“M’ingana que eu gosto”

 

 

ML320 CDI

Mercedes ML 320 CDI 2008, primeiro utilitário diesel sem reduzida a receber número Renavam e ser licenciado

A lei é clara e objetiva: para ser jipe e ter motor diesel, tem que ter “reduzida”. Mas as fábricas “convenceram” o governo de que seus dispositivos eletrônicos substituem a exigência legal.

O Brasil é o país do jeitinho, do jogo de cintura, da malandragem. Temos maestria para lidar com estes desvios de conduta que ignoram padrões éticos e morais. Presença indelével em cada canto e cada esquina. Nas empresas, pistas, postos, oficinas, lojas, fábricas, concessionárias…

Stock Car de mentira– A mais badalada e disputada categoria do automobilismo brasileiro é também uma das maiores mentiras de marketing. Pura enganação, pois não estão na pista os automóveis “sugeridos” ao público. Apenas um logotipo da marca na grade. A disputa é emocionante exatamente porque todos utilizam a mesma mecânica. Carro nenhum da Stock Car tem sequer um parafuso da marca que o patrocina. Mas depois tem anúncio de fabricante afirmando que “ganhamos a prova tal graças ao desempenho e resistência do nosso automóvel”….

Etanol aditivado – Gasolina aditivada é importante para manter limpo o motor. Os aditivos evitam a formação de depósitos carboníferos na câmara de combustão, provocados pelo elevado teor de carbono (acima de 80%) da gasolina. Mas alguns postos tem a cara de pau de oferecer etanol aditivado, apesar de seu teor de carbono inferior a 40%. Ou seja, é praticamente impossível a presença destes depósitos no motor que queima o derivado da cana.

“Reduzida” – A lei é clara e objetiva: para ser considerado jipe e direito ao diesel, tem que ter, além da tração integral, o redutor da relação final de marchas, a chamada “reduzida”. Quem começou a engabelação foi a Mercedes-Benz que “convenceu” o Denatran a homologar o ML 320 CDI”, alegando a presença de dispositivos eletrônicos que substituem o redutor mecânico. Uma afronta aos princípios básicos da mecânica e à nossa inteligência. Outra lorota foi do jipe Agrale Marruá: a primeira marcha muito curta fazia o papel da “reduzida”. Caminho aberto para um festival de enganações: exemplos recentes são o Renegade e Mitsubishi Outlander, ambos diesel sem a “reduzida”. Se a lei é obsoleta, mude-se a lei. Mas, no país do jeitinho…

ABC – A obrigatoriedade do extintor de incêndio é uma vergonha e prova concreta da corrupção que corre solta no Brasil. Depois que carburador e distribuidor foram para o museu, apenas três ou quatro países continuam exigindo esta inutilidade. Ao invés de eliminá-lo, as fábricas ainda botaram mais lenha na fogueira da corrupção (e a mão mais fundo no bolso do brasileiro) e fizeram aprovar a troca do tipo AB por outro mais caro, o ABC. Pode?

Preço da revisão – Picaretagem dupla. A fábrica anuncia revisões com preço fixo para atrair o freguês. Na hora da dita cuja, algumas concessionárias apelam para a empurroterapia e inventam limpeza de bico, lubrificação da maçaneta, revisão da sonda lambda e dobram o preço. Outra é da oficina que anuncia revisão “de férias” por apenas R$ 99,00. Com o carro já desmontado, ligam para o proprietário informando-o de que “infelizmente” o amortecedor estava quebrado, o suporte do motor trincado, a bomba de água vazando….. e a conta subiu para R$ 1.150. “Pode fazer, doutor?”

Start-stop de araque – Motor flex e sistema start-stop (liga e desliga automaticamente o motor) são incentivados pelo Inovar-Auto e reduzem impostos recolhidos pela fábrica. A BMW anunciou ambos, mas se “esqueceu” de avisar (para motoristas e governo) que o start-stop não funciona com etanol no tanque, só com gasolina. Pode?

Opala SS – Só para chegar no sétimo (não é a conta de mentiroso?), a GM lançou o Opala SS, com pinta de esportivo. “SS significa Super Sport, como no Impala SS?” Não, disse a GM: vem de “Separated Seats”. Bancos Separados, em inglês…

BF

Foto da abertura: prettycarz.com
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
 A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • Rochaid Rocha

    É impressão minha ou aqueles carros de Stock Car não possuem faróis na dianteira? É apenas desenhado. É que vi uma batida e a frente entortou para cima e ficou esquisito. Me deu a idéia de que não é a frente daquele carro. Estou errado? Então tudo é uma tremenda enganação. Parece que alguns tem a frente do ” Sonic” que nem em linha está mais.

  • Mr. Car

    Parou no sétimo, Feldman (quase escrevi Fielder, força do hábito de pensar em carros, he, he!)? Esta lista poderia ir ao infinito. Minha pequena contribuição:
    1- Aquilo que nos vendem como sendo gasolina.
    2-Tecnologia flex (eu, pelo menos, me sinto enganado).
    3- Pátria Educadora.

  • Totiy Coutinho

    (Texto eliminado pelo moderador)

  • AlexandreZamariolli

    O SS do Opala até pode ser “Separated Seats”. Mas convenhamos que o SS-6, com um 250-S debaixo do capô, era esportivo mesmo. Que o diga a Ford, que precisou homologar o Maverick V8 Quadrijet para não levar couro do seizão nas pistas!

    • Lorenzo Frigerio

      Dodge, SS-6, Maverick, nenhum era esportivo com carburador bijet. Mas o Maverick GT era, na aparência, mais que os outros. Era quase um Mustang.

  • Prezado Boris. Não sei como funcionam exatamente as coisas em outros países dito civilizados…Mas, acredito que diferente daqui! Devo lembrar que nossa legislação tem por princípio dizer o que “pode” ser feito quando seria bem mais simples dizer o que “não pode”…E isto se estende ás leis de transito…As aberrações são tantas e, acredito, intencionais…Desde os primórdios de nossa colonização, a promiscuidade entre quem é nomeado para exercer o poder e criar as leis e os que pretendem explorar o mercado cativo é fato notório e sabido…Nossa “população” dita “cordial” aceita de forma natural qualquer anomalia jurídica desde que sobre uma “beira” para ela também…( Migalhas tipo bolsa “qualquer coisa” , com exceção dos dez milhões de servidores públicos, de todas as áreas e poderes , imunes a qualquer intempérie, que recebem um terço da massa salarial da nação dando em troca não mais de vinte por cento do comprometimento com o cargo que qualquer trabalhador não agraciado com o serviço público é obrigado a entregar! ) Depois de mais de um século tentando mudar este quadro, tudo foi por água abaixo em menos de duas gerações, com nosso ensino beirando o ridículo, Nossos filhos e netos disputando seus lugares ao sol sem nenhuma ética ou caráter, onde o concurso público volta a ser o maior sonho e este, quando não alcançado, deixa como opção a “esperteza” como ferramenta principal e ainda turbinada pelo egoísmo hedonista do moderno mundo materialista. Atos como mentir, lesar, roubar, prevaricar, prostituir ou prostituir-se e até mesmo matar são meras ferramentas á disposição que justificam os fins…

  • Totiy,
    Por favor, refaça seu comentário informando qual sua discórdia do que o autor da matéria escreveu).

    • Totiy Coutinho

      Pois não, no item preço de revisão o jornalista acusa profissionais de reparação de picaretas, inventores e empurradores de serviços, pensando estar fazendo um trabalho de orientação ao consumidor, quando na verdade está desorientando, colocando este contra o reparador. Até porta de boteco recebe lubrificação, e quem falou que não precisa limpar bicos com essa gasolina que temos? O sujeito compra um 0-km, cai num buraco danifica um componente da suspensão,isso é detectado na revisão e a fabrica tem de pagar como garantia?

      • Christian Bernert

        Totiy, não confunda manutenção preventiva com manutenção corretiva. Revisões regulares previstas no manual do veículo têm caráter preventivo.
        Manutenção corretiva exige sempre um diagnóstico. Este deve ser baseado em parâmetros técnicos e não em ‘achismos’. Infelizmente as concessionárias em sua quase totalidade erram propositadamente neste ponto com o claro objetivo de faturar mais às custas de consumidores incautos, desinformados ou desprovidos de conhecimento técnico. É a mais pura enganação. Está corretíssimo o Boris ao abordar este assunto.
        Ao meu ver é caso de polícia. Desonestidade mesmo.

  • João Carlos

    Pelos dados divulgados quando da redução de enxofre – que de quebra melhora a resistência à oxidação da gasolina – o seu nível de depósitos é praticamente o mesmo do álcool. Por isso que basta, no caso da gasolina, leve aditivação (menor do que temos hoje), que seria o caso da que estrearia agora de forma compulsória, mas foi adiada.

  • Rochaid Rocha,
    São apenas adesivos imitando faróis.

  • Já tivemos e temos um monte de coisas que só servem para
    “alguém” ou algum “amigo” ganhar dinheiro… Quem se lembra
    das plaquinhas metálicas de licenciamento nos anos 70? Dos selos adesivos nos anos 90? Do estojo de “Primeiros Socorros” que obrigaram todos a comprar? (tenho dois desses até hoje…), As inúmeras trocas de especificação dos extintores e recentemente o extintor ABC e a Controlar?

    • Lorenzo Frigerio

      Saindo dos carros, nem se fale do sistema PAL-M, dos plugs e tomadas “Inmetro” e da Reforma Ortográfica – todos os livros escolares tiverem que ser refeitos.

    • Leonardo Mendes

      Você se refere aos selos de licenciamento que eram colados nas placas, certo?

      Tenho um desses, de 97, até hoje colado numa pasta de uso diário.

      • Leonardo, os selos adesivos eram colados no vidro do pára-brisa e as “plaquinhas” metálicas eram lacradas na placa amarela nos anos 70.

  • Vinicius

    Por isso que eu repito o mantra: “neste país, lesa-se no atacado e indeniza-se no varejo.”

    E eu digo em todos os sentidos, entretenimento, esporte, indústria, consumo, política (aqui lesa-se sempre e indeniza-se nunca) etc.

  • Daniel S. de Araujo

    Boris uma correção: os modelos antigos de extintor eram BC e não AB como mencionou.

    Ah, só para não esquecer, tem várias Saveiros diesel adaptadas e legalizadas circulando.

    • JJ Neves

      Mas, salvo engano, todas de antes da exigência de pelo menos 1 ton de carga.

      • Antônio do Sul

        Há muito tempo, acho que em 1992 ou 93, conheci uma Caravan, fabricada entre 1981 e 84, que teve o motor 151 original trocado pelo da Kombi diesel e, pasmem, estava legalizada. O meu pai não entendeu como tinha sido possível legalizá-la, e o dono, então, explicou que, até 1989, havia brechas na legislação que permitiram legalizar essa alteração. Até hoje, não entendo como isso era possível, uma vez que escutei uma história de que a Chrysler, na década de 70, pensou em lançar uma perua Dart com motor a diesel, também se aproveitando de brechas na legislação, mas, como os planos teriam vazado, o órgão a quem competia esta regulamentação teria editado uma nova resolução, “cortando as asas” da fábrica.

      • Daniel S. de Araujo

        É uma Saveiro Summer da década de 1990. A lei já se encontra em vigor.

        Durante muito tempo, os ônibus Mercedes de chassis OF1313 foram mais valorizados pela chance de transforma-los (e legalizá-los) como caminhão Mercedes 1313 .

  • Totiy Coutinho,
    O autor da coluna está certo em praticamente tudo que afirma. Conhece automóvel, conhece o mercado, conhece oficina e tem formação técnica (engenheiro mecânico), além de dirigir muito bem. Ou não teria sido convidado para ser colunista do Ae. Discordo dele apenas na questão dos veículos a diesel sem reduzida. Mas, como está avisado no final, o colunista é responsável pelo que escreve e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas. Muitas concessionárias burlam o preço fixo de revisão sim: não há necessidade de limpeza de bicos injetores em caráter preventivo (pode explicar qual o problema da nossa gasolina?), de “desodorizar” o ar-condicionado, limpar o tanque de combustível e outros empurras desonestos.
    Os itens de revisão determinados pela fábrica são tão poucos hoje que cobrar à parte para pingar algumas gotas de óleo penetrante nas dobradiças é um verdadeiro acinte. Portanto, o consumidor deve ser alertado para má-fé do reparador, esse é um dos papéis do jornalista. O caso de suspensão danificada que você menciona é uma incidência rara e em regra o consumidor manda verificar independente de revisão quando nota alguma coisa estranha no veículo. Mas há o golpe de “fazer a cambagem^, comentado há pouco aqui no Ae, amplamente praticado por reparadores, especialmente os chamados centros automotivos..

    • Totiy Coutinho

      Te devolvo a o questionamento http://bestcars.uol.com.br/ct/gasolina2.htm

      • Totiy
        Nada, absolutamente nada do que respondi ao leitor se refere a má qualidade do combustível, muito menos causa de sujar bicos injetores. Desculpe, dê outra explicação para “essa gasolina que temos” que essa não colou.

        • Fernando

          Pois é Bob, acho isso tudo curioso.

          Creio que se é para algo entupir, entre um caminho com maior e menor pressão será o com menor pressão. E carburadores sempre funcionaram e continuam até hoje sem entupir com tanta facilidade mesmo com essa desculpa toda da qualidade da gasolina.

          Mas em um injetor sob alta pressão, e em carros com 20.000km, cansei de ver diferentes concessionárias oferecerem isso, sob a alegação de “poder” estar precisando. Ok, se “pode” é que pode precisar ou não, e é uma verdade. Mas aí que está, oferecem a limpeza, e vi que usam um produto que é diluído na gasolina direto no tanque, sem retirar os injetores. Se não retiraram não confirmaram que havia alguma anomalia, e assim… estão mexendo onde não sabem se há mesmo necessidade.

          Nos anos 90 não me lembro de oferecerem tal serviço e não se tinha problemas.

          E vi sobre outro nome de limpeza também em fichas de revisão: descarbonização do motor, igualmente pela colocação de líquido no tanque e só, não vamos longe imaginando que fariam uma limpeza na TBI, ou nada do tipo, pois eu mesmo vi a explicação do que “seria” feito, e nem encostariam no motor ou qualquer sistema dele.

  • VeeDub

    ” Nosso inimigo é o estado. Nossos inimigos não são a religião, as corporações, as instituições, as fundações ou as organizações. Elas só têm hoje o poder de nos fazer mal por causa de sua ligação com o estado. Retire os subsídios, as medidas protecionistas, e as regulações que as protegem da concorrência, e elas rapidamente passarão a ser inócuas. Mais ainda: serão inteiramente subservientes a nós consumidores.”

    do site mises

    • Christian Bernert

      Quando você diz ‘nosso’ você quer dizer o cidadão honesto, produtivo, pagador de impostos certo?

  • Quanto ao jeitinho para aprovar veículos diesel sem reduzida: bem que fazem as fábricas. nem deveria ser proibido o uso de diesel em automóveis.

  • Lucas

    Tudo bem que no Brasil as leis são interpretadas conforme melhor convêm no momento, mas eu acho que deveríamos deixar esses diesels serem homologados. Vai que a GM consegue passar aquela primeira do Celta como reduzida…..

  • Roberto

    Com tudo isto, quem é honesto geralmente se sente um trouxa. Hoje levei uma multa e tive o carro recolhido para o depósito do Detran por estar com o seguro DPVAT atrasado. O detalhe é que sempre pago as taxas adiantadas para pegar os descontos, só que na hora de gerar o boleto em um dos bancos conveniados ao Detran, só foi gerado um valor “final” (que achei que já fosse com desconto de bom motorista), mas que na realidade só era do IPVA. Pelo jeito é o tipo de “pegadinha” que pega muita gente, pois mais alguns tiveram a viagem interrompida por conta do mesmo problema (IPVA pago e seguro não). É o “jeitinho” que começa vindo de cima, omitindo informações para tentar enganar aqueles que não são “espertos” e aumentar a arrecadação na forma de multas.

    • Christian Bernert

      Este caso do DPVAT é escabroso. Dificultaram e complicaram ao máximo o pagamento. Agora é só sair caçando os enganados motoristas brasileiros que sequer desconfiam que estão ‘ilegais’. Eu cosido isto um estelionato oficial.

      • Roberto

        O que era para ser uma facilidade e uma segurança contra a “saidinha de banco”, o pagamento das taxas por meio eletrônico acabou me induzindo ao erro. Como no ano passado demoraram quase 3 meses para enviar o CRV, segundo eles por problemas de impressão (mesmo pagando uma taxa de quase R$100 para emitir um documento), achei que ainda estava no prazo normal. O melhor de tudo é que a tal fiscalização que recolheu o meu carro (e de outros que estavam na mesma situação) aconteceu no final de semana, onde não existia a menor possibilidade de regularizar a situação no mesmo dia.

    • Eduardo Zanetti

      Aconteceu comigo este ano. Fui pagar os documentos do Fusca e, não sei porquê, cargas d’água, troquei os documentos dos carros na hora e coloquei o Renavam do carro do dia-a-dia, que já era para estar todo pago. Lá estava constando o bendito DPVAT como débito. Hijos de la madre. Baita sorte. Um dia depois fui parado em bloqueio e estava com o comprovante de pagamento junto dos documentos.

  • Fernando

    A questão do extintor está muito mal explicada…

    O de tipo ABC custa mais caro, pelo pó diferente e por não permitir ser “recondicionado”, mas vejamos:

    No ano retrasado eu ainda pagava R$15 por um extintor à base de troca, que nas 4 revisões que cada um passava ao longo de sua vida útil, supomos que fosse custar R$60 ao longo delas.

    Após a metade do ano passado em que eu já sabia o que estava por vir, e com um extintor vencido, já comprei um de tipo ABC pois se juntar os fatores, comparado aos R$15 do de tipo BC, e por durar 5 anos, o valor pedido de R$50 pelo menos era diluidamente menor por não precisar trocar todo ano.

    Mas no outro carro, na virada do ano acabei prolongando até onde deu e na mesma loja e modelo, o que paguei R$50 agora estava custando R$80 devido à procura(e nas concorrentes o valor chegava a R$120). A lei da oferta e da procura existe e ninguém nega, mas mesmo assim tudo tem limite não? Parece que não, porque depois disso acompanhei a saga de conhecidos que também estavam na mesma situação e já não encontraram nos mesmos locais, e por valores ainda maiores.

    Mas não sobram questionamentos, deixemos até de lado a questão do valor, porque desculpas para o preço disparar existem várias… mas e a dos fabricantes, que se alegam alta procura, também alegam que não sabiam que da lei que estava para obrigar este tipo na virada do ano, e assim obviamente haveria procura por eles? Como são administradas, ignorando fatos óbvios como este e forçando a tudo isso que o consumidor está passando e como resposta somente o adiamento da obrigação?

    Isso não desfaz o fato de quem tinha um que vencesse no começo de 2015, teria de comprar outro para substituir o seu anterior com validade de 1 ano, e assim esse cidadão não poderia andar com ele vencido sob o risco de levar uma multa, e então o adiamento era somente para deixar de usar o do tipo ABC, mas não abria nenhuma exceção para quem não encontrava um e estava com o anterior já vencido, não precisar se render ao valor exorbitante…

  • Roberto
    Que lamentável.

  • Francisco Bruno de Figueredo F

    Aproveitando terem tocado no assunto empurroterapia aqui vai meu exemplo. Comentei algum tempo atrás que achava absurdo a revisão de meu Tracker de 20.000 km custar R$ 800,00, pasmem, depois de estar no box de serviços o consultor me passou o valor de R$2.684,24. Em um vacilo dele consegui escanear a nota de serviços para poder mostrar a quem duvidasse. Disse a ele que queria fazer apenas o que estivesse previsto no manual, e, de forma mágica, o valor foi o de R$800,00. Imagino o consumidor desavisado o que passa.

  • Francisco Bruno,
    Como tem concessionário burro, não? Os idiotas estão matando a galinha dos ovos de ouro! Isso não é ser ladrão, é ser burro mesmo.

    • Marcelo Henrique

      Atualmente, o esperto é o honesto.
      Por isso que mecânicos independentes honestos conseguem uma boa clientela.

  • Victor H
    Claro que não deveria ser proibido. O Brasil é uma ilha cercada de diesel por todos os lados.

    • Eduardo Zanetti

      Bob, o diesel de boa qualidade consegue ser extraído de petróleo baixo como o brasileiro, certo? Qual o motivo de sustentar processos de refino tão complexos para conseguir gasolina razoável em lugar do diesel de menor exigência?

  • Sobre as empurroterapia é óbvio o que acontece. Salários baixos e comissão para consultores e mecânicos sobre serviços e peças trocadas. O resultado são revisões com valores de 2 ou 3 vezes maior que o valor de “tabela”.

  • João Alcim Neves

    Caramba! Nunca vi isso. O cara foi um herói então. Porque a resolução deixa bem claro que não serão aceitas conversões em Saveiros e afins.

    Sucesso!

  • Junior

    Outra enganação, além dos golpes na hora da revisão, e’ a garantia de 3 anos. Na verdade o cliente sai pagando por ela sendo obrigado a fazer revisões a cada 6 meses em alguns casos. Os defeitos de fabricação aparecem na sua grande maioria no primeiro ano de uso (curva da banheira), tanto que as montadoras ampliaram os períodos de 1 para 3 anos apenas em função da concorrência dos asiáticos que começaram a oferece-la, sem fazer nenhuma evolução tecnológica além das que já ocorrem naturalmente com o tempo.
    Lembro que a tendência no final dos anos 90, era reduzir a freqüência das revisões e trocas de óleo, por exemplo o primeiro Palio tinha a primeira revisão e troca de oleo aos 20000km. Nesse ponto regredimos.

    • Junior,
      Não tem nada de golpe nisso, você foi injusto nessa sua afirmação, desculpe. É direito de qualquer fabricante oferecer a garantia contratual que bem entender. Condições de garantia são quase tão antigas quanto o próprio automóvel e uma delas é submeter o veículo ao plano de manutenção indicado pela fábrica para que a garantia continue válida, nada mais justo e correto. Quanto ás revisões a cada seis meses, trata-se apenas de troca de óleo do motor e caso a fabricante também o indique no plano de manutenção, o filtro de óleo. Quanto aos intervalos revisão e troca de óleo, é outro assunto.

      • Junior

        Bob,
        Na verdade o que chamo de golpe é ofertar serviços desnecessários que não constam do plano de manutenção preventiva.
        Mas a garantia de 3 anos vejo mais como uma estratégia de marketing e uma forma de aumentar o faturamento das concessionárias. É claro que as revisões são necessárias para garantir que o proprietário siga o plano de manutenção. Mas acho que existe muita incoerência, por exemplo, a Ford mudou em 2015 as revisões a cada 6 meses para duas no primeiro ano e as seguintes a cada 12 meses, mas colocou a necessidade de troca do filtro de combustível a cada 6 meses. A tecnologia dos filtros e fornecedores são os mesmos para todas fabricantes, por que ter esse prazo tão curto quando outras marcas tem prazos maiores? Outra incoerência e’ o preço, a quarta revisão (óleo, filtro de óleo e filtro de combustível) tem preço diferente conforme o carro, ex.: Ka R$428,00, New Fiesta R$ 472,00, Ecosport R$548,00 sem distinção de motorização que em algumas versões são os mesmos.

        • Leonardo Mendes

          O bom desses prazos de garantia mais longos é – para quem é adepto, evidente – poder comprar um seminovo com a garantia ainda vigente.

      • MrBacon

        Olá Bob, no caso da Mitsubishi é necessário realizar revisões a cada 6 meses ou 10.000 km, o que ocorrer antes. Meu carro irá pra quinta revisão ao final do mês, com cerca de 34.000 km, mas os serviços executados correspondem a quem rodou 50.000 km. Não gostei desta obrigatoriedade de visitar a concessionária a cada 6 meses, coloquei esse item na minha lista de exclusão para o próximo carro – não lembro de ter rodado 10.000 km em um semestre em toda minha vida.
        A Fiat tinha uma política mais bacana, onde se trocava apenas o óleo e filtros por tempo, as revisões realmente ocorriam por km (tive Punto e Bravo e rodava pouco).

        • Mr. Bacon,
          Que insensatez! Vou pedir uma explicação a eles.

          • MrBacon

            Fica como sugestão de melhoria para a Mitsubishi.. deixei de comprar um CR-V porque o Outlander no final de 2012 possuía um pacote mais completo (8 airbags x 2 airbags, principalmente), mas esqueci de comparar o plano de manutenções.

        • Marcelo Henrique

          Olá, as coisas da Fiat mudaram.
          O meu amigo tem um Punto Tjet 2014 e que por ter rodado muito acabou trocando por km, mas foi informado que deveria trocar também na próxima revisão, que vai acontecer em breve, do contrário perderá a garantia.

          Já falei para ele ligar no 0800 da fábrica, pois este tipo de ação é desonestidade.

    • Fat Jack

      Acredito que hoje já esteja acontecendo uma racionalização deste “efeito revisão”, com a maioria das fabricantes optando por 1 revisão ao ano ou 10.000 (o que acontecer primeiro) – o que é o caso do meu Renault – e que não me parece absurdo, ao contrário da estratégia de 6 em 6 meses anteriormente implantado pela Ford.
      Outra “armadilha” é a de revisões com a troca dos mesmo itens (caso do meu Renault, nas revisões de 10 e 30 mil km) terem uma o custo quase 3 vezes superior à outra.
      Esses também são fatores que o consumidor precisa levar em conta na compra do seu 0-km.

      • Newton ( ArkAngel )

        Onde trabalho preconizamos somente 4 tipos de revisões :

        Tipo 1: mão de obra de 1h. Troca de óleo, filtro de óleo e checagem completa de todos os sistemas.

        Tipo 2: mão de obra de 2h. Troca de óleo, filtro de óleo, filtro de ar, filtro do a/c, filtro de combustível e checagem completa.

        Tipo 3: mão de obra de 3h. Troca de óleo, filtros de ar, óleo, combustível, a/c, velas, fluido dos freios e checagem completa.

        Tipo4: mão de obra de 4h. Idem à Tipo 3, mais limpeza completa do sistema de injeção. Bom serviço para quem adquiriu um veículo usado e quer “zerar” a manutenção.

        Serviços corretivos eventualmente necessários orçados à parte (pastilhas, suspensão, alinhamento e balanceamento ).

        Revisões feitas a cada 10.000km ou um ano, na sequência a partir do zero: tipo1, tipo 2, tipo 1, tipo 3, e assim por diante.

        Não precisa mais do que isso, os carros atuais são muito confiáveis.

  • Lucas Mendanha

    A questão da Stock Car, realmente seria interessante ter o veiculo real de cada marca correndo…mas elas topariam o investimento na preparação? Praticamente certeza que não.

    Na Nascar pelo menos o motor é de cada fabricante ostentado na bolha, certo?

    • Fernando

      Se fossem seguir o conceito de Stock, preparação não seria um grande problema… hehehe

    • Bom, no WTCC tem o carro de cada marca correndo, com preparação limitada e carros retirados aleatoriamente da linha de montagem, e com os motores de cada marca.

      Tentaram fazer coisa similar no nosso Brasileiro de Marcas, e realmente os carros são os mesmos da linha de montagem… mas todos com motor e transeixo Ford. ¬¬

  • CorsarioViajante

    Uma coisa é quando a lei é distorcida, como no caso do extintor ou da reduzida. Outra é quando falta interesse da pessoa em se informar (revisões) ou decide aceitar como característica, caso do start-stop ou do Opala SS.

  • Carlos A.

    Do extintor é um caso sério como tantos outros assuntos comentados nesse artigo. Ouvi dizer que devido a obrigatoriedade do ABC, antes da primeira prorrogação de prazo, além de estar em falta esse modelo ABC no mercado, quando encontrado custava uma nota!
    Eu pelo menos estou tranquilo quanto a esse item obrigatório. Troquei o antigo (assim que venceu) pelo ABC em 2007, como a validade é de 5 anos, só em 2012 fui mexer com extintor novamente.
    Não estou aqui na defesa desse ou daquele modelo, mas, já que é obrigatório, acho mais interessante o modelo novo. Ao menos acabou a obrigatoriedade de ao menos se fazer o teste hidrostático anual no outro modelo. O ABC não exige manutenção, e na minha experiência uma preocupação e custo final menor.

  • JP

    Posso estar enganado, mas ao que me consta o significado da sigla SS nos Impalas também era “Separated Seats”, referente justamente ao pacote que trazia os bancos dianteiros individuais.

    • boris feldman

      Oi JP,

      Lançado em 1961, o Impala SS significava Super Sport e tinha um pacote de upgrade de desempenho com motor e suspensão. Fora os tradicionais elementos decorativos.

      • JP

        Realmente Boris, você está certo.

  • Gabriel Bastos

    E mesmo stock car com várias marcas com bolhas diferentes mas motorização idêntica, bem lembrado.

  • Domingos

    Ontem estava copiando uma receita para minha mãe e me deparo com um “coco” no texto. Coloco o acento circunflexo e o corretor, já da norma nova, indica erro.

    Não tem mais diferença entre coco e côco. Por isso eu me questiono de tanto enfoque no ensino superior hoje. Tudo é feito para que um formado da nova geração seja bem mais estúpido que qualquer ensino médio completo de uns 10 anos atrás.

    Não tem a menor diferença hoje sair o cara com um diploma mais genérico e não ter nenhum. O nível do não formado se bobear é melhor.

  • Leonardo Mendes

    Comprei na semana passada um PCX 150 que tem o sistema start-stop (a Honda o chama de Idling Stop).
    Confesso que nos primeiros quilômetros é um tanto estranho ver o motor desligar como se tivesse morrido mas com o tempo se habitua… e basta girar a manopla do acelerador e o motor “ressuscita.”

    A respeito do tópico das revisões e da empurroterapia… bem, ao me consta, a última reforma ortográfica não aboliu a palavra “não” do idioma, então…