TESTE DE 30 DIAS: VOLKSWAGEN JETTA HIGHLINE 2,0 TSI (PARTE 4 / COM VÍDEO)

Roberto Agresti

 

TESTE DE 30 DIAS
VOLKSWAGEN JETTA HIGHLINE 2,0 TSI
23 DIAS

 

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Esta semana que precede nossa despedida do Volkswagen Jetta Highline 2,0 TSI foi intensa, e já avisamos, será triste dizer adeus à ele. A razão é óbvia: quanto mais rodamos com o sedã made in Mexico, mais percebemos os “OLÉ” que ele dá nas mais diversas utilizações a que o submetemos, trabalhando com desenvoltura e prazer.

 

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Nestes dias conseguimos praticamente duplicar a quilometragem no hodômetro realizando duas viagens, a primeira delas nossa clássica visita ao litoral norte com carro cheio e porta-malas idem, a outra mais curta, com carro vazio, rumo àquela que é uma espécie de pista de testes do Ae, o tortuoso trecho de asfalto conhecido como Estrada dos Romeiros onde encontramos nosso parceiro Paulo Keller para fazer o vídeo que acompanha este relato.

 

Frenagem do Jetta: ABS bem ajustado e discos ventilados

Frenagem do Jetta: freios potentes e ABS bem calibrado

Nas curvinhas apertadas da estradinha o Jetta nos divertiu, e como. Se na semana passada, no traçado do Velo Città, as limitações de um carro “de rua” usado em pista ficaram evidentes, na Estrada dos Romeiros ele transpirou a esportividade que a Volkswagen usa na propaganda. Afundar o pé nas saídas de curva emociona verdadeiramente e a sensação ao volante é de um carro “na mão”. Ele não rola quase nada e a direção permite apontá-lo para onde se quer de modo preciso. A frenagem é potente e a intervenção do ABS só ocorre se houver algum exagero por parte de quem guia ou se o piso não oferecer aderência normal.

Mas, a quem interessa essa análise de um uso extremo do Jetta? Aos bem poucos que valorizam dotes esportivos e assim, considerando exaurido o julgamento sob esta ótica — não sem antes exaltar, mais uma vez, o ótimo funcionamento do câmbio DSG de seis marchas que raramente exige alguma ação nas borboletas ou alavanca – vamos passar ao mais prosaico mas necessário relato da viagem de fim de semana com a família.

 

O Jetta oferece um compartimento de bagagem profundo.

O Jetta oferece um compartimento de bagagem profundo

Como sempre, a receita de quatro adultos e porta-malas cheio, como sempre o destino no litoral paulista e, como sempre, uma tocada bem pacata na ida, descendo a serra, e mais apressadinha na volta, subindo. Como já afirmamos, tal roteiro é um velho conhecido de quase quarenta anos e, portanto, oferece os parâmetros preciosos para avaliar um carro e compará-lo a outros.

Destaque do Jetta nessa viagem? Fácil: o conforto associado ao motor exuberante, a enorme tranqüilidade de ter sob o pé direito um vigor incomum que, em parceria com um câmbio robotizado perfeito, oferece prazer e segurança.

 

Modo “auto” do interruptor de luzes ajuda em condições adversas

Com o ar-condicionado bi-zona registrado em 21 ºC e o termômetro do ar externo situado no retângulo central do painel de instrumento mostrando temperaturas entre 21 e 17 ºC encaramos uma viagem de 200 quilômetros com um pouco de tudo em termos de clima. Choveu forte, garoou, fez sol e, no final, veio a noite. Ao motorista restou o prazer de controlar os muitos automatismos. Os faróis que se acendem assim que escurece, o limpador de pára-brisa que prontamente detecta os pingos, o controlador automático de velocidade… quanto conforto!

E na hora de parar o carro, sensores na dianteira e traseira acompanhados de sinais sonoros e imagem na tela do meio do painel. Estacionou? Basta bater as portas e, mantendo um dedo encostado na maçaneta, vidros e teto solar se fecham, portas travam e o alarme é inserido. Tudo fácil, rápido, simples.

 

Automatismos não faltam. Acima o controlador de velocidade.

Automatismos. como controlador de velocidade (em primeiro plano) não faltam

Aos passageiros foi pedido um parecer sobre a vida a bordo nas três horas de viagem. Um deles, de 1,9 m de altura, viajou confortavelmente atrás de quem dirigia, que tem pouco mais de 1,8 m. As senhoras preferiram elogiar o couro creme do revestimento e os bons espaços nas laterais de porta.

Na chegada ao litoral, um trecho de estrada de calçamento precário seguida por algumas centenas de metros de terra confirmou o que já havíamos percebido nas lombadas e valetas paulistanas: o Jetta é alto, não toca o solo nem mesmo com carga máxima. Apenas a ponteira dupla de escape por vezes raspa levemente no chão em entrada de garagens muito pronunciadas. Outro ponto positivo da viagem foi verificar a excelência da iluminação oferecida pelos faróis bixenônio que, ao contrário dos do Renault Fluence, jamais exigiram o uso do facho alto.

 

Porta-objetos nas poprtas de bom tamanho agradam passageiros

Porta-objetos nas portas de bom tamanho agradam passageiros

O uso praiano do Jetta pediu cuidados uma vez que o tempo chuvoso e os oito pés dos ocupantes poderiam causar um desastre no belo carpete creme. O lado ruim do interior claro é esse, mas uma simples caixa de papelão resultou em quatro pedaços de providenciais “tapetinhos”, e nenhum vestígio de lama ofendeu a beleza da forração interna.

E já que estamos falando de sujeira, ponto também para essa cor azul Silk, que diferentemente de tons muito escuros ou muito claros, tem o dom de disfarçar a sujeira. Outro aspecto explorado pela vida na praia foi verificar na prática a utilidade da abertura no encosto do banco traseiro, que serviu para acomodar o remo de uma prancha de stand-up de modo excelente (na Europa muitos carros têm esse recurso para transportar esquis de neve).

 

Utilidade da abertura no encosto do assento traseiro comprovada

Utilidade da abertura no encosto do assento traseiro comprovada

E com relação ao consumo, o que “disse” o computador de bordo na chegada? Ótimos 12,8 km/l, marca idêntica à obtida com o Renault Fluence para trajeto igual. Já na volta, serra acima, explorar o acelerador e as trocas manuais no câmbio rendeu uma marca de 9,3 km/l em ritmo de viagem bem mais apressado, marcas que consideramos plenamente adequadas. Outro aspecto muito positivo vem da honestidade das informações do computador de bordo: a comparação entre o dado de consumo mostrado no painel e aquele obtido pela conta na ponta do lápis vem mostrando, desde o início da avaliação, diferenças desprezíveis.

Ótimo ter verificado, também, que a indicação de autonomia não te abandona: na chegada a SP a luz alerta acompanhada de sinal sonoro indicando o baixo nível de combustível nos avisou que era o caso de visitar um posto. Observamos então que a autonomia restante mostrava 40 km. Rodamos 38 antes de chegar à bomba que colocou 54,4 litros em um tanque cuja capacidade é de 55 litros… Precisão germânica!

 

Indicacão do registro para o controle de pressnao dos pneus é útil, mas houve um mau funcionamento

Indicação do registro para o controle de pressão dos pneus é útil, mas houve um mau funcionamento

Todavia, uma outra indicação se mostrou menos precisa, pois um alerta de pressão de pneus incorreta surgiu no painel e a verificação mostrou que esta sinalização não era fiel, pois todos eles estavam com a pressão adequada. O que houve? Não temos idéia. Necessário dizer que no Jetta este dispositivo que controla a pressão demanda ajuste através de um botão situado no porta-luvas. Basta pressioná-lo por dois segundos para o registro da medida. Desde o início da avaliação realizamos este procedimento duas vezes.

 

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E agora, o que falta fazer com o Jetta? Rodar seus derradeiros dias do teste em cidade é o plano, e no programa também está a tradicional visita à oficina, para observar as entranhas deste Volkswagen. Na sexta que vem, o relato de encerramento. Até lá.

 

 

VOLKSWAGEN JETTA HIGHLINE 2,0 TSI

DIAS: 23
DISTÂNCIA TOTAL: 1.778,8 km
DISTÂNCIA NA CIDADE: 951,8 km (53,5%)
DISTÂNCIA NA ESTRADA: 827,0 km (46,5%)
TEMPO AO VOLANTE: 56h27min
VELOCIDADE MÉDIA: 31,5 km/h
CONSUMO MÉDIO: 8,5 km/l
MELHOR MÉDIA: 13,6 km/l
PIOR MÉDIA: 3,8 km/l

RA

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