Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas 7 para 1, jogo do Brasil? Não, cabines de pedágio e faixas de rolamento – Autoentusiastas

7 para 1, jogo do Brasil? Não, cabines de pedágio e faixas de rolamento

 

Young woman driving car

Minha família diz que eu sempre tenho dificuldades com Ciências Exatas, mas o problema é que a maioria deles é oriunda dessa área, logo, a barra de comparação é muito elevada. Não tenho o dom de entender logo de cara algumas coisas e me esforço muito para acreditar que uma parede não cai quando eu a empurro porque tem uma força igual e contrária agindo. Para mim é porque o tijolo é maciço, resistente mesmo e a argamassa é do caramba. Mas fora isso, decoro e aceito as leis da Física.

Uma delas diz que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Bingo. Com a explicação de Arquimedes e da banheira tudo ficou mais fácil, mas basta olhar para o trânsito que se entende perfeitamente este princípio. Daí a minha dificuldade em compreender algumas coisas que dizem respeito à engenharia de trânsito.

Viajo bastante de carro e especialmente nas estradas de São Paulo, onde há pedágios por todo lado. Poderia discutir horas a fio se eles são justos, se o valor deveria ser esse e outras tantas coisas, mas vou me fixar apenas em uma. Alguém achou que uma estrada como a Castello Branco, que tem três faixas em cada sentido, poderia ter 21 cabines de pedágio e a saída dos veículos delas daria certo? Óbvio que não, né? É sempre um furdúncio. Parte pode ser atribuída a motoristas desatentos ou que não utilizam os retrovisores como deveriam, mas em que dimensão paralela sete carros caberiam no lugar de um? Não nas que eu conheço, mas claro, sempre tive dificuldades com Física…

Não estou exagerando. A relação é essa mesma no km 20, 7 para 1, como se fosse o jogo Brasil x Alemanha, de tão triste lembrança. Pesquisei bastante sobre o assunto e não encontrei outros países onde a proporção fosse tão desproporcional. Nem na Índia, onde o trânsito é sabidamente caótico e a quantidade de veículos gigantesca, encontrei exemplos assim. Em diversas cidades do mundo sequer há alargamento de pistas para abrigar as cabines de pedágio – na minha opinião, a melhor opção, pois não há afunilamentos nem riscos de acidentes. Mas claro que isso significa necessidade de uma cobrança mais ágil.

De qualquer forma, a questão de como cobrar deveria ser problema de quem recebe a concessão, e nunca dos usuários nem às custas de sua segurança. Como exemplo, na Argentina há uma cláusula nas concessões das rodovias que prevê que a partir do momento em que há cinco veículos numa cabine o pedágio tem de ser liberado. E funciona, mesmo. Já estive nessa situação e se os operadores não levantam imediatamente as cancelas os motoristas começam a buzinar e eles prontamente liberam a passagem. Simples assim, sem burocracia, sem papelada, automaticamente. Nada de pagar e depois aguardar um reembolso. E falamos aqui de América Latina e bem do nosso lado.

Em São Paulo é comum a Castello parar logo depois do pedágio do km 20 no sentido interior, deixando usuários dentro das cabines e em longas filas antes e depois delas. E aí a sensação de que se está pagando por um mau serviço é maior ainda. Pago para ficar parada?

 

No pedágio Nova Delhi-Gurgaon há aumento de faixas, mas não sete para um (googlr.com)

Pedágio em Houston, EUA: o mesmo número de cabines que de faixas (houstontomorrow.org)

Bonde – No Brasil chegaram a pensar em incluir algo parecido nas renovações das concessões, mas seria a partir de uma fila de 100 ou 200 metros. Mas que com sete vezes mais cabines do que faixas de rolamento seria bem difícil de acontecer – e, convenhamos fila de quinze, vinte carros é muita fila. Acho que deveria haver uma limitação quanto ao número de faixas a mais, que não deveria ser mais do que o dobro de pistas. E as concessionárias que dêem descontos para quem instala tag (por que não de graça?), cobrem de outras formas, sei lá. Eles é que devem apresentar uma solução para um problema que elas criam. Cabe ao poder público estabelecer critérios mínimos nas licitações e os interessados que resolvam a questão.

E aqui vai um exemplo de como isso é possível. Trabalhei como responsável pela área de Comunicação e Relações Públicas numa empresa que participou de uma concorrência para construir um sistema de bondes para Barcelona, uma cidade conhecida não apenas pela qualidade de vida e pela beleza (é linda, mesmo) mas também pela preocupação com a estética de uma forma em geral. Entre as exigências estava que o sistema deveria ser não poluente e de energia renovável, mas sem cabeamento aparente para não deixar a cidade feia ou poluída visualmente. O ganhador seria não somente quem apresentasse o menor preço, mas sim o melhor pacote, incluindo a solução para o problema dos cabos. A empresa em questão ganhou porque desenvolveu, especialmente para essa licitação, um sistema de eletrificação por trechos. Assim, o próprio veículo “avisa” e eletrifica um curto trecho à frente que depois da passagem do bonde é desligado. A alimentação se dá pelo chão, sem cabos horrorosos suspensos e que sempre desengancham. A prefeitura de Barcelona apenas fez a exigência e os interessados criaram soluções – que é como deve ser. Até porque na teoria são os fabricantes aqueles que têm as melhores condições de achar soluções e não o poder público, a quem cabe administrar – bem, diga-se de passagem.

Mudando de assunto: recentemente o Bob Sharp escreveu uma linda matéria sobre sub e sobreesterçar e tocou no assunto de os carros “saírem de traseira”. Sempre impliquei com isso, mas aproveitei para rever a ultrapassagem de Nélson Piquet sobre Ayrton Senna na Hungria, em 1986. Na minha opinião, uma das melhores manobras que vi em todos os tipos de corrida que já assisti, em todos os tempos. Grandes pilotos os dois. Lembro que a Folha de S. Paulo fez no dia seguinte uma reportagem entrevistando uns professores de Física (da USP, se não me engano) e eles fizeram todos os cálculos de velocidade, força centrífuga e centrípeta, enfim, tudo. E era fisicamente impossível aquela ultrapassagem ter acontecido e o carro de Piquet continuar na pista. Adoro quando bons pilotos desafiam as leis da Física.

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

  • Christian Govastki

    Esta questão das filas nos pedágios há vários pontos a serem repensados:
    1 – Não adianta nada ter 200 cabines e só ter 10 cobradores.
    2 – É simplesmente ridículo ter que pagar para instalar e mais uma mensalidade para usar um sistema que facilita a cobrança para a concessionária.
    3 – Pedágios com valores quebrados (p.ex. R$ 7,20) que complicam o troco.
    4 – Cobrador lerdo e motorista idem…

    Precisa de mais:

  • CorsarioViajante

    Eu sempre me perguntei porque não “organizam” a saída do pedágio, como fazem em ruas quando uma pista vai acabar, com sinalização no chão indicando qual pista vai se fundir em qual. Não existe nenhuma orientação, e sempre fica uma bagunça imensa porque você não sabe se sua pista está preservada ou não.
    Quanto ao SemParar e cia., não podem ser gratuitos porque no Brasil se resolve um problema criando outro. As empresas que prestam este serviço não são as concessionárias da estrada, pois cada estrada pertence à uma concessionária diferente. Portanto precisam cobrar por seus serviços. Pior ainda, cada operadora usa uma tecnologia diferente, coisa que estão começando a uniformizar agora, tanto que cliente SemParar tem que ter dois tags grandes e feios contra o tag único bonito e bem acabado anterior. Vamos portanto à cronologia: o correto seria poder usar as estradas porque já paga imposto por elas. Isso não ocorre, e a solução foi empurrar elas para as concessionárias. Mas estas colocam trocentas cobranças de pedágios com filas e as agências reguladores não fazem nada. Solução não foi fiscalizar e obrigar a prestar melhor serviço, mas oferecer “paliativos” como SemParar “pagando por fora” e colocando mais um ente na jogada que precisa lucrar também. Um problema resolvido com outro.

    • Fabio Toledo

      Vai para a Conectcar… Mais barato, sem adesão e sem propaganda enganosa como a Sem Parar.

      • Domingos

        Mas funciona nas estradas que usam o Sem Parar?

        • Fabio Toledo

          Único lugar que não tinha e agora parece que já tem era na Dutra… Negócio é checar antes para ver se te atende.

      • marcus lahoz

        Comprei o ConectCar e me arrependi, não abre a cancela e ainda vieram multas dos pedágios. Nunca mais quero saber.

    • Marcos Namekata

      Com relação ao Sem Parar e cia., também tem as faixas exclusivas que normalmente ficam nas faixas da direita. Para caminhões, creio que seja o adequado, mas não para veículos de passeio, que tem que sair da faixa da esquerda, atravessar toda a pista, e sair para a esquerda após o pedágio, o que ajuda no caos pós-pedágio.

    • RoadV8Runner

      Eu já acho que a zorra começa antes, na chegada às praças de pedágio. Não raro, quando não conheço a estrada, fico caçando qual faixa devo seguir para não fazer meleca… Com o Sem Parar é ainda mais confuso, principalmente se uma das passagens está fechada. Na maioria das vezes, você só percebe que está indo para a cabine fechada quando o carro já apontou para a passagem. Será que é tão difícil assim pintar faixas de forma organizada?

      • Marcio

        Uma vez estava na fila caçando moedas para pagar o pedágio da Fernão Dias (R$1,40) e um espertalhão se enfiou na minha frente assim que o carro da frente andou. Se as armas fossem liberadas no Brasil, talvez eu tivesse feito besteira, porque ele ainda ficou brigando comigo, dizendo que eu demorei para seguir o carro da frente, e que eu deveria tomar naquele lugar. E não estávamos nem no afunilamento, pois as filas já estavam formadas. Nessas horas penso que o que o governo ou as concessionárias de rodovias fazem é só um reflexo do que o brasileiro é…

  • Paulo Roberto de Miguel

    Já pensei muito sobre o que você abordou neste texto. A bagunça é muito grande com o alargamento e posterior estreitamento das faixas. Até pequenas perturbações atrapalham o tráfego, que dirá uma dessa proporção. E o raciocínio sobre o poder público fazer exigências e as empresas se esforçarem para cumpri-las é totalmente coerente. Infelizmente, as licitações são viciadas e visam favorecer as empresas e não o público. Nesse sentido, a inversão é tão grande e praticada há tanto tempo que as pessoas nem se dão conta mais do quanto são lesadas.

  • Roberto

    Aqui no Brasil também existe alguns contratos de concessão que obrigam a liberação da cancela se a fila atingir um determinado tamanho. Até acho que esta desproporção entre o número de cabines e faixas deve ter sido criada em parte para contornar o que diz alguns contratos de concessão, ou seja, para que não se forme muita fila antes do pedágio. Inclusive estas concessionárias deveriam pintar faixas indicando a distância máxima de cobrança. Mas como no Brasil não existe fiscalização, nem liberação de cancela e nem pintura de faixas indicativas são realizados.

  • Mr. Car

    E isto não se dá somente nos pedágios. Vá até uma agência dos correios: dez “cabines”, e três atendentes. Aí, vem a pergunta: qual a razão de montarem uma agência com espaço físico para instalar dez “cabines” de atendimento, se só vão usar três? Resposta: alugar (ou comprar) um espaço para dez caixas fica mais caro, montar dez “cabines” de atendimento fica mais caro e… claro, alguém está levando uma porcentagem por fora sobre o valor desta obra, afinal, aqui é Brasil.

    • CorsarioViajante

      Fazem por isso porque o movimento muda muito. Por exemplo, em horários mais tranqüilos, podem estar apenas com metade dos caixas abertas. Em horários de mais movimento, podem funcionar todas. Em supermercados é bem normal ver isso.
      O problema real, aqui, é que sempre, sempre, SEMPRE abrem o número de cabines considerando “normal” você ficar atrás de no mínimo uma ou duas pessoas na fila, quando o normal deveria ser receber atendimento imediato.

  • Totiy Coutinho

    Já questionei isso diversas vezes e da nova Dutra obtive a resposta definitiva , a rodovia é privada e portanto a prestação e cobrança dos serviços por ela prestados obedece critérios por ela estabelecidos cabendo ao usuário apenas pagar pelo excelente serviço que é prestado!

    • RoadV8Runner

      Arrogância 7 x 1 Respeito ao usuário…

  • Christian Bernert

    Olá Nora. Concordo que a proporção 7 X 1 é muito ruim. Mas lembrei desta que dá quase isto. Ficou no 6,5 X 1. É na Itália, próximo a Milão. Note que são 13 faixas que se resumem em 2 após o pedágio no sentido sul.

  • Arthur Santos

    Complicado é na Rodovia dos Imigrantes, em feriado prolongado uma viagem que me tomaria duas horas e meia (Campinas–Guarujá), demora entre oito e nove horas, em grande parte devido ao pedágio..

    O pior é que sequer existe um caminho alternativo, mesmo que seja mais longo ou algo do tipo. Deveria existir uma lei, a qual obrigue a que o mesmo exista, como ocorre em outros lugares, não cerceando o direito de ir-e-vir garantido constitucionalmente. Daí o usuário que queira um caminho mais curto, confortável e seguro pagaria o pedágio.

  • Marcelo R.

    Nora,

    Concordo com sua opinião sobre essa ultrapassagem do Piquet. Foi uma manobra fantástica!

    Sobre o texto referente aos pedágios, não sei se choro ou dou risada, principalmente sobre o “causo” de Barcelona…

    • Nora Gonzalez

      Marcelo R., foi somente na terceira vez que estive cara a cara com o Piquet que consegui falar para ele que aquela manobra foi o máximo e para mim das melhores da F1 de todos os tempos. Ganhei um beijo e um abraço inesquecíveis. Devia ter dito isso nas outras duas ocasiões também!

  • Diogo

    A ideia de liberar a passagem a partir de uma determinada extensão de fila é muito boa, nunca havia pensado nisso. Mas pelo menos em São Paulo nunca será implementada, pois nos feriados simplesmente não haveria cobrança devido aos congestionamentos monstruosos. Mesmo que a relação de faixas fosse de 20 x 1 ainda assim haveria filas imensas.

  • Oli

    Interessante. Já viajei muito por São Paulo e nunca pensei (e ainda não penso) que ter várias cabines é um problema. Nunca tive problema nenhum em voltar para as duas faixas após o fim do pedágio, pois nunca saem todos os carros das cabines ao mesmo tempo.

  • Eles instalam muito mais cabines de cobrança porque o povo é burro. É tonto mesmo. Ficam viajando na maionese até chegar a vez deles de pagar o pedágio. E os outros que esperem.

  • Fat Jack

    Certamente não é devido a preocupação com o trânsito da via, mas algo que eu posso afirmar com certeza é que a grande maioria dos “motoristas” brasileiros não dão a menor importância para manter a fluidez no trânsito (desde que claro, quem esteja restringindo a fluidez seja ele).
    E um ótimo exemplo disso é o que se vê nas praças de pedágio: o fulano (ou fulana, costumeiramente pior, haja visto haver uma bolsa em questão) chega, aguarda impaciente os carros a frente fazerem o pagamento, chegada a sua vez, para o carro, e só aí vai buscar a carteira, procurar trocados, vasculhar moedas e etc… para depois entregar dinheiro para o atendente (o mais engraçado é que o tipo em questão via de regra sai da praça de pedágio acelerando tudo e mais um pouco…).
    Seria algo assim tão difícil ou absurdo separar o valor enquanto aguarda os carros a frente fazerem o pagamento? (confesso que sequer faço parte deste segundo time, costumo ter sempre o dinheiro do pedágio no para-sol do carro).
    Mas infelizmente organização, educação e disciplina não fazem parte da rotina (não só automobilística) de grande parte dos “cidadãos” brasileiros.

    • RoadV8Runner

      Essa do cabra pegar o dinheiro somente na hora que pára na cabine dá vontade de descer do carro e sentar a mão no nó cego. Haja falta de massa cinzenta!

      • Fat Jack

        “…massa cinzenta…” taí um opcional cada vez menos utilizados pelos motoristas atualmente (acho que tá “fora de moda”)…

        • János Márkus

          É que usar o cérebro, nos tempos atuais, está ficando politicamente incorreto.

          • Fat Jack

            Lamentavelmente correto, acaba sendo chamado de chato, crítico, “crica” e outros não publicáveis…

  • Leonardo Mendes

    Isso me lembra a agência bancária em que tenho conta… são 15 guichês disponíveis e só 3 ou 4 funcionários, mesmo nos horários de pico.

    Deixei de passar apuro com pedágio quando aderi ao Sem Parar… mas, em contrapartida, adquiri outro: carro colado na minha traseira querendo aproveitar a liberação da cancela.

    • RoadV8Runner

      Para esses espertalhões eu tenho uma técnica que raramente falha (se você estiver em um carro com mais potência, que retome velocidade rápido): reduzo a velocidade para uns 20 km/h e tenho o cuidado de engatar a primeira marcha o mais suavemente possível, para não dar pinta da manobra; tão logo a cancela se abra por completo, dou uma patada no acelerador e o carro dispara, sem que o de trás espere a manobra e perca preciosos segundos para reagir. Certa vez um Astra deu com o pára-brisa na cancela, pois foi tentar me acompanhar e a cancela fechou em cima do carro. Cuidados: quando tinha meu Caravan 6 cilindros, na acelerada forte a traseira dançou bonito para a esquerda e quase ralo na mureta de proteção…

  • Lucas dos Santos

    Exatamente. É como no supermercado onde trabalhei.

    Lá havia 28 caixas, porém, durante a semana, somente 20 abriam, pois considerava-se suficiente para dar conta do movimento. Só se via os 28 caixas funcionando simultaneamente às sextas-feiras e aos sábados, das 10h30 às 19h50, que era quando havia mais movimento.

    Aos domingos, apenas 14 desses caixas funcionavam, sendo que, das 9h às 10h e das 16h às 20h, apenas 7 permaneciam abertos.

    • Nora Gonzalez

      Lucas dos Santos, Corsário Viajante, Cristian Govatski, Mr. Car. Voltarei ao assunto pois a tese não é minha, mas é fartamente explicável e tem uma lógica cristalina. Toda vez que se planeja pela média, metade do tempo as coisas não dão certo e a demora é grande. Planejamento tem de ser pelo pico – mas aí dá trabalho e custa mais.

  • Cláudio P

    Nora, esse tema (muito interessante, por sinal) me trouxe uma lembrança curiosa. No início dos anos 80 o DERSA criou um sistema de cobrança rápia de pedágio para evitar as famosas filas no sistema Anchieta/Imigrantes. Eram vendidas fichas de pedágio, se não me engano em agências bancárias ou correios, e nas praças de pedágio havia duas cabines específicas (na Imigrantes eram as da esquerda), sem cobradores. Jogava-se as fichas numa “bacia” ou um grande funil de metal, e a cancela se abria. Pode-se dizer que foi um precursor do Sem Parar, embora tivesse que parar rapidamente, ou seja, quase sem parar (rsrsr). Lembro que meu pai sempre comprava as fichas, que eram de metal e tinham inclusive o logo do DERSA, e eramos quase sempre os únicos a usar o sistema em nossas muitas idas ao litoral. Ouvi dizer que existiu em outras praças, também, mas o sistema durou pouco. Isso mostra o quanto o problema é antigo.

    • RoadV8Runner

      Essas fichas eram vendidas no posto de combustível que existe um pouco antes do pedágio. O sistema durou tão pouco que eu me lembro de meu pai ter usado uma única vez… Esse sistema de fichas também existia (ou ainda existe) nos EUA. Tem até um filme em que é feito uma piada com o sistema, quando um carro passa rápido pelo pedágio e arranca a cancela, mas alguém no carro tem o cuidado de jogar as fichas no funil! Não consigo lembrar que filme é…

  • Perdoem a insistência em assunto tão ( mal ) debatido…Os pedágios em nossa pobre terra mater já começam de maneira muito mal cheirosa ( privadas… ) ou operados de forma relapsa pelo poder poder público, onde não há nenhum controle não raro até com a quantia arrecadada ( aqui no RS, na RS 122, controlada pelo estado, além do desvio de arrecadação por uma parte dos funcionários ( muitíssimos! ) responsáveis, as verbas raramente retornam para a manutenção da estrada ( deveria ter sido guardada para a duplicação do trecho em mais extensões….) Infelizmente, NADA gerido pela classe despreparada que é escolhida por “indicação” partidária a partir da divisão do “butin” político partidária gera fatos de elogios sinceros…Então, infelizmente, seremos sempre ponto de referência negativa em termos de gerenciamento público das nossas rodovias…Exemplo incontestável: O ministério dos transportes é o numero um em preferência dos rapineiros de plantão…E também o campeão em falcatruas nunca esclarecidas! O atual ministro, Eliseu Padilha, carinhosamente chamado aqui no sul pelos partidos de oposição de Eliseu “Quadrilha” (Inclusive pela senhora que nos governa! ) que o diga… Lamentável! E, a massa ignara e analfabeta funcional finge que está tudo bem…

    • Roberto

      No RS, mais vergonhosa que a RS 122, é a RS 040. A rodovia, além de ser de pista simples (apesar de todo o movimento para o litoral), é uma porcaria. Mas apesar de tudo isso, tem lá um pedágio da empresa do estado. É escancarado o fato que é um pedágio colocado praticamente só para arrecadar.

  • ochateador

    Tem de passar a 40KM/h no máximo não ?
    Passe a 30KM/h e ainda de uma pisada no freio para assustar o povo 😛

  • braulio

    Nora, você tocou num dos meus assuntos favoritos: Ação e reação. A reação do tijolo não é ficar parado. é ser empurrado. Para que ele fique parado, deve surgir uma outra força (que pode ser chamada de elástica, se quiser dar-lhe um nome), exercida pela argamassa da parede, que mantém ela no lugar. Em sistemas que não são estáticos, como a respiração de uma pessoa, o par de ação-reação continua sendo válido: A ação é sugar o ar e a reação é que o ar é sugado. O jogador age sobre a bola, a bola reage sobre o pé. Newton formulou esse princípio baseado em outros dois, defendidos por Galileu:
    – Diversos referenciais podem descrever o mesmo movimento sem que um deles seja “melhor” que os outros;
    – Num sistema isolado, independente das forças internas atuantes, a quantidade de movimento (somatória dos produtos das massas de todos objetos por suas respectivas velocidades) deverá permanecer a mesma.

    • Nora Gonzalez

      braulio, xii! agora é que você me complicou de vez…brincadeira, Física, ao contrário de muitas outras coisas, é pura lógica com um mínimo de decoreba. Obrigada pelo detalhamento.

  • RoadV8Runner

    Vivemos em uma terra onde a opção escolhida para resolver todas as questões é aquela que exija o menor esforço. No caso dos pedágios, e se houver risco aos usuários? Ora, azar o deles, depois do primeiro acidente (ou quase acidente…) eles aprendem a andar direito… Caso das cancelas no sistema Sem Parar. Existe coisa mais idiota do que isso, que já ceifou várias vidas, sendo que existem câmeras que fotografam e identificam caracteres das placas a anos? Se alguém furar o pedágio, sem ter o sistema Sem Parar ou semelhante, pela placa envia-se a cobrança pelo correio ao espertalhão e notifica-se a Polícia Rodoviária para expedir a multa por evasão de pedágio. Aliás, eu multiplicaria por dez o valor da multa para evasão de pedágio, além de classificar como infração gravíssima, visto que isso é a mesma coisa que roubo. Bastaria uma única furadinha de pedágio para o cabra aprender a lição…

  • Victor H
    Esse é exatamente o motivo de eu ter jurado para mim mesmo nunca mais ir a restaurante por “quilo”: o sujeito, ao chegar a vez dele, pensa: agora é a minha vez e vou ficar aqui o tempo que eu quiser, escolhendo. Prato na mão, escolhe l-e-n-t-a-m-e-n-t-e do que se servir.

  • Roberto

    Pois é, eu não entendo esta gente. Preferem arriscar tomar uma multa ou até se matarem, tudo pra economizar alguns trocados…

  • János Márkus

    Pegar o dinheiro que está na carteira dentro de uma bolsinha que está dentro de uma pasta que está no banco traseiro… Quem anda de ônibus vê isso sempre.

    • Nora Gonzalez

      Fat Jack, RoadV8Runner, János Márkus, comportamento horroroso esse. E quando as moedas caem e o (a, quase sempre, infelizmente) motorista acende a luz interna? Aí pode desligar o motor que vai demorar mesmo.

  • Fabio Toledo

    Multas? Não procede, eles não podem te multar se você possuir um sistema de cobrança automática! E o problema não é da Conectcar, já sofri com isso também… Agora me explica, por que somente em algumas praças de pedágio isso acontecia? Bandeirantes, CasteLlo, tudo funcionando perfeitamente! Aí chegava numa certa praça do Rodoanel e tocava a tal sirene… Desculpe-me, mas o problema não era meu! Levava a porcaria da cancela no pára-brisa e ia embora sem dar satisfação!!! Como muitos caminhoneiros assim fazem… E nunca fui multado, já tem um tempo que não tenho problema! Agora se você não tiver crédito no seu pré-pago não vai abrir mesmo!