O Mapa do Azerbaijão (foto  wikipedia.com)

Azerbaijão, novidade da F-1 para 2016 (Foto wikipedia.com)

Cada vez mais longe da Europa, a F-1 inicia domingo sua temporada no Velho Mundo com a disputa do GP da Espanha, em Barcelona. Num momento que até os magos do marketing esportivo cobram mudanças no sistema, equipe e pilotos vão dividir esforços entre o resultado na pista e as tratativas para 2016, que deve começar só em abril e inclui uma prova no Azerbaijão.

 

Tempos atrás um comercial mostrava um vendedor de cachorro-quente falando sobre a economia mundial e encerrava sua mensagem com um interrogativo “Sabe a Lapônia?” Veiculado hoje, esse bordão caberia como uma luva para comentar o calendário da F-1 para 2016: sabe o Azerbaijão? Pois é, a cidade de Baku (a maior do país) vai promover no dia 17 de julho o GP da Europa apesar de ficar na linha tênue entre o velho mundo e a Ásia e voltada ao mar Cáspio. Mas, money talks…

 

Barcelona, local dos testes da maioria das equipes (Foto Sahara Force India)

Barcelona, local dos testes da maioria das equipes (Foto Sahara Force India)

Em meio a uma saraivada de críticas que vem de todos os lados, o formato do calendário do ano que vem abre espaço para uma discussão que evoca única e exclusivamente a possibilidade aumentar o número de corridas nas temporadas de 2017 e 2018. Candidatos não faltam e há sugestões verdadeiramente esdrúxulas, como a possibilidade de uma corrida no Irã; uma terceira etapa no golfo árabe, porém, parece uma possibilidade bem mais plausível pelos óbvios petrodólares e a vaidade entre os poderosos locais.

A idéia subliminar em adiar o início do campeonato em um mês — o GP da Austrália deste ano foi no dia 15 de março e adiar o de 2016 está previsto para o dia 3 de abril —, é simples: mostrar que é possível reduzir o intervalo entre os GPs sem maior prejuízo para as equipe e toda a caravana que segue o circo mundo afora. O ato do esboço da temporada do ano que vem ter vazado para a imprensa nesta época do ano também sugere que o assunto tem muito a ver com aquilo que no Brasil chamamos de balão de ensaio. A última corrida da atual temporada será no dia 29 de novembro, em Abu Dhabi; ano que vem essa prova é prevista para o dia 27 do mesmo mês. E estamos falando de um calendário de 19 provas em 2015 e 21 em 2016. Além disso, a proximidade entre os GPs de Cingapura e Malásia (18 e 25 de setembro, respectivamente), sugere um processo de canibalização entre os dois eventos, que disputam o mesmo público.

 

Ecclestone e Tyrrell eram amigos próximos (Foto ESPNF1.com)

Ecclestone e Tyrrell eram amigos próximos (Foto ESPNF1.com)

Uma possibilidade ainda não comentada é algo que o saudoso Ken Tyrrell conversou comigo em uma bate-papo informal durante um jantar em seu motorhome: adotar um sistema em que as equipes não sejam obrigadas a participar de todas as corridas, mas sim de um número mínimo. Isso criaria condições especiais de negociação e traria mais despesas para os promotores de cada país. Em outras palavras, a conta não seria paga pela FOM ou qual seja a empresa da vez que gerencie os contratos com cada país. Tyrrell era partidário dessa idéia e muito amigo de Bernie Ecclestone. Quem sabe não chegou a hora de usar esse recurso para ganhar ainda mais dinheiro.

Falando em ganhar mais dinheiro, vale mencionar uma entrevista do estadunidense Zak Brown concedida a Alan Baldwin, da agência Reuters, na qual ele não escondeu suas opiniões sobre o estado atual da F-1.  O executivo de marketing que já foi cotado como possível sucessor de Ecclestone (se isto ainda significa algo, dada a longevidade do inglês…), declarou que a perda do GP da Alemanha deste ano não pegou bem com muitos de seus clientes e isso pode se agravar se Monza sair do calendário, algo cogitado há décadas mas até então apenas por movimentos ecológicos locais; desta vez o que está pegando é a ganância financeira.

 

Zak Brown, ao lado de Ron Dennis (Foto zakbrown.com)

Zak Brown (direita), ao lado de Ron Dennis (Foto zakbrown.com)

“Como explicar que há três corridas no Oriente Médio e nenhuma na Alemanha?”

Brown foi além e lembrou que McLaren, Sauber e Manor têm poucos ou nenhum patrocinador e que “orçamentos que variam entre US$200 milhões US$ 400 milhões são injustificáveis. Talvez esta declaração seja mais contundente e igualmente clara:

“O que eu vejo é público em queda, audiência de TV em queda, número de carros no grid em queda. Ou seja: os principais indicadores de performance estão todos em uma trajetória descendente…”

Essa entrevista, distribuída pela agência de notícias na última sexta-feira, certamente vai render muitas conversas, pautas e soluções mirabolantes no paddock de Barcelona, onde a categoria se reúne a partir de quinta-feira. Mais ainda: já é hora de começar a pensar em contatos e contratos para 2016, o que vai agregar um número significativo de empresários de pilotos e patrocinadores no paddock catalão, aumentando o ruído gerado pelas propostas e soluções mirabolantes para colocar a F-1 de volta nos eixos.

 

Valteri Bottas é a bola da vez (Foto Williams GP)

Valteri Bottas é a bola da vez (Foto Williams GP)

Como isso não é tarefa das mais fáceis, o prato do dia serão as novidades dos motorhomes suntuosos e as primeiras negociações de contrato para o ano que vem. A permanência de Lewis Hamilton e o futuro de Nico Rosberg na Mercedes são temas para liderar as paradas de sucesso. Hamilton poderia ir para a Ferrari — sonho de muitos —, o que daria sobre vida a Rosberg, cujo lugar tem Valteri Bottas como sério candidato; o atual companheiro de Felipe Massa também é cotado para substituir Kimi Räikkönen. O alemão Pascal Wehrlein (nova apost da M-B nos pilotos alemães) corre por fora nessa disputa, mas deve acabar mesmo com um estágio junto a uma das equipes que usam o motor Mercedes-Benz – Force India, Lotus e Williams.

 

A decisão de Kimi Raikkonen é o que destravar o mercado(Foto Ferrari Media)

A decisão de Kimi Räikkönen é o que deve  destravar o mercado(Foto Ferrari Media)

A permanência de Räikkönen na Ferrari — talvez mesmo na F-1 — é a chave para destravar o mercado de pilotos, onde Felipe Nasr parece conquistar seu espaço de maneira sólida, algo que não acontece com seu companheiro de equipe, Marcus Ericsson. Com resultados aparecendo, o banco da Sauber fica valorizado e pode atrair pilotos mais experientes e igualmente apoiados por bons patrocinadores. Na mais pequena das nanicas, a equipe Manor pode substituir Roberto Mehri após a corrida deste fim de semana: essa possibilidade foi admitida pelo próprio espanhol, que alfinetou o time ao revelar que o carro do seu companheiro de equipe, o inglês Will Stevens, recebe peças e equipamentos melhores. Não se deve esquecer que Mehri é cerca de 12 kg mais pesado, algo que na F-1 atual pode significar três a quatro décimos a mais por volta…

 

As datas de 2016

Veja aqui as data do calendário provável da F-1 para 2016

3 de abril: Austrália (Albert Park)
10 de abril: China (Xangai)
24 de abril: Bahrein (Sakhir)
1° de maio: Rússia (Sochi)
15 de maio: Espanha (Barcelona)
20 de maio: Mônaco (Monte Carlo)
12 de junho: Canadá (Montreal)
26 de junho: Inglaterra (Silverstone)
3 de julho: Áustria (Red Bull Ring)
17 de julho: Europe (Baku, Azerbaijão)
31 de julho: Alemanha (Hockenheim)
7 de agosto: Hungria (Hungaroring)
28 de agosto: Bélgica (Spa)
4 de setembro: Itália (Monza)
18 de setembro: Cingapura (Marina Bay)
25 de setembro: Malásia (Sepang)
9 de outobro: Japão (Suzuka)
23 de outubro: Estados Unidos (Austin)
30 de outubro: México (Cidade do México)
13 de novembro: Brasil (Interlagos)
27 de novembro: Abu Dhabi (Yas Marina)

 

Pizzonia vence na Europa

Antônio Pizzonia voltou a competir na Europa, desta vez na abertura da temporada de Auto GP, categoria que usa monopostos herdados da antiga A1 GP e tem organização comandada por Enzo Coloni, ex-piloto e construtor com passagem pela F-1. Com um segundo lugar na corrida 1 e a vitória na corrida 2, Pizzonia lidera o campeonato que prossegue dias 23 e 24 de maio, em Silverstone (Inglaterra). Veja o resultado completo da etapa clicando aqui e assista ao vídeo da prova neste link.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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