De médico, técnico e louco…

 

O mecânico joga fora a válvula termostática. E não é que ele — aparentemente — tem razão, pois o carro para mesmo de ferver?

Termostato  De médico, técnico e louco... Termostato1

A válvula termostática nas duas condições básicas de funcionamento do motor

“… todos temos um pouco” é o que diz o ditado. Na oficina, por exemplo, todos dão palpite. Tem mecânico que critica e até despreza soluções dos engenheiros que projetaram o automóvel. Acredito no conhecimento empírico adquirido pela prática, mas tem hora que extrapolam, interferem no projeto original e ainda esnobam: “vai ficar bem melhor, viu doutor!”.

Termostática – O carro chega na oficina fervendo. O mecânico abre o capô, tira e joga fora a válvula e diz: “Tá vendo, doutor, a culpa é dela, pois foi projetada para o frio europeu, mas aqui, só atrapalha!”. O doutor, entre espantado e incrédulo, vai embora e… o carro não ferve mais! Claro, pois o problema era da válvula emperrada que impedia a água de circular. Mas o correto seria substituí-la por uma nova, pois sua presença é essencial para que o motor, principalmente ao ser ligado de manhã, atinja rapidamente a temperatura ideal de funcionamento.

Rodas de liga– As oficinas de reparação protestam: Quem disse que solda na roda de liga deixa fissuras internas?” ou “Quem disse que não temos condições técnicas e equipamentos adequados?”. Quem tentou dizer foram os muitos donos de carros que tiveram as rodas reparadas com solda mas — assim como o cantor Cristiano Araújo — não puderam reclamar na oficina irresponsável que fez o “serviço”…

Querosene – Já vi posto que tinha, entre as bombas de gasolina e etanol, uma terceira de querosene. Um “santo remédio”, diziam alguns mecânicos, para melhorar o desempenho, reduzir consumo e limpar o motor flex. Bastavam 5 a 10% misturados ao álcool. E ouvi taxistas defendendo a “receita”…

Booster – Aditivo é capítulo à parte no rol das impropriedades mecânicas. Na gasolina, sugerem o booster, uma dose extra de oxigenação para melhor desempenho do motor. Só em outros países pois no Brasil, onde já temos quase 30% de etanol, sobra oxigênio na gasolina…

Economizadores – São dezenas os aparelhos “mágicos” que prometem economia de combustível. Em geral, é um dispositivo eletrônico colocado nos fios de ignição ou uma engenhoca mecânica no circuito de alimentação de combustível. A internet está cheia deles. Tem turbina na entrada de ar, indutor magnético na gasolina, tem de tudo. Garantem redução de “até” 20% no consumo. (Este “até” pode não passar de zero, 1% ou 2%…). Será que, se cumprissem o que prometem, as fábricas de automóveis não seriam as primeiras a se interessar por eles?

Na época do carburador, mecânicos anunciavam um recurso infalível para reduzir o consumo. E diminuam o “gicleur” (giguilê) de gasolina para restringir sua passagem. O carro realmente passava a beber menos. Mas, meses depois aparecia com pistões derretidos por excessiva temperatura de combustão. E ninguém sabia explicar…

Cadeirinha – O governo tornou obrigatório, há alguns anos, a cadeirinha para crianças. Mas, por falta de regulamentação, só era exigida nos automóveis particulares. Nem táxis tinham obrigação de utilizá-las. No mês passado, a obrigatoriedade se estendeu para vans escolares. Mas só dá para dependurá-las em assentos com cintos de três pontos e nossas vans só tem os de dois pontos. Um “técnico” do Detran sugeriu instalar mais um ponto de fixação para se colocar o cinto de três pontos. Ignora que o ponto tem que ser projetado para isso pela fábrica. Caso contrário, num impacto, ele não resiste ao esforço (de toneladas) e sai voando junto com cinto, cadeirinha e criança…

BF

Desenho da abertura: oficinabrasil.com.br
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • Rogério Ferreira

    Pois e, Sr Boris, já vi de tudo isso, inclusive hoje o que está “bombando” na internet, e (pasmem!) até mesmo na imprensa, é funcionar motor com água, fazendo eletrólise (separando hidrogênio com oxigênio) e levando tais gases para câmara de combustão. Milagre! Não… picaretagem… Eu duvido funcionar uma Mobylette de 50 cm³ com tal processo. E pior existe “empresas” vendendo o kit milagroso por até 2.000 reais. As autoridades que deveriam fiscalizar esse tipo de golpe, não fazem nada! Qualquer pessoa que tenha uma noção básica de física, sabe que a energia usada para produzir hidrogênio a partir da água, é muito maior do que a que o motor irá produzir consumindo o combustível gerado Se isso funcionasse, estava resolvido o problema energético do mundo… Poderíamos por exemplo, usar energia solar, para carregar as baterias, que forneceriam energia para eletrólise e o hidrogênio desprendido, poderia mover desde fábricas, até usinas termoelétricas. A água do mar, inclusive, seria perfeita para este processo. A Quatro Rodas fez o teste de um Kit desses, num Duster, e o resultado foi que o consumo de gasolina ficou maior… Quanto à colocação da válvulas termostática, realmente, já vi acontecendo. Mas isso só com “graxeiros” e esses não existem mais, ficaram no passado, ou viraram borracheiros, É é revoltante, para quem é profissional, ver que esse conceito ainda existe: de que mecânico não tem estudo, é um analfabeto e só sabe apertar parafusos (ou nem isso, por que até para apertar parafusos, tem que ter conhecimento e torquímetro). . Atualmente, para um profissional ser considerado mecânico, deve ter curso, especializações, saber muito sobre eletrônica e informáica avançada . Hoje os sistemas são multiplexados, integrados, ninguém consegue fazer nada num carro sem um conhecimento mínimo. Até para trocar uma bateria, tem que saber fazer a coisa certa. Trabalhei em oficina entre 1995 e 2005, fiz diversos cursos e especializações, inclusive a de técnico em eletrônica. Estudei muito para entender cada tecnologia nova que surgia. Só tive que abandonar a profissão por problemas de saúde, mas ainda a pratico, nas horas vagas. Se algo que me deixava revoltado, é quando chegava alguém, e presupunha minha ignorância, por causa da profissão. Até nas “novelinhas e séries” o mecânico é sempre o “Paulão” (Grande Família) que nem sabe falar direito. Vamos mudar os conceitos, não é mesmo, Ae?.

  • $2354837

    Ainda existe esse conceito de válvula termostática? Já vi mecânico arrancando sistema de ar-condicionado de um Tipo porque “dava problema”.

    Eu levo meu carro pouquíssimo ao mecânico, mais pela qualidade do que pelo preço cobrado.

    O que cobram eu faço aqui na garagem.

    • Lorenzo Frigerio

      Meu pai um dia comprou um Galaxie 500 1974 dourado muito bonito. Reparei que era um carro originalmente com ar-condicionado, mas onde estavam os equipamentos? O português que vendeu explicou: “ah, eu tirei porque minha esposa não gostava”. No mínimo deve ter aproveitado para passar os componentes nos cobres.

  • Carlos A.

    Infelizmente o que mais se vê, são “profissionais advinhas” basta relatar parte do sintoma que o cara já dá a solução!
    Incrível como até hoje tem ‘mexânico’ que adora remover a válvula termostática alegando inutilidade na peça. Fora aqueles que removem proteções, abraçadeiras e outros ‘detalhes inúteis’ segundo eles. Se esses componentes não fossem necessários, a fabricante seria a primeira a retirá-los eliminando algum custo de produção. Outros “eletricistas” gostam de instalar baterias novas com embalagem e tudo, esses pecam por excesso! O cara corta o plástico que envolve o produto só nos polos, com isso toda parte de respiro da bateria fica tapada, um absurdo!

  • Luciano Ferreira Lima

    Comecei a profissão de mecânico aos 21 anos de idade em Padre Miguel, no Rio de Janeiro, tinha muitos clientes, a oficina era na minha garagem que comportava apertados 5 carros e mais uns 2 que dormiam na rua. No Rio se você for honesto se faz clientela rapidinho. Infelizmente fui saber dessa válvula termostática somente cinco anos depois quando a Retífica Remarem nos deu uma palestra, desde então mergulho de cabeça em qualquer livro de mecânica que possa estar ao meu alcance. Tenho muita vergonha dessa época de ignorância por esse mito muito arraigado na fauna das oficinas. Obrigado, Sr Feldman, pelo excelente texto.

    • Leo-RJ

      Boa, Luciano! Evoluindo sempre!
      Conheço a Remarem, que tem um corpo técnico muito bom. Você falou uma grande verdade, aqui no Rio, se o cara for honesto, a clientela surge rapidinho!
      Sorte na jornada.

    • Newton(ArkAngel)

      Inteligente é quem pergunta e vai atrás do conhecimento, muito decente sua atitude. Saiba que se precisar de ajuda, estou à disposição. Parabéns, Luciano, pela humildade.

    • Roberto Neves

      Gostei muito do seu depoimento, Luciano! Você deve ser um ótimo profissional!

  • Daniel S. de Araujo

    Boris, no caso da válvula termostática, a questão é ainda pior do que o tempo mais curto para o aquecimento do motor: Alguns veículos quando na estrada, simplesmente esfriam em níveis bastante baixos, a ponto de deixar o funcionamento do motor irregular, em carros mais antigos, se estiver chovendo.

    Sobre o querosene era uma prática chancelada pelos fabricantes de motores a diesel para diminuir a viscosidade do combustível em regiões frias.

    • marcus lahoz

      Nos mais novos chega a dar mais problema ainda. No Marea do meu pai a válvula travou aberta, assim na estrada a temperatura diminuía a ponto de acender a luz da injeção e o câmbio (automático) reduzir de quarta para terceira na tentativa de aumentar a temperatura.

      • Daniel S. de Araujo

        Tiraram a termostática do Santana 2003 a álcool de um amigo meu e ele se viu quase louco: na estrada o motor esfriava demais, na chuva, engasgava e consumia muito mais.

    • Lorenzo Frigerio

      Minha mãe tinha um Monza 1.8 a álcool cuja válvula travou tanto fechada como aberta. No primeiro caso, só não ferveu porque era a álcool… no segundo eu estava indo para Cumbica, e quando lá cheguei o motor estava quase morrendo em lenta, de tão gelado.

      • Fernando

        Nos a álcool isso é grave também por na fase de aquecimento do motor não haver circuito de aquecimento no coletor(nos que usam o líquido de arrefecimento para este fim), aí na estrada o negócio fica pior ainda, com o coletor gelado.

  • Newton(ArkAngel)

    Como profissional da área, o que digo é que para mudar os conceitos a respeito da profissão, devemos primeiramente valorizar nosso próprio trabalho. Outro dia veio um cliente na oficina onde trabalho, e perguntou quanto custava a troca da correia dentada de um Corolla. O valor da MO é de 300,00. O cliente reclamou, e foi embora. Coincidentemente, durante uma saída para comprar peças, vi o mesmo carro parado em uma garagem com o capô aberto. Fui lá, e perguntei ao sujeito o que estava sendo feito. A correia dentada estava sendo trocada, e o mecânico cobrou…40,00!

    • Lorenzo Frigerio

      Se é possível fazer o serviço corretamente por 40,00, então esse será o mecânico que trocará correias.

      • Newton(ArkAngel)

        A questão é valorizar o próprio serviço. Se alguém está a fim de trabalhar a preço de banana, bem, cada um que faça suas próprias escolhas.

    • marcus lahoz

      40 reais….aqui em Curitiba por este valor nem pizza mais.

      • Marco

        Meio fora do tópico, mas fui a Curitiba durante o feriado de Corpus Christi. Antes disso, somente havia ido a trabalho, em bate-volta. No feriado, peguei a estrada e fui dar uma volta pela cidade. Primeiramente, uma tremenda cidade decente. Nem dá para comparar com São Paulo/ABC em questão de limpeza, organização etc.
        Fiquei hospedado no Batel. Saí para comer pelo bairro durante a noite. Fui a uma pizzaria – o nome não recordo – bem bacana, com pizzas individuais. Não me lembro do preço, mas ainda assim, bem menos que em São Paulo num restaurante equivalente.
        Me recordo também que o estacionamento do restaurante custava R$ 3,00. Em São Paulo, um de valet custa uns R$ 20,00.

        • marcus lahoz

          Marco

          Sei qual a pizzaria está falando. Esta é boa, mas posso te indicar uma bem melhor. O valor aqui é quase igual a São Paulo, fui lá estes dias e comi na região da Oscar Freire, gastei 180 dilmas com vinho, não cobraram estacionamento, mesmo valor que aqui.

          E este estacionamento de 3 reais esta barato, hein, normalmente fica na casa de 20.

          Mas em geral Curitiba é uma boa cidade, gosto de morar aqui.

        • Lorenzo Frigerio

          Estive lá há uns 13 anos talvez. O asfalto era liso na maioria das ruas, e o trânsito andava. Quanta diferença para o asfalto lunar de São Paulo.

    • Oli

      Quanto tempo leva pra trocar a correia?

    • Costa

      Acho que depende da dificuldade da troca. Agora R$ 300 para troca da correia dentada em um Corolla abaixo de 2002 (que são os que tem correia dentada) é bem caro. A dificuldade de troca não é grande e o serviço pode ser feito em 1h30 com as ferramentas corretas.

      Se a hora do mecânico é R$ 100, acho que cobrar R$ 150 pelo serviço está bem pago.
      Mais de R$ 100 a hora já vai chegando nos preços de M.O das concessionárias

      • Newton(ArkAngel)

        A hora de M.O. da Toyota aqui em São Paulo é de cerca de 220,00; da Citroën é de 235,00. Marcas premium passam de 350,00.

        O manual de tempos de serviço da Toyota especifica o tempo de troca da correia em 3,8 h.

        Onde trabalho, a hora técnica custa 105,00, emitimos NF, os empregados são registrados e damos garantia de 1 ano para os serviços…logicamente, se um mecânico trabalha na garagem, não emite NF, o custo será mais baixo.

        Um artigo esclarecedor, que considero um dos melhores que já li, foi publicado aqui no Ae, de autoria do André Dantas.

        http://autoentusiastas.com.br/2012/07/a-triste-sina-do-bom-mecanico/

    • Mineirim

      O barato pode sair caro…
      Quando eu tinha um Brava, inventei de fazer a primeira troca de correia dentada numa dessas lojas de pneus. Com peças e mão de obra custou uns R$ 700, enquanto na concessionária pediam em torno de R$ 1.000. Tive que voltar no dia seguinte, porque fazia um barulho danado! Não sei como não estragou o cabeçote ou a própria correia.

    • braulio

      $300 para trocar a correia de um Toyota? E de um Marea, então, quanto cobram?
      Pensemos que a troca da tal correia é um processo simples (menos de uma hora de serviço) e que normalmente não exige ferramentas especiais. Essa oficina, operando apenas em dias úteis, realizando apenas uma troca dessas por dia e fechando a porta em seguida faturaria $ 6000,00/mês. É ir com muita sede ao pote. A outra oficina, para o mesmo serviço fatura $ 800,00/mês. Um salário mínimo mais o INSS de um “ajudante geral”. E fica com a fama de barateira, que será procurada para executar várias outras manutenções no veículo.
      Talvez o mecânico mais barato cobre até mais caro por serviços mais complexos, mas o cliente acaba por levar o carro na mesma oficina. Partindo da lógica de que os serviços de rotina são mais fáceis, e que você só fatura se o cliente trouxer o carro para você trabalhar, pode ser altamente compensador cobrar menos que uma pizza pelo serviço…

      • Lemming®

        Acho que esta sua conta está muito simplista como se por exemplo: seu ajudante não usa vale transporte, não use ou precise de vale alimentação, não tome água ou vá ao banheiro…
        O custo de prestar serviço não está somente na MO do profissional. Não precisa de avaliação? Ferramentas?
        Não trabalho com mecânica mas acredito que deva ser avaliado tensor, rolamentos, ponto do motor, tensão da correia..etc

      • Newton(ArkAngel)

        Aluguel do galpão de 600 m² = 12.000,00
        Telefonia+água +luz = 1000,00
        Salário do técnico com comissões = 3000,00
        Salário do auxiliar com comissões +1900,00
        Imposto sobre serviços = 13% sobre o valor da NF
        IPTU = 540,00/mês
        Aquisição de novas ferramentas = cerca de 1000,00/mês
        Contador = 600,00/mês
        Atualizações on-line = 400,00/mês
        Serviço bem feito e com garantia de 1 ano = não tem preço!
        Minha MO é de 105,00/hora; na concessionária Toyota é de 220,00/h, Peugeot 235,00/h
        Como se pode ver, a noção de caro e barato é relativa…e uma oficina, ao contrário do que muitos pensam, é uma empresa cujo objetivo é gerar lucro, assim como o seu trabalho, o de fulano e beltrano. Sugiro esse excelente artigo:
        http://autoentusiastas.com.br/2012/07/a-triste-sina-do-bom-mecanico/

  • Luciano Ferreira Lima,
    Parabéns por admitir aqui, publicamente, que desconhecia a válvula termostática. É preciso ser muito Homem (com “H” maiúsculo mesmo) para fazer isso. Espero que o Ae lhe seja sempre útil na sua bela e honrada profissão.
    O meu abraço e do corpo de editores e colunistas.

    • János Márkus

      Vida longa e próspera, Luciano!

  • Lorenzo Frigerio

    Alguém aí se lembra da “Carlife”, a pílula que “retifica o seu motor enquanto você dirige”?

  • marcus lahoz

    Bom texto. Realmente esta da válvula é de matar.

    Este economizadores vi um cidadão colocando o segundo kit de ímãs na linha de combustível, de acordo com ele só com o primeiro já conseguiu 10% de economia. Deu até pena.

    Não tem segredo, quer economizar: carro revisado, pneu calibrado, combustível de qualidade e direção econômica. Se fizer certinho vai conseguir uma bela economia.

  • walterjundiai

    Faz tempo que acompanho este site e agora resolvi participar. Brilhante texto Boris, sugiro que todos os meses atualize esta lista de “milagres da Mecânica” e que esta lista possa ser um guia útil contra as oficinas despreparadas ou desonestas do Brasil. Eu mesmo vou alertar a todos os meus amigos. Um abraço.

  • Gabriel Bastos

    Concordo com o texto, porém o caso de misturar querosene é um procedimento recomendado por alguns fabricantes de motores Diesel ( Mitsubishi e MWM ) inclusive consta no manual de proprietário.

    • vstrabello

      Já ouvi história “das antiga” de pôr querosene em motor Diesel, falando que o bichão começou andar bem mais depois que colocou no tanque hehe

  • Lorenzo Frigerio

    Pois é, eu sou mecânico amador, mas só para carros carburados. Os modelos modernos não costumam dar problema a ponto de você investir em scanners e cursos que pouco usará, sem contar o conhecimento específico de como desmontar determinado carro, que só o prático tem.

    • Fernando

      Além do citado, creio que vale à pena de vez em quando ter um scanner é mais para um diagnóstico justamente destes componentes elétricos/eletrônicos, não só do motor mas outros módulos, possibilidade de reset, alterar alguns parâmetros, e outras coisas também que só quem tiver prática e gosto.

  • Mineirim

    O problema é que não…

  • braulio

    Faz todo sentido… O problema é que no meio do serviço, quando a tal pilula já tinha desmontado o motor, o motorista parava de dirigir e não dava para ela poder acabar…

  • braulio

    Mais desprezada que a termostática só a thermac, que puxava ar quente do coletor de escapamento para a admissão enquanto o carro aquecia.
    Toda vez que se fala dessa válvula o nome que chega na cabeça é Tempra. Com ela, a válvula não abria e o motor fervia; sem a dita, o motor esfriava e morria na estrada. Fico pensando se não era problema de usinagem da peça, já que o Tipo com motor de 2 litros feito na Itália não parecia padecer desse mal específico (embora também tenha fama de carro-bomba…)

    • Daniel S. de Araujo

      Posso estar falando bobagem mas o primeiro carro nacional com thermac foi o Gol 1300 a ar e a gasolina.

      Thermac cada um lembra de uma coisa: meu ex. Gol 1,6L CHT. O Thermac travava aberto e o filtro de ar puxava ar quente da tomada junto ao coletor de escape, e com ele, toda a poeira das estradas de terra por onde andava.

      • $2354837

        É e não é… O fusca 1300 a álcool já trazia thermac. Não sei qual foi lançado primeiro…
        Se pensarmos bem é uma gambiarra do hoje temos do sistema flex que aquece o combustível nos bicos.
        Não faz muito sentido o lance da poeira, pois teria que puxar menos ainda, já que a poeira em suspensão está menos disponível próximo ao coletor de escapamento.

      • János Márkus

        Ops. A Thermac fica instalada antes do filtro de ar, e foi feita apenas para ser utilizada na fase fria do motor. Quando atinge a temperatura correta essa outra válvula fecha, deixando de puxar o ar quente. Se ela fica totalmente aberta o tempo todo, significa que alguém removeu a mangueira de vácuo que a comanda. A Brasília a álcool (nenhuma saudade) também tinha esse sistema.

      • Lorenzo Frigerio

        De que eu me lembre, esse sistema é típico de carros a álcool. Num país “tropical” como o Brasil, não tem muita utilidade na gasolina. A primeira vez que ouvi falar dele foi na linha Passat 1983. Talvez no Gol a ar tivesse utilidade porque nesses motores o coletor de admissão é longo e o combustível pode voltar a se liquefazer; será que a carburação dos motores 1300 a carburação não era simples, piorando a situação ainda mais? Esse é um problema clássico dos Fuscas.

  • Rodolfo

    Nunca um carro pode andar sem válvula termostática, pois a mesma mantém a temperatura do motor ideal. Na sua ausência o motor demora para aquecer e nunca fica na temperatura ideal. Uma das conseqüências disso é maior consumo de combustível.

    A válvula não está lá como um enfeite. Se o motor estiver aquecendo e for constatado que a válvula está boa, então o problema estará em qualquer outro elemento do sistema de arrefecimento como: bomba d’ água com rotor gasto, radiador entupido, galerias de água entupidas etc.

  • Vinícius

    Meu carro esfriava tanto o motor na estrada no inverno daqui do Rio Grande do Sul que ao parar, a marcha lenta ficava em 1200 rpm, em fase de aquecimento, fora o consumo incompatível com um motor de um litro com injeção eletrônica. Mandei trocar a válvula termostática e hoje peguei estrada. Depois de 200 km o marcador de combustível mal se moveu, quando voltar para casa, vou completar o tanque novamente para verificar a diferença.
    Antes, mal conseguia fazer 12 km/l com ar-condicionado desligado e andando entre 80~110 km/h!

    • marcus lahoz

      Bem isso.

    • Vinícius

      Só complementando minha postagem anterior, 16,6 km/l no mesmo trajeto e mantendo a mesma média de velocidade.
      Diferença maior até do que eu esperava!

  • Daniel S. de Araujo

    Endosso suas palavras! No manual do motor MWM série 12 Euro 3 (motor empregado nos caminhões Volkswagen de 260cv Volvo VM 260 e 310 (todos eletrônicos) existe uma recomendaçâo expressa para a adição de querosene em locais de temperatura ambiente abaixo de zero, em até 50%.

    • Gabriel Bastos

      Eu tive uma L200, que no manual recomendava uso de 20% de querosene a cada 10.000 km. Em caso de uso em condições severas.

  • Anônimo

    Tenho um exemplo desse (pré?)conceito com a profissão de mecânico em minha própria casa.
    Estou fazendo um curso de mecânica no Senai – um curso rápido apenas com noções básicas para quem deseja iniciar na área – e a minha mãe é totalmente contra. Ela diz que ser mecânico é “coisa de quem não tem estudo”, que eu tenho “condições de conseguir algo melhor” e já me falou várias vezes para desistir do curso.
    Infelizmente esse “estereótipo” com a profissão ainda perdura no pensamento de muita gente e entendo muito bem a sua revolta com essa situação.

    • J Paulo

      E pensar que muitos professores do ensino básico pensam assim: “tem que estudar para ter bons empregos, trabalhar em escritório. Se não vai virar lixeiro, pedreiro e mecânico”. Triste essa mentalidade.

    • János Márkus

      Oi Anônimo, mostre para ela os posts que o ADG (HighTorque) tem no YouTube, ela vai ver o nível de vida que ele e a equipe dele conseguiram com MUITO trabalho e estudo.

  • Paulo Eduardo Bandeira de Mell

    Faltou o purgante, adicionar óleo de motor no carburador para lubrificar as válvulas de admissão. Boa matéria!

  • Lorenzo Frigerio

    A marca certa de válvula termostática é Wähler. Essa que é fornecedora dos fabricantes. É óbvio que um dia dará problema, mas depois de dezenas de milhares de quilômetros. Eu colocaria principalmente no XR3 a álcool, pois esses motores têm que trabalhar a 95 graus; se travar fechada o motor esquentará mas não superaquecerá, por ser a álcool. É ruim andar sem válvula, especialmente em carros que rodam pouco, pois o óleo demora a atingir a temperatura correta e a expelir a condensação de água dentro do motor, degradando-se. Sem contar que o motor vai gastar barbaridade.

    • $2354837

      Seu motor desgastará mais rapidamente e seu consumo aumentará, coisa de 40% mais rápido. Haverá depósito de carvão nas sede de válvulas e o óleo se contaminará mais rapidamente.

      Desgaste maior no trem de comando, desgaste acentuado da vela.

      Se isso está ok para você, sem problemas.

      Já ouvi falar bem da Wähler. Nâo gosto de andar sem válvula e qualquer indício que não está funcionando a contento já troco.

      • Eduardo Gomes

        Observação correta, mas para um auto, que sai pouco da garagem, uso aditivo na base de 30%,substitui esta válvula 2 vezes, pois tive o desprazer de ver a mesma travar fechada numa subida de serra, e ver a temperatura subindo e tendo que parar, situação nada agradável.Vamos lá óleo troco a cada 4 mil km ou 1 ano, consumo na base de 120 km/130 km/h com ar ligado faz em torno de12 km/l. Assumo os riscos, pois acho mais arriscado ficar parado por alta temperatura, tenho verdadeiro pânico.

  • J Paulo

    A intenção da Thermac nos carros carburados a álcool pode ser boa, mas na prática, pouco ou nada influi. Mais prático e objetivo aquecer o carro no pé antes de sair

  • $2354837

    Me dava arrepios a válvula termostática do motor Sevel 1,5. Aquela peça custa uma fortuna porque era blindada e durava o mesmo que outras.

    • Mineirim

      Verdade. Tive um Premio a álcool que comprei com ela quebrada e vendi, anos depois, do mesmo jeito. O preço que cobravam eram muito alto.
      Não notei inconveniente, mas ela ficava fazendo uma barulhada danada…

  • Lorenzo Frigerio

    Hoje em dia dá para comprar uns dongles bluetooth para ligar na tomada de diagnóstico, e acessar com smartphone, em geral Android.

    • Fernando

      Sim Lorenzo, tenho um destes e funciona bem!

      Só não é tão compatível com algumas centrais, precisa testar para ter certeza, mas já até serviu para ajudar no diagnóstico de um carro( Agile) que estava com um erro de embreagem, se me lembro bem.

      Além dele, tenho um outro, que é por cabo por causa da leitura de outro carro não ser padronizada(padrão OBD). Nos dois juntos, paguei o equivalente a uma “passada” de scanner, e posso repetir quantas vezes desejar.

  • Lorenzo Frigerio

    3,8 horas para trocar uma correia dentada é um verdadeiro paradoxo. Se um motor usa correia, que é um componente “perecível”, então trocá-la deveria ser rápido. Não é à toa que a velha corrente tenha sofrido um “revival”, já que os cofres de motor estão cada vez mais apertados..

  • J Paulo,
    A Thermac era usada na Europa também, devido ao inverno. Antes dela os filtros tinham um flape de acionamento manual com posições Inverno e Verão. A válvula Thermac comandava também a coleta de ar ambiente quando o acelerador abria-se além de determinado ponto (acho que 75%) para potência e também evitar ar aquecido, que contribuiria para a detonação.

    • J Paulo

      Pensei em bolar um sistema manual desse flape na entrada do coletor, no meu carro anterior.

  • Fat Jack

    Os AP a álcool são “cricas” para aquecer mesmo com a válvula, mas também não recomendo sua retirada. Quanto aos “riscos”, eu não os chamaria assim, na verdade são conseqüências: como o tempo maior de aquecimento, a temperatura mais baixa (às vezes até que a ideal) em caso de viagens e possível consumo um pouco mais alto (e se for em cidade com vistoria veicular uma aprovação um pouco mais difícil pela queima “incompleta” do combustível).

  • Rochaid Rocha

    O que me dizem daquele aditivo de atrito colocado junto com o óleo do motor? Serve para alguma coisa?

  • Paulo César_PCB

    Gostaria que o Boris apresentasse em vídeo um teste entre uma roda nova e uma recuperada, evidentemente do mesmo modelo. Fazendo um comparativo. Tipo Inmetro, sabe?! Aí a teoria se comprovaria na prática. Mata a cobra e mostra o pau, para quem não é “engenheiro”, apenas autoentusiasta.

  • Eduardo Mrack

    Termostática – ela “pifada” é ( com sorte ) o primeiro sinal de corrosão e degradação interna nas galerias de circulação de líquido de arrefecimento do bloco do motor/radiador e circuito de arrefecimento. Atenção especial é requerida ( já diz o manual ) quanto a qual líquido está sendo colocado no motor. Se for água da torneira, com cloro e flúor, bem, a coisa vai de mal a pior….

    Rodas “de Liga” – é particularidade inerente à própria liga empregada na fabricação das tais “rodas de liga” apresentar dificuldade de conformação. Rodas que passam por um controle de qualidade rigorosíssimo apresentam limites aceitáveis de porosidade. Controle de qualidade rigorosíssimo, os reparadores o têm ?

    Querosene – um excelentíssimo composto químico para limpeza de peças, ou quando especificado para tal, um bom combustível para motores aos quais foram projetados para operarem com ele. Termina aqui o bom uso do querosene.

    Booster/Economizadores – há até mesmo pílulas de performance ou economia para venda internet a fora. Basta jogá-las no tanque e acreditar cegamente que elas trarão bons resultados. As outrora tradicionais bolinhas de naftalina realmente perderam o seu status-quo no imaginário popular…

    Cadeirinha – mais uma para a lista “problemas complexos, soluções simples” ; -técnicos por direito- diferem dos -técnicos de fato-, assim como engenheiros. Na parte de legislação e normalização, o que mais temos são técnicos por direito.

  • Fernando

    Também tenho um XR3 1,8-L a álcool e a minha opinião diverge pois quando o comprei, usava diariamente e ele tinha uma válvula termostática (MTE) que travou aberta, com consecutivas limpezas no sistema eu resolvi o mal que ex-donos relaxavam no arrefecimento(não usar aditivo, ou não um adequado) e troquei por uma Wahler, que está lá até hoje(também hoje aposentado e passeando em ocasiões mais especiais), funcionando muito bem.

    Sinceramente eu notei sim uma boa diferença quando a substituí pois quando mexo faço uma revisão boa, mas mesmo assim observo a importância mesmo para um carro que roda pouco, pois quanto antes o motor atingir a temperatura ideal(e a manter) é melhor, pior ainda em estrada que a temperatura cai, a temperatura oscilando demais não é bom para a vida útil.

    Mesmo em um carro meu movido a gasolina e com injeção eletrônica, o comprei e descobri que alguém a havia retirado. Pois coloquei novamente, e principalmente como uso o carro em trajetos curtos, noto como fez diferença(para melhor) até no consumo e reação do carro.

  • Lorenzo Frigerio

    O Militec? Não é levado a sério.

  • ricardo kobus

    Tem uns aditivos de radiador com “polímeros” que são um santo remédio para emperrar válvula termostática.