O TEMPRA QUE NUNCA TIVE – POR FRANCISCO A. NEVES – 24/05/15

Tempra

Dia desses lendo a seção “Histórias dos leitores”, mais precisamente a “O carro que nunca tive”, tive a gostosa sensação de déjà vu, de eu já vi essa história antes… Bem, aconteceu comigo. E o carro que nunca tive foi um Tempra Ouro 16V 1993.

Tudo começa em uma tarde de 1993. Eu era uma criança boba e inocente, como qualquer outra criança de 7/8 anos. Vivia literalmente no “Fantástico Mundo de Bobby”, um desenho animado que adorava assistir. Um dia meu pai chegou do trabalho com uma grande notícia: havia recebido um dinheiro, fruto de uma ação trabalhista, e junto com algumas de suas economias poderíamos realizar o nosso sonho familiar: comprar um carro zero-km!

Quando ele anunciou isso durante o jantar, pulamos todos de alegria! Imagine o orgulho de uma família “pobrinha”, hoje chamada de classe C, formada por pai, mãe e três filhos pequenos, comemorando junto o sonho de ter um carro!

Depois do anúncio eu já corri para o quarto, para minha coleção de revistas de automóveis para escolher o modelo. Entre várias matérias apresentadas, uma foto me chamou a atenção. Era Ayrton Senna, desfilando em um Fiat Tempra Ouro 16V após vencer em Interlagos. Emociono-me até hoje com a cena: Senna vence a corrida, mesmo com o câmbio travado em sexta marcha. O Hino da Vitória toca repetidamente na televisão e o Galvão Bueno vai à loucura. Depois o público invade a pista, cerca o carro do Ayrton. Todos querendo ver o brasileiro vencedor, o herói nacional. É socorrido pelo safety car e sai de lá sentado na janela do Tempra, agitando a bandeira do Brasil até chegar ao boxe e ao pódio.

 

Voltando a mim, convenci (mentira, insisti muito até ele falar que sim…) meu pai a irmos uma concessionária Fiat. E fomos.

Chegando na hoje extinta concessionária Fiat Cobrasa, eu já tinha me decidido. Eu iria comprar um Tempra! Logo na porta, já sai correndo e entrei num Tempra de exposição. Foi aí que reforcei a minha “decisão de compra”. Que carro lindo! Que bancos confortáveis! Olha esse painel! É 4-portas! Vou ter uma porta só para mim, eu pensava.

Meu pai foi negociar com o vendedor. De longe, de dentro da minha “nave espacial” chamada Tempra, vi que meu pai não fazia “caras” nada animadoras. Afinal, eram tempos difíceis, inflação altíssima, juros abusivos, pouco crédito no mercado. O dinheiro suado só daria pra comprar um Uno Mille 0-km ou no máximo um Prêmio ou Elba, porém usado. Nada de Tempra…

Meu pai me chamou para dar a triste notícia. Eu ainda tentei argumentar: — Pai, mas é o carro do Senna! Do Senna! Temos que ter o carro do Senna para eu desfilar com a bandeira do Brasil igual a ele!

O vendedor comprou a minha briga. Argumentou sobre o motor ser 16V, sobre o conforto, segurança para a família, ofereceu um consórcio, mas não teve jeito. Saímos de lá com um Uno Mille. Era mais seguro financeiramente, segundo o meu pai. Era preferível ter um carro quitado a se arriscar em dívidas naquele tempo economicamente louco, dizia.

O fato é fiquei uns dias com raiva do Uno. Me recusei a andar nele. Birrinha mesmo. Afinal, não era o meu Tempra. A birra só passou em um dia que minha mãe chega da banca com uma revista Caras. E nela uma foto do Senna dentro de um Uno que tinha dado de presente para a namorada Adriane Galisteu. Para mim foi a melhor descoberta do mundo: o Senna também andava de Uno! E claro que a birra passou na hora! Pois agora eu também tinha um carro igual ao que o Senna deu para a namorada dele! Hoje acho que isso foi uma providência divina: Deus viu meu descontentamento com o carro e deve ter influenciado meu ídolo infantil a dar um carro igual ao nosso (mesmo modelo, cor, frisos, final de placa) para que eu pudesse sentir orgulho do meu.

 

Senna e Adriana

Senna e Adriane no Uno Mille (ayrtonsennavive.blogspot.com)

A partir daquele dia eu sempre andava com a foto do Senna no Uno e mostrava a todos que meu carro era igual ao do campeão mundial. Chegou a tal ponto que meu pai a plastificou e deixou guardada no porta-luvas.

 

Uno

O Uno de Adriane Galisteu (flatout.com.br)

Bom, já o meu amor por Tempras continuou, pois sempre quando tínhamos que usar um táxi meu pai dava preferência pelos Fiat Tempra. Eram raros aqui em Belo Horizonte, mas bastava meu pai ligar para o Sr. Josias, um taxista amigo dele, que em minutos eu estava a bordo da minha nave espacial.

Dia desses, num almoço de família, lembrei dessa história com o meu pai. Entre risadas, fiquei imaginando como seria minha vida se eu tivesse um Tempra. Como seria desembarcar na porta da escola, chegando num Tempra? Será que eu deixaria meus coleguinhas com inveja? Como seriam as nossas viagens a Guarapari? E como seria minha adolescência? Será que eu teria mais namoradinhas se dirigisse um Tempra em vez do Uno? (rs)

Hoje, já crescido e com um pouco de responsabilidade, ficou pensando em comprar um Tempra 93 para matar minha vontade. Mas aí tem a eterna briga entre os dois lados, o emocional e o racional. Um fala: Para que gastar dinheiro com um carro velho que vale aí uns R$ 7.000, quando bem-conservado, e depois gastar mais dinheiro para reformá-lo, só pra realizar um sonho infantil? E o outro lado pensa: Vai lá! Realize o sonho! Libere a criança dentro de você e leve-a para brincar na nave espacial!

Sei não, mas acho que o lado emocional está falando mais alto. Acho que vai vencer a disputa…

FAN

Foto de abertura: bestcars.uol.con.br

ooooo

 



  • Mr. Car

    O sentimento do “carro que nunca tive” nos une. Bela história! Adorei a parte de “ter uma porta só para mim”, coisa bem de criança mesmo, he, he! E antes que terminasse de ler, já estava pensando: “agora, um Tempra está bem mais palpável, vou sugerir que ele compre um “. É isso, Francisco: compre um! Mas se puder, não compre qualquer um. Procure com calma e compre um que esteja impecável, nem que para isto tenha que gastar além do que se pede por um Tempra apenas em “bom estado para um carro de 22 anos”. Eles (os impecáveis) existem. Já vi alguns exemplares bem tentadores anunciados. Vá brincar com sua “nave”.
    Boa sorte!

  • Rafael Sumiya Tavares

    Curioso, muito legal! Comigo a história foi com o Marea. No Salão do automóvel de 1998, com 9 anos de idade eu me apaixonei por aquele carro, em 2004 meu tio comprou um usado modelo SX, adorei passear nele, mas nem tudo são flores, em 2010 minha irmã trocou o ótimo Fiat Tipo 1.6 num Marea 2.4 HLX, o ronco era maravilhoso, mas descobri que o Marea não era tudo isso, foi decepcionante. Visibilidade aquém, embreagem pesada, inúmeras falhas elétricas, faróis ruins, volante deslocado… enfim, eu amo o Marea para passear no banco traseiro!
    Obs: o Marea ainda está com minha irmã!

    • Francisco Assis Neves

      Rafael Sumiya Tavares, você falou em Marea, e eu lembrei aqui. O Marea Weekend Turbo também era meu sonho quando tinha 18 anos… Havia acabado de lançar o Velozes e Furiosos e eu recém-habilitado já idolatrava um carro turbo para sair apavorando por BH, hehehe. Mas (in)felizmente o Fiat Uno 1.0 me perseguia e continuou até hoje.

      • Rafael Sumiya Tavares

        Francisco Assis, em 2009 meu pai cogitou comprar uma Weekend Turbo com teto solar e air bags laterais, infelizmente ou felizmente não fechou negócio, por esse motivo eu pude comprar o meu outro sonho de criança em 2012, o belo Mitsubishi Galant que meu pai deu preferência na época! Hoje fazem duas semanas que o Galant foi vendido, um dos melhores carros que conheci sem dúvida.

        • Domingos

          Era manual o seu? Uma pena ter vendido!

  • WSR

    Francisco, também sonhei muito com o Tempra desde a primeira vez que vi a reportagem sobre ele na revista 4R. Juntei a pouca grana que recebia para a merenda na escola (fiquei dias filando o rango dos amigos, rs) e acabei comprando a revista que foi lida e relida dezenas de vezes. Sonhei por anos com o Tempra, mas nunca tive um. O Tempra dos meus sonhos era o verde metálico e, tempos depois, o sonho incluía colocar o painel da perua Tempra nele. Quem sabe algum dia… 🙂

    • Domingos

      O Tempra nessa cor ficava muito legal mesmo!

  • Renan Becker

    Vá, compre seu Tempra! Faça de seu sonho uma realidade, pois o que nos move e nos dá alegria de viver senão sonhar?

  • Joao Paulo Romero

    Minha história é semelhante. O ano era 1995, o Tempra era o Stile completo com ar digital, bancos em couro, computador de bordo. Eu com 15 anos sonhando com a “nave” mas meu pai também foi irredutível, comprou um Mille Electronic que eu adorava mas o sonho do Tempra não passava. Demorou até 2001 quando realizei parcialmente meu sonho quando meu pai comprou um Tempra i.e 95. A realização total do sonho foi em 2002 quando comprei um Stile 96 completo igual aos que entrei zero km em 95. Não perca tempo, realize seu sonho!

  • marcus lahoz

    Francisco

    Já tivemos 2 Tempras em casa, todos 16v. Um 95 ouro e outro HLX97. Vou te falar, ambos rodaram muito, o 97 ainda esta comigo (parado há 4 anos criando teia de aranha), mais de 200 mil km. É um carro fantástico, aprendi a usar bem o câmbio neles (vale lembrar que tenho 36 anos, então o Tempra fez parte da minha adolescência), sem cambiar o Tempra perde para 1,0; mas é muito mas muito bom de dirigir. Procure pelos 97/98 16v, o turbo é bom mas em geral muito destruído, o 8v é fraco não vale a pena. Pegue sem ar digital, pois dá problema, banco elétrico é fácil de arrumar. Todo Tempra dá problema de vazamento na caixa de direção, pegando o carro a primeira coisa a fazer é trocar correia dentada e tensores, além do óleo e filtro de combustível. Fique esperto com o motor do vidro elétrico do motorista, costuma dar problema. Evite o kit verão, só acaba com o carro. O Tempra trabalha a 97 graus como a maioria dos carros de hoje, mas a diferença é que ele marca de verdade os outros apenas enganam e ficam travados no meio. Revisar o sistema de arrefecimento é fácil e barato. Se for comprar procure muito e boa sorte.

    • Francisco Assis Neves

      Poxa Marcus Lahoz, com essas dicas todas ficou até fácil comprar um Tempra… Eu acho o HLX 97 o mais bonito Tempra fabricado. Estou pensando em comprar um. Desculpe-me a curiosidade, mas por que o seu está parado por tanto tempo?

      • marcus lahoz

        Fácil nada, hehe. No que eu puder de ajudar, basta perguntar; posso dizer que o Tempra me ajudou a conhecer mecânica (devo 70% do meu aprendizado prático a ele). O meu está parado, pois o custo de conserto é mais alto que o valor dele, não compensa mexer. E não se consegue vender.

        • Mineirim

          Marcos, pense no longo prazo. É um carro colecionável.

      • Nelson C

        Também acho o mais bonito de todos. Eu era um apaixonado pelo Tempra, e em 1997 meu pai comprou um HLX 16V verde metálico. Eu ficava horas na garagem admirando. Passava tardes dentro do carro, observando cada detalhe. Em 98 fiz 18 anos, tirei a CNH e ganhei um Ford Ka prata zerinho – bem bacana, e no tempo em que os Ford ainda eram bem acabados. Mas eu queria mesmo era dirigir o Tempra hehe. Pude fazê-lo algumas poucas vezes – meu pai não era muito acessível, por assim dizer. Na verdade o Tempra era fraco em baixas rotações, o câmbio não tinha encaixes precisos, a dirigibilidade deixava a desejar… mas a emoção que ele me despertava não tinha preço! Já tive carros muito melhores depois, tenho condições de comprar bons carros hoje, mas esse Tempra HLX 16V verde metálico vai ser eternamente o carro do meu coração.

    • Mineirim

      Marcus,
      O que era esse “kit verão”?

      • marcus lahoz

        Kit verão é o seguinte: o elemento retira a válvula termostática original (abre a 92 graus), coloca dentro da tubulação uma válvula de Corcel/Del Rey (abre a 82 graus), troca a cebolinha que aciona a ventoinha por uma de 86 graus (Gol quadrado gasolina). O motor trabalha na casa de 90 graus. Com isso ele gasta mais gasolina e não ganha nada, somente perde.

        Apenas para citar, rodei mais de 400 mi km com Tempras 16v e nunca ferveram.

        • KzR

          Essa história da válvula é bem antiga. Não duvido que haja quem invente de fazê-la hoje em dia, ou pior: retirá-la.
          Acham que é melhor trabalhar com motor frio e consumindo mais combustível. Oras, se o motor esquenta além da conta é porque há um problema no sistema de arrefecimento.

        • Mineirim

          Devia se chamar “kit gambiarra”. hehe

    • KzR

      Belas dicas. O 16V é bem legal, mas o modelo Turbo enche os olhos. O problema maior do Turbo é que certas peças de reposição para motor já são bem raras.

  • Francisco Assis Neves

    Primeiro, agradeço novamente ao Bob Sharp pela publicação da minha história.
    Sobre a realização dos meu sonho de infância:
    Tenho um filho que também está com 7/8 anos (a mesma idade que eu tinha em 93). Desde bebê ele já curte passear de carro e sempre me acompanha quando vou ao posto, a oficina fazer a manutenção do Xingu (meu Mille Way vermelho série Xingu). O programa favorito dele é ir ao MegaSpace, uma pista de arrancada perto de BH.
    Bom, pretendo comprar um Tempra 96 ou 97 e montar um projeto de restauração / personalização com meu filho. Um dia ainda gostaria de vê-lo sentar na janela (com total segurança para os chatos de plantão não implicarem comigo, hehehe) e balançar a bandeira do Brasil tal como meu sonho de infância.

  • Francisco Assis Neves

    Mr.Car, agradeço por ter me dado a inspiração para escrever a minha história. Acho que o sonho do “carro que nunca tive” cerca todos os autoentusiastas. Sempre temos aquele momento que aparece um carro bacana, sonhado por muito tempo mas que sempre há algo que nos impede de tê-los. É a nossa sina…

  • César

    Francisco. Linda história. Antes de mais nada, realize seu sonho, custe o que custar. Não esqueça jamais: a diferença entre meninos e homens é o preço de seus brinquedos.

    Meu pai comprou um, logo após ter recebido um valor que já considerava perdido. O Fiat tinha a missão de substituir um Opala 88 4 cilindros a álcool que tínhamos, um modelo que, me desculpem os fãs, nunca gostei. Mas o Tempra foi um carro que fez parte da minha adolescência (hoje tenho 37 anos). Assim, tive eu a oportunidade de ser deixado na porta da escola a bordo de um Tempra, porém ano 92 e de motor carburado (o que não muito tempo depois faria com que o sonho se transformasse num “pesadelo mecânico”, mas isso é outra história), naquele ano mesmo, em que o carro da Fiat foi o lançamento mais cobiçado entre os nacionais. A inveja dos colegas foi tanta, que uma menina insistiu tanto para andar de carona no Tempra, que se não tivessem deixado, teria desandado a chorar – detalhe: o pai dela tinha um Alfa 164, outro objeto de desejo no início dos anos 90 – aliás, o MEU desejo (que ainda pretendo realizar), porém a um preço que minha família jamais poderia alcançar.

    Posso dizer com segurança que nunca me senti à vontade com tamanha cobiça, mas o fato é que ganhei até um beijo da garota! Quem diria, o saudoso Tempra despertando paixões! Bons tempos.
    Naquele distante 1992, aqui na cidade do interior onde moro, os Tempras eram raros. Bem, o fato é que, depois de muitas idas e vindas às oficinas, o Tempra branco não demorou a ser substituído por um Omega usado. Este sim, com seu motor de 6 cilindros e um ronco grosso, um carro sensacional em qualidades mecânicas, embora não exibisse a mesma carroceria de linhas modernas do Tempra. Mas tinha teto solar elétrico, CD player (que à época arrancava suspiros) e um fabuloso painel digital.

    Mas também guardo com carinho as lembranças de outro carro que meu pai teve: um Escort XR3 conversível ano 1989, num belo tom de amarelo. Nos dias de verão, ele me levava à escola com a capota aberta, fazendo com que pescoços virassem…

    • Domingos

      Ninguém pediu para andar no XR3, a menina tinha um Alfa 164 mas no Tempra foi esse alvoroço todo?

      Olha, prefiro pensar que ela gostava de você na verdade.

      • WSR

        O marketing em cima do Tempra foi muito bom. “É tempo de Tempra”. 🙂

      • César

        Domingos. A garota continua sendo minha amiga, embora tenha se casado com outro.
        Mas o Tempra foi um frenesi só. Uma febre.
        Não sei que idade você tem, mas se tem mais de 30 anos, deve lembrar de outra febre dos anos 90, a famosa “rede Amway”, um negócio milagroso com o qual muita gente acreditava enriquecer do dia para a noite. Gente que conheci porque meus pais também se renderam a esse milagre.
        Pois bem, aqui na cidade onde moro essa rede era forte. Teve alguns sujeitos que ganharam grana de verdade (depois perderam tudo, mas aí é outro capítulo).
        Pois a primeira coisa que os sujeitos faziam era comprar um carro zero-quilômetro. Nunca esqueço de um deles que, em fins de 1993, munido de seu primeiro “cheque gordo”, foi às concessionárias escolher o novo carro. Pois bem, podendo adquirir qualquer um deles, o sujeito gostou mais do Tempra 16V do que do BMW 325i, o importado da moda no momento (se arrependimento matasse). Mas o fato é que o design do Tempra era cativante. Mas não tinha quem não gostasse. Aos olhos de hoje, um design ridículo. Seus percalços mecânicos eram o que menos importava naquele momento.

        Um grande carro, uma pena que a Fiat não soube dar o devido valor. O que repetiu com o Marea…

        Em tempo: você já andou num XR3 conversível? Pois parece uma carroça de bois.

    • WSR

      Qual era o problema maior do carburado? Eu lembro que havia um problema generalizado com os carros carburados por causa do combustível brasileiro, o que fez com que os diafragmas e agulhas fossem modificados em vários carburadores, ou

      algo similar.

    • KzR

      Bela história. Você era quase um playboy da escola – apesar do pai da menina ter um 164, rsrs

  • Daniel S. de Araujo

    Mr Car, ia falar a mesma coisa: Como se diz aqui no interior, mate as lombrigas, é uma delicia! E falo porque fiz isso!

    Quando tinha meus 14 anos, eu me lembro de uma propaganda que dizia mais ou menos assim “nova Ford F-1000: Agora com tração 4×4…” e sempre achei lindissima a F-1000 4×4. Resultado, 18 anos depois me tornei a criança feliz de brinquedo novo, uma Ford F-1000 4×4!!!!
    Por isso te falo, se tiver condições e pintar um Tempra em bom estado (coisa rara mas existe), não hesite: Vá em frente mesmo que seja um pouco caro.

    Para o AutoEntusiasta, o carro transcende o meio de transporte. É um brinquedo de adulto!

    • Domingos

      Uma coisa a se ter na cabeça com esses sonhos de criança: achar um bom exemplar e dar uma volta bem dada. Só depois, refrescar a cabeça e pensar se é legal mesmo ou coisa… de criança!

      Os sonhos são legais, mas às vezes com motivos bobos.

      O Jeremy Clarkson comentou isso uma vez ao dirigir um Mercedes que era seu sonho de infância, acho que um asa de gaivota ou algum modelo desse tipo e época.

      No final falou que seria melhor nem o ter dirigido, ficando como um bom sonho apenas.

      • Daniel S. de Araujo

        Domingos,

        Jeremy Clarkson não teria dito isso se não tivesse tido/experimentado. Teria morrido na dúvida. Será que vale a pena?

        • Domingos

          Nesse caso, concordo com você. Ao menos se a intenção for adquirir o carro, vale conhecê-lo.

          Porém, acho essencial que se mate a vontade antes de decidir se ela vai continuar a ser vontade ou só um sonho…

          Imagina se ele tivesse comprado o carro, que gosto amargo teria (ainda por cima é um modelo que hoje deve ser caríssimo e raro).

      • KzR

        É aquela velha história de se conhecer um ídolo ao vivo e se decepcionar com ele. Existe esse risco.

        • Domingos

          Exatamente isso que ele comentou. Porém, se for para comprar o carro, melhor isso do que gastar o dinheiro e o tempo e depois perceber que não era a melhor coisa.

      • Antônio do Sul

        Já ouvi dizer que, muitas vezes, é melhor que não conheçamos a fundo os nossos ídolos…

        • Domingos

          Foi a frase que ele disse no final. Não é incomum pensarmos uma coisa de algo/alguém de na realidade ser muito pior ou muito melhor.

    • RoadV8Runner

      Também comprei meu brinquedo de gente grande e, ao contrário da maioria, sempre tinha o sonho de reformar um, não comprar pronto (é o tal do vírus da ferrugem que ataca alguns entusiastas…). O eleito foi um Opala SS-4 1980. A única coisa é que, nesses casos, o ideal é conhecer bem o modelo, para evitar surpresas desagradáveis ou erros de profissionais que não conhecem realmente o carro. Outro porém refere-se ao custo (confesso que estou assustado com o valor da mão-de-obra pela qual sairá a reforma da carroceria…), pois o valor de mercado sempre tende a ser menor do que o investimento total.
      Mas, o que tenho descoberto nessa jornada de reforma é que aprende-se muito mais sobre o modelo, pois é preciso garimpar muita coisa e, nesse processo, descobre-se algumas particularidades que sequer imaginávamos existir.

      • Domingos

        Com um amigo meu que fez o mesmo, porém com um De Luxo já em quase perfeito estado, aprendi que existem certos anos do Opala em que se misturavam parafusos e porcas métricas com outras em polegadas.

        E ainda que apesar de exatamente iguais por fora, alguns anos possuem caixas de direção e todo o sistema de direção (além de parte da suspensão) completamente diferentes um do outro.

      • Daniel S. de Araujo

        RoadV8, é verdade! Aprendemos coisa incriveis nesse processo. Há 20 anos (exatamente) venho mexendo no meu “Branquinho” e cada mexida, uma descoberta.

        A coisa que mais aprendi (e descobri) são que os motores VW a ar, embora aparentemente iguais, possuem peças totalmente diferentes (ex. o Fusca 84 a gasolina usa 1 carburador Solex 31, o Gol arrefecido a ar tem cabeçotes de entrada simples, aquecidos, e toda essa bagunça saindo da linha de produção na mesma época…e por ai afora)

  • Cristiano Reis

    Um dos melhores relatos que vi até hoje aqui, gerou comentários tantos meus quando da patroa, que me contou a história da Adriane que eu desconhecia.

  • Humberto

    Sei não, mas acho que a foto com o Senna e a Adriane é um Ford Versailles.

    Humberto “Jaspion”.

    • WSR

      Realmente deve ser. O Uno não possui quebra-vento. E o volante é típico Ford.

    • Thiago Teixeira

      Realmente, não pode ser nem Uno nem Tempra já que tem quebra-vento.

  • Francisco, cuidado com a leitura do Flatout. Ficar na companhia de gearheads pode tornar o terreno fértil para idéias não muito saudáveis heheheh

    • marcus lahoz

      Você viu o maluco que cortou o Tempra no meio e colocou o motor de Alfa V-6? No Clube do Tempra a história avançou um pouco e ele colocou até o painel de um Linea.

      • KzR

        Liberando spoiler, cara! Rsrsrs
        Sério? Painel de Linea? O da Alfa não teria ficado melhor?

        • marcus lahoz

          Spoiler nada, o Clube do Tempra tem a história toda.

          Acho que o painel do Alfa não cabe. E o do Linea é a principio menor. Eu sei também que ele colocou as sapatas dos pedais do Linea.

          O projeto tinha parado, mas com o apoio da galera do flatout ele retomou.

          Ele pegou 4 carros (tempra, alfa, tempra sw e linea) e esta fazendo um só.

      • JJ Neves

        Eu vi esse ProjectCars. Insano! Cortar o Tempra no meio para colocar a frente da Tempra SW porque só assim cabia um V6 Alfa Romeo. Saiu alguma novidade desse, Marcus?

        • marcus lahoz

          Teve uma noticia semana passada. Dá uma olhada no Clube do Tempra lá, esta bem adiantado.

          Eu vi que o motor ligou e chegou a andar, mas não sei mais que isso.

          • JJ Neves

            Clube do Tempra? Não conheço. Vou dar uma olhada. xD

  • Thiago Teixeira

    Não compre o 93. Compre a partir de 96, com injeção eletrônica. O motor 8v é fraco, como dito pelo Marcus, porém confiável. O 16v é caro e problemático. Vazamento de óleo pela junta do cárter é crônico. Outro ponto é a suspensão dianteira. Parece robusta mas é frágil. Os coxins dianteiros se acabam rápido na buraqueira (culpa da Dilma). Outro ponto a considerar é se você tem o conhecimento e ferramentas para manutenção, pois mecânicos geralmente não querem fazer manutenção nela e/ou jogam o preço lá no alto.
    Evite o 97 8v, serie que só foi fabricada por 10 meses e compartilhava alguns itens elétricos e internos do Tipo, como sistema de limpadores e acabamento interno de portas. Existem alguns itens de reposição difíceis de encontrar.
    Tenho uma 97 desde 2005 e hoje com 240mil km (comprei com 60 mil km), NUNCA me deixou na mão. Virou carro de andar as vezes.

  • Lucas

    Cara, que narrativa mais divertida. Como eu ri aqui com o trecho em que VOCÊ havia decidido comprar um Tempra.
    E que tempos difíceis aqueles, hein! Para o Ayrton Senna dar só um Uninho para a namorada dele….. Estava feia a coisa….

  • André

    Linda história.
    Se você aceita um conselho de um desconhecido,:realize seu sonho, não importa se é uma coisa racional ou não. eu mesmo estou aguardando ansiosamente para poder tirar carteira de habilitação e poder realizar o meu sonho:Um Golf GTI 1.8T 2003.

  • rafaelaun

    FAN,

    Curioso, ontem eu estava esperando minha esposa terminar o cabelo no salão de beleza e bem na frente havia um Tempra muito bem conservado, aparentemente do vizinho farmacêutico .

    Eu ainda não havia lido seu texto e fiquei pensando: como pode um carro desses agüentar tanto tempo em tão bom estado? Fiquei tentado a perguntar se ele era o dono e como conseguiu a façanha.

    Algumas memórias surgiram, como o dia em que fui socorrido por meu tio médico em um série “Prata” ao cortar a mão e uma bela batida de um série “Ouro” em uma estrada no interior de Álvares Machado com meu primo.

    Não sou fã de Tempra, apesar de ter andado muito em modelos “quadrados ” e “gotinha” na época da adolescência. Cada um tem seu gosto e acho que isso é o legal da coisa. Tenho inúmeros projetos na cabeça, como: Ford Belina 81 Preta com motor 1,.8 16V Zetec, Peugeot 305 XR aliviado de peso, VW Kombi….
    Ótima história!

    Pense em você.

  • Fat Jack

    “…o Senna também andava de Uno…” #sqn
    Engrossando o coro, mande o racional ir na padaria “tomar um café” e compre o Tempra!
    Digo por mim, consegui há alguns anos realizar um dos meus sonhos de consumo adolescente (infelizmente, tive que me desfazer dele depois, mas foi muito melhor do que nunca tê-lo tido) vele demais a pena…
    Escort XR3 85 (Infelizmente estou com dificuldade de postar uma foto dele…)

  • Fórmula Finesse

    Muito bacana o texto, bem emotivo…apenas a foto mostra Senna guiando um carro com “ventarolas” e com encosto de cabeça (sic) no formato dos Ford’s da época; bem como o volante.
    Desejo sorte na compra do seu 16V – se for tratado com carrinho, é um belo sedã!

  • Leonardo Mendes

    Consta que esse Uno está em posse da Adriane Galisteu até hoje.

    O único modelo do Tempra que realmente me fez a cabeça foi o Turbo… um rapaz da minha cidade, filho do dono de uma rede local de supermercados, trocou um Kadett GSi branco num Turbo preto logo após o lançamento.
    Dizer o frisson que o carro causou é desnecessário… e para “cerejar” de vez o bolo nosso herói ainda instalou rodas aro 16, medida que para a época era quase lenda urbana.

  • KzR

    Uma bela história FAN. Aqui vai mais um voto de apoio para você comprar o seu carro dos sonhos. Faça aquela criança de 1993 realmente feliz por estar na “nave espacial”.

    Quando tinha por volta dessa idade, meu pai tinha um Monza GL 94. Era um ótimo carro, mas, por alguma razão, achava que ele tinha o carro errado. Tinha a impressão de que ele deveria ter um Tempra, pela imponência do carro. Mas havia certas vezes que, de tanto lutar para colocar a bagagem no Monza, ele deveria ter adquirido uma perua – achava a Ipanema bem legal.

  • Cris Dorneles

    Desculpe a correção, mas a corrida do câmbio travado foi em 1991 não em 1993… No início de 91 o Tempra não existia ainda no Brasil.

  • Gabriel Bastos

    Lindo texto. Tive um turbo vinho duas portas que quando acelerava me sentia em um Ferrari .

  • bopeeble

    Meu caso é “uma marca que nunca tive”: Volkswagen. Estive perto de comprar VW por diversas vezes e sempre na última hora alguma coisa acontecia (negócio não dava certo, eu me encantava por outro modelo/marca, etc). Já estou prá lá do meio na minha vida autoentusiástica, já tive até importados exóticos e ainda não tive VW…

  • REAL POWER

    Se tiver o dinheiro para comprar, manter e não lhe fazer falta, compre e viva seu sonho. Caso contrário apenas sonhe.

  • Murilo Bonato

    Francisco, me vi em você, amigo. Meu pai e eu fomos porém em 94, na Phipasa aqui em Florianópolis, inclusive durante o treino da F-1, num sábado quando abria até meio dia. Me lembro que o Tempra prata era mais barato, mas eu queria porque queria o Tempra 16V, argumentei que o 8V era carburado, não andava, que o 16V era outro carro etc. Então meu pai e minha mãe disseram, “dinheiro não aceita desaforo, compramos o prata e o carro é muito bom, amanhã te pegaremos na aula com ele.”
    Me lembro como fui dormir chateado, o 8V andava atrás de Santana, Monza, era uma vergonha, levava pau até de Omega GLS, fiquei triste, não quis manifestar esta tristeza para eles, afinal era uma conquista, eles haviam trabalhado bastante e eu não tinha direito de estragar tudo. Claro que entendo seu lado, com 8 anos eu teria o mesmo comportamento, aqui já tinha 16.
    Pensava igual você, era o carro do Ayrton, o carro que tinha levado nosso ídolo para o pódio numa das corridas mais lindas, na temporada onde ele não foi campeão, mas deu shows inesquecíveis.
    Pois bem, no outro dia estou saindo da aula e quem está lá? meus pais, com o Tempra preto, Ouro 16V eu fico arrepiado e com vontade de chorar lembrando a cena e olha que já se foram 21 anos. Fico emocionado, me lembro que encerava até as rodas polidas, me lembro do barulho fantástico que aquele carro fazia, andava na frente de todos esportivos da época, Gol GTI, Kadett GSI, Escort XR3, com desenho matador e muito espaço.
    Foram exatos 100.000 km juntos, sem nunca incomodar, depois veio um HLX que me acompanhou por 140.000 km, mas não, ele não tinha a alma do 16V 1994. Tenho o mesmo sonho que você e estou procurando um, gostaria de ter do mesmo ano e cor, para relembrar os bons tempos.
    Tenho a felicidade de dizer que estes dois carros só me deram alegria e quem reclama deles é porque não faz manutenção em dia. Trocando correia dentada, mantendo radiador limpo e com fluido certo, é carro para curtir por muito tempo, inclusive porque estes carros tive no período dos meus 16 aos 25 anos e era pé embaixo direto.
    Depois destes tive outros, mas infelizmente nenhum me deu as mesmas alegrias que a combinação de 16V girador e câmbio curto que o Tempra tinha.
    Belo texto e Deus abençoe teus sonhos.

  • Nora Gonzalez

    Bela história, FAN. Parabéns

  • Ulisses D´Avila

    Muito legal o texto Francisco. Meu sonho de infância era um SP2. Um vizinho tinha um prata muito lindo. Eu ficava babando toda vez que ele tirava o carro da garagem para lavar. Escutar as aceleradas era música para meus ouvidos. Quando cresci até procurei um SP2 legal para comprar mas acabei com o irmão mais velho dele: um Fuscão 1500 pintado de prata…

  • tadeu augusto de oliveira

    Demais a história. Parabéns! Ler os comentários então… muito show! Parabéns ao site por colocar uma sessão onde os autoentusiastas também podem compartilhar seus sonhos.
    Abraço,

  • Vitor Vale

    Somente um correção: o carro na foto com o Senna e a Adriane é um Ford Versailles.

  • RoadV8Runner

    Muitos já disseram isso, mas, se você tiver a possibilidade de comprar um Tempra, vale muito a pena investir nesse sonho. Eu comprei a pouco mais de dois anos atrás um Opala SS-4 1980 para reformar e, mesmo com a carroceria e interior estarem precisando de (muitos) cuidados, o prazer que sinto ao dirigi-lo é indescritível! Literalmente, é um brinquedo de gente grande.

  • Luís Galileu Tonelli

    Lembro que um cara aqui da minha cidade nessa mesma época, 1993, vendeu uma esquina comercial em ponto ótimo para comprar um Tempra 0-km.

  • Domingos

    Acho que era questão do carburador em combinação com o catalisador, que não dava certo. Ou ao menos falavam isso…

    • WSR

      É, pode ser. Eu lembro que os carburados que possuíam catalisador tinham problema com o mau cheiro exalado pelo escapamento quando o motor estava desregulado.

  • Domingos

    Tenho um pouco menos, porém lembro um pouco de ter ouvido desse tal esquema. Só não conheci ninguém que ficou rico com isso, ou pelo menos não lembro.

    Lembro do desenho do Tempra ser muito elogiado sim, mas não a esse ponto de ter gente trocando 325i por ele!

    Ao menos aqui na capital era um carro de sucesso, mas nada assim “ohhh” que despertasse mais atenção que um importado da época.

    Nunca andei no XR3 conversível, mas a versão fechada era boa. O conversível torcia demais? Ou era muito duro?

  • Domingos

    Aro 17 era até pouco tempo atrás considerado coisa de outro mundo também.

    Hoje o pessoal acha “pequeno”… Como são as coisas.

  • Domingos
    O Opala foi lançado no Salão do Automóvel de 1968 com porcas e parafusos de motor e câmbio em polegadas e todo o resto métrico. Só em 1975 passou tudo a métrico.

    • Domingos

      Sim, foi isso que meu amigo comentou, entre outras coisas.

  • WSR
    Mesmo com carburador desregulado não era para haver aquele mau cheiro todo. O problema era o elevado teor de enxofre da gasolina, passava de 1.000 ppm naquela época, e o resultado era o gás sulfídrico produzido e exalado pelo escapamento.

  • braulio

    Francisco, vai por mim, seu lado que está dizendo para não comprar o Tempra não é o racional, é o que está com preguiça de procurar peças depois. Vale a pena ter um carro que foi seu sonho de infância? Vale! Ache um bacana e barato enquanto eles ainda existem. O carro que eu queria ter quando tinha oito anos está na minha garagem e posso te garantir (embora meus hábitos não sejam os mesmos que os seus, moro no interior e posso ir trabalhar à pé) que mesmo sendo máquinas, os carros retribuem o carinho e o respeito que você tiver com eles melhor que muitos seres humanos.

    • Braulio,
      Que belas palavras essas suas. Parabéns.

      • DI ZAZZO

        Esses eram tempos difíceis mesmo, lembro que os meus sonhos eram a Elba CSL (por causa do interior aveludado e o painel completo), o Tipo e o Tempra.

        Lembro do meu pai falando:

        “_Tempra muita gente, só não Tempra mim…”

        Mas alguns anos depois, meu pai comprou um Tempra 16v, eu um Elba CSL que pouco tempo depois troquei por um Tipo, o que está na foto do meu avatar.

        E lá se vão 15 anos e 200.000Km com o Tipo, que foi meu daily drive e agora está em fase de (infelizmente lenta) restauração, já que agora ele está aposentado das tarefas diárias.

        Vale muito a pena investir em um sonho.

      • braulio

        Devo dizer que nem quando era criança e lia a “Oficina mecânica” ousei sonhar em algum dia ter o Bob Sharp elogiando algo que eu escrevesse!

  • Pablo Filipe Ebani Jacques

    Eu tive o mesmo sonho desde criança, mas meu rumo são motos, desde criança andava na garupa do meu padrinho na LOUCA Cb 400 dourada dele…cresci decidido que tinha que ter uma. Depois de muito tempo, uma Biz, uma Stradinha (baita motinho) e finalmente comprei a minhaaaa CB 450 DX ’90. Contra tudo que me disseram, é ruim, é bomba, um lixo, pega uma CB300r (só pode!!), moto velha é dor de cabeça. Comprei, troquei na Stradinha mais uma volta de grana que me deixou seco…hehe. Se me arrependo? Nem um pouco, rodava muito em asfalto na época (3 anos) então a CB me deixou de sorriso aberto mesmo viajando 300km sem parar, o conforto vale cada centavo que coloquei nela, claro que tive uns probleminhas, coisa de moto velha, o estator pifou, foi o único problema mais sério que tive com ela, peças tem que garimpar mas se acha, é só não ter preguiça. Gosto de cuidar dela nos fins de semana, regulagens, carburadores, válvulas, é uma terapia de fim de semana. Não me arrependo, o que ela gasta de gasosa me devolve em sorrisos e conforto, coisas que essas motinhos de hoje não me proporcionam (não as que custam até R$9 mil pelo menos). Até penso numa CB500 (das antigas mesmo), mas to focado na minha Brasa 4 portas que era da minha mãe, primeiro carro da familia ai já viu tbm né…é outra história.

  • Fica aqui mais um voto para que compre um Tempra.
    Não tive um ícone de infância, mas a pouco menos de dois anos, de pois de muitas pesquisas e considerações comprei o meu sonho de adulto e até agora tem sido uma felicidade sem fim.
    A dica é tenha paciência, procure um carro que foi bem cuidado, mesmo que isso significa gastar um pouco a mais e seja feliz!!

  • Marcelo Henrique

    Não sei quem inventou que significava “temperamento” mas Tempra é “têmpera” em italiano, que é um dos processos de forjar uma peça em metal.
    Meu tio teve um 8V, o carro era gigante para a época e até que andava razoavelmente bem. O topo era TTS grupo 6, aquilo era caro pra burro mas tinha um excelente acabamento aliado ao desempenho.
    Bem que a Fiat poderia fazer o Linea T-Jet com o câmbio automático do 500 Abarth americano para tentar vender um pouco mais e dar um status melhor para o carro.

  • Rafael Ramalho

    FAN, seu texto me emocionou. Também sou Mineiro, fã de Tempra, passava férias no ES e vim de uma família simples. Meu sonho de criança era um Turbo Stile. Comecei a trabalhar como menor aprendiz aos 14 anos, e um dos filhos do dono da empresa sabia da minha paixão pelo carro e sempre comentava que um tio possuía uma versão ano 97, catálogo 6 (opcionais), encostado em uma garagem. Após 2 anos, lembro como se fosse hoje, um sábado que fui trabalhar, na hora do almoço, ele entra na sala e fala segura ai, jogando uma chave em minha mão. Descemos e lá estava a macchina vinho, como sempre imaginei. Como ele tinha pouco juízo, quase me deixou guiar o carro, fomos impedidos por seu pai. Mas isso não impediu dele tocar com emoção para o restaurante, no caminho vendo o manômetro do turbo encher e o ponteiro do velocímetro chegar nos 160 km/h, foi realmente a realização se um sonho de infância. Se você puder, realize seu sonho. É uma das melhores sensações que você viverá. Abraços.

  • Rapaz, que texto! Me fez lembrar uma história muito engraçada… quando eu era criança (7, 8 anos), meus pais tiveram 3 Passat roubados em curto período de tempo… detalhe: todos brancos. Um dia, num supermercado da zona norte de SP, minha mãe fez a “despesa” do mês e tinha direito a um X de cupons para concorrer a sensação do momento: um Fiat Uno Mille Electronic, branco… lembro como se fosse hoje o berreiro que eu abri no mercado porque se ela ganhasse o carro iam roubar, que eu não queria o Uno e tal… em 96 meu pai comprou um EP verde e como eu gostei do carro e sonhei que iria ter… um Uno… meu pai vendeu o EP em 98, por não suportar o motor 1.0 (coitado do Fiasa, que eu hoje mato as saudades as vezes num SX Young do meu cunhado). Em 2009, com 3 meses de casado, realizei, junto com a minha esposa, o sonho de comprar o 1º carro (tanto dela, quanto meu), um Mille Fire Economy com Celebration 5, zero-km… está com 130 mil km hoje… e com certeza vai ficar para placa preta daqui a 24 anos… recebeu o último opcional que faltava para ser um Celebration 7 – o ar-condicionado. Mas não tiro da cabeça a idéia de ter um EP verde-turmalina todo restaurado na minha mão (descobri que o que foi do meu pai ainda roda, no interior de São Paulo, quem sabe não vou atrás do dito cujo?) ou ainda um mais antigo… questão de tempo para preparar o bolso, a garagem e claro, cumprir as prioridades da vida que vem antes… Francisco, se você tem como, vá atrás do seu sonho!! Isso não há dinheiro que pague.

  • felipe

    Cara, realize seu sonho, estou no mesmo rumo reformando uma Ford Pampa do meu avô, não ligo para gastar nela, o importante ter o meu carro dos meus sonhos de criança que nunca pude ter!! Mais vale se arrepender do que você fez do que você não fez. Já gastei uns 5.000 na minha e ainda faltam uns 10.000 para deixar ela nova novamente e não estou nem aí que meu carro vale no máximo 9.000 reais, sonho realizado não tem preço, cara

  • José Maria da Silva

    Vai atrás do seu sonho rapaz, só fica atento com alguns detalhes de chassi e outras partes do Tempra que podem trincar. É um carro que foi projetado para vias asfálticas bem conservadas. Não é o caso das trágicas estradas brasileiras, o carro é bom e requer manutenção geral de todo usadinho. Atenção !! É um Baita Carro ” Nave ”
    Sou José Maria de São Paulo, tive um Tempra 8V SX 2.0 97 2° dono e hoje estou acabando de levantar um 16V 2.0 96, também em bom estado aparente mas com trincos na estrutura que tive de reforçar. Mas tem soluções muito especiais para o problema, só tem que achar o profissional capacitado para fazer os reparos.
    Boa sorte !!!

  • Somos parecidos – queria comprar um Tempra, já que sou fissurado em carros dos anos 90, mas sabem como é, um monte de críticas em casa e tal. Quase tirei um 93 com etiquetas em todo canto, mas com gás. Hoje tenho um Novo Uno e… bem, ainda sinto vontade do Tempra e do Monza. Um dia, quem sabe?