CICLOFAIXAS DA INSANIDADE E OUTRAS DA PREFEITURA DE SÃO PAULO


Sete de Abril

Rua Sete de Abril, em São Paulo, 14 horas de uma quinta-feira, “podofaixa” em atividade

Ontem a Nora Gonzalez abordou na coluna dela a questão das ciclofaixas e deu um bom exemplo da falta de um mínimo de bom senso por parte da administração (petista) de São Paulo ao construir uma ciclofaixa na rua Coronel Xavier de Toledo, no centro velho, e passando um ponto de táxi para o meio da rua.

 

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Ponto de táxi no meio da rua (foto Nora Gonzalez)

A foto que abre esta matéria foi feita por mim há poucos dias quando precisei ir ao centro. É a rua Sete de Abril, perpendicular à citada Cel. Xavier de Toledo. Era por volta de 14 horas. A “ciclofaixa” virou uma “pedofaixa” apesar de haver calçada de largura regulamentar. E a “pedofaixa” acabou com o estacionamento no lado esquerdo da rua de mão única, onde até vaga para idoso havia (utilizei-a há cerca de dois anos).

Tem mesmo que ser um imbecil completo, no exemplo mostrado na foto da Nora,  para fazer um passageiro embarcar ou desembarcar de um táxi tendo que atravessar a ciclofaixa em vez de calçada–táxi ou vice-versa. Ou no caso da rua Sete de Abril, o táxi parar na única faixa de rolamento que sobrou, interrompendo o tráfego, para embarque o desembarque.

Este é apenas um entre centenas (ou milhares) de situações que a tresloucada Companhia de (Anti-) Engenharia de Tráfego, pior agora sob administração dos petistas Fernando Haddad e Jilmar Tatto (secretário Municipal de Transportes), está importunando e infernizando a vida dos paulistanos ou de quem nos visita.

A questão dos limites de velocidade, então, nem se fala. Dirigir nesta cidade (e em outras que estão seguindo nesta linha de metástese do mal) se tornou um inferno com a redução e variação de velocidade, fazendo do ato normal que é conduzir um automóvel um verdadeiro inferno. As velocidades-limite mudam silenciosamente, da noite para o dia, com o objetivo inegável da lavrar multas por “excesso de velocidade”. Às vezes tão rápido que chega a haver contradição de sinalização. Não dá tempo, ou “dá um trabalho danado”.

Caso dessa sinalização dúbia na rua onde moro, em Moema. É incrível mas está lá para quem quiser ver. fica praticamente na esquina com a avenida Ibirapuera.

 

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E agora, qual obedecer, a marcação no asfalto ou a placa? (foto do autor)

Isso sem contar os critérios de estabelecer limite de velocidade completamente irreais, como neste caso. Experimente o leitor rodar a 30 km/h nessa via (av. Jamaris) e verá que é uma piada de mau gosto, além de desnecessário para a segurança, inclusive de pedestres. Fica-se então naquela de controlar sinalização, existência de detectores de velocidade (“pardais”) e velocímetro, variando permanentemente o ponto da visão,  o que fere o mais elementar princípio de segurança ao dirigir.

Como moro na região, sei que atropelamentos por ali são muito raros, o que contraria a necessidade de velocidade tão baixa. Aliás, qualquer hora dessas, novamente na calada da noite, instalam um “pardal” nesta rua, pois como se sabe a arrecadação com multas está no orçamento da prefeitura de São Paulo e certamente de outras.

O que é mais intrigante é um assunto que interessa a todos, inclusive pedestres, trânsito, ser tratado com tanto desleixo, não importa o tamanho da cidade. Eu já disse aqui várias vezes que quando se roda num país avançado logo se nota que este assunto é tratado com total seriedade, nada de improvisos ou medidas erradas.

Um bom exemplo grave erro da CET está nas ciclofaixas dominicais. Quando o sinal fecha uma bandeirola é exibida para os ciclistas com a imagem da placa de parada obrigatória (“Pare”). Ora, essa placa significa pare, olhe e reinicie a marcha, jamais tem a função de um sinal luminoso (semáforo). Então a entidade responsável pelo trânsito de São Paulo está ensinando errado o significado de uma importante placa de regulamentação, a R-1.

 

Pare ciclofaixa

Aplicação errada da placa “Pare” (foto vadebike.org)

Em vez da imagem da placa “Pare” deveria ser exibida a de um semáforo vermelho, verdadeiramente ensinando a população que passeia de bicicleta, que inclui crianças, uma noção básica de trânsito.

Esses são apenas alguns exemplos do desmando do trânsito de uma cidade de 11 milhões da habitantes e, pior, que se espalha velozmente pelo país afora.

BS

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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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