DEZ COISAS NORMAIS E CORRIQUEIRAS QUE HOJE SÃO TABU

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“Contas certo com a morte; desse modo, tanto ela como a vida se tornarão mais doces .” – Duque Vicêncio, personagem de William Shakespeare em sua peça “Medida por Medida”, de 1604.

Falar de morte é difícil. Ninguém gosta do assunto, baixa a cabeça, desconversa, se esquiva. Mas morte, todo mundo sabe, é parte indivisível e indispensável da vida. Ser consciente de nosso inevitável fim é na verdade o cerne da condição humana, o que nos faz o que somos. Aceitar a morte como parte inevitável da vida, incontáveis filósofos lhe dirão, é indispensável para levar uma vida sadia.

Sim, é claro que mortes prematuras e evitáveis são uma tragédia. É triste, incontornável e definitivo na vida das pessoas que ficam. Mas aceitar a morte e continuar andando para frente é logicamente a única coisa que podemos fazer, e mandamento férreo em toda religião: um luto grande demais é pecado, a vontade de Deus, afinal de contas, não deve ser questionada.

Outro grande pecado, seja para ateus ou religiosos de todos os credos, é não viver a vida de forma plena. Não fazer o melhor possível com o tempo que temos aqui é quase um crime, e algo que, particularmente acho ainda pior que uma morte prematura. Viver uma vida inerte, sem objetivo maior a não ser apenas sobreviver, me parece um destino ainda pior que a morte em si.

Mas parece ser este o objetivo final de todos hoje em dia. Se sacrifica facilmente o prazer à mesa por uma alimentação saudável mas comparativamente insossa. Sacrifica-se momentos de descanso e prazer introspectivo consigo mesmo para correr maratonas diárias em nome da boa forma física. Se anda extremamente devagar com automóveis porque, sabe-se bem, carros são assassinos malvados e devem ser controlados de pertinho. A classe média alta trabalha mais do que nunca para pagar seus condomínios caríssimos e seus carros blindados para se proteger de bandidos, sem tempo algum para qualquer outra coisa.

Fico imaginando que, gastando esta imensidão de tempo cuidando de nossa sobrevivência, quando vamos cuidar de nós mesmos realmente? Me parece que mantendo-se sempre ocupados o suficiente para não pensar em mais nada senão a sobrevivência, esquecemos de viver. Calar a angústia de viver trabalhando incessantemente para se manter vivo é um tremendo contrassenso, e um prato cheio para filósofos ávidos por uma nova tese…

Acho que realmente exageramos aqui. Embora, repito, a preservação da vida seja o mais nobre dos objetivos, ainda assim ela não é o valor máximo. Toda história épica de heróis nos mostra que sim, existem coisas pelas quais vale a pena morrer. Dar valor extremo à própria vida é na verdade característica básica dos vilões.

 

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Nem astronauta tinha cadeiras assim nos anos 1970…

Mas hoje parece que isto se inverte. Nunca o egoísmo e o individualismo estiveram tão em voga. Impulsionados por uma cultura materialista, e uma crença religiosa na lógica e na ciência, as pessoas parecem acreditar que podem controlar suas vidas completamente, e desta forma, têm o poder de prolongá-las indefinidamente. Mesmo que não exista motivo palpável para esta extensão… Mas infelizmente você não é mais importante que ninguém, e vai morrer quando menos esperar, quer você queira ou não. Humildade e resignação parecem ser característica dos fracos hoje em dia, mas na verdade são características extremamente desejáveis, se presentes na medida certa.

Mas o que me incomoda realmente é que não foi sempre assim. Nos anos 1970, quando era criança, as pessoas tinham uma tolerância incrivelmente maior para riscos. E apesar de tragédias serem sim, mais freqüentes (e eu mesmo tenho algumas histórias de arrepiar os cabelos), desafio qualquer um a encontrar uma criança desta época que não fale carinhosamente deste tempo. Era uma época que, vista de hoje, parece de uma liberdade tão deliciosa que chega a chocar. E não existe maneira melhor de ilustrar isso do que esta lista: coisas que eram totalmente aceitáveis, que hoje são tabu completo.

Uma lista sem medo da morte, e por isto mesmo, cheia de vida e alegria. Uma lista de uma época onde o acaso existia, acidentes aconteciam sem termos que culpar ninguém, e se você se machucasse fazendo algo com um carro, só tinha que culpar a si mesmo. Uma lista da época em uma pessoa consciente procurava apenas evitar acidentes, porque se envolvesse em qualquer um, estava por sua conta e risco. Um tempo em que se você fizesse algo que potencialmente pudesse fazer mal apenas a você e a sua família, ninguém tinha nada a ver com isso. Uma época em que se preocupava mais em viver do que sobreviver:

1) Dirigir no colo do papai

 

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Primeira experiência ao volante de 10 entre 10 crianças que hoje tem mais de 40. Ainda é permitida com o carro parado, muito popular com os bebês.

2) Andar sem cinto de segurança

Eu comecei a andar com cinto apenas depois de começar a dirigir, ao redor de 1985. Não porque fosse mais esperto ou estivesse preocupado com a segurança, mas sim para permanecer sempre no controle do carro. Tente passar numa depressão ou lombada bem rápido sem cinto para entender o por quê; se você não parar no banco traseiro, está no lucro!

3) Andar no “chiqueirinho” do Fusca

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Aquele espaço entre o banco traseiro e a parede corta-fogo traseira do fusca é tecnicamente um porta-malas. Mas não importa, para as crianças que cresceram dentro do carro (que não foram poucas, convenhamos) aquilo era combustível de alta octanagem para a imaginação. Compartimento secreto, submarino, cama de um trem, cabine de comando da nave do Flash Gordon… Cadeirinhas de criança? Não existiam. E cinto de segurança era algo que quando existia no carro, não tínhamos idéia do motivo de tal existência. Talvez enforcar os irmãos mais irritantes. Sei lá.

Em viagens, dormir no chiqueirinho era um privilégio muitas vezes disputado a pescotapas, o que as vezes fazia o pai revoltado apelar para…:

4) Deixar a molecada abandonada no meio da rua

A primeira vez que o exasperado pai ameaçava parar e deixar todos os irmãos bagunceiros no meio da rua abandonados, era uma ameaça terrível demais para ser ignorada. Todo mundo ficava quieto e a bagunça acabava imediatamente. Mas com o tédio da viagem, o furdunço inevitavelmente continuava, e os anjinhos inocentes no banco de trás começavam a achar que, na verdade, um pai legal como o deles nunca ia abandoná-los no meio da rua…

 

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O menino de chapéu não consegue ficar sentado nem para tirar uma foto de propaganda!

Era a hora do pai usar a mais infalível arma de seu vasto arsenal de então: realmente parava o carro e tirava os moleques de lá aos gritos, e ia embora. Uma volta no quarteirão era tempo o suficiente para que nunca mais duvidassem dele!

“Só voltei porque sua mãe me implorou! É bom não me torrarem a paciência nunca mais!”

5) De pé saindo pelo teto solar

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Na primeira vez que fiz isso, ainda moleque, no Chevette 1977 branco do meu tio Luiz Carlos com um teto Webasto removível, achei a coisa mais incrível que se podia fazer em um carro. Hoje sei que não é a melhor (talvez esteja entre as 10 melhores usando calças), mas de qualquer forma, a experiência, hoje totalmente ilegal e irresponsável, me fez um amante de tetos que podem abrir até hoje. Pena que só meu cachorro pode meter a cara para fora dele legalmente, hoje. Peraí, será que pode?

6) Crianças na frente

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Outro grande motivo para pescotapas entre irmãos nas raras vezes em que os dois pais não estavam juntos lá na frente. Ir na frente, feito adulto, era um privilégio disputadíssimo. E lembrem-se: ninguém usava cinto então, muito menos as crianças. Quando pequenas ficavam até de pé segurando aquele “pqp” no painel do fusca. Ou usando volantinho de brinquedo como esta da propaganda acima…

7) Todo mundo na caçamba da picape

Você não precisava de uma perua de sete lugares. Não precisava nem de Kombi ou microônibus, na verdade. Com jeitinho cabia todo mundo na caçamba da picape. Nossa tolerância para desconforto era maior, sim. Mas era compensada por uma capacidade de se divertir com coisas mais simples, uma alegria perene sem motivo aparente algum.

 

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Rolava até uma música ao vivo na viagem…

Certa vez, nos anos 1980, pegando carona do sítio de meu pai até a cidade mais próxima com mais seis amigos na caçamba de uma C20, estava rindo de algo e me inclinei para frente, ao mesmo tempo que a picape acertou um buraco na estrada de terra. Sentado como estava na traseira da caçamba, e somado ao momento gerado pelo meu movimento de cabeça para a frente, saí voando girando sobre mim mesmo, dando piruetas no ar. Fui cair sentado na estrada, olhando para trás do sentido em que nos movimentávamos, e, sem saber muito bem o que acontecera, meio que rindo ainda da piada de antes da pirueta, pensei: ué, onde foram parar todos?

Os meus amigos juram que eu dei duas giradas no ar antes de chegar ao solo. Alguns dizem três. Com certeza foi um movimento composto também de um vetor lateral, para ter caído olhando para o lado oposto. Sinceramente não faço idéia do que aconteceu, felizmente não me machuquei, mas fico feliz por ter proporcionado incontáveis risadas a todas as seis testemunhas desde então.

8) Passear de pé segurando santantônio no buggy

 

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Acredito que no Nordeste ainda seja praticado em dunas, mas na minha infância, andar de buggy era andar de pé tomando vento. Sim, em estradas, cidade, todo lugar. Pequeno prazer perdido no passado para sempre…

9) Três pessoas no banco dianteiro

Ah, os bancos inteiriços dianteiros… Os Opalas com três marchas na coluna foram uma parte mais constante em minha infância do que bala Juquinha e guerra de mamona. Entrar num Opala desses para mim é como voltar para casa.

 

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Que saudades dos bancos inteiriços dianteiros…

Certa vez, andando no Opala ao lado do meu avô, e com um primo mais novo no meio, estávamos rindo felizes sobre algo que não me lembro mais o que era. De repente, uma freada brusca, e meu priminho acerta o painel de frente, rindo. Paramos, e meu avô, preocupado, pergunta se tudo bem com ele, que estava em silêncio com a mão na boca. Quando tira a mão da cara e vira para nós, podemos ver um dente na mão do garoto, que já ria de novo com uma baita janelona bem na frente do sorriso. Felizmente, era um dente de leite já meio mole, que ele tinha medo de tirar. Caímos na gargalhada de novo!

10) Dar ou pedir carona

Andávamos em turma de garotos ao redor dos 10 anos, para todo lado. Caronas para a praia, saindo de sítios, para carregar bicicletas quebradas, eram extremamente comuns e corriqueiras.

 

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Hoje, quem faz isso?

MAO

(686 visualizações, 1 hoje)


  • Mr. Car

    Só não experimentei o 4, o 5, e o 8. Tirando estas, o J. Silvestre me diria: “Esta é a sua vida”! He, he, he!

  • Angelo_Jr

    Boa MAO, realmente muitas dessas coisas deixaram de ser feitas, porém acredito que mais por atuação do Estado que tem de coibir os irresponsáveis, e nisso os responsáveis acabam perdendo. De qualquer jeito, a maioria dessas coisas ainda fiz quando adolescente e criança, no começo deste século. Menos carona, pois essa sempre achei meio arriscado, fora em casos excepcionais

  • Avatar

    Nossa, chiqueirinho do Fusca é clássico… Andei muito lá.
    Sua colocação, MAO, foi muito feliz e precisa “Um tempo em que se você fizesse algo que potencialmente pudesse fazer mal apenas a você e a sua família, ninguém tinha nada a ver com isso.” Infelizmente estamos nos tempos de patrulhamento até do que fazemos em casa…

    • Domingos

      Outros tempos… Se você for levar a sério essa filosofia do “faz mal apenas a você” hoje, vai ter gente querendo usar drogas… Cada tempo tem seus desafios.

  • Fat Jack

    MAO…, belo passeios de buggy esses, hein!

  • Miquelle Francisconi Alves

    Sensacional MAO, os tempos atuais precisam de reflexões como essa. Se me permite uma sugestão de leitura : Contra um Mundo Melhor de Luiz Felipe Pondé.

  • Leister Carneiro

    Mao muito legal este artigo vou colocar em ordem os que mais gostei
    1- chiqueirinho do Fusca , pois também adorava
    2- Banco inteiriço do opala , não sei por que não existe mais
    3- Seu duplo twist carpado, da caminhonete. Pois Deus protege os bêbados, as crianças e os estudantes

  • REAL POWER

    Há alguns anos eu resolvi parar e pensar sobre o que eu queria, como deveria ser minha vida dali para frente. Bem, resolvi viver a vida sem pressa, aproveitar o máximo tudo aquilo que tenho, seja em bens materiais ou humanos. Optei pela simplicidade, pelo prazer de estar com amigos e familiares. De aproveitar cada momento de uma boa conversa ao invés de dar atenção ao celular.(exemplo). De sentir-se bem em preparar um belo jantar sem ser uma data especial, beber um bom vinho no lugar de muitos regulares. E por aí vai.

    Sobre as 10 coisas listadas, me faz lembrar como eu vivi minha infância e adolescência feliz. No interior do interior do Brasil ainda da para viver assim. Nesses lugares as pessoas ainda estão vivendo.
    Belo texto MAO. De vez em quando precisamos olhar para trás, para depois dar um passo a frente. Abraços.

  • Lemming®

    Mas hoje em dia com a patrulha do politicamente correto (ou do emburrecimento forçado)…

  • m.n.a.

    Legal!!

    Vou fazer 41, lembro de muita coisa considerada “anti-segura” hoje em dia…

    Mas não se pode negar a quantidade bem maior de carros e bandidos nas ruas de hoje….

  • Andreoni

    Por textos assim me tornei seu fã!
    E este perde apenas para o “10 carburadores…”
    Muito obrigado MAO!!!

  • Avatar,
    O cúmulo do patrulhamento é nos Estados Unidos: se um vizinho vir na casa ao lado adultos fumando onde há crianças, denuncia à polícia.

    • Mr. Car

      Bob, tanto lá como aqui, é como eu digo: macho de acabar com a indústria do tabaco, já que é tão prejudicial, ninguém é. Aí ficam fazendo coisas estúpidas e hipócritas como proibir a publicidade de um produto fabricado e comercializado legalmente, ou colocar aquelas fotos nos maços em uma tentativa de aterrorizar os consumidores.
      Abraço.

      • RoadV8Runner

        Essas imagens ridículas que veiculam nos maços de cigarro é de um mau gosto tremendo…

    • Lucas

      Caramba! Isso é o cúmulo da intromissão mesmo.

    • Antônio do Sul

      Para mim, os Estados Unidos são um enigma: não entendo como podem ter conseguido atingir tamanho desenvolvimento tecnológico e econômico (no que os admiro muito) e, ao mesmo tempo, serem campeões em bizarrices desse tipo. Às vezes, enxergo, dentro dentro do território deles, um país moderno, desenvolvido e dinâmico brigando com um país tacanho e culturalmente atrasado.
      Quando criança, cansei de comprar cigarros para os meus avós e tios, que fumavam perto de mim, e nem por isso virei fumante ou fiquei doente.

    • Serio isso, Bob? Caramba, hein!

    • marcus lahoz

      Que coisa estúpida.

    • Arruda

      Tenho um amigo que mora na Alemanha. Certa vez parou o carro em frente de casa e estava dando uns amassos na namorada quando um vizinho “toc, toc, toc”, bateu no vidro.
      O motivo: o carro estava com um (pequeno) vazamento de óleo e poluindo o meio ambiente….

      • Domingos

        Não acho errado avisar não, se tem uma coisa que é chata é o cara deixar tudo esporcalhado pelo vazamento.

        Mas no meio do amasso, batendo no vidro e ainda falando no chavão “meio ambiente” é bem o alemão chato do século XXI.

  • Eduardo Mrack

    A introdução meio filosófica chega a ser poética ! Parabéns MAO, belíssimo artigo, como sempre.

  • Aeroman66

    Muito bom MAO. Eu cresci no “chiqueirinho” de uma Caravan, viajei muitas vezes de São Paulo ao Rio sentado no colo da minha avó, no banco dianteiro, andei sem cinto até se tornar obrigatório, levei muitas pessoas como terceiro passageiro no banco da frente do meu Aero Willys, já andei muito em caçamba de picape e conheci minha ex-mulher dando carona a ela.
    …continuo vivo, mas nessa época era mais vivo ainda.

  • Marcelo R.

    Nossa! Eu só parei de andar no “chiqueirinho” do Fusca quando não cabia mais nele. Além disso, também já andei na caçamba de uma Pampa, e quase saí voando quando minha mãe, que dirigia a picape, “decolou” em uma ondulação enorme, na estrada de terra em que trafegávamos… rsrs

  • Mr. Car

    Banco dianteiro inteiriço com alavanca de câmbio na coluna de direção ainda por cima era chique “no úrtimo”, he, he! Em um carro com interior monocromático clarinho, aí então, é covardia!

  • János Márkus

    11 – Viajar numa Variant de Belo Horizonte a São Paulo em cima do banco traseiro rebatido, como se fosse uma cama. Isso hoje deve dar cadeia.

  • Antônio do Sul

    MAO, chorei de rir da sua queda da caçamba da C-20. Quando criança, andei muito em algumas C-10 iguais às da foto, mas na cabine, pois ainda era muito pequeno. Depois, mais crescidinho, andei muito em caçamba de F-75, Pampa e D-10. Em uma das vezes, na caçamba da Pampa, minha tia teve que dar uma paradinha: o meu primo tinha levantado a cabeça acima da cabine, e o vento levou o seu boné…Outra vez, quando estávamos na F-75, o meu tio parou e me chamou para assumir o volante. Como era a terceira vez na vida em que eu dirigia, ainda não tinha desenvolvido aquele domínio mais fino dos pedais e, lá pelas tantas, numa freada desnecessariamente brusca, o queixo de um de meus primos que permaneceram na caçamba bateu no estepe…

  • Lucas Mendanha

    Ontem, num outro site, postaram uma matéria sobre um CR-V que rodou na chuva e entrou de ré em um guard-rail quebrado na pista… nos comentários: ah, essa versão não tinha ESP…

    Penso que, com a tecnologia atual, as pessoas estão desaprendendo a dirigir, no sentido exato da palavra, e desrespeitando os limites naturais .

    Quando pai tinha uma F-1000 XK, 20 anos atrás, bastava garoar que reduzia a velocidade e aumentava a atenção, pois estava em um carro grande, pesado e que não pararia fácil se precisasse…. Hoje em dia, pode estar caindo o maior toró que vemos picapes modernas cortando e sumindo na pista..vez ou outra topamos com uma fora pista…

    • Arruda

      “ah, essa versão não tinha ESP”
      Como se ESP transformasse o carro em “imbatível”, se é que me entende.

  • Parabéns!! Dei risada, chorei e ri de novo com esse texto!!

    01 – Eu dirigi no colo do meu coroa, e hoje meu moleque dirige no meu! É um abusado, quando eu paro o carro, quem desliga a chave, “puxa” o freio de mão, fecha os vidros e tranca o carro, é ele!

    02 – Eu nasci em 1984, então o cinto já era um pouco difundido. Mas me lembro de uma viagem que fiz, de Maringá ao litoral paranaense, na Brasília do meu coroa, faltavam os cintos. Ele arrumou dois dianteiros, “instalou” um em cada ponta do banco traseiro, passou a tira na barriga de todo mundo, e deu um nó no meio. Mais seguro, impossível, rs!

    03 – Meu pai não teve Fusca. Infelizmente.

    04 – Meu coroa fez isso comigo. Foi uma das maiores tristezas da minha vida. Eu realmente achei que fosse ficar na rua, rs.

    05 – Só tivemos carros com teto solar há pouco tempo. Não deu para fazer isso. Mas já sentei na janela, pernas no banco, troco para fora.

    06 – Andei muito no banco da frente. Era o mais velho, isso era direito adquirido.
    Meu filho às vezes vai para a escolinha comigo no banco da frente. Passo o cinto normal, aí a faixa diagonal passo atrás da cabecinha dele, rs. Se acha o estiloso, abre o vidro, põe o braço pra fora e olha para a galera.

    07 – Quem nunca deu um rolé assim? Coisa mais divertida do mundo!

    08 – Nunca andei de buggy, que droga!

    09 – Eu queria um bancão inteiriço desses, aos 18~19 anos, no meu Monza hatch. Se é que me entendem, rs…

    10 – Já pedi carona, já dei carona… É divertido conversar com estranhos às vezes, rs…

    Perdoem a péssima qualidade da foto, foi tirada com a câmera frontal do celular, esse é o meu pequeno motorista, rs!

  • Jr_Jr

    Nasci no final dos anos 80 e a grande maioria dos itens são o retrato da minha infância.
    Texto maravilhoso, lembranças mais ainda, parabéns MAO!!!

  • Newton ( ArkAngel )

    1) viajar pendurado na porta do ônibus
    2) andar de bicicleta sem capacete e 678 itens de segurança
    3) acabar de almoçar e ir correr na chuva
    4) beber 1 (um) copo de cerveja e dirigir
    5) fumar em restaurantes e ninguém encher o saco (não fumo, mas sinceramente, o fumo não me incomoda; aliás, reclamar de fumaça numa cidade igual a São Paulo não faz muito sentido )
    6) votar em candidato de direita
    7) beber água da torneira
    8) escutar a rádio 94,7 (sem ser chamado de velho )
    9) chamar gays de gays
    10) nao ligar para o colesterol

    Ô mundinho chato hoje em dia…

    • Fabio Toledo

      Beber 1 copo de cerveja e dirigir? ah, vá!

      Lembrei de pegar vácuo de ônibus de Caloi 10! Aquilo era viver!!! (rs)

    • Domingos

      Uma coisa é certa: água da torneira é péssima tanto em gosto como para a saúde e, sinceramente, não confio no governo tanto para o tratamento como para as substâncias que colocam na água.

      Durante o “racionamento” que tivemos há alguns meses, a água de torneira tinha um distinto cheiro de lodo.

      Ao menos a água de torneira de São Paulo sempre foi ruim de tomar. E não é só aqui também. Em alguns lugares a água é muito calcária ou muito carregada de minerais e não compensa fazer um tratamento que tire isso da água, logo ela se torna MUITO ruim de beber – embora seja potável.

      De resto, concordo. Inclusive no colesterol, que já teve uma segunda redução de nível recomendado em que praticamente todo mundo – mesmo magro e com boa alimentação – está “em risco”.

      PS: Viajar na porta de ônibus é maloqueirice.

  • Poeta

    Não consegui passar da foto do Buggy

    • Rogério Ferreira

      Eu também fiquei um tempão parado, contemplando a foto do Buggy… Uau!

  • REAL POWER

    Há uns 15 dias na casa de um grande amigo, meu filho Lucas conheceu o interior de um Opala Caravan 78. Banco dianteiro inteiriço, alavanca de marchas na coluna, motor 4-cilindros. Falei para ele, “nesse carro dava para viajar com a namorada sentada bem ao lado e ficar abraçado nela”. O Caravan esta em fase final de restauração. Quando ficar pronto, não tenha dúvida, vou pedir emprestado, encher o tanque, pegar a estrada queimar gasolina. Também estou aguardando o Maverick branco V-8 desse mesmo amigo ficar pronto para fazer o mesmo. Afinal de contas, para isso é que servem os bons amigos.

    • Mr. Car

      O cara vai te emprestar um carro antigo e recém-restaurado ainda por cima, para viajar? Isto é aquilo que o Roberto Carlos chamaria de “amigo de fé, irmão camarada”, he, he, he!

      • Roger “Rock” Silveira

        Cara, ele deve ser muito brother mesmo, afinal Carro, Mulher e Dinheiro não se empresta pra ninguém!!

        • Mr. Car

          Meu pai dizia isto, mas só de carro e mulher. Por isto mesmo andou tomando uns calotes, he, he!

        • REAL POWER

          Mulher não, o resto sem stress.

          • Mingo

            Nunca se empresta dinheiro e carro. Mulher e bateria também nem pensar, pois uma volta cheia e a outra vazia…

  • guest

    Curiosa a “mão inglesa” na propaganda do Fusca com teto solar…

  • Ciro Margoni

    Resumindo, o mundo está cada vez mais chato.

    • Franklin Weise

      É o dilema pós-moderno: um mundo mais seguro, com pessoas menos satisfeitas…

  • Rod1970

    MAO:
    Veraneio escolar também transportava crianças no porta-malas e na Kombi escolar também tinha o seu “chiqueirinho” e ninguém reclamava, nem mesmo o Detran. Eu fui muitas vezes à escola assim, tanto na Veraneio quanto na Kombi 🙂
    Para quem acaba de completar 45 anos, para mim foi uma volta aos tempos de criança.
    Ótimo texto!

    • Fabio Toledo

      Eu era tão peste, mas tão peste, que o tio da Kombi me colocava no banco da frente para não liderar a baderna… Íamos ouvindo a 97 Rock… Passei a prestar mais atenção no trânsito… hehehe Show!

  • BlueGopher

    A vida se transformou em algo muito formal, regras, proibições e controles estão por todo canto, sumiu aquela alegre informalidade tão bem comentada pelo MAO.
    Apesar de percalços como estes, que nos são impostos, podemos deixar de lado esta parte “cinzenta” do mundo atual e colorir nossas próprias vidas mantendo um estado de espírito adequado, leve.
    Isto ninguém pode controlar ou proibir…

    Ainda hoje me encaminharam uma boa reflexão do dr. Drauzio Varella sobre como não estragar nosso dia com as situações irritantes que volta e meia surgem no nosso caminho:
    http://www.contioutra.com/a-porta-do-lado-uma-extraordinaria-reflexao-de-drauzio-varella/

  • TDA

    Muito bom o texto MAO, parabéns! Tenho muita saudade de andar na traseira do buggy, fazia bastante isso quando criança. Eram 3 buggys cheios de parentes passeando pelas praias de Fortaleza tomando vento na cara e sol nas costas…
    Também sinto falta de bancos inteiriços. Atualmente os consoles centrais estão cada vez maiores e deixando os ocupantes mais distantes. Passear com sua amada ao lado deitada no ombro é impagável…

  • O texto me trouxe lembranças e constatações.

    Pela ordem:

    1) Dirigi um Brasília, quando tinha 4 anos, no colo do meu pai;
    2) Andei sem cinto de segurança, na cidade, até 1997, quando se tornou obrigatório;
    3) Andei com meus primos, no chiqueirinho dos Fuscas do meu tio e no porta-malas de uma Caravan… E no porta-malas de uma Belina…
    4) Andei na caçamba da Saveiro do meu avô, na caçamba de uma Fiorino, entre outras;
    5) Só não andava no banco da frente, quando minha mãe estava junto

    Constatei que:

    – não sou um subversivo;
    – não me tornei um marginal;
    – não sofri um grave acidente;
    – não sofri um acidente fatal (esse é o mais fácil de provar);
    – o mundo, hoje, é CHATO DEMAIS!

    Boa, MAO!

  • André Andrews

    Muito bom!

    Só os Ncapeiros e a turma de bicicleta com crânio dolicocéfalo devido ao capacete, que não irão gostar kkkkkkk

  • Fabio Toledo

    Lembrei dum luau que saímos num grupo da praia do Lázaro e fomos para a Vermelha do centro, todos na caminhonete de um cara… Caçamba lotada, noite estrelada, e como o motorista conhecia bem a estrada, desligava os faróis por alguns instantes, provocando um certo pânico na rapaziada e ao mesmo tempo a luz das estrelas explodiam… Que balada!

  • Oswald Biró

    Muito legal o texto MAO. Acho que faltou falar também do excesso de passageiros e de carga. Meu finado avozinho Ancelmo tinha uma Caravan 4.1 78, com os citados bancos inteiriços. Quando íamos viajar, só no banco da frente ia meu avô, minha avó, e meu tio e sua esposa. Atrás iam mais uns 2 casais e um sobrinho mais gordinho. No porta-malas iam as crianças e o Elvis, um vira-latinha do vovô. As bagagens iam na carretinha graças a deus, kkkk. Na hora de descer fica igual carro de palhaço, não parava de sair gente…

  • cedujor

    MAO: Me identifiquei muito com o excelente texto! Tenho 48 anos e vivi muitas das situações descritas. Valeu!

    • Klaus Bernauer

      Também… como o mundo piorou!!!

      • Daniel S. de Araujo

        Verdade!

  • Fórmula Finesse

    rsrsrsrsrs – tremenda viagem no tempo MAO; Valeu!
    Ainda posso relembrar, e sentir na ponta dos dedos, o plástico (ou seria borracha) que revestia o chiqueirinho do Fusca, o som que produzia as batidas com as mãos no painel traseiro, um batuque encorpado e cheio de personalidade. Quem não lembra dos “cestinhos” dos cintos de segurança do pequeno Volks? Era um verdadeiro enigma para crianças pequenas, que troço mais complicado…
    Não tínhamos picape cabine dupla, colocávamos duas poltronas na caçamba da picape – poltronas de conjunto de sofá mesmo, espessas e confortáveis – o teto de lona sobre a cabeça, e a família toda alegremente partia para o asfalto; se o caminho fosse de estrada de chão, volta e meia era desejável que as borboletas que prendiam a capota de lona à carroceria de metal fossem devidamente averiguadas.
    Problemas com a polícia? Nunca….
    Sair na caçamba da picape dos amigos também era lei, normalmente, o mais habilidoso (ou desvairado) da turma ficava ao volante; o que se sucedia era um rosário infernal de farras não recomendáveis pelas estradinhas do interior; a picape “caçava” as poças que margeavam as estradas, o cascalho nos anteparos das vias literalmente carroçáveis…era nosso verdadeiro “esporte de aventura” daqueles saudosos e cada vez mais distantes fragmentos do tempo…
    FF

    • RoadV8Runner

      Eu tenho gravado na memória, até hoje, o cheiro que tinha o chiqueirinho do Fusca. E essa dos cestinhos para cintos de segurança do Fusca veio lá do fundo, mas bem fundo mesmo do baú! Nem me lembrava mais que eles existiam…

  • Mike Castro.
    Sério, é inacreditável. Mas se rolar um pó, tudo bem…

    • Fórmula Finesse

      Teria tanta coisa a falar sobre patrulhamento…(Uma unidade da polícia rodoviária federal acampou aqui, e estão batendo recordes seguidos no quesito emissão de multas), mas não quero me estressar!
      FF

    • Lorenzo Frigerio

      Do ponto de vista físico, faz sentido. Não existe “cheirado passivo”.

      • Fat Jack

        Ri muito agora!!!

  • Rafael Ribeiro

    Tendo hoje 46 anos, só não andei no teto solar, porque nunca tivemos um na família ou de amigos… Me lembro também de andar sobre o bagagjto do Dodge 1800, deitado, prestes a ser arremessado à frente numa freada mais forte… Outra prática comum era ir à praia no porta-mala das peruas, mas com a tampa aberta, para refrescar! Certa vez meu irmão quebrou um pé ao cair durante uma marcha à ré e ser imprensado pelo carro contra o solo.

  • Danilo Duarte de Oliveira

    É o que eu sempre penso, tem que preservar o meio ambiente e a manutenção da vida, mas até que ponto vale a pena abrir mão dos prazeres pra se obter segurança?

  • Lorenzo Frigerio

    Pedir carona ou entrar no carro de um estranho nunca foi algo recomendável, especialmente para menores de idade. Acho que essa você deveria tirar da lista.

    • Arruda

      Nunca foi, nem será, como a maioria dos outros itens. Mas, sinceramente, patrulhamento do politicamente correto é completamente dispensável nesse post.

  • Lorenzo Frigerio

    Lá por 1971 ou 1972 um amigo meu me convidava para ir ao seu apartamento no Guarujá. O pai dele também tinha uma Veraneio. Nós íamos jogando Batalha Naval, um no chiqueirinho e outro no banco traseiro, separados pelo encosto.
    Porém a velocidade dos carros naquela época era bem menor.

  • Franklin Weise

    Já eu fico muito feliz de vários itens aí terem ficado no passado.

  • Franklin Weise

    Acho que, no fundo, o post trata de um tema mais complexo: a nostalgia. Nossa geração tem saudade destes pontos listados acima. Já a geração anterior à nossa tinha saudade de outras coisas (o que nós gostamos já era moderno demais para eles). De cabeça, lembro do Adoniran Barbosa, que no fim dos anos 60 dizia que o Bixiga que ele tanto gostava não existia mais. É natural do ser humano. Como bem disse o Erasmo Carlos, as pessoas não têm saudade da época em si, elas têm é saudades do que elas eram na época (jovens, bonitas, inocentes, sonhadoras e por aí vai).

    • Mr. Car

      Não necessariamente. Tenho uma super-hiper-mega-ultra-baita nostalgia dos anos 50, e eu não era jovem, nem bonito, nem inocente, nem sonhador… aliás, eu nem “era”: só vim a “ser” alguns anos depois, he, he!

      • Franklin Weise

        Mr. Car, como você também sou de uma geração posterior e já passei por este sentimento em relação aos anos 50. Mas há de se considerar que boa parte dos relatos que ouvimos é falsificada de forma não-intencional, passa pela memória seletiva de quem nos conta (por terem saudades daquela época em que eram saudáveis, jovens e bonitos, acabam lembrando e relatando muito mais os aspectos positivos). É cíclico, se repete em todas as gerações.

  • Vitorio Roman

    Eu ainda incluiria andar de moto sem capacete, sentindo o vento no rosto. E quanto a banco inteiriço ainda compro um carro com banco assim.

  • Acyr Junior

    Absolutamente fantástico o texto, MAO, cacetíssimo !
    Com cinquentão nas costas (já meio doloridas) só não tive a experiência do teto solar mas, creia, o resto fiz inúmeras vezes.
    O primeiro carro do meu pai foi uma Rural Willys bicolor. Eu era pequeno e como todas as crianças da época andava totalmente solto no carro. Ja meu pai não tinha lá muita prática ao volante e, numa dessas, freiou a SUV (chique, heim ??) abruptamente e eu fui literalmente de cara no painel. O cabeçudo aqui amassou a tampa do porta luvas (acho que foi lá) e ainda levou um esporro do pai por não ficar “esperto” . Perguntem se ele estava preocupado comigo ou com o carro novo …

  • Fórmula Finesse

    Andar de bicicleta a sério (não volta na pracinha) sem capacete é mais perigoso do que os causos citados acima…

    • André Andrews

      Não estou falando de esporte, acho que dava pra entender.

      O MAO poderia ter adicionado o andar de moto sem capacete, coisa que os americanos ainda podem fazer na Flórida.

      • Fórmula Finesse

        Pedalar a sério também não se configura necessariamente em esporte, basta sair das divisas da dita pracinha, ou não pedalar com o filho pequeno…etc, capacete tanto e bicicleta como em moto, são itens que não deveriam nem ser discutidos. O capacete de bicicleta já salvou a minha vida ameaçada por um tombo a 1 km/h por hora (travessia de riacho).

        • Fórmula Finesse
          Desculpe, amigo, mas essa foi a Piada do Ano. Quer dizer então que você poderia ter morrido em conseqüência de um tombo a 1 km/h? Povos do mundo, usai capacete para andar a pé! Essa atividade é altamente perigosa (rs).

          • Fórmula Finesse

            Vou relevar teu comentário Bob, pois certamente nunca fez a tolice de pedalar sobre fina lâmina de água que cobria lajeado musgoso…o tombo foi quase parado, mas “seco” (sem aviso, com todo o peso para o chão em um nano segundo), tipo de tombo de ver as pernas lá encima antes de tocar a cabeça no chão. O capacete rachou pela metade…quem têm o privilégio de desvendar a natureza sobre o selim de uma bicicleta, as vezes passa por esses apertos.
            FF

          • Gustavo França

            O marido da madrinha do meu primo morreu de um tombo de bicicleta nessa velocidade… Estava devagar, caiu da magrela e bateu com a cabeça no meio-fio… pior foi que era um adulto andando numa Caloi Ceci da filha….

        • Milton Evaristo

          Capacete como fundamental, é muito patrulhamento. Lá onde o André citou, você pode dar uma volta na orla sem capacete, de boa. Vai pegar uma via rápida? Manda ver no capacete. O papai Estado já manda demais em nossas vidas, vamos deixar as crianças se divertirem com as magrelas em paz.

          Não vai demorar muito para capacete ser item obrigatório em bicicletas e automóveis, assim como vestimenta de Moto GP para os motociclistas.

          Não sei onde vamos parar!

  • Christian Govastki

    A patroa liberou a compra da Veraneio condicionada a ter o banco dianteiro inteiriço, como era na primeira Veraneio e na Japiraca (F100 302V8).

    É uma idiotice (na minha opinião) um console tão alto quanto o do HR-V

  • francisco greche junior

    Que época linda, hoje o que vivemos, e as crianças então??
    Eu nem sou tão velho, tenho 29 anos. Isso me lembrou quando no 1º ano do segundo grau, a escola era em uma grande avenida, pediamos carona no farol, geralmente para pick-up. O ápice foi uma F-250 dirigida por uma mulher magrinha que nos deu carona, coube tanta gente! E ela acelerando legal com a galera lá!

  • Fat Jack

    Tempos de tudo “politicamente correto” (menos os políticos, claro!)
    Senti falta desta cena…, quem nunca voltou assim da praia quando criança (de qualquer idade) que atire a primeira pedra!

  • Silvio

    Já coloquei meus filhos ao volante, mas só manobrando, dirigindo mesmo ainda não, e com os painéis em forma de cockpit de hoje em dia é até difícil.

  • marcus lahoz

    MAO ótimo texto. Hoje tudo são os ecochatos. Tudo polui, tudo faz mal (o OVO já foi de salvador a vilão mais de 50 vezes). O automóvel então hoje é como ter uma arma, se der partida vai matar uns 5.000 pelo meio do caminho.

    Incrível como o mundo regrediu tanto em 30 anos.

    Não sei qual a sua área de trabalho, mas na minha preciso entrar em grandes empresas, e alguma estão até exigindo exame psicológico para o funcionário.

    Esta questão de excesso de segurança e excesso de zelo esta tornando o mundo chato demais.

  • marcus lahoz

    se falar isso a um ecochato ele vai duvidar, afinal no conceito dele você não estaria entre nós.

    • Elza Soares, neles!!!

      “Eu bebo sim e tô vivendo
      Tem gente que não bebe
      E tá morrendo

      Tem gente que já tá com o pé na cova
      Não bebeu e isso prova
      Que a bebida não faz mal
      Um pro santo, desce o choro, a saideira
      Desce toda a prateleira
      Diz que a vida tá legal”

  • xineis

    Uma pena que não vivi essas aventuras (não sou da época). Acho que a única coisa desta lista que já fiz foi andar na caçamba de picape…

  • Amaurí

    Sempre pensei assim, mas em 1973 meu pai faleceu em um acidente de carro, dirigindo um Fusca, bateu de frente, foi arremessado sobre o volante tendo as vísceras abdominais laceradas e morrendo. Quando vi o Fusca praticamente inteiro e o cinto de segurança enrolado na cestinha porta-cinto, senti que ele “poderia” ter salvo a vida de meu pai, nunca mais deixei de usar o cinto. Anos depois estava de plantão (sou médico) atendi uma jovem de 16 anos, que numa leve batida (de Fusca!) bateu com o rosto no antigo vidro temperado e ficou cega, aí então sempre exigi que o passageiro também usasse o cinto. De resto pratiquei todas as bagunças apontadas e outras piores!

    • Franklin Weise

      Tenho um Fusquinha apenas com cinto subabdominal e ainda com pára-brisa temperado. Morro de medo de qualquer batida, mesmo leve, pois sei que as conseqüências podem ser muito graves.

  • Arruda

    Não só dirigi no colo do papai, como a partir dos 10 anos dirigia de fato o Fusquinha, D20 e até um pequeno caminhão.
    Hoje, felizmente, tenho um pequeno espaço onde posso levar meu guri dirigindo no colo também.

    Sobre andar sem cinto de segurança na frente, lembrei de minha mãe com seu Corcel branco, onde ela esticava o braço para nos segurar no banco durante as freadas mais fortes. Como se fosse adiantar alguma coisa, rs.

    O banco dianteiro inteiriço conheci não no Opala, mas no Galaxie. Aquele podia levar até quatro pessoas na boa.

  • Leonardo Mendes

    Minha filha era usuária costumeira do teto solar como demonstrado na foto, até que um dia freei bruscamente numa lombada – culpa minha, admito – e ela acabou cortando a mão num dos trilhos metálicos do equipamento.
    Nada grave, felizmente, dois pontos e alguns meses depois lá estava ela no mesmo lugar.

    Agora, como o MAO e os convivas bem notaram, é incrível como o processo de “chatização” mundial assumiu níveis alarmantes, transformando o mundo em algo tão amargo quanto um gole de Campari… tudo é motivo para reclamação, impressionante.

    Se hoje eclodir uma III Guerra Mundial é capaz de não durar nem 72 horas… alguém vai reclamar do gasto com munições, que o desembarque de tropas está afetando a vegetação costeira, que os aviões abatidos poluem o mar… as nações em conflito vão preferir se entender do que ficar ouvindo conversa fiada.

  • Rubem Luiz

    Experiência ímpar: Não só ir na carroceria de uma picape mas ir lá com ela chegando nos 140 km/h.

    Tinha uns 10 ou 11 anos e um vizinho ia às pressas à cidade vizinha, um bate-e-volta rapidinho, levou eu e o sobrinho da minha idade, fomos onde toda criança ia, na carroceria, mas ele esqueceu disso e pisou fundo, uma Chevy 500 1600 nova e sem peso. No meio do caminho parou freando, até arrastou pneu, para perguntar se a gente estava bem, porque ele esqueceu que a gente estava na carroceria por isso correu tanto.

    Se as crianças estavam bem? Aquele sorriso na cara das 2 crianças durou 1 semana. Provavelmente os acrobatas nos aviões biplanos dos anos 20 e 30 sentiam o mesmo, um vento forte que parece que vai te arrancar.

    E isso não me fez um aficionado por velocidade, bem o contrário, não sinto necessidade nenhuma de passar de uns 110 km/h em rodovias. A moto 125-cm³ mal chega a 100 km/h mas já está bom demais. Não é a experiência extrema que cria o motorista perigoso, bem o contrário, você experimenta algo extremo uma vez, e sabe que não pode repetir a primeira vez, as outras vezes serão chatas então nem tenta muito.

  • Fernando

    Muito legal o post MAO!

    Desses fatos o que eu mais gostava era do chiqueirinho, ou melhor, andar nas peruas, dava para voltar do mercado deitado e já pegando o que tinha nas sacolas hehehe

    Achei curiosa a primeira foto, houve alguma boa montagem nela ou a rua tinha sentido inverso? Porque a placa e volante não estão do lado errado como já vi em algumas fotos publicitárias, mas a foto sendo no Brasil, me deu um nó.

    • Uber

      Foi no Brasil, mas a rua era de mão inglesa.

      • Fernando

        Obrigado Uber!

        Achei estranho, não me lembro de nenhuma no padrão deles, acho que hoje nem seja mais permitido.

  • Marco, acho que eu estou ficando velho… Já fiz as dez coisas e algumas variações delas… Rrsrrsrsrsr!!!!

  • Edmar Fabri

    Parabéns, texto ótimo, fiz tudo isto e ainda tive várias bicicletas motorizadas ( Bob o “vitorinha” ainda esta guardado?) .
    Edmar

  • CignusRJ

    Das 10 menções feitas a 3, 4 e 5 eu não fiz por falta de oportunidade e/ou do automóvel mesmo.

    Eramos mais livres, mais soltos, e convenhamos menos seguros também. Segurança em detrimento da liberdade? Será que sempre existirá esta dicotomia?
    Sobre liberdade, de nós que fomos crianças nos anos 70 e 80, nada melhor simboliza isso do que o telefone celular. Não tínhamos isso e eramos mais livres que as crianças de hoje em dia, dizíamos a hora que chegaríamos e sempre chegávamos atrasados. 🙂

    Por curiosidade, tem algum buggy nesta foto da menção 8? 😀
    http://autoentusiastas.com.br/wp-content/uploads/2015/06/77bf690a9652b7303e4b5069af035cee.jpg

    • Paulo Belfort

      Que buggy? Não sei do que você está falando.
      (Cara, como as mulheres dos anos 80 eram mais bonitas heim! Corpos naturais! :-P)

      • joao

        ( ͡° ͜ʖ ͡°)

  • MAO! Não sei se senti saudades ou tristeza…. Vivi praticamente todas estas situações, inclusive pilotar minha primeira CB 400 sem o uso obrigatório do capacete ainda…( sei que é uma estupidez o que vou dizer: Mas quem se acostumou a pilotar uma moto sem esta tralha, entende a verdadeira poesia do vento no rosto e ouvidos atentos… ) Quanto ao banco inteiriço dos Opalas, com câmbio na coluna lógico, tinha mais uma uma coisa impagável: Tua namorada coladinha a ti nos lentos passeios de sábado à noite…ô coisa bem boa! Hoje, vendo os jovens namorados em seus modernos veículos de locomoção, tudo o que se percebe é a total ausência da cara metade, preocupada apenas em dedilhar seu smartphone e totalmente alheia ao que acontece ao redor, isto quando o “usuário” que dirige o veículo, não está este também a conferir as “novidades” no WhatsApp do seu instrumento de alienação mental… Quer saber, me enojei! Como já é noite e quarta feira, vou convidar minha primeira namorada para passearmos pela “bosta” que se tornou nossa cidade depois de apreciarmos uma bela pizza regada a uma boa garrafa de vinho e pelo menos uma hora de boa conversa e apreciação mútua… (sei que o tempo de conversa é meio curto, mas como compartilhamos todas as refeições nos últimos 33 anos de casados, algumas coisas viram rotina e em uma hora só e o suficiente…) Pena que meu velho Taurus tem bancos separados e a manopla de troca de posições do câmbio está inutilmente disputando com o console impossibilitar o ato de nossa aproximação e afeto…

    • Acyr Junior

      Parabéns, colega. Concordo com tudo que escreveu e, devo confessar, bateu uma pontinha de inveja (da boa !!!).

    • Fórmula Finesse

      ” Hoje, vendo os jovens namorados em seus modernos veículos de locomoção, tudo o que se percebe é a total ausência da cara metade, preocupada apenas em dedilhar seu smartphone e totalmente alheia ao que acontece ao redor, isto quando o “usuário” que dirige o veículo, não está este também a conferir as “novidades” no WhatsApp do seu instrumento de alienação mental…”
      Perfeita tradução do processo de emburrecimento que passa a sociedade, refém dos “telefones espertos” e suas redes sociais…deveriam até colocar porta smartphone nas mesas dos restaurante; para que os alienados consigam dedilhar com mais conforto enquanto comem e “socializam” com os seus junto à mesa.
      FF

    • Roger Pellegrini

      “Instrumento de alienação mental”. Sublime. Concordo plenamente! O que virou esta droga de mundo, amigo??
      Gostaria de ter o DeLorean do Dr. Doc Brown e Marty McFly agora à minha disposição e voltar no tempo, de volta para o passado, para onde as coisas faziam sentido.
      Bom saber que tem mais gente que compartilha tais impressões.

      Abs!

  • FCardoso

    MAO, esse seu texto me trouxe milhares de lembranças da infância! Estou rindo sozinho só de lembrar!
    Pensei em mais umas 10 coisas para acrescentar à sua lista, mas cito só a que me parece mais interessante: o pai de um amigo meu tinha uma carreta com uma plataforma de madeira atrás da cabine. Andávamos ali, sempre de pé, entre a cabine e o reboque. Diversão pura!

  • Cafe Racer

    Impala 1963 ! Grandes lembranças da minha infância.
    Meu pai teve um, azul com azul, já era um carro antigo , mas viajávamos muito com ele…

  • Antonio Silva

    Ja viajamos mais de 2mil km em nove pessoas em uma das viagens na caçamba da F-100 a álcool do meu pai, íamos também em 9 pessoas de São Paulo-SP a Garanhuns-PE no Corcel II….impensável hoje em dia, não é?

    • Leonardo

      Isso sim é uma proeza. Dessas 9 pessoas no Corcel quantas eram crianças?

      • joao

        Se fosse uma Caravan, 9 crianças iam no porta-malas, mais seis nos bancos. Quase dá para perder as contas… Agora se ele falou Corcel, e não Belina, agora penso que a bendita Caravan ainda poderia estar sub-aproveitada…

  • JAFaria

    Eram aventuras possíveis, do tempo em que havia segurança no país. Inútil dizer que era tempo dos militares, época saudável de muita liberdade e brincadeiras incríveis…Esquerdistas de plantão, que ouviram falar outras coisas, de professores comunistas, logo latirão…

  • Eduardo Silva

    Não temos só saudades do que fazíamos. Temos saudades de quem éramos, saudades de quem eram nossos pais. E a sensação de que éramos infinitamente felizes, mesmo que sofrêssemos nossas dores, que hoje vemos como pequenas. E nenhuma aflição pelo futuro, só sonhos.

  • Roberto Alvarenga

    Nos anos 80, meu pai e meus tios adoravam “acomodar” 5 crianças (eu, meu irmão e meus primos, todos na faixa de 5 a 10 anos) no banco de trás de um Opala e cair na estrada rumo ao litoral de São Paulo.

    Meu tio tinha um Comodoro com banco de couro que escorregava pra chuchu. A cada curva da Anchieta, parecia que estávamos no Playcenter.

  • KzR

    Mesmo não tendo 40 anos, MAO, conheci certa parte desses prazeres. Conseguir o banco da frente era um grande privilégio e o orgulho crescia imensuravelmente. Andar na caçamba da picape, hoje só em sítio, até em viagens de mais de duas horas se fazia. Hoje lembro impressionado como um banco de Monza cabia 4 pirralhos pré-“aborrecentes” e um adulto… rsrs.

  • L641

    MAO, eu me lembro de uma vez que meus pais deitaram os bancos traseiros do Uno e levaram uma penca de crianças naquele espaço (eu incluído), ficou parecendo o bagageiro do Fusca em tamanho família.
    Hoje seria um absurdo total, mas na cidade de Brasília de 2001 não parecia tãããão perigoso (eu tinha 8 anos na época).
    Outra coisa que me lembro foi quando meu pai me deixou dirigir o velho MB 608 dele numa estrada de terra afastada, e nada de colo, ele ficou no banco do carona me vendo suar pra apertar a embreagem, nessa ocasião eu tinha 12 anos.
    Tenho um pouco de saudade do caminhão, e muito mais do meu pai.

  • Leonardo Mendes,
    Ah, o Campari… Era a minha bebida favorita nos Electra II indo para o Rio nas sextas à noite, naquela salinha lá atrás e o Marlboro me acompanhando! Saudade! Aquilo era vida!

    • Acyr Junior

      Putz, o Electra, que lembrança boa da juventude … E o que era aquele “fundão” da nave …

    • Marcos Alvarenga

      Depois da cachaça, minha bebida preferida.

    • Fórmula Finesse

      Eu também apreciava um bom Campari, mas a beira de uma mesa de sinuca, antes das escapadas para a noite.
      Creio que o amigo poderia contar coisas interessantes sobre os voos (sem acento, que ridículo essa nova revisão ortográfica) no famoso Electra, não?
      FF

    • CorsarioViajante

      Também sou fã do Campari, ainda mais quando vem num Negroni.

    • Lucas Vieira

      Como dizia o Jô, do que adianta ganhar 15 minutos no voo e perder 15cm da poltrona… Bons tempos…. A saída do Rio em dias de tempo bom era um deleite a parte, quando os Electra sobrevoavam em baixa altitude toda a costa carioca! Lembra disso?

  • Renato Romano

    – Viajar dormindo num colchão colocado no portamalas de uma Vemaguete.

    – Viajar de Kombi só com o banco traseiro e carga no meio, andando (em pé) dentro do carro – as vezes levando café com leite para o meu pai que estava dirigindo.

    – Aprender a dirigir numa Kombi na areia da praia. 🙂

  • Renato Romano

    Essa foto do buggy… 🙂

  • César

    Faltou um: andar de moto sem capacete!

    • Celio_Jr

      Sem capacete e sentado no tanque, quanto ainda era moleque e saia de CB400 preta com meu pai e minha mãe. Andávamos de moto desde quando nasci. Saudades disso.

  • Rogério Ferreira

    Saudade da minha infância e adolescência.. Já andei no porta-malas da Caravan amarela de um vizinho, com a tampa traseira aberta, segurando a bicicleta… Sim ele ofereceu carona, quando eu vinha de bicicleta. Incansáveis viagens em carrocerias… como nos 300 km que separam Brasília de Catalão, à bordo de uma Fiat Pick-Up (aquela com a frente do Spazio)… Ouvindo o grito agudo do Fiasa 1.3 ecoando do escape, enquanto observava as faixas do pavimento passando rápido… Esse mesmo carro, dirigi muito aqui no interior de Goiás, entregando pão… Sim, com 15 anos, já tive o privilégio de dirigir, e trabalhar, se bem que nasci juizado, nunca fiz besteira ao volante. Aprendi um ano antes, na batedeira do meu pai, um Gol S 1983, dupla carburação… Me fez um excelente motorista, pois além de dirigir, tinha que brigar com os pedais, para não apagar, já que marcha-lenta, era algo difícil de acontecer. Época em que não tinha maldade, “mi mi mi”, ecochatos, ciclofaixas… E ao ligar o Radio Bosch São Francisco do velho Gol… Roxxete, New Order, Legião, Engenheiros… É Acho que envelheci…

  • RoadV8Runner

    Texto sublime, de uma época em que não se tinha neuras exageradas em correr certos riscos. Eu me policio sobremaneira para me permitir certos riscos ainda hoje, pois de vez em quando percebo que acabo me deixando contaminar pelo senso de segurança exagerada e me descubro evitando algumas situações que antes eram corriqueiras. Quando isso acontece, fico bravo comigo mesmo…
    Uma variação do “chiqueirinho” do Fusca e das caçambas das caminhonetes eram os porta-malas das peruas, notadamente de Belina Caravan, verdadeiros latifúndios para a criançada.

  • Bob, o de Petrópolis

    MAO, já passei pelas 10. E complementando, com o tempo, passei a ser muito mais tolerante. Por exemplo, não fumo, meu pai morreu por causa de complicações de longo tempo fumante, mas respeito aquele que quer fumar. E sou completamente contra essas leis que restringem o fumo dentro de estabelecimentos privados. Se o dono quer que fumem, ele tem o direito de deixar e eu de não freqüentar o estabelecimento.
    Vendemos nossa liberdade por um prato de lentilhas…

  • Lucas

    Chiqueirinho da Belina também era bem legal =)

    • Matheus Ulisses P.

      No porta-malas da Belina cabia a criançada toda e sobrava espaço! Só festa! Esse é um carro que me alegra quando vejo em bom estado nas ruas!

  • LipeDorini

    Acredito que eu sou uma pessoa com muita sorte. Primeiro, por que tenho apenas 20 anos e fiz algumas coisas da lista. Por morar no interior do interior de Santa Catarina, tive experiências muito gratificantes quando pequeno, como aprender a dirigir aos 7 anos (ok, era um trator, primeira reduzida e sempre em um “chato”, planície à beira do rio, mas está valendo). Após isso, com 7~8 anos aprendi a dirigir um fusca, 1300, sendo a primeira vez que dirigi o mesmo no colo do meu avô. Aquele volante pequeno, esportivo… Buggy e teto solar nunca tive a oportunidade, pois nunca tivemos $ sobrando. Mas por mim, só de morar no interior e ter vivido esses momentos, não tem preço.

  • Lucas

    Um fora de tópico: alguém sabe de 1 exemplar daquele Fusca da primeira foto, com teto solar de chapa de aço, vivo até hoje?? Sei que vendeu bem pouco o tal do “cornowagen”.

    • Paulo Belfort

      Mais um exemplo de preconceito infundado.

      Era como os sedãs e peruas de 4 portas nos anos 70/80/90, que diziam ser de taxista…
      Há uns anos atrás, o mesmo preconceito com como motores com cabeçote 16V e com turbo…

  • Piero Lourenço

    O Fusca do meu tio não tinha banco do passageiro… uma lata de tinta resolvia!!

  • Marcos Alvarenga

    Texto absolutamente necessário, MAO!

    Como é que deixamos esse mundo tão bom acabar? Hoje podemos até viver por mais tempo, ou melhor, existir por mais tempo sem viver.

    Faltou incluir na lista dirigir na velocidade intuitiva de uma estrada, sem ficar olhando o velocímetro.

  • Fórmula Finesse

    Sim, o cheiro do plástico, realmente dá para voltar no tempo e rememorar os bons tempos do chiqueirinho.

  • Decio Yoiti Fujita

    Bom dia, MAO. Parabéns pelo artigo. Creio que muitos, como eu, resgataram o passado que infelizmente não mais retornará. Muito feliz, todos os tópicos! Só gostaria de lembrar dos Jeeps e da Rural Willys de direções duras e “canelas” secas. Que saudade!!

  • Paulo Belfort

    Que texto maravilhoso, MAO.
    Não havia essa preocupação desenfreada com tudo.

    As pessoas eram menos chatas, menos ecochatas, menos “politicamente corretas”…

    Sinto falta desse tempo. hehe.
    Uma pena que meus filhos não crescerão as mesmas liberdades que tive.

  • Marcio

    Hoje em dia, qualquer tombo e a criança vai para o Einstein fazer tomografia computadorizada. Isso sem falar nos novos leites ultra-blaster-turbo que elas andam tomando. Tenho a impressão que os bebês de hoje em dia vão se tornar todos uns marombados. Também precisamos lembrar dos nossos queridos pediatras, nutricionistas, educadores e sei lá o quê, que volta e meia chegam com um novo livro dizendo que estávamos fazendo tudo errado. Aí olho para meus pais e fico admirado que eles não fizeram nada disso e estão hoje aí, com um probleminha ou outro, mas bem ativos e chegando perto dos 80 anos! O mundo está muito chato mesmo.

  • CorsarioViajante

    Não precisa ter saudade. É só ir ao interior ou às periferias onde estas práticas ainda são comuns, devido à falta de fiscalização. Aqui em Campinas canso de ver gente entulhada em caçamba, dirigindo sem cinto, com criança solta no carro, menor de idade dirigindo etc.
    Sinceramente, me desculpe, mas não curto esta visão nostálgica.

    • J Paulo

      Concordo em parte. Antigamente fazíamos essas coisas por prazer, por inocência, até por um gostinho de subversão. Nas periferias de hoje se faz por safadeza, por “afrontar a lei e os policia”

      • Lucas Cavalini

        Essa é boa. A classe média fazia por “gostinho de subversão” e a periferia faz por safadeza. Eu acho mais triste o que divide o muro dos “condomínios caríssimos” de classe média alta do que a preocupação com a preservação da vida (que não é recente, aliás).

      • Luciano S. J. Nepomuceno Jr.

        Muitos fazem isso na periferia por desconhecerem a legislação. Vivem num mundo quase que à parte do “ideal”. O lugar é composto por muitos que compram o carro para trabalhar, mas não têm dinheiro para tirar sua habilitação. Contudo, tenho quase certeza que você vai tentar refutar e dizer que a periferia não é composta apenas por pessoas que tem carro exclusivamente para trabalho. Calma, logo mais chego lá… Nesses lugares é fácil se deparar com a “máfia da autoescola”, ou seja, quem tem condições de comprar um carro e obter a habilitação, se depara com essa situação. O “belo” ensino que é passado aos motorista já não é dos melhores; nessas instituições corruptas ele é praticamente inexistente. Eis alguns motivos para a prática se manter nas “periferias de hoje”.

  • Danchio

    Caraca, que post MAO… Parabéns mesmo!!!

  • Cesar Mora

    Lembro da Quantum CG 89 que meu tio tinha, e o porta-malas parecia um latifúndio para eu e minhas primas…bons tempos sem essa histeria de hoje em dia…
    claro que podemos ter maior segurança, mas precisamos lembrar como é viver verdadeiramente, não podemos nos deixar levar pela corrente do medo…

  • Newton ( ArkAngel )

    Hahaha, maloqueirice é ótimo!

    Nos meus tempos de estudante, pegava a linha 856R, que fazia o trajeto Socorro–Lapa, e era sempre isso, se fosse esperar um ônibus vazio chegava atrasado no estágio.
    A água de São Paulo é ruim mesmo, mas pelo menos não mata…aliás, não confio que essas águas de garrafão de 20 litros são minerais de verdade.

    • Domingos

      Tem gosto de refrigerante ruim a água de São Paulo. Mas a sede acabava logo quando só tinha como beber ela, de tão ruim.

      Porém, tem lugar ainda pior!

  • Lucas Vieira

    MAO, teve uma propaganda do sistema FIEMG veículada na TV que mostrava exatamente isso! Vale a pena ser vista!

  • Sinatra

    Já fiz o 1, 2, 3, 6, 7, 9 e 10.
    Os números 7, 9 e 10 ainda faço com regularidade.

  • Rafael Ruivo

    Pedi ajuda a minha esposa para localizar o buggy, mas na verdade está ainda mais difícil – agora um dos meus olhos está inchado, quase fechando, e a tela do notebook está rachada…

  • Dieki

    O que eu gostava muito de fazer quando criança era passear no Puma GTS (ainda com as lanternas traseiras de Kombi) de um tio. Eu e meu primo íamos sentados sobre a capota baixada. Era a emoção suprema!

    E fiz dezenas de viagens na caçamba, principalmente em Pampas. Havia briga para ver quem ia na picape. Os menores iam sentados dentro da caçamba e os maiores nas bordas. lembro bem quando um outro tio comprou uma Saveiro. A reclamação foi geral, porque a borda era muito fina e ruim de sentar.

  • pkorn

    Meu filho às vezes tira o cinto e deita no banco traseiro, dorme gostoso, ou então fica olhando o céu e as árvores que passam, como eu fazia nas viagens com meus pais. Fico dividido, na dúvida entre permitir que ele sinta essa emoção, que por certo vai marcar sua infância positivamente ou proibir pensando na segurança, em que ele pode ser lançado em caso de acidente. Acabei usando um critério, que tem falhas mas é um compromisso entre viver e cuidar: em trechos perigosos, chuva, serra, etc. Ficar sentado e de cinto é obrigatório e inapelável. Em trechos bons, longas retas, estrada vazia, velocidade de cruzeiro, pode deitar, brincar, curtir ser criança no carro do pai.

    • Vinicius

      Andei muito no Fuca dos meus avós assim. Deitava no banco traseiro e ficava vendo as estrelas.

    • Nelson

      Só por curiosidade: agora que o tal cantor e sua namorada morreram por estar sem o cinto no banco de trás… você vai continuar fazendo o mesmo com seu filho?

      • Cid Mesquita

        Só por curiosidade: aumentou o perigo só porque morreu um cara e a namorada que a maioria nunca ouviu falar.
        O maior perigo creio foi um motorista cansado de pé embaixo com uma roda mal consertada.
        De tudo citado acima, só não caí da carroceria e creio que faltou muito mais, que eu ainda tenho nas minhas lembranças de infância que, diga-se de passagem, vai muito longe.

  • Jad Bal Ja

    E morriam muito mais….hahahah

  • Vinicius

    Não fui santo. Hoje, com a idade e experiência, sou mais cuidadoso. Mas nos idos de 1991, 1992, eu e mais nove pessoas demos uma volta por toda zona sul do Rio com um Fiat 147. Eu e meu amigo na “mala”, com as pernas para fora. Ninguém parou. rs.

  • Paulo César_PCB

    Viajei em férias inúmeras vezes meio em pé meio sentado no vão entre os bancos dianteiros do Fusca do meu pai. Viagens curtas, só 450 km (cada trecho), sendo somente o mais seguro até Limeira – SP onde era pista dupla, depois até Barretos – SP, pista simples e caminhão até dizer chega na pista, principalmente os de boi. Na Variant do meu tio, no “porta malas” traseiro, junto com minha prima, descendo a serra pela Anchieta, só tinha essa.
    Estou vivo e inteiro. As pessoas eram mais responsáveis e cuidadosas. Hoje tudo com mais segurança, porém com gente muito mais irresponsável circulando por aí, achando que é mais capaz e que está “super-seguro”. Proporcionalmente mortes mais violentas.
    Não se preocupem o mundo vai ficar cada vez mais sem graça e piorar bastante.

  • Orizon Jr

    É camaradas…

    O mundo politicamente correto é extremamente chato. Deixa as coisas pasteurizadas e elimina das conversas idéias legítimas, despidas de preconceito, mas controversas…

    Lendo esta reportagem, lembrei do programa LIMITE que passava na ESPN há poucos anos. Comentava-se sobre essas peripécias ditas aí em cima… A seguinte frase foi dita: “Eram outros tempos…” e então foi corrigida para… ” nâo eram outros tempos, era um outro planeta…”

    E eu concordo com ela. Esse planeta, onde eu andava no bagageiro da Brasília do meu avô, no chiqueirinho do Fusca do meu pai etc, já não existe mais.

    Forte abraço, meus amigos.

  • Vinicius

    Rapaz, tempo bom era o Leite tipo A, B ou C. O A tinha aquela nata!!!

    • Lorenzo Frigerio

      Na época do regime militar, o A sumiu dos mercados. Era mosca roxa. O “padrão” era o B. A qualidade dos produtos alimentícios em geral melhorou bem a partir dos anos 80.

      • Lorenzo,
        É fato conhecido aqui que não tenho nada contra o regime militar 1964-1985, mas os militares cometeram três erros graves: 1) criação do Proálcool, criar um combustível para substituir o que sobrava; 2) proibição das corridas de automóveis em 1976 cujos efeitos são sentidos até hoje, corridas viraram vilão; 3) A lei de reserva de informática. Essa do leite A eu não me lembro ou não percebi.

        • Domingos

          Essa lei da informática foi um tiro tão grande no pé que durante uns 10 anos depois da abertura de mercado perdemos incontáveis impostos para o mercado paralelo.

          Além de ser tudo injustificavelmente caro, ilegalizou empregos e empresas importantíssimos e deixou de recolher impostos para dar aos negócios extremamente sujos do Paraguai.

          Quem mexeu com a área conta histórias horríveis de lá, como uma peça dar defeito no mesmo dia e os lojões de lá recusarem a troca às vezes já no dia seguinte da compra.

          Foi bem coisa de país perdido. Levou uns 15 anos para tudo se normalizar e se não fosse o plano real ter trazido legalmente para cá muitas fabricantes de computador ainda nos anos 90, computador seria artigo de luxo até hoje.

      • Domingos

        E agora voltou a piorar. Pode comprar o leite mais caro que tem que tem gostinho de água com cal.

        Aliás, tem sido assim também com doces e bolachas em geral. Acho que estão querendo compensar as menores vendas e maiores dificuldades do pré-crise.

    • vstrabello

      E era de saquinho!! Todo dia de manhã passava o padeiro com sua Kombi corujinha, na casa da minha avó, com aquela buzina manual (estilo peitinho haha)e dentro da kombi tinham cestos cheias de pães.

  • Uber

    É raro, hoje em dia, um exemplo é a R. Pedro de Toledo quando cruza com a Av. Ibirapuera, em São Paulo, capital. O lado par é assim, quem vem pela avenida tem de prestar atenção para não entrar nela na contramão.

  • Lorenzo Frigerio

    Acho triste ver uma família no restaurante no fim de semana… os filhos todos com a cara no celular, e os pais, entediados. Naquele que provavelmente é o único momento em que estarão todos juntos na semana para conviver e conversar.

    • Domingos

      No grosso, relacionamento acabou há uns 10 anos.

      O interesse entre os casais mesmo, entre homem e mulher (nem falo dos filhos), é mais para uma conveniência ou imagem.

      O desinteresse é enorme, declarado mesmo. Por isso se apoiam tanto em distrações como as redes sociais.

      Porém, calma lá. A sementinha disso daí já veio dos anos 70/80, em que começou a cultura de ode à safadeza no Brasil e outras partes do mundo.

      Não tem como num ambiente que tudo é promiscuidade ter relacionamento sério por mais de alguns meses.

      Agora é plantar o colhido. O pouco que sobrar vai ter que se esforçar muito, caso contrário nos caminhamos para a situação do primeiro mundo em que nem mesmo teremos índices saudáveis de reprodução.

  • Domingos
    Bebo água da torneira (de São Paulo) há décadas, problema nenhum. Mesmo agora, pois aqui em Moema a água vem da represa Guaramiranga, não da Cantareira. Quanto a “viajar na porta”, a minha glória de adolescente era andar no estribo do bonde e quando ele estivesse nos “nove pontos” (no talo), acender um cigarro com o Zippo…

    • Domingos

      Muito rebelde, Bob :). Sobre a parte da água, mais o gosto que é ruim mesmo – ao menos se tomar direto, sem filtro de qualquer tipo.

      Quanto à saúde, tecnicamente todas são potáveis. Porém não confio na constância do tratamento, com alguns médicos dizendo também que vez ou outra alguns pacientes sofrem problemas que não deveriam ao tomar água potável da torneira (ou seja, em algum momento ela não foi exatamente potável).

      Tem a questão dos níveis de cloro e fluor muito altos também. Chega a pesar no estômago.

      Não sei como é a água de outras regiões de São Paulo, mas mesmo nos anos 90 a da Cantareira já era assim.

      Em lugares com água calcária (parte da europa por exemplo), é quase imperativo ter um bom filtro ou comprar água mineral.

      O gosto é muito ruim e o calcário seca absolutamente tudo, inclusive os lábios e a boca.

  • marcus lahoz

    Muito bom, excelente!

  • Cadu Viterbo

    Sensacional MAO!!!
    Eu, quando criança, já viajei com mais 3 pequenos, num Fiorino Baú. Meu pai improvisou uma travessa de madeira entre as torres da suspensão (quase uma barra anti-torção) e suspendeu as bagagens. Fomos deitados num colchonete aprontando todas!

  • Danniel

    Não tenho muita idade (29), mas acho que aprontei boas.. vamos lá..

    Teto solar: Nunca tivemos, mas aos 5 anos um primo do meu pai falou que eu poderia andar de pé no XR3 conversível que ele tinha na praia. Não o fiz por vergonha de botar os pés em cima do banco;

    Dirigir no colo do pai: várias vezes, voltando da chácara domingo à noite. Com 11 anos já dirigia a D20 dentro da fazenda;

    Chiqueirinho: Lembro de pelo menos uma para o Paraná, a bordo de um Del Rey Belina Azul, à Alcool, com um colchãozinho no porta-malas.

    Andar na caçamba: Essa era a regra, chegou na porteira da fazenda eu pulava na caçamba (e ainda pedia para passar de pé embaixo nas poças de lama). Chegava à sede da fazenda todo sujo. Também chegamos a fazer Brasíllia-Guarapari apenas protegidos pela capota de fibra, respirando fumaça de diesel e escutando o diferencial roncar. Uma vez a camionete atropelou uma cerca que não era para estar lá, me machuquei um pouco mas sem sequelas graves.

    Sem cinto: sentava no meio do banco traseiro do monza, e como este era automático, fingia que os dois fechos dos cintos da frente eram o acelerador e o freio.. “Pai, vamos até 160??” e ele socava o pé também..

    No Buggy lembro de ter andado sentado na tampa do motor, em Natal, 2002. Com emoção!

  • Pedro Bachir

    Fantástico!

  • Gustavo França

    Lembro de várias histórias nesse sentido… desde o meu irmão tampando o olho da minha mãe dirigindo (perguntando adivinha quem é? no alto dos seus 4 anos de idade em um Landau), aprendendo a dirigir numa Caravan no Guarujá, andando lá na caçamba de uma Fiorino, voltando do colégio na mesma Caravan, 7 moleques brigando pelo banco da frente e aos mais novos sobrava o porta-malas, voltar do sítio no Karmann-Ghia do meu pai, eu, meu tio (1,90 m), meu avô e meu irmão… até mais recentes como quando indo jogar bola no Ipiranga,na volta só um carro e 9 jogadores do time… todos num Clio. Ah e só como adendo carona peguei pouco pela minha idade, mas peguei, em Floripa. Feliz foi meu pai que com 18 anos foi de São Paulo até Montevidéu de carona… dormindo em garagens, escolas e até na casa do cônsul uruguaio em Porto….

  • Bera Silva

    Neste texto tem muita sabedoria escrita…
    Nascí em 85 e sempre andava no banco da frente com meu pai. Ele nunca deixou eu andar no banco de trás se estivéssemos só nós dois. Na cidade também nunca exigiu cinto, só me obrigava a usar quando estávamos na estrada. Para a faixa peitoral do cinto não passar no meu pescoço, sempre tinha uma almofada no carro que me deixava mais alto. Quando vendeu o Escort e ficou só com a Fiorino, a velha almofada servia para eu sentar entre os bancos, já que minha mãe sentava no lado do passageiro. Pra viajar, o cinto dela extendia e me laçava. Em Peruíbe dirigia no colo dele e andávamos na caçamba. Eu era uma criança um pouco chata, do tipo de querer fazer tudo certinho, e mesmo hoje ainda sou assim. Depois de grande, lendo e aprendendo sobre o fenômeno do politicamente correto e sobre a luta indíviduo x Estado (obrigado Olavo de Carvalho et al), me permito certas coisas como andar na cidade sem o bendito cinto. Dentre as coisas que o MAO escreveu, digo que sobre o imponderável, toda noite antes de dormir agradeço à Deus por estar vivo, afinal, estou longe controlar meu destino… Muitas coisas são perigosas? Sim. Mas é preciso viver. É preciso chegar perto do penhasco para ver o qual pequeno e insignificante nós somos. Um dias eu chego lá. Um dia eu venço meus medos.

  • Roger Pellegrini

    Parabéns pelo texto! Raros são os jornalistas/blogueiros que atualmente têm uma visão mais “wide” sobre a situação atual do mundo e, ao mesmo tempo, lançam seu olhar experiente para os tempos idos, em que as coisas simples como um mero passeio de carro com a família, realmente importavam.
    Onde as pessoas se divertiam muito mais, sem bugigangas eletrônicas que hoje, irônica e paradoxalmente, mais as afastam do que aproximam — basta observar como se comportam como autômatos nos restaurantes e locais públicos: todos com seus mega smartphones a tira-colo a tudo fotografar e digitar…. Cadê o velho e bom bate-papo? Cadê o almoço de domingo, mesa cheia e todos conversando? Hoje temos uma legião dos sem-paciência: tudo para eles parece “so boring”, tedioso, posto que não tiveram aquele tipo de vivência desde a mais tenra idade.
    Dizem que o melhor tempo é o agora. Mas sinto sim — e muita — falta dos tais velhos tempos. E, mesmo estando próximo dos quarenta, considero-me de certa forma privilegiado por ter tido em minha infância e adolescência, momentos despretensiosos, memoráveis e deliciosos como os citados em vossa matéria.

    • Roger Pellegrini,
      Tudo isso o que você disse, mais curtir um final de almoço com amigos ou família, ou algumas horas de bate-papo com amigos descontraído tomando um bom chope, nos dois casos nos deleitando com um cigarrinho…Isso acabou, por conta de um patrulhamento infernal patrocinado pelo narcotráfico – e que está comendo solto – pela indústria farmacêutica – quem fuma pega menos resfriado e gripe. Parei de ir a choperias e restaurantes, estes só em último caso.

  • Rafa Mussi

    Incrível tudo isso, não é mesmo? No alto de meus 25 anos posso afirmar ter cometido quase todas estas “irresponsabilidades”, narradas pelo MAO. Em janeiro de 1994 saímos de Ipameri, interior de Goiás, e partimos, em férias, rumo a João Pessoa/PB, parando pelas cidades do litoral. Eu (4 anos), meu irmão (2 anos) e nossos pais. Não me lembro de ter usado cinto de segurança em nenhum trecho da viagem. Cadeira de segurança para crianças, nunca utilizei. Fomos e voltamos, sem percalços, naquele Ford Corcel II LDO 1.6 ,à alcool, ano 1986. Logo após, meu pai adquiriu uma VW Parati 1.6, também à alcool, novinha… Quantas vezes fomos visitar a família, ora em Goiânia/GO, ou a Uberlândia/MG, deitados sobre um colchonete naquele porta-malas, que se tornava imenso após rebatidos os bancos traseiros. Outras vezes, já driblando a fiscalização, viajávamos, lá pelos idos de 1998, deitados no furgão de um Fiorino. Alí, sim, um “apartamento”. Incontáveis, também, as idas pra fazenda “tripulando” a carroceria das caminhonetes…Isso, até bem pouco tempo, 2005, talvez. No interior, onde, até bem pouco tempo, inexistiam barreiras policiais entre municípios, ainda se observava algumas destas irregularidades. Além disso, aprender começar a dirigir aos 12/13 anos, não tem preço. Andar “de lado” em nosso Fusquinha 1977, aproveitando os paralelepípedos recentemente molhados pela chuva, era o máximo. Hoje, até o calçamento de pedra foi substituído pelo asfalto, monótono. Tudo tem, ou teve, seu tempo. Bons tempos aqueles.