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Rapsódias húngaras (COM VÍDEO)

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Rapsódias húngaras

 

 

 

Franz Liszt (1811-1886), ou melhor, Liszt Ferenc, autor das Rapsódias Húngaras (foto asoutrasalmas.blogspot.com)

Franz Liszt (1811-1886), ou melhor, Liszt Ferenc, autor das Rapsódias Húngaras (foto asoutrasalmas.blogspot.com)

Estivesse vivendo nestes tempos, Franz Liszt teria tido motivo de sobra para compor mais uma de suas rapsódias magiares. O GP da Hungria deste ano teve acordes de dobradinha da Ferrari, Rosberg zerando a diferença para o líder do campeonato, Hulkenberg batendo no final da reta e, no compasso final, Hamilton terminando em sexto na vitória que igualou Vettel a Senna. Nas bandas de cá, Jan Balder promoveu mais uma etapa do Torneio Interlagos de Regularidade num fim semana que movimentou o automobilismo paulistano de raiz.

 

Domingo tenso

 

Antes da largada os pilotos prestaram homenagem a Jules Bianchi no grid (foto Sahara Force India)

Antes da largada os pilotos prestaram homenagem a Jules Bianchi no grid (foto Sahara Force India)

O domingo húngaro foi tenso desde antes da corrida começar: ainda exibindo as dores causadas pela perda de Jules Bianchi, os pilotos se reuniram pouco antes da largada e prestaram o que seria uma derradeira homenagem ao francês Jules Bianchi. Seria porque ao final da corrida Sebastian Vettel não se conteve após conseguir sua segunda vitória do ano e mandou ver em francês:

“Vocês me ouvem? Vocês me ouvem? Esta vitória é para você, Jules!”

 

Sebastian Vettel ofereceu sua segunda vitória do ano a Jules Bianchi (foto Ferrari)

Sebastian Vettel ofereceu sua segunda vitória do ano a Jules Bianchi (foto Ferrari)

Certamente mal passou pela cabeça do alemão que a conquista em Hungaroring o colocou em pé de igualdade com Ayrton Senna no que diz respeito ao número de vitórias: agora os dois tem 41. Falando em números, aqui vai uma overdose do tema: das 70 voltas previstas para o 30º GP da Hungria, apenas 69 foram realizadas: Felipe Massa não alinhou corretamente e forçou a realização de uma segunda volta de alinhamento. Com isso abriu a contagem para uma verdadeira enxurrada de penalizações, pois ganhou um acréscimo de cinco segundos no seu tempo de corrida. Romain Grosejan, Pastor Maldonado, Lewis Hamilton, Jos Verstappen e Daniil Kvyat foram os que não escaparam à sanha de botar ordem na casa.

Pastor Maldonado perdeu o foco e ganhou três punições (foto Lotus F1)

Pastor Maldonado perdeu o foco e ganhou três punições (foto Lotus F1)

No quesito ficar de castigo, o venezuelano Maldonado foi o grande destaque: foi penalizado três vezes e ainda ganhou alguns pontinhos (6) na carteira, a exemplo de Hamilton (3) e Kvyat (2) e Verstappen (2). Kvyat, aliás, conseguiu seu primeiro pódio ao terminar em segundo lugar, à frente do companheiro de equipe Daniel Ricciardo.

Daniil Kvyat: primeiro pódio na F-1 veio com o 2. lugar (foto Red Bull/Getyy Images)

Daniil Kvyat: segundo lugar e primeiro pódio na F-1 (foto Red Bull/Getyy Images)

Normalmente uma prova modorrenta, a corrida de Hungaroring deste ano entrou na lista das edições surpreendentes dessa corrida disputada pela primeira vez em 1986. Nesse ano aconteceu a antológica disputa entre Nélson Piquet e Ayrton Senna, que terminou com a vitória do primeiro após uma inesquecível ultrapassagem por fora na curva 1. Outra corrida surpreendente foi a de 1997 quando Damon Hill liderou 62 das 77 voltas daquele ano a bordo de um Arrows Yamaha que durante aquela temporada se tornou famoso pela freqüência com que explodia motores a cada fim de semana de corrida…

Nico Hulkenberg ficou sem a asa dianteira no final da reta (foto FOM TV)

Nico Hulkenberg ficou sem a asa dianteira no final da reta (foto FOM TV)

Em 2015, as surpresas tiveram cenas com intensidade das mais variadas: a asa dianteira do carro de Nico Hulkenberg soltou quando ele freava ao final da reta dos boxes. Embora o alemão tenha saído ileso do choque contra as barreiras de proteção, o mesmo não se pode dizer da sua equipe, a Force India. No treino de sexta-feira quebrou um triângulo de suspensão do carro de Sergio Perez e, destroços à parte, ficou no ar se a equipe de Vijay Mallya estaria confiando demais na resistência dos seus carros ou economizando na substituição de peças com prazo de validade vencido.

Nico Rosberg conheceu o céu, o paraíso e o inferno na mesma corrida (foto Mercedes)

Nico Rosberg conheceu o céu, o paraíso e o inferno na mesma corrida (foto Mercedes)

Se o prejuízo da Force India foi alto, o que dizer de Nico Rosberg? Ele esteve com o champagne e um lugar no pódio nas mãos ao assumir o segundo lugar quando o SF15T de Kimi Räikkönen começou a dar problemas. Se tudo corresse bem ele iria fica empatado com Hamilton na liderança do campeonato, cortesia de um toque entre o inglês e o australiano Daniel Ricciardo, batida que fez Hamilton cair para 13o lugar. Ou seja, fora da zona de pontos. Só que Ricciardo mostrou-se um verdadeiro advogado do diabo e acabou cortando o pneu traseiro esquerdo do carro de Rosberg ao tentar ultrapassá-lo na volta 64. O que era para ser para ser um acréscimo de 18 pontos acabou se transformando em apenas quatro. Para piorar um pouco o que já era ruim, Hamilton ainda cruzou a linha de chegada em sexto lugar e com mais seis pontos no bolso.

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Lewis Hamilton perdeu muito mas voltou para casa ainda mais líder (foto Mercedes)

O resultado completo da corrida você encontra neste link e a tabela de pontos dos campeonatos de pilotos e construtores está aqui. Uma rápida olhadela será suficiente para descobrir que duas zebras aconteceram nos resultados: a Red Bull fazendo segundo e terceiro lugares e — se você estiver em pé eu aconselho a se sentar— Fernando Alonso em quinto e Jenson Button em nono!

Quem poderia esperar Fernando Alonso em quinto lugar? (foto McLaren)

Quem poderia esperar Fernando Alonso em quinto lugar? (foto McLaren)

Bem verdade que o time de Ron, o Dennis, teve sorte: a Ferrari viu Räikkönen ficar pelo caminho, os dois Force India abandonaram, a equipe Williams teve outro dia para esquecer, um Lotus e um Sauber (o de Felipe Nasr) também não pontuaram. Enfim, como no jogo do bicho, vale o escrito, neste caso o que foi publicado na folha de resultados divulgada pela FIA.

 

Forza Ferrari

No início do ano o novo diretor esportivo da Ferrari, Maurizio Arrivabene, anunciou que a meta para 2015 era obter “duas vitórias, três seria um milagre”. Hoje, terminada a primeira metade da temporada, o milagre está próximo de virar realidade e Vettel, que venceu na Malásia e na Hungria, perto de ser canonizado. Mais do que isso, nas últimas duas corridas ele somou 37 pontos contra 22 de Rosberg, o que aumenta as esperanças de Tião em terminar o ano como o melhor alemão da F-1…

Maurizio Arrivabene já cumpriu a meta, o que vier agora é lucro (foto Ferrari)

Maurizio Arrivabene já cumpriu a meta, o que vier agora é lucro (foto Ferrari)

A grande dúvida é se as largadas medianas dos Mercedes em Silverstone e Hungaroring não seriam conseqüência de um novo equipamento nesses carros. É sempre bom lembrar que quando a F-1 voltar de férias — dia 23 de agosto, na Bélgica — os pilotos não terão mais a ajuda eletrônica para largar. Em outras palavras, grandes emoções à vista: a reta de largada de Spa é curta e termina em uma curva fechada, de quase 180º. Pilotos sem experiência de largar soltando a embreagem sem deixar as rodas patinarem demais será a receita para umas tantas batidas. Da mesma forma que a Mercedes deve ter avaliado um novo sistema de largada, a Williams deverá ser acompanhada com atenção: tanto na Inglaterra quanto na Hungria, Bottas e Massa partiram com boa eficiência. Resta saber se essa toada vai continuar fazendo sucesso ou vai desandar no ritmo das estratégias do time…

Equipe Williams teve outro resultado desconcertante (foto Williams/Glenn Dunbar)

Equipe Williams teve outro resultado desconcertante (foto Williams/Glenn Dunbar)

Os mistérios de Interlagos

O fim de semana passado realçou os mistérios do automobilismo praticado em Interlagos: à falta de informação sobre o andamento das reformas do autódromo paulistano se contrapôs o dito popular que pobre se contenta com pouca coisa. Em meio a instalações pouco ou nada decentes o que se viu foi um grande número de entusiastas enfrentando chuva e frio para disputar provas de F-1600, Classic Cup, Marcas e o Torneio Interlagos de Regularidade, evento que está registrado no vídeo abaixo e na galeria de fotos.

Como se pode constatar nesse registro, o que mais importa para os autoentusiastas de carteirinha é confraternizar em torno de máquinas que são usadas com carinho e a devida atenção. No entanto, o que não pode e não deve ocorrer é o descaso dos responsáveis pelo esporte com a sobrevivência dos profissionais que dependem do autódromo para seu sustento. Estes responsáveis são, em maior parte, a administração do autódromo e a Federação de Automobilismo de São Paulo (Fasp), ambos atados a um relacionamento turbulento e pouco sadio. Este ano o local ficou interditado à prática do esporte e já se fala em nova interdição em 2016. Por enquanto poucos sabem o que será feito, inclusive os clubes filiados à Fasp e maiores interessados em contar com uma estrutura eficiente.

Nada contra receber um Grande Prêmio de F-1 no Brasil: é esse evento que mantém Interlagos em condições que não seriam possíveis sem a realização dessa prova. Há que se atentar, porém, sobre como o autódromo vem sendo usado, metodologia que vai além de permitir a realização de shows e festivais em detrimento do esporte, atividade fim do local.

No fim de semana anterior a agenda da Fasp indicava que o autódromo estava reservado para o Clube do Fusca, mas quem foi ao circuito notou um evento da revenda Divena e um track day organizado pela empresa Driver. Além de não existir nenhuma informação a respeito desses eventos nos sites da Fasp e do autódromo ou na entrada do circuito, um dos responsáveis pela segurança, da empresa Faqui, se mostrava dono do local e queria fazer valer sua suposta autoridade, algo que alguns colegas, em particular os fotógrafos, já haviam comentado. Para ele, um assovio era o mesmo que a sinalização para parar na entrada do estacionamento tomado pela Divena.

Certamente tamanha dedicação tem a ver com a falta do que fazer, posto que desde há muito tempo as arquibancadas de Interlagos somente são parcialmente ocupadas em eventos que se pode contar com os dedos de uma mão. Com tamanha competência e eficiência desses promotores, isso não vai mudar em breve.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • Edison Guerra

    Parabéns ao Paulo Keller pela edição do vídeo do Torneio Interlagos de Regularidade. Mostrou toda a atmosfera que envolve o evento, magnificamente orquestrado pela lenda Jan Balder.

    • Obrigado Edison!!! Grande abraço!

    • Wagner Gonzalez

      Essa é a ideia. A ressaltar que você, Edison Guerra, é o típico autoentusiasta que frequenta o autódromo!

  • André Castan

    Realmente a corrida na Hungria foi boa em termos de ação. Infelizmente ainda faltam motores aos carros.
    Serviu para ratificar que Vettel é o melhor piloto da F1. Ele não erra e qualquer sobre que tiver ele abocanha.
    E mais uma vez Massa sendo Massa. As coisa que estavam meio fora do padrão voltaram ao normal.

    Parabéns pelo vídeo de Interlagos. Muito legal e espero logo poder participar de uma dessas. Estou ajeitando minha caranga ainda.

    • Wagner Gonzalez

      André,

      A corrida da Hungria entra na cota das exceções e não se deve esquecer que a partir da Bélgica as regras do jogo serão mudadas.

      Esperamos vê-lo em Interlagos em breve.

  • marcus lahoz

    Olha esta corrida de domingo foi para calar a minha boca, boa demais. O Rosberg está se consagrando como o verdadeiro segundo piloto, não vai passar disso; falta “sorte” para ser campeão.

    Decepção estão os Sauber, o que acontece? Desenvolvimento ZERO? Estão perdendo direto para a McLaren mesmo tendo um bom motor Ferrari!

    Felipe Massa nitidamente abatido pela morte de Jules Bianchi, eram amigos pessoais (pelo menos isso é que foi informado) e com certeza isso pesa. Me lembro dos tempos que corri no Marcas e acidentes graves com amigos realmente me faziam pensar um pouco mais.

    Agora o Vettel esta mostrando que é bom mesmo, hein! Não como antes, quando havia aquela nuvem de que o carro era melhor que ele; ele esta bom mesmo.

    Que venha a Ferrari com o Vettel para fazer frente à Mercedes e ao Hamilton; ai sim teremos a F-1 de volta. Ferrari vs Mercedes; Itália vs Alemanha; paixão vs técnica!

    • Domingos

      Também fiquei boquiaberto, embora parte da emoção tenha vindo de pilotos que erraram demais – parecendo amadores.

      O Rosberg não falta sorte, falta habilidade e garra mesmo. Não ameaçou sequer o Raikkonen durante a corrida toda!

      Vettel nunca foi um piloto ruim, nem teve só carro. Não existe esse nível de sorte em se construir por 4 anos consecutivos uma grande equipe e ganhar todos os campeonatos e corridas possíveis contra grandes pilotos como o Alonso.

      Isso aí acontece uma vez no máximo. Ainda assim, dada a dificuldade, geralmente é merecido.

      O Vettel tem construído uma equipe na qual o Alonso só queria entrar e correr – algo que ele está tendo que mudar agora na Honda.

      Só isso já é mérito. E NENHUMA equipe ou piloto se mantém em sucesso sem esse componente humano além do mero talento.

      • Wagner Gonzalez

        Discordo que o Alonso seja tão ruim assim: é rápido e marrento, caracterísitica de campeões. O espanhol acelera e cobra, só erra em algumas escolhas…

        • Domingos

          Acho que ele é um vencedor de corridas perfeito, não um campeão. Até mesmo o Hamilton parece um melhor construtor de equipe, de uma comunhão de pessoas (necessário a qualquer coisa construtiva e boa) do que o Alonso.

          Como vencedor de corridas, sim, é muito rápido e bem persistente. Ele seria um bom segundo piloto, ironicamente, numa equipe com um grande piloto carismático e desenvolvedor do bom espírito necessário a progredir de verdade.

    • Sobre o Vettel ele pode não ser um monstro como aquele grupo de 5 ou 6 mas, ninguém é 4 vezes campeão atoa.

      Acho o Hamilton tão bom piloto quanto ele, quando ele consegue controlar seu ímpeto.

      Já o Alonso acho que seja um bebê chorão e nada mais.

      • Wagner Gonzalez

        Como disse abaixo, discordo de sua opinião sobre o Alonso. A maioria esmagadora dos campeões que conheci e entrevistei tem caráter marrento e egocêntrico. Alguns são mais difíceis de conviver que outros; quanto ao espanhol, falta-lhe um pouco de tática ao fazer suas escolhas.

        • Concordo que todos são marrentos e egocêntricos, mas o Alonso tempera demais a mistura.

          • Domingos

            Parece um caso de muito tempero e pouca substância.

            Talvez a passagem na Honda McLaren faça ele aprender a ao menos controlar isso e construir algo com a equipe.

            Se não, ele tem que rezar para cair numa equipe já pronta. Aí ele tem uns 2 anos de campeonato garantido, até que a coisa naturalmente caia pela falta de desenvolvimento.

            Como foi com a Renault.

    • Wagner Gonzalez

      Paixão e técnica, combinação gloriosa e apaixonante!

    • Domingos

      O carro da Sauber é muito ruim. O motor Ferrari não deve ser nada mau, pois esse carro péssimo (instável como nenhum outro no grid) conseguiu pontuar com constância do começo do ano até agora pouco.

      • Wagner Gonzalez

        Domingos,
        O motor Ferrari usado pela Sauber não tem a mesma eficiência do usado pela Scuderia, portanto limita o desempenho dos pilotos. A equipe suíça tem a tradição de descobrir e desenvolver grandes promessas, entre delas um certo finlandês de nome Kimi Räikönen. Quanto ao carro ser bom ou ruim, trata-se de uma circunstância, decorrência das limitações financeiras que levam à frustração pilotos menos experientes.

  • Victor Alves

    O vídeo sobre o Torneio de regularidade ficou muito bom!
    Assim como o evento, que foi incrível!

  • Lucas dos Santos

    Anos atrás, alguém comentou que uma “característica” da Sauber é começar bem o ano, mas ficar estagnada pelo resto da temporada, pois o dinheiro da equipe acaba rápido e ela não consegue prosseguir no desenvolvimento do carro.

    Desde então passei a prestar atenção nisso e vi que era a pura verdade. Em TODAS as temporadas é assim. Acho que a exceção foi a temporada passada, em que a equipe já começou mal e assim permaneceu.

    Outro detalhe importante é que a equipe só pontuou no começo do ano porque pôde se aproveitar dos problemas dos carros que vinham à frente. Um bom exemplo disso é o quinto lugar do Nasr na Austrália. Boa parte das posições que ele ganhou foram “herdadas” de pilotos que abandonaram ou enfrentaram problemas. Tanto que o brasileiro terminou a corrida 95 segundos atrás do líder – prestes a tomar uma volta – e com um “abismo” de 57 segundos o separando do quarto colocado – imagina quantos carros “caberiam” nesse gap! Nada muito diferente da atualidade.