TAKATA ADMITE DEFEITO NAS BOLSAS INFLÁVEIS

Bolsa no cubo

(Foto Richard Truett/Automotive News)

Da Automotive News:

19/05/2015 – Após meses de pressão das autoridades americanas, a Takata Corp. admitiu que seus infladores de bolsa inflável aplicados em aproximadamente 34 milhões de veículos são defeituosos, uma decisão aumenta enormemente a abrangência da crise da bolsa inflável e pode levar a uma das maiores convocações por um problema de segurança da história dos EUA.

A admissão da Takata marca um reviravolta em sua longa recusa em declarar que os infladores tinham defeito.

Desde 2008, quando os primeiros veículos foram convocados em razão de infladores da Takata poderiam se romper num acidente e pulverizar ocupantes com estilhaços metálicos, o fornecedor atribuiu o problema a uma série de erros de fabricação e manipulação do material nas fábricas da empresa que ela diz ter corrigido nesses anos.

O fato marca também uma vitória da Administração Nacional de Segurança de Tráfego Rodoviário (NHTSA, a sigla em inglês), que foi criticada por agir muito lenta e timidamente na convocação da Takata e na do ano passado relativamente aos interruptores de ignição defeituosos em carros da General Motors.

As autoridades americanas começaram a aumentar a pressão sobre a Takata no ano passado ao declararem que seus infladores eram defeituosos, em razão do aumento do volume de comunicações sobre lesões e mortes ao ponto de afetar milhões de veículos.

“Até agora a Takata se recusava a admitir que suas bolsas infláveis tinham defeito.’, disse o Secretário de Transportes dos EUA Anthony Foxx numa entrevista coletiva de imprensa para anunciar a ampliação da ação. “Isso mudou hoje.”

Detalhes em breve

Os fabricantes deverão detalhar nos próximos dias que marcas e modelos de veículos estão afetados em convocações voluntárias para infladores do lado do passageiro, disseram executivos do órgão numa entrevista coletiva de imprensa hoje. O número de veículos convocados pode também mudar à medida que forem chegando mais informações, disseram.

Cerca de 16 milhões dos 33,8 milhões de veículos citados no anúncio de hoje representa uma expansão em nível nacional das convocações para infladores do lado do passageiro que eram limitadas a áreas de alta umidade relativa do ar. Convocações de nível nacional para a bolsa do lado do motorista também crescerão de 9 milhões para cerca de 17 milhões

O fluxo de substituição das peças será priorizado segundo o risco, como parte do processo legal que a NHTSA anunciou hoje. A prioridade deverá ser para veículos mais velhos que rodam em regiões de elevada umidade, uma vez que exposição prolongada em climas quentes e úmidos é tido com fator causador da explosões de infladores.

Mark Rosekind, chefe da NHTSA, disse que sua agência realizaria seus próprios testes e os validaria para terceiros, para garantir que as peças de reposição são “totalmente seguras.” Ele admitiu que o processo pode levar anos.

Bolsas de substituição

A substituição das bolsas defeituosas será ainda mais desafiadora para a indústria automobilística, que já vem enfrentando fornecimento reduzido de peças de reposição, uma vez a que a Takata, bem como concorrentes como Daicel, TRW e Autoliv estão procurando aumentar a capacidade de produção dessas peças.

Numa atitude de concordância com o órgão, a Takata também prometeu cooperar com “todas futuras ações regulatórias que a NHTSA leve a efeito nas investigações e inspeção na Takata em andamento, segundo uma declaração do Departamento de Transportes dos EUA.

Com parte do acordo de concordância, a NHTSA suspendeu os US$ 14.000 por dia de multa que havia imposto à Takata desde fevereiro sob a alegação de não cooperar com a investigação do órgão. Não foram anunciadas multas hoje, mas futuras são possíveis dependendo do resultado da investigação sobre os defeitos da Takata.

Testes da Takata, fabricantes e pesquisadores independentes ainda não chegaram à conclusão sobre a causa principal do mau funcionamento. Mas a NHTSA disse que suas análises dos resultados dos testes apontam a exposição à umidade por longo período de tempo como fator.

Shigehisa Takada, presidente e executivo-chefe da Takata, disse numa declaração: “Estamos contentes de termos chegado a esse acordo com a NHTSA, a qual mostra um claro passo à frente no melhorar a segurança e na restauração da confiança dos nossos clientes fabricantes e do público que dirige carro. Temos trabalhado extensivamente com a NHTSA e nosso clientes da indústria desde o ano passado para colher e analisar uma enorme quantidade de dados de teste num esforço de apoiar ações que sejam úteis para todos os envolvidos e, mais importante, para a segurança do motorista. Estamos comprometidos a continuar a trabalhar em conjunto com a NHTSA e nos fabricantes-clientes para fazer tudo o que pudermos para aumentar a segurança dos motoristas.”

Takada disse que o potencial para degradação de longo termo dos infladores das bolsas infláveis não estava dentro da abrangência sugerida pelas fabricantes.

A Honda disse numa declaração que muitos dos infladores envolvidos na admissão de defeito da Takata já haviam sido incluídos em ações de correção ou convocações. A fabricante disse estar revendo a informação divulgada hoje para determinar que novas ações podem ser necessárias para garantir ainda mais a segurança dos clientes.

Resposta do legislador

A admissão e acordo da Takata com a NHTSA foi aplaudida pelos legisladores dos EUA. Os senadores americanos Edward Markey, D-Massachusetts, e Richard Blumenthal, D-Connecticut, criticaram pesadamente a decisão de limitar muitas das convocações da Takata a regiões de alta umidade, e aplaudiram a NHTSA por expandir as convocações ao nível nacional.

“Estamos satisfeitos por a NHTSA estar tomando esses passos há tempo devidos para proteger motoristas e passageiros e por a Takata ter de cooperar com a investigação em curso desta tragédia.”, disserem os dois legisladores numa declaração conjunta.

Ae/BS



  • Caio Azevedo

    Será que, diante de um número tão alto de veículos afetados e de anos necessários para se corrigir o problema, ninguém pensou em simplesmente mandar desligar as bolsas dos carros defeituosos? Até porque o cinto dá conta da maior parte da segurança necessária, certo?

    • Marlon J Anjos

      Não é tão simples.
      Durante anos estão vendendo a imagem de que o airbag é necessário, não vão recuar agora.
      Ofereceram este equipamento ao cliente, que pagou por ele, desativar causaria uma inundação de ações coletivas.

    • Victor De Lyra

      Recomendo ver o resultado de um crash-test com airbag e sem o mesmo para ver a diferença. Alem disso, independente da complexidade logistica, os clientes pagaram para ter o equipamento funcionando, então nada mais justo que serem compensados de alguma forma.

    • RoadV8Runner

      Pelo que entendi do problema, pode ocorrer acionamento espontâneo da bolsa defeituosa. Não sei se simplesmente desligar seria uma solução segura, mesmo que temporária. Se o problema for relacionado a sinal elétrico, somente desligar funciona, mas se a causa for degradação do material químico que infla a bolsa, não adianta em nada. Uma solução temporária e segura seria remover todo o conjunto, até que se tenha o correto para reposição.

    • Domingos

      O processo ia comer solto, tanto em defesa do consumidor como se alguém acreditasse (com razão ou não) que o airbag teria feito diferença num acidente.

  • Renato

    Este problema já vinha sendo discutido há bastante tempo mas, curiosamente, este mês a Toyota fez um recall para tratar de problemas em bolsas infláveis. Será que tem algo a ver com esta admissão de culpa?

    Será que tem mais de um problema no sistema de bolsas infláveis?

  • Filipe

    Bob, esse defeito se restringiu ao mercado americano? Eu tenho um Focus Mk1, com airbag duplo, alguma chance de ele ter o componente defeituoso, já que tecnicamente ele é de uma fabricante americana?

  • RoadV8Runner

    Por essas e outras é que não me agrada nem um pouco estar a bordo de um veículo que seja equipado com essas bolsas infláveis. Prefiro muito mais me arriscar a dar com a cara no volante ou painel em caso de uma eventual colisão. Como sempre digo, até bater o carro de fato, muita água passa por baixo da ponte…

    • Domingos

      Acredite, você não quer isso. Antes de começar a adoção maciça dos airbags, parece que a lesão mais comum que tinha era justamente a de dar a cabeça no volante ou lesionar o pescoço pelo movimento exagerado – que o cinto não consegue reter.

      Ambas as lesões são fatais ou muito prejudiciais. Em carros modernos, onde geralmente a estrutura aguenta o tranco (tirando acidentes indefensáveis, claro), essas eram as lesões que sobravam e são justamente entre as piores.

      Hoje prefiro que o carro não tenha ABS mas tenha airbag. Aprender a frear é possível, evitar eventualidades não.

      O número de pessoas que teve esse tipo de problema é baixíssimo. Apesar do escândalo e de o recall ter toda razão, dezenas de milhões de carros usaram esses airbags e apenas alguns problemas (graças a Deus!) ocorreram.

      Praticamente todo carro japonês saiu com esses airbags. Não sei como ainda não faliu a fabricante!

  • Filipe,
    Não tenho essa informação. No seu lugar eu perguntaria à Ford.

  • Caio Azevedo

    É verdade que existiria uma demanda enorme e descabida de ações judiciais nesse sentido. Então eu sugeriria a cada proprietário que desligue o air bag do seu carro. Eu faria isso. Se não seriam anos encarando uma bolsa defeituosa no dia-a-dia.

  • Domingos

    Da forma como os carros são projetados nos últimos 15 anos é absolutamente necessário.

    Nenhum carro mais tem deformação pensada para aliviar a retenção dos passageiros dianteiros sem ajuda do airbag. O resultado é você receber cargas que não consegue aguentar, pois a estrutura é rígida demais e pensada para dividir a carga com o airbag (por isso mesmo os cintos de segurança possuem hoje limitadores de retenção).

    E sim, iria ter uma chuva de ações coletivas.

  • Sil vino

    E vai que… trocam por bolsas tbem defeituosas… ja pensou? Imaginação a parte, esse caso é um belo baque pra imagem do produto, que insistem em ser obrigatório.

  • RoadV8Runner

    De novo: não gosto de bolsa inflável, pois elas só servem em caso de batida. Como não compro carro para bater, essas bolsas estão totalmente fora de minhas prioridades.

    • Domingos

      Também não faria seguro, nem de terceiros, se não fosse para bater. E Deus que me livre de ter que trocar minha paz por alguns reais.

      A mesma coisa pode ser dita da estrutura e dos cintos de segurança. Se você realmente fosse projetar o carro para nunca bater, todos os carros seriam mais ou menos como um Lotus Elise (que entre outras coisas é complicadíssimo de realizar qualquer reparo, mesmo daqueles no estilo encostadinha de garagem).

      De qualquer forma, seria necessário reprojetar os carros aos conceitos dos anos 80 para que não tivessem as bolsas. (Estruturalmente mais macios, de forma a evitarem os esforços que se submetem o passageiro hoje, possíveis somente com airbag+limitador de retenção).

    • Fernando Miranda

      Imagino que você também não deva gostar de cinto de segurança, pois ele também só terá utilidade se o carro bater, como você não compra carro para bater…

      • RoadV8Runner

        Para pôr um fim a essa discussão inútil, que não levará a lugar algum, visto que tenho ponto de vista totalmente diverso dos demais: para mim, a segurança dos carros projetados a partir dos anos 90 é mais do que suficiente, sem necessidade de bolsas infláveis e demais sistemas milagrosos. O cinto de segurança é essencial, pois sem ele o airbag poderá matar os ocupantes. Antes que venha um espertalhão dizer que, em certos casos, o cinto de segurança também pode matar, já vou logo dizendo que sei disso, aceito o risco e ponto.
        O ponto da questão é que eu assumo naturalmente o risco de morrer ao volante em caso de acidente grave e não quero andar em um carro cheio de duendes milagrosos para aumentar a minha chance de sobrevivência em caso de possível impacto, que até hoje não sofri, passados mais de 20 anos dirigindo diariamente.
        Não tenho nada contra quem gosta de carros ultra-seguros, mas me incomoda quando as pessoas querem que eu também aceite isso. Da mesma forma que me incomoda essa mania atual de querer eliminar todos os riscos de se estar vivo. Sou da opinião que viver envolve riscos (e não são poucos…), pois em um simples escorregão durante o banho podemos passar desta para melhor.
        Desculpem ao editores do Ae e demais leitores, entenderei perfeitamente se este comentário não for publicado.

  • Leonardo Mendes

    O airbag da Honda GL1800 Goldwing é fornecido pelo mesmo fabricante.

    http://www.webluxo.com.br/menu/motos/honda_gl_1800_ee.jpg

  • lightness RS

    Espere bater e a única coisa que salvar sua vida seja o airbag, aí mudará de opinião no mesmo momento 😀

    • RoadV8Runner

      O ponto da questão é que eu não tenho neura alguma com (in)segurança, equipamento de segurança passiva pouco me atrai. Se for para partir desta para melhor em acidente de trânsito, paciência, minha hora terá chegado. O que não quero é ter um equipamento que me ofereça risco, por menor que seja. E existem pessoas mais loucas do que eu, que aceitam andar de motocicleta, viajar de pé nos ônibus urbanos, trens, metrô…

  • Domingos

    Será que já houve recall? Com moto é algo tão raro…

  • Reginaldo Ferreira Campos
  • Fernando Miranda,
    Lembro que o cinto de segurança é útil também para segurar o corpo ao banco em situações como movimentos bruscos do veículo tipo topar com uma lombada não avistada ou qualquer obstáculo que leve o veículo a saltar. Também, aumentar as chances de sobrevivência do motorista em caso de desmaio ao dirigir – raro, mas pode acontecer. E em certos bancos com pouco apoio lateral, ajuda a segurar o corpo nas curvas feitas rapidamente.