Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Trânsito é questão de educação desde a infância – Autoentusiastas

Trânsito é questão de educação desde a infância

 

Young woman driving car

Tive uma educação amorosa, mas rigorosa. Em casa tinha horário para ver televisão, programas que não podíamos assistir até uma determinada idade, horário para as refeições, não podíamos levantar da mesa até que todos tivessem terminado, enfim, alguns rituais que, diga-se de passagem, mantenho alegremente até hoje — exceto o da televisão. Sou viciada e sempre está ligada. Assisto quase qualquer coisa e já vi o mesmo número de vezes e com o mesmo entusiasmo “Cidadão Kane” que “A Volta dos Tomates Assassinos”, embora seja capaz de perceber as diferenças. Sim, já sei, não faz o menor sentido, mas tenho meu lado ilógico dentro de um ser bastante dr. Spock de ser. Mas na minha infância também tinha muito beijo, abraço e demonstração de carinho. E sempre “por favor” e “obrigado”.

Acredito que são os gestos simples que fazem a diferença sempre. E no trânsito não é diferente. Não basta respeitar as normas de trânsito assim como não cola aquele argumento dos flanelinhas que tentam nos extorquir dizendo “pelo menos não estou roubando”. Ora, fazer o certo é obrigação, não favor.

Sinalizar antes de mudar de faixa ou de fazer uma conversão ajuda muito, por exemplo. Meus amigos dizem que andar atrás de mim não tem nenhuma emoção. Eu sempre aviso o que vou fazer. Dou seta com antecedência, dou passagem, respeito a preferencial, freio com cuidado, enfim, não há surpresas. Afinal, se alguém quiser andar com emoção que contrate um bugueiro nas dunas do Ceará (que por sinal já fiz e é muito legal), pois andar atrás de mim será perda de tempo nesse sentido. Frear na última hora só em pista de teste ou de corrida, assim como outras coisas do gênero. Coisa que, aliás, adoro fazer. E aí solto a fera que tem dentro de mim. Mas nas ruas, tento agir como uma princesa.

Respeito a faixa de pedestre e já perdi a conta de quanta buzinada levei por não avançar mesmo com o sinal aberto mas correndo o risco de fechar o cruzamento. Mas meu sangue ferve quando sou eu a vítima de alguém que faz isso. Já desci do carro para bater boca com o motorista de um ônibus que fechou um cruzamento. O sinal abriu por exatas quatro vezes para mim e nada. Não consegui andar um milimetrozinho sequer. Aí desci do carro. Claro que quando comecei a falar: “O senhor viu o que fez?” ele fechou a porta do coletivo. Mas sou baixinha invocada e continuei soltando o verbo, só que em tom mais alto. Não xingo que é para não perder a razão, mas que ele escutou, isso sim. Faz um par de anos e já não faço mais isso pois o trânsito está muito inseguro — e ainda corro o risco de que roubem minha bolsa enquanto desço do carro para reclamar, ou o carro, se o trânsito andar. Mas na hora realmente não pensei muito, não. E ainda quando reclamo consigo ser gentil. Bom, talvez não seja gentil que não sou Mahatma Gandhi, mas certamente educada. Aliás, isso deixa o outro mais irritado.

 

Faixa pedestre

Custa cumprir as normas de trânsito? E ser gentil, então? (foto: thecityfix.com)

O engraçado é que por ser mulher os outros motoristas não botam fé nas minhas gentilezas. Quando estou numa rua e dou passagem para alguém que está saindo de uma garagem, não basta eu piscar o farol. Tenho de gesticular com a mão e ainda dizer “vai, vai”. E tem quem duvide. Homem, pois mulher nem espera. Acelera e pronto — isso se não me fechar. E raramente agradece, infelizmente. Acho que ainda é raro mulher dar passagem e há muita desconfiança no gesto. Também gosto de agradecer quando me dão passagem, o que às vezes me rende um divertido agradecimento do agradecimento. E sempre dou preferência aos pedestres quando saio de uma garagem, quando estão na faixa ou quando não há sinal para travessia. Mas sou meio camicase quando atravessam com o sinal fechado para eles. Um amigo meu abria a janela, colocava a cabeça para fora do carro e gritava “boliche!”. Entenderam o recado? Claro que eu nunca atropelei ninguém nem ameaço, mas faço questão de gritar “olha o sinal!”. Adianta? Quase nunca, mas é como meu pai dizia, aviso que estão pisando no meu pé. Se não tiram o pé é porque são mal educados. E acho que algum dia vão mudar de comportamento se todo mundo ficar reclamando na orelha deles. Mas também acreditei em Papai Noel até os sete anos…

Não acho que campanhas de paz no trânsito sejam eficientes. Educação tem de vir de casa. Cansei de ver motorista fechando outro com o adesivo da seguradora da campanha do coraçãozinho colado no vidro. Uma boa autoescola com certeza também ajudaria, com carga horária que realmente fosse cumprida e programa que incluísse não apenas decoreba de placas e inutilidades que duvido que as próprias autoridades viárias conheçam, mas também atitudes que melhorariam a fluidez do trânsito. Os motoristas alemães na minha opinião são os melhores do mundo — generalizando, é claro — e credito isso ao exigente exame que eles têm. Nada de “comprar” carteira. E olha que lá não tem limite de velocidade na maioria das estradas, exceto nos trechos em que as fantásticas Autobahnen atravessam vilarejos.

Manter o carro em ordem também é sinal de respeito e educação – sem falar em segurança para todos. Por que o motorista de trás seria obrigado a adivinhar se estou freando quando isso deveria ser claramente sinalizado por uma luz vermelha mais intensa? Custa checar as lâmpadas? Por sinal, esse foi um conselho do meu instrutor de autoescola. Eu estava acostumada a dirigir do jeito argentino, reduzindo as marchas e usando pouco o freio. E ele me disse para fazer isso, sim, mas dependendo do trânsito dar uma pisadinha no freio apenas para que o motorista de trás percebesse que eu estava diminuindo a velocidade. Achei prática a dica, já que aqui o uso do freio é mais freqüente e faço isso quando o veículo de trás está próximo do meu. Mas se não tem ninguém ou mesmo nas descidas, gosto que seja o motor, através da caixa de câmbio, que segure o carro e não o freio.

Faróis funcionando e a luz correta no momento correto sempre. Apesar de ser argentina, não sou exibida, mas o princípio no trânsito é o mesmo da aeronáutica: ver e ser visto. Então lâmpadas sempre em ordem cuja substituição, por sinal, muitas seguradoras cobrem e nada de preguiça na hora de acionar a alavanquinha. Bem, relendo isto vão dizer que sou, sim, exibida, que gosto de luzes. Mas na verdade é questão de segurança. Juro!

Mudando de assunto: Foi legal ver um brasileiro no pódio da Fórmula 1 depois de tanto tempo. Felipe Massa fez uma bela corrida, mas queria destacar o sempre correto e eficiente Nico Hülkenberg. Com um carro limitadíssimo ele consegue milagres. Sempre o achei muito talentoso — pena que nunca teve um carro à altura. E o que dizer da transmissão? Um horror: cortavam as imagens nas horas mais absurdas.

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

  • RMC

    Nora
    Legal você abordar a civilidade no trânsito. Cada vez está mais difícil a gente dirigir, pelo volume de carros nas ruas e pelos absurdos “controles” de trânsito – leia-se pardais e outros que tais. Mas entendo que atitudes civilizadas ajudam muito: por exemplo, ocupar a faixa da esquerda apenas quando for ultrapassar outro carro, deixando-a livre para quem quiser/precisar andar mais rápido. Outra, que já foi abordada aqui no Ae, é andar no limite: se a velocidade máxima da via é 80 km/h, andemos a 80 e não a 70 ou 60. São coisas muito comuns aqui em Brasília e aborrecem bastante. Farol alto ou luz traseira de neblina sem neblina também são bem incômodas. Tudo coisa de bom senso ou, como você mesma disse, de educação.
    Dois comentários: esqueça o modo argentino de dirigir e, sobretudo, estacionar (dando uma pancadinha e empurrando o carro de trás e depois outra pancadinha e empurrando o da frente, para que o seu carro caiba na vaga); quanto a educação ao volante, os franceses, no geral, claro, também são muito educados. Desde que você não feche um cruzamento ou não fique na faixa da esquerda da autoestrada empatando o caminho dos outros.
    RMC

  • Eduardo Silva

    O que me tira do sério é parar no sinal verde esperando para não fechar o cruzamento e o irracional que está na fila ao lado (ou já fechando o cruzamento) entrar na fila que você está esperando andar. Perco as contas do quanto isso acontece. Perco o humor na hora. É um desgosto que no Brasil os corretos sejam os otários dos espertos.

    • Para complicar de vez, há um endeusamento do jeitinho brasileiro, onde ser malandro é ser correto, e ser correto é ser panaca.
      O pior é que isso está impregnado no brasileiro médio, não vejo outra solução a não ser uma grande melhora na educação a longo prazo. Que infelizmente, é utopia…

    • caique313131

      Admito que já fiz algo parecido, mas na hora fui totalmente alheio à sujeira que tinha acabado de fazer. O motorista que estava atrás começou a buzinar e a piscar os faróis freneticamente, e naquela época eu demorei muito para entender o motivo de ele estar tão nervoso comigo. Só depois é que percebi.

    • Fabio Toledo

      Cara, Isso é para acabar com o humor de qualquer um (cidadão de verdade).

  • Mr. Car

    Nora, você acabou de…me descrever no trânsito. Quem anda atrás de mim também não tem nenhuma emoção, he, he! E por falar em andar atrás, aqui no Rio pelo menos, há um costume que me irrita profundamente, que é quando se está parado no sinal, este se abre, e um nanomilésimo de segundo depois, o infeliz atrás de você enterra a mão na buzina, como se você não tivesse prestando atenção e fosse demorar para andar, ou mesmo que tivesse a obrigação de sair como em uma largada de F-1, ainda que um pedestre nonagenário ou uma mulher com seu carrinho de bebê não tivesse terminado a travessia. A minha vontade é ficar parado até que o sinal volte a fechar, e só sair na próxima abertura. Só que se eu fizesse isto, estaria prejudicando um monte de outros atrás dele que não fizeram por merecer o mesmo castigo.
    Abraço.

    • Mendes

      Tem também o outro lado. Tem motorista que fica “sonhando acordado” dentro do carro e não percebe que o semáforo abriu. Aí, ou esperamos o sujeito “se tocar” ou temos que “acordá-lo” com a buzina.
      É esse tipo de gente que prejudica a fluidez do trânsito. Em cruzamentos movimentados, tem semáforo que fica apenas 10 segundos no verde. Se o sujeito levar 5 segundos para reagir e arrancar, lá se foi 50% do tempo de verde! Aí menos carros conseguem passar em tempo hábil e um número maior de veículos fica retido no sinal vermelho sem necessidade, aumentando o tamanho da fila.
      Por isso, quem está na “primeira fila” do semáforo precisa ficar atento para quando ele abrir sair imediatamente, caso não haja pedestres terminando de atravessar a rua. Do contrário, estará atrasando a todos os que vêm atrás, podendo gerar uma “onda” de paradas com poder similar à daquele clássico vídeo da pista circular.

  • Lucas

    Para ver como esse país é um contrassenso total. Em qualquer lugar civilizado do mundo, um texto como esse soaria como absurdo. Respeitar os demais usuários da via, a sinalização, manter o carro em condições de não oferecer perigo aos outros, sinalizar antecipadamente aos que estão a sua volta as suas intenções são coisas simplesmente óbvias. Mas como por aqui o improvável predomina e o que é correto é ignorado, torna-se necessário abordar esses assuntos.
    Acredito que falte a noção de que, ao botarmos o pé para fora de casa adentramos justamente no… trânsito. Falta essa noção de que trânsito faz parte da vida de todo mundo, não é só os carros na rua. O trânsito são todos.

  • Christian Bernert

    É isso mesmo Nora. O trânsito fica mais humano quando usamos bem a comunicação. Se todos enxergarem um ser humano atrás de cada volante, o trânsito será menos violento e mais cordial.
    Deus nos deu voz e dezenas de músculos faciais. Se soubermos usar bem, garanto que a vida será mais feliz.
    Uma experiência interessante que já ocorreu comigo algumas vezes: você está na estrada no meio do ‘nada’ e o trânsito pára totalmente. Seja por causa de obras, acidente, não importa. Aí você desce do carro e circula entre os carros e caminhões vizinhos, puxa papo. Surpreendentemente quando o trânsito começa a andar novamente todos aqueles com quem conversou tornam-se muito mais cordiais com você nos próximos quilômetros. Aquela ‘guerra fria’ que por vezes ocorre no trânsito desaparece como que por encanto.

  • André Stutz Soares

    Parabéns, Nora! Sou um destes “sem emoção” e pura gentileza, a maioria estranha. Mas gostei da idéia do boliche… hahaha!

  • TDA

    Disse tudo Nora, educação vem de casa. Já passei por situação parecida com essa do ônibus fechando o cruzamento, dá uma raiva danada. Outra coisa que me dá nos nervos é quando o semáforo fecha para um lado e abre para nós e sempre vem aquele motoqueiro desesperado que atravessa no vermelho e buzinando freneticamente como se vc tivesse obrigação de esperar ele passar. AAAfffffff…
    Acho que sou meio argentino pois uso muito o câmbio/freio motor para reduzir velocidade e sempre sinalizo quando vou convergir. E as luzes todas em perfeitas condições, inclusive as luzinhas da placa.

    • Fabio Toledo

      Acho que se a lei não fosse tão a favor do motociclista, muitos mais motoqueiros já teriam “voado”.

  • guest

    Não gosto dessa crescente mania de “patrulhamento”: gente que se acha dona da razão ou – quem sabe – possuída por um espírito de guarda de trânsito, reclamando de todos como se estivesse sempre certo…
    Tem gente que deve ser tão bem resolvida em sua vida que se acha no direito de querer comandar a vida dos outros… minha sugestão: compre um gato, ele tem sete vidas para cuidar.

    • César

      Então, temos que ser coniventes com o que não é certo?

      • Lucas

        Era bem o que eu iria responder a ele. Aceitar as burradas dos outros também não somos abrigados a aceitar calados. Quem cala, consente. Então eu reclamo mesmo!

    • guest
      É só andar na linha e não atrapalhar os outros que você não será e nem se sentirá patrulhado.

      • guest

        Bob, vejo que fui mal interpretado por muitas pessoas.
        Faz 31 anos que tenho habilitação, dirijo diariamente e NUNCA fui multado.
        Não vou dizer que nunca tive vontade de reclamar (e muito mais…) no trânsito, mas não acho que seja o meu papel e nem de alguém que não seja autoridade de trânsito.
        Um exemplo: tem gente que acha que pode trafegar à esquerda numa rodovia na velocidade máxima permitida, não se importando se pode haver alguma ambulância, ladrões em fuga ou mesmo um motorista “apertado” para chegar ao banheiro mais próximo, que queira trafegar acima da velocidade permitida. Mas ele acha que tem o direito de ficar atrapalhando os outros, ainda que pouco depois ele chegue ao supermercado e estacione na vaga destinada a idosos, por está “com pressa”… apesar disso, não vou ficar atrás do camarada buzinando e piscando farol, prefiro ultrapassar pela direita e cuidar da minha vida.
        OT: já viu um dos mais novos caça-níqueis da CET? Viaduto Pedro de Toledo, com sinalização horizontal (em péssimo estado) permitindo a quem trafega nas duas faixas à esquerda efetuarem conversão à esquerda para a Av Prof Ascendino Reis: quem está na segunda faixa, ao efetuar a conversão, adentra inevitavelmente a faixa privativa de ônibus e… pegadinha, lá está o radar fotográfico.

        • Lucas

          Teoricamente todos que são habilitados conhecem as leis de trânsito. Teoricamente se o cara prefere “comprar” a faixa da esquerda, cortar a tua frente, estacionar em local proibido ou destinado a idosos, deficientes, veículos diferentes do seu, ultrapassar em local proibido e etc, ele o faz consciente do erro. Portanto eu acho que é válido o protesto. E se por acaso, na remota hipótese de o cidadão estar distraído, se esquecer, achar que daria tempo, ou ter faltado na aula em que certa regra fora ensinada (isso tudo é muito raro de acontecer…), fica o efeito pedagógico da coisa. Quem tem neurônios vai refletir sobre o que provocou a reclamação alheia. Creio muito nisso, assim como creio que o Brasil tem jeito.

    • Lucas dos Santos

      Patrulhamento? Onde?

      Eu só vi a autora reclamando de pessoas que a atrapalharam no trânsito. Não vejo como não ter razão ou não estar certo em situações como essa.

      Quando “a vida alheia” é capaz de afetar a nossa vida, não resta outra opção senão tentar “comandá-la” para impedir que isso aconteça!

    • Mendes

      Traduzindo:

      A vida é minha, o carro é meu e eu dirijo como EU quiser! Você não tem que ficar me ‘patrulhando’ como se fosse ‘a dona da razão’! Não é você quem vai ‘comandar a minha vida’ me dizendo quando eu devo usar a seta, quando devo trocar as lâmpadas queimadas e quais luzes eu devo usar! Isso eu faço quando EU quiser e SE eu quiser e você não tem nada com isso! Vá cuidar da sua vida e os incomodados que se retirem!

      É dessa linha de pensamento egocêntrica que os problemas do trânsito são feitos…

      • guest

        Taí o exemplo típico do patrulhador: não entendeu o que eu escrevi, não se dignou em perguntar e, do alto de sua pretensa onipotência, no uso pleno de seus preconceitos, “reescreveu” a história a seu bel-prazer e conforme a sua conveniência.
        Causa-me dó um sujeito assim que, em vez do debate, usa do deboche e de distorções para querer sobressair… um excelente candidato ao alto comissariado de algum futuro soviete brasileiro.

    • CorsarioViajante

      A mania crescente para mim é chamar tudo de “patrulhamento”. O que mais vejo é gente que vive do lado errado da lei, quando pega em flagrante, acusando o mundo de “patrulhamento”.

      • Corsario,

        Fumar produtos de tabaco não é proibido e nem imoral, entretanto o patrulhamento contra fumantes é um absurdo total, a ponto de, como já comentei aqui, nos EUA um vizinho ver adultos fumando perto de crianças chamar a polícia.

        • CorsarioViajante

          Sim BS, por isso disse que muita gente abusa do termo patrulhamento quando está efetivamente errado.

    • Fabio Toledo

      O direito de um acaba onde começa o do outro, se você está atrapalhando o trânsito não é questão de patrulhamento, você está incomodando mesmo!

      • guest

        Fabio, primeiramente peço-lhe que leia a minha resposta à postagem do Bob.
        O problema que eu vejo é que o comportamento dos brasileiros, após décadas de doutrinamento subliminar promovido pela mídia, tende a apoiar soluções totalitárias, como se cada um tivesse licença plena para agir ao arrepio da lei, em nome de uma pretensa “defesa social”, a exemplo do que seriam – em tese, mas não na prática – os sovietes (e seus genéricos como as milícias bolivarianas ou as SS nazistas). E eu abomino isto.
        Posso não gostar de várias leis, mas devo respeitá-las. Se quero mudá-las, cabe a mim votar nos políticos alinhados com meu pensamento, na esperança – muitas vezes vã – de que as mudanças efetivamente ocorram. Neste sentido, apesar de decepções, sou um intransigente defensor do Estado democrático de direito.
        Enfim, não há lei que autorize um motorista a se vingar de outro só porque levou uma fechada, por exemplo. A punição a uma infração de trânsito só pode ocorrer, em regra, por uma pessoa a quem o Estado tenha conferido o poder de polícia.

        • Fabio Toledo

          Vixe! Foi longe, hein! Vou lhe responder sobre seu último parágrafo…

          Leis existem… Agora, se eu tomar uma fechada que percebo que foi intencional, naqueles dias que está faltando aquela gotinha… Talvez (eu disse talvez) eu queira sim resolver a situação como um marginal! ; )

  • Lemming®

    Educação é um artigo em falta na Banania…infelizmente…

  • REAL POWER

    A questão toda é educação. Os mal educados em casa serão mal educados na rua. Seja como pedestre ou como motorista. A base de tudo é educação, aquela dada pelos pais. Junte um mal educado, com stress e terá um animal no trânsito. Praticamente todo dia observo erros simples no trânsito, mas que podem terminar em resultados terríveis. A momentos que da vontade de fazer igual ao Chuck Norris.

    • Stark

      Concordo, mas também há os casos em que a pessoa é educada fora do trânsito, porém quando dirige fica agressiva. O clássico desenho dos anos 50, do personagem Pateta no trânsito, reflete bem essa realidade. Incrível como 65 anos depois aquele desenho permanece tão atual.

  • NICKS31

    Essa de dar passagem e ainda ter que gesticular, acontece muito comigo, agora algo que me irrita é a pessoa parar o carro atravessado no meio da rua e descer para abrir ou fechar o portão da garagem, tem um casal de vizinhos aqui que faz isso sempre, outro dia a jovem senhora atravessou seu carro na rua, desceu e foi abrir o portão mas parou muito perto, voltou ao veículo deixou mais no meio da rua desceu novamente acabou de abrir e somente então colocou o carro na garagem, enquanto isso uma fila se formava, ainda bem que eu assistia da varanda, não passei tanta raiva e ainda valeu para mostrar ao meu filho como não se portar nestas situações.

  • O que dói mais é saber que as pessoas que deveriam ler esse texto, não vão ler…

    A falta de educação e civilidade está meio que enraizada na cultura do povo, e não vejo muita perspectiva de mudança.
    Atitudes graves, como bloquear cruzamentos, parar em fila dupla, estacionar na calçada, usar vagas de deficientes e idosos, são tão banais que dá desgosto.

    E a desgraça é que o infrator/mal-educado/cretino sempre tem uma desculpa:

    “O trânsito parou/é rapidinho/não vi que não podia”

    E infelizmente isso não acontece apenas nas ruas. Basta ir ao supermercado ou ao banco, pra ver os Gérsons furando a fila, dando um jeitinho para se darem bem.

    • Fabio Toledo

      Boa! Vou compartilhar no Facebook!

  • Bruno Rafael Castillero

    Parabéns, ótimas palavras, penso igualmente…

  • Nora Gonzalez

    RMC, legal você abordar o assunto do jeito argentino de estacionar. Nunca faço isso, até porque prezo pára-choque. Mas é estranho você parar o carro no meio do quarteirão e encontrá-lo perto da esquina.

    • Lucas

      “é estranho você parar o carro no meio do quarteirão e encontrá-lo perto da esquina.”

      Como é que é???

      • Nora Gonzalez

        Lucas, como o pessoal tem o hábito de dar uma empurradinha no carro à frente ou atrás para caber o próprio, ninguém usa freio de estacionamento. O resultado seria ainda pior do que uma encostadinha no para-choque. E assim seu carro pode “andar” um pouco entre quando você o estaciona e quando via buscá-lo. Doidíssimo.

  • Nora Gonzalez

    Mr. Car, sabe qual é a definição de “fração de segundo”? O tempo transcorrido entre o sinal abrir e o idiota de trás buzinar. Sou solidária a você, pois sofri muito com isso quando morei no Rio.

  • Nora Gonzalez

    Christian Bernert, você vai curtir ler, se já não conhece, um conto do ótimo Julio Cortázar chamado ” Autopista del Sur” que faz parte do livro “Todos os Jogos o Jogo”. É a história de um congestionamento monstruoso que dura meses e as intercorrências disto. Genial. Alberto Sordi estrelou um filme chamado L´ingorgo, baseado no conto e Godard dirigiu Week End, também inspirado na história.

    • CorsarioViajante

      Caramba NG, eu li este livro mas com o título “todos os FOGOS o FOGO”… Que doidera! E este conto é sensacional mesmo.

  • Fat Jack

    “…E raramente agradece, infelizmente….” (fato!)
    Isso demonstra que o brasileiro é muito bom em cobrar a educação (e a gentileza) dos outros, e em contrapartida sequer é capaz de agradecer quando recebe uma gentileza.
    Confesso que me sinto constrangido se recebo uma gentileza (no trânsito ou fora dele) e não agradeço.

  • Lucas dos Santos

    Não acho que campanhas de paz no trânsito sejam eficientes. Educação tem de vir de casa“.

    Nora,

    Essa frase corrobora plenamente com o que disse o apresentador do telejornal ao fim da reportagem a seguir:

    http://g1.globo.com/pr/parana/paranatv-1edicao/videos/t/foz-do-iguacu/v/motoristas-furam-fila-e-desrespeitam-leis-de-transito/4261959/

  • César

    “(…)andar atrás de mim não tem nenhuma emoção. (…), enfim, não há surpresas.”(…)

    Nora, baseado no que escreveu, e também no que ficou subentendido, imagino que ocorra, sim, um tipo de surpresa: a dos apressadinhos mal-educados atrás de você, quando você pára em uma placa de PARE.

    Me esforço para andar sempre certo, mas confesso que, aqui em Belo Horizonte, em alguns lugares, quando paro numa placa de PARE, sempre dá um frio na barriga, como se eu estivesse sempre esperando a pancada daqueles que acham que só precisa parar no sinal vermelho…

    Mais um excelente texto!

  • Paulo Roberto de Miguel

    O que me deixa mais entristecido é que não vejo os jovens dirigindo melhor do que os mais velhos. Acho que pelo contrário. Sem parar de errar fica difícil as coisas melhorarem. Porta de escola é um festival de absurdos e as crianças prestam atenção em como os pais agem, então já viu, não é? Mais uma geração de mal-educados? Quando vamos tomar jeito?

    • Fabio Toledo

      Gostei dessa campanha do “ogro”… Acho que a tal seguradora foi mais feliz nessa.

  • Car Science

    NG compartilho das mesmas opiniões, porém acredito que será muito difícil existir tais gentilezas no trânsito. Entendo o comportamento do brasileiro no trânsito como sendo cultural. Por aqui o lema é que se puder levar algum tipo de vantagem já vale a pena. infelizmente.

  • Mike Castro,
    Um grande amigo namorava uma moça e um dia foram todos jantar – os dois, os pais e o irmão dela, desses caras bem mimados. Meu amigo contou que o irmão surrupiou um cinzeiro e o pai ficou todo contente com a “isperteza” do filho. Quando veio conta nela constava um cinzeiro…

    • Antônio do Sul

      Vou contar, então, uma história que, para mim, foi um motivo de decepção com um dos meus melhores amigos: um dia, para pôr a conversa em dia, saímos para almoçar e tomar umas cervejas. Na hora de fechar a conta, o garçom disse que tínhamos consumido duas garrafas de cerveja, e eu o contestei, afirmando que haviam sido três garrafas. O meu amigo também afirmava terem sido duas garrafas. Após alguns minutos de discussão, por não conseguir convencê-los, imaginei que eu poderia ter me enganado mesmo e acabei cedendo. Pagamos a conta, saímos do restaurante e, não muito tempo depois, esse meu amigo, contando vantagem, disse que havíamos tomado gratuitamente uma garrafa de cerveja…

    • Fabio Toledo

      Lembrei de uma que meu pai costumava contar…
      O cara para comemorar o aniversário de casamento, relembrar a lua de mel e tal… Foi passar um fim de semana com a esposa num hotel diferente, foi perfeito, uma maravilha!
      Só que ao fazer check out havia a cobrança de algumas toalhas e sem pestanejar o sujeito questionou… “O que são essas toalhas, amigão?”
      O recepcionista não demorou a responder com aquele tom sacaninha… “Oooo, amigão, não esquenta não, p*** é assim mesmo!” (rs)

  • CorsarioViajante

    Depende muito da região. Quando me mudei para Campinas fiquei chocado com a brutalidade e ignorância no trânsito. São Paulo por exemplo está anos luz à frente, muita gente pára para pedestre, dá passagem, é algo normal. Campineiro acelera, estoura suspensão na lombada mas você NÃO vai passar. E adora jogar carro em cima de pedestre e ciclista. É algo chocante mesmo.
    Também passo pela “gentileza ignorada”, aqui é tão raro alguém ser gentil que aquela relampejada curta de farol é entendida como “fique onde está seu desgraçado” e não como “prossiga”.

    • Fabio Toledo

      Campinas deveria investir numa campanha de educação no trânsito, São Bernardo fez um tempo atrás, mas ainda está muito ruim, melhorou um pouco vai…
      Mentalidade do campineiro é triste! Odeio dirigir em Campinas, mas não entro na deles não! O entusiasta deve dar pequenas lições nesse naipe de motorista, tipo… “olha lá hein, piloto, fez que fez e eu estou aqui do seu lado!” Ah… Não tem como não perceber! O cara vai com essa para casa! Só sendo muito burro para continuar com essa atitude!

    • Roger Pellegrini

      Em Sorocaba é a mesma coisa! Os motoristas lá têm o péssimo hábito de não dar passagem quando se muda de faixa sinalizando com a seta, eles aceleram para não lhe deixar passar. Lampejo de farol é quase uma intimidação. Gentileza é rara e se dada, a pessoa ( pedestre ou motorista ) te olha como se fosse de outro planeta, parece não acreditar naquele pequeno gesto…
      Faixas da esquerda são ocupadas por motoristas “roda-presa”, andando abaixo da velocidade da via e desprezando os demais que precisam ultrapassar. Aliás, seta é coisa rara de se ver em ação naquela cidade.
      E muitas mulheres, a bordo de seus poderosos suves ( que as fazem sentir-se ainda mais poderosas e donas das ruas ) ignoram todo e qualquer motorista que se lhes apareçam no retrovisor ou em sua frente. Adoram afundar o pé na tábua e a mão na buzina do bruto.
      Mas isso também ocorre com motoristas homens.

  • Mr. Car

    SE o sujeito estiver “sonhando”, aí o de trás buzina. O que se vê é o que eu disse: um sujeito em uma ação “preventiva”, supondo que o primeiro sempre vá demorar a “largar”, e aí enterra a pata na buzina. E também tem o erro da engenharia: dez segundos no verde é um tempo ridículo. Que revejam isto, então.

    • Fabio Toledo

      Nunca vi um semáforo com tempo de verde mais curto que o do final da Valdomiro de Lima na V. Guarani em São Paulo… E sempre dá a lógica, não é!!! Parece que fazem de propósito!!! E ali é rota para quem não agüenta ficar parado em trânsito… Não consigo pensar em outra coisa (segue vídeo)

  • Roberto Neves

    Um conhecido meu foi de férias à República Checa e encontrou outro brasileiro, que havia alugado um carro e havia sido multado por demorar mais de oito segundos a arrancar após o sinal abrir!

  • Roberto

    E olha que muitos desses apressadinhos nem sinal vermelho respeitam mais (já virou sinal amarelo). Realmente é muita falta de bom senso e de inteligência também. Não estou defendendo andar se arrastando, mas sim dirigir com prudência. Mas muitos preferem tomar um bom prejuízo em um acidente de trânsito (ou até perder a vida), do que perder alguns segundos do que parar realmente quando há uma placa Pare, por exemplo.

  • Cadu

    Eu tenho uma tirada que minha noiva já se apropriou: quando a pessoa não sinaliza uma conversão, parada, entrada numa garagem, eu abro a janela e aviso: sua seta está queimada. Sempre perguntam qual ou por quê. E eu digo: Elas não acenderam quando você “mudou de faixa/parou/entrou”

    • Bruno Rafael Castillero

      Eu grito: “Tirou a seta do carro para enfeitar a árvore de Natal, esqueceu de tirar?”

  • braulio

    Corsario, cansei de ter essa relampejada ignorada ou mal-compreendida. Atualmente gesticulo como se estivesse abrindo uma porta e os outros motoristas parecem entender melhor. Lógico que fica mais difícil fazer essa gentileza sem ver o outro motorista. Mas quem põe a película no carro realmente não merece que os outros motoristas sejam gentis com ele mesmo…

    • CorsarioViajante

      Exato, também vejo dificuldade da pessoa me ver pelas películas.

  • José Henrique V. Guimarães

    Ah, já tive o privilégio de dirigir em quase todas as capitais do Brasil. Gostaria que todos um dia pudessem andar em Salvador…. e depois em Aracaju…

    • Fabio Toledo

      Não acho Aracaju tão ruim assim… Salvador é muito pior!

  • Filipe

    Acho que poucas vezes me identifiquei tanto com um texto. É incrível como meu comportamento no trânsito é parecido com o seu, Nora. E como é triste ter de agüentar esse bando de sem-educação no trânsito…

    Obrigado inclusive pela dica do freio, também sou grande fã de freio-motor, vou passar a “acender a luz” para os que me seguem saberem que estou parando.

  • Geovane Paulo Hoelscher

    Muito bom o seu texto. Obrigado, Nora.

  • Fabio Toledo

    Nora, hoje me aconteceu uma que realmente achei no mínimo inusitada! Um “cidadão” na faixa da direita, que já havia perdido uma conversão à esquerda começou a jogar o carro para cima até quase encostar no meu… Nessa eu não consegui manter a elegância, como dizia minha noiva “só não o chamei de bonito”… Acho que o tal desconhece as leis da física, e inconformado por ter perdido a conversão quis ainda me passar para me fechar, no mesmo momento joguei para a direita e parei logo à frente e “muito calmamente” perguntei se ele não queria resolver “pelas vias de fato” (lógico que não foram essas as palavras), aí ele parou de tacar o carro em cima… Que coisa, não?
    Sinto que “perdi o game” quando perco a linha assim, mas tem situações realmente muito difíceis de se contornar com mais classe.

  • CorsarioViajante

    Batata que se buzinou é paulistano! rs
    Em alguns casos é exagero, mas hoje o mais comum é a pessoa aproveitar o semáforo para “dar uma olhadinha no celular”… Aí eu buzino mesmo!

  • CorsarioViajante

    Bem, não contente em dirigir em Campinas, também dirijo em Hortolândia, e o trânsito lá parece na Rússia ou Índia: nada é respeitado, semáforo é ignorado, mão de direção não existe, até por cima de canteiros a galera passa, e isso os carros, moto é sem-lei total e ônibus, bem… Fique longe deles!
    Incrivelmente, com tudo isso, passei a dirigir com mais prudência e cuidado, dá até arrepio!

  • Cadu Viterbo

    Mas aí é muito direto, rsrs
    EU gosto de falar que está queimada, porque a pessoa sempre pensa muito antes de perceber… É sutil, sem agressividade, sarcástico e cumpre a mesma função!

  • Nora Gonzalez

    Cadu Viterbo, Bruno Rafael Castillero, certa vez um motorista não deu sinal ao entrar numa garagem e quase me fez bater nele. Eu então mostrei uma moeda que tinha no console do carro e a ofereci para ajudar a comprar a seta que aparentemente no seu carro pé-de-boi era opcional. Mas não faço mais isso. Uma pena excluir tanta gente dos meus dons sarcásticos, mas prezo minha vida. Tem muito louco por ai.

    • Cadu Viterbo

      Tem gente que nao entende, faz cara de “não entendi”. Esses eu deixo falando sozinhos….