IMG_20150411_101402  MARIA EUGÊNIA – POR RAFAEL AUN – 21/05/15 IMG 20150411 101402

Completando quase 200.000 km, suficiente para dar cinco voltas ao mundo!

Algum tempo atrás, minha esposa solicitou um segundo automóvel para atividades rotineiras. Com o orçamento limitado e pouca disponibilidade de crédito com juros razoáveis, acabei negociando com minha mana uma condição especial para adquirir a Maria Eugênia, que estava encostada na garagem a maior parte do tempo e já fazia parte da família havia vários anos.

Adquirida inicialmente por meu cunhado de seu mano em condições similares, havia passado de mão em mão por três dos cinco irmãos, eu seria o quarto. Obviamente, já era batizada, porém apelidada de Geniosa devido à sua forte personalidade. De origem ítalo-brasileira, orgulhava-se de ser do tipo perua em extinção e tinha um coração que não cabia no peito.

Decidi buscá-la em um fim de semana que se tornou inesquecível. Depois de uma amistosa carona de 1.000 km e jantar com vários loucos amantes do esporte a motor, conheci pessoalmente um dos meus ídolos e constatei prazerosamente o óbvio ululante. Dia seguinte, mala pronta , muita estrada, nada iria estragar meu dia. Nem o cansaço que chegou, o rádio que pifou, o ar-condicionado que parou, escapamento que furou, nem a feição da patroa quando viu a viatura e não aprovou.

 

Edgard e Rafael  MARIA EUGÊNIA – POR RAFAEL AUN – 21/05/15 Edgard e Rafael

Edgard Mello Filho. Gênio

Depois de exames de rotina e recuperação dos malefícios da ociosidade, constatou-se um vício difícil de ser tratado. A bebedeira, que de tanta já me deixou em situações constrangedoras, de ter que carregá-la algumas vezes para o posto. Outra chatice é o metódico hábito para despertar e a marcha-lenta irregular. Doutores brasileiros e argentinos foram consultados sem sucesso, é um caso perdido.

Se que vaso ruim não quebra, este ditado não se enquadra á Maria Eugênia. Certa vez, em terras sul-mato-grossenses, sofreu com o calor e resolveu parar. Quando chegou o socorro, fez sua assistência também parar e exigir ajuda. Ao sair da oficina, não reagia e precisou de energia para abrir os olhos e logo em seguida teve uma pequena hemorragia que quase incendiou sua alma. Essa é só uma das histórias.

 

FB_IMG_1429213747861  MARIA EUGÊNIA – POR RAFAEL AUN – 21/05/15 FB IMG 1429213747861

SUV para quê? SW com bom comportamento “dentro de estradas”. (segundo o CTB, estrada é uma via rural não pavimentada)

Apesar das pirraças, seu espírito é bastante aventureiro. Juntos percorremos milhares de quilômetros para destinos variados, deslocando todo tipo de carga, especialmente malas, bicicletas, cachorros, churrasqueira, móveis e tudo mais o que uma família precisa deslocar em suas viagens.

Não é de muita paparicarão, mas trata bem suas visitas e oferece boa recepção. É comportada em ritmo moderado, mas adora uma folia. Quando sobe o giro, sai de baixo, empurra o que tiver pela frente e chega a preocupar pela falta de discernimento quando peço para parar.

Atualmente exerce um papel importante em nossa família e tem sido única responsável pela área de transporte. Não está bem cotada em manter o cargo por muito tempo, até porque, suas exigências estão ficando cada vez mais altas e estão ficando fora dos padrões. Mas até que chegue o momento de decidir quem virá a sucedê-la, vamos curtindo dia após dia, cada um deles com um causo diferente.

RA

Fotos: autor

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  • AstraPower

    Eu tive uma que graças a Deus foi vendida… Foi tarde.

  • Mr. Car

    A Maria Eugênia seria uma Weekend Stile? Me amarro no capricho que a Fiat deu ao seu interior, he, he!

    • rafaelaun

      Isso!
      Todos que entravam no carro pela primeira vez falavam o mesmo!

  • Francisco Assis Neves

    Três textos no Ae??? Já pode pedir música no Fantástico, Rafael Aun. Admiro muito sua maneira de escrever, de tratar os carros como pessoas. Os carros de mina família sempre tiveram nomes e todos eles relacionados as características dos carros. Já tivemos o Wando (Fusca azul-calcinha), a Brasilina (Uma Brasilia que o interior fedia à gasolina), o Funébrio (Quantum Preto, ex-carro funerário que pertencia ao meu avô Lauro) e o Senninha (Uno 93, esse eu que era criança que dei o nome.).
    Atualmente tenho o Xingu, um Mille Vermelho 13/14 da série Xingu. Assim como seus homenageados, o meu Xingu também gosta de se aventurar em trilhas leves e estradas de terra, kkkk…

    PS: Bob Sharp, sem querer cobrar alguma coisa, mas houve uma alteração na data de postagem da minha história? No email disse-me que seria dia 14/05. No mais, volto a lhe parabenizar pelas brilhante”Histórias dos Leitores”.

    • Francisco Assis Neves
      Claro que tem que cobrar! Sabe o que aconteceu? No tirar da pasta de Entrada para ir para a de Histórias, cometi algum erro e o arquivo com a sua história ficou perdido. Mas o encontrei e para compensar esse seu dissabor vou publicá-la domingo às 4 da tarde. Desculpe-me por essa, hein!

      • Daniel S. de Araujo

        Por atitudes como essa eu admiro ainda mais sua pessoa Bob!!!

        Abraços!

    • rafaelaun

      Francisco,
      Agradeço o elogio. Ainda quero contar mais uma história em particular, só preciso de um pouco de inspiração.
      Eu sempre achei que carro têm alma e fazem parte da família.
      Batizá-los é uma maneira de reforçar a presença espirituosa.
      Obrigado por seu comentário e quero ler sua história!

  • Domingos

    Pelo velocímetro e descrição era a primeira 16 válvulas, não? Andava bem mesmo.

    Quase tivemos uma dessas. No lançamento. Uma pena que acabamos desistindo, já que tínhamos acabado de comprar um Escort Zetec. Falou mais alto a razão de não gastar dinheiro novamente em tão pouco tempo, mas se fosse para ter um Fiat gostaria de ter tido esse.

    • rafaelaun

      Domingos, sim a primeira 16 válvulas.
      Pelos testes da Quatro Rodas na época, andava com Escort SW 1.8 16v, Parati 2.0 e Corsa SW 1.6 16v.
      A diferença era mínima, apesar de a revista classifica-la em último lugar no comparativo.
      Eu acho esse motor é super interessante e mecânicamente robusto, desde que se tenha alguns cuidados pontuais.
      O maior problema que eu identifiquei está relacioanda a sua parte eletrônica, muito sensível ao combustível e problemática.
      Ela fazia o consumo ficar muito alto e sem um regime linear. Você começa a cansar só de dar uma volta no quarteirão.
      Uma pena,
      Um abraço,
      Rafael Aun

      • Domingos

        Abraço!

  • Cesar

    Edgard Mello Filho, esse sabe muito!

    • rafaelaun

      O cara é de uma inteligência fora do normal. Gostei muito de conhecê-lo pessoalmente.

  • Nora Gonzalez

    Rafael Aun, bela história e belo texto! parabéns.Longa vida à Maria Eugênia.

    • rafaelaun

      Obrigado!

  • MC

    Ótimo texto! Relatou com maestria tudo o que minha família já passou com a nossa parente da Maria Eugênia chamada por uns de Tiazona ou de Potranca.
    Já usei muito os serviços da mesma, três mudanças com várias viagens carregada com armários, geladeiras, produtos e vários itens diversos. Já utilizei também três ou mais vezes como um “guincho coberto” (foto – tampa do porta malas fecha normalmente) carregando minha moto e outras parecidas.
    Nossa relação com ela é um misto de amor é ódio, é potente e espaçosa (pelo menos para o motorista e bagagem) mas devido a sua idade avançada requer vários cuidados que com o tempo acabam se tornando inviáveis. Ou ela irá para o sítio viver seus dias como a companheira na roça ou se aposentará em breve dos seu incansável trabalho nestes 18 anos em diversas famílias e 205 mil KM.

    Weekend Stile 1.6 16V 1997

    • rafaelaun

      MC, a nossa um modelo idêntico, porém ano 99.
      Você resumiu bem, um misto de amor e ódio.
      O coração deles bate forte, mas é muito delicado.
      Sofre de arritimia e colesterol alto. Ruim de usar.
      Juro que pensei em transplante.
      Eu acredito que se tivessemos a opção de usar gasolina de verdade o resultado seria diferente.
      Muito obrigado pelo comentário e boa sorte para sua Tiazona!
      Um abraço,
      Rafael Aun

  • Fat Jack

    Interessantíssima história…, gostei muito do apelido, eu tive alguns Fiat’s “geniosos” (por favor, estou absolutamente distante de ser algum “hatter”, são somente fatos…). Faltou só mais fotos da “distinta”.
    Gostei muito de ver o Sr. Edgar Mello Filho, apesar de conhecer pouco de sua história, basicamente através de leitura ou busca por informações a seu respeito, sou praticamente seu fã, há alguns (não poucos, diga-se de passagem) anos ele comandava um programa na Rede Record sobre o nosso “mundo auto”, com direito a narração (excepcional por unir técnica e humor) corridas de diversas categorias internacionais, como F3 inglesa e Campeonato de Marcas europeu, confesso, fazia de tudo pra não perder nenhum programa. Sem dúvida suas narrações marcaram a minha adolescência e algumas de suas expressões confesso que uso até hoje, como “comprar uma gleba” (quando algum piloto dava aquela escapada, e ia pra grama) e “alinhar a barata” (quando de alguma derrapagem), por falar nisso, lembrei-me dele ontem ao ver um “Nissanzinho” Primera na rua da minha casa, pois era um dos carros que travavam boas disputas na época.

    • rafaelaun

      Fat, o EMF criou uma legião de fãs, principalmente após a cobertura da DTM pela Rede Manchete. Alguns anos atrás existia um podcast semanal super-interessante e que pode ser baixado atualmente. Da última temporada são mais de 200, um melhor que o outro. Procure por “Loucos por Automobilismo” no Google.
      Eu gosto muito da expressão: “Anu errante no contrapé da biaba”
      Um abraço,

  • douglas

    Muito bom o texto!

    Me faz lembrar da Weekend Stile 1.6 16v que meu pai pegou zero!
    E lembro com grande carinho aquela peruinha prata, linda, espaçosa e forte! Afinal foi nesse carrinho que aprendi a dirigir, pegava escondido dos meus pais, fazia muitas artes pelo bairro, muito antes de ter idade pra ter carta de motorista! Imagina o quanto de historias eu não vivi com ela? rs
    Depois que tirei carta ela continuou sendo “mau” tratada por mim! como aquele motor 1.6 16v era forte…uma delicia de andar, urrava quando exigido (sem filtro de ar o barulho era inesquecível)!
    Saudades daquele carro… ou seria daquela época? rs!

    • rafaelaun

      Realmente, esse motor sem filtro em com escapamento aberto tem um ronco delicioso.

  • Domingos

    Sim, ela e o Palio com mesmo motor eram carros de grande desempenho.

    Pena mesmo essa questão da gasolina. Não sabia ser tão sensível. Apesar que com o combustível vendido hoje, não dá para colocar a culpa nela…

    Foi um carro bem especial essa Weekend com esse motor. O último carro Fiat realmente legal e com o caráter de um carro italiano, ao menos para mim.

    Tanto a Stile quanto a Sport eram sensacionais.

  • Rodofo

    Rafael,

    Meu pai tem um Vectra ano 2002 – 2.2L – 8V, e eu queria que ele vendesse, pois tinha medo de que ele desse tiuti eletrônica. Foi então quando eu perguntei para o meu funileiro se era difícil arrumar carro com mais de 10 anos de uso, então ele me disse que hoje em dia existem especialistas em arrumar defeitos de injeção eletrônica. E também ele disse que sempre é possível adaptar uma peça da injeção eletrônica que não existe mais no mercado.

    • Domingos

      Para linha GM com esse motor pode dar pane à vontade. Deve ter peça nova, usada, original e paralela pra caramba.

      É impressionante como ainda tem tanta preocupação com isso. Milagres acontecem, um deles é o Brasil não ser movido apenas por Chevette, VW ar…

  • MC

    É um carro que gosto muito. Pensei bastante na possibilidade de transplante como um projeto futuro, para quando realizar meu objetivo te ter uma pequena oficina no interior, isolado (algo como um sítio), restaurando alguns carros e melhorando outros como a Weekend com um belo trato atualizando o interior e realizando mudanças para deixar seu coração mais forte e atual.

    • rafaelaun

      Eu estava pensando em jogar um 2,0 8V ou 16V do Tempra. Iria ficar o bicho!

  • Felipe Parnes

    Em casa tivemos um Fiat Prêmio 92 1.5 a álcool com 397.000 km (acreditamos que tenha sido ate mais, pois 1 ano após a compra meu pai descobriu que o carro tinha sido táxi por 5 anos antes de ele comprar) que estava com o motor bem ruim e foi embora após um acidente.
    E temos um Corsa Classic 2004 1-L a gasolina que completou hoje 300.000 km sem nunca abrir o bico e ainda tem muito para rodar.
    Ambos nunca passaram por retifica.

    • rafaelaun

      Felipe, conta essa história para nós.

  • Daniel S. de Araujo

    Rafael Aun
    Não tenho uma Maria Eugênia mas conheço a historia do “Branquinho”, um Fusca 1983 que um senhor tirou zero-km e colocou para rodar na sua Fazenda.
    Tratado a chicote desde a infância, serviu de furgão, carro de reparo de força e luz (ele andava com um bagageiro e uma escada dessas de subir em poste), ambulância (levou doentes e mulheres gestantes para dar a luz). Nessa caminhada, de cachaceiro virou petroleiro, teve 4 corações diferentes (o ultimo e atual, de cilindrada ampliada para 1600), ensinou a molecada da Fazenda a dirigir e esteve à beira de ser enviado para a reciclagem quando um menino de 12 anos, ao saber disso, ficou transtornado e pediu para não fazerem isso com o carro. Ao ouvir esse pedido, o avô do menino mandou recolher o carro e o menino então começou a freqüentar ferro-velho em busca de peças para o Fusca. E alguns meses antes de seu falecimento, o senhor deu o carro ao neto. O menino tinha então 15 anos.
    ————————————-
    Hoje com 36, quase 37 anos, o Branquinho continua na ativa e reformado, sempre em totais condições de uso e confiabilidade. E hoje, em virtude de estar sem um carro principal, o Branquinho está rodando diariamente”

    • rafaelaun

      Daniel, você precisa contar essa história direito.

  • Felipe Parnes

    Vou ver se escrevo e mando para eles postarem