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O primeiro carro a gente nunca esquece

 

Young woman driving car

Lembram daquele comercial da Valisère? Pois é, eu tenho minha própria versão do slogan. O primeiro carro a gente nunca esquece. Tenho certeza de que mesmo quem não curte automóveis lembra do primeiro modelo que teve. Quanto mais quem é uma autêntica autoentusiasta como eu.

No meu caso, o primeiro possante era um Gol branco de terceira mão, bastante rodado. O motor era arrefecido a ar e com dois carburadores, o que lhe dava um ruído que lembrava algo entre uma Kombi e um Trabant com seu velho motor de dois tempos — e desregulava o tempo todo. Em compensação, não tinha radiador. Eu dizia que havia trocado um radiador por dois carburadores.

Estava casada havia um par de anos e eram tempos de dinheiro apertado. O carro foi comprado assim que tivemos uma folga, pois trabalhava até muito tarde no jornal e meu marido atravessava a cidade inteira para ir me buscar e muitas vezes surgiam imprevistos e tinha de me esperar — e ainda tinha de acordar cedo no dia seguinte. Diria que foi um investimento menos financeiro e mais na estabilidade do casamento. Valeu a pena — tanto que estamos casados até hoje.

O carrinho era valente, com um bom motor 1,6. Bem básico, nada de vidros elétricos nem ar-condicionado. Mas era meu e havia sido comprado com meu salário. Fiquei desapontada quando descobri uma rachadura no cárter – e xinguei o vendedor durante um bom tempo. Ele trabalhava numa concessionária de confiança que havia nos vendido outro carro usado mas na hora do meu Gol não sabia que ele não estava mais lá. Ele me empurrou o carro como negócio próprio e aí sumiu. Nem tinha a quem recorrer a não ser aos espíritos do além que devem ter puxado a perna dele a pedido meu.

De tão básico que era poderia ter colocado um monte de trambolhos, mas optei apenas por umas calotas que me davam a ilusão de rodas de liga leve. Pura auto enganação, claro. De resto, nunca coloco nem adesivo nos meus carros, o que faz com que pareça que acabaram de sair de fábrica – e às vezes até arranco o logotipo da concessionária. Agora imaginem um Gol branco, sem absolutamente nenhuma particularidade. Parar no estacionamento do shopping exigia memorizar onde estava, pois havia dúzias iguais a ele.

Não tive problemas com o carro e nem mesmo a rachadura no cárter se fez notar. Era pequena, eu controlava o nível do óleo e quando vendi o carro uns dois anos depois estava tudo OK. Uma única vez fiquei a pé com ele. Estava andando numa sexta-feira no final do dia na avenida Ibirapuera, em São Paulo, quando o carro simplesmente parou num grande cruzamento. Havia quebrado o cabo da embreagem. Como estava a caminho de uma entrevista para o jornal em que trabalhava, consegui que me empurrassem e estacionei o carro numa travessa. Tranquei tudo e peguei um táxi. No dia seguinte fui com meu marido direto até uma loja de autopeças, comprei o cabo de embreagem e fomos até o local. Trocamos (mais eu do que ele, por causa do tamanho das mãos) o cabo e, pronto, o carro andou normalmente. Voltei para casa feliz da vida de ter feito sozinha o diagnóstico do defeito e ter conseguido resolvê-lo.

 

Gol Nora

Não tenho foto do meu primeiro carro, mas era igual a esse (foto carroquente.com.br)

Por via das dúvidas, levei o carro até meu mecânico de confiança, pois tinha receio de ter puxado demais o cabo. Segundo ele, estava perfeito. Eba! Sou um gênio! Bem, Norinha, menos… você demorou uns 40 minutos para fazer algo que um mecânico faz em 10, mas não deixa de ter seus méritos.

Nunca dei nome aos meus carros, e com o Gol branco não foi diferente. Não por nada, nada, talvez falta de criatividade, mesmo. Bem, digo Gol branco mas o fato é que só tive aquele Gol… pois bem, o Gol em questão era tão barulhento com seu motor arrefecido a ar que fui obrigada a colocar um rádio bom. Era entrar no carro e ligá-lo, apenas para não ficar surda com o barulho do motor.

Foi com ele também que aconteceu meu primeiro acidente — de resto, como os outros poucos, levíssimo, por sorte. Saía eu do Estadão depois de uma longa jornada de trabalho e fiz uma rápida parada num supermercado 24 horas — minha única forma de fazer compras naquela época. Na saída, estava na Av. Ibirapuera sentido centro para virar à direita na República do Líbano, exatamente na faixa do meio de três. Naquele lugar, eu era obrigada a seguir em frente, mas em função do volume de trânsito os carros nas duas pistas da direita faziam conversão — erradamente, é claro. À minha direita, um táxi que seria obrigado a virar mas resolveu seguir em frente. Adivinhem o que aconteceu? Dois carros nas pistas erradas, um que deveria fazer a conversão e outro que deveria seguir em frente e nenhum dos dois fez o que devia. O táxi entrou na minha porta direita. Como os dois estávamos saindo de um sinal fechado, foi de leve, mas amassou minha lateral e o focinho do táxi.

Fomos ambos para a delegacia fazer a ocorrência — eram outros tempos pré-internet, e o táxi era de frota, portanto obrigado a fazer o B.O. Com minha habitual tranqüilidade liguei da delegacia para meu marido para avisar que me atrasaria um pouco pois havia batido o carro. Depois de perguntar se estava bem, ele disse que iria até a delegacia. “Não, não precisa, já estou terminando”. “OK, então”. E cheguei algum tempo depois em casa. Tudo supertranqüilo. Como disse minha sábia mãe, ainda bem que meu primeiro acidente foi de leve. “É para aprender que você não é piloto de Fórmula 1 e precisa tomar mais cuidado. Imagina se tivesse sido um acidente sério”. E tinha razão. Rapidamente deixei de me achar o máximo atrás do volante. E sem pagar um alto preço pela lição.

Mudando de assunto: Não posso evitar falar da redução da velocidade máxima nas marginais de São Paulo. Cadê os estudos que embasam as atitudes municipais em relação ao trânsito? Dizer que é para evitar atropelamentos é reconhecer que é mais fácil colocar radares e multar do que tirar os ambulantes e pedestres que não poderiam estar nas marginais. E um ônibus a 30 km/h matou uma pedestre no início do ano no centro da cidade. Vai baixar para quanto a velocidade máxima, então?

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

(Atualizado em 16/07/15 às 20h00, pequena alteração na descrição do primeiro carro da autora)

 

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

  • Carlos A.

    Muito legal Nora. Interessante como um autoentusiasta, sempre lembra com carinho do seu primeiro carro. Eu lembro muito bem do primeiro carro que dirigi, do meu primeiro carro que tive e os demais modelos que passaram por mim além da maioria dos detalhes de cada um. Mesmo que o carro tenha passado por vários donos anteriores, não seja novo e nem tão perfeito assim, fica um entusiasmo e a vontade de falar sobre ele com os amigos. Já aquele que não liga para a coisa, em geral nem lembra a cor do primeiro carro, ou não quer nem lembrar pois o carro tinha lá seus defeitos. Acho que o texto ajuda bem a definir um verdadeiro autoentusiasta. E eu me considero um.

    • Nora Gonzalez

      Obrigada, Carlos A. Eu lembro de cada um dos carros que tive. Nem foram muitos, pelo contrário, mas cada um tem um lugar especial na minha memória.

  • Leonardo Mendes

    Costumo dizer que o primeiro carro é um dos tantos ritos de passagem que nos lembram que deixamos de ser crianças/adolescentes e viramos adultos — ou algo próximo disso.

    Meu primeiro carro foi esse moço simpático aqui, o primeiro a usar o nome Herbie (perdoem a má qualidade da foto mas era o melhor que a Yashica MF-3 podia fazer na época):

    http://www.planetabuggy.com.br/extintos/jobby/leonardo/lateral_02.jpg

    Montado sobre um chassi de Fusca (ora, que novidade…) 1971 e impulsionado por um motor 1600 de carburação simples (segundo meu pai era mais fácil de regular), esse foi o fiel que levou este Speed Racer de quermesse e sua trupe pra todo canto durante os anos de 1990 a 1993…meu rito de passagem, meu amigo, meu irmão.

    Os mexicanos é que estavam certos: “Es increíble que un auto tan pequeño deje un vacío tan grande.”

    • Domingos

      A foto tá boa, hoje seria considerada “conceitual”… 🙂

      O escaneamento é meio complicado com fotos de filme e isso que estraga um pouco, porém uma foto bem tirada tinha qualidade boa sim.

  • Meu pai tinha um Golzinho desses. O carrinho era lindinho, mas aquele barulho de garapeira, junto com os dois carburadores, dava desgosto, rsrsrsr… Difícil fazer o bichinho pegar no frio.

    Lembro de quando era inverno, meu pai acordava uns quinze ou vinte minutos antes que a gente só para fazer o carro pegar, rs…

    Em tempo, não sabia que tinha Gol com motor BX pós face-lift de 1987… Achava que todos os BX eram do primeiro modelo, como esse:

    • Rodolfo

      O carro do seu pai devia ser a álcool. Meu pai teve uma Caravan – 2.5-L – ano 1981 – a álcool, era uma tristeza fazer pegar no inverno… chega a acabar a bateria na tentativa de ligar.

    • Davi Reis

      Também não me recordo da existência do Gol com a frente semelhante a do Fox e equipado com motor a ar. Será que a Nora se confundiu ou era uma mosca branca (quase que literalmente, risos)?

    • Fat Jack

      Pelo que eu sei os BX (denominação em 86 para os arrefecidos a ar) morreram ainda na linha 1986, nunca soube de um 1987 a ar…

    • Domingos

      Minha vizinha na época tinha um igual, com essas rodas e tudo.

      Lembro do carro ter maçanetas duras (ela tinha que usar uma chave para abrir uma das portas, colocando muita força) e que era mesmo muito barulhento.

      Era desconfortável mesmo o barulho enorme que fazia. Na época, não conhecendo de carros, isso junto com a aparência faziam para mim o Gol apenas um carro feio e ruim.

      Tínhamos um Escort e era um outro mundo de carro. Não sabia que os Gols tinham a boa reputação que carregavam até recentemente, porém continuo ainda com parte da visão que tinha pela inocência: tinha coisa bem melhor pelo mesmo preço.

      Ao menos a geração 1 era, com motor AP, realmente resistente. As últimas da mecânica e base tradicionais, nem tanto.

  • Thiago Teixeira

    Como eram bons os Escorts, Gols, Unos, Chevettes.. carros simples. Um tempo atrás estourou a atuador hidráulico da embreagem do antigo Focus Mk1 do trabalho. Imagina fazer o reparo tão rápido e fácil como a troca do cabo do Golzinho!

    • CCN-1410

      Mas de vez em quanto esse cabo deixava um ou outro carro na mão, hehehe…

      • Fernando

        Fui um, justamente com um Escort… hehe

    • Fat Jack

      E tão barato, uma embreagem com atuadores acredito não sair por menos de R$1.000,00, sendo só os atuadores uns R$250,00/R$300,00…

      • Thiago Teixeira

        E para trocar um normalmente já troca o outro..

  • Rodolfo

    Eu quase atropelei um morador de rua em frente a Catedral da Sé, na altura da Av. Liberdade – Centro – São Paulo-SP. Ele surgiu do nada da frente de um ônibus que estava estacionado. Na freiada ele se assustou e voltou para a frente do ônibus. Acho que eu estava a uns 50 km/h. Depois que a gente atropela um vagabundo destes quem se dá mal somos nós.

    • Mingo

      Cara, como você sabia que o sujeito era morador de rua e também vagabundo???
      Está até parecendo aqueles moleques que “tacaram” fogo no índio Pataxó e depois se justificaram que era apenas um mendigo deitado no banco.
      Lamentável esse Brasil e seus brasileiros…

      • Rodolfo

        Só de olhar para uma pessoa e ver como ela está vestida e o que carrega se deduz se é morador de rua ou não.

    • Davi Reis

      É mesmo de matar. Essa semana mesmo, estava trafegando por uma avenida movimentada, horário de rush, quando um morador de rua (aparentemente dos mal-intencionados) resolveu parar no meio da avenida na frente de outros carros. Depois continuou atravessando e começou a gritar e mexer com um pessoal que estava alguns carros pra trás de mim. Acabei não ficando pra ver o desfecho disso, mas coisa boa não era mesmo.

  • Avatar

    O parágrafo sobre a redução de velocidade explica de forma sutil – sem usar os palavrões que inevitavelmente me vem à cabeça – como é feita a administração da cidade de São Paulo pela atual gestão…

  • Mr. Car

    Claro que não esquece, he,he! Meu primeiro (meu mesmo, pois antes “tive” os carros do meu avô, que podia usar como se fossem meus, com uma Caravan de Luxo 4-cilindros 1976 inaugurando os trabalhos) foi um Alfa Romeo 2300 77 já com 16 anos de uso, mas impecável e original. Me lembro quando saí da loja com a nave, parei no posto, enchi o tanque de 100 litros (gasolina cerca de R$ 0,50 litro, bons tempos, he, he!) e peguei os 30 km de estrada até a fazenda do meu avô, para testar o bicho mais longamente. Falava sozinho comigo mesmo, transpirando orgulho e felicidade por todos os poros, as mãos naquele lindo volante em alumínio e madeira: “É meu. É todinho meu. Cada pecinha dele é minha!” Fiquei cinco anos com ele, sem nunca ter me dado um probleminha, só tenho boas lembranças do meu primeiro companheiro de quatro rodas.

    • CorsarioViajante

      Quando comprei o meu também tive esta sensação, que delícia!

    • CCN-1410

      Esta aí seu gosto por Alfas.
      Eu nunca pude desfrutar de nenhum carro dessa marca, talvez por isso eu não não dê a mínima para eles, mas sempre tive paixão pelos caminhões “Fenemês”.

      • Mr. Car

        No tempo dos FNM nunca liguei para caminhões, mas agora…tem cada um de fazer babar pelo luxo, conforto, e beleza. Tenho um amigo cujo sonho é comprar um (só o “cavalo”) e sair pelas estradas sem rumo, fazendo turismo mesmo. Hoje, já me agrada o sonho dele. Eu compraria um também, cabine leito, e poderíamos sair por este mundão véio sem porteira brincando de Pedro e Bino, he, he!

      • Antônio do Sul

        Você se lembra da propaganda de lançamento do Mercedes Classe A nacional, em 1999? Em resumo, fazia um “flashback” da vida de um fã de meia idade da marca, mostrando o início de sua adolescência, quando lia revistas sobre os carros da Mercedes, e o início da fase adulta, quando viajava de carona com caminhoneiros. Nessa última parte, à beira da estrada, ele deixava passarem os FNM para pedir carona aos motoristas dos Mercedões cara-chata…Enfim, o “coió” não sabia a aula de direção e quanta história interessante estava perdendo, sem falar na oportunidade de escutar um ronco mais bonito do que qualquer música.

    • agent008

      Mr. Car, responda por favor a pergunta que não quer calar: onde está hoje o seu 2300??? Onde??? Um dia cometerei uma loucura e comprarei um destes bichos. É, para mim, o ápice da fabricação nacional de tecnologia avançada pré Inovar-Auto, tendo sido depois igualado apenas pelo Omega.

  • Lemming®

    Eu acho que a intenção é baixar tanto a velocidade que andando irá mais rápido!
    Mas claro que não haverá diminuição do IPVA e nem do seguro obrigatório, não é?

  • J Paulo

    Gol a ar é um carro subestimado. Já guiei um e sua dirigibilidade é excelente! Meu primeiro carro foi um Fusca 73, reformado, rodas de kombi e volante cálice. Um vermelho lindo que, quando eu lavava, era notado a km de distância. Mas confesso que me arrependi por um lado. comprei na esperança de ser econômico em termos de combustível. Antes eu tivesse comprado o Passat 81 inteirão que tinha visto, dias atrás…

  • CorsarioViajante

    Não tenho como esquecer meu primeiro carro pois ainda é meu único carro do dia-a-dia! 🙂

  • Christian Bernert

    Agora entendi. A diminuição da velocidade nas marginais é para viabilizar o comércio ambulante. Claro, faz todo o sentido.
    Bota lá vender água, refrigerante e biscoito de polvilho. Com certeza isto vai ativar nossa economia, tão abatida com a crise, que aliás foi engendrada pelo… PT!

    • Nora Gonzalez

      Christian Bernert, (modo irônico ativado, como diz o Marcelo R.) agora entendi qual é o real motivo desta redução. E eu, insensível ao desemprego que grassa nesta cidade.

  • Christian Bernert

    Meu primeiro carro foi um carro familiar. Uma Parati ano 1984. Ela havia sido do meu avô, depois do meu pai. Para completar a vocação familiar eu terminei vendendo ela para a minha irmã. Ficou em família até os 250 mil Km. Impossível não deixar saudades após uma convivência tão longeva.

  • Lorenzo Frigerio

    Motor VW-ar tem cárter? Não é a própria carcaça do motor?

    • Fernando

      Entendo que foi só como se expressou, assim como na parte que citou o radiador, já que no VW boxer tem sim radiador, só não é de liquido, mas sim o de óleo.

  • CCN-1410

    Meu primeiro carro está sempre em minhas recordações. Foi um Fusca 1500 azul pavão que tirei as calotas, (ao contrário da norma), e a maioria dos niquelados, inclusive os protetores dos “piscas” dianteiros.
    Se único problema é que era muito gastador.

  • Fat Jack

    Não esquece mesmo!
    E agradeço muito ao meu pai pela paciência que teve (com o carro e comigo) afinal dividíamos a mesma (e apertada) garagem e enquanto ele tinha um Escort eu inventei de levar um igualzinho ao da foto para casa (Cupê, 4 cilindros, 78, dourado e monocromático), fazer o quê, foi paixão forte, instantânea e a primeira vista… legítimo muscle-car nacional, só que não!!!!
    “…Cadê os estudos que embasam as atitudes municipais em relação ao trânsito?…”
    Se é que hão, foram devidamente comprados com dinheiro de fontes escusas…

  • Lorenzo,
    Modo de dizer. O cárter é integrado à carcaça. “Cárter” aí é no sentido de reservatório de óleo.

  • Roberto Neves

    O meu foi Fiat 147 1050 cheia de buracos e de problemas. Não deixou saudades, mas foi nela que comecei a dirigir carro (já dirigia moto).

  • Carlos Eduardo

    E não tem mesmo, Gol a ar só até 1986, antes de usar para-choque de plástico e o retrovisor mudar.

  • nbj

    Nesta época, meu pai teve vários Corcéis e Del Rey a álcool. Pegava de primeira, mesmos nos dias mais frios.Bastava uma seringada de gasolina. Acho que foi o motor que melhor se adaptou ao álcool.

    • André Castan

      Com certeza nbj. Os Ford nessa época conseguiam ser bem melhor nesse quesito.

  • Vitorio Roman

    Meu caso é semelhante ao seu,meu primeiro e único carro é um Voyage branco 1983, aliás nascemos no mesmo ano eu e ele e ano que vem em fevereiro completamos 10 anos de parceria.

  • Nora Gonzalez

    J Paulo, outra vantagem do Gol a ar era que a gente não precisava lembrar de colocar água no radiador…

    • J Paulo

      E a direção é bem leve, talvez pelo fato do motor ser mais leve

  • Luciano Ferreira Lima

    Sra. Gonzalez, que texto maravilhoso! Se um dia passar com a família em Leopoldina MG, está convidada a vir na nossa casa na roça, porém à beira da estrada aprox. 100 m e levar muitos ovos de galinha caipira. Abraços e continue colocando o coração no que escreve.

  • Junior

    O meu primeiro carro também foi um Gol 1.6 a ar ’83 prata. Subia a Imigrantes a 140 km/h sem preocupação com superaquecimento (bons tempos que não tinha radar). Era comum ver naquela época carros parados com uma mangueira do radiador estourada na subida da serra.

  • André Castan

    Ótimo texto Nora! Adoro essas “viagens no tempo” e realmente, o primeiro a gente nunca esquece.
    Acredito que o seu Golzinho era o popular batedeira, apelidado carinhosamente dessa forma pelo nível de ruídos e vibração do motor, porém muito valente. Talvez eu esteja enganado, mas o seu não era exatamente esse da foto que você colocou. Acho que esse da foto era somente refrigerado a água, já do final da década de 80. Acredito que o seu deveria ser esse modelo abaixo.

  • fred

    O meu foi um que tantos outros também tiveram como primeiro carro: o bom e velho Chevette. 83, o primeiro ano modelo “monzinha”. Apesar da simplicidade e do motor fraco, tinha direção e cambio mais macios que muitos carros de hoje. E, claro, era a álcool. Que, aliás, não me incomodava por isso: pouco depois que o comprei, saquei como funcionava o carburador simples dele em conjunto com o (lembram?) afogador; peguei a mão de regular o sincronismo da borboleta que jogava mais álcool com a que fechava o ar, nunca mais deu canseira. Era um ritual: de manhã ligava-o com o afogador puxado, saía dele e ia prender o cachorro, abrir o portão e o carro já tava pronto pra sair sem ficar rateando! Velhos tempos…

    • m.n.a.

      Tempos ATUAIS para alguns…

      Ainda utilizo um Chevette 1990, 1,6 gasolina…herdei da minha irmã…

      Mesmo assim uso o afogador para a primeira partida do dia e os primeiros segundos de funcionamento, depois são 10 minutos em marcha-lenta antes de sair, para esquentar …

      É o segredo para a longevidade desse motor! Foi retificado com 107.500 km em 2002 e agora está com 269.000 km….

      • KzR

        Uma boa quilometragem acumulada, sem dúvidas. Não sei se teria a mesma paciência de esperar os 10 minutos em marcha-lenta (vale 5 minutos?), mas é uma boa das várias maneiras de se preservar sua saúde. A longevidade agradece.

        • m.n.a.

          Talvez 10 minutos seja exagerado pra gasolina…mas é um motor que precisa de aquecimento!

          interessante ver como a Quatro Rodas “derreteu” um Chevette a álcool (ed. 350 , setembro 1989) por mau uso, dizendo ainda que 50.000 km era “seu limite”…..

          Andar frio é pedir pra “estragar” esse motor!

          • Fernando

            Concordo que andar frio é complicado, até porque precisa estar muito bem regulado para não ter engasgos e coices.

            Mas nunca tive problemas com eles (e eram a álcool), que com coisa de 5 minutos esquentando já podia sair sem problemas. Neste caso o segredo é a válvula termostática boa, e aquecimento do coletor, além de um bom ajuste do carburador, ponto e componentes.

            No meu que é um 1,6 a álcool como o tenho há um bom tempo e com isso aprendi bem as manhas dele, hoje posso dar a partida e somente dar as manobras na garagem e sair, que durante o andar ele aquece perfeitamente, basta durante essa fase não abusar, que não tenho problemas.

    • zeuslinux

      O meu primeiro carro também foi um Chevette 1,6, acho que ano 83 também.

      O que adorava no Chevette é que, graças à tração traseira, o carro esterçava MUITO, o que permitia fazer balizas que carros bem menores da época, como o Fiat 147 tinham dificuldades de fazer. A tração traseira fazia também com que o carro parecesse muito mais forte do que era em subidas íngremes. Uma vez peguei uma estrada de terra onde só Fuscas, Brasílias e Chevettes passavam num trecho de subida com lama e carros bem mais potentes como Monza não passavam de jeito nenhum.

    • Roberto Neves

      Tive um Chevette a álcool 1985 e também fazia esse ritual com o afogador (só que morava em apto. e não tinha cachorro). O carro era muito valente e, como comentou o zeuslinux, tinha um jogo de direção fabuloso, provavelmente por ter tração traseira. Fiz algo com esse carro que pouca gente faz: troquei as rodas de liga leve que vieram com o carro por outras de ferro.

    • Fernando

      A regulagem da quantia de combustível injetada é muito importante, tanto que geralmente na haste com essa função tem um parafuso ou algumas marcações que pode optar por alterar o volume de combustível na aceleração rápida. Se for demais, junto de afogador, o motor pode até apagar por excesso.

  • Fat Jack

    Ou teve na verdade algum dos muitos pré 87 com para-choques envolventes adaptados, verdadeiro top da moda das adaptações da época…

  • Lorenzo Frigerio

    Quase atropelei um vagabundo desses também (acho que não era morador de rua, mas estava bebaço). O cara tinha descido de um ônibus que havia parado no ponto em cima do viaduto da Pça. 14 Bis, e eu vinha pela faixa da esquerda. Ao invés dele esperar o ônibus ir embora, resolveu atravessar na frente do ônibus, onde eu não podia vê-lo, e de repente lá estava ele. E ainda reclamou.

  • KzR

    Ontem vi em um noticiário a mesma crítica a redução da velocidade nas marginais. Não há milagre enquanto pedestres, ambulantes e motos continuem a passar impunes. Ainda bem que há pessoas de olhos abertos em São Paulo além do Ae.

    Fantástica história, Nora. Um Gol simples, mas muito querido e valente.

    • Avatar

      KzR,
      Que noticiário foi esse? Porque até agora não vi nenhum meio de comunicação (além deste onde escrevemos) se manifestar contra essa medida idiota e descabida…
      Falta, porém, alguma entidade de peso entrar na justiça contra esses desmandos que a secretaria de transportes vem cometendo…

  • Gustavo França

    No meu caso foi um VW Pointer CL 1.8 1994. O carro foi comprado de uma seguradora, tinha sido sinistrado e precisava de uma reforma para estar em condições de andar (não tinha faróis, nem grade). Depois de uma pequena reforma (que incluiu motor e funilaria) comecei a usá-lo no meu dia-a-dia (Interlagos/USP, USP/Cidade de Deus -Bardesco e de volta para Interlagos). Algo como 50 km diários numa Marginal Pinheiros bem mais livre. Gostava do motor, potente e sofria com a falta de uma direção hidráulica e do ar-condicionado, afinal na época trabalhava de terno e o carro era preto. O carro teve um fim melancólico, pegou fogo. Ia eu fazer uma entrevista de emprego no ABN/Real, e ao abastecer o carro no posto da Nações Unidas perto da Ponte do Socorro, comecei a sentir um forte cheiro de gasolina entrando na cabine. Levei o carro até a região da Vila Cruzeiro (estava dando carona ao meu irmão, que trabalhava por lá) e abri o capô e vi que estava vazando gasolina na caixa do motor, por um furo na mangueira (que havia sido trocada no dia anterior). Consegui falar com meu pai para que ele viesse ao local e eu fosse a minha entrevista com o carro dele, enquanto ele chamava um guincho para levar o carro de volta à oficina. Resumo da ópera, o cabeça-dura tentou levar o carro até a oficina, andou um quarteirão e o mesmo começou a pegar fogo. Fui só saber do ocorrido, à noite quando cheguei em casa da faculdade e soube que não tinha mais carro…

  • Domingos

    Bom, quantos mil anos tem esse Focus? Uma coisa hoje é que tudo complicou e ficou mais caro, porém não se fica mais a pé num carro ainda dentro da vida útil e mantido razoavelmente.

    Lembro de quando comecei a aprender a dirigir num Santana 2000 bem usado, que no entanto sofria um monte de manutenções preventivas.

    O cabo da embreagem arrebentou mesmo tendo sido trocado o conjunto recentemente.

    O conserto foi rápido e fácil, no local mesmo, porém ficamos umas horinhas esperando.

    Um carro atual simplesmente não quebra. Qualquer um, com raras exceções – geralmente de modelos com problemas conhecidos em algo específico.

    Quando chega a idade, 10 a 15 anos, obviamente chega na hora de trocar componentes que são mais caros porque simplesmente são MUITO melhores que os usados no passado.

    O pessoal fala, porém com essa idade um Chevette já trocou meio carro de coisa e já deixou o dono a pé várias vezes.

  • Nora Gonzalez

    Andre Castan, provavelmente você está certo. Mas por incrível que pareça nem meu marido nem eu temos certeza do ano que era o Gol. Talvez 77 ou 78. Mas achamos que tinha mais de dez anos quando o comprei – dai a confusão com o modelo que era do final dos anos 80. O meu era um LS, isso com certeza.

    • J Paulo

      O Gol surgiu em 1980.

      • Nora Gonzalez

        J Paulo, certíssimo. Recapitulando, o carro era do começo dos anos 80 e foi comprado com uma década de uso.

  • Roberto,
    Bastava iniciar a marcha com usando o afogador, não era preciso deixar o motor esquentar. O bom esterçamento do Chevette não era por ter tração traseira. O diâmetro de curva dele era 9,8 m com entreeixos de 2.390 mm, enquanto o do March de tração dianteira, mesmo maior, 2.450 mm, não impede que vire em 9 metros. Nesses dois casos tratou-se de vontade do fabricante.

    • Roberto Neves

      Bob, na verdade, era o que eu fazia: puxava o afogador e saía com o carro. No entanto, li comentários aqui dizendo que o motor do Chevette “pedia” um aquecimento prévio, do contrário teria sua durabilidade prejudicada. Como fiquei com o carro por pouco tempo, não posso julgar isso. O que você acha? Gracias!

  • Roberto Neves,
    Nada a ver uma coisa com a outra. Puro mito.

    • Roberto Neves

      Grato, Bob!