O PROFISSIONAL E A TEORIA DA CASCA DE BANANA

Sady cmte

A foto é do comandante da Azul Linhas Aéreas,  Sady Bordin Filho, 51 anos, no posto de comando de um E-Jet Embraer 195. Tenho imenso carinho e admiração por ele, mesmo tendo me derrotado no Campeonato Brasileiro de Rali de 1984 — digo “me derrotado” porque eu era chefe da equipe Volkswagen de Rali e o Sady era o piloto do Chevette preparado sob o regulamento do  Grupo B Brasil que corria com patrocínio do Touring Club do Brasil, tendo como co-piloto o grande e saudosoTuca Cunha.  Naquele ano a General Motors do Brasil, graças à essa incrível tripulação, mais a notável preparação de Claude “Francês” Bes, conquistou o título de construtores no rali. Sady e Tuca, claro, campeões de pilotos.

Considero-o o maior piloto de rali brasileiro de todos os tempos. Quem o viu andar há de concordar comigo, ele era simplesmente espetacular e com uma precisão que nada devia aos grande nomes do rali internacional, como o escocês Collin McRae, o espanhol Carlos Sainz e o alemão Walter Röhrl. Sady poderia ter seguido para Europa e ter sido piloto de alguma equipe  de fábrica, e faria sucesso, até mesmo campeão mundial.

 

Sady Bordin - 1984

Sady e o Chevette

Mas, como acontece com alguma freqüência, Sady resolveu mudar de rumo na vida para se tornar piloto comercial de linha aérea, deixando o automobilismo para trás. Curiosamente, caminho inverso do meu, que me preparava para ser piloto, já tinha as horas voadas para obter o brevê de piloto comercial, mas dei uma guinada e fui para o automóvel.

É comum piloto de avião filosofar.  Talvez a imensidão de diante de si, com o avião conduzido pelo piloto automático,  gere pensamentos e reflexão. Quem não leu ou conhece “Pilote de guerre”, do piloto francês Antoine de Saint-Exupéry? Com Sady não foi diferente.

Sady escreveu os livros “Marketing pessoal – 100 dicas para valorizar a sua imagem”, Editora Record, e “Marketing pessoal – Dez etapas para os sucesso”, Editora Best-seller. Ele tem uma coluna no portal “Carreira & Sucesso”, da Catho, a conhecida empresa de recursos humanos.

Foi uma coluna postada nesses dias que me levou a compartilhá-la como leitor, de tão interessante. Ela aborda a questão da atitude das pessoas no ambiente de trabalho e isso me remeteu aonde? À indústria automobilística. O que está abaixo descreve à perfeição o que venho notando nas fabricantes, onde se vê de tudo. Inclusive uma coisa que venho dizendo, embora o Sady tenha usado outras palavras, uma nova doença estar assolando não só a indústria automobilística, mas os diversos setores da economia brasileira: a holeritite. Cada vez mais vejo pessoas que só parecem se preocupar com o depósito do salário na conta bancária no fim do mês. O resto que se exploda.

BS

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O PROFISSIONAL E A TEORIA DA CASCA DE BANANA

Por Sady Bordin

 

Com qual dos tipos abaixo você se identifica?

Primeiro tipo: come a banana e joga a casca no lixo.

É o profissional responsável. É do tipo que faz o seu trabalho sem deixar nada para trás ou para os outros acabarem. Nunca deixa nada pela metade. Termina tudo o que começa. Respeita prazos. É organizado e pontual.

Segundo tipo: come a banana e joga a casca no chão.

Este é o “profissional” folgado. Raramente termina o que começa. Normalmente deixa seu trabalho inacabado. Deixa assuntos na gaveta, pendentes. Vive protelando os trabalhos. Atrapalha a vida de seus colegas e superiores, pois nunca cumpre prazos. É um verdadeiro procrastinador. Só pensa em si mesmo e no salário no final do mês. Não gosta de trabalhar em equipe. Não está preocupado com o lucro da empresa ou com seus colegas. É um egoísta. Tem olhos voltados para seu ego e interesses próprios. Não está apto para ser líder.

Terceiro tipo: vê a casca da banana e não faz nada.

O sujeito vê a casca de banana no chão e deixa como está, no mesmo lugar. Se alguém escorregar e cair, o problema não é com ele, pensa. Esse é aquele profissional que se encontra na zona de conforto e não está preocupado com nada a sua volta. É aquele que não se preocupa se a empresa está indo bem ou mal, desde que seu rendimento esteja garantido. É indiferente ao que acontece na organização. É aquele que se omite diante de fatos, mesmo que pudesse contribuir positivamente com seus colegas e sua equipe. Sua frase preferida é “isso não é comigo”! Não está nem aí para a saúde financeira da empresa ou para o resultado do trabalho em equipe, desde que o seu esteja feito. Está pensando apenas na sua aposentadoria.

Quarto tipo: vê a casca da banana, recolhe e coloca na lixeira.

Esse é o profissional solidário, nobre, que luta pela sua equipe e pela empresa. Está preocupado com o resultado do trabalho em equipe. Preocupa-se com os colegas. Procura sempre ajudar. Quer que a empresa cresça e que gere lucro. É aquele profissional comprometido em fazer bem a sua parte e que contribui para o resultado geral. Ele se sente como parte importante de uma equipe. Procura dar tudo de si e contribui para que seu colega também possa fazer o melhor. É um líder.

Então, se identificou com algum dos quatro tipos? Se você é um profissional que espera crescer em sua carreira e ter sucesso, faça uma reflexão de seu comportamento e atitude diante das oportunidades e obstáculos que surgem diariamente em seu trabalho e analise o que pode você pode fazer para melhorar seus resultados.

Grande abraço! Sucesso!

SB

 

 

 

 

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  • AlexandreZamariolli

    Lembro-me de ter visto esse Chevette na Motor 3. O motor dele tinha cabeçote do Monza.

    • János Márkus

      Isso mesmo. Se não me engano era do motor 1.6! E também houve uma versão turbo.

    • Seria muito interessante falar sobre esse motor, afinal, o Bob conhece o piloto, que deve lembrar de alguma coisa…

    • Luiz_AG

      Chamavam esse motor de misto-quente. Dizem que é plug-in-play. Fico a dúvida do comprimento da correia dentada…

      • Fernando

        Não era PNP, tinha sim alguns detalhes para casar bem as peças, mas isso que sei não é da equipe oficial e sim de um preparador que os fazia na época.

      • AlexandreZamariolli

        Misto-quente, isso mesmo. Eu ia incluir essa observação no meu comentário, mas devo tê-la suprimido por acidente ao editá-lo.
        Quanto ao comprimento da correia, acho que a adaptação de um tensor resolveria. Minha dúvida maior é quanto à diferença de diâmetro entre os cilindros do Chevette 1,6 (82 mm) e as câmaras de combustão do Monza de mesma cilindrada (80 mm).

        • $2354837

          Li uma vez que os pontos de fixação são iguais, já que o motor do Chevette serviu de base para o desenvolvimento do Família 2.

  • Lemming®

    Com o que mais topamos na Banania hoje em dia são estes…Seja em que nível for.
    Que falta faz o verdadeiro profissional!

  • REAL POWER

    Para início de conversa, Claude Bes é uma lenda na preparação de carros de competição. Muito são os pilotos que se orgulham de terem pilotados os carros que ele preparou. Dá uma bela matéria inclusive.
    Sobre o texto do Sady Bordin, perfeito. Cada vez mais difícil encontrar bons profissionais, seja qual for a área. As vezes até tem capacidade profissional, mas não tem comprometimento algum com a empresa, sendo justamente dela que provem seu sustento. Na verdade essa crise que atinge o Brasil, no meu entender ainda vai ajudar nessa questão. Empresas e trabalhadores que antes não davam a mínima para o mercado, apenas “colhendo sem se importar com o plantio” vão sofrer mais e poderão sumir do mercado. Semana passada fui até uma empresa fazer orçamentos de pisos laminados e o vendedor se quer se levantou da cadeira e veio me atender. Fico sentado e disse. “As amostras estão todas ali” E continuou a fuçar no seu computador. Passei por ele e vi que estava no Facebook, Não pensei duas vezes, fui embora. Espero sinceramente que a crise atinja esse tipo de trabalhadores para eles acordarem para o mundo. Mas a maioria vai usar a crise como desculpa da sua falta de vontade, comprometimento e do seu fracasso. Abraços.

    • É verdade. A crise pelo menos vai separar o joio do trigo, mas infelizmente não vai ser bom para ninguém. Eu também faço a mesma coisa que você fez: viro-me e vou embora. Dificilmente volto na mesma loja. Se voltar, faço questão de ser atendido por outro vendedor.

  • DPSF

    Sempre faltou um motorzinho melhor para o pequeno Chevrolet…

  • rafaelaun

    Essa história sobre o “misto-qurente” seria muito interessante.

  • a. shiga

    Acredito que um lugar (família, empresa, país, o que for) que fornece condições de oportunidade para as pessoas, favorece o surgimento de bons profissionais, porque eles tem a chance de escolher fazer aquilo que lhes dá mais prazer e são bem recompensados pela qualidade do trabalho que produzem. Um lugar sem oportunidade gera uma massa de ‘profissionais’ que trabalham visando a sobrevivência e não o prazer de desempenhar uma função que melhore seu lugar. Que incentivo um governo de características cancerosas dá aos empresários de um país?
    Que incentivo tem os filhos cujos pais agem sempre em bem próprio? Pessoas que tiveram oportunidade na vida podem facilmente enxergar o quanto falta de oportunidade aqui nesse país. Pessoas sem oportunidade nem imaginam o que poderiam ter feito das suas vidas se tivessem melhores condições. É difícil achar a causa de tudo isso, acredito que a causa e o efeito se realimentam num círculo vicioso…

  • Bob,

    Costumo ser os tipos 1 e 4, mas confesso que, dependendo da situação, adoto a postura do terceiro tipo, principalmente quando o “colega” é do tipo que só pensa nele e vive de derrubar os outros ou ofuscar os resultados alheios ou se acha o dono da razão, não aceitando opinião contrária, mesmo que o índice VDM do que ele queira fazer seja alto, como alguns colegas de “equipe” que existem aqui na empresa.

    Um abraço

    Ronaldo

  • Henrique Lopes

    Muito bom, vou compartilhar com a equipe que faço parte.

  • CCN-1410

    “Come a banana e joga a casca no chão”.
    Conheci muitos desse tipo e quase todos subiram de cargo vertiginosamente. O motivo? São bons de mentira e enrolação.

  • Mr. Car

    Bob, “Pilote de guerre” eu não conhecia, mas conheço “Le petit prince”. Serve? He, he, he! Em tempo: eu como a banana, e jogo a casca no lixo.
    Abraço.

  • Marcus Vinicius

    Olá, Bob, como vai. Nada a ver diretamente com o assunto, mas você usou, como sempre, o termo fabricante (“…nas fabricantes…”). O uso de “montadora” para o mesmo sentido está tão deturpado que outro dia, a umas duas ou três corridas de F1 atrás, o narrador (me fugiu o nome agora), ao se referir a Pirelli, disse “montadora de pneus”, corrigindo-se logo depois.
    Sobre o assunto da postagem, vejo isso aqui na empresa e, extrapolando, no país. Cada um olhando pro seu umbigo enquanto poucos, pouquíssimos, jogam as cascas na lixeira ou saem recolhendo as que estão pelo chão. Tem horas que dá vontade de agir da mesma maneira mas, se assim o fizesse, seria como se o “outro lado” tivesse vencido. Forte abraço!

    • Lucas dos Santos

      Marcus,

      O narrador que falou “montadora de pneus” foi o Luís Roberto. Isso também me chamou a atenção quando eu estava assistindo a corrida.

      Pelo menos ele se corrigiu imediatamente, mas isso mostra que o uso inapropriado do termo “montadora” está longe de ser superado.

  • Isso ilustra bem o comportamento de muita gente. Pode ser só impressão, mas eu vejo, infelizmente, uma tendência de crescimento do número de profissionais do terceiro tipo: “isso não é comigo”.

    Gosto muito do Sady Bordin. Li seus livros e lembro dele da minha infância, pelo piloto que foi, e por ter vencido o Rally brasileiro de velocidade com um carro que eu particularmente adoro.

  • Luciano carreteiro Leopoldina

    Sim, concordo porém na prática… Fui mecânico de autos durante 23 anos até o momento que uma escoliose na coluna me impediu de continua sendo remunerado no ofício de mecânico, sou carreteiro há 12 anos, conheço toda a tecnologia do bruto que trabalho ou pelo menos tento porque sempre tem um que sabe mais do que a gente e quando conheço um profissional sou todo ouvidos, respeito rigorosamente os oitenta por hora, em hipótese nenhuma ultrapasso em faixa contínua a não ser salvo raros casos em que o condutor a frente vai para o acostamento te obrigando a invadir a faixa contínua alguns centímetros. Há 4 anos e 4 meses nunca chegou nenhuma multa minha na empresa que sou colaborador, coisa rara visto que encaro 8 horas por dia as pegadinhas constantes dos pardais e guardas inescrupulosos, ando uniformizado em todo momento que estou a trabalho enquanto meus colegas a maioria de sandália de dedo, short, camisa regata parecendo um mendigo nos pátios das empresas que são nossos clientes mas o reconhecimento sempre vem para os colegas que cheiram, bebem, fazem besteira na estrada, fecham carros menores, não se importam em ter uma postura séria diante do cliente. Tem momentos que preferia ser um pouco mais burro, acho que assim vivera mais e melhor.

    • CCN-1410

      Essa de preferir ser um pouco mais burro tem sua verdade.
      Concordo com você e só acrescentaria um pouco mais irresponsável também.

      • francisco greche junior

        Concordo com vocês. As vezes dá vontade de se importar menos com vários assuntos e questões. Veio até uma musiquinha popular que canta algo assim: – Deixa a vida me levar. Vida leva eu.

    • Eduardo Mrack

      Sem dúvida a ignorância traz conforto e conformismo, porém, traz atraso. É uma pena que grande parte ( senão a maioria ) da população seja ignorante, egoísta, conformada e submissa.

    • rafaelaun

      Luciano, você já saiu da caverna e não pode voltar a ser ignorante.

    • REAL POWER

      Luciano carreteiro Leopoldina.
      Sei como se sente. Realmente tem empresas que não separam os bons dos maus. Talvez até pela própria questão trabalhista que não permite salários diferenciados para a mesma função. Assim nivela todos por baixo. Mas não desista de ser um bom profissional por isso. Vou contar uma história que aconteceu com um de meus irmão. Ele trabalhava numa loja de artigos esportivos. Sempre foi o melhor vendedor. Ele sempre buscava vender mais a cada mês, numa época onde a maioria das empresa sequer tinham metas mensais. Ele sabia tudo de tudo que vendia. Certa vez o dono da loja resolveu cortar pela metade a comissão que ele recebia sobre as vendas, alegando que meu irmão tinha um salário muito alto. Meu irmão ficou desanimado, pois o dono da loja em vez de lhe dar mais incentivos, justamente fez o contrário. Mas meu irmão continuou a ser um exemplo de vendedor, até que um dia um diretor de um grande laboratório farmacêutico entrou na loja e meu irmão lhe atendeu. Após ser atendido o senhor lhe deu um cartão e disse que estaria num hotel até tal hora do dia seguinte. Se ele quisesse mudar de vida, bastava fazer uma entrevista no dia seguinte. O senhor em questão estava contratando um promotor de vendas. Meu irmão veio para casa e falou com meus pais. É claro que foi encorajado, mesmo ele não sabendo nada de remédios, mas como meu pai disse, “você sabe vender’. Resultado. Meu irmão foi contratado, depois contratado por laboratórios maiores e hoje trabalha num dos maiores laboratórios do mundo e sabe tudo de remédios. Tudo começou com um ótimo atendimento a um cliente. Não devemos desistir nunca de ser um bom profissional, não importa o que façamos. Abraços.

      • CCN-1410

        Sei de um cidadão que vendia três vezes mais que todos os nove funcionários de certo estabelecimento. Imaginem, três vezes mais que todos juntos. Um determinado dia foi chamado pelo gerente que lhe disse que não gostava de sua atuação como vendedor, porque quando vendia, o fazia quieto e sem alarde, mas que gostava muito de um de seus colegas, que oferecia os produtos em voz alta para que todos o escutassem.
        De nada adiantou argumentar que enquanto ele já tinha vendido 80 produtos naquela campanha, o colega da voz alta tinha vendido apenas dois.
        Anos mais tarde o colega da voz alta se tornou gerente e o outro se aposentou desiludido daquilo que fazia.
        É fato real e bem conhecido por mim.

        • Newton ( ArkAngel )

          Na década de 1990 eu trabalhava em concessionária, era chefe de oficina, um dia chegou um novo gerente, que gostava de fazer trambique, e me mandou embora, colocando em meu lugar um “parceiro” seu, que nem sabia para que lado o parafuso da roda soltava, ganhando 3 vezes mais do que eu. Depois de um tempo fiquei sabendo que o “amigo” dele puxou seu tapete para focar com o cargo de gerente.
          Dar asa pra cobra resulta nisso mesmo…

          • CCN-1410

            Bem-feito para ele! Teve o merecido.

    • Domingos

      Parabéns. Quando a gente vê como é o exemplo certo, vemos a beleza de certas profissões que são algumas vezes colocadas com vergonha ou como coisas baixas!

    • lightness RS

      Bom saber que tem gente coerente no meio dos caminhoneiros , o que vejo aqui no meu trabalho é exatamente isso, um pessoal que anda com os trapos, que gastam a grana toda em pó, bebida e mulher, tem maluco que tem a cara de pau de chegar cheirado para falar conosco ainda, acham que ninguém percebe, ou nem dão bola para isso.

  • Fat Jack

    Muito interessante!
    Tenho somente a impressão que (de forma genérica) às vezes os responsáveis pelas mais altas cadeiras hierárquicas tem a capacidade de transformar os profissionais (ou pelo menos parte deles) sob sua tutela para ambos os lados da teoria. Por melhor que seja uma safra, há “laranjas podres”, e quem vai se sobressair a quem dependerá destas mentes pensantes.

  • Thiago Teixeira

    O profissional, em geral, vai se enquadrar em todos os perfis ao longo da sua vida profissional. Primeiro é o quarto exemplo, depois o primeiro, terceiro e segundo. O que vai determinar o perfil do profissional é o reconhecimento do trabalho. não adianta reconhecer o erro e ser inerte as qualidades. Sem motivação, não tem quem faça.
    – As abas aerodinâmicas do Chevette tem qual função especificamente?!

  • Leonardo Mendes

    Quinto tipo: vê a casca de banana, recolhe, coloca na lixeira e, no fim das contas, vê os que colocaram a casca no chão e os que não dão a mínima pra casca receberem os louros da vitória.

    Recolhi cascas de banana na empresa da família por 25 anos, a serem completados no dia 16 de novembro próximo. Honestamente?
    Deveria tê-las deixado no chão… alguns vão dizer “ora, seu acomodado, por que não foi embora procurar outro trabalho?”, e eu admito: sim, fui acomodado… fiquei aqui porque era da família, não nego, mas esperava um pouco mais de reconhecimento.

    É daí que nasce a holeritite, a Zona do Não é Comigo… as pessoas, em sua maioria, cansaram de vestir a camisa da empresa e não serem reconhecidos por isso, isso quando não ganham a alcunha de “puxa-sacos.”
    Foi-se o tempo do funcionário engajado? Foi. Mas também foi-se o tempo que a empresa tratava o funcionário como ser humano, não como um número, uma peça, um componente.
    Um puxa o outro.

    • Concordo plenamente, e faço das suas palavras as minhas. então meu comentário vai ser, sobre o misto quente.

    • Lucas Mendanha

      Meu caso foi semelhante…Montei uma empresa e mudei de estado (MG>ES), deixei família,amigos e namorada para trás. Morava em outra cidade e viajava 2 horas para ir, 2 horas para voltar, de ônibus todo dia. Dei todo o sangue que podia no negócio para dar certo rápido, para que depois do primeiro ano cheio, pudesse ter um ganho condizente e poder dizer que estava valendo a pena, trazer a namorada, casar…Nesse intervalo tive problemas de saúde, com a namorada, não estive por perto nos últimos dias de vida do meu avô, que morreu de repente, entre outras coisas menores..

      Fechado o 1° ano, o retorno foi a metade do que esperava, com a justificativa de que não era o momento..era preciso investir mais no negócio. Mas a outra parte tinha outra empresa, vivia bem, morava bem, tinha vida de rei…

      Resultado: toda empolgação e empenho foi para o ralo, e dali para frente fui fazendo o necessário até que não suportei e passei minha parte para frente…

      Penso que todo engajamento é ótimo e benéfico para empresa e para o colaborador. Mas este é preciso ser reconhecido e valorizado para que todos saiam ganhando… acredito que seja a diferença que muitos falam de outros países..

  • André

    Fugindo um pouco do assunto, para que servem as aletas no capô do Chevette que ilustra o artigo?

    • André,
      Aletas nessa posição servem para direcionar o ar, provavelmente para reduzir turbulência e arrasto aerodinâmico naquela parte do carro.

      • André

        Obrigado, Bob, Não sou dessa época, mas só por esse “detalhe” dá para imaginar como devia ser competitiva e divertida essa categoria.

  • Cid Mesquita

    O Sady era muito bota: https://www.youtube.com/watch?v=OiuojHpidPI
    Em Curitiba entre o pessoal de carro bravo tinha uma rixa dos carros feitos pelo francês e o Segantini.
    Boa época.

    • Pedro Bachir

      Muito bacana o vídeo! Infelizmente esse tipo de competição de marcas não existe mais aqui…

    • Fernando

      Muito bom o vídeo!!

      Aos 4:39 aparece uma imagem do motor, porém dá para ver claramente que é um motor visualmente “original” com o cabeçote de Chevette mesmo, sendo que o com a potência dita creio que fosse o com cabeçote de Monza, não?

  • Luciano Ferreira Lima

    Percebo que o Chevette com cabeçote de Monza vai dar uma bela matéria. É impressão minha ou o pneu traseiro de descolou do aro?

  • JT

    Tem o cara que come e joga as casacas de banana no lixo direitinho, enquanto está estudando para um concurso.

    Então, quando o elemento vira funcionário público ele forra o chão da repartição com cascas de bananas, e quem está do outro lado do balcão apenas é alertado por um cartaz chinfrim avisando sobre a pena para quem desacatar o pequeno príncipe durante o atendimento.

    Em certos redutos mantidos com os impostos pagos pelos pacatos cidadãos, a holeritite aguda já virou crônica faz tempo…

    • pkorn

      Desculpe mas a sua generalização é injusta, provocativa e desvia o foco dos verdadeiros culpados pela ineficiência de que o sr. foi vítima em alguma repartição pública.

  • Malaman

    O Touring Club ainda existe?

  • Esse Chevette é uma lenda, pena que só nos ralis cabeçote do Monza e mais habilidade do Sady Bordim, imagino o que o Bob Sharp tentou para parar a fera. mas não deu realmente o conjunto foi fantástico pelo que eu li afinal em 1984 eu não era nascido).

  • lightness RS

    Que chefe burro!

  • Domingos

    A maioria é meio “flexível” na parte moral mesmo. Infelizmente o meio ambiente para algumas pessoas é algo bem determinante e por isso, além de outras coisas, é um dever punir e afastar as laranjas podres antes que estraguem tudo.

  • Domingos

    Hoje o pessoal cospe sem dó um funcionário desse tipo. Aliás, quanto mais pró-ativo, às vezes parece que piora a situação.

    É a inversão das coisas…

  • Domingos

    Ao menos o de São Paulo, com aquela sede na avenida Tiradentes, não tem mais fazem muitos anos…

  • Daniel S. de Araujo

    Faço coro as suas palavras. É odioso isso, ainda mais se considerarmos que os modelos re recrutamento e seleção privilegia pessoas “enganadoras” e “boas de papo” e “enroladoras” no lugar de quem fala a verdade, de quem é transparente.

    É assim que se forma as empresas cujos erros de processo e de produto são obras do além. Ninguém assume nada, ninguém sabe de nada, ninguém viu nada. Igual aos malfeitos do PT…

    • AlexandreZamariolli

      Daniel,
      Os petralhas comem as bananas deles, roubam as suas, jogam as cascas no chão e, quando alguém escorregar, a culpa é da zelite.

      • LG

        S E N S A C I O N A L !!!!!!

    • Domingos

      Esse negócio de seleção é o petismo estrutural, é a esquerda dentro do sistema. Você pegou bem o espírito ao relacionar as duas coisas.

      Sempre achei uma tolice e realmente esse modelo “moderninho” e “cool” de seleção, com direito a reality shows o exaltando, deixa sempre os candidatos mais capacitados e centrados para trás em nome dos mais “descolados” – leia-se enroladores.

      Quem tem mais de 50 anos não acha mais cargos compatíveis por causa desse modelo. Enquanto em outros países profissionais com experiência assim são disputados, aqui ficam esperando milagres.

    • Domingos

      Um complemento: o único crime hoje é falar a verdade. O resto já foi relativizado…

      Uma pena isso chegar até mesmo nas empresas, pois aí ruiu-se tudo.

  • Fernando

    Infelizmente noto que tem alguns que preferem ouvir uma mentira bem contada do que uma verdade.

    Mas creio não ser novidade, também já vi inúmeros casos de orgulho de ser malandro, nem falo de política mas sim do povo em si parecer se digladiar e somente pensar no próprio umbigo.

    • Domingos

      A enrolação “seduz” e é conveniente para muita coisa infeliz.

      Provavelmente é isso mesmo: o outro vendedor possuía essa característica e o gerente a achou essencial para alguma enrolada que ele queira dar no futuro.

      • Fernando

        Pois é Domingos, no caso de vendas isso creio ser muito crítico e até um exemplo prático comum desse fato. Mas na minha área que não é de vendas já vejo muito isso, é preocupante.

        Mesmo para quem vá contratar um serviço, isso acontece muito também, está difícil até conseguir parceria que funcione.

  • Lucas

    Saindo completamente do assunto, Mr. Car, tens interesse e quase R$ 20.000 disponíveis? https://www.meucarronovo.com.br/carro/detalhe/dodge-polara-gl-18-2p-1976-branco-gasolina-0-mcn-7043648

    • LG

      Em 1976 ainda não era o Polara, apenas Dodge 1800 (“doginho”). Se não me falha a memória, Polara só à partir de 79. De qualquer maneira, belíssimo exemplar

      • Robertom

        A denominação Polara foi utilizada a partir do modelo 1976, e veio acompanhada de uma série de melhorias significativas.

  • Alexandre Zamariolli e outros leitores
    Já há matéria sobre o motor do Chevette e como surgiu o “misto-quente”, http://autoentusiastas.com.br/2011/12/a-origem-do-motor-do-chevette/

  • Alexandre Zamariolli
    O comprimento da correia é mero detalhe, os fabricantes delas têm como fornecê-las do tamanho que se quiser.

    • AlexandreZamariolli

      Tem toda razão. Eu não havia pensado nisto.

  • marcus lahoz

    Otimo texto. Imprimi e coloquei no mural da empresa.

    • $2354837

      Exato, obrigado pela lembrança, Bob.