MÁQUINA DO TEMPO, O ALFA ROMEO 4C


 

Foto Legenda 01 coluna 2715 - Alfa 4C

Alfa 4C

Ele é instigante, reativo, feito quase artesanalmente e, melhor dos mundos, produzido agora já é considerado um futuro Clássico. Claro, tal rótulo não em proveniência nacional, de repórteres mal informados ou comerciantes descompromissados, assim chamando qualquer lata velha cuja característica maior é o peso dos anos.

Clássico, para quem do ramo, é produto com projeto individual reunido a melhor mão de obra, os melhores processos e materiais, caro e de produção contida. Quer um exemplo? Os mito-marquetados Ferraris candidatam-se a tal rótulo, apenas se com motor 12-cilindros. Automóvel criado de supetão, em poucos dias, produção extra Fiat e limitada pela pequena capacidade da empresa fornecedora do monobloco em compósito de fibra de carbono. Construção típica de carros de corrida, congrega resistência com baixo peso, um dos segredos de seu desempenho. Com pequeno motor, de produção igualmente especial, porém base para futura família, 4 cilindros em linha, construção em alumínio, 16 válvulas, gasolina injetada diretamente e turbocompressor. Seus 1,75 litro produzem 240 cv de potência. O baixo peso, 895 kg, permite ótimo rendimento, um comportamento arisco. A colocação entre eixos traseira ajuda muito na estabilidade.

O Alfa Romeo 4C, no caso aqui relatado, é a recente versão Spyder, conversível — já dirigira, contidamente, a versão cupê, inaugurando a família. Baixo, relativamente confortável para entrar e sair, oferece a sensação de vestir os ocupantes.

Não há espaço de sobra e, pela ambiência, a proximidade do solo, o nervosismo na reatividade, lembram os Lotus dos tempos de Colin Chapman.

Não é automóvel para ser o único da família; não serve para levar meninos ao colégio; sequer para fazer compras no mercado. Também não o é para moças, exceto para as que efetivamente gostam de conduzir e entendem do produto, até porque a noção de rodagem confortável é-lhe antagônica. Como passageiras, reclamarão. A saída de ar-condicionado é atravessada sob o painel em couro pespontado em vermelho e, no espaço exíguo, disputa com o joelho esquerdo da/do acompanhante. Para manter-se no solo tem a suspensão endurecida, e a direção é sem assistência, exigindo braços e músculos peitorais dispostos. Para os de boa memória, o rodar de um Puma VW, perto do 4C, é de Rolls-Royce.

Acomodado — ou vestindo o automóvel —, pedaleira esportiva, sem alavanca de marchas, apenas botões no console. A alavanca de marchas e seu engatar, característica Alfa, inexistem. Mudanças automáticas no câmbio de seis marchas e dupla embreagem. No console, botão rotativo em alumínio recartilhado, permite quatro tipos  de regulagens para motor, faixa de mudança de marchas, reatividade da suspensão.

Ronco másculo, elaborado — a Alfa Romeo tem se especializado em manter sua assinatura sonora — avisa logo de sua personalidade. Anda como quiser o freguês. Desde mudar marchas em baixas rotações, como fazê-lo em seu limite, com o motor viril troando pouco atrás de seus ouvidos, e com a música física do turbilhonamento da transformação da queima de ar e gasolina, em energia e ruído. Há artifício eletrônico típico do câmbio — uma aceleração do motor, como se fosse automóvel com caixa de marchas sem sincronização, exigindo ao motorista uma acelerada para compatibilizar velocidade, rotação do motor e do câmbio. Quem ouve tributa homenagens.

Freia muito, e o ABS só opera no limite da irresponsabilidade, curva muito bem, mas lembra a toda hora ser um brinquedo a exigir identidade. Bobeou, ele tende a sair de traseira, demandando contra-esterço e cautela para acelerar na correção. É daqueles automóveis que resgatam a exigência de cumplicidade para conduzi-lo. Pista de Balocco, a grande fazenda ex-Alfa, ex-Fiat e agora FCA a 70 quilômetros de Milão, e pomposamente chamada FCA Prooving Ground, com emaranhado de pistas para avaliação, incluindo o circuito escolhido, reproduzindo curvas famosas de autódromos da Fórmula 1. Meu guia na pista, piloto de testes, estava em casa. Andava rápido, contido — limitava a 200 km/h a velocidade máxima —, mas desenhava o circuito invejavelmente, instigava segui-lo. Um professor. Você se sentia como ele — mas sabia, o limite do mestre estava muitíssimo acima dos seus esforços.

É um carro de marketing, como o antecessor 8C, dirigido no mesmo circuito.

Feitos para manter vivos, instigantes, tema de assuntos e dúvidas, a imagem e o interesse pela marca no deserto de produtos quase ao final. Produção limitada pela pequena capacidade industrial do produtor do monobloco, embora sempre aumentada pois a demanda superou a capacidade de entrega. E não virá para o Brasil. À Argentina, onde não se exige adaptações para funcionar com a mistura gasálcool, prometem-se três unidades. Custa médios  € 63.000, o equivalente a cerca de R$ 217.000.

Como eram o MiTo e o Giulietta 1.4 turbo também à disposição no circuito? Não sei. Em dia de caviar você não deve misturá-lo com sardinhas…

 

RODA-A-RODA

Cruze – Apresentado nos EUA, previsto para início de 2016. Aqui, Salão do Automóvel do mesmo ano, e vendas como modelo 2017. Relativamente às unidades atuais, cresceu 7,5 cm, baixou 2,5 cm, adelgaçou 110 kg, tornou-se mais fluido e o mais aerodinâmico dos sedãs GM.

Trilha – Segue caminho de mudança de gosto do consumidor, automóveis menores, com menor consumo. Motor dianteiro, transversal, em alumínio, quatro cilindros e modesta cilindrada, 1,4 litro, 16 válvulas, abertura variável, injeção direta, turboalimentado. Potência imaginada para o Brasil circa 150 cv. Motor e Cruze serão argentinos.

Surpresa – Cruze é fenômeno nos EUA. Em 2014, dentre os compactos foi o terceiro mais vendido, 273 mil unidades, atrás de Toyota Corolla, 340 mil, e Honda Civic, 326 mil. Curiosidade é ser projeto coreano, herdeiro da Daewoo.

 

Foto Legenda 02 coluna 2715 - Cruze

Mary Barra, presidente da GM, apresenta o Cruze

Mudança – No limbo gerado pelo pedido de demissão de Ferdinand Piëch, ex-presidente executivo do VW Group, e a posse de novo membro da mesa diretora, Martin Winterkorn, há clima de fim de festa — o encerrar do atual projeto de gestão —, e o início da proposta do novo diretor e novo condutor.

Foco – No caminho das obviedades está sacudir a estrutura e fazer crescer vendas nos EUA e no Brasil, onde a marca caiu; cortar custos para aumentar lucros; retomar velocidade de crescimento para assumir a liderança mundial.

Fofoca – Jornalistas europeus e norte-americanos insuflam tese de remoção de Christian Kingler, chefe de vendas do grupo, nomeador dos diretores de vendas, incluindo EUA e Brasil, mercados em queda. Na prática presidentes locais convivem com subordinado hierárquico, porém autônomo no acatar ordens diretas do diretor alemão.

Aqui – Atribui-se a Klinger a substituição de executivos brasileiros por alemães sem conhecimento do mercado nacional, e as quedas de vendas e participação.

Idem – Localmente a recente nomeação do argentino Jorge Portugal como nº 1 de vendas foi exigência de David Powels, novo presidente da VW do Brasil, batendo com algum instrumento poderoso na mesa, dizendo, se mandassem outro alemão para vendas, que fossem dois — outro para substituí-lo na presidência.

Questão – Mundo globalizado, competitivo, dispensar gente não é problema, exceto em feudos familiares, como no caso do controle de VW AG e de sua controladora a holding Porsche SE. Ele é chairman da Porsche Salzburg, maior rede de concessionários na Europa, criada por Louise, mãe do demissionário Piëch – e filha do professor Porsche. E casado com sobrinha da família.

Festa – Um ano de mercado, e o pequeno picape chinês Lifan Foison, em vendas supera a soma dos concorrentes. Razão, ter motor de 1,3 litro, 85 cv e maior caçamba da categoria.

Prévia – Na internet fotos do novo picape Fiat na linha de produção da FCA em Goiana, PE. E desenho do produto. O nome, Toro, é de sonoridade e imagem aos visados mercados latino americanos — confirmado por fonte acreditada.

Foto Legenda 03 coluna 2715 - Fiat Picape Foto Auto Esporte

Linhas do novo picape Fiat são estas. Nome, Toro, também (foto Autoesporte)

Caminho – VW iniciou produzir o motor 1.0 TSI — o up! turbo. Três cilindros, 101 cv a gasálcool e 105 a álcool– sem turbo 75 e 82 cv. Torque saltou de 10,4 para 16,8 m·kgf. Disponível a partir da versão move up!

Tratamento –  Você anda triste, sem graça? A Volkswagen pensou em você. O up! muda conceito sobre tamanho, desempenho e agradabilidade de dirigir, será lançado em dias.

 

Foto Legenda 04 coluna 2715 - UP

up! turbo terá tampa traseira preta

Mais – Anunciou investir R$ 460M na fábrica de São Carlos, SP, para produzir nova família TSI, os motores com injeção direta, abertura variada de válvulas e turbo. Moverão VWs, como up!, Jetta, Golf, e Audis, como A3 e Q3.

Aqui, não – O Latin NCAP, entidade aferidora de segurança em veículos, cancelou os pontos dados ao Renault Clio montado na Colômbia com partes brasileiras e argentinas. Motivo, num primeiro teste caiu em exigência e a marca prometeu compor o veículo, não o fazendo. Renault brasileira explicita, a versão aqui vendida tem legalmente o ABS e almofadas de ar. Lá, não.

Inverno – Carro a álcool dependente do jurássico tanquinho não gosta de partida no inverno. Ao combustível vegetal falta capacidade de vaporização para ignitar em baixa temperatura, daí o auxílio do gasálcool para iniciar funcionar.

Preparação – Para melhorar o processo, gasálcool novo no tanquinho; bateria em bom estado com bornes e terminais limpos; velas em boa operação, eletrodos regulados; cabos de velas limpos e com boa condutividade. E, conselho de mecânico velho, coloque 20% de gasolina no álcool. Mistura não é chocolate, mas é uma alegria.

Volta – Nélson Ângelo Piquet, o segundo na atual geração da família, venceu o Campeonato FIA de Fórmula-E – uma espécie de Fórmula 1 com motor elétrico. Seu carro utilizava motorização Renault, então padrão na categoria. Bom retorno. Nélson havia deixado a Fórmula 1.

Categoria – É uma incógnita. Neste ano cada prova foi ganha por piloto diferente. Na próxima temporada, com a liberação de fornecedor, a disputa terá mais uma variável: motores e eletrônica, além de chassis e piloto.

Mais – DS, marca de luxo da Citroën, associou-se à inglesa Virgin Racing Engineering na Fórmula-E FIA. Apostam na vitrine de tecnologia e na atração pelas disputas. Desenvolvimento e a imagem da tecnologia de vanguarda muito interessam aos fabricantes de automóveis na transição de matriz energética.

Negócio – Atual mercado automobilístico não vende preferências, fidelidade, agrado: compras são por condições de pagamento. Ágil, o Banco Rodobens estimulou vendas das concessionárias do grupo, com proposta atraente.

E? –Trocar seminovo por 0-km, refinanciando com parcelas iguais ou menores ao contrato original. Em dois meses, com negócios em casa, gerou mais de R$ 1M em vendas e metade deste valor em financiamento.

Cuidado – Veículos de transporte escolar serão obrigados a utilizar cadeira de bebê para crianças até 7 anos e meio. São três modelos: “bebê conforto” entre 1 e 4 anos; daí aos 7, cadeiras com assento de elevação, encosto e cinto próprio. Descumprimento gerará multa de R$ 191,54 e 7 pontos na CNH. A partir de fevereiro de 2016.

História – Quatro de julho marca a operação que transformou a franco-italiana Simca em dono das operações Ford na França, e segunda maior fabricante do país. Também, o início do fim da marca.

Afinação – Legisladores de Portugal criaram conta ao contrário: em vez de perder pontos por infrações de trânsito, motoristas podem ganhá-los assistindo aulas sobre o Código e procedimentos, e poderão abatê-los de outras penalidades. Negócio objetiva reduzir elevada acidentalidade.

Negócio – Enquanto os aficionados vêem a Fórmula 1 como disputa esportiva, a bilionária movimentação não passa de atividade comercial bem explorada pela detentora de seus direitos, incluindo transmissão.

Interesse – Empresário norte-americano, Stephen Ross, 75, investidor e dono do time de futebol Miami Dolphins, associado à Quatar Sports, querem assumir o negócio, comprando 35,5% das cotas da CVC Capital Partners, e os 5% detidos por Bernie Ecclestone, 84, mandão da Fórmula 1. Valor da proposta, 6,2B de euros.

Gente – Domingos Boragina, 57, advogado, especialização em marketing e finanças, mudança. OOOO Saiu da mesa da Citroën, onde comandou a expansão da rede concessionária e mudou de sala para assumir a direção comercial da Peugeot. OOOO Substitui Abelardo Pinto, agora do outro lado do balcão, diretor comercial do Group 1 Automotive  OOOO Osamu Suzuki, 85, presidente e executivo-chefe na marca, indicou sucessor. OOOO Toshihiro Suzuki, 56, filho. OOOO Não assume agora os cargos do pai, apenas quando do afastamento do mais longevo condutor de indústria automobilística. OOOO Olimpio Jayme, 86, antigomobilista, passou. OOOO Ativo, movimentado, advogado estelar, foi referência e base para a criação do antigomobilismo em Goiás, e a solidificação de relações com o movimento brasilienseOOOO Do ramo, mesmo antes do movimento, preservou o Ford Modelo A, de 1929, com o qual, à falta de estradas, atendia à clientela no Goiás. OOOO

RN

nasser@autoentusiastas.com.br
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