duas e quatro portas para testes e avaliações.  Lembro-me como foi detalhada e profundamente desenvolvida a iluminação do quadro e painel de instrumentos do Del Rey, com tonalidade amarela e azul em contraste.

 

painel del rey

O inesquecível quadro de instrumentos do Del Rey,embora o conta-giros na direita contrariasse muitos, inclusive o Bob Sharp, eu saberia  anos mais tarde

O Ford Del Rey foi apresentado à imprensa em maio de 1981 na Ilha de Itaparica (BA), nas versões Prata e Ouro, duas e quatro portas. A grande expectativa para o evento compensou, pois o míni-Granada foi um sucesso imediato, com sua elegância e fino acabamento, nada comparável na época com exceção do Ford Galaxie.

 

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Um clássico!

Com o sucesso do Del Rey,  a engenharia aproveitou o embalo e começou a trabalhar em uma versão perua, que acabou sendo lançada em 1983 com o nome  Scala.

 

manual scala

Scala, manual do proprietário em sua primeira edição de janeiro de 1983

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Del Rey Scala, belíssima propaganda mostrada nas principais revistas 

Em 1984, a Ford resolveu revisitar o antigo projeto de um sedã maior que o Del Rey e com motor mais potente. Foi o projeto CDL-40 que considerava uma nova plataforma totalmente desenvolvida no Brasil e com motor 2,3-litros produzido  na cidade de Taubaté, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Infelizmente este elegante projeto foi cancelado e morreu no Centro de Pesquisas (CPq) da Ford em São Bernardo do Campo

 

CDL 40

Projeto CDL-40

CDL 40 a

Projeto CDL-40 mostrando a instalação do motor 2,3-litros; repare no que está escrito acima do teto: 2.3L E/W engine installation: motor transversal! E/W é de leste-oeste!

Como sempre, encerro a matéria com uma homenagem. Desta vez resolvi me homenagear, com saudade dos meus trinta e poucos anos e com muitas lembranças inesquecíveis.

 

delrey e eu 1

Eu filmando um Del Rey em teste de impacto contra guia no Campo de Provas de Tatuí

CM

Créditos: arquivo pessoal do autor, imagens Google

 

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

  • Lorenzo Frigerio

    O CDL-40 2 portas lembra bastante o Verona/Apollo.

    • Thiago Teixeira

      Não tem com não dizer que não foi inspiração.

    • Domingos

      Quando carregou o site, pensei o mesmo: opa, mais uma matéria da Autolatina.

      Mas parecia mais refinado, com mais porte e tamanho que o Verona e Apollo.

      Uma pena não ter continuado, mas o Santana reestilizado também o lembra bastante. Será que viram por lá e copiaram?

    • Michell Aristobolo de Mello

      Isso que eu iria comentar. Parece uma versão maior do Verona.

    • Fernando

      Era desenho parecido com o que houve também com o Orion (sedã Escort) e Sierra. Pelo porte o CDL-40 parece ter base no Sierra, o sedã é muito parecido com exceção do último vidro na coluna C que aparece no CDL-40.

      • Domingos

        Uma pena não termos tido nada do Sierra por aqui. Seria forte concorrente ao Santana e meio que navegaria sozinho, assim como foi o EcoSport.

        Não tinha sedã médio-grande por aqui, tirando o o Santana – que ficaria bem antiquado frente ao Sierra.

        • Fernando

          Por isso que eu não compreendia quando diziam (e vi isso em diversas publicações) que o Del Rey seria o sucessor do Landau.

          Até o Opala tinha certa concorrência, afinal eram os topos em carros de luxo das grandes fabricantes. Mas para ver como foi, ele fazia frente ao Landau e de repente a Ford tinha o Del Rey para fazer frente a ele (nada contra este Ford é claro, mas ele ter partido do projeto de um carro pequeno ainda tinha as limitações desse fato).

          Não sei se a atenção toda nessa época estar voltada para o Escort não tirou o foco de outro projeto simultaneamente…

          • Domingos

            Parece que a Ford no Brasil sempre gostou de ser marca de um carro só…

            Com o Sierra, em tempos de pouca concorrência, teria não só substituído de verdade o Landau como tirado mercado de todo mundo.

            Aliás, tenho minhas dúvidas se essa coisa tão segmentada daqueles tempos (Fiat para pequenos, VW nos familiares, Ford nos econômicos ou de Luxo e GM nos mais tradicionais) não era algum acordo da época para não roubarem mercado uma da outra.

            Tinham as leis de transferência tecnológica e não era qualquer um só falar “vou fabricar no Brasil” para entrar aqui…

    • Lorenzo Frigerio, a Autolatina com os modelos híbridos, veio depois.
      Você tem razão o Verona lembra um pouco o CDL-40

  • Davi Reis

    Acho curioso como muitas pessoas criticam hoje como as linhas se tornaram pasteurizadas com a tal identidade de família. Sem dúvida que tivemos grandes desenhos no passado (como ainda temos hoje, mas talvez em menor escala), mas vejo esse compartilhamento de linhas em muitos carros antigos. O Granada e o Del Rey são dois bons exemplos disso, já que são parecidos até na classe que que transmitem. Esse projeto CDL também me lembra bastante do nosso primeiro Verona, talvez um pouco mais bonito na versão quatro portas.

  • Matheus Ulisses P.

    Como bom fordmaníaco que sou, lamento muito o CDL-40 não ter vingado. A julgar pelas imagens seria um baita carro! Que pena!
    Obrigado Meccia por compartilhar suas experiências conosco! Confesso que são minhas postagens favoritas!

  • $2354837

    Sempre achei a perua Scala muito charmosa. Acabamento de primeira.
    Sobre o velocímetro do lado esquerdo acho exagero. Quase a totalidade das motos com dois instrumentos adotam esse esquema de conta-giros à direita e nunca ouvi ninguém reclamar disso.
    Sobre o nome a escolha foi tão feliz que até a cantora Lana Del Rey o adotou .

  • CCN-1410

    O Del Rey foi um dos meus sonhos de consumo daquela época e meu preferido era o azul de duas portas. Foi uma pena que a Ford não o tenha lançado com um motor mais potente, embora tenha sido um carro de invejável construção.

  • Thiago Teixeira

    O Focus MK2 RS (acho que a versão RS), que tem cor verde berrante, com 300 cv foi toda afinada em tentativa e erro. Ajuste fino feito na pista.

  • Heitor Wanussi Amaral De Olive

    Se tivesse sido produzido com certeza teria feito mais sucesso que o Verona e o Versailles.

  • Állek Cezana Rajab

    Nossa, muito bom o artigo (ou matéria). Embora não seja muito fã de Ford, mas acho o Del um carro fantástico. Tenho vontade de reformar um ou encontrar um em muito bom estado, mas, com motor AP obviamente.

  • Carlos A.

    Caro Carlos, muito interessante conhecer um pouco dos bastidores do desenvolvimento do Del Rey. Nessa época, eu ainda era muito criança, mas cresci passeando bastante em Corcel II, Del Rey e Belina Del Rey e sempre ouvi que os Ford eram referência em acabamento.

  • Mr. Car

    “Questão de requinte”, he, he! Poucas vezes na história deste país, o slogan de um carro foi tão adequado. Outro foi o “Absoluto”, do Chevrolet Omega. Me lembro que fiquei fascinado quando abri uma revista, naqueles tempos sem internet, e me deparei com um encarte de lançamento do Del Rey, com destaque para o “Ouro”, e fartas e coloridas fotos. O painel espetacular, lindíssimo e completo, o interior monocromático, as forrações em veludo, carpete grosso, as luzes de cortesia nas portas, o reloginho no teto, as belíssimas rodas, vidros elétricos, suas linhas, os cromados na carroceria… Como você bem disse, Meccia, um luxo só. Arrasou! O Del Rey foi um carro marcante, e pelo menos em mim, deixou saudade. Pena que não tenha evoluído para este “Del Rey II”, o projeto CDL-40. Também achei lindo, especialmente o quatro-portas. Uma curiosidade: sabe que fim levaram estes Granada importados para as “clínicas”? Estão guardados na Ford? Foram vendidos para alguém? Foram destruídos?
    Abraço.

  • Marcio Filho

    Esse tipo de matéria me da até arrepios. Que Del Rey lindo!!!!

  • Renato

    O painel era realmente a cereja do bolo. Apenas ele já deve ter sido responsável por muitas vendas.

    O relógio no teto também deve ter atraído alguns compradores.

    Renato

  • Harry Albuquerque

    Carlos Meccia, tudo bem?

    Li sobre os engenheiros “de aplicação”, mas hoje em dia ainda existem engenheiros “mão na massa”, não? Vemos carros camuflados rodando em testes, essas pessoas que testam esses carros são engenheiros, ou só estão realizando testes solicitados por engenheiros??

    Em anexo seguem algumas fotos de alguns modelos Fiat/Jeep.

    • Harry Albuquerque, os engenheiros de testes e calibração, principalmente, ainda fazem parte dos que dirigem bastante.

  • Leister Carneiro

    Este projeto CDL-40 , à primeira vista era para brigar na época e na faixa dele com qual carro mundial, estou errado?

  • Roberto Alvarenga

    Gostaria de entender por que o conta-giros à esquerda seria melhor… já tive carros com o conta-giros à direita e nunca me atrapalhou.

    • Roberto Alvarenga,
      É porque ao dirigir olha-se mais para a esquerda do que para a direita, especialmente em vias de mão dupla, para mais atenção ao tráfego contrário. Evidentemente, nos países de mão esquerda/volante na direita é ao contrário, o conta-giros deve ficar na direita. Quando dirijo Fiat e BMW volta e meia me vejo olhando para o instrumento errado.

      • Renan V.

        Estando conta-giros e velocímetro um ao lado do outro, bem na frente do condutor, corretamente espremidos atrás do volante, ou acima, é mesmo o caso de dizer que se olha para a esquerda ou para a direita no ato de consultá-los? Acho que basta olhar no painel, no “Cluster”. Particularmente, na estrada eu consulto muito mais a velocidade do que a rotação, deve ser senso comum. O resto parece mais ser questão de gosto ou tradição.

      • É porque você dirige muitos carros, rs…

        Mas isso é mais uma questão de adaptação, não?
        Quando eu tinha o Monza, com conta-giros do lado direito, e peguei o 206, do lado esquerdo, em pouco tempo me adaptei, rs…

        • CCN-1410

          Mike Castro,
          Com o tempo fica mais fácil quando se dirige apenas um carro, mas mesmo assim eu ainda prefiro o conta-giros no lado esquerdo.

        • Fernando

          Nunca foi algo que me incomodou para falar a verdadev(tenho carros com as duas orientações), e até por ser o lado para o qual mais olhamos sendo o esquerdo, me parece que até facilita justamente o velocímetro estar mais próximo.

          Com o costume com o próprio carro no uso cotidiano creio que poucos olhem muito para o conta-giros. Em pista sim a situação é a oposta.

          • Fernando,
            Se eu reclamo do conta-giros na direita é porque consulto-o sistematicamente. Para quem não consulta, tanto faz, é óbvio. Para mim é eliminatória, jamais compraria um carro que não tivesse o conta-giros na esquerda.

          • Fernando

            Entendo Bob, e respeito muito sua opinião de quem é muito mais experiente que eu. Somente ressalto como sendo a minha opinião, que uso sim e tenho certeza que mais do que a média dos motoristas(tomo por base quem conheço que dirige bem) e tendo os carros nas duas orientações não vejo desvantagem em um deles.

            Em outros carros até acho que um pior posicionamento dos instrumentos, uma cor muito brilhante no cluster ou nas bordas que acabam por refletir ou dificultar a leitura já me fizeram neste caso sim ter atrasos na percepção da instrumentação.

          • Antônio do Sul

            Bob, pode ser que eu diga seja besteira, mas acredito que seja um fator que possa estar relacionado à preferência na ordem de disposição dos instrumentos: assim como existem pessoas destras e canhotas, também nos diferenciamos entre aqueles que têm o “olho forte” esquerdo ou direito (e nem sempre quem é destro também tem o “olho bom” à direita, como eu, por exemplo, e vice-versa). No caso dos nossos órgãos duplos, um dos lados sempre tem um melhor desenvolvimento, talvez em razão da prevalência de um hemisfério cerebral sobre o outro. Se algum outro leitor for neurologista, praticante de tiro ou oftalmologista, peço que confirme ou corrija o meu comentário, por favor.

          • Antônio do Sul
            Isso até pode ter influência, porém eu estranharia dirigir em mão inglesa tendo o conta-giros na esquerda.

          • Lbreis

            Antes de ultrapassar confiro a rotação para confirmar a redução adequada. Sempre prefiro permanecer o mínimo possível na pista contrária por segurança. Em ultrapassagem saber a velocidade real é indiferente, vale mais a relativa, aferida visualmente com o carro à frente. Conta-giros à esquerda, nesta situação, fica na visão periférica ao conferir o retrovisor esquerdo. Resumo, acho que não é só para pista. Abraço.

          • Fernando

            Não sei o que houve com meu post em resposta, mas repito:

            Sem dúvida a utilidade e condição de uso para uma ultrapassagem, ou não necessariamente para ela, é indiscutível como é uma ferramenta de muita utilidade, tanto que eu defendo que todos carros tivessem conta-giros.

            Na verdade a minha opinião é referente não à sua utilidade, mas sim, de entre os dois(e não por meu uso, mas pelo que observo nos outros motoristas principalmente na cidade) o mais visto creio sim que provavelmente seja o velocímetro.

            Somente estou dizendo para que fique claro que não estou tirando nem um pouco a importância, pois se for ver eu mesmo sou dos que mais sentem a falta dele quando dirijo carros que não o tem.

        • Mike Castro,
          Acostumar-se é uma coisa, apreciar é outra.

      • Lorenzo Frigerio

        Velocímetro e conta-giros são adjacentes um ao outro, coisa de centímetros, então não faz a menor diferença qual está à direita, qual à esquerda. Sem contar que, em carros de rua, conta-giros é mera perfumaria.

        • Thiago Teixeira

          Tanto no meu Corsa B quanto no meu Tempra SX instalei conta-giros. No Tempra um novo painel do modelo completo e no Corsa um do tipo externo.
          No Corsa faço uso, quando em estrada, na faixa de 3.500~4.000 rpm, o que me dá velocidade real de 92~98 km/h. A importância, nesse caso, ganho de economia: 16,7 km/L.
          Para arrancada, o tempo é tão curto, a adrenalina tão alta e a visão de túnel tão fechada que o piloto nem vê. Sem shift acho que nem presta. Para corrida o Bob pode exemplificar melhor seu uso.
          Para maioria esmagadora dos motoristas, tudo é perfumaria no painel. Ou seja, na verdade perfumaria é o motorista.

        • Domingos

          Se você quer realmente dirigir de forma econômica, uma olhada no conta-giros de tanto em tanto é necessária.

          Em ultrapassagens, ladeiras e situações de maior exigência também.

          Só não é mais útil que o próprio velocímetro porque temos tantos radares.

      • Leonardo

        Nunca me incomodei com isso, para falar a verdade o único conta-giros que me desagradou foi o do Fox de primeira geração, que era minúsculo e de difícil leitura. Meu carro atual não tem conta-giros e nem sinto muita falta, basta decorar a máxima de cada marcha…

      • João Guilherme Tuhu

        Troquei um dos Renaults-Dacia agora há pouco por um Fiat, e estou sentindo esse mesmo problema…

      • $2354837

        Nunca reparei que Fiat tem conta-giros na direita…

    • Malaman

      Também não me incomoda em nada, pessoalmente acho preciosismo isso. O importante para mim é que o instrumento seja bem visível.

      • Malaman,
        Se não lhe incomoda em nada, por que será então que na maioria dos carros o conta-giros fica na esquerda? Você tem explicação? Até em carros americanos que tinham o instrumento na direita estão passando para a esquerda, caso oo Mustang.

  • Jad Bal Ja

    Muito interessante essa visão do “outro lado” da coisa. Pena que no Brasil reinasse a idéa de que carro tinha que ser 2-portas. O Del Ray 4-portas era muito mais bonito e racional mas vendia bem menos, era praticamente uma “avis rara”

    • Domingos

      Justamente o 4 portas parecia mais o mais harmônico Granada…

  • REAL POWER

    Novamente, parabéns pelo texto. Sabe dizer o que aconteceu com os carros importados que serviram de base para o projeto do Del Rey, e outros tantos?

    • REAL POWER
      Normalmente os veículos importados tinham guia de vinda e volta ao pais de origem. Eram devolvidos quando não eram mais de interesse.

      • Domingos

        Ainda hoje existe isso, não?

        • $2354837

          Sim, para não pagar impostos, ou então é destruído. Já vi muito produto caro entrando na marreta por causa disso. Chama-se importação temporária e há regras na Receita Federal.

          • Domingos

            Se me lembro bem, muito carro especial por aqui (a Renault costuma fazer isso) está nessa situação.

            O engraçado é que parece não ter limite de tempo para a permanência, desde que não seja nem emplacado e nem vendido.

          • $2354837

            Tem limite sim, são 3 meses. Para projetos acredito que 6 meses ou um pouco mais. Não podem ser emplacados, o máximo que pode acontecer é rodar com placa de fábrica.
            Importação temporária também vale para quem está fazendo viagem por aqui com carro emplacado fora.
            Por curiosidade, carros comprados na Zona Franca de Manaus quando em viagem pelo país devem portar tal documento. As regras são as mesmas, já que são importados sem impostos.

          • Domingos

            Olha, conheço alguns “protótipos” e “veículos de teste” que já estão há vários anos aqui, porém sem emplacar. Não sei se nesse caso acabaram pagando os impostos ou fizeram algum outro esquema. Será renovável esse período?

        • $2354837

          Quer uma história cômica de como é isso? Tenho um amigo que fez uma viagem de moto até o Chile, no retorno a moto quebrou e retornou de guincho. Quando chegou na divisa do Brasil na alfândega ele foi obrigado a descer a moto da plataforma e passar com ela empurrando para não ter que pagar imposto de importação, por repatriação. É mole? Pense em coisa mais ridícula…
          Um outro estava em algum lugar da América e quebrou a moto e resolveu trazer de frete aéreo. Estavam cobrando imposto de repatriação, coisa de 40% do valor da moto nova, um absurdo. Estava brigando na justiça e não sei qual o resultado que teve.

          • Domingos

            Ambas as motos emplacadas no Brasil?

            Bom, chega a ser extremamente cômico mesmo.

            Embora regra de fronteira e aduana sejam meio estranhas mesmo, muitas vezes com bons motivos, essas aí realmente…

  • Eduardo Palandi

    De lado, o CDL-40 parece bem inspirado na primeira geração do Scorpio europeu, que já devia estar em desenvolvimento avançado. A traseira, em compensação, me parece o futuro Taurus americano, lançado uns anos depois.

  • Franklin Weise

    A meu ver, algo que prejudica o Del Rey visualmente frente ao Granada são as bitolas estreitas. O Granada parece mais bem assentado, já que tem bitolas bem largas. Já o Del Rey sempre conviveu com as rodas muito para dentro na carroceria. Sim, eu sei que é herança da plataforma Corcel e não havia muito a fazer.

    • Além do entre-eixos, que fazia os balanços serem bem longos…
      Um pouco mais de espaço entre eixos e nas bitolas, faria o Del Rey ser muito mais harmôonico do que é.

      • Jose Grau Ramazzotti

        Aproveitando a sugestão, aquelas rodinhas aro 13, ainda mais com 3 parafusos aparentes, eram de lascar! Herança da plataforma Renault, como disseram acima…

  • Newton ( ArkAngel )

    A lateral traseira do CDL-40 4- portas tem um quê do Daewoo Espero.

  • Rafael Ribeiro

    Meus pais tiveram um Del Rey 2-portas, comprado pouco depois de lançado. O requinte do interior é a maior lembrança que guardo, a iluminação dos instrumentos, o relógio digital no teto, os vidros elétricos, sistema de som de boa qualidade, tudo me passava a impressão que meus pais subiram de padrão social, na minha cabeça de moleque… Depois veio o lançamento do Chevrolet Monza, e este passou a ser o sonho de consumo deles, pois era nitidamente mais moderno, espaçoso e potente (na versão 1,8l).

    • Mr. Car

      E a minha impressão de “subida social” do velho, quando ele passou de uma Variant I para um Monza hatch (mesmo sendo o standard)? Agora meu pai tem um “carro de patrão”, eu me orgulhava, he, he!

  • Renan V.

    Meccia,, para que tanta nostalgia e desdém aos novos engenheiros e modos de projetar, se os carros de hoje são tão melhores e superiores do que os de antigamente? É mais ou menos como em “confissões de Schmidt”, onde o personagem interpretado pelo Jack Nicholson acha que o vendedor de seguros novato não sabe nada, enquanto ele sabe tudo…Por que, enquanto dirijo tenho que abaixar a cabeça e inclinar o corpo para ver o lindo quadro de instrumentos vermelho e azul da Pampa do meu pai, sendo que na Saveiro 87, tudo aparenta estar em seu devido lugar, inclusive os pedais?

    • Renan V.
      Muito pelo contrario, eu incentivo e valorizo sempre os novos engenheiros que querem fazer o melhor com toda a dedicação. O que acontece, é que as receitas prontas não condizem normalmente com a criatividade do profissional.
      Obrigado

      • REAL POWER

        Carlos Meccia
        Eu cheguei a pensar em fazer engenharia mecânica. Não fiz, talvez pelo fato de justamente ver tanto engessamento da profissão em alguns sentidos. Meu amado pai foi sem dúvida o melhor encanador da minha cidade enquanto esteve vivo.Essa conclusão não é apenas minha, mas de muitos outros profissionais, que ele formou nas aulas que deu no Senai, única escola profissionalizante da época. Era freqüentemente consultado por novos engenheiros civis quando estavam projetando algo novo. Várias vezes apresentavam as plantas e meu pai dizia que tava errado, se recusava a fazer o serviço se não alterassem o projeto. Ele costumava a chamar os engenheiros novos de “engenheiros de obras prontas”, pelo fato de não saberem a fundo o que estavam fazendo. Ele dizia que tinham que ter mais horas de prática no chão da obra que atrás de uma mesa.

        • Marcelo Henrique

          Lembrei de um mecânico que conheço.
          Ele ficava nervoso quando via uma coisa que deveria ser simples de trocar mas devido a posição da peça ele tinha que desmontar meio mundo de coisas e xingava os engenheiros! (rs)

        • $2354837

          Depois de ter feito técnico em mecânica eu larguei a engenharia no segundo ano. Motivo: falta de oportunidade e os bicos que fazia em cada de programacao e aulas me davam mais dinheiro que as oportunidades que me davam como técnico ou estagiário de engenharia.
          Sem falar que mesmo sendo técnico mecânico me tentavam empurrar estágio de engenharia por 1/3 do salário do mercado.

    • Diplo86

      Sinceramente não percebo desdém, mas vejo que é uma crítica muito válida. Por diversas vezes tive a impressão ao comprar alguns produtos, que os executivos, engenheiros, etc, daquela fábrica não devem fazer uso dos mesmos, pois existem erros gritantes. Faz parte do exercício da profissão sair de traz da mesa (ou do computador) e ter contato com produtos e pessoas.

  • Luiz_AG
    De que lado mesmo é mão no Japâo?
    Se você ouviu ninguém reclamar disso provavelmente se deva a poucos prestarem atenção a detalhes. Então responda: por que será que a esmagadora maioria dos fabricantes monta o conta-giros na esquerda?

    • Daniel S. de Araujo

      Bob, é engraçado que o painel de alguns veículos, por mais bonito que fossem tinha algo que me incomodava. E somnte com seu comentário (algum tempo atrás) sobre a posição do conta-giros é que percebi que todos tinham em comum, o conta-giros na direita, soando algo forçado, antinatural. Era assim com o Del Rey Guia, a Ford F-1000, Escort Guia nacional 1983-1986, VW Santana, Kadett, Monza. No final, pelo fato do seu olho direito estar vendo o conta-giros, você acaba mais concentrado nele que no velocímetro.

      Sobre isso, a grafia mais bonita de painel (ponto de vista) em termos de disposição, layout e fonte dos numeros ainda é essa daqui

      http://images.quebarato.com.br/T75x75/painel+de+instrumentos+original+de+gol+gti+16v+novo+sao+paulo+sp+brasil__321D3D_2.jpg

      • m.n.a.

        pra quem curte os “cronomac”, eu sou fanático !

        com um certo bom gosto e qualidade de instalação, espero que aprovem…

        adivinhem os veículos….

        o da foto noturna é “provisório”, pra compensar o instrumento original….diz a lenda que a “série quadrada” foi a pior desse veículo….o ponteiro oscila….

        • Diplo86

          O painel do Del Rey sempre será um marco do bom gosto, mas esse do Diplomata 85-87 também está entre aqueles que deixaram saudade (apesar do conta-giros à direita). Os quadradinhos em alto-relevo traziam um enorme requinte e sensação de acabamento sofisticado, sem dizer que era algo inédito para a época. Acho inclusive mais bonito do que os 88 em diante.

    • Luiz_AG

      Tive 3 motos européias que todas tinham conta-giros á direita. Inclusive com o escapamento do lado contrário das japonesas, do lado esquerdo.
      Acredito que o conta-giros no lado esquerdo seja pelo mesmo motivo da onda de SUV’s que dominam as ruas… Ou a iluminação branca que dominou os dashboards… Mesmo sabendo que o âmbar avermelhado é a melhor cor para um painel… Nada muito racional.
      Segue o painel da BMW F-650:
      http://www.bike-urious.com/wp-content/uploads/BMW-F650GS-4.jpg

  • Mário César Buzian

    CM, que coincidência: ontem mesmo fui vistoriar um Del Rey Ghia 2- Portas1984/85 Marrom Sândalo com ar-condicionado e direção hidráulica, da família do proprietário desde novo e que acabou sendo vendido ao meu cliente. Veículo imaculado, totalmente original e funcional, pintura perfeita sem retoques, interno conservado, tudo funcionando como novo.
    Depois de rodar uma quadra com o carro, voltei ao meu Sandero 2012 e fiquei pensando de como houve evolução em vários parâmetros construtivos e “involução” no que se refere a acabamento e cuidados na produção de um carro. DUVIDO que um carro como o meu sobreviva por 30 anos e fique desse jeito, lindo, soberbo e delicioso ao guiar, mesmo depois de tanto tempo.
    Definitivamente não se faz mais carros como antigamente…

    • Mário César Buzian,
      Os veículos atuais tem melhor fechamento da carroceria, melhor tratamento das chapas e melhor pintura. A parte dinâmica, freios e suspensões / direção também tiveram um salto positivo.
      O que falta é mais carinho com a interação dos sistemas.

      • $2354837

        Também acredito nisso, para quem viveu conte o tempo para trás:
        em 2015 e um carro 2005 – A maioria em bom estado;
        em 2005 um carro 1995 – Geralmente bom estado.
        em 1995 um carro 1985 – Difícil achar um que não tenha problemas de ferrugem;
        em 1985 um carro 1975 – Geralmente massa para todo lado para encobrir a ferrugem. Uns 80% de chance do motor estar queimando óleo. Trincas e rachaduras bem visíveis. Dificilmente se acha um Fusca com assoalho original que não tenha sido corroído pela ferrugem.

        O mundo não parou em 30 anos. Mesmo que o Del Rey fosse feito até hoje, com melhoras somente nos processos e materiais empregados na construção, ele seria muito melhor que um Del Rey de 1985.

        • Luiz AG,
          Gostei do seu comentário, parabéns !

        • André Stutz Soares

          Eu que o diga: tenho um carro 2005, portanto com 10 anos de uso, que tem tudo absolutamente funcionando… nunca deu dor de cabeça.

    • Danniel

      Que carro lindo!

    • Newton ( ArkAngel )

      Obviamente não é regra, mas a maioria encara o carro atualmente como um eletrodoméstico…assim como para muitos, dirigir é um mero detalhe. Sendo assim, não há mesmo interesse que um carro dure muito, o que interessa é criar moda e vender, vender e vender.

  • Renan V.
    Por isso aprecio conta-giros (na esquerda) superposto ao velocímetro (Celta, por exemplo), ficam no seu campo visual instantâneo. Lembre-se que a maioria absoluta dos carros tem o conta-giros na esquerda, significando haver um motivo para isso, coincidência é que não é. Sempre que posso sugiro à Fiat que faça isso. Aliás, no 500 Abarth ele fica na esquerda.

  • Christian Govastki

    Meccia, pena que esta Ford com acabamento esmerado, com bancos de veludo seja coisa do passado.

    Sinto muita saudades do meu Escort Zetec e do Focus Mk1.

    • Christian,
      Os bancos da Ford em veludo navalhado, em minha opinião, são imbatíveis até hoje, inclusive em durabilidade do tecido.

  • Renan V.
    Respondo eu, independente de se o Meccia o fizer. Você não nota a quantidade absurda de convocações para reparo/correção dos dias de hoje? Se é tudo tão perfeito e testado, como você acha ser, por que tantas convocações? Você tem explicação?

    • Filippe

      Devido à grande produção atual de automóveis em relação à produção de décadas passadas. Possivelmente se fossem aplicados os métodos atuais de detecção de problemas, os carros antigos também teriam sido convocados aos montes.

    • Renan V.

      Hoje as exigências são maiores, o mundo é globalizado, os carros são vendidos em vários países. Aplique-se a idéia que há de recall hoje nos projetos antigos… Não sobraria pedra sobre pedra. Muitos recalls também são feitos para sanar problemas que afetam um carro no lote de um milhão de carros… É menos problema de engenharia do que problema de juristas.

      • mecânico anônimo

        Um dos motivos para o maior número de convocações hoje é porque antigamente não havia essa preocupação toda com a segurança e a responsabilidade do fabricante. Cito um exemplo: No Astra G (nacional) de 1999 havia uma abraçadeira de plástico na mangueira de combustível ao conector rápido, no compartimento do motor. Com poucos anos de uso, essa abraçadeira falhava, deixando pingar combustível sobre uma área logo acima do tubo de escape. Nunca houve convocação para sanar esse defeito, mas se fosse hoje, com certeza haveria, pois o risco de incêndio era óbvio. O procedimento para reparo, segundo o “manual” do fabricante, era a substituição de toda a seção frontal da tubulação de combustível, que não era barata, provavelmente por outra peça igual, que viria a falhar novamente. Nós mecânicos independentes simplesmente cortávamos a abraçadeira plástica e colocávamos uma metálica no lugar, de rosca sem fim, solucionando o problema definitivamente com custo quase zero.

        • $2354837

          Mecânico Anonimo, falou tudo. Muitos defeitos eram consideradas “características”. Só olhar o manual do veículo… Auto-rádios e pneus haviam claramente texto indicando que procurassem seus fabricantes. Peças de consumo simplesmente não entravam na garantia. Lembro ter lido em manuais antigos da VW a frase “o carro não será trocado em hipótese alguma”.
          Imagina isso hoje.
          Lembro até hoje o problema no meu ex-Tempra que era crônico, a perda de fixação da caixa de direção, nunca assumido pela Fiat.

          • Domingos

            Vários Fiats e alguns Alfas tinham isso na década de 90! Era realmente absurdo…

        • Cristiano Reis

          Sem falar que naquele tempo não havia internet, a fábrica poderia receber várias reclamações, mas os proprietários nunca iam saber de alguém que tivesse o mesmo problema, a não ser que fosse seu vizinho.

    • Uber

      Para mim, essa desculpa de que hoje em dia há mais preocupação e por isso há mais recalls é igual aquela lorota de que não há mais corrupção no governo, é que se passou a investigar mais…
      Ah, tá…

  • Mr. Car,
    Normalmente os veículos importados tinham guia de vinda e volta ao pais de origem. Eram devolvidos quando não eram mais de interesse.

  • Fernando

    Bem, os carros de hoje estão superiores em diversos quesitos por diversas melhorias de processos, materiais e também é claro o conhecimento acumulado ao longo do tempo. Também não podemos pensar que são trabalhos “do zero”.

    Mas não invalida nem os engenheiros antigos, nem faz os carros do passado perderem seu valor, até porque quando se diz em melhor, precisa de um ponto de referência e se há nostalgia ou saudade de algo, é que não se fez mais algo da mesma forma.

  • MrBacon

    Excelente texto, Meccia! O CDL-40 provavelmente influenciou o projeto do primeiro Ford Verona, não? As lanternas, a posição da placa, a parte traseira do protótipo 2-portas…

  • MrBacon

    Lembro quando meu pai saiu de um Chevette SL 1983 para um Escort L 1989… uau, que upgrade! O carro não tinha nem retrovisor do lado direito, mas lembro dos meus colegas de colégio acharem que era um carrão – eu particularmente gostava do carro, quase foi meu primeiro, mas meu pai não pode esperar eu juntar o dinheiro necessário.

    • Domingos

      Certeza que o Escort L não tinha espelho do lado direito?

      Meu pai também teve um desse modelo e ano e os tinha. Mas não sei se era opcional…

  • Matheus Ulisses,
    Obrigado e continue prestigiando o Ae

  • francisco greche junior

    Imagino que legal deve ter sido poder colocar mais as mãos na massa, menos computador. Belos tempos.

  • Fórmula Finesse

    De acordo!

  • Fórmula Finesse

    Parte da minha formação como motorista (antes da carta) é oriunda também das experiências com a linha Del Rey; o painel da Belina era simplesmente inconfundível, primoroso, parecia em minha mente juvenil, os mostradores de um jatinho…
    Carro macio, bem acabado, confortável e civilizado – bem casado com o motor 1800 cm³ da Volkswagen, ótimas lembranças.
    Parabéns a um dos pais dela, parabéns Meccia!

  • Eduardo Silva

    “Perfumaria” não. Concordo que não há grande prejuízo sua falta para o motorista comum, mas é uma grande diferença para um entusiasta.

  • Mineirim

    Não vou nem falar do Del Rey. Todos sabem que sou fã.
    Reparem no painel do Granada. Os instrumentos pequenos também estão ali!

  • Lorenzo,
    Preste atenção que faz diferença. Talvez você não tenha percebido, mas faz. Quanto a ser perfumaria, para mim é item essencial. Gosto de saber a quantas rotações o motor está, sempre, mas respeito quem não se interessa por esse dado.

  • Antônio do Sul

    Meccia, eu imagino a decepção dos engenheiros da Ford com o cancelamento do projeto CDL-40. Qual foi a razão a razão do seu encerramento precoce? Até que fase de desenvolvimento vocês trabalharam nele? Chegaram a fazer alguns protótipos?

    • Antonio do Sul,
      Ficou no papel, em um modelo em escala que foi testado em túnel de vento e um modelo em argila escala 1:1.

      • Antônio do Sul

        Uma pena. Pelas fotos, seria um carro de classe internacional, que poderia até ser exportado para mercados mais exigentes do que o nosso. Em estilo, não devia nada ao Sierra. Acho que foi um desperdício de talentos o não uso, pela Ford, já naquela época, da engenharia brasileira para o desenvolvimento de projetos mundiais. Há algum tempo, não sei onde, li uma versão de que chegaram a considerar o uso do Maverick como base para o seu substituto, mas que, por questões de custos, o Del Rey derivou do Corcel. Essa história é real ou é lenda?

        • Antônio do Sul,
          O CDL-40 tinha um estilo excepcional para a época e deveria ter sido utilizado.

  • Francisco Bruno de Figueredo F

    Apesar de ter apenas 16 anos em 1983 eu era apaixonado pelo Del Rey Ouro 4-portas. Quem já viu aquele painel à noite nunca o esquecerá, como uma vez disse o José Luiz Vieira (Motor 3), digno de uma verdadeira odisséia no espaço.

  • ccn1410

    Na década de oitenta o chefe de engenharia de um determinado produto agrícola de excelente qualidade, enorme e complexo, tinha apenas o segundo grau e vários engenheiros sob suas ordens.

  • Daniel S. de Araujo

    Você já pensou viver sem celular, sem computador, sem softwares de simulação de desempenho, com calculadora de manivela, sem telefone e ainda assim ter que desenvolver muitos componentes partindo do zero, sem um conhecimento prévio? Já imaginou desenvolver uma obra de relojoaria como eram alguns motores de antigamente, tudo na base da experiência e da régua de cálculo? Desenhar as coisas na mão, sem auxilio de CAD e Plotter para sair imprimindo projetos?

    Não se trata de ser ludista nem desejar o retorno as técnicas da década de 40, mas depreciar o trabalho de engenheiros que construiram todo um conhecimento, é no mínimo absurdo. E vou mais longe, ao Engenheiro de hoje falta muitas vezes ele sair de seu escritório confortável com ar condicionado e ir a campo conhecer a realidade onde funcionará seus projetos. Como o Bob Sharp bem disse, provavelmente teriamos tantos “recalls” como vemos hoje!

    • Renan V.

      É, antes era mais difícil, mas tinha charme na coisa. Hoje não. Mas você acha fácil usar todos esses programas? E quem disse que eu depreciei o trabalho de alguém?

      • Daniel S. de Araujo

        Da maneira como escreveu ficou esquisito.

        • Cristiano Reis

          Eu não achei que ele depreciou ninguém, para falar a verdade ele só defendeu que os engenheiros de PC como estão dizendo aqui também merecem respeito no seu trabalho. Afinal não é tão fácil dominar os programas e interpretar dados abstratos…

  • Cafe Racer

    Meccia,
    Nunca entendi o por quê da Ford não ter utilizado o 4-cil. OHC 2,3 nos Del Rey. Era um motor robusto e confiável, que a estava disponível há tempos em nosso mercado. Penso que não seria difícil encaixá-lo à plataforma Corcel II.
    Não creio, que elevaria muito o preço final do carro, ou o deixaria menos econômico. O “motor de Corcel” sempre foi o calcanhar de Aquiles do modelo e o deixava em desvantagem em relação a seus principais concorrentes…
    O Del Rey teria ganho muito como produto com uma motorização adequada à sua proposta de carro refinado.
    Com certeza vocês da engenharia também torciam por um motor maior…

    • Lorenzo Frigerio

      Se você olhar o cofre do motor desses carros, verá que há uma travessa atrás do motor. O 2.3L era muito grande para encaixar ali. Se fosse fácil mudar aquilo, a Ford teria feito. Ademais, o 2.3L era basicamente para exportação.

      • Daniel S. de Araujo

        Realmente a travessa atrás do CHT era grande mesmo e o próprio VW AP coube no cofre mas não sem um certo malabarismo. E o AP é um motor bem compacto…

    • Fat Jack

      Cafe, não posso garantir a consistência da informação, mas o que ouvi até hoje é que impedimento era decorrente do maior peso dessa motorização, o que alteraria a distribuição sobre os eixos…

  • Nelson

    Só uma correção: “Numa época em que a maioria dos veículos fabricados no Brasil ERA”.

    Gostaria de saber mais sobre o fato da parte dianteira do Del Rey parecer tanto com o Corcel II. Por que essa escolha, custos? Saía tão mais caro assim fazer algumas mudanças? Acho que uma diferenciação maior do Corcel teria feito muito bem à linha Del Rey.

  • João Guilherme Tuhu

    Maravilhosa matéria. Quase comprei na época, um Del Rey-Granada 1991 AP 1.8, com aquela alavanca de câmbio VW…Ah, andei mas não comprei…

  • Thiago Teixeira
    Usávamos o sistema de girar o conta-giros de modo que na rotação de troca o ponteiro ficasse na vertical, que a visão periférica permitisse vê-lo. Nem se precisava olhar para o conta-giros, era só o ponteiro ficar na vertical e, marcha para cima.

    • João Guilherme Tuhu

      Prezado Bob. Não havia um tacômetro com dois ponteiros, um deles fixo, para marcar a posição exata de troca?

      • Tuhu,
        Vi você comentando hoje e ia lhe externar o meu prazer de vê-lo de volta, você andou sumido! Havia conta-giros (acho feio tacômetro, embora correto) que tinham dois ponteiros, mas só um retornava após a rotação chegar a determinado ponto. Isso permitia ao chefe de equipe ou engenheiro do carro saber a que rotação o motor chegou e com isso avaliar o comportamento do piloto no trato com o motor, especialmente em caso de quebra. Esse ponteiro auxiliar (apelidado de “dedo duro”) só podia voltar a zero apertando-se um botão mínimo por trás do instrumento, que o piloto não alcançava sentado em seu banco.

        • João Guilherme Tuhu

          Ando muito ocupado, prezado guru. Forte abraço.

  • Luiz_AG
    Pois eu tenho dificuldade em consultar o conta-giros na direita, é anti-natural para min e, sendo assim, me permito escolher e manifestar minha opinião quando há oportunidade. E parabéns à Aprilia pela sábia escolha, arrumação perfeita.

  • Domingos

    O Corcel II era muito bonito para a época e, bom, certas dimensões básicas só se mudam usando plataformas diferentes.

    Acredito que fazer um Corcel bem luxuoso era a idéia mesmo. O trabalho ficou bom, já que apesar de serem basicamente o mesmo carro não são tão associados assim.

    Na verdade, até o perfil dos colecionadores de um e outro é bem diferente.

  • Domingos

    Quantos Del Reys nesse estado você conhece? Eu conheço uns 2. A maioria está deplorável.

    Não que hoje muita coisa não seja feita para durar pouco mesmo, porém não vejo como nada impossível um Sandero mantido em igual estado estar ainda melhor que esse Del Rey daqui 30 anos.

    • $2354837

      Vejo mais que Santana. Muitos no interior dos anos 70. Isso que francês não presta… Donos são relaxados e mesmo assim o carro não quebra.
      Essa linha francesa da Ford junto com os fuscas acostumaram o brasileiro mal, a não fazer manutenção preventiva. Só colocar gasolina e óleo que o carro anda a vida inteira.
      Enfim, só olhar para os carros dos anos 80 e vê-los atualmente para saber que carro é bom. Dificilmente tem um Santana em perfeito estado, muito mais fácil encontrar Monza e Del Rey em bom estado.
      Carro de colecionador não vale, tem até Laika em perfeito estado.

  • Antônio do Sul

    Se a utilização do motor Geórgia era inviável, a Ford poderia ter estudado outras alternativas, como o uso de um compressor mecânico para vitaminar o CHT, por exemplo. Infelizmente, o Del Rey só foi ganhar um motor mais condizente com o seu refinamento quando estava em fim de carreira. Mesmo assim, passou a usar o AP-1800 quando os concorrentes (Monza e Santana) já utilizavam motores de 2 litros.

    • Domingos

      Acho que em 1980, colocar um compressor em um carro nacional seria mais fácil aprovarem um reprojeto total para um carro onde coubesse um outro motor de uma vez.

      • Antônio do Sul

        Mas lançar um novo motor ou reprojetarem o Del Rey para tornar viável a instalação do motor de 2.300 cm³ exigiria um investimento bem maior. Instalar um compressor não parece ser algo tão difícil, principalmente para a engenharia de uma fábrica, já que oficinas de preparação conseguem fazer essa adaptação.

  • Fernando

    Concordo, não só você faz isso mas eu também e creio que todos que tem um conta-giros.

    Mas realmente me refiro a um tempo relativo de ser mais usado, não discutindo sua utilidade. Infelizmente nesse caça-níqueis arrecadatório que vivemos creio que já não tenha cidade que o motorista não consulte o velocímetro constantemente, então se numa situação hipotética fosse “perder” um deles seria sim o conta-giros, como aprendi a dirigir sem ele e consegui me virar nessa que é a mais difícil fase do motorista.

    • lbreis

      Fernando, Boa noite. Concordo. Mas quando se conduz pensando no radar e por isso na velocidade, provavelmente se está olhando à frente e não à esquerda. No fluxo do trânsito, a 40 ou 60 km/h, a posição do conta-giros talvez não faça diferença, mas a do velocímetro também não. Já numa ultrapassagem, talvez o uso mais freqüente do conta-giros, seu posicionamento à esquerda me parece ter as citadas vantagens funcionais.

  • Lbreis,
    Você deu um exemplo perfeito de uso do conta-giros, parabéns. Por isso é importante que esteja não na esquerda, mas “no lado de fora”, ou off-side, como dizem os ingleses.

    • Lbreis

      Fiquei lisonjeado com um elogio vindo.do editor rsrs. Ah, lado de fora seria na coluna A, ou próximo disso?

  • Rafael Ramalho

    Muito legal a matéria. Na minha turma do MBA, temos um amigo brasileiro, que atualmente esta em Michigan, trabalhando no desenvolvimento do futuro 3-cilindros 1,5 da Ford. Nosso case para estudo, era sobre uma fornecedora de injetáveis canadense para a Ford, e meu grupo, trabalhou na análise da campanha de lançamento do Ford Fiesta, aqui no mercado norte-americano. Uma coisa hoje esta bem clara, carro virou commodity, não existe mais carro ruim ou mal construído, até mesmo características de fabricantes foram atenuadas, como a dureza da VW e maciez da Fiat. A lei é produzir dentro do padrão, com menor custo possível, o caixa precisa gerar lucro, ainda mais no caso da Ford, que saiu da UTI há pouco tempo. Resumo: da engenharia antiga, sobraram apenas saudosismo, ser engenheiro hoje é antes de tudo ser gestor e operador de PC.

    • rafaelaun

      Bem por ai. Commodity de produtos acabados.

  • Renan,
    Sem a menor dúvida! Por isso o ideal é a solução do novo Audi TT, poder-se escolher entre conta-giros–velocímetro pequenos com o mapa no meio, conta-giros–velocímetro grandes sem o mapa, e um grande conta-giros central com janela de velocímetro de leitura digital — em qualquer caso com leitura “Wolfsburg” como essa do 911.

    • Renan V.

      Sim, tem o velocímetro digital em laranja, bateu o olho, leu! Tudo sobreposto, no caso de um painel tão lindo, “Superposto”.

  • Diplo86

    Lindo carro! Parabéns ao dono! Este Del Rey não anda, desfila!

  • mecânico anônimo,
    Davam importancia sim,tanto é que a Ford fez seu primeiro recall (convocação) brasileiro nos idos de 1970, com o Corcel

    • Luiz_AG

      Alguns casos sim Meccia. O caso do banco do Fox, nunca assumido pela VW. Trabalhei com O&M e nos descabelávamos em projetos para ter o máximo de segurança ao operador, fazendo de tudo para evitar que ele colocasse um dos membros dentro de uma prensa, por exemplo. Aí me vem a VW e me fala que o condutor “Não leu o manual”. Ora, seria obrigatório então que a VW fornecesse curso de orientação para todos os passageiros dos veículos inclusive crianças que poderiam sofrer acidentes dentro do carro.
      Sempre achei um absurdo esse posicionamento da VW.

    • Renan V.

      Qual foi esse recall, para resolver qual problema do Corcel Meccia?

      • $2354837

        Desgaste acentuado dos pneus dianteiros, causado por um ajuste complicado de alinhamento de direção. A Ford fixou a caixa em uma posição média para diminuir o problema de alinhamento.
        Mecânico ruim sempre nos perseguiu…
        Detalhe: Hoje eles fazem errado, sem base técnica nenhuma e lhe xinga se você os corrigir.

      • Renan V.
        Veja a nossa matéria “O primeiro recall brasileiro” no Autoentusiastas

  • Malaman

    Isso mesmo Real Power, Marcelo Henrique e ccn1410, para que estudar? Bobagem esse pessoal que faz curso superior.
    Quem sabe um dia ainda entendo o por quê desse ranço cultural do brasileiro com a educação.
    Depois reclamam que o país é subdesenvolvido.

    • REAL POWER

      Malaman.
      O fato de eu não fazer uma faculdade, não significa que eu seja inferior a você caso tenha feito. Não fiz por que não quis, simples assim. Melhor do que fazer faculdade imposta pela família, fazer algo que não gosta e depois se tornar um profissional (nesse caso nem tanto) enrustido. Quem faz o que faz apenas por dinheiro, como exemplo, Longe de mim viver dessa forma. Com certeza o estudo é tudo de bom, mas educação vem de berço, juntamente com princípios e formação de caráter e esses sim são os mais importantes para o uma nação evoluir. De nada adianta saber tudo sobre matemática, astronomia se o cidadão é mal caráter. A prática, a mão na graxa tem mostrado ao longo dos anos ser uma eficiente ferramenta para evolução profissional. Já conversei com engenheiros mecânicos que sabiam mil fórmulas e cálculos de motor, mas não sabiam sequer posicionar um comando de válvulas sem marcações. Ou seja, não sabiam os princípios básicos de sincronismo de um motor, que são os mesmos para todos. Abraços.

  • Barrsos

    Não tinha, nem como opcional, mas era comum os compradores na época mandarem instalar já na concessionária.

    • Domingos

      Se me lembro bem, meu pai comentou algo do tipo há muitos anos (reclamando dessa questão do retrovisor).

      Porém faz muito tempo, não tenho certeza. Sei que o nosso tinha.

      Provavelmente você está certo. O estranho é que o Escort L não era tão básico assim para um carro da época a ponto de ser normal ele não vir com retrovisor direito, mas vai que foi a tendência lançada por Uno e Gol 1000…

  • Renan

    O painel do Del Rey é algo que marcou, e aquele relógio no teto…. hmmm

    Gosto de saber o que poderia ter vingado. A Ford tinha muita coisa boa para competir lado a lado com a concorrência ou ser superior, uma pena que muitos projetos engavetou.

    Para quem gosta de detalhes do modelo tem um vídeo que recomendo:

    Fica com dica, poderiam pegar um Vw Santana (Bob), Opala (MAO), e fazer um vídeo assim, contando detalhes do modelo de carros que tiveram. Sei que pode ser um mais do mesmo, mas, é interessante ver a perspectiva de quem tem amor por certo modelo de carro.

    Abraços;

  • Luiz_AG,
    Agora que você percebeu a diferença vai passar a achar estranho o conta-giros na direita, esteja certo disso, porque é de fato.

  • Fernando

    Eu até senti um pouco disso, mas o principal motivo de eu não ter feito engenharia foi condição mesmo, não me envergonho nem um pouco da origem.

    Acabei seguindo outra coisa que aprendi praticamente no berço e passando em uma faculdade estadual, assim não tive outra oportunidade igual. Acabei não contando essa parte quando o Wagner Gonzalez me perguntou se eu era engenheiro, no evento do Bob, mas acho que eles compreendem.

  • RoadV8Runner

    Da mesma forma que ocorreu com o Focus Mk1, agora entendo por que o Del Rey foi um carro especial, com visível percepção de qualidade nos detalhes de acabamento: o projeto foi bem executado desde o início, na fase inicial.
    O painel de instrumentos é um dos mais bonitos já produzidos por aqui, além de trazer instrumentos extras, algo muito raro por estas bandas. O maravilhoso tecido navalhado dos bancos é um caso à parte, a começar pelos tons em bege e marrom que foram oferecidos durante toda a existência da linha Del Rey.
    Uma pena que àquela época vivíamos tempos difíceis, onde os custos tinham que ser reduzidos ao máximo, o que fez que bons projetos fossem cancelados em prol da sobrevivência da empresa (qualquer coincidência com os tempos atuais não é mera coincidência…).

  • Bela matéria! é bom saber que trouxeram um Granada para o Brasil, mas uma pergunta? Então essa história que disseram que o futuro carro sucessor do Maverick que usaria a base do Maverick quatro-portas (o tal do Maverick II) é lenda? É uma pena que o sucessor do Del Rey não tenha visto a luz do dia.

    • XRS250,
      O chassis do Maverick nunca foi muito promissor, principalmente as suspensões e direção, alem de ser muito pesado

      • Então tá, muito obrigado pelas dicas!, mas enfim eu acho que poderiam modificar a direção: trocar por pinhão e cremalheira, afinal hoje muitos adaptam pela caixa do Omega por exemplo e no caso da traseira poderia tentar molas helicoidais, mas enfim carro que originalmente tem suspensão por feixe de mola fica complicado adaptar molas helicoidais.

  • Fat Jack

    “…Infelizmente este elegante projeto foi cancelado e morreu no Centro de Pesquisas (CPq) da Ford em São Bernardo do Campo…”
    Nunca vi tantos bons e promissores projetos “morrerem no ninho” como na Ford nacional…, uma pena com certeza.
    O Del Rey era um carrão, com certeza, tanto que mesmo com uma motorização com menores rendimentos de desempenho incomodava bastante a concorrência tendo como grandes destaques a dirigibilidade (esta impressionante desde a primeira geração do Corcel), a economia e o conforto (tanto de acabamento interno quanto dirigibilidade), quanto à Scala, por anos ela foi símbolo de sofisticação (também ainda as acho lindas, ainda mais na primeira geração, como a da foto).
    Para mim o painel desses carros beira a perfeição (inclusive quanto a disposição dos instrumentos, pois prefiro a disposição – apesar de não fazer questão dela – com conta-giros na direita).

  • MrBacon

    Olá Domingos, acho que era opcional, eu tinha 14 anos na época e lembro bem que meu pai mandou instalar o dito cujo no lado direito – tanto que o esquerdo tinha comando interno e o direito, não.
    O motor CHT 1.6 era muito bom em baixa, o carro era muito econômico, mas na estrada faltava um pouco de potência e a suspensão confortável não inspirava confiança para abusar da velocidade.

  • Renan V.

    O que importa é que você entendeu.

  • Cafe Racer,
    O problema da Ford, na época, sempre foi no âmbito de motores.

  • Aeroman

    Parabéns pelo artigo. Sou engenheiro e concordo plenamente com sua observação sobre os métodos de engenharia atuais. Em tempos de “faz na China” nossa arte está sendo esquecida atrás de Word, Project e Excel

  • Antônio do Sul

    A versão quatro portas (pela foto, acredito que seja o modelo feito em argila, escala 1:1) lembra muito o primeiro Taurus, mas com alguma coisa, acho que o vinco lateral da carroceria e as maçanetas, dos Escort MK3/MK4. Os pára-choques envolventes remetem aos Ford europeus da década de 80. Como o motor seria montado na transversal, acredito que vocês fossem usar a caixa de câmbio do Escort, só que redimensionada aos maiores torque e potência do motor Geórgia.

  • Cristiano Reis

    O up! que eu dirigia não tinha conta-giros, o que eu fiz foi decorar a velocidade de corte da 2ª e 3ª marcha, para não ter nenhuma surpresa ao ultrapassar, como uma vez ocorreu num Palio 1,0! Foi tenso! No caso do up! são a 80 e 120km/h respectivamente.

  • Ah, Meccia eu me esqueci de citar no meu comentário anterior.

    A Ford argentina queria fazer um Falcon II, mantendo a plataforma, mas com o visual do Granada e não foi por questão de custos, pena que na época a Ford argentina dava as costas para a brasileira e vice-versa, naquela época só o próprio Georgia OHC 2.3 seguia para a Argentina e o seis cilindros 221 de 3.6 litros vinha para o Brasil. creio que se justassem forças na época, o custo do projeto seria viável e creio que se fosse vendido no Brasil teria esses motores que eu citei como espelho para Opala, eu sei que você falou que a base do Maverick não é muito promissora(afinal Maverick e Mustang I são decendentes direto dele).

    Mas mesmo assim acharia mais viável que o Del Rey, mas enfim o Del Rey ao menos era mais barato de fazer, já que ele vinha de uma base mais simples.

  • Lorenzo Frigerio

    O Granada II lembra bastante o Audi 100/5000S, especialmente o modelo de 1983 a 1991:

  • Lbreis,
    Como você pode ver, fiz a pequena correção no seu comentário anterior solicitada. Esse “lado de fora” refere-se ao lado do carro. Esse modo de exprimir o lado vem dos ingleses, possivelmente devido à mão de direção que utilizam. Por isso, em vez de dizerem ‘direita’ ou ‘esquerda’ ele dizem ‘lado de dentro’ (near side) ou ‘lado de fora’ (off-side), tomando a calçada como referência. Daí eu ter dito “lado de fora”, o que indica que o conta-giros fica sempre no lado de fora, isto e, à esquerda quando a mão de direção é direita (volante na esquerda) como a nossa ou esquerda (volante na direita) com a dos ingleses e japoneses, por exemplo. Se ficou dúvida, diga.

  • Rafael Ramalho,
    Gostei do seu comentário que traduz com exatidão o que está acontecendo. Você entendeu o meu ponto de vista muito bem

  • Rafael Schelb

    Impressionante como esse projeto CDL-40 parece uns 10 anos à frente do tempo dele. Tem toda cara de carro de meados dos anos 90.

    • Concordo Rafael, e foi desenhado no estúdio de estilo da Ford no Brasil.

      • Rafael Schelb

        Belíssimo trabalho, pena que a mentalidade do marketing e da turma da grana nunca acompanha a da turma do estilo e da engenharia. Um carro desses, lançado nessa época, teria tudo para impactar de forma tão decisiva o mercado, que poderia estar muito mais avançado hoje. É uma pena que tenha sido engavetado.

  • Marcus Quintanilha

    Meccia gosto muito dos seus posts.Noto que o Verona 1990 da Autolatrina principalmente a lateral traseira foi inspirado no projeto CDL 40.Meu pai foi diretor de uma ccs Ford nos anos 80/90 e apesar de eu ser adolescente na epoca me lembro como as pequenas mudanças que realizavam nos carros eram comemoradas, novas cores,calotas,rádios adequações técnicas feitas no motor como os chamados de CHT E-MAX no final da década de 80.
    Tive a feliz oportunidade de participar da convenção de lançamento da linha 87 no hotel Intercontinental no Rio de Janeiro.
    Lembro com se fosse hoje meu pai conversando com o finado engenheiro Luc de Ferran, a ele foi perguntado sobre a adoção do motor injetado ou 1.8 já que a estrela do evento era o XR3 reestilizado,ele como sempre fumando seu indefectivel Marlboro respondeu… acabamos resolver o problema de desgaste acentuado do pneu dianteiro direiro da F4000 alvo na época de muita reclamação da rede e proprietários,novos motores?? Quem sabe no futuro.

  • Marcus, obrigado pelo elogio. “Finado engenheiro Luc de Ferran”, ele está muito vivo até o que eu sei.

    • Marcus Quintanilha

      Nossa que gafe, um amigo me disse e já faz tempo.Peço desculpas.
      Quando vem o próximo post?

  • Rodolfo

    Mostrando no painel 8.000 rpm em um WV AP 1.8-L ou 2.0-L é pra acabar com o motor… Tenho um Gol GL 1990 – 1.8-L e o manual diz para não passar de 6.100 rpm para não comprometer a vída útil.

    Conheço uma pessoa que recentemente fez retífica em um Gol 1.8-L ano 1988 e tem um conta-giros que marca até 11.000 rpm e acelerou até 9.000 rpm… depois disso um cilindro parou de funcionar. Ele trocou tudo do sistema de ignição e nada… aposto que ele quebrou anéis do pistão. Ele vai levar no mecânico pra ver o que é de fato.

  • Renato Bissoli

    Tive um Del Rey 1.8 GLX 1990, que carro delicioso de se guiar!

    Quando comprei, minha namorada torceu o nariz, mas quando guiou….Mudou de opinião na hora!

    O que pesa contra é o motor sempre raquítico para seu motor, Independe de 1,6 ou o AP 1,8.

    Mas no geral, carro mto bom!! Sem comparação com alguns que estão no mercado hoje!!