TESTE DE 30 DIAS: VOLKSWAGEN JETTA HIGHLINE 2,0 TSI (PARTE 2)

Roberto Agresti

 

TESTE DE 30 DIAS
VOLKSWAGEN  JETTA HIGHLINE 2,0 TSI
NOVE DIAS

 

 

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A semana inaugural com o Volkswagen Jetta Highline 2,0 TSI deu raiva. Raiva de não poder rodar com nosso novo “brinquedo” quilômetros gostosos, aqueles nos quais o prazer de dirigir se sobrepõe à necessidade do ir e vir. Mas a vida é como ela é, não como queremos, e assim os momentos de prazer ao volante ficaram nos planos futuros, mas o que este relato traz é a dura realidade paulistana, feita de muitos congestionamentos, como a média horária do período faz ver: apenas 20 km/h nos 256 km rodados em 12,5 horas de utilização.

Rodar pouco e de forma truncada é, porém, a realidade de muitos de nós e assim a experiência do período é preciosa para informar a quem usa o automóvel dessa maneira e vê no Jetta Highline um futuro habitante de sua garagem. Sendo assim, vamos ao fato principal: mesmo torturado no pára-e-anda da zona oeste paulistana, feita de pirambeiras de dar inveja a nepaleses, tristemente em evidência pelo terremoto, o sedã da Volkswagen fez bonito. Sua pior marca de consumo, 7,1 km/l para tais condições é elogiável. Como termo de comparação recente temos o Fluence avaliado no “Trinta Dias” anterior do Ae, que nesse cenário registrou menos de 6 km/l.

 

Câmbio DSG: passou a semana inteira em D...

Câmbio DSG: passou a semana inteira em D…

Nossa leitura sobre o consumo é que o Jetta, com o potente motor 2,0 TSI (codinome EA 888), faz pouca força para superar as ladeiras de nosso uso cotidiano. O torque máximo declarado de 28,6 m·kgf surge a mínimas 2.000 rpm, o que traduzido para o simples dirigir representa usar um fiozinho de acelerador para vencer inclusive os aclives mais brutais. Outro fator que ajuda ao nosso Jetta a ter pouca sede é certamente o câmbio DSG, genial, que jamais erra uma marcha. Chatos que somos, buscamos o passo em falso e não o achamos, e assim nos rendemos ao que se diz e se escreve nos quatro cantos do planeta e em várias línguas: a caixa robotizada de dupla embreagem, DSG, é o que há, e no Jetta seu acerto nos parece, por ora, impecável.

Suavidade ao subir ou reduzir marchas talvez seja o aspecto menos exaltante. Melhor é perceber que a comunhão entre o vigoroso motor e a transmissão torna de fato desnecessária qualquer intervenção por parte do motorista. Apesar de podermos usar as borboletas no volante a qualquer momento, apesar de haver na alavanca a posição “S” que dá ao motor a chance de explorar cada relação de marcha até uma rotação mais elevada, na nossa semana 100% urbana nem mesmo um arraigado amante das trocas de marcha como esse que vos escreve viu necessidade de agir.

 

Entre os dois instrumentos circulares, a marcha usada é indicada no canto superior direito: D1

Entre os dois instrumentos circulares, a marcha usada é indicada no canto superior direito: D1

Tal comentário dá a chance de falar sobre as o festival de informações que o fornido painel do Jetta nos passa, entre as quais a marcha que está sendo usada. A que mais vimos foi a 4ª e foi interessante notar que, na maiorias da saídas, a 1ª marcha é quase que imediatamente abandonada. Aliás, ela só aparece mesmo quando a saída se dá com o carro 100% imóvel, pois basta estar a nada por hora que o número no painel indica que é a 2ª a estar trabalhando. Nessa política de “fiozinho de acelerador” o ponteiro do conta-giros dificilmente ultrapassa a marca de 2.000~2.500 rpm.

 

Pneus Michelin em medida 225/45 R17 associados a suspensão firme faz alguns acharem o Jetta "duro".

Pneus Michelin em medida 225/45 R17 associados a suspensão firme faz alguns acharem o Jetta “duro”.

E quanto à rumorosidade? Nada. Vibrações? Nulas. Algum inconveniente? Não exatamente, mas é um fato irrefutável que o sedã este Volkswagen vindo do México tem suspensões firmes e que a parceria com os pneus Michelin Primacy HP 225/45 R17 resulta em uma “leitura” do pavimento que alguns poderão considerar excessiva ou desconfortável. Ao nosso ver o Jetta é correto nesse aspecto, uma vez que o animado motor oferece um desempenho que exige um ajuste capaz de oferecer a dirigibilidade adequada quando o ritmo de condução aumenta, não? E é essa oportunidade, a de levar o Jetta ao limite que esperamos se apresente o quanto antes…

 

O carpete claro assusta, mas em conjunto com o couro bege dos bancos torna o interior muito agradável

O carpete claro assusta, mas em conjunto com o couro bege dos bancos torna o interior muito agradável

Voltando à realidade notada no convívio urbano, impossível não mencionar o quanto a cor azul Silk e o interior bege causaram reações nada discretas. Do manobrista ao vizinho, passando pelo frentista, amigo, parente ou principalmente pelo motorista do carro ao lado, quase todos são flagrados em embevecida admiração. Nosso Jetta se mostra quase uma unanimidade já que a grande maioria gosta da incomum combinação azul-bege, extravagante até, apesar de que vários, em um claro acesso de praticidade, duvidam se teriam coragem de optar pelo interior bege. “Imagina para limpar isso?” ou “É lindo, mas lá em casa não podemos ter um carro assim….” ou “Tá louco? E quando eu for para a praia, como vai ser?”.

 

O teto solar, opcional, ajuda a dar luminosidade e deixar o ar-condicionado desligado

O teto solar, opcional, ajuda a dar luminosidade e deixar o ar-condicionado desligado

Resposta? O enorme prazer visual do interior deste Jetta decorre justamente da abençoada claridade. Se fosse um interior de couro preto com carpete idem, e a cor externa fosse prata, cinza ou preta, julgamos que para 90% das pessoas este carro passaria totalmente despercebido. Portanto, ceder à ditadura cromática do interior escuro eliminará trabalho (mas a sujeira estará ali…), permitirá um uso mais relax mas ao custo de não gozar do prazer deste luminoso interior, no qual o teto solar é um coadjuvante. E falando em teto, necessário dizer que nesta semana o ar-condicionado foi pouco ou nada usado, o que não só favoreceu o consumo contido como deu ao teto solar a chance de mostrar a validade de usá-lo levantado, o que nesses dias de outono paulistano, com temperaturas moderadas, faz com que a cabine permaneça arejada usando apenas o ventilador em baixa velocidade. Lembrando: o teto é um opcional mesmo no Jetta Highline e custa R$ 4.127.

 

Sensores de parachoques podem parecer uma solução "pobre"em tempos de proliferação das cameras de ré

Sensores de pára-choques podem parecer uma solução “pobre”em tempos de proliferação das câmeras de ré

Algo mais a destacar desta semana urbana? Talvez dizer que alguns gostariam de contar com uma câmera para fazer as manobras de estacionamento em marcha a ré, coisa que a Volkswagen não oferece para este modelo. Há, sim, sensores sonoros nos dois pára-choques, mas saber que mesmo modelos que custam bem menos do que os R$ 108.665 (R$ 14.675 de opcionais) de nosso Jetta Highline, têm câmera, pode frustrar alguns.

Para a semana, a intenção é usar o feriado do Dia do Trabalho para fazer o Jetta… trabalhar? Estão previstos bons quilômetros de estrada em uma viagem ao interior paulista e, se tudo der certo, uma surpresa incomum em nossas avaliações. Cruzem os dedos, pois se conseguirmos realizar nosso plano, o próximo relato será muito interessante. Até lá.

RA

 

VOLKSWAGEN JETTA HIGHLINE 2,0 TSI

DIAS: 9
QUILOMETRAGEM TOTAL: 352,8 km
DISTÂNCIA NA CIDADE: 346,8 km
DISTÂNCIA NA ESTRADA: 16,0 km
TEMPO AO VOLANTE: 18h17min
VELOCIDADE MÉDIA: 19,3 km/h
CONSUMO MÉDIO: 7,2 km/l
MELHOR MÉDIA: 7,3 km/l
PIOR MÉDIA: 7,2 km/l

 

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