A Fiat Chrysler Automobiles continua sendo o eixo para tentativas uniões entre fábricas de veículos. Sergio Marchionne, o chefe absoluto, o ítalo-canadense autor da corajosa investida de sobrevivência sobre a Chrysler, somou as duas companhias e projeta vender 7M de unidades em 2018. Aposta na expansão mundial da marca Jeep, no ressurgir da Maserati e da Alfa Romeo. Tal volume colocará a FCA em 6º. lugar mundial de vendas.

Em 2009 Marchionne vaticinava, a disparada na competição pelo mercado, a insustentabilidade dos custos de desenvolvimento, e a queda de rentabilidade, apenas permitiriam a sobrevivência de grupos com vendas anuais de 5M. Tempo passou e hoje projeta, tal volume para o nível de equilíbrio tenha dobrado. Na prática repete, décadas após, movimento no mercado americano e no europeu — fusão de marcas em nome da sobrevivência.

Para união ou fusão somar 10M de unidades anuais listagem descarta atuais líderes Toyota, Volkswagen, GM, Ford, Hyundai-Kia, Renault-Nissan. Maior entre as menores, Peugeot e Citroën – PSA, em fase de arrumação entre gerir prejuízos, quedas no mercado e o convívio do impensável: empresa familiar sócia do estado francês e da chinesa Dongfeng.

Indiana Tata, insondável, é de produtos antagônicos: os Tata para início de motorização, e os Land Rover e Jaguar, destinados a Sahibs e Bwanas. Na primeira página da agenda da FCA estão Honda e Suzuki. Entretanto, fusões entre ocidentais com orientais tem a separá-las a pantanosa área do desencontro de filosofias. Assim os contatos de proatividade são mantidos, mas não excluem outros como Mercedes e BMW. Negócios com a Volkswagen, objeto de muita mídia há dois anos, fora do campo prático: seu nº. 1 se demitiu, sacudiu a empresa, e substituto formal apenas em outubro.

Outro caminho já sugerido pela FCA é associar-se, para fornecer a parte automobilística aos magos da eletrônica Apple, Google, querendo entrar no mercado de automóveis; e Tesla, maior dos produtores de elétricos.

Enfim, se nos últimos anos o mercado mundial passou por grandes mudanças: perda da liderança norte-americana para a Toyota; encolhimento da GM, absorção da Chrysler, pânico na PSA. A globalização e a competitividade prometem novas e rápidas mudanças. No funil da economia entram muitos, saem poucos, e isto significa que a FCA não é a única noiva da temporada.

Mercado parado, mas com novidades

Para o Brasil, o ano de 2015 é o ano do Trem Fantasma: cada curva um susto. Índices anti-econômicos em crescimento e a mais absoluta falta de consciência, direção e ideia consistente do governo para mostrar iniciativa de corrigir as trapalhadas lulopetistas do governo Dilma1. O poder pelo poder, exercitado sem educação, cultura ou conhecimento, custa caro aos pagantes.

Mercado de veículos novos anda igual. Vende mais apenas em suvs e veículos premium, os de elevado preço e conseqüente status. Nos outros, queda.

A indústria, no oposto ao governo investe e cria novidades, mesmo pequenas, em aparente contra-senso. Mas é esta a diferença entre a iniciativa privada, pagando contas e impostos, e os governos, em lado oposto, apenas recolhendo e reclamando. À base do lamento a economia do medo e da tristeza não reage. Só o fará com novidades e atrativos para vender e rodar a roda da economia – como instiga a indústria do automóvel.

Mitsubishi

Nesta semana novidades em três marcas. De maior expressão, Mitsubishi tropicalizando o Lancer montado/produzido em Catalão, GO, aplicando vivência e competência da marca para elevá-lo do solo a 17 cm, e reacerto de suspensão. Diz Robert Rittscher, brasileiro, presidente da Mitsubishi,“para quem busca mais conforto, mantendo qualidade, segurança e ótimo custo-benefício.”

Aumento de altura sugere maior volume, acertos melhorarão convivência com o meio ambiente nacional e, no visual, novo do pára-choque dianteiro, com centro na cor do veículo, e molduras cromadas nas grades. Rodas em liga leve, aro 16”, com pneus 205/60, verdes – de menor abrasão ao solo.

Rico em confortos, entre eles sensores de falta de luz, de chuva, “piloto automático”, controles de áudio e telefone no volante, multimídia por toque em tela de 17,5 cm. Teto solar e bancos com insertos de couro arrematam. Nove almofadas de ar. Cinco estrelas nos principais testes de segurança.

Motor quatro-cilindros, frontal, transversal, 2 litros, 16V, 160 cv e 20 m·kgf para acionar câmbio CVT em 6 marchas virtuais, ou manual com cinco. Suspensão independente nas 4 rodas, McPherson frontal e multibraço traseira.

Preços, em reais, são: manual 69.000; HL 74.000; HLE 85.500; e GT 89.500.

 

Foto  Legenda 01 Coluna 2415 Mitsubishi  Lancer c  Qual é a próxima fusão? Com a FCA? Ou sem ela? Foto Legenda 01 Coluna 2415 Mitsubishi Lancer c

Lancer melhora em versão nacional

Peugeot

Segue a nova postura da marca no Brasil, produtos refinados e bom conteúdo. Três versões em gradação, até a Griffe, com seis almofadas de ar.

Mantém diferenciadores: teto panorâmico e i-cockpit, conceito de ergonomia pelo painel com instrumentação elevada, volante de pequeno raio, e enorme agradabilidade para a condução. Quilômetros à frente de sua turma. Pesquisa com proprietários indicou as mudanças em conforto, segurança e tecnologia, e a revisão no 208 marca o fim da primeira fase do corajoso reposicionamento da marca, comandada por Miguel Figari, chileno, diretor geral. Com 208 e o 2008 quer firmar os pilares de sua recuperação em vendas.

Motorização 1,5 litro, 8V, flex, 93 cv e 14,2 m·kgf. e câmbio manual de 5 marchas. Versões superiores com motor 1,6 litro, 16V, 122 cv, 16,4 m·kgf, e opcional de caixa automática antiga, com 4 marchas.

Preços, em reais, são: Active 1,5 46.000; Active Pack 1,5 50.000; Allure 1,6 53.300; Allure 1,6 automático 57.400; Griffe 1,6 59.200; e Griffe 1,6 automático 62.900.

 

Foto Legenda 02 Coluna 2415-  Peugeot 208  Qual é a próxima fusão? Com a FCA? Ou sem ela? Foto Legenda 02 Coluna 2415 Peugeot 208

Peugeot 208, melhor da classe em prazer de dirigir

Honda Fit

Como problema, Honda enfrenta o sonho de todos no setor: vender acima das previsões. Lançou o HR-V, baseado na lucrativa plataforma Fit, também base do City. Colheu acima do previsto: há dois meses suas vendas superam a soma dos principais concorrentes. O HR-V é o Fiat Strada no segmento. Para fazê-lo ocupou parte da produção de Fit e City, e o monta em Campana, na Argentina, fábrica para motocicletas.

Pós êxito, cria atrativos aos demais produtos. Começou pelo Fit.

Ampliou conteúdo, mudou o painel nas versões superiores, aplicou itens de conforto: chave-canivete, volante com controle de som às versões iniciais, volante de direção ajustável em distância e, para agradar aos seguidores de Bob Sharp, editor-chefe do Ae, pára-brisa dégradée.

Motor comum às quatro versões, 1,5 litro, abertura variável para as válvulas, 116 cv, 15,3 m·kgf, câmbios manual de cinco marchas ou CVT.

Preços, em reais, são: DX manual 51.600; DX CVT 56.600; LX manual 55.900; LX CVT 60.800; e EXL CVT 68.900.

 

Foto Legenda 03 Coluna 2415 -  Honda Fit  Qual é a próxima fusão? Com a FCA? Ou sem ela? Foto Legenda 03 Coluna 2415 Honda Fit

Fit evoluiu para aumentar vendas

 

RODA-A-RODA

Martelo – Volkswagen, Audi, o italiano Ministério do Desenvolvimento Econômico e a agência de desenvolvimento Invitalia, acordaram produzir o utilitário esportivo Urus na fábrica Lamborghini em Sant’Agata Bolognese. Fixarão na Itália os empregos a ser exportados para Bratislava, na Eslováquia.

Futuro – Com o Urus a Audi, dona da Lambo, quer sair das atuais 2,6 mil unidades/ano entre os esportivos Huracán e Aventador, dele fazer 3.000 u/a.

Conta – De bases pouco conhecidas, o governo italiano e o estado da Emília-Romana criaram facilidades tributárias, a Invitalia financiou, mas cobraram, além dos 300 empregos para a linha industrial, outros e um centro de pesquisa e desenvolvimento no local. Pós duplicação fábrica criará 500 empregos, em custo unitário bem inferior aos € 330.000 inicialmente projetados.

Fórmula – Produção do Urus padronizará plataformas entre VW, Audi e Porsche e, em especial com Bentley, marca refinada do grupo VW, em seu Bentayga (que nome …) a surgir neste ano. O Urus é para 2018, marcando-se pela tradição Lamborghini — estilo chocante, rendimento performático.

Mudanças – Tabuladas vendas de automóveis e comerciais leves no Uruguai em 2014, surpresas por origem. 53% asiáticos – 28% chineses, 14% indianos, 11% sul coreanos. Brasil 21%, 11% do México, 7% franceses, 4% argentinos, e 4% resto do mundo. Excepcionalidade ou nova verdade?

Mini Uno – Nome não será este, mas promessa e objetivo miram nesta direção: rodam em testes finais exemplares do Projeto X1H, espécie de Uno encurtado, para ser o carro de entrada da Fiat. Lançamento ao final do ano.

Enfim – Motor de três cilindros, quatro tempos, 1,0 e previstos 82 cv, potência idêntica à do concorrente VW up! Início 2016.

Dúvida – Versão TSI do up! com motor 1,0, tricilíndrico e turbocompressor a ser lançado em julho, é anunciado pela imprensa como produzindo 105 cv. Na Alemanha, mesmo motor faz 115 cv, e é nova opção para o Golf.

Variedade – Fácil ser bisada aqui. Seus 20 m·kgf de torque, até pelo menor preço e enquadramento tributário em alíquota inferior. O motor é nacional.

Contração – Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, reviu expectativa de queda no setor para 2015: 20,6% no licenciamento e 17,8% na produção. Setor mais afetado, o de caminhões, menos 40%.

Período – Em maio FCA manteve a liderança, com 39.158 unidades vendidas, 19,1% do mercado. Destes, 2.793 Jeeps Renegade, 1,4% do mercado.

Explicação – Jeep diz não ser hora de comparação com o Honda HR-V, lançado em conjunto, vendendo igual a Ford EcoSport e Renault Duster juntos. Pondera, o de fazer o HR-V está na linha de produção do Fit, enquanto o Renegade é inteiramente novo e a aceleração industrial a partir do zero é mais lenta.

Questão – Há outro ponto: a Jeep projetava versões diesel em torno de 10%, mas demanda é muito superior à disponibilidade de componentes.

Fórmula – Trabalho pela J.D. Power, agência de pesquisa no universo do automóvel, no tema satisfação no processo de vendas manteve a Toyota como líder. Seguindo-a, Hyundai. Após, Hyundai Caoa, a outra Hyundai do Brasil.

Questões – Instiga o fundo do espelho, as motivadoras à desistência: atraso nas entregas; falta de veículos para test drive; pressão da equipe de vendas; informações falsas; más instalações. Indicação de terceiros supera publicidade ou localização. Fidelidade à marca vale apenas em 21% dos negócios.

TV – SBT cobrirá espaço aberto pelo fim do programa Vrum, pelo Acelerados. Apresentação de Rubens Barrichello, Cássio Corte e Gérson Campos.

Incubadeira – Inter, nova categoria do automobilismo, formará pilotos saídos do kart ou categorias regionais, para carreira na Fórmula 3 Brasil, Européia, Renault, Mazda, UFF2000 ou Indy Lights. Funciona como Seat & Drive.

Fórmula – Pré-seleção curricular de 10 pilotos; pagamento de 10 x R$ 1.149, palestras, reuniões com pilotos, aulas de marketing, vendas, relações públicas, media training — o relacionamento com a imprensa —, mecânica, e fazer uma prova com veículo da Incubadora. Mais: www.formulainter.com.br

TAP – Humberto Pedrosa, empresário de cargas em Portugal e David Neeleman, brasileiro, acionista maior da aérea Azul, assumiram a TAP. O governo português resolveu privatizá-la em ação contestada. Neeleman criou o bilhete eletrônico.
Gente – Abelardo Pinto, executivo, 32 anos de indústria automobilística, deixou diretoria comercial Peugeot. Mudou de lado. OOOO Diretor comercial do Group1 Automotive. OOOO Empresa norte americana com 24 concessionárias no Brasil. OOOO Mariana Adensohn, diretora de RH da Caoa, reconhecimento. OOOO Entre as mais admiradas entre os RHs nacionais. OOOO Integra a mudança aplicada por Antônio Maciel Neto, presidente da empresa há pouco mais de dois anos. OOOO João Pimentel, engenheiro, 35 anos de Ford, novo diretor de caminhões. OOOO Pedreira. Seis lançamentos a fazer em 2015, abrir caminho em mercado em crise. OOOO

 

Mercedes segue o mercado. Agora é flex

Abastecimento com gasolina ou álcool é a nova opção da Mercedes-Benz para seus carros de entrada no mercado: Classe A 200, Classe B 200, CLA 200 e GLA 200, numericamente os mais vendidos. A tecnologia de poder consumir os dois combustíveis foi desenvolvida na Alemanha, e o uso de turbocompressor nos motores e o sistema de injeção direta do combustível, em muito facilitaram a nova opção, exclusiva para o Brasil. Marcas de potência e torque se mantiveram inalteradas, válidas para o uso de álcool puro ou para qualquer proporção de mistura entre os dois combustíveis. O motor de quatro cilindros, 1.595 cm³, oferece potencia de 156 cv a 5.300 rpm, e torque de 25,5 m·kgf entre 1.250 e 4.000 rpm.

Dado importante, como os motores se mantém inalterados, não houve supressão de sistemas, como ocorre em algumas marcas. Assim, a motorização flex Mercedes mantém funções como o ECO start/stop — o sistema pelo qual desliga o motor nas paradas, para economizar combustível e reduzir emissões —, e os diversos parâmetros de regulagem em função da escolha dos diferentes modos de condução. No parâmetro de igualdade a Mercedes manteve o intervalo entre as revisões — primeira com 10 mil quilômetros ou 1 ano de uso.

O esforço para o desenvolvimento da tecnologia exclusiva ao mercado brasileiro se integra ao grande programa mundial de preocupação deste fabricante com o meio ambiente, através da redução de consumo e emissões, e é o primeiro passo de adequação dos modelos Mercedes a serem produzidos na fábrica de Iracemápolis, SP.

 

Foto Legenda 04 coluna 2415 - Mercedes  Qual é a próxima fusão? Com a FCA? Ou sem ela? Foto Legenda 04 coluna 2415 Mercedes

Mercedes 200 agora são flex

RN

rnasser@autoentusiastas.com.br
A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

Sobre o Autor

Roberto Nasser
Coluna: De carro por aí

Um dos mais antigos jornalistas de veículos brasileiros, dono de uma perspicácia incomum para enveredar pelos bastidores da indústria automobilística, além de ser advogado. Uma de suas realizações mais importantes é o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, verdadeiro centro de cultura automobilística.

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  • João Carlos

    Vai ficar ideal para São Paulo esse Lancer, sem formar fila para passar em lombadas e valetas. O carro vai ficar até mais rápido para trafegar na cidade!

    • Ilbirs

      Olha que, pelo tamanho desse balanço dianteiro, tenho impressão de que ele ainda pode bater a base do para-choque na valeta que há na rua transversal à da quadra onde moro, que é divisor importante entre meninos e homens e dá uma aula prática da importância de um balanço dianteiro pequeno e o quanto a mais se obtém de ângulo de ataque para uma mesma altura livre do solo.
      Uns dias atrás eu vi passando por essa valeta um Mini JCW da geração passada. Logo, entenda-se por um carro com altura livre do solo mais baixa que a já baixa de um Cooper contemporâneo. O cara passou a tal valeta sem reduzir excessivamente a velocidade, enfrentando-a de frente e… absolutamente nada de o carro bater o defletor dianteiro tão perto do chão. Mais uma vez, mérito de um balanço curto, pois já raspei frente de carro com mais altura que um JCW nessa mesmíssima valeta, justamente porque esses tinham um belo tanto de lata e plástico para depois do eixo dianteiro.

      Tivesse o Lancer um balanço dianteiro mais curto, poderia continuar sossegadamente com os 15,5 cm originais de altura livre e teria imunidade praticamente parlamentar aos obstáculos enfrentados todo dia nas ruas brasileiras. Os agora 17 cm são, para curiosidade, 0,5 cm mais altos que a altura livre do solo do Peugeot 2008 europeu (16,5 cm, contra 20 cm do brasileiro). Na categoria de mercado “carros de passeio com 17 cm de altura livre do solo”, só confio mesmo no Etios como portador dessa imunidade praticamente parlamentar, justamente por causa do balanço dianteiro bem curtinho. De resto, sei que há carros com menos altura livre que o Lancer, mas mais que o JCW que testemunhei passar com galhardia pela valeta em questão, que são mais imunes a beijar a lona justamente por causa do balanço dianteiro mais curto (vide o up!, que é 1 cm mais perto do solo que o Lancer modificado).

      • anonymous

        Qual o motivo para o 2008 ser tão alto? Levantar 1 ou 2 cm é pratica padrão na indústria nacional, mas levá-lo a 20cm parece realmente exagerado…

        • Ilbirs

          E isso porque os 16,5 cm originais já permitiriam se livrar de obstáculos inclusive na terra:

          http://www.youtube.com/watch?v=NH07u5b6u-g

          Talvez quiseram falar algo como “isto aqui é um SUV”, ainda mais que o 2008 é um SUV atípico como um BMW X1 de primeira geração (que, apesar dos 19 cm de altura livre do solo, tem altura total de 1,54 m).

  • anonymous

    chamar controle automatico de velocidade de “piloto automático” e airbags de “almofadas de ar” é paradoxal ou, no minimo, irritante…

  • Mr. Car

    Já andei lendo que o tal “Mini Uno” vai começar com o atual motor 1.0 de quatro cilindros da Fiat, depois substituído pelo de três cilindros. A se confirmar, me parece que começa mal. Quem vai comprar, sabendo que logo depois virá com um motor mais forte e muito mais moderno? Eu não compraria, pelo menos até a mudança.

    • CorsarioViajante

      Outra coisa estranha é que muitas fontes apontam que o novo motor de três cilindros terá duas válvulas por cilindro. Achei estranho para um motor de concepção moderna. Vamos ver o que vem por aí.

  • Boa essa da Mercedes, embora na prática não exista a necessidade de motor flex.

  • Ilbirs

    FCA EM BUSCA DE FUSÃO

    Sigo crente que a melhor fusão para a FCA seria com a Mitsubishi, pelas seguintes razões:

    1) A FCA é forte nas Américas e na Europa, enquanto a Mitsubishi tem bem mais presença na Ásia e na África que o grupo ítalo-americano;

    2) Chrysler e Mit desenvolveram conjuntamente com a Hyundai uma família comum de motores de quatro cilindros de 1,8 a 2,4 l. A especificação mais recente desse motor é a Tigershark e não seria tão problemático assim que a marca dos três diamantes passasse a fazer Tigersharks ou mesmo a futura especificação Hurricane. No jogo da logística, ao Brasil interessaria a fabricação local de Tigersharks, ainda mais se levarmos em conta que o bloco global do qual ele veio também é fabricado em Catalão, como parte dos esforços de nacionalização de ASX e Lancer;

    3) Há laços históricos entre Mitsubishi e Chrysler que vão muito além desse motor, uma vez que no passado a marca de Auburn Hills foi dona de 25% da japonesa. Assim como a Chrysler usou um bom número de modelos da Mit para complementar sua gama de modelos no passado, a Mitsubishi também usou tecnologias da Chrysler em alguns de seus modelos, como no hoje clássico Eclipse. A plataforma JS da Chrysler (que aqui conhecemos nas formas de Dodge Journey, Fiat Freemont e Jeep Compass) é aparentada com a GS da japonesa (Outlander, Lancer, ASX). Logo, há uma longa história comum;

    4) Temos o acordo entre Mitsubishi e FCA no qual será feita uma versão da L200 com a marca Fiat para ser vendida em alguns mercados da Ásia, onde a marca italiana vem crescendo em presença;

    5) A Mitsubishi é forte no ramo de kei-jidoshas e essas soluções poderiam ser transplantáveis para as gerações seguintes de modelos como Panda e 500, uma vez que dizem respeito a boas acomodações de componentes mecânicos e obtenção de espaço interno, algo importante em subcompactos;

    6) A Fiat é forte em motores a diesel, mas só a Mitsubishi tem a tecnologia de variação de válvulas para esse combustível. Logo, um motor Multijet que incorporasse essa tecnologia seria de longe a mais avançada unidade do tipo no planeta;

    7) A Mitsubishi também é forte nos segmentos de SUVs, crossovers e pick-ups médias, algo que somaria forças com o que já há na FCA;

    8) A marca japonesa também é forte em propulsão híbrida (vide Outlander PHEV) e elétrica (vide i-MiEV);

    9) Em motores de mais de quatro cilindros, de longe a FCA está melhor que a Mit e com certeza ninguém reclamaria de um Outlander, Pajero ou L200 que usasse uma versão do Pentastar em vez do atual V6 da marca japonesa;

    10) Sergio Marchionne é meio que o Silvio Santos do mundo automotivo, sendo capaz de transformar qualquer porcaria em dinheiro, como comprovou ao reerguer a Fiat e torná-la capaz de ter bala na agulha para adquirir uma Chrysler aos trancos e barrancos. Lembremos que a formação da FCA surgiu na base de inicialmente transferir tecnologia da Fiat para a Chrysler, sme grana envolvida, para com os lucros dos veículos subsequentes já melhorados ir reinvestindo a grana até adquirir o controle. Considerando-se o grau de estagnação da Mit, ainda que ela esteja lentamente saindo do lodaçal, talvez desse para fazer isso de novo;

    11) A Mitsubishi não é tão fechada assim a se juntar com outras marcas. Lembremos que a Mitsubishi Fuso, que faz caminhões e ônibus, atualmente é majoritariamente da Daimler AG e só uma pequena parte das ações é do conglomerado dos três diamantes. Logo, não seria assim tão problema que a divisão de carros pudesse entrar em um bem-bolado desses.

    MUDANÇAS NO LANCER

    Vai pesar menos na hora de trocar pneus, uma vez que 205/60 R 16 são mais em conta que os 215/45 R 18 de outrora, agora de série apenas no GT, que também mantém os 15,5 cm de altura originais. Aqui caímos naquele problema típico de muitos carros do exterior que são aqui aplicados: balanços dianteiros excessivamente longos que os tornam propensos a bater a parte inferior da frente nas valetas tão comuns por aqui. Os 15,5 cm poderiam continuar sem problemas se não houvesse tanta lata para além do eixo dianteiro, uma vez que haveria um ângulo de ataque maior para essa mesma altura livre. Como a MMC só aplicou uma especificação que já existia no exterior mas não era aplicada aqui (no caso as rodas de aro 16 e o para-choque mais conservador, com os 17 cm de altura sendo o complemento inexistente lá fora), ficamos privados do bom talento do pessoal de Catalão para tornar os Mitsubishis especialmente agradáveis ao brasileiro também na parte estética. Poderiam ter projetado localmente outro para-choque, com um perfil inferior mais em proa, tal qual a Ford fez com o Ka Mk3, que também herdou o problema de excesso de balanço dianteiro do Fiesta do qual deriva. Talvez desse para ter mantido a altura original, que já é bem suficiente para livrar o fundo do veículo de raspadas (é só meio centímetro mais baixa que os 16 cm que temos em um up!, cujas frente e traseira não raspam por causa dos balanços reduzidos).

    208 2016

    Creio que devamos esperar até o fim do ano para saber se teremos mais mudanças nele, uma vez que temos rumores de que o C3 Picasso/Aircross reestilizado vai ter caixa automática de seis marchas e que também teremos meia dúzia de velocidades que se alternam sozinhas no 2008 THP. Tudo isso é compatível com o que já acontece no exterior, em que DS3 e 208 já receberam a caixa automática EAT6, feita em conjunto com a Aisin. Pode ser que a PSA daqui só esteja mesmo esperando esgotar o estoque de caixas AL4 e TF-80SC para entrar com tudo na EAT6, que tem duas versões, conforme o torque suportado, e que me passa a impressão de ser aparentada com a AW6F25 usada no Fiat 500 mexicano, que recentemente recebeu transmissão automática na versão Abarth. Quem olhar na prateleira da Aisin verá que a AW6F25 tem duas versões, sendo que a mais fortinha coincidentemente suporta o mesmo tanto de torque que a versão da EAT6 que suporta mais tranco. Talvez o que haja de diferente na EAT6 em comparação a uma AW6F25 genérica possa estar em detalhes como gerenciamento eletrônico (tenho a impressão de que a PSA transferiu para a EAT6 o padrão de passagem de marcha mais seco e rápido da especificação AT8 da AL4, além de a caixa de mais velocidades trabalhar com alto grau de travamento do conversor de torque) e relações de marcha e diferencial mais específicas.

    Também vamos ficar esperando para quando serão os motores tricilíndricos PureTech, uma vez que apresentam graus de potência e torque compatíveis com o do 1.5 8V. Fala-se que eles serão produzidos aqui e isso pode se articular com o recente anúncio de investimentos da PSA na América Latina com vistas a, entre outras coisas, aumentar o grau de nacionalização dos produtos.

    Vale lembrar que a safra mais recente de produtos feitos em Porto Real está com boa construção. Temos vãos de carroceria pequenos (o 2008 tem frestas menores que as do Renegade, que por sua vez são menores que as do HR-V), interiores bem montados e outros detalhes que mostram que o pessoal de lá está caprichando na coisa. Pena que não se pode dizer o mesmo dos Peugeots e Citroëns feitos em El Palomar, que ainda falham em detalhes ridículos.

    FIT 2016

    Foram boas alterações, mas ainda faltam coisas. Uma delas seria ampliar a oferta de versões de acabamento para a transmissão manual, que poderia ser de seis marchas nas versões EX e EXL para fins de diferenciação e aqui simplesmente usando a própria prateleira da Honda, uma vez que é a mesma transmissão do Civic LXS manual e do HR-V básico.

    Claro que as versões EX e EXL também poderiam ter uma versão mais potente do bloco L, como aquela vendida no Japão e nos Estados Unidos e que fica na casa de 130 cv e tem duplo comando com sistema i-VTEC e injeção direta (agora perfeitamente possível por aqui graças às 50 ppm de enxofre na gasolina).

    Ainda ficaremos esperando mais mudanças, como a volta dos discos traseiros e, até agora, não vimos qualquer menção a cofre pintado na cor da carroceria, o que nos faz seguir na crença de que vai seguir com aquela decepção ao se abrir o capô e ficar aquela impressão de que o carro na realidade foi pintado com Colorgin por algum pichador qualquer que viu um carro originalmente em tom champanhe.

    O Nasser não falou, mas vi no UOL Carros outros detalhes de que vale a pena falar, como o de o próximo Twist só ser lançado quando a linha de montagem passar para Itirapina (unidade que será inaugurada pelo Fit para só posteriormente passar também a montar City e HR-V) e, como acessório a ser adquirido em concessionária, uma central multimídia parecida com aquela das versões de topo de linha de HR-V e Civic, apenas sem a conexão HDMI. Se for uma central duplo DIN inclusive no formato da frente, poderá inclusive interessar a quem tiver Hondas mais antigos e quiser montar um sistema OEM para manter a estética básica do painel.

    LAMBORGHINI URUS

    A bola está mais ou menos cantada, bastando o pessoal olhar para a nova geração do Audi Q7, que estreia a plataforma MLB Evo, a ser usada em breve também no próximo A4. Agora é perguntar que motores a marca de Santa Agata aplicará ao sucessor espiritual do Rambo Lambo. Creio que teremos o V10, mas vai saber se não arrumarão um jeito de montar também o V12.

    FIAT X1H

    A questão é ver como irão fazer a plataforma do novo Uno, que não é nem um pouco destaque em espaço atrás, conseguir levar seres humanos de tamanho normal com um mínimo de dignidade, ainda mais que se fala de redução no entre-eixos e aproveitamento de estamparias estruturais acima do assoalho que já existem no Uno, apenas aplicando-se outras estamparias não estruturais sobre elas.

    Em relação ao motor tricilíndrico de apenas duas válvulas por cilindro, fico com a impressão de que teremos algum comprometimento em alguma coisa para que ele obtenha potência típica de unidades com mais válvulas. Lembro aqui do que ocorre com o motor 1.4 Família I da GM e suas potências dignas de algo com o dobro de válvulas, mas que quando foram ver polui tanto quanto o 2.5 de cinco cilindros do Jetta da geração passada.

    UP! TSI

    Esse seria um carrinho interessante, desde que além do turbo aplicassem outras mudanças, como forração integral de portas, vidros elétricos traseiros e o acréscimo de duas saídas de ar centrais móveis em complemento àquela fixa que cospe ar para cima, espaço duplo DIN e outros detalhes.

    Em relação ao uso desse motor em um Golf VII, não acho que isso vá acontecer, uma vez que tem custos de produção superiores ao 1.6 16V EA211 já previsto. Ainda assim, um carro médio-pequeno nacional/Mercosul está naquela situação de não de se, mas quando vai acontecer, uma vez que seria juntar coisas já existentes nas prateleiras dos fabricantes. Vai saber se um Focus Mk3 teria isso, se é que a Ford vai mesmo fabricar o Ecoboost 1.0 por estas bandas. Seria divertido ver um carro médio-pequeno pagando o mesmo tanto de IPI que um popular e praticamente forçaria a mudança do modelo desse imposto para algo mais racional e que favoreça soluções diferentes para um mesmo problema. Em vez de faixas de cilindrada, seria mais interessante algo que combinasse consumo e emissões de poluentes, justamente para evitar que algum fabricante fizesse alguma gambiarra com propulsor antiquado para que ele produzisse mais força e bebesse menos às custas de poluir mais (vide o exemplo que passei do 1.4 Família I anteriormente). Um modelo assim acabaria abrindo espaço para que fabricantes que não aderiram à onda dos turbos de pequena cilindrada atingissem os mesmos objetivos à moda deles.

    RENEGADE

    Já estou vendo mais unidades do menor dos Jeeps nas ruas. Pode ser que a FCA se dê bem com o tamanho da fila de espera para o HR-V e os malabarismos que a Honda está tendo de fazer para atender à demanda. Ainda assim, o brasileiro, que sabemos ser o pobre mais rico do mundo, já está justificando os preços estratosféricos da versão a diesel, que decepcionou quando os teve anunciados justamente por não serem menores que os de SUVs maiores, mesmo que movidos por igual tipo de combustível.

    De repente pode haver clima para a nacionalização do 2.0 Multijet, ainda mais que ele vai ser aplicado a outros projetos da FCA (Fiat 226, Jeep 551 e o possível SUV Fiat X3U), isso sem falar da possibilidade de ser montado em carros nacionais para exportação.

    MERCEDES FLEX

    Tenho a impressão de que a marca alemã pode estar escondendo a possibilidade de um bom ganho de potência no etanol, a exemplo do que a BMW fez com o 2.0 ActiveFlex. Digo isso porque motores turbinados têm a possibilidade de usar a pressão da turbina para em parte compensar a taxa de compressão estática. Foi bom também ver que o start-stop funciona com etanol no tanque, o que praticamente joga uma batata quente vinda de Stuttgart bem no colo do pessoal de Munique.

    Agora é ver se esse motor também habitará o cofre do Classe C W205, que também será fabricado em Iracemápolis.

  • marcus lahoz

    Roberto Nasser

    Apenas uma dúvida, na questão do motor do up!, hoje no Brasil não existe mais tributação por potência, somente por cilindrada certo?

    Sobre a FCA. estão atirando para todos os lados, vai morrer em pizza a próxima aquisição.

  • Maycon Correia

    Uruguai é a terra dos contrastes. Lá se vê de tudo andando na rua. Dos carros americanos até os anos 50, os europeus dos 60, 70 e 80, brasileiros de 90 e 2000 e dali em diante só alguns asiáticos, brasileiros e a maioria esmagadora chinesa. Exceções são os BMW, Audi e Mercedes.

  • Fat Jack

    Eu sempre gostei muito do Lancer (principalmente em sua versão com câmbio manual, que a meu ver combinava muito bem com seu espírito e design esportivo), mas não gostei das últimas alterações, nem da redução do diâmetro das rodas para 16″ (talvez as 18″ fossem ligeiramente exageradas, apesar de alguns concorrentes terem pneus com a mesma “altura lateral” que os utilizados anteriormente), me parece que estão tentando destiná-lo a um público mais conservador, tirando dele justamente as características que o tornavam único no segmento.

  • Eu sempre aviso “compre antes que vire flex”. Com esses Mercedes, agora não dá mais. Imagine-se, combustível de espiriteira num Mercedes. Não casa.

    • Lucas CRF

      Bob, o que impressona é não tirar vantagem de quando abastecido com álcool. Motor turbo e álcool se dão muito bem! Ora, tá no álcool? Põe a turbina pra trabalhar sem dó! Com a eletrônica que se tem hoje, poderia se fazer isso sem prejuízos à durabilidade do conjunto motriz.

      Abraço

      Lucas CRF

      • Lucas
        Tudo isso encarece, o processador precisa ter mais capacidade para um mapa mais amplo e tudo isso para quê, para ganhar uns cavalinhos mais e ver o ponteiro do combustível se mexer a cada acelerada? Como disse William Shakespeare, “Muito barulho por nada”.

  • anonymous,
    É um grande erro seu subestimar o Nasser. Ele escreveu piloto automático entre as aspas justamente por saber ser um termo errado que até alguns fabricantes usam. Você é leitor novo do Ae ou nunca notou que não escrevemos airbag nunca, mas bolsa inflável? Bolsa de ar tem o mesmo sentido de bolsa inflável e o Nasser tem todo direito usar o termo.

    • anonymous

      Não subestimei, Bob, ele sabe o que diz. Mas vejo uma contradição entre usar um termo inadequado só por ser consolidado (piloto…), e desprezar outro completamente adequado em favor de um nacionalismo irritante (airbag não é uma almofada de ar, almofada é para conforto).

  • anonymous
    Já se usou nos EUA o termo “air cushion”, almofada de ar. Assim como não usamos airbag aqui, o Nasser tem o pleno direito de exercer a liberdade poética e escrever “almofada de ar”, e garanto que não houve quem não entendesse o que ele quis dizer. Você disse uma coisa certa: nacionalismo. Só que de irritante não tem nada. Na Argentina a Ford usa ‘Llegá más lejos’ como mote, enquanto aqui é ‘Go further”. Quem está certo, nós ou nossos vizinhos?