Sobre carros e torneiras

 

Young woman driving car  Sobre carros e torneiras Woman driv huffingtonpost

Viajar e dirigir são duas das minhas grandes paixões. E adoro juntar as duas: dirigir quando viajo ou viajar dirigindo – neste caso, mesmo quando não percorro grandes distâncias. Metaforicamente falando.

Mas por mais que goste e por mais que já tenha feito as duas coisas sempre tem alguma pegadinha. É inevitável pagar micos, especialmente fora do Brasil. Até alguns anos atrás eu tinha uma teoria que foi parcialmente desmontada pelas importações maciças e pela massificação das viagens. Eu acho que por mais que se aprenda um idioma sempre somos pegos nos detalhes – e, na minha teoria, as torneiras encabeçavam a lista dos itens com os quais não tínhamos nenhuma familiaridade. Quando no Brasil tínhamos uma torneira para água quente e outra para água fria, uma de cada lado da saída da água, lá fora havia um festival de opções: torneira com sensor de proximidade, outras com monocomando, algumas com sensor tipo pedal no chão, outras com acionamento por pressão, e por aí vai. Isso sem falar nos belos designs nada funcionais em que mesmo havendo dois comandos, um para água fria e outro para água quente não dá para ter a menor idéia de como fazer água sair de lá de tão complicados que são. Puxo? Empurro? Giro? E o que dizer das duchas com chuveiro manual? Que atire o primeiro sabonete quem nunca molhou todo o banheiro do hotel enquanto tentava desesperadamente pegar o chuveirinho manual que mais parecia uma cobra ensandecida apenas porque não percebeu que ao abrir o registro a água sairia pelo esguichinho e não pela torneira. ..

Com carros não poderia ser diferente. E não me refiro apenas ao câmbio automático que fez muito brasileiro ser quase ejetado pelo pára-brisa ao pisar no freio no lugar da embreagem. Refiro-me aos micos e confusões em geral. Já mencionei aqui o grito a orelha que levei quando meu marido foi ultrapassar um ônibus escolar que estava parado numa rua dos Estados Unidos. Mas claro que não foi o único, pois embora eu me prepare sobre algumas coisas no país que vou visitar nunca, mas nunquinha mesmo, consigo abordar tudo.

Anos atrás me emprestaram um Audi Quattro nos Estados Unidos. Chegou lindíssimo, vermelho, zero-quilômetro, um modelo que fazia as pessoas virarem na rua para olhar. Foi entregue completo e com o tanque de gasolina cheio. OK. Saímos então, depois de passar uns 10 minutos nos familiarizando com os comandos e de boas gargalhadas com o acionamento do aquecimento de banco e das piadas que surgiram disso. Até aí, nada de muito diferente do que conhecíamos. O problema apareceu na hora de encher o tanque. A tampa estava no lugar convencional, mas, como abri-la? Não tinha lugar para colocar a chave de ignição, então fomos procurar alavanquinhas e pininhos que pudessem ser puxados/apertados ou algo assim que pudessem comandar a abertura do tanque. Nada. Só conseguimos abrir o porta-malas. Depois de uns cinco minutos meu lado mulher não resistiu e decidi ir perguntar ao caixa dentro da loja de conveniência. Bem humorado, o sujeito perguntou se eu tinha um martelo. “A hammer?” perguntei, achando que tinha entendido errado. “Sim, se você tiver um é só bater com força na tampa do tanque. Não tem como não funcionar”, disse sorrindo para mim. E gentilmente foi até o carro comigo e mexeu atrás da placa do carro que destravou o acesso ao tanque. Pronto, problema resolvido.

O idioma é outra e nos micos de viagem. Certa vez estávamos meu marido e eu viajando pela Alemanha de carro. Ele só sabe dizer em alemão meia dúzia de palavras úteis e “caneta tinteiro” e apenas porque achou a palavra engraçada (“Füllfederhalter”) quando estudou a língua de Goethe por um breve período. Eu, apesar dos meus mais de seis anos de estudo não tenho fluência, mas me viro pois como ele diz, aprendi vários idiomas apenas para não perder a oportunidade de falar — e tem razão. Voltando à história, estava eu dirigindo e ele me ajudava como navegador, lendo todas as placas das ruas que cruzávamos pois estávamos à procura de uma em especial. Ele sabia que “Strasse” significava rua e logo na segunda travessa cravou, com muita segurança: “EinbahnStrasse”. Mas essa não está em nenhum mapa. Quer dizer “rua de mão única”. Tivemos de encostar o carro até parar de rir.

Dizem que a maior cidade da Alemanha é “Ausfahrt” pois toda estrada tem uma seta indicando como chegar. Eu mesma já fui para lá várias vezes, às vezes querendo às vezes sem querer – é apenas “saída” em alemão e aparece em todas as Autobahnen.

 

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Ausfahrt é a cidade mais conhecida da Alemanha (foto barbaraschliessen. artillerie.org.summer.hostorama.ch)

Nós tomamos uma advertência na Bélgica, que vem a ser algo antes de uma multa, por não deixar o ticket do estacionamento no painel dentro do carro num estacionamento público. Mas como saber onde se tem de deixar o ticket e onde você tem de levá-lo com você se muda de cidade para cidade e de país para país? Em alguns eles dizem expressamente para não deixar o comprovante no carro. Em minha defesa, estávamos numa minúscula cidade do interior e as explicações estavam em flamengo ou, mais corretamente, neerlandês. Já acho muito termos conseguido fazer toda a operação com as máquinas em neerlandês… e como de fato havíamos feito o pagamento ficou claro para as autoridades belgas que não houve má fé.

A falta de familiaridade com os hábitos de outro país cobra sempre seu preço. Um amigo nosso conseguiu uma façanha. Ao chegar a Miami, o grupo do meu marido se dividiu em dois e cada um alugou um carro no aeroporto. O primeiro saiu do estacionamento pela entrada e sem ainda ter entregue os papéis da liberação, furando os dois pneus da frente nas garras que existem no chão. Ai o pessoal do grupo de trás gritou e avisou que havia furado os dois pneus e ele, ainda sem entender o que tinha feito, resolveu encostar o carro logo adiante para ver o que tinha acontecido. E, claro, furou os outros dois. Não conheço mais ninguém que tenha esse feito em seu curriculum.

 

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Passar por estes obstáculos no sentido correto é fácil – já no inverso… (foto roadshak.com)

Certa vez meus tios estavam nos Estados Unidos e estacionaram perto de um restaurante. Desceram todos e meio quarteirão depois meu tio, preocupado, disse que não havia gravado o nome das ruas onde parara. Meu primo, então com seus oito anos, disse tranquilamente: “Não se preocupe, papai, eu sei. Quase na esquina de One way com one way”.

Mudando de assunto: incrível a largada de Felipe Massa na Inglaterra. Mas igualmente incrível a lambança na estratégia da Williams. E deu para ouvir (apesar de um certo locutor insistir em falar o tempo todo, inclusive quando aparece o aviso de mensagem de rádio) o Bottas querendo parar antes. Deve ter se mordido de raiva pensando: eu avisei… Foi pena, pois os dois deram um show.

NG

Foto da abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autoria e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Domingos

    Hahaha, vi a foto e falando sobre pagar micos e já sabia: ia falar do Ausfahrt.

    Quando fui a primeira vez, eu e meu pai também falamos “nossa, deve ser uma enorme cidade, tem dezenas de placas e saídas para ela!”.

    Quase chegamos a errar caminho, pois pensávamos que pelas placas não era a saída certa a pegar.

  • ccn1410

    Com meu Palio Essence é um pouco diferente, mas também constrangedor. Sempre que paro em um posto de combustível desconhecido, preciso dizer para dar uma batidinha na portinhola do tanque, caso contrário ela não abre. Muitas vezes o frentista não entende e fica com cara de poucos amigos a pensar que esqueci de puxar o dispositivo. Certa vez quando repeti várias vezes para dar a batidinha, o frentista não gostou e ainda me disse vários impropérios. Coisas da vida, hehehe…

    • Malaman

      Mais fácil você descer e abrir a portinhola do que ficar repetindo..

  • RMC

    Uma coisa que confunde nos Estados Unidos é que em alguns estados é permitida a conversão à direita caso a via esteja livre, mesmo com sinal fechado. De vez em quando levo buzinadas por estar em dúvida se no estado em que estou isto é permitido ou não e então eu paro. Atualmente já há em vários lugares placas “No turn on red”, o que ajuda bastante.
    Outra coisa é dirigir em países com mão inglesa: nos primeiros momentos a gente sempre fica em dúvida sobre qual pista pegar ao fazer a conversão em cruzamentos.
    Talvez um dos lugares mais bem sinalizados e com motoristas educados seja a França. A única dificuldade é quando eles fazem dois balões (rotatórias) contíguos. Bem, tem também a Place de L’Etoile, em Paris, que é uma confusão só. É divertido observar o trânsito do alto do Arco do Triunfo, com gente saindo de todas as ruas e outros querendo entrar. Já passei por lá algumas vezes e sempre é um fator de stress.
    Quanto às torneiras, assino em baixo.

    RMC

    • Nora Gonzalez

      RMC, quanto ao Arco do Triunfo, evito o lugar de carro. Sempre acho que não vou conseguir sair onde preciso e que ficarei dando voltas até o combustível acabar e ai ser finalmente resgatada.

  • Mr. Car

    Não ser do lugar tem destas coisas. Dependendo da situação e do local, o caso pode ser cômico, constrangedor, perigoso, e até trágico.

  • Carlos Miguez – BH

    Com a história da tampa do tanque de gasolina, lembrei que uma vez fui chamado à oficina de um amigo meu para tentar descobrir aonde ea a alavanca de abertura do capô do motor de um Suzuki Gran Vitara V-6, acho que 97. Pois é, naqueles tempos pré-internet, descobrimos 2 horas depois: dentro do porta-luvas.

    • Nora Gonzalez

      Carlos Miguez – BH, no caso do Audi, por exemplo, a tampa do tanque não abre se as portas não estiverem destravadas. Já parei em posto fora do Brasil em que tinha de pagar primeiro para que a bomba liberasse o combustível e, claro, tranquei o carro. Adivinha o que aconteceu?

    • nelson taniguchi

      Nossa, parece uma pegadinha!! É que o carro é japones, mão inglesa, mudaram o volante, mas não a alavanca. Preferiram economizar um pouco e deixar o cliente com raiva, manchando o nome da empresa.

  • jr

    Os micos parece que sempre me mordem também. A lista é bem grande… só para lembrar alguns dos mais para gorila:
    1) não conseguia abrir o tanque do carro. Quando não dava mais para não abastecer, achei por milagre um posto com alguém lá (naquela região da Itália os postos nunca tinham funcionários… nem havia caixa, vc. só podia pagar direto na bomba em dinheiro ou cartão, e os postos não têm nem lanchonete ou mini-mercado) e que mostrou a manha… nunca ia adivinhar.
    2) sempre que pego um carro pergunto: qual o combustível? Sei que sempre é diesel, mas pergunto assim mesmo. Uma vez não perguntei. Na hora de abastecer, preferi conferir. Não achei no documento (não mesmo), na porta, na boca do tanque! Nesse caso pedi ajuda para um sr gerente do posto, que também não consegui identificar. Muito tempo depois alguém teve a ideia de olhar no chaveiro da chave (…), era gasolina. Bom, tinha desconfiado que era gasolina pelo consumo exagerado, sabia que a bomba não jogaria combustível errado, mas, pagar o mico não tem preço.
    3) tem um posto de pedágio entre Versalhes e Paris como duas cabines. Uma automática (cartão) e outra com um atendente. Poxa, até então sempre preferia passar pela automática, em qualquer pedágio, para pagar com o cartão. Pois nesse posto (por duas vezes, …) a máquina com cartão não aceita cartões internacionais… e é incrível, basta eu entrar neste pedágio que aparecem muitos carros do nada, num lugar super vazio, Lógico, fiquei preso e tive de pedir ajuda ao operador da cabine, no meio da chuva e frio. Isto aconteceu duas vezes, no mesmo lugar, pelo menos em anos diferentes… eta…
    4) esta foi mais uma pegadinha que um mico. Indo para o hotel em Madri, tinha de entrar numa ruazinha, senão não tinha como chegar ao hotel. Segui o GPS, segui por ruas normais, mas estreitas, e tudo bem. Um mês depois chegou a multa, pois passei por uma área de trânsito restrito, onde apenas moradores e polícia/bombeiro/ambulância pode circular. Analisando pelos mapas na internet verifiquei que não há como chegar ao hotel, no centro de Madri, sem passar por esta quadra com trânsito proibido. Como poderia imaginar? Como contornar isso? Até agora ninguém me contou o segredo.
    5) descobrir onde estão os botões e a funcionalidade do painel é sempre um desafio. O carro em que foi mais difícil me localizar foi uma new Meriva (o mesmo que era movido a gasolina), tudo era estranho para mim. Para começar, a única tomada dentro do carro ficava entre os bancos dianteiros beeem para trás, para trás inclusive do freio de estacionamento. o cabo do meu gps era comprido, mas não tanto, nunca vi isso. Sofri bastante também para ligar o limpador traseiro. Só dias depois usando o carro é que notei um interruptor minúsculo (um botãozinho preto) na haste do limpador do para-brisa, Muito pequeno, muito pequeno.
    6) devolver o carro no carrossel do Louvre ou Montparnasse. Bom, como odeio devolver o carro… mas sempre pago mico em Paris, sempre. O estacionamento no Louvre tem uma entradinha (tudo bem, não é tão pequena assim) que dá acesso à entrada subterrânea de dois estacionamentos. Um de serviço do Louvre e outro de estacionamento mesmo. A primeira vez que tive de parar lá… estava tudo fechado, bom, tive de deixar o carro na rua e levar o gerente da Hertz comigo a pé, imaginem a cara do nosso amigo. Mais recentemente, à noite, com chuva, hora do rush, várias pessoas conversando no carro que se recusavam a me ajudar a ver a “entradinha”, cansado de dar voltas, tive de dar uma improvisada… bom e Montparnasse… aquilo é um estacionamento do tamanho de uma cidade. E para achar o lugar de parar o carro?
    Bom, já tomei espaço demais, mas os micos são muitos mais.

    • Nora Gonzalez

      Jr, vejo que não sou a única… Quanto à Espanha, ano passado estive em Granada de carro e deparei com o mesmo problema. Para encurtar a história, pelo menos na Andaluzia, basta passar a placa e modelo do carro para o recepcionista do hotel. Toda noite eles enviam às autoridades locais a informação sobre os veículos dos hóspedes que são imediatamente retirados no sistema. A multa não é emitida e você fica supertranquilo. Fácil, fácil.

    • César

      Estive recentemente na Europa, onde dirigi por cerca de 2.500km entre Espanha continental e Ilhas Baleares, França e Itália.
      O que mais me chamou a atenção é que em todos os (pouquíssimos para os nossos padrões) postos de abastecimento existe um aviso nas bombas dizendo “pague antes de se servir”. Ora bolas, se pretendo encher o tanque e não sei quanto vai dar, como vou pagar antes de me servir? Com receio de ser advertido, resolvi perguntar a um sujeito que vestia camiseta de locadora e se servia, o que significava realmente o aviso. Explicou-me ele que era uma bobagem sem tamanho e que mesmo ele jamais havia entendido o significado, e que eu poderia pagar depois sem qualquer problema. Bem, menos mal.

      Viajei sem a famigerada carteira de habilitação internacional. Vou correr o risco, pensei com meus botões. Pois o fato é que não encontrei uma viatura de polícia, uma fiscalização, uma barreira, um fiscal de trânsito ou de zona azul, nada, absolutamente nada. Parei numa cidade do interior francês e comecei a catar moedas para pagar o parquímetro. Porque o útimo desejo de qualquer viajante é pagar uma multa em Euros. Fui abordado por um morador local: “Você vai pagar? Ninguém paga.” Mas e a fiscalização? O sujeito riu. “Fiscalização? O que é isso?”

      Quanto a andar de carro em Paris, me nego: é um verdadeiro balde de água fria nas férias de qualquer um, autoentusiasta ou não. Muito embora uma das coisas mais divertidas de Paris seja observar aquela rotatória do Arco do Triunfo. É fantástica.

      • Jr

        Acho que Paris saturou nos últimos anos. Mas eu pego o carro no aeroporto, ao chegar, e saio para o interior ou outro país, dai volto de carro até a capital, Paris por exemplo, deixo as malas, fico mais um ou dois dias com o carro para visitar algum lugar fora da capital e devolvo o carro. Ficar com o carro em capital ninguém merece, vou de taxi. De táxi pois estou em férias, não vejo graça em perder a vista dentro de metrô, questão de gosto.

      • jr

        Quanto a carteira, na verdade ela é apenas uma cópia traduzida da nossa. A PID (permissão internacional para dirigir, se não me engano) tem de ser acompanhada da CNH, sozinha não vale nada. Ela não é obrigatória, mas daí o policial não pode alegar que não compreende o que está escrito na sua CNH.
        Eu costumo levar a PID, aqui no Paraná já é emitida pelo DETRAN, em 5 dias úteis. Custava uns R$30,00 a última vez que fiz. Tem a validade da CNH.

    • Marco

      O hotel deveria ter lhe perguntado se você chegaria de carro. Informando a placa, a prefeitura não emite a multa. Na itália, pelo menos, é assim.

      Mas tomei uma multa no centro de Milão em outubro/2014. Estou esperando chegar. A locadora já me cobrou pelo repasse das informações.

      Um inferno dirigir naquele centro. A placa que indica o trânsito restrito tem umas 25746 exceções, e cada cidade são diferentes. Quando você percebe, já passou por ela e a câmera te flagrou, a não ser que estacione o carro e leia a placa…

      Edit. Estive em Paris em 2010. Estava hospedado numa numa paralela à champs elysees. Fui buscar o carro na Europcar perto do arco do triunfo, num estacionamento subterrâneo. Lembro que era domingo e a champs elysees estava fechada para o trânsito porque estavam montando um jardim na avenida. Tentei de todas as maneiras chegar no apartamento que havia alugado, mas com a avenida fechada era impossível. Não teve jeito. Fui pela faixa exclusiva do ônibus e entrei numa contramão, que era a ruazinha bem estreita do apartamento. Era domingo de manhã e não havia ninguém mesmo. Caso contrário, iria deixar o carro longe e levar a bagagem andando mesmo…

      • Jr

        Marco, o pior é que eu disse que ia. Sempre que viajo de carro peço informações de acesso, pois carro na Europa dentro da cidade é complicado, na circulação e no estacionamento. Mas, nesse caso não prestaram atenção.

  • César

    Pois é Nora, mas veja o que eu escrevi acima: no caso de enchimento do tanque, como vou pagar antes?

    • Nora Gonzalez

      César, assim como você,também descobri que tem exceções. Mas nos Estados Unidos já tive de estimar um valor (baixo) para o que ia gastar. Liberaram o abastecimento e depois voltei para pagar a diferença.

  • Marco

    Não é mico, mas em Viena, a zona azul é como algumas cidades brasileiras. Não tem parquímetro; compra-se o cartão na tabacaria. Até aí tudo bem.

    O problema é que dependendo da zona da cidade (central ou mais afastado) o preço é diferente. No entanto, não há placas informativas.

    Algumas ruas também permitem estacionar somente de um lado da via, sendo o outro reservado aos moradores, prática comum na europa. Mas informação de onde seja zona azul ou área destinada aos moradores? Nada.

    Cheguei a questionar alguns lojistas em tais ruas se poderia ou não estacionar, pois via tudo vazio…Me diziam que não sabiam explicar e era mais fácil parar o carro num estacionamento privado!

    • jr

      Isso é uma das coisas mais desgastantes e que me faz pensar 10 vezes antes de pegar um carro: onde vou poder parar. A sinalização muitas vezes inexiste (os locais “já conhecem”) ou é dúbia. Isso de poder parar ou não é de lascar. Muitos hotéis legais, especialmente em cidades pequenas, ficam em locais sem acesso ou acesso restrito por carro. E quando tem acesso tem sempre uma sinalização proibindo estacionar. E como é que vc. faz se não pode parar o carro, por exemplo, para simplesmente se registrar e deixar malas? Ah, para isso pode! Como assim?
      O fato é que eles também têm o “jeitinho” deles e acho que é tão confuso para nós quanto o nosso “jeitinho” deve ser para eles.
      Uma outra coisa que me enlouquece é aquela de vc seguir por rua claramente sinalizada de mão única e, de repente, aparecer aquela placa que proíbe a circulação de carros, ou seja, vc. não pode seguir em frente. Como é que é, a rua te leva para um local da onde vc. não pode sair??? É um sumidouro de carros? Bom, o que resta é (1) voltar de ré (o que nem sempre é viável, (2) voltar pela contramão, (3) ignorar o sinal de proibido andar de carro. Me vi nessa situação em Gent / Bélgica. Fiquei paralisado tentando descobrir o que fazer, quando uma sra passou e me disse que eu não poderia passar de carro por ali, mas sem dar pito, de uma forma muito simpática, me alertando – deve ter notado a placa francesa. Agradeci o aviso, disse que tinha percebido e que estava parado exatamente por não saber como sair dali (a rua de mão única me levou para lá). Ela olhou para as placas e também ficou paralisada por uns segundos, não tinha notado esta maluquice da sinalização. Daí ela sugeriu que eu seguisse por era proibido, mas uns 50m, pois lá havia uma saída. E a esta rua era de mão única também, saindo da região de trânsito proibido…
      O que acontece, creio eu, é que na Europa eles são bem mais cucas frescas e menos radicais que aqui, pois na dúvida acreditam que o bom senso e a calma resolvem pendências / detalhes que talvez para eles não tenham muito importância mesmo, afinal, ninguém sai atropelando ninguém (apesar de terem os famosos ases das ruas estreitas) e com conversa tudo se resolve.
      Me lembro de uma vez que tive de passear de rádio-patrulha em Roma (não, não fui preso, fomos assaltados e os policiais nos ofereceram carona até a chefatura de polícia). Na esquina da estreita rua onde ficava a chefatura, de repente, um lambreteiro fechou um senhor que conduzia pela travessa. Não aconteceu nada, mas o senhor desceu do carro e ficou dando, calmamente, um sermão no lambreteiro. E o trânsito se fechou completamente. Um dos policiais desceu da viatura em que estávamos e pediu que o senhor seguisse com o carro que fechava completamente o trânsito. Depois implorou, depois desistiu. A situação só se resolveu alguns minutos depois quando o lambretista aceitou pedir perdão pela manobra arriscada… Aquela cena me ajudou a entender um pouco mais o comportamento deles pelo menos no trânsito. Algo leve, nada agressivo, que de certa forma ajudou a me deixar mais tranquilo frente aos imprevistos que ocorrem lá.

      • Marco

        Já aconteceu comigo de entrar em via de mão única que dá “em lugar nenhum”. Quando percebi, estava atrás de um bonde. Uma senhora, ao descer do bonde, me disse que eu não poderia passar por ali. Eu comentei que não era do local e não havia placa nenhuma que informasse. Ela deu risada e comentou que somente os moradores sabiam da proibição. Dei meia volta, andei alguns metros pela contramão e fui procurar outro caminho.

        Na Alemanha é bem tranquilo de usar o carro. Em Munique, fiquei num hotel um pouco afastado do centro e vi diversas vagas na rua. Pensei: vou economizar o estacionamento do hotel e deixar na rua. Fiquei observando como estacionavam, pois as poucas placas estavam, obviamente, em alemão, e eu não entendia nada. Estacionam na contramão (em vias estreitas), algumas vezes parcial ou totalmente em cima da calçada. Em qualquer canto. Muitas vezes existem as placas, mas em locais mais afastados, tem de observar o que o pessoal faz.

        Mas na Alemanha tem uma “pegadinha”. Muitos estabelecimentos compram o espaço da rua. Aí você vê o espaço e vai estacionar. De lá de dentro sai alguém falando algo incompreensível (hehe). Sei porque depois perguntei no hotel e a recepcionista disse que lá é comum restaurantes, lojas, comprarem a vaga na frente do estabelecimento e somente eles poderem estacionar. Mas nem sempre tem placa.

        Mas Alemanha, como disse, é tranqüilo. Tem muito estacionamento privado e costumam ser bem baratos. Nem vale a pena perder tempo procurando lugar para estacionar.

        O que me complica são aquelas ruas que mais parecem calçadões ou praças. O GPS te mandando passar por ali e fica aquele “vou ou não vou??” Muitas vezes eu dava a volta por outros caminhos, por não entender nada…

        Fui para Roma o ano passado. Na cidade, evidentemente, não estava com carro. Fui buscá-lo na Termini na manhã que deixei a cidade. Uma volta dos infernos até chegar de volta ao hotel.

        Lembro de cansar de ver placas de “estacionamento proibido” e inúmeros carros estacionados. Durante a noite, próximo ao hotel, até mesmo uma faixa de rolamento se tornava estacionamento. O cidadão chega, estaciona o carro numa faixa da via, tranca o carro e vai embora, na maior cara de pau.

        Até em bifurcações, naquelas faixas brancas, eles estacionam. Sei lá se fazem um pouco de “vista grossa” por não ter lugar mesmo.

        E me recordo que somente na casa de parentes (bem interiozão mesmo) foi o único lugar que consegui estacionar sem pagar nada. No restante dos lugares, não achava lugar algum, nem estacionamento privado. Isso porque estava num 500 e, em tese, deveria caber em qualquer canto. Mas na Costa Amalfitana não conseguia parar em lugar nenhum nenhum bater umas fotos decentes. (Na próxima vou de scooter…hehe)

        Na Itália o carro é bom para se locomover entre as cidades. Mas ao chegar ao destino, o melhor é deixar no hotel e se locomover de transporte público.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Em minha primeira viagem à Europa, na década de 80 e com meus pais, pagamos muitos micos. O que mais me marcou foi ter entrado numa rua de Milão, com trânsito restrito, e dar de cara com um bonde. Que desespero para sair dali…

    No mês passado, estive na Itália e meu mico foi logo ao pegar o carro na locadora. Eu precisava passar meu cartão de crédito, para cobrir eventuais despesas com multas e danos, o tal depósito de garantia, mas tinha que ser com o mesmo cartão que paguei previamente pela internet. E quem disse que eu tinha limite disponível neste cartão? Tive que cancelar a reserva e fazer outro contrato, perdendo o bom desconto que tinha conseguido pela antecedência. Fica a dica…

  • rafaelaun

    Não precisa ir longe para pagar micos. Eu recém tive que pegar um carro da frota para uma viagem, um Cruze. Ao abastecer, não sabia como abrir a tampa do combustível, depois não sabia onde enfiar o pen drive com minhas músicas. Para diminuir a iluminação do sistema multimídia improvisei com um pano. Alguns minutos até encontrar os documentos do carro escondidos em uma portinhola e muita paciência para entender o funcionamento do desembaçador traseiro.

  • ccn1410

    Mas se eu não acionar a alavanca ao mesmo tempo, a tampa não abre.

  • Jr

    Nora, obrigado pela dica. Na próxima vez vou ser explícito neste ponto também. Sempre entro em contato com o hotel para me informar sobre acesso e estacionamento, coisas complicadas por lá, mas dessa vez algo deu errado, o que é comum também.

  • nelson taniguchi

    Morei no Japão durante seis anos. Um dos costumes lá é deixar o seu calçado na entrada, seja de casa, hospital, escritório… até no carro, muitos usam outro sapato, deixam o sujo numa caixinha, dentro do carro ou dirigem descalço. Paguei mico 2 vezes, abri a porta do carro, sentei no banco com o tênis para fora, deixei o tênis e saí, esqueci no estacionamento… só reparei quando fui descer e estava sem tênis no carro. Ainda bem que era perto e quando fui pegar o tênis, foi engraçado, aquele espação com um par de tênis no chão…