Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas EM JUNHO VENDAS SE ESTABILIZAM – Autoentusiastas

Junho não foi o terror que se esperava e as vendas, em queda, até se estabilizaram.

Vendas seguem poucas, emplacamentos totais diários estacionaram na casa dos 10.100 nos 21 dias úteis de junho, ficaram em 212.524. Somando-se as vendas do primeiro semestre de 2015, tivemos 1.318.949 unidades emplacadas, a média diária ficou em 10.500, ou seja, havia uma tendência de queda e esta mais ou menos parou, um sinal de alívio, na mais otimista das hipóteses.

Este parâmetro tornou-se padrão válido da indústria nacional faz um tempo, vendas diárias, você pode compará-las nos meses de qualquer tamanho, com ou sem feriados e atenuar a sazonalidade. Por exemplo em 2013, melhor ano da indústria, a média anual de emplacamentos diários foi de 14.700; ano passado, no 1º semestre, 13.300.

Estamos vivendo uma retração média de vendas na casa dos 20,7%, comparando com 2014, mas os números enganam um pouco. Há incentivos de vendas abundantes, mudanças no mix, entrada de novos contendores e novos modelos que comem participação e também as vendas a frotistas, que gozam de maiores descontos (você pode ter uma frota de um veículo…), que dependendo do mês varia de 20 a 50%, fabricante a fabricante, cada um se virand0 da maneira como pode para desovar a sua produção.

Nos EUA, o parâmetro mais em moda de análise de vendas de automóveis é o SAAR (acrônimo de média dos últimos doze meses ajustada sazonalmente). Eles vão de vento em popa, batendo recordes sucessivos de emplacamentos, encostaram em 17,7 milhões nos últimos doze meses, mas há abusos nas concessões de crédito e outros que evitarei comentar aqui por termos problemas sobrando a observar em nosso mercado.

A produção de junho foi um baque, 184 mil unidades, estavam ajustando estoques que insistem em ficar acima dos 50 dias (fábrica e concessionários). Este mês os quatro maiores fabricantes estão em clima de férias coletivas, o que significa mais ajustes para baixo, alguns negociando com sindicatos redução de jornada e de salários, procurando garantir o emprego. Ano difícil.

Descontos e promoções, uma curiosidade: em 2015 a Europa vive consistentes e lentos sinais de saída da crise nos seus maiores mercados, no entanto um estudo que recebi mostrava que na França e Alemanha, os descontos praticados sobre a tabela chegavam a 21% para veículos do porte de um VW Passat e 19% para os médios, como VW Golf, Ford Focus, Opel Astra etc. Há dois ou três anos esses descontos eram 5 ou 6 pontos percentuais maiores. Uma vez prática do setor, toma-se muito tempo para deixá-la ou ao menos trazer essas promoções a um patamar mais normal, isto é, descontos sobre tabela na casa dos 5 a 10% no máximo.

Vendas infladas por altos descontos

Vendas infladas por altos descontos. Percentual de descontos em abril de 2015 na França, Alemanha e Reino Unido

Outro artifício comumente usado para inflar as vendas é vender a si mesmo, pasmemos nós pouco familiarizados com essas práticas que em outros mares são ainda mais violentas. Nos números oficiais de emplacamentos estão incluídos os de concessionários faturando veículos para si mesmos, ou os fabricantes fazendo isso. Na mesma Alemanha a média dessa prática atingiu 32% no primeiro trimestre de 2015, Fiat bem acima dela, com 47% de autoemplacamentos, marcas de luxo como Audi bateram 34%. Ninguém escapa e esse número que varia de país a país, fabricante a fabricante. O destino desses veículos é o mesmo consumidor final, mas a descontos que chegam a ultrapassar os 30%, pois teoricamente ele não está levando um carro zero-km e sim com 15 km — considerado seminovo. Quem sobrevive? A fonte desses meus dados é o DataForce, divulgados na revista Automotive News.

Percentual de vendas para as concessionárias,

Percentual de emplacamento para as concessionárias, para mostrar bons números

Com isso, quis ilustrar que nossa indústria segue passos parecidos ao Velho Continente, mas ainda bem atrás nos patamares. Caso o pouco interesse do consumidor brasileiro por carros novos persista, acredito que essa distância se reduzirá tanto em descontos médios como em autoemplacamentos. Ninguém quer isso.

Novidades no ranking que merecem destaque, Renault Duster reagiu emplacando 3.482 unidades, 800 a mais que EcoSport, Jeep Renegade posicionando-se entre eles. É bom lembrar que o Jeep é de patamar superior em preço e conteúdo. Curiosamente, a vinda desses novos modelos de crossovers toma lugar de sedãs médios e há uma explicação lógica para isso. Tanto eles quanto os sedãs têm preço no patamar de 60 a 80 mil reais, o comprador de carros 0-km que dispõe dessa quantia muitas vezes não está preocupado com o segmento, se tem traseira saliente, porta-malas de 500 litros ou sobriedade que o destaque como um executivo bem sucedido, mas sim com o modelo de 70 mil reais que ache mais bonito e bacana e que atenda às suas necessidades variáveis.

A primeira vez que vi análise assim foi em 2001, no lançamento do Citroën Picasso. O responsável pelo seu sucesso, o conhecido Sérgio Habib, veio ao mercado e de forma bem articulada fez essas ponderações que faziam muito sentido, mesmo porque quando você está inaugurando um novo segmento, ao mercado faltarão parâmetros de comparação para posicioná-lo, com quem ele compete em vendas, consumidor alvo etc.

Quatorze anos depois, vejo isso se repetindo, mais Honda HR-V e Renegade de R$ 75 mil reais sendo despejados e sumindo os Jettas, Cruze, Fluence, C4 Lounge e 408. O VW mexicano figurou em 41° lugar no ranking dos mais vendidos, com 931 unidades, o Chevrolet em 47°, com 829, os demais fora da lista dos 50 mais. As versões hatch da GM, Peugeot e Citroên também excluídas do clube dos 50. Um chefe de família pode perfeitamente comprar um crossover em vez de um sedã, cabe uma mala a menos, desempenho similar, melhor visto nos restaurantes, novo símbolo de status, sua mulher e filhos irão gostar — Honda, Peugeot e Jeep também.

Ranking de emplacamentos - junho de 2015

Fiat defendendo a liderança nos modelos

Dentre os dez primeiros, sem contar com as vendas dos Palios que seguem em 1°, o Hyundai HB20 se consolida em 2°, seguido de perto por Onix e Gol, Fox e Sandero, mas dentre eles as vendas à frotistas maquiam um pouco o resultado.

2015-07-07 FENABRAVE 2

Fiat defendendo a liderança entre as marcas

Até o mês que vem.

MAS

Foto de abertura: carplace.uol.com.br

Sobre o Autor

Marco Aurélio Strassen

Engenheiro Mecânico pós-graduado em Finanças e Marketing trabalha há vários anos na indústria de autopeças e faz a análise mensal sobre mercado especialmente para o AUTOentusiastas.

  • Curió

    Caro MAS,

    Não concordo com certas coisas:

    – A chamada da matéria no Facebook dava a entender que estava acontecendo um mascaramento dos números no Brasil de alguma maneira, coisa que, se plausível, a matéria diz que não é feita, pelo menos por enquanto. Também não entendi porque ninguém quer as grandes marcas oferecendo grandes descontos, comprando de si mesmas para vender mais barato, etc. Vejo razões para desejar o contrário – não desejar piora da crise, mas que a reação à crise seja nesse sentido. Essas grandes fabricantes sempre adotaram práticas monopolistas no Brasil: ajudaram a quebrar as iniciativas nacionais, venderam produtos defasados praticando lucros enormes, participaram de um protecionismo completamente maluco no regime militar que garantiu que aqui se vendesse “coxão duro” a preço de “picanha”, etc. Não foi à toa que quando as marcas asiáticas chegaram oferecendo produtos muito melhores a preço menor, estouraram. HB20, por exemplo, foi uma febre. Mas, se não por esses motivos, eis razões mais atuais e mais concretas:
    – Diminuir a absurda taxa de lucro desse oligopólio é fazer com que os produtos se tornem mais acessíveis para a população e se pague menos por mais – Gol de 55 mil reais?;
    – Talvez, melhor ainda, as taxas de juros caiam para o financiamento, resultando numa melhora de perspectiva para quem não é bobo o suficiente para levar um carro e pagar dois;
    – Uma outra saída possível – e comum aqui – seria depenar os carros em tudo que é relevante e abaixar o preço ou mantê-lo no período de inflação, se bobear, dotando o carro de opcionais em troca de material fono-absorvente, acabamento, discos de freio, motor, etc.

    Eu morro, mas não entendo a identificação automática do entusiasta com o interesse das fabricantes de automóveis. Não é porque eu gosto de carros que me importo com o bolso dos acionistas da GM, da VW, etc. Eu me importo com a qualidade dos carros e em não ser explorado tendo de pagar uma fortuna por carros de qualidade não equivalente ao preço.

    Há alguns dias um amigo comentou que leu uma entrevista de um presidente de alguma grande empresa de automóveis – se bem me lembro, Mercedez-Benz, dizendo que não havia razão para cobrar mais barato no Brasil, se pedindo um preço alto como esse a população paga. Se não for factual, é verossímil.

    É sabido, e pode ser lido desde a obra de Smith até a de Keynes, ou até mesmo em Marx ou Lenin, ou nos neoclássicos, ou seja, liberalismo, keynesianismo, comunismo, etc., toda obra a respeito da economia com alguma profundidade sabe que que quanto mais próximo do monopolismo uma empresa ou um setor de mercado está, menos se pode associar lucro a eficiência, em qualquer âmbito político, ideológico, etc. As regras da concorrência não valem para o oligopólio nem para o monopólio. Por isso, sei que o maior lucro dessas empresas enormes, com práticas já por nós conhecidas tanto entre elas como junto ao governo nacional historicamente, não tem nada a ver com o benefício do consumidor. As duas coisas podem variar em quaisquer sentidos, porque – como Keynes chama atenção em seus textos – a economia, depois de um certo estágio, passa a ser mais uma questão de estratégia, racionalidade, risco, etc, do que daquelas velhas regras do liberalismo inglês que estiveram, até então, próximas da realidade.

    Prova empírica disso é exatamente essa crise. O lucro está certamente diminuindo, mas a relação preço/produto melhorou para o consumidor. Foi só por causa da crise? Claro! O poder aquisitivo de muita gente diminuiu com o desemprego crescente? Claro!

    Mas isso só reforça dois pontos: oligopólios/monopólios não são benéficos para ninguém e, quando a situação é desse mérito, lucro e qualidade não são necessariamente relacionados.

    Por essas razões, não entendo os entusiastas comemorando recordes de vendas e lamentando queda de vendas. Será síndrome de Estocolmo? Porque ganhar algo com isso, não ganhamos. Não é garantia de mais investimentos em produtos novos – olha o Celta aí, continuou vendendo, continuou em linha -, não é garantia de melhores preços, não é garantia de nada.

    Se o nosso governo não fosse o fiel servo das grandes empresas que é, faria muito bem em abrir a concorrência para toda indústria que aqui quisesse se instalar. Mas será que hoje ainda adianta, com tanta concentração do mercado? O fato é que, mexendo com a turma da ANFAVEA, onde é que fica boa parte do financiamento e do apoio político?

    Ah, dirão alguns, “fiel servo das grandes empresas? Veja quanto imposto a união cobra sobre os automóveis!”. Verdade, mas o que determina o preço é primariamente a demanda, e não uma composição rígida de custos, o que significa que se o governo não fizer um acordo com elas, ao abaixar impostos o preço não cairá muito, porque pode-se vender ao preço anterior e lucrar mais, e, se cair, tende a retornar ao patamar anterior. E, bem, se está vendendo, as fabricantes estão se lixando para a quantidade de impostos, que são devidamente repassados aos consumidores e, imagino eu, garantem uma boa relação com o governo.

    Então, MAS, estou comemorando essa nova política das fabricantes. Podia ser assim sempre (não vai, mas podia). Tenho certeza de que não será, inclusive, impasse para as marcas que pretendem vir para cá, pois só esperarão a crise passar.

    • Pintassilgo

      Curió, por seu texto, imagino que você não tenha um carro produzido por empresas oligopolistas… presumo que tenha um Chery ou um JAC, estou certo?

      • Curió

        Meu caro colega em risco de extinção, não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra, qual a ligação entre A e B. Não estou tratando da perspectiva individual de um indivíduo que escolhe um carro para comprar, mas do mercado de carros e de seu funcionamento em geral. Eu busco aquilo que é mais adequado para mim. Aqui em casa tem um Citröen e um Honda, mas se amanhã um Chevrolet for a melhor opção, tudo bem. Essa perspectiva individual, no entanto, é só um ponto numa enorme curva, e um ponto nunca é a miniatura da curva, nunca representa a curva – ou não haveria estatística.

      • Essa frase, acho que resume o que ele pensa:

        “Não é porque eu gosto de carros que me importo com o bolso dos acionistas da GM, da VW, etc.”

        Gostar de carros não é concordar com o que os acionistas fazem.

    • Marco Aurélio Strassen Murillo

      Curió,
      Respeitamos a sua opinião, procuramos expressar a nossa de forma isenta e sim, quando o país bate recordes de produção, há mais benefícios que o contrário, do inverso, em vendas declinantes, os compradores podem usufruir de maiores descontos, mas o preço é o emprego, dezenas de milhares de postos de trabalho já foram fechados, quem comemora?

      • Curió

        Caro MAS,

        a crise, claro, é uma droga. Nunca é vantajosa. Meu ponto é que a saída dos descontos e da taxa de juros baixa é a melhor de todas. Quanto ao desemprego e ao recorde de produção: se a produção cair, mas o desemprego não – significando a mudança do foco de desenvolvimento e produção da indústria – tudo bem. Ou, ainda, o desemprego pode vir da modernização, mas, também nesse caso, ocorre mudança da mão-de-obra. Nesse caso, nessa crise, a produção caiu, o desemprego aumentou e a economia não absorveu os desempregados em novos postos de trabalho. Isso, sim, é preocupante, triste, mas pelo desemprego, não pela queda nas vendas de um setor da indústria. De qualquer maneira, o que é importante é que a recuperação do emprego não necessariamente é a recuperação da indústria automobilística, ainda que nesse caso, provavelmente, vá passar. Mas necessita menos ainda de retorno de mão-de-obra a ela. Seria mais benéfico, do ponto de vista social, que ela aproveitasse a crise para reduzir custos investindo em aplicação de ciência e tecnologia na produção – é o desenvolvimento – causando menos retorno de mão-de-obra pós-crise, e que esses desempregados passassem a exercer outras funções, mais voltadas justamente à aplicação de ciência e tecnologia à produção. Difícil? Acho que sim. Mas, em essência, a crise da indústria automobilística não é sinônimo de desemprego ou de problemas para a população em geral. É uma questão conjuntural. Para reforçar, meu principal ponto é sobre a taxa de lucro dessas empresas: a melhor resposta à crise, do ponto de vista da população em geral, é, certamente, essa.

        • Marco Aurélio Strassen Murillo

          Curió,
          Creio que muitos torcem pela queda dos juros, eu inclusive, mas o dinheiro e o crédito sumiram no momento, reflexo da situação do país.

          • Domingos

            Exato. O governo não tem condição de sustentar juros baixos agora, devido a seus erros.

            A conta toda tem que se pagar e inflação iria atrapalhar isso.

    • Domingos

      Emplacar carro para vender é estratégia de desespero. Assim como desconto é uma tática enganosa.

      O preço deveria baixar porque assim o mercado exigiu e assim quiseram.

      Na Europa, com baixas margens de lucro, essas estratégias são para quem está desesperado.

      Aqui, desconto e coisas similares são para baixar o preço só nos meses mais críticos – no lugar de baixar o preço base.

      No mais, cuidado. Olhe o micro-empresariado brasileiro e a nossa população.

      Classe média que ascendeu e abriu seu próprio negócio foi fazendo preços todos esses anos na base do “o quanto podem pagar”. E isso muitas vezes em áreas pobres!

      Frenqüentei alguns desses negócios e o preço simplesmente aumentou em uns 70% nos últimos 3 anos.

      Área desvalorizada da cidade e a maioria dos clientes… Classe média baixa!

      Locais nobres, idem. Em 3 a 4 anos, o preço aumentou 70 a 80% por um serviço igual a PIOR.

      Um lava-rápido aqui perto de casa chegou a cobrar 50 Reais quanto antes cobrava nem 20.

      O motivo? Com a economia aquecida, todo mundo com crédito e simplesmente mandava passar no cartão sem questionar muito.

      De 20 foi pra 40 e logo depois 50. Agora que apertou o cinto, ninguém pagava mais e caiu para 20 de novo.

      O caso do estacionamento dos shoppings aqui em São Paulo, que o Ae chegou a ter matéria, foi assim porque se você perguntar para todo mundo a resposta é “assim não vou precisar ficar procurando vaga”.

      O problema é que isso aconteceu até mesmo em shopping popular, com preços caros. E, claro, poucos deixaram de ir.

      Agora você paga e tem que procurar vaga…

  • guest

    Dentre os dez primeiros, sem contar com as vendas dos Palios que seguem em 1°, o Hyundai HB20 se consolida em 2°, seguido de perto por Onix e Gol, Fox e Sandero, mas dentre eles as vendas à (sic) frotistas maquiam um pouco o resultado.
    Não entendo por que as vendas a frotistas maquiam o resultado: são carros efetivamente fabricados e vendidos a consumidores.
    O que poderia maquiar o resultado é o “vender a si mesmo”, aqui no Brasil conhecido por “rapel”.

    • Rubem Luiz

      Metade dos frotistas compram por outros fatores e não pelo modelo ou marca. Compram com o banco onde conseguem financiamento ou juro menor (Banco da montadora, melhor explicando), ou onde tem prazo maior, ou onde tem concessionária qualificada próxima ao local de uso dos veículos (Eu moro a 500Km de qualquer concessionária VW/Fiat/Ford/GM, mas Hyunday só tem a 1500Km!) e não do local de venda, enfim, tem vários fatores “políticos” que entram na negociação de frota, até mesmo amigos e parentes.

      Tá cheio de empresario que chama VW ou Fiat de fabricantes de carroça (Se referindo a Palio, Gol e similares) e que nunca os compraria, mas… na hora de negociar 50 veículos pra empresa a ÚLTIMA coisa que olha é modelo ou marca, porque a durabilidade e custos de manutenção vão depender de fatores de uso (Brando ou pesado, tipo de terreno, tamanho das viagens, rotatividade de motoristas, etc), não vale a pena ficar calculando na ponta do lápis de o Onyx compensa mais em 4 anos que o Gol, ou se o Palio compensa mais, você sabe como cuida do seu carro, mas um gerente de frota não pode botar a mão no fogo pra garantir que os motoristas e mecânicos vão cuidar assim ou assado, qualquer modelo em frota será bem ou mal cuidado dependendo do tipo de motorista e mecânico, um Gol G3 1,6 durou muito numa frota mas o 1.0 G4 vivia dando problema, justo pelo hábito de não precisar ter certos cuidados no G3 os G4 foram mal-revisados e mal-dirigidos, não vale a pena ficar insistindo em marca ou modelo quando se fala em um mercado tão equalizado.

      • Domingos

        Perfeito. Por isso a venda de frota faz com que a tabela dos mais vendidos seja bem enganatória, ao menos nas primeiras posições.

    • Luiz_AG

      Já comprei um carro de “rapel”. Consegui um belo desconto. O único incoveniente para mim foi ser o 2. dono do carro e o seguro cotá-lo assim como usado.

    • Mr. Car

      Também não acho que maquiam resultados, no sentido das vendas. No máximo mascaram indicação de possíveis preferências dos consumidores enquanto usuários finais, uma vez que os carros de frota não são comprados pensando na satisfação pessoal de quem os adquire.

    • Domingos

      Maqueia sim. Tem carro que você nem vê andando pelas ruas, mas na lista dos mais vendidos tá lá em cima.

      O frotista é realmente uma venda, porém tão atípica que não acho que deveria ser contabilizada conjuntamente. Para quem quer mesmo saber o carro preferido dos compradores, isso atrapalha bem.

      Uno é um exemplo, o que saiu de linha. Há anos não via modelos novos de pessoa física aqui em São Paulo. Era mais fácil ver um importado do que um Uno zero km que não fosse de frota rodando por aqui.

      Porém, por vender a rodo para frotistas, ficava entre os mais vendidos.

      Isso informa mal o consumidor.

  • MrBacon

    Fica cada dia mais claro a mudança maior no nosso mercado, com a Fiat, VW e GM perdendo espaço, mas não necessariamente fortalecendo uma única montadora. As asiáticas (Honda, Toyota e Hyundai) vem se consolidando no mercado, apoiadas em best-sellers (HR-V, Corolla e HB-20), mas sabemos que viver de um só produto é arriscado. A Ford e a Renault me parecem bem posicionadas, pois não dependem de um único produto, mas ao mesmo tempo não possuem um ‘objeto de desejo’, que normalmente é o que dá a maior margem de lucro.
    Li há alguns meses que a montadora com o maior faturamento no Brasil é a… Toyota! Seria interessante ter um ranking desses atualizado.

  • Marco Aurélio Strassen Murillo

    guest,
    As vendas a frotistas se concentram em locadoras, porém nem todo fabricante adere a essa prática, o que nos faz concluir que o resultado sai um pouco maquiado.
    Um número pouco mais ‘desintoxicado’ seria vendas a consumidores finais via concessionários, mas os divulgados são normalmente emplacamentos totais. Essa prática existe em vários países, portanto nada de excepcional nisso.

    • Thiago Teixeira

      Marco Aurelio, as concessionarias também fazem venda direta..

    • Thiago Teixeira

      Marco Aurelio, as concessionarias também fazem venda direta..

    • guest

      Caro MAS, compreendi o que você quis dizer.
      Sei que não é o seu caso, porém muitas pessoas por aí têm preconceitos em relação ao “carro de frotista”: em alguns comentários acima, disseram – com propriedade – que fatores como custo e condições de pagamento têm significativa influência na decisão do frotista por determinado veículo; entretanto, penso que não se deve menosprezar que tais carros possuem qualidades como robustez e facilidade de assistência técnica. Ademais, após alguns meses, estes veículos chegam ao mercado de usados e são bastante demandados.
      Naturalmente, há estratégias próprias de cada marca visando imagem e lucratividade, desde a Citroën dos tempos do Habib – que se recusava a vender a frotistas – até a Renault, que recentemente fechou um contrato para fornecimento de 5.192 veículos para a BRF (http://imprensa.renault.com.br/page/releases/brf-renova-frota-com-mais-de-cinco-mil-veiculos-renault).

  • Cafe Racer

    Marco
    Muito boa sua análise.
    Pergunto: existe divulgação de um ranking (por faturamento R$) entre os fabricantes?
    Se sim acredito que Toyota e Honda tenham percentuais bem maiores de participação no bolo total.
    O volume de vendas de Corolla , HR-V e Civic me impressiona !
    O valor médio desses carros é no mínimo o dobro dos carros pequenos como Palio , HB-20 e Onix….
    A Honda ainda tem carros caros em seu portfólio como o Fit e City e esses são relativamente bem vendidos.
    Pensando apenas em automóveis , creio que num “Ranking em valores R$” Toyota e Honda estão muitíssimo bem posicionadas…

    • Rafael

      Fora a Hillux. Suponho que a Toyota seja a número 1 em R$ com apenas 2 fábricas e muito menos concessionárias que a concorrência.

    • Marco Aurélio Strassen Murillo

      Cafe Racer,
      Creio exista essa informação, mas sem interesse dos fabricantes em divulgar, talvez por que o interesse seja mais de caráter interno deles, para entenderem o mercado e se planejarem.
      tinha comigo um gráfico de volume de vendas por categoria de preços, de alguns anos atrás, mas sem atualização, optei por não postar.

  • César

    “Caso o pouco interesse do consumidor brasileiro por carros novos persista…”

    Parece-me que é o caso da indústria nacional (quando digo nacional, refiro-me à indústria aqui estabelecida, independentemente de sua origem) rever sua política de oferta de produtos.

    Quanto aos empregos, Strassen, não peço que concorde com minha opinião, mas que a analise com carinho: digo apenas que é possível manter empregos ofertando ao consumidor produtos com a mesma tecnologia com que são fabricados nos países desenvolvidos – e isso fatalmente não vale só para a indústria automobilística. Cada vez que volto da Europa, chego aqui mais revoltado com o tipo de produto, desde alimentos, até equipamentos eletrônicos, veículos e imóveis a que o brasileiro, um consumidor com tanto potencial, tem à disposição.

  • Marco R. A.

    Toyota Bandeirante? Foi vendido um zero-km?
    Esqueceram um no estoque e descobriram agora?

    • Domingos

      Será que ainda o fazem sob encomenda?

    • Nelson

      E eu atrás de um!

    • DPSF

      Carro antigo, com placa amarela… na hora de emplacar acredito que geram uma nova placa e um novo registro. Ou então, algum caso raro de Bandeirante que nunca foi emplacado, que só rodava em alguma fazenda ou interior desse Brasil… um bom mistério a ser resolvido.

    • guest

      Não é necessariamente zero km (veja que é um ranking de emplacamentos, não de vendas): o mais provável é que alguém tenha restaurado algum abandonado, ainda com placas amarelas, ou tenha montado um frankstein e remarcado chassi no Detran.
      E ainda há o caso dos importados antigos, como provavelmente o são o Ford Ranchero e a Chevrolet El Camino, mostrados no ranking.

  • Curió

    Domingos,

    exato. Mas isso é sintomático. Quando há aumento nominal do salário sem desenvolvimento das forças produtivas, esse aumento nominal se transforma em preço. A distribuição de renda vai deixando de funcionar porque o preço vai subindo para se aproveitar dela.

    O valor real da renda não se deixa subir depois de um certo ponto porque não há aumento da produtividade do trabalho, ou seja, o mesmo trabalho tenta passar a “custar mais caro”, mas o que acontece é que o valor do dinheiro cai para estabilizar a relação de produção, ou seja, o aumento nominal se traduz em preço. O mercado vai dando conta de abocanhar o aumento da renda de todos os lados. O próprio empregador, que vai subindo o preço final da mercadoria na busca de restabelecer a taxa de lucro inicial, as empresas locais, de olho no aumento imediato do poder aquisitivo…

    Uma saída seria tentar frear o mercado tabelando preços, coisa que qualquer um conhece o desastre que é. Não só não funciona totalmente na prática como acaba por diminuir a produção quando e onde a pressão é mais eficaz.

    A única saída possível para o aumento do valor real da renda a médio e longo prazo é o desenvolvimento das forças produtivas e, consequentemente, do trabalho. A mesma quantidade de trabalho tem de passar a produzir mais – por meio de tecnologia, estudo, máquina, etc. Assim, não se tem de tentar frear o mercado, pois a variação da taxa de lucro não é mais um problema, tampouco os produtos vendidos para o assalariado se mantém.

    A política econômica do PT, por essa razão, foi em boa parte não só populismo, como um vôo de galinha, e tem um limite claro. O que sustentou a distribuição de renda foi uma alta no setor de serviços acompanhada de boa situação internacional. Virou uma festa do mercado financeiro, mas o parque industrial foi se consumindo… A produtividade do trabalho cresceu bem menos do que deveria – ou, em melhores palavras, a industrialização andou a passos proporcionalmente curtos para a situação. Ela foi suficiente para diminuir a fome e a miséria, levar renda onde não tinha – o parque industrial nordestino, por exemplo, cresceu bastante nos últimos anos em comparação ao resto do país. É um lugar que se desenvolveu. Mas a política econômica no geral encontrou os limites de sua própria estratégia ou burrice, seja lá o que for. Acabou o bom cenário internacional, o preço das commodities caiu, a produção foi indo de mal a pior, ficando pra trás… Crise, claro. A economia vai viver do quê? Do agora falido e quebrado setor de serviços, que teoricamente (é o que se ensina, não me esqueço, nas apostilas de geografia do Anglo, onde estudei) dá mais dinheiro?

    É por essa razão que discordo do seu comentário ali embaixo a respeito dos juros. O governo, com várias cagadas que fez, devia ter feito o tal ajuste já há um tempinho, e não fez até agora, preferindo manter juros altos e sacanear a pensão das viúvas. Está quebrando ainda mais gente, sucateando ainda mais o parque industrial nacional (de origem estrangeira ou não), atrasando ainda mais nosso desenvolvimento. Das duas uma: ou, como o Mendonça de Barros deu a entender há pouco tempo, o Joaquim Levy é um péssimo economista, ou anda dialogando com os oligopólios financeiros internacionais e está se cagando para o país. Mas essa é uma forte tradição por aqui.

    Eu, pobre de mim, votei na Dilma para ela não jogar a taxa de juros para cima, prosseguir na aproximação com os BRICS, promover um ajuste fiscal mais brando e o quanto antes, mas ganhei um governo ao melhor estilo Aécio Neves cagando no ventilador (mineiro que sou, sei bem). Ah, se o tempo voltasse… Tinha anulado o voto.

    Eu não sou economista, mas, por essas razões, de maneira simples, só posso ser a favor da redução da taxa de juros. Quebrar o parque industrial agora, ou melhor, prosseguir quebrando e aumentar a quebra, é a pior cagada de todas do ponto de vista nacional. Abaixar a taxa de juros, realizar o ajuste, reduzir o risco futuro e provocar investimentos nos bens de produção. Minha impressão de leigo é que a economia só tem um sentido possível: o desenvolvimento.

    • agent008

      Caro colega, estava batendo palmas para seu comentário, ia ganhar o meu like, pois mostra grande entendimento de política macroeconômica e relação entre eficiência das forças produtivas (e conseqüente produtividade) e crescimento da renda. A melhor forma de segurar a inflação é aumentar a produtividade. Não é a mais rápida( para isto toma-lhe juros!) mas é a mais benéfica. Concordo. Mas, ao ver que mesmo sabendo disso tudo você escolheu errado nas eleições, não posso lhe dar os parabéns… Engraçado, para mim era claro o que iria acontecer. Levaram a festa até onde puderam e é óbvio que agora quando a bomba está por explodir o ajuste seria duro, não há outra opção. E ainda com requintes de estupidez, afinal de contas somos obrigados a digerir absurdos como por exemplo o tragicômico discurso (doidão, pra lá de Bagdá, dopado mesmo!) de “saudar a mandioca” e “homo sapiens e mulheres sapiens”.

      • Curió

        Caro agent008,

        Eu sabia que um ajuste seria necessário, mas mesmo assim votei na Dilma porque pensava que ela o faria de maneira diferente do PSDB (a outra opção no segundo turno). Eu achava que seria feito rápido (não começou até agora, só na mídia), de forma mais branda, sem safadeza, e que ela não iria entregar o país para o mercado financeiro e para os EUA, prosseguindo na aliança com os BRICS etc. Jamais votaria no PSDB, que, tenho convicção, entregaria sem necessidade as nossas empresas estatais ao setor privado em acordos previamente determinados, como já aconteceu antes, sem quebrar o monopólio (ou seja, para nós, só há prejuízos), não faria uma política industrialista nem por reza brava, não se importaria, caso existisse a possibilidade, em subir o salário mínimo, aproveitaria a oportunidade do ajuste para fazer inúmeras sacanagens em parceria com aliados do setor privado, entregaria o país para a oligarquia financeira internacional e etc. Acabou que a Dilma fez boa parte dessas coisas que eu citei e outras mais, mas eu não poderia ter votado em quem eu teria certeza que o faria. Eu teria anulado meu voto, se tivesse a oportunidade de votar de novo. Não tenho nenhum apreço pelo PT. Quero que se lasquem no buraco onde se meteram. Em primeiro lugar, perdendo as oportunidades de industrialização do governo Lula; em segundo, cometendo esse estelionato eleitoral, mostrando a subserviência ao mercado financeiro americano, se demonstrando uma farsa. O Lula nós sabíamos que era assim, mas a Dilma mentiu em campanha. Eu achava que ela era uma herdeira do Brizola, pobre de mim. É porque meu posicionamento político não é de direita, aliás, bem pelo contrário. Eu queria mesmo que o salário tivesse aumento real ao longo dos anos, que o país se desenvolvesse sem abandonar os pobres ao relento e que mandássemos o imperialismo às cucuias. E eu acreditei que isso fosse ser mais ou menos feito. A saúde pública melhorou no primeiro governo Dilma, e a educação, apesar de ter piorado (como o faz desde a redemocratização), se expandiu. Os programas sociais também passaram a ser mais abrangentes. Eu bati palmas para o Mais Médicos, fiquei entusiasmado com a tentativa de colocar os médicos para trabalharem por dois anos no SUS após a formatura, por aí vai. Bem, o tolo aqui, apesar de saber da necessidade do ajuste, não achou que ela fosse mudar completamente seu direcionamento político no segundo mandato. Deu no que deu.

  • Curió

    Assino embaixo! Não que valha alguma coisa, mas eu assino…

  • Fat Jack

    “…que ache mais bonito e bacana e que atenda às suas necessidades variáveis.”
    Pode-se substituir por “…que esteja na moda.” na imensa maioria dos casos.

  • Curió,
    Tem que ser muito irresponsável consigo mesmo para votar nessa mulher. E com essa cegueira você e quem votou nela está nos arrastando para o buraco. E vem falar essas besteiras esquerdistas de “imperialismo americano” e “privatizar estatais”. Você certamente deve ter uma grande saudade do Plano de Expansão de Telesp, ficar de madrugada na fila para se inscrever no plano ou pagar 5.000 dólares por uma linha telefônica. E declarar como bem e direito um…. telefone. Agora agüente as conseqüências dos atos da “mulher sapiens”.

    • Curió

      Caro Bob,

      Não tenho problemas com as privatizações. Tenho problemas com as privatizações que são mero jogo de aparências para embolsar caixinhas, ou as problemáticas, como as que mantém o antigo monopólio estatal. Não as identifico imediatamente nem com benefícios nem com prejuízos. No caso da telefonia, se é verdade que barateou a linha telefônica, também é verdade que hoje raramente se completa uma chamada na primeira ligação, o sinal é muito ruim, a qualidade das chamadas no geral é péssima, é difícil cancelar um serviço etc.

      Isso tudo porque o mercado não foi aberto para a concorrência. Seria cômico dizer que cinco grandes empresas controlando toda a telefonia nacional concorrem entre si. Hoje, os agentes da AAnatel que teoricamente regulam esse mercado, claramente são objeto de negócio de campanha eleitoral. A empresa ou as empresas X financiam campanhas em troca de votos no congresso, cargos etc. Não é só com partidos que essas alianças se dão. No meu apartamento, próximo ao centro de São Paulo, o sinal da Vivo é péssimo. No começo do ano, quando eu estava hospedado no Jardim Paulista, também era. Quase não conseguia falar ao celular no quarto. Isso na região central da maior cidade do país. Não é um absurdo que num mercado tão grande controlado por apenas cinco empresas algo assim aconteça porque alegadamente o investimento seria muito alto para resolver o problema? Mas, é claro, o acordo público-privado-caixinha que passa pela Anatel permite. Mas, mais que isso, o avanço tecnológico da telefonia nos últimos vinte anos foi tão grande que me parece um tanto quanto complicado comparar preços. Se a verificação do preço daquela época com países semelhantes indicar um absurdo, aí tudo bem. Mas não me importará. Eu não estou dizendo que era bom lá, nem que voltar ao passado representaria uma melhora. Eu estou dizendo que agora não é bom, e que, das opções existentes na privatização, certamente essa não foi a melhor delas. Independentemente do que veio antes, no presente estamos sujeitos à espoliação de um oligopólio que não se importa muito com a qualidade do serviço que recebemos. Um exemplo claro aconteceu na família. Meus tios moram em um condomínio na região metropolitana e tiveram um problema com a internet, que lá só chega com a intensidade de 2mbps (em São Paulo é 100mpbs o máximo). Receberam doze, 12, técnicos antes que o problema fosse solucionado. Bem, para que se fazem privatizações assim? Embolsar, claro, uma graninha.

      Esses dias eu vi numa rede social a comparação dos votos de um deputado na câmara e do seu financiamento de campanha. E isso era o financiamento legal da campanha. Sabemos que existem licitações, privatizações, cargos em empresas públicas etc, que são fraudes, e, como o dinheiro tem de sair do setor público para algum lugar, sabemos que também existe relação com o setor privado.

      Bem, Bob, se existem esquemas assim nas relações entre o setor público e o privado neste país (e faz muito tempo…), ou seja, se há um controle econômico da política que nos maiores casos espolia a população sem dó, o senhor há de concordar comigo que a existência de um imperialismo americano não é uma mera conspiração, uma busca de maldade e de ódio contra os ricos, mas só uma questão de grandes empresas, em boa parte estadunidenses, estarem realizando esse tipo de atividade aqui às custas da população. E disso temos vários exemplos, eu mesmo citei alguns, salvo engano, num comentário anterior.

      Mas temos exemplos em outros lugares também. O Canal do Panamá dispensa apresentações. Os EUA adquiriram algum tipo de soberania legal no país do qual não me lembro agora, mas é absolutamente absurdo. O primeiro campo de concentração do mundo foi estadunidense, no sudeste asiático, próximo da virada do século, bem antes dos nazistas. A ditadura cubana anterior a essa, e da qual ninguém em sã consciência tem saudades, foi apoiada economicamente pelos EUA até o limite em que não dava mais, quando, por curioso que pareça, o próprio grupo de Fidel Castro foi apoiado pelo país para tomar o poder, dois anos antes de sua identificação com o socialismo e a União Soviética.

      Não estou atrelando a maldade do mundo a eles. Vários outros países aderiram às mesmas práticas. O Brasil na América do Sul em séculos passados inclusive. Mas quem tem nos espoliado aqui dessa maneira são eles. A Sabesp, por exemplo: falta água, não se gasta em reservatórios para reduzir o custo, como se fazia até os anos 80, a população é obrigada a economizar e os acionistas dão festa em Nova York comemorando recorde de lucros. Dinheiro que, fosse uma empresa séria, seria aplicado à prevenção de crises como essa. Meses atrás o exército andou cercando a sede da empresa, realizando um tal “exercício de rotina”… É absurdo.

      E as bases militares que eles têm ao Sul de suas terras, aqui no Brasil, inclusive? Bem, por aí vai. A questão lógica é simples: se pode haver jornais comprados em pequenas cidades, licitações fraudadas de algumas dezenas de milhares de reais e troca de favores entre o setor público e o privado nos municípios, como vemos rotineiramente noticiados, enxergar o mesmo no país em relação ao capital internacional é absurdo? Delírio? Será impossível que essas coisas ocorram em larga escala? Eu acho que não. Eu não associo altas posições corporativas a idoneidade moral, competência ou honestidade. Se as outras nunca foram lá muito firmes, nem a história da competência vale para o capitalismo tardio, que é diferente daquele concorrencial de décadas atrás, que certamente propiciava uma vida mais agradável, ou, no mínimo, mais humana. Pouco tempo atrás ouvi uma história de que numa fusão de grandes empresas, negócio bilionário, um riquíssimo empresário brasileiro, o novo acionista majoritário, queria colocar um rapaz de menos de trinta anos na presidência, mas não deu certo. Eu acho que nem quem acredita em Papai Noel acredita que um rapaz de menos de trinta anos tenha competência para realizar uma função deste tamanho. É que, dependendo das condições de mercado, basta cuidar do financeiro, cortar custos, obedecer aos patrões, estar disposto a qualquer negócio e ponto final.