TOYOTA ETIOS PLATINUM, NO USO



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O Toyota Etios tem várias características realmente boas, louváveis, desejáveis. Por outro lado, tem algumas, poucas, que desagradam e mereciam ser resolvidas, mesmo porque me parecem de fácil solução e capazes de produzir sensíveis resultados.

Vamos às boas. Este Platinum, versão topo de linha introduzida há um ano — cujas exclusividades são a central multimídia com navegador, câmera de ré, TV, DVD e Bluetooth, além de bancos em couro —, vem com o motor mais forte da linha, o de 1,5 litro, utilizado também no XS e no XLS  (o do modelo básico X é de 1,3 litro), com bloco e cabeçote de alumínio, dois comandos de válvulas, 4 válvulas por cilindro, 96,5 cv a 5.600 rpm quando com álcool e 92 cv, à mesma rotação, com gasolina. Sua potência específica é modesta, 64,5 cv/l, porém é de impressionar o quão elástico ele é. O torque máximo é de 13,9 m·kgf a 3.100 rpm, com álcool ou gasolina.

Funciona liso e silencioso — em alta vem um animado ronco de motor valente —, e mesmo em giro bem baixo, ao redor de 1.200 rpm, em 5ª marcha e no plano, pode-se acelerar que ele não reclama pedindo marcha mais baixa; encara a situação com naturalidade e trata de ganhar velocidade seja lá em que marcha estiver. E assim ele requer poucas mudanças de marcha ao rodar na cidade e mesmo na estrada. E tem toda essa elasticidade sem recorrer à sofisticação de comandos de válvulas de fase variável ou coletor de admissão de dois comprimentos.

 

Bastante área envidraçada,boa visibilidade

Bastante área envidraçada,boa visibilidade

Na estrada, com giro ao redor do torque máximo, responde com vigor e o pequeno hatch dispara com gosto para uma ultrapassagem rápida. Corta a 6.000 rpm (na verdade, parece 6.100 rpm, pois, como veremos adiante, o conta-giros não mostra com exatidão a rotação). Nessas aceleradas a fundo a sensação que fica é que o corte poderia ser 300 rpm ou 400 rpm acima, já que ele ocorre quando o motor ainda está produzindo boa potência.  O motor, por suas características, aparentemente foi projetado objetivando alta durabilidade, baixo consumo, vigor e elasticidade.

 

O motor é um de seus pontos altos

O motor1,5-l é um de pontos altos do Etios

Boa característica também é a sua rapidez em levantar o giro ao mais leve toque no acelerador. Isso é ótimo para fazermos o punta-tacco, que assim pode ser feito com precisão e rapidez. O pedal do freio poderia estar mais perto do acelerador, facilitaria o punta-tacco, que até dá para fazer, mas não com a facilidade ideal.

O trambulador do câmbio é simplesmente excelente: curso curto, leve, preciso, rápido. A alavanca de câmbio está bem posicionada. Não é preciso afastar as costas do encosto para acioná-la.

A ergonomia é ótima. Bom banco, bem projetado. O volante só tem regulagem de altura, porém está na distância certa e sua pega é perfeita. O banco tem regulagem de altura. O console central não invade nosso espaço, não nos tolhe o movimento, a perna direita pode “cair” naturalmente para a direita em posição relaxada, ideal para guiar, ao menos é do jeito que gosto.

O banco traseiro é dos mais espaçosos e confortáveis da categoria. Dois adultos vão muito bem e até três é possível. O Etios é bem largo, 1.695 mm.

Tem ótima visibilidade, grandes retrovisores, o painel é baixo, o que forma um ambiente panorâmico e agradável. O limpador de pára-brisa é um só, mas com braço pantográfico, o que resulta em grande área de varredura, além de ser bem rápido na segunda velocidade. Nesta versão há repetidoras das luzes direcionais nos espelhos.

 

A versão Platinum só tem em cores prata ou preto

A versão Platinum só vem em cores prata ou preto

A fábrica divulga 11,1 segundos para o 0-a-100 km/h quando com álcool, o que é suficientemente rápido. A velocidade máxima não é informada, mas estimo ser um pouco acima de 180 km/h em 5ª marcha.

A suspensão macia proporciona bom isolamento do piso ruim. Boa, no ponto, e silenciosa. O carro é bom de chão, principalmente nas curvas de baixa, que começa sem exagero de saída de frente e logo apóia bem a traseira. Já nas de alta ele não está entre os cinco melhores do segmento, mas nada que o comprometa, pois quando digo curva de alta é de alta mesmo. Pessoalmente, eu gostaria que sua altura de rodagem fosse menor, já que assim ele ficaria ainda melhor de chão, porém sei que o consumidor médio brasileiro não se apercebe desses refinamentos e gosta dele assim e que salte lânguido como uma gazela por cima das nossas infinitas e estúpidas lombadas. Já o caro leitor autoentusiasta é um caso à parte e exige mais que a média — eu sei, e é para você que escrevo. Pneus, 185/60R15 Pirelli Cinturato P1.

Tem boa estabilidade direcional e a calibração da direção eletroassistida é adequada para as várias velocidades. Agrada, particularmente na cidade, o pequeno diâmetro mínimo de curva de apenas 9,6 metros.

 

Notar o maço de cigarros sobre o pneu traseiro, o que evidencia estar um pouco alto

Notar o maço de cigarros sobre o pneu traseiro, o que evidencia estar um pouco alto

O motor é tão provocante que com pouca coisa se faria uma versão esportivada do modelo, incluindo a suspensão com o acerto condizente. É uma pena que hoje, no Brasil, quando se fala em “esportivo” as pessoas logo pensem num “utilitário esportivo”. Enquanto nós aqui pensamos num atleta corredor, o mercado pensa num peão de galochas.

Bom, tendo visto as qualidades que o tornam atraente, vamos ao que, a meu ver, lhe falta.

Não sou contra novidades; ao contrário, o que é bom é bem-vindo, mas colocar os instrumentos no centro do painel não traz vantagem alguma para o motorista e muito menos para o fabricante, pois esse controvertido painel sabidamente tem espantado alguns possíveis compradores. Primeiro, para visualizá-lo o motorista acaba por tirar a atenção do que vai adiante, e isso não é nada bom. Segundo, ele é confuso, colorido feito um show de Las Vegas, cheio de riscas, e isso dificulta a leitura. Some-se a má localização com a má leitura e isso resulta em tempo excessivo sem atenção na estrada. Terceiro: ele precisa ser iluminado durante o dia para que possa ser lido, o que não é incomum, já que muitos outros também o são, mas ao menos os outros diminuem a intensidade da luz ao se acender lanternas ou faróis, e este não, então à noite fica aquele tremenda fonte de luz atrapalhando, principalmente ao se pegar a estrada à noite.

 

Creio que já não há mais controvérsia a respeito dos mostradores

Creio que já não há mais controvérsia a respeito do quadro de instrumentos

Em recente encontro com altos executivos da Toyota, o Bob lhes deu uma idéia, excelente a meu ver, que resolveria o problema: que os instrumentos fiquem onde estão, já que seria oneroso mudar o painel inteiro, mas que ao menos os troquem por digitais, o que daria boa leitura, a exemplo do Citroën C4 Picasso; fora que hoje em dia os instrumentos digitais custam menos que os analógicos. Com instrumentos digitais não se tem imprecisão de leitura devido à paralaxe, como citei acima na visualização da rotação de corte.

A ancoragem dos cintos de segurança nas colunas bem poderia ter regulagem de altura. O isolamento acústico não é dos melhores. Na estrada o carro não é dos mais silenciosos do segmento. Sua transmissão está algo curta para a destacada elasticidade do motor. Não é só a 5ª marcha que está curta — nela, a 120 km/h o giro fica em 3.450 rpm —, todas estão. Essa relação está própria para o motor de 1,3 litro, de menos potência e torque (os câmbios são exatamente iguais para os dois motores),  e este 1,5-l ficaria bem mais agradável e econômico com uma quinta mais longa, já que ela é plena (à velocidade máxima o motor está próximo da rotação-pico). Seria o caso de alongar as marchas da segunda à quinta para que se tornasse um câmbio 4+E. Motor, repito, para isso tem. E não é nada complicado (e caro) haver jogo de engrenagens específico para cada motor.

O veículo não tem computador de bordo, inconcebível hoje, principalmente para um hatch compacto cujo preço público  sugerido é R$ 51.540. Por não ter o útil equipamento não posso dizer com precisão quais médias de consumo obteve. Apenas me pareceu econômico, principalmente na cidade, onde a elasticidade do motor induz a se rodar em giro baixo. No Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular registrou 12,4 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada, com gasolina e 8,5 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada, com álcool, mas comigo ele gastou uns 10% menos.

 

Um carro que agrada no dia-a-dia, pois é leve e ágil

Um carro que agrada no dia-a-dia, pois é leve e ágil

O porta-malas não tem iluminação, deveria ter, pois à noite fica difícil ajeitar a bagagem no seu pequeno espaço de 270 litros de volume.

Bem, a conclusão a que chego é com a qual comecei: é um bom hatch, a marca já fez seu nome, que inspira confiança ao comprador, e só falta mudarem alguns pequenos detalhes, não onerosos, para que o conjunto agrade plenamente. A concorrência no segmento está acirrada e o Etios merece que a Toyota lhe dê o pouco que lhe falta.

AK

Fotos: autor

 

FICHA TÉCNICA TOYOTA ETIOS PLATINUM 2015
MOTOR
Tipo 4 cilindros em linha, duplo comando de válvulas, corrente, 4 válvulas por cilindro, atuação direta sem compensação hidráulica de folga, bloco e cabeçote de alumínio; instalação transversal, flex
Cilindrada 1.496 cm³
Diâmetro e curso 72,5 x 90,6 mm
Taxa de compressão 12,1:1
Potência 92 cv (G), 96,5 cv (A), a 5.600 rpm
Rotação de corte 6.000 rpm
Torque 13,9 m·kgf a 3.100 rpm (G e A)
Formação de mistura Injeção eletrônica seqüencial no duto
TRANSMISSÃO
Embreagem Monodisco a seco, comando mecânico (cabo)
Câmbio Transeixo dianteiro de 5 marchas manuais, tração dianteira
Relações das marchas 1ª 3,545:1; 2ª 1,913:1; 3ª 1,310:1; 4ª 0,973:1; 5ª 0,804:1; ré 3,214:1
Relação do diferencial 3,944:1
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço triangular inferior, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Diâmetro mínimo de giro 9,6 metros
FREIOS
Dianteiros A disco ventilado
Traseiros A tambor
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio, 5,5J x 15
Pneus 185/60R15T
DIMENSÕES
Comprimento 3.777
Largura 1.695
Altura 1.510
Distância entre eixos 2.460
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, hatchback, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro
AERODINÂMICA
Cx 0,33
Área frontal (calculada) 2.04 m²
Cx x área frontal 0,673 m²
PESOS E CAPACIDADES
Peso em ordem de marcha 945 kg
Porta-malas 270 litros
Tanque de combustível 45 litros
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h 11,5 s (G), 11,1 s (A)
Velocidade máxima (est) 185 km/h
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 5ª 34,8 km/h
Rotação a 120 km/h em 5ª 3.450 rpm
Rotação em vel. máxima, 5ª 5.300 rpm
GARANTIA 3 anos ou 100.000 km
Troca de óleo 10.000 km ou 1 ano
Revisões 10.000 km

 

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