Noivas, sacoleiras e automóveis

Comparativos que criticavam os preços dos nossos automóveis não levaram em conta a defasagem de mais de treze anos da cotação do dólar

 

Sacoleiros  Noivas, sacoleiras e automóveis Sacoleiros

Sacoleiros congestionam Ponte da Amizade que liga Foz do iguaçu (Brasil) e Ciudad del Leste, no Paraguai

Sumiram do mapa os internautas que faziam contas, comparavam tabelas de preços, analisavam conversões cambiais e consultavam mapas internacionais de vendas para elaborar “manifestos” sobre a diferença de preços entre automóveis no Brasil e em outros países. Alguns se deliciaram com matéria publicada pela revista americana Forbes ironizando o brasileiro que pagava US$ 80 mil por um Jeep Cherokee, três vezes mais que seu custo nos EUA. Não percebiam que, com a distorção cambial, Miami passou a concorrer com o Paraguai e atrair sacoleiras e noivas brasileiras que montavam enxoval.

Qual distorção? No caso dos automóveis nacionais, quando circularam estes comparativos há três ou quatro anos, o dólar estava em baixa e cotado por menos de dois reais. A moeda norte-americana valia, em maio de 2012, menos que sua cotação em maio de 1999! Os R$ 30 mil que se pagava na época por um carro brasileiro correspondiam a quase U$ 17 mil. Hoje, os mesmos trinta mil reais valem menos que U$ 10 mil, o que jogou por terra todas os inflamados textos sobre a ganância da indústria automobilística brasileira. A valorização do dólar praticamente equiparou preços dos nacionais com seus similares em outros países.

O Nissan Versa SL produzido em Resende (RJ), por exemplo, é tabelado por R$ 49.760, mas custa R$ 54.388 nos EUA. O VW Cross up! custa no Brasil R$ 40.592 contra R$ 48.130 na Alemanha.

Voltando ao Jeep, a Forbes poderia retomar o assunto com os importados, mas não com os nacionais: a Chrysler acaba de lançar o Jeep Renegade produzido em Pernambuco que sai, na versão mais sofisticada (Trailhawk, 2.0, Diesel, 4×4, automático), por R$ 116.900. A mesma versão custa R$ 113.488 na Europa. Nosso Fiesta Hatch 1.6 é vendido por R$ 57.549. Nos EUA, por R$ 56.629.

A realidade cambial não só mudou o panorama para os importados nesse caso, a distorção até se agravou com os 30 pontos porcentuais no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), contrariando acordos internacionais de comércio que condenam tratamento tributário diferenciado entre carros produzidos localmente e importados. Automóveis com carga de IPI adicional, por seus fabricantes não terem operação de manufatura no Brasil, desembarcam custando duas a três vezes o preço no país de origem.

Não se trata de defender os fabricantes no Brasil. Quando podem, eles enfiam mesmo a mão e sua rentabilidade chegou a ser uma das maiores do mundo. Mas hoje, com dezenas de fábricas instaladas e estoque de quase 50 dias nos pátios…a conversa é outra.

É até difícil entender como pode um modelo nacional ter preço semelhante ao de um similar produzido no exterior, pois “Custo Brasil” não é apenas argumento de executivo na entrevista com a imprensa, mas peso-pesado nos cofres de qualquer empresa, principalmente na indústria automobilística. É a infra-estrutura portuária em frangalhos, o custo da energia elétrica, a malha rodoviária que dispensa comentários e encarece o transporte, os pesados encargos salariais e a inexplicável e astronômica carga tributária. Como comparar um automóvel nacional que paga, em média, 30% de impostos entre IPI, ICMS, PIS, Cofins e outros, com um produzido nos EUA que contribui com 6% (IVA)? Ou com um europeu que paga 14% de impostos na Espanha, 17% na Italia? Ainda assim, bastou o dólar atingir cotação coerente com outros indicadores da economia brasileira para nossos carros deixarem de ser “os mais caros do mundo”. E das noivas e sacoleiras irem se abastecer em Miami.

BF

Foto de abertura: not1.xpg.uol.com.br)
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • ruy1984@gmail.com

    Essa comparação utilizando o câmbio a mim parece uma comparação tola. Nos EUA eles ganham em dólar e compram em dólar, na Europa ganham em euro e compram em euro e assim por diante. Então se aqui um carro custa 60 mil dinheiros locais (R$) e nos EUA o mesmo modelo custa 20 mil dinheiros locais (US$), lá o carro custa 3 vezes menos. Lógico que é uma visão um tanto simplista, mas acredito ser mais correta.

    • Arruda

      Então no Japão o preço é mais que absurdo, pois passam dos milhões de Ienes. O valor nominal da moeda é apenas um detalhe.

    • Victor De Lyra

      Claro que sim, mas temos que só considerar os salários deles aqui e lá também. Um soldador aqui ganha um valor X e lá um valor Y por diversos motivos.

      Eu considero ideal comparar o salário de uma profissão comum (caixa do McDonald’s, atendente de telemarketing etc…), considerar os gastos com imposto de renda, seguridade social’ e de saúde etc.

  • Victor Gomes

    Muito interessante esta constatação! Não havia percebido que o preço dos automóveis 0-km havia se equiparado ao resto do mundo. No entanto, mesmo na época de dólar baixo, assim como agora, venho monitorando o preço do meu carro (usado, ano 2000) ao redor do mundo. Curiosamente, o preço tem se mantido equivalente há um bom tempo. Seja aqui, na América Latina, EUA, Europa, sudeste asiático ou Oceania.

  • V12 for life

    Desculpe, Boris, mas a comparação mais correta é pelo poder de compra da população, vou repetir o comentário de um colega que li por aqui, mas não lembro o nome para dar os créditos, e penso da mesma forma, “Um trabalhador americano que recebe mil unidades monetárias, precisa de 17 meses para adquirir um Toyota Corolla, enquanto no Brasil, o trabalhador que recebe mil unidades monetárias precisa de 80 meses para adquirir o mesmo carro.” e mesmo assim bem menos equipado que o modelo americano, aumento do dólar não equiparou os preços com os internacionais, apenas mascarou o nosso abusivo sistema tributário. O brasileiro diz que americanos e europeus são ricos, os ricos somos nós que aceitamos todos esses abusos sem reclamar ou lutar contra,

    • Costa

      V12 concordo em 100% com o que você disse e achei a comparação do Boris equivocada.
      Complementando o que você falou, além do poder de compra, é extremamente equivocado fazer conversão de moeda para comparar preços de produtos em países distintos.
      Os produtos são fabricados aqui, os principais itens necessários para produção de um carro, que são o aço, ferro e plástico são todos produzidos com matéria-prima do nosso país. Concordo que os impostos são uma grande parcela do valor que é cobrado dos carros aqui, inclusive é maior que o lucro das fabricantes.
      Diferente do que o Boris falou, eu pelo menos, quando critico o abuso do valor de um veículo cobrado aqui, não estou falando que só a fabricante tem muito lucro, mas também critico a alta carga tributária que incide sobre o mesmo, são as duas coisas juntas e não um delas isolada.
      Vou dar um pequeno exemplo aqui:
      A Ford cobrava pelo “New” Fiesta em dezembro de 2013 R$39.900, no final de 2014 o mesmo carro já estava custando R$43.900(não me venha falar de IPI reduzido) antes do estouro do dólar, agora o mesmo carro custa R$45.790.
      Agora eu deixo a pergunta:
      A venda de carros estava caindo desde o ano passado, qual seria a atitude normal a se realizar nesse momento? Abaixar a margem de lucro para aumentar a vendas. Mas…. a gente sabe como é… nunca aceitariam fazer isso.
      Sobre a redução do IPI, quando ouve a redução do mesmo, quantas fabricantes repassaram o valor integral? Eu não vi nenhum carro abaixar de preço, no máximo pouco mais de 500 reais e assim que acabou a redução do IPI eles aumentaram os preços, muito além do desconto que deram.
      Me desculpe Boris, mas é difícil tirar a culpa dos fabricantes, viu!

      • $2354837

        Já comentei anteriormente. Os fabricantes estão aproveitando a crise para aumentar o preço dos carros. A desculpa é o aumento de custo. Essa freada, apesar de negarem, já estava prevista pelas fábricas. Se não, pode mandar todo o departamento de marketing embora por pura incompetência. Em um blog que acompanho sobre finanças já se falava de bolha de crédito, bolha de consumo com a consequente redução de venda de bens duráveis.
        Se um departamento de marketing que respira isso 8 horas por dia não prever isso é porque são muito incompetentes.
        Então as marcas aproveitam para reajustar os carros, pois quando voltar a aquecer as vendas, já estarão reajustados, coisa que não conseguiriam fazer de momento.

        Já ouviu falar na história do sapo que não percebe que a água está esquentando até cozinhá-lo? Então…

        • Daniel S. de Araujo

          Luiz AG

          Uma fonte que tive dentro da VW confidenciou a mim o seguinte, nos idos de abril de 2014: esperavam um ano estagnado e acreditavam em um 2015 com grandes chances de ser igual (ou seja, crescimento zero).

          Contudo de crescimento zero de vendas para declínio, vai uma grande distância….Pode ter certeza que o pior cenário traçado não é sombra daquele que vemos hoje: alguém esperava tamanho aumento de custos como o que vimos? Energia elétrica subiu mais de 40% (e é um impacto significativo num fabricante de carros), combustível (impacta em fretes), e tantas outras matérias-primas que subiram de preço por conta desses fatores. Vamos esperar o quê?

          Infelizmente temos o mau costume de sair crucificando o fabricante sem vermos o impacto que eles também têm na cadeia produtiva.

        • Thales Sobral

          A freada era prevista, mas e o aumento da energia? Não tem mágica, tem que repassar isso para frente. Prensas, moldagem dos plásticos, soldas, tudo isso consome muita energia…

      • V12 for life

        Também concordo com o que disse, o único problema de que só uma minoria tem ciência do real problema, não só no mercado automobilístico, mas em geral alguns setores a discrepância entre o mercado nacional e o exterior é ainda mais acentuada.

      • Daniel S. de Araujo

        Costa, quem vai abaixar preços se tudo está subindo absurdamente??? Margem de lucro no Brasil é alta sim. Mas tem que ser porque aqui, como dizia Tom Jobim, não é para principiantes.
        Existe algo no seu comentário que é falho: Você falou dos altos impostos. São altos sim mas se limitou a falar nos impostos de Nota Fiscal do carro (erro corrente de todos os comentários sobre esse assunto). Ninguém se lembra que, sobre o faturamento do fabricante incide PIS/COFINS, sobre a folha incide CPP (o chamado “INSS Patronal” – 20% sobre a folha de pagamento – além daquilo que é descontado do trabalhador), Outras Entidades (sistema “S” – 5,8%), SAT (de 1 a 3% da folha de salarios).
        Sobre o lucro incide imposto de renda, contribuição social. Ignoramos que a conta de luz subiu para o consumidor residencial e comercial, que a Volkswagen, Ford, GM e demais também pagam conta de luz (já pensaram quanto consome uma solda? Um robô?). Que esse raciocínio vale para o fornecedor também?
        E que, para manter em dia todo esse aparato tributário precisa ter um corpo administrativo tão grande e especializado quanto um engenheiro, trabalhando para uma atividade acessória da empresa?

        Tudo isso não está na nota fiscal mas é um custo elevado para as empresas. O Simples Nacional diminuiu esse custo das empresas de pequeno porte (até R$ 3,6 milhões ano) mas e as grandes? Como fica? Precisa de uma estrutura administrativa fabulosa para manter o “circo funcionando” sem ter problemas fiscais. Quando se tem poucos fornecedores é uma coisa, mas já imaginaram um fabricante de carros que tem centenas de fornecedores diretos? E prestadores de serviço então!

        Ai fica a pergunta a margem de lucro é alta…mas e os riscos? Riscos políticos, riscos trabalhistas (alguém quer ter um sindicato enchendo na porta da sua empresa?), então…carro no Brasil só terá diminuição de margem de lucro dos fabricantes quando o ambiente for favorável a produção, aos lucros e fabricante de carros for visto como uma empresa qualquer e não um organismo com a obrigação de vender carros aos preços que achamos “justos” ou “injustos”

    • Thales Sobral

      A comparação mais incorreta é pelo poder de compra da população. Fabricante não tem culpa de a gente ser pobre. Aço é commodity, com preço regulado em mercado internacional, energia elétrica aqui no Brasil não é barata (e ficou mais cara ainda depois da barbeirada MP 579)… Isso tudo vai para o custo do produto, e não dá para falar “Ah, vamos vender mais barato porque brasileiro é pobre”.

      • V12 for life

        Você não entendeu a questão, o brasileiro é muito mais rico do que pensa. Vivemos um ano com 8 meses de salário, a comparação por poder de compra é a mais cabível, pois pode ser aplicada independente do câmbio ou do nível de impostos de cada país. Independente de aço ser commodity ou qualquer outra tipo de matéria-prima, tudo é taxado pelos nossos impostos, que é exatamente o que faz toda a diferença desta forma de comparação. Procure o valor do aço e adicione o taxa de impostos americana ou européia a cada etapa do processo produtivo, você perceberá que teremos carros muito mais baratos sem que área nenhuma perca algo, a arrecadação que o governo perdera inicialmente será rapidamente compensada pelo alto volume de consumo, e não só no setor automobilístico, mas simplesmente em todos os setores de consumo.

  • Baloo

    Texto bem escrito, mas se baseia numa premissa completamente equivocada. A de que o dólar a mais de 3 reais é algo normal, e benéfico para o país. O valor do dólar “correto” seria entre 1 e 2 reais.

    • Lhad Apu

      Nossa, com esse argumento chega de internet por hoje. Como assim, “valor de dólar correto”?

  • Luiz_AG

    Infelizmente nosso salário continua não acompanhando….

    • Luis Carlos

      Falou tudo! De nada adianta cotação de dólar se o salário médio é uma merreca perante ao europeu, norte-americano etc.

  • WSR

    O tema é complexo, mas acho que há muito protecionismo no setor. O aumento do IPI para os importados em 2011 foi um sinal claro de que alguém pode estar protegendo o setor. Não acredito que tenha sido para proteger o emprego dos trabalhadores.

  • a. shiga

    A vida é mais fácil sendo auxiliar de escritório num país desenvolvido do que engenheiro no Brasil. O que me impede de ser auxiliar de escritório lá é um visto… É mais fácil juntar 50 mil lá do que juntar 50 mil aqui.

    • FM

      Nossa, que absurdo. Desculpe me, mas um auxiliar de escritório ganha mal em qualquer parte do mundo. Se você não consegue juntar 50 mil como engenheiro aqui no Brasil, o problema está em você e não no mercado de trabalho nacional.

      • Daniel S. de Araujo

        FM desculpe mas em que país você vive? Você acha fácil um engenheiro ou qualquer outro profissional juntar R$ 50 mil? Até empresário está em dificuldades, quem dirá o engenheiro (exceto se ele trabalhar para algum órgão do Governo Federal).

      • a. shiga

        Eu acho que V. Ex.ª deve em primeiro lugar pagar seu IPTU, IPVA, seguro do carro, plano de saúde, escola dos filhos, continuar refazendo seu trajeto para desviar da rua que tem arrastão, olhar nos dois lados na rua antes de entrar na garagem pra não ser sequestrado, arrebentar seu carro num buraco, colocar “gasolina” no seu carro, pagar o flanelinha pra ele não esbarrar no seu retrovisor, tomar multa de rodízio em dia de feriado, prestar atenção nas motos antes de mudar de faixa, desviar do motorista que não dá seta e te fecha, do outro que entra na sua frente pra pular a fila e SÓ depois dizer que é fácil juntar 10 reais nesse país. Eu falei de 50 mil para ilustrar relativo ao preço de qualquer carro “mais ou menos” vendido hoje, se acha que estou denotando a quantia “cinquenta mil reais” como um valor qualquer “difíssiu di juntá”, olhe melhor a sua volta, olhe para cima e veja quem está no poder e manda no seu dinheiro.

        • FM

          Não é o valor que estava discussão e sim a capacidade de poupá-lo Por um profissional engenheiro.
          leia melhor os comentários Para depois tecer os seus comentários.

  • F A

    Realmente, teve esse fator de dólar. E também tem o fator poder de compra. Mas mesmo esquecendo esses dois, como a Volkswagen vendia para o México um Gol por 8 mil reais se aqui o vendia por 37 mil. Sendo que sendo produzido aqui também entraria no tal Custo Brasil.

  • robson santos

    Boris, não consigo entender a razão do texto, sempre ouvi falar que não é saudável para nossa economia o dólar em cotações inferiores a R$ 2,00, mas não na casa dos R$ 3! Qual a razão de criticar comparativos anteriores, bem fundamentados, quando se até comparavam versões completas lá e peladas aqui, qual a razão de dizer sobre o movimento de “noivas e sacoleiras” em Miami quando na verdade todos sabemos da óbvia queda de gastos no exterior devido a desvalorização da moeda? Estatísticas de agências de turismo?
    Pode parecer que não, mas pacotes de viajem não significa maior dedução de compras lá fora, talvez fizesse sentido há três anos, mas hoje…

    Tempos de expressiva queda nas vendas de automóveis, a conjuntura da nossa economia, a situação da economia popular, ameaça de empregos…
    O que devo fazer é proteger meu bolso, é o que manda a prudência.
    Assim, posso estar errado, mas seu texto soa um certo rancor infelizmente. Você parece vibrar com a alta do dólar só pra justificar um comparativo atual, ignorando nosso poder de compra.
    Se você acha que devo atender ao apelo traduzido e sair às compras, me dê motivos melhores, simples assim.

    O mercado vai se ajustar meu caro, está ruim para o setor automobilístico, mas está ruim para mim também, e para a maioria.
    Não será qualquer promoçãozinha que vai me induzir a trocar meu carro !

  • Victor De Lyra

    Esse valor “correto” é baseado em que?

  • Andre Mondino

    Essa comparação é totalmente inválida. Só teria alguma valia em uma situação hipotética e onde um brasileiro ganhando em R$ fosse comprar um carro nos EUA em US$. Para os americanos que ganham em dólar, tanto faz se a cotação do dólar aqui é R$ 0,01 ou R$ 100,00. Sim, carro no Brasil sempre foi bastante caro ainda é e continuará a ser. O poder de compra deles é muito maior. Já morei nos EUA e tenho 2 irmãos residentes lá. A comparação é injusta no que diz respeito a renda x acesso à produtos bons. E ainda por cima se quiserem financiar o juros anual lá no momento pode chegar a ser menos de 1% em alguns casos, caso haja elegibilidade para tal.

    • André Mondino
      Discordo, o Boris acertou na mosca. Provou por a + b que o carro vendido no Brasil não é o “caro” que se costumava dizer até bem pouco tempo. Poder de compra e custo do crédito são outros quinhentos.

      • Costa

        Totalmente equivocado, basta uma simples pesquisa para se confirmar isso.

        Respeito a opinião porém, se você acha que um produto fabricado aqui dentro do Brasil e vendido no México pela metade do preço que o mesmo é vendido aqui, paciência.

        Fica até parecendo que o Ae está fazendo propaganda para influenciar as pessoas a comprarem carro, mesmo na atual situação do país, que não é nada boa. Carros caros, estão ainda mais caros. Um colega comentou acima que as pessoas que regulam o mercado, será mesmo? Desemprego aumentando centenas de concessionárias fechando, montadoras mandando funcionários embora, pátios cheios de carros e mesmo assim eles aumentam o preço do veículo.
        Está certo isso? Com certeza que não está!
        Um pequeno exemplo disso está na seguinte matéria:

        http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL1553416-9658,00.html

        • Daniel S. de Araujo

          É preferível não fabricar e vender do que fabricar e vender correndo risco ou com prejuizo.

          Não se esqueça, só esse ano o diesel subiu, a eletricidade, encargos, impostos (acabou a desoneração)…

          O desastre PTista na economia é muito mais grave do que você imagina

        • F A

          Exatamente. Só para ilustrar. Tempos atrás foi perguntado para o presidente da Volkswagen do Brasil por que carro era tão caro no Brasil e ele respondeu que é porque tem quem compre. Também numa entrevista de um diretor da Mercedes, o mesmo disse que depois de formarem o preço normalmente, eles colocam mais um tanto em cima para testar o mercado e ver se cola e se não colar eles abaixam. Mas o problema é que sempre cola e nem o pessoal da Alemanha acredita. E teve o caso da Kia que quando lançou a Sportage, tinha importado x carros para serem vendidos por um preço e na primeira semana já tinha encomendas de mais do que tinham importado e logo já aumentaram os preços.

        • Thales Sobral

          O preço vai aumentar porque o custo para fabricar o carro tá aumentando… Aquele aumento de quase 50% na energia elétrica vai ter de ser repassado, não tem jeito…

        • RoadV8Runner

          Cuidado com a comparação de produto fabricado aqui e vendido no exterior pois, nesse caso, alguns impostos são removidos, justamente para tornar o produto competitivo no mercado internacional. Inclui-se redução ou isenção de impostos até na matéria-prima importada (se for o caso), pois o bem não ficará no Brasil. Mesmo assim, o custo de fabricação no Brasil é escorchante, fora da realidade mundial (dos países ditos sérios), a começar pelo absurdo que se paga pela energia elétrica e encargos trabalhistas.

        • Alexandre Cruvinel

          Noticia antiga, compare ao cambio atual, como o Boris fez. A diferença é pequena.

          “Desemprego aumentando centenas de concessionárias fechando, fabricantes mandando funcionários embora, pátios cheios de carros e mesmo assim eles aumentam o preço do veículo. Está certo isso?”

          Infelizmente está. Com o desemprego menos gente compra carro, se menos gente compra, as concessionárias fecham. Por que fecham ? Pelo seu raciocínio era só baixar o preço. Ah, você compra por 10 e vende por 11. Só que essa diferença não paga seus custos. Fecha, simples assim. Como não dá para fechar uma fábrica assim, lucra-se um pouco mais em cima de uma base menor de vendas, para tentar sobreviver. Se as margens fosse tão largas, claro que algum fabricante com menor participação iria tirar partido de preços menores para ganhar mercado.

          Sempre lembro do Focus, quando todos os médios custavam por volta de 50 mil, ele custava 40. Morreu porque não vendia. As pessoas pagavam 40 no Gol e não pagavam no Focus, muito superior. Preço não é tudo.

      • heliofig

        Não existe a menor condição de se comparar renda média com o preço de um produto. O preço não diminui só porque o comprador não pode pagar… O Boris está certo. Infelizmente…

      • heliofig

        Outra coisa: Perdemos a oportunidade de comprar carro por importação independente, que até um Toyota Camry chegava competitivo com um Fusion. Com esta cotação do dólar, já era…

      • gpalms

        Mesmo valor na ponta do lápis oferecendo menos.
        Qualquer up! alemão tem ESP e 6 airbags.
        Qualquer Versa americano tem ESP e 6 airbags.
        Muitos modelos há diferença em equipamentos e/ou acabamento. Seria mais fidedigno comparar versões que oferecem a mesmo nível de equipamento e acabamento.

        • Fernando

          É o que penso, senão é como comparar o preço da laranja com o da maçã…

      • Eric Cartman

        Bob, discordo,

        Cruze de entrada no Brasil R$74190,00
        Cruze de entrada nos EUA R$48105,00
        54% mais caro no Brasil

        Focus de entrada no Brasil R$69000,00
        Focus de entrada nos EUA R$51080,00
        35% mais caro no Brasil

        Fiesta de entrada no Brasil R$45790,00
        Fiesta de entrada nos EUA R$41545,00
        10% mais caro no Brasil

        Civic de entrada no Brasil R$70900,00
        Civic de entrada nos EUA R$55000,00

        29% mais caro no Brasil

        E geralmente os carros de entrada nos EUA têm disponível de 4 a 6 Airbags , enquanto aqui no Brasil se alguém quiser esse item de “luxo” terá que comprar a versão top de linha.
        Se as pessoas pagam caro não há razão para reduzir os preços, simples assim.

  • Arruda
    O tema é câmbio. nada a ver com valor nominal da moeda.

    • $2354837

      O tema deveria ser nossa capacidade de consumo, já o salário médio do brasileiro é muito baixo.

  • F A
    Essa de 8 mil reais x 37 mil reais é uma falácia. Quem deu essa informação ouviu o galo cantar sem saber onde. Existe o preço inter-fábrica com qualquer produto manufaturado.

    • F A

      Certo. Mas calcular o lucro de um carro na fábrica é complicado, então na revenda, qual margem?

      • F A
        A margem do concessionário varia de 10 a 15%, depende do modelo. Claro, dando desconto a margem diminui.

        • Daniel S. de Araujo

          Por ai a gente vê como tem que vender carro para pagar o aluguel, manter as portas abertas com showroom, decoração, vendedoras bonitas, uma infra-estrutura completa de peças, acessórios e serviços, propaganda no jornal, pagar impostos (revenda dificilmente entra como EPP)…Depois de visto isso começa-se a compreender porque peças e serviços custam tão caro.

  • a.shiga
    Claro que é. Tudo aqui é mais caro, não poderia ser diferente..

  • Costa
    Acho muito estranho criticar lucro dos fabricantes, como se isso fosse errado ou imoral. Você não é o único, contudo. No mundo inteiro fabricantes informam, com alarde, o lucro do exercício, motivo de orgulho..Preços: se você comparar os preços do New Fiesta no final de 2013 e agora, verá que subiu 14%. E a inflação e a alta vertiginosa do dólar (cujo culpado não preciso dizer quem é) não contam? Carros e autopeças tem muitos componentes importados passam a custar mais. Ou será que você acha que fabricante de automóvel existe para fazer caridade?

    • Costa

      Desculpe discordar Bob, não estou dizendo que não devem ter lucro e como coloquei no meu texto, não critiquei apenas o lucro das fabricantes, critiquei principalmente a carga tributária excessiva.
      Nos EUA atualmente, a competitividade no setor é tão grande que os revendedores(concessionária) não estão conseguindo nem 2% de lucro anual nas vendas, estão ganhando dinheiro com serviços. Não estou dizendo também que isso deve ser assim aqui.
      Agora vamos colocar um exemplo pequeno aqui, de um colega de trabalho. Ele precisou trocar uma peça (bieleta) do carro dele, um Gol G5, fez um orçamento da peça na concessionária e lhe passaram o valor de 125 reais, comentando com o cunhado dele que trabalha em outra concessionária VW conseguiu a peça por 34 reais. Você acha isso uma margem de lucro pequena ou injusta? Se vendesse pelo dobro do preço ficaria mais em conta e já teriam 100% de lucro.
      Mas outra coisa, que citei num post acima, o Brasil fabrica carros para o México, com mais itens de série que são vendidos lá por quase metade do preço que é vendido aqui.
      Desculpe, mas para mim, isso é surreal demais.
      Está se tentando justificar os excessos do Brasil e não acho isso certo.

      • Costa
        Há muita peça no mercado paralelo e esse caso da bieleta bem mais barata pode ser um exemplo de origens e preços diferentes. Com determinadas peças há que se ter cuidado.

        • Costa

          Bob, foi a mesma peça da mesma marca, comprada na concessionária, porém pelo cunhado do meu colega que trabalha nela. Foi uma gentileza a venda da peça pelo preço de custo.

      • Daniel S. de Araujo

        Costa, essa historia de preços diferentes em concessionários diferentes existe mesmo. Depende da idade do estoque, da época que a peça foi adquirida pelo revendedor, da margem de lucro da revenda, do público da revenda (concorda que uma empresa pechincha muito menos que uma pessoa fisica?). Depende até mesmo da competência de quem põe preço e precifica a coisa.

    • Fernando

      Bob, mas se no mundo inteiro elas informam o lucro, porque aqui não?

      Não acredito que seja por aqui ser visto como ruim, mas ao contrário, deixa sensação de falta de transparência.

    • peeblebeach@frrolic

      Lucrar é o que faz as indústrias estarem aqui no primeiro lugar e se o consumidor e o governo permitem e estimulam o lucro, tanto melhor para a indústria. Mas o lucro também tem função de acumular reservas para os tempos de baixa demanda. As fabricantes estão aumentando o preço para cobrir o custo dos insumos, ok, mas as vendas estão caindo. Poderiam baixar o preço para estimular vendas, mas pelo contrário aumentaram os preços de janeiro pra cá, quando já se via que o mercado ia retrair. Não é ingenuidade, é lenha para queimar. As fabricantesprimeiro vão demitir, fechar lojas, exigir subsídios e vantagens, ameaçar ir embora, cancelar lançamentos e investimentos. Tudo isso antes de abaixar os preços, contanto que em algum momento alguém vai ceder primeiro, pois historicamente sempre cedemos. A hora é boa para forçar redução nos preços: ignorar feirões, propagandas e “vantagens”.

  • CorsarioViajante

    Muita gente fazia comparação direta sem pé nem cabeça, mas a moral, para mim, continua a mesma: Carro no Brasil ainda custa muito para o que oferece e para a realidade do brasileiro. E dai sim concordo que parte deste custo é o altíssimo Custo Brasil – mas não todo o motivo…

  • Luiz_AG
    Não sei o que você andou lendo, mas essa parada pegou os fabricantes de surpresa, pois tecnicamente não havia razão para ocorrer com a virulência que está ocorrendo. Poderia haver pequeno crescimento ou mesmo pequena queda de vendas pela menor oferta de crédito, mas não essa que está aí, cuja causa é exclusivamente falta de confiança nos rumos do país em razão de sua desastrada condução. Não falta de confiança dos que recebem bolsa-família, mas que de quem realmente trabalha e contribui para a riqueza da nação e que corresponde praticamente à metade do eleitorado. Não é só a indústria “de carros para as zelite” que está parando, você pôde ler no balanço da Anfavea que publicamos ontem o estrago na venda de caminhões.

    • Luiz_AG

      Bom Bob, eu trabalhei muito em instituição financeira e chega a ser fácil até ouvir a “rádio peão” no corredor. Fora isso devemos levar alguns pontos para saber que a atual situação é previsível e duradoura, e inclusive quem foi pego de surpresa só serve o rótulo de ingênuo.

      Vamos lá:

      – Segundo a escola austríaca de economia temos o seguinte conceito:

      “estabelecer as condições para se admitir a existência de uma tendência ao equilíbrio; estabelecer as condições em que ocorrem desequilíbrio, como na teoria de ciclos; construir teorias com relações estruturais entre seus elementos, que dêem conta da diversidade e complexidade do fenômeno estudado”.

      Mais importante que podemos citar é a teoria dos ciclos. Toda economia baseada em capitalismo cresce em ondas. Há um forte crescimento precedido de uma queda. Isso é um ciclo.

      Diante a crise de confiança de 2008 podemos analisar algumas atitudes do governo então para somente postergar o problema:

      – Aumento de crédito e subsídios através de bancos públicos para incentivar o consumo. Isso gerou uma bolha de crédito, já que não houve aumento real na renda per capita do trabalhador médio;

      – Aumento de incentivo para compras de bens duráveis – Sobretudo imóveis, o que gerou um aumento surreal no preço do m2, insustentável pela renda média do Brasileiro.Chegamos ao ponto de ter carro financiado em 120 meses e casas por 30 anos. A 30 anos atrás estávamos saindo da Ditadura, tivemos o plano cruzado, congelamento e falta de mantimentos. Imagina?

      – Política de manter o preço dos combustíveis artificialmente baixo, para não pressionar os índices de inflação e consequentemente o consumo. Isso quebrou a indústria sucroalcooleira devido a baixa compatibilidade do alcool como combustível e o baixo preço do açucar no mercado internacional. Piorava a situação o Real supervalorizado.

      – Real supervalorizado e falta de investimento de infraestrutra em portos e aeroportos. Um estrangeiro deve achar incabível um aeroporto sem um terminal ferroviário embaixo para evacuação do terminal…

      Essa situação foi mantida artificialmente durante a campanha eleitoral para não prejudicar os resultados. Não sejamos inocentes mais uma vez, a crise hidrica foi mantida em silêncio para não prejudicar a reeleição do governo do estado…

      Após passado a eleição, medidas de austeridade, diria até tarde demais foram tomadas o que acarretaram:

      – Aumento do custo da água e da energia elétrica, em razão de contratos e de crise nos reservatórios de água, sendo obrigado a operação das termoelétricas;

      – Aumento da TR e da SELIC, afetando diretamente contratos de financiamento pós-fixados;

      -Saturação do mercado consumidor. Qualquer crescimento baseado em consumo tende a ter um limite. Aqui não seria diferente, a população já está no limite da capacidade de adquirir crédito;

      – Com uma queda no consumo o processo de estagnação em vem cadeia. O dólar aumentou, aumentando o preço dos insumos importados. Com menos consumo a necessidade de logística ficou menor. Isso afetou o mercado de caminhões.

      – Esse processo em cadeia gerou desemprego, que diminuiu ainda mais o consumo e o resto da população que está empregada está com altas dívidas de longo prazo a pagar com pouca capacidade de consumo.

      – Sem falar dos problemas crônicos do brasil, como baixa produtividade, falta de infra-estrutra, etc.

      Em um grupo de discussão (poderíamos chamar de “economientusiastas”) vinhamos conversando sobre esse ciclo desde 2010, baseado na crise Americana de 2010 e bem mais parecida com a nossa a crise econômica da Espanha de mesma época que se arrasta até os dias de hoje. Chegamos a conclusão, baseada em conversas e algumas pesquisas “de corredor” que a situação de crise só havia sido postergado, mas com um problema enorme de uma bola de neve.

      Para quem acha que “o pior já passou” lamento decepcioná-los: Estamos vendo o início de um ciclo de estagflação. O último que vimos durou de 1981 até 1994. Temos um grande número de destratos das construtoras de imóveis, coisa de 80% dos contratos de imóveis comprados nas plantas.

      A grande maioria que adquiriu imóvel está no limite do endividamento, ainda vendo a TR e a SELIC subindo aumento ainda mais o preço da parcela a pagar. Adquirir carro? Consumir? Não se esqueça que essa é uma dívida de 30 anos, praticamente uma vida comprometendo grande parte do salário em financiamentos.

      Para quem tem alguma dúvida que isso ia acontecer, veja essa palestra do Rodrigo Constantino:
      A palestra é de 2010.

      • Luiz_AG
        Tudo muito bonito, mas você achar que a indústria foi ingênua não tem nada a ver. Havia uma previsão de crescimento menor para este ano por conta da conjuntura, mas não essa parada monstruosa. O Brasil ainda tem taxa de motorização baixa comparada à da Argentina, por exemplo, havendo um vasto mercado a ser explorado. Outro dado positivo é a inadimplência ter se mantido baixa até hoje. O que há é falta de confiança nesse governo. Havia esperança de que Dilma perdesse, mas isso não aconteceu. Aí a coisa parou de vez.

        • $2354837

          Não há falta de confiança, e sim há falta de capacidade de adquirir financiamento. Não temos infra-estrutura (de ruas) para esse aumento de auto-index.
          Espero estar errado, mas o problema só está começando. Espera só estourar a bolha imobiliária de vez.

        • $2354837

          Mas fique tranquilo… Já fui chamado de louco, de pessimista… Hoje me olham com aquela cara de “Estou todo ferrado, por que não avisou?”.

        • Sergio

          Pode ter déficit habitacional, de carros, o que for. Mas se não tiver renda/crédito para comprar, o mercado cai. Teve inflação de crédito, o que joga o preço de tudo para cima. E a renda não acompanhou. A produtividade também não aumentou. Até os sindicatos sabem, se a produção não acompanha a renda, isso gera inflação, e não adiantou nada ter aumento da renda. E o que mais teve foi inflação, via crédito. Pesquise por TACE, Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

  • Daniel S. de Araujo

    A questão do preço dos automóveis do Brasil é uma daquelas questões que geram discussões acaloradas, a maioria falando da margem de lucro “indecente” dos fabricantes. Contudo, alguns fatos são incontestes e patentes.

    1) Risco Retorno: As margens de lucro no Brasil são superiores em relação ao resto do mundo? Deve ser porque foi público que a operação brasileira sustentou a Fiat italiana durante algum tempo e mesmo a GM se valeu dos lucros brasileiros

    Mas precisamos ver que no Brasil temos o famigerado “RISCO” e o retorno tem que ser proporcional ao risco e aqui no Brasil, gostemos ou não, é tudo muito arriscado: Governo intervindo em impostos, extinguindo produtos com canetada (lembram do Gol 1-L turbo? Polo 16 válvulas? Corsa 1L 16 válvulas? Motores diesel Euro IV desenvolvidos para entrar em operação em 2008, projetos, testes e protótipos devidamente…jogados no lixo com as trapalhadas do Carlos Minc), enfim, a inconstância nos atos governamentais, para não falarmos dos sindicatos, uma justiça trabalhista incoerente, e uma série de custos adversos advindos da própria atividade.

    2) Impostos: Todos só falam do IPI e do ICMS embutido no preço dos automóveis, no “preço da nota fiscal”. Esquece que por trás do “preço do carro sem impostos” o fabricante incorre em uma série de impostos como PIS/Cofins (9,25% do faturamento – compensável), CSSL (9% do Lucro Líquido), Imposto de Renda Pessoa Jurídica (15% + adicional de 10% incidente sobre Lucro), ICMS, Contribuição Patronal Previdenciária (20% sobre a folha de salários – inclui empregados e prestadores de serviços), Outras entidades e SAT (5,8% e 1, 2 ou 3% de SAT – dependendo da atividade – incidente sobre a folha de salários de empregados e autônomos), enfim, uma estrutura tributária insana e onerosa.

    3) Custos Administrativos. Se os impostos no Brasil são uma confusão, precisa-se de gente para compreender a confusão! Em meio a tantos recolhimentos, retenções na fonte e substituição tributária, um complexo sistema contábil tem que ser montado. E isso custa dinheiro, e muito! E ainda é capaz de aparecer algum fiscal e achar que Contabilidade também é atividade-fim da empresa e querer a incidência de ISS (pensam que isso não existe???)

    Com tudo isso ainda resta a pergunta…será que o carro no Brasil é caro porque as “montadoras” (sic) “espoliam o Brasil”? Ou será que o sistema faz os carros serem caros porque os fabricantes também querem justificar o risco de manter as operações no Brasil?

  • fred

    Na minha humilde opinião, estamos misturando duas situações.
    A primeira é o preço absoluto de um veículo, em comparação com outros mercados – o que, para mim, foi o assunto do texto do Boris. Em termos absolutos, com a variação atual do câmbio, o preço de um carro no Brasil está bem próximo dos preços praticados em outros mercados, para um mesmo modelo. Já não há a diferença tão discutida por aí, quando o dólar estava com cotação menor. Esse foi o texto do Boris, para mim correto.
    A segunda é o “preço relativo” de um veículo, quando comparamos o seu valor relativamente ao custo de vida de um país, aos seus impostos, ao salário médio desse país, à taxa de juros de financiamento desse país etc. Aí, sim, o brasileiro, comparativamente, paga mais por um veículo do que em (alguns) outros mercados. Digamos que demora mais meses para ter em mãos, poupando, o valor do veículo do que em (alguns) outros países.

    Agora, em um ponto o nosso mercado precisa amadurecer, como consumidores. Margem de lucro das fabricantes, bem como taxa de juros de financiamento bancário, fazem parte do negócio, de um negócio privado de compra e venda de um produto! Se eu monto uma fábrica de cuecas e por algum mistério, quero pedir um valor alto para vender as tais cuecas, é um problema meu e de quem comprá-las, ou não comprá-las se não concordar!
    Eu, por exemplo, não compro um veículo financiado de modo algum; vou levando com meu velhinho até poder trocar, no ca$h, se eu achar que precisa e se compensar como negócio. Só compraria um veículo financiado se estivesse precisando muito, ou se o lucro que ele porventura me der compensar os juros. Aí, eu pergunto: esse tanto de gente que financia carro a taxas absurdas, no Brasil, precisam mesmo com tanta urgência? Ah, não? Então a culpa não é da fabricante com margens de lucro, nem dos bancos com seus juros. Eles pedem esse valor porque tem que paga. Quando amadurecermos como consumidores e avaliarmos esses fatores (e não só o valor da parcela no mês), o preço do carro cairá, e as taxas de financiamento também…

    • Luís Galileu Tonelli

      Concordo em grande parte com teu texto. Divergimos apenas quando tu diz que não comprar um carro fará baixar o preço. Na verdade não comprar o carro faz as fabricantes dispararem o velho mimimi de demissões. Começam as pressões sobre o governo e dão-se benefícios. Temos exemplo recente a VW com quedas de vendas e ameaçou demissões.

  • Não adianta falar de preços, comparando preço por preço. Tem de usar a paridade econômica como premissa básica.

    Nos EUA é fácil camarada comprar um Versa por 54 mil BRL, ganhando salário de 150 mil BRL por ano.

    No Brasil não é fácil camarada comprar Versa por 49 mil BRL e ganhando 75 mil BRL por ano.

    Dá para ver a diferença?

    • Roberto

      Concordo plenamente com você. E acho que para ajudar nesta comparação, algo que deve ser levado em conta é o preço é custo de produção de modelos de carros produzidos aqui e em outros países (como o up!, por exemplo), já que o custo de produção é diretamente dependente deste fator. Desta forma, falar em conversão de moedas, neste caso, não parece fazer muito sentido.

      • Fernando

        É exatamente isso que precisaríamos saber para fazer uma comparação justa. Por mais que os sindicatos façam suas trapalhadas por aqui e o Custo Brasil pese, creio que o valor da manufatura aqui não seja tão ruim assim.

    • Thales Sobral

      Bom, o fabricante não tem culpa de a gente ser pobre…

  • Rodrigo Neves

    Com os mesmos 50 mil do Fiesta nacional (duplo air bag, câmbio manual e ar manual) compra-se, na Índia, um com seis air bags, PowerShift e ar digital. Fora o acabamento pior dos feitos aqui, em comparação ao de lá.

  • Newton (ArkAngel)

    Chamar algo de barato ou caro é algo relativo. Caro é aquilo que não posso comprar, ou compro com dificuldade.
    Um funcionário do Wal Mart que empurra carrinhos no pátio ganha US$ 500,00 por semana, US$ 2000,00 por mês, e um Corolla custa lá US$17.000,00, ou seja, 8,5 vezes o seu salário. Usando-se a mesma proporção, um funcionário brasileiro na mesma função precisaria ganhar R$10.000,00 por mês para comprar um Corolla.
    Aqui neste país, as coisas são caras e as pessoas baratas.

  • Fernando

    Na verdade dólar não parece ser a moeda instável da questão…

    Os nossos últimos PresidenTes é que conseguiram a proeza de abalar diversos setores nacionais, e até trazer essa instabilidade cambial que o real tem. O assunto maior é logicamente do dólar, afinal ele é a moeda base de todos países, porém o euro também teve um acentuado aumento nos últimos meses, chegando a R$ 3,33 na última cotação que vi, sendo que no ano passado estava abaixo dos R$ 3. Não acho que o euro também seja o problema…

    A base de comparação de valores dos veículos é difícil porque não leva a uma comparação de modelos idênticos a não ser de carros como o Camaro que vem de lá. O Versa e up! mesmo, são diferentes dos que há aqui, que para nosso mercado sendo mais simples, isso já refletiria em menor custo.

    O Versa nos EUA vi o valor tabelado de US$ 12.000 (-10), porém este (o mais básico para eles) não tem alguns opcionais da nossa versão mais completa, mas como não vi a ficha e é provável, pode ter outros itens que o nosso não. Só não sei qual o fator de conversão que o Boris usou, creio que supôs valores de frete e impostos, pois na conversão do dólar seria ainda absurdamente menos do que aqui. O up! mesmo que me lembre teve diversos itens barateados na nossa versão, o que então não pode ser comparado diretamente com o alemão.

    Mas acho que essas comparações correm o risco de serem injustas para ambos lados.

    Para a minha própria opinião, acho que a dose de gordura do setor é sim acima da média, assim como temos o direito de ter nossa opinião sobre outros setores também, em que pese compreender o risco e dificuldades que as empresas tem para sobreviver no Brasil, e não condeno ou vejo como algo único no mundo. Mas lamento não termos uma fabricante com marca própria criada por brasileiros ainda em funcionamento, e antes que alguém diga que é besteira, pode ver se no país de origem de cada fabricante hoje dita grande, não há uma preferência nacional por ela.

  • Lauro Agrizzi

    É preciso deixar claro para os que estão discordando do artigo que os fabricantes em geral de produtos consumidos no mundo inteiro não tem culpa da moeda brasileira ser real, dos desmandos do governo etc. O fato é que a moeda aqui estava deflacionada para combater artificialmente a inflação. Se vocês acham os fabricantes de automóveis são aproveitadores, o que será que pensam dos fabricantes de celulares, perfumes,jóias e roupas de grife? Sem falar nos demais alimentos exclusivos? Seriam ladrões abomináveis.Parem com isso e parem de culpar os outros pelas mazelas do Brasil que não sejam os governantes,políticos e o povinho que aqui vive.

    • Fabio Toledo

      Afinal… Compra quem quer! Povo que não sabe comprar e fica reclamando!
      Ahhh… Outra despesa que o brasileiro tem e não foi observada… Logo após comprar o “carrão 0-km”, o mesmo vai para o asfalto lunar, um verdadeiro teste de durabilidade diário! Ahhh! Outro custo!!! A tal “tropicalização”. Ops! Custo? Ou corte?

  • ruy1984
    O colunista Boris se ateve aos preços equivalentes em reais aqui e lá fora, só. É nisso que havia forte discrepância em razão do câmbio.

    • ruy1984@gmail.com

      Que honra Bob ter um comentário seu. Realmente existia uma discrepância devido ao câmbio. Mas a diferença maior ainda persiste, que é o tempo que se leva para comprar o mesmo veículo com o salário médio aqui e no exterior.

  • Junior

    Comparação no mínimo estranha, quer dizer então que sendo o Brasil o pais com uma das maiores cargas tributárias do mundo consegue vender o mesmo carro com o mesmo preço dos EUA? Concluo então que a indústria brasileira e muito mais eficiente e produtiva que a americana. Então tudo que falam da baixa produtividade da indústria brasileira e bobagem??? Não exportamos nossos carros por que não queremos???
    Acho que não. Um New Fiesta custa nos EUA US$13965 para um salário mínimo de US$ 15.000 por ano. Aqui o mesmo carro parte de R$ 45.000 (e com varias economias em acabamento etc.), então aqui temos que trabalhar 5 vezes mais para comprar o mesmo carro.

  • Luiz_AG
    Claro, isso é outra questão, à qual o colunista não se deteve..O objetivo era comparar preços em reais.

    • $2354837

      Isso é verdade, não está valendo a pena nem comprar eletrônico no Paraguai, o que dirá um carro…

  • Luis Carlos

    Boris,

    E o salário médio do americano é igual ao daqui? Isso é o que pega na curva.

    • Marcelo Henrique

      O salário médio de um americano gira em torno dos 3.274 dólares.
      Se o cara tiver este salário e casa própria, não é tão difícil comprar um bom usado de aproximadamente cinco anos de uso por 5.000 dólares e mais para frente comprar um Corolla/Civic novos.

  • Rogério Ferreira

    Não concordo. A questão que a cotação do dólar não está expressando a realidade, e só chegou ao patamar dos 3 por 1 por conta da atual crise. E não é primeira vez que isso acontece. É só recordar, no final do ano de 2002, que o dólar chegou perto de R$ 4 reais, quando o Brasil passava por outra crise. E, aliás, a economia brasileira, assim como toda economia que depende exclusivamente do mercado interno, é cíclica: entre em crise, quando todos estão endividados, e decola quando todos voltam a comprar. Isso já acontece há 20, 30 não sei há quantos anos… Tivemos milagres econômicos na década de 60, 70, 80, 90 e 2000 sempre intercalados por crises avassaladoras. Não é por ação de um ou outro governo… é característica. A economia brasileira é assim mesmo. E quantos “oportunistas” não se aproveitaram dos momentos favoráveis, chamando-os para sí, se elegendo e se reelegendo? Enquanto o Brasil não for competitivo no mercado internacional isso não vai mudar…Nossa indústria automobilística, por exemplo, poderia estar vendendo para Europa, Asia, Oceania, EUA, Africa, Oriente Médio, ou mesmo para nossos vizinhos sul americanos. mas consegue vender apenas para os mercado interno. Quer um exemplo que ilustra bem isso? o Chile, porque não vendemos carros para o Chile que vive um bom momento, e importa toda sua frota? Porque os chilenos preferem importar carros do outro lado do planeta, ao invés de comprar aqueles que podem chegara lá em caminhões, com o custo de transporte infinitamente menor? Alguém lembra da notícia que há cerca de dois anos, deixaram de comprar nosso pseudo 207 para importar o 206+ francês? A resposta, sabemos… Se nossos carros realmente fossem equiparados em preço e qualidade, aos que são vendidos la fora, nossa indústria estaria exportando à beça… Não precisava demitir ninguém, não é mesmo?

    • Alexandre Cruvinel

      Se você observar a curva de preços entre 2007 e 2012, ficamos com os preços estáveis, e alguns carros ficaram mais equipados. O Focus I ainda era um carro muito bom no final da vida, custava o mesmo que o Gol e morreu porque não vendia. A Strada é baseada em uma plataforma de 20 anos atrás e é líder de vendas. O up! é um carro atual e não vende tão bem. Na base o consumidor não quer carro sofisticado e atual, quer carro simples. Peças em qualquer esquina. Kombi e Uno morreram por decreto.
      Para complicar, o conceito de popular é cilindrada, se um Clio é lançado na Europa com motor 1,2-litro, tem que ser modificado para ser vendido aqui, e isso custa dinheiro. E ainda ficamos com um produto menos competitivo. A calibração de injeção para E25 a E100 também só atrapalha.
      Os governos fazem tudo errado e o fabricante só faz tentar cumprir as regras do jogo. Concordo com o Boris, quando a maré permite, ganham muito, mas colocar a culpa nos fabricantes é tapar o sol com a peneira.

  • gpalms

    O Up! na Alemanha vem no mínimo com ESP e jogo completo de airbags. E acredito que o Versa americano também vem com esses equipamentos. Paga-se a mesma coisa por menos por aqui.

  • RoadV8Runner

    O Custo-Brasil é assombroso, torna qualquer produto aqui fabricado muito caro. A energia elétrica, por exemplo, mesmo antes dessa tal bandeira vermelha ridícula já era uma das mais caras do mundo, mais até do que energia elétrica de países europeus.

  • RoadV8Runner

    A encrenca tributária nesta terrinha torta é tão grande que, em geral, nas empresas de contabilidade existe uma pessoa que fica incumbida de ler diariamente o Diário Oficial, no que se refere a tributação, para ver se uma nova lei foi criada ou se uma antiga foi alterada. E, dependendo da alteração, nem mesmo os especialistas na área sabem ao certo como aplicar o imposto…

    • cesar augusto

      O trem aqui é tão maluco que as empresas tem mais gente trabalhando na atividade meio do que na atividade fim. Se pegar uma construtora, o quadro de contadores e advogados é maior que o de arquitetos e engenheiros. Tudo para tentar entender este sistema tributário e as vezes ainda comentem erros.

  • Gabriel Bastos

    A comparação absoluta em preços está corretíssima, porém o custo relativo não tem influência da indústria automobilística ou de qualquer outra que seja. Vejamos aqui no Brasil um empregado custa para o empregador em média 170% de seu salário 100% salário 70% encargos, contribuições, fundo compulsório FGTS e etc… Aqui um cara classe média alta tem um Corolla, nos EUA é carro de entrada e por ai vai… Aqui uma família com renda de 1.200 reais e considerada classe média, lá US$ 400,00 per capta/mês é pobre. O problema está não no custo de produção mas no custo agregado de tributos e infra. O trabalhador que paga 40% de seu salário em encargos e tributos sofre tanto quanto o empresário que paga muito em tributos em seus produtos acabados, e que ganha? Uma minoria de pessoas do lado de lá do balcão que não trabalha, rouba ou quando não rouba e trabalha o faz sem competência e custa caro para a maioria do lado de cá do balcão que banca este custo.

  • Gabriel Bastos

    WSR, Discordo amigo, temos hoje uma dúzia de fabricantes no Brasil e não vimos a redução de preços, inclusive com os imbatíveis chineses que chegaram mais barato mais nada fora da praxe . O problema são nossos custos de impostos. sou taxista e compro carro com isenção de IPI e ICMS e só ai vão 25% de desconto! Não me importaria em ter uma taxa média de impostos de de 37% o problema é que pago imposto de norueguês e tenho em troca serviços públicos nigerianos… pago para meus filhos estudarem, pago plano de saúde , pago seguro caro por falta de segurança, tenho estradas esburacadas e gasto com manutenção por isso, tenho uma gasolina medíocre que destrói o motor do meu carro ….

  • Jean Delfino

    Acho equivocada a idéia de que um carro é caro fazendo conversões de moedas e ponto, minha proposta é que o Boris faça uma segunda parte desta matéria levando em consideração o poder de compra do consumidor nos países citados.
    Fazendo comparações figurativas, até um chiclete pode sair caro ou barato de acordo com o impacto direto causado na renda de quem compra.

    • Cadu Viterbo

      A conversão direta não é o melhor caminho. A relação do preço com o salário-mínimo (ou até renda per capta) dá uma dimensão maior do que representa determinado custo.
      Comprar um carro zero km pesa muito mais no bolso do brasileiro que do americano. Principalmente se levarmos em conta taxa de juros sobre financiamento

  • Costa
    Peças de mesma marca ou peças com embalagem de peça original VW? Esse detalhe é importante, porque se não for peça original e for do mercado paralelo, pode ser que o preço de 125 reais seja o preço público sugerido da peça original, pelo qual vendem a peça do paralelo, e 34 reais seja o preço de custo da peça não original.

  • Alexandre Cruvinel

    Eu defendo muito mais a equiparação de conteúdo dos nosso carros com os lá de fora do que o preço em si. Preços não tem espaço para despencar, reduziram junto com a queda de impostos e voltaram a aumentar. Agora, o lucro em um simples rádio com bluetooth é que é imoral. Umas 400 pratas como opcional já seria muito bem pago, cobram mais de 1000. Carro que começa em 45 e vai a 60 é onde a margem aumenta muito. Só compro carro em configuração básica. Se comprar um Grand Siena e colocar muitos opcionais, encosta no Sentra.

  • Fernando
    Questão de legislação. Aqui as fabricantes são todas empresas Ltda., em que não é obrigatório publicar balanço. Se não é obrigatório, nenhuma é boba de publicar e deixar a concorrência ver seus resultados. Na Europa todas têm ações na bolsa e por isso são obrigadas a publicar e chamam a si os bons resultados.

  • Eric
    Não costumo me ocupar de comparar preços e o autor da matéria é o Boris, mas as vezes em que consultei sites dos EUA vi que o básico deles é mais simples do que o nosso, exceto na questão dos airbags, e que o preço da entrega, preparação etc é bem alto e destacado do preço público sugerido pelo fabricante. Mas de qualquer maneira temos uma carga tributária que é impensável lá. Por isso é melhor comparar com os preços na Europa, de carga tributária mais alta que a americana.

  • Marcelo Henrique

    De qualquer forma, o poder de compra do brasileiro caiu e a crise se instaurou por aqui. Do contrário não viríamos concessionárias do sul e até mesmo do sudeste fechando.

    • Fabio Toledo

      A questão não é só poder de compra, mas principalmente incerteza.

  • Marcelo Alonso

    Para mim a conta é simples, pegue o valor médio do salário do trabalhador americano e do brasileiro e vejam quantos meses eles precisam trabalhar para pagar, por exemplo um Corolla: 10 meses para o americano e 45 meses no caso do brasileiro aproximadamente. A taxa de câmbio pode e é manipulada por governos, especuladores e em nosso caso, pode ser afetada até por fatos políticos. Esse é o custo real da aquisição, e de maneira geral, tudo aqui é cinco vezes mais caro, não é à toa que tem tanta gente indo aos Estados Unidos para fazer compras e, com a economia feita, pagam as passagens e estadia, isto pagando as mercadorias em dólar, com a taxa do dia. Pena que não podemos colocar automóveis em malas.

    • Lemming®

      Exatamente!
      Texto totalmente sem nexo pois o autor não leva em conta nenhuma destas variáveis!
      Nosso dinheiro não valer nada não é o mesmo que os produtos estarem mais baratos!

      • Rodrigo Neves

        Quer dizer que, se o câmbio passar dos 4 reais, os carros serão mais baratos aqui do que lá? 🙂

        Os veículos no país são ruins. E são caros para a realidade do país por diversos fatores. Note que nem sempre é culpa do fabricante, mas quase sempre é.

        Alguns exemplos:

        1 – (BR) Gol 1.0 Rock in Rio 2015 – 15 mil dólares

        2 – (US) Jetta 2.0 – 17.300 dólares – 51 mil reais

        3 – (ES) Polo 1.0 – 13.860 euros – 47 mil reais

        Segundo o Carsale:

        “Segundo a imprensa indiana, os preços estimados do Figo Aspire ficarão entre R$ 26.450 e R$ 33.700. Já o Ka+ parte de R$ 41.490 (SE 1.0) e vai a R$ 50.090 (SEL 1.5)”.

  • Leonardo Mendes

    Sumiram mesmo.
    E não deixaram saudades.

    Conheci um tipo destes… reclamava, reclamava, mas na hora que apareceu uma oportunidade na Fiat correu a comprar um Palio Essence zero-km dizendo que “era muito boa a oferta pra deixar passar.”

    Yes, nós temos bananas!

  • Fabio Toledo

    É porque o brasileiro ainda não segurou o dimdim por mais tempo… Só lançar uma isenção aí que o povo vai como doido… Afinal, brasileiro é isssxxxpeeerto!

  • Lemming
    Engraçado, a discussão sempre foi o carro ser mais caro aqui que lá. Depois que o Boris publicou a coluna mudou o discurso, agora virou quantos meses de trabalho para comprar um carro. Está parecendo a primeira campanha antifumo nos EUA, à qual ninguém deu bola, tendo sido preciso inventar a história do “fumante passivo” para a campanha ganhar força – na base do se não dá de um jeito, tente-se de outro.

    • Luis Carlos

      Bob,

      Mas não se pode negar que o peso do salário do brasileiro em relação ao europeu apanha e muito.

      E pode ser a cotação do dólar que for o brasileiro está em desvantagem, pois dólar valorizado os produtos importados ficam caros.

      Porque o governo aqui só quer saber de ganhar nos impostos de todos os produtos, nunca quer perder.

      Na minha opinião a comparação mais transparente e justa é o salário e não cotação de dólar. O Boris só esqueceu de falar isso.

  • Luis Carlos
    De novo, pois já falei nisso. O colunista quis tocar num ponto, o de que o carro brasileiro não é mais caro que os estrangeiros nos seus mercados de origem, e mostrou isso. Ele não se esqueceu de nada. Que os salários no Brasil são mais baixos, nunca se questionou isso.

    • Junior

      Bob, se não é mais caro tente exportá-los então. Mesmo com o câmbio favorável nossos carros não são competitivos no mercado exterior, se fossem teríamos uma solução para a indústria automobilística que está parada.

      • Junior
        Quem garante que a indústria já não esteja pensando nisso? Só que contratos de exportação não se concretizam da noite para o dia. Não adianta argumentar, tanto você e vários leitores ficaram sem chão depois dessa coluna do Boris e estão de várias maneiras contestar um fato irrefutável. Será que você motivo de o Fusca ter parado de vender nos volumes que vinha obtendo nos anos 1970? Foi o câmbio, a exportação começou com DM 4 por dólar, o marco alemão foi valorizando frente ao dólar, foi para DM 2,5 por dólar e o Fusca acabou ficando ficou caro demais.

  • Daniel

    Nos EUA não é tudo tão barato. Aluguel, serviços e saúde são mais caros que no Brasil até para os salários deles.

  • André Castan

    Discordo totalmente. Não levou em conta um fator de suma importância. O salários nos países citados não são em reais. Assim, se quer fazer a conversão dos preços dos carros, que se faça também dos salários. Dessa forma, tomando como exemplo alguém que ganha 5 mil aqui, também ganha em torno de 5 mil euros na Europa. Fazendo a conta simples, 5X3,5 = 17,5. Ou seja, é mais fácil comprar um up! de 40 mil aqui com 5 mil mês ou um de 48 mil lá ganhando 17,5 mil?

    • André Castari
      Tudo o que o Boris fez, com toda propriedade e êxito, foi mostrar que não existe mais a distância de preço entre os carros daqui o fora que se dizia haver (e havia). Ele em momento algum diz que ficou tão fácil comprar um carro aqui quanto no exterior. Ele até poderia falar a respeito, mas em outra coluna, com enfoque totalmente diferente.

      • André Castan

        Bob, me desculpe, mas não é só a questão do poder de compra. É o custo mesmo de produção e a margem de lucro das fabricantes. Reforço, aqui o custo é em reais e não em euros. Não se pode fazer apenas a conversão do preço do carro. Tem que fazer a conversão de toda cadeia se quiser comparar dessa forma. Imagine se as fabricantes pagassem 5 mil euros de salário aqui no lugar de 5 mil Reais. O custo continuaria o mesmo? A margem continuaria a mesma? Não. Aqui paga-se merreca de salário e vende pelo mesmo preço que na Europa. Portanto os carros são muito mais caros aqui sim.

        • André Castan
          Você está se esquecendo da carga tributária brasileira que incide até nas autopeças que compõem um carro e de que a merreca de salário é para o empregado, mas não para o empregador..

          • André Castan

            Sei Bob, o valor muito mais caro do carro aqui é o conjunto fome do governo + fome do fabricante. E a merreca de salário, continua sendo merreca mesmo com todo tributo do governo. Se colocarmos 100% de tributação, vai para 10 mil reais. Se fosse 5 mil euros o salário, seria mais de 17 mil reais supondo uma tributação zero. Não tem jeito, temos que encarar a realidade, o carro é muito mais caro aqui sim e por culpa do fabricante, do governo e do povo que se sujeita a pagar o preço.

          • Erlon Radl

            A distância aumentou ainda mais, com a queda do poder de compra do brasileiro.

  • André Castan

    Concordo Lemming. Com todo respeito ao Boris, mas esse texto não tem sentido. Os carros continuam muito mais caros aqui que na Europa e EUA por exemplo.

  • Marcelo Maita

    Os valores comparativos e até mesmo proporcionais dos carros nos EUA são realmente de encher os olhos. O que pega lá é o custo de vida. ou vocês acham que todo mundo come carne todo dia?

    Embora a energia custe menos, você tem altos custos dos imóveis, saúde e educação.

    Achei o post bem pertinente.

  • Leandro

    Concordo que sim, com a elevação do valor do dólar os valores dos carros se equipararam no mundo todo.
    Exemplo: Golf GTI, no Brasil custa R$ 140 k, em Londres custa libras 27,5 k. Usando a taxa de 5 reais por libra os valores se equivalem.
    Mas agora vamos pensar no poder de compra da população. Um trabalhador que ganha 2k reais e 2k libras por mês. Quem terá condições de comprar o Golf GTI? O brasileiro que se juntar 1k reais por mês e que vai levar 140 meses (se não houver aumento…etc) ou o londrino que se juntar 1k libras levará 27,5 meses?
    Essa é a realidade do Brasil…infelizmente mesmo com os valores iguais continuamos defasados com o resto do mundo, por conta do Custo Brasil.

  • FM

    Vivo no Brasil onde um engenheiro percebe facilmente mais de R$ 50 MIL por ano. informe-se antes de expor sua opinião. Existem dezenas de profissões mal remuneradas no pais, garanto-lhe que engenheiro nao é uma delas. Escolheu mal o exemplo, campeão.

    • Daniel S. de Araujo

      FM, respeito seu ponto de vista mas favor não me chame de “campeão” que isso não é palavreado de um profissional que acumula facilmente R$50 mil. É palavreado de malandragem.

      • FM

        Desculpe se o ofendi com a palavra campeão. Posso usar meu extenso léxico se você desejar um a discussão rebuscada . Mas eu nunca havia escrito que um engenheiro acumula facilmente 50 mil. Informei que acredito que qualquer engenheiro tem condições de acumular, salvo exceções.

  • Se me permitem opinar neste post mesmo atrasado: brasileiro (a maioria!) nunca viajou, sempre fez “chiba” logo, não passa de um “chibeiro”… Os comparativos entre os preços de carros antes e depois da valorização do dõlar sempre foram “meias” verdades, já que o câmbio foi irreal e, as fabricantes aceitaram este jogo porque seriam um dos poucos setores da “indústria” nacional que podia, ao fim do exercício fiscal, comprar a moeda americana no câmbio oficial e enviar para fora do pais, legalmente, como lucro… O boom de fabricantes ou montadoras estrangeiras de ampliar suas instalações no mercado interno só aconteceu por imposição do estado (sempre ele!) forçando a barra…Mas, pelo que pudemos constatar nos últimos meses, algumas ficarão só na intenção… E ainda, faço uma argumentação simples: por que, mesmo com a isenção total de impostos, os produtos montados aqui não conseguem competir com as unidades internacionais das fabricantes? Simples…O câmbio ainda é fictício…E mais, voltamos á paridade de dez anos atrás porém com uma elevação ou inflação de 100% acumulada…Não é nada animador…

    • Luis Carlos

      Já que você diz que câmbio é fictício e que o produto do Brasil não é competitivo com o do exterior, então por que as indústrias automobilísticas daqui não fecham as portas?

      • Prezado Luis Carlos. Quem disse que as fábricas aqui não fecham as portas?

  • CorsarioViajante

    Boa reflexão.

  • pkorn

    A comparação de preços ainda é pertinente a meu ver. Se uma pessoa ganhar 8 mil dólares de salário nos EUA e outra ganhar os mesmos 8 mil dólares de salário em São Paulo. O trabalhador dos EUA comprará o Fiesta (de preço absoluto parecido nos dois países) com maior facilidade. Quando fui aos EUA fiquei impressionado ao ver no supermercado alguns eletrodomésticos básicos (torradeira, liquidificador) por 6 a 10 dólares. Cada dólar ganho aqui vale menos em relação aos EUA, mesmo se o preço dos carros ficar igual com esse câmbio.

  • pkorn

    Obrigado por exprimir exatamente o que pensei quando li o artigo, o preço absoluto em dólar igual não garante igualdade de poder de compra.

  • peeblebeach@frrolic

    Então como um Honda City fabricado aqui com o mesmo aço é exportado para o México e chega lá na concessionária em Tijuana mais barato que numa concessionária de SP?

  • Erlon Radl

    A questão é simulando um financiamento para um Versa nos EUA, o valor final é praticamente o mesmo do pagamento à vista….

  • Acelerava…

    Ótimo texto.