As fábricas tentam se isentar de responsabilidade no caso de um deslize da concessionária, mas a Justiça pensa diferente.

Até que ponto uma fábrica de automóveis é responsável pelas falhas de sua concessionária? Há controvérsias. Cada caso é um caso. O que tem a fábrica a ver com a qualidade de um veículo usado vendido por sua concessionária? Aparentemente, nada. Entretanto, a Justiça (TJSP e STJ) acaba de condenar a GM a indenizar um consumidor por vício de qualidade num veículo usado comprado em sua concessionária. E o fez baseada na publicidade de um programa que anunciava “os únicos seminovos com o aval da GM e mais de 110 itens inspecionados”.

O carro apresentou problemas, o cliente voltou à loja e acabou trocando-o por outro com um pagamento adicional. O segundo também tinha defeitos e o cliente ajuizou ação de indenização por danos materiais e morais contra a concessionária e a GM.

Em primeira instância, ambas foram condenadas a devolver os valores pagos com correção e juros. E mais indenização de R$ 15.900 por dano moral. O TJSP ratificou a decisão por entender que a responsabilidade era solidariamente das duas empresas, de acordo com os artigos 18 e 34 do Código de Defesa do Consumidor.

O que alegou a GM? De ter criado um programa para a venda de carros usados (SIGA), mas que a responsabilidade de garantia era da concessionária. Que não cabia a ela vistoriar e certificar os veículos, apenas qualificar a capacidade da concessionária em oferecer usados de qualidade. Entretanto, a decisão judicial de condenar as duas empresas foi decorrente da oferta veiculada por meio da publicidade.

Acessório – Há outros casos em que a Justiça condena a fábrica a se responsabilizar por deslizes de sua rede de distribuidores. Recentemente, um consumidor comprou um acessório para seu Peugeot numa concessionária da marca. Teve problemas com ele, mas a fábrica se recusou a interferir alegando que o equipamento não era homologado. O cliente processou ambas: concessionária e fábrica. E teve decisão judicial favorável. O juiz entendeu que o consumidor confiou na loja por ostentar na fachada o logotipo do fabricante e que ambas seriam responsáveis no caso de problema de qualidade num produto ou na prestação de serviço.

Pneu – Existem outros casos em que a fábrica decide, por conta própria, se isentar de responsabilidade. Como, por exemplo, nos componentes fornecidos por terceiros, como bateria, pneu ou equipamento de som. No caso de um defeito no período de garantia, a concessionária instrui o consumidor a se dirigir diretamente à loja que revende aquele produto e cobrar dela a garantia. “Problema na bateria? Vai lá na Moura”!

Ora, ninguém compra um automóvel por partes. Não se entrega um carro sem bateria ou pneus. Nem a possibilidade de o cliente optar entre marcas: “Doutor prefere o carro com Pirelli ou Michelin?” Se a fábrica costuma ser chamada de “montadora” é exatamente por receber de terceiros (sistemistas, autopeças) centenas de componentes do automóvel. E cabe a ela, obviamente, controlar e se responsabilizar por sua qualidade.

Se aparelho de som, pneu ou bateria apresentam defeito, o problema é da fábrica do automóvel. Ela que resolva e se entenda depois com seu fornecedor. Caso contrário, vira “jogo de empurra”: a Pirelli diz que a culpa é da suspensão desalinhada. A Moura alega que a bateria descarregou por problema no sistema elétrico. E o consumidor fica no meio do tiroteio. Em geral, no prejuízo.

BF

Foto de abertura: motordream.com.br
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

 



  • Leonardo Mendes

    A Peugeot teve um programa semelhante ao SIGA (Peugeot Semprenovos) e foi só confusão… durou por volta de 2 anos até ser extinto.

    Sobre os acessórios, muitos concessionários tem adquirido certos itens de forma paralela, sem vinculação com o fabricante (centrais multimídias, alarmes, sensores de ré, etc.) por questões de custo e preço final menores que os originais de fábrica… mas, como diz a sentença, no momento que você instalou um acessório desses dentro da sua concessionária você é responsável por todo e qualquer defeito que ele vier a dar.

    Pneus eu ainda acho que, embora não se venda um carro por partes, compete ao fabricante do pneu dar ou não a garantia (se bem que poderia haver um esforço nesse sentido visando tornar as coisas mais fáceis).

    • Antônio do Sul

      Mas, para os concessionários, que normalmente têm uma oficina muito bem estruturada, será que é tão difícil verificar as condições mecânicas e de lataria de um semi-novo? Não basta limitar a idade e a quilometragem máximas, pesquisar se há restrições administrativas ou judiciais, verificar se foi feito algum serviço de funilaria em decorrência de alguma colisão e se, pelo menos durante o período de garantia, o plano de manutenção prescrito pela fábrica foi cumprido?
      Teoricamente, um programa desses, como o SIGA ou Peugeot Semprenovos, traria tanto uma maior segurança para o cliente quanto, para o concessionário, uma maior liquidez e melhor margem de lucro na venda dos semi-novos selecionados. O problema, acredito eu, é que, entre os concessionários, assim como em qualquer ramo, há os sérios e os picaretas. Se não houver alguma supervisão por parte da fábrica, tende mesmo a desandar.

      • Leonardo Mendes

        Não sei como é no SIGA, mas a garantia do Peugeot Semprenovos era dada por uma seguradora (agora me fugiu o nome da seguradora).
        O veículo era vistoriado pelo fiscal da seguradora, ele conferia o orçamento, as peças trocadas e dava a liberação (ou não) para a adesão do carro ao programa.

        Problema é que nem tudo caía na garantia… quando o carro depois de vendido voltava para a oficina era feito um orçamento e passado pra seguradora, que aprovava ou não os itens… aí começava a confusão.

      • César

        Concordo com você, Antônio.
        Claro que não é difícil verificar as condições do semi-novo e tanto isso é verdade, que o comum é ver carros semi-novos “mesmo” (digamos assim, com até 1 ano e 15.000km de uso) sendo vendidos no pátio de usados das concessionárias. Que por óbvio ou ainda estão dentro da garantia de fábrica, ou se esta recém expirou, dificilmente vão apresentar defeito nos próximos 90 dias. E se apresentar, serão defeitos de fácil solução. E claro que o cliente já está pagando por essa garantia, haja vista os preços dos modelos usados nas revendas autorizadas. Considerando ainda que muitos clientes perdem seu tempo reclamando lâmpadas queimadas ou freio de estacionamento desajustado…
        Os que já passaram desse tempo ou quilometragem, no geral são “repassados” para abastecer os estoques das lojas multimarcas independentes, onde a garantia costuma seguir critérios bem menos ortodoxos.
        E também vai muito da postura de cada marca. Dificilmente você terá problemas comprando um usado de uma revenda de modelos “premium” (sem citar marcas), mesmo que não seja da marca deles. O litígio é mais frequente em autorizadas de marcas mais populares.

        • Antônio do Sul

          E se o consumidor ainda precisar brigar, acho que ainda é mais fácil se for com uma concessionária, que tem um nome a zelar e dificilmente vai dar um golpe, fechando para depois reabrir com outro nome em algum outro lugar, ou na mesma praça, mas com laranjas escamoteando os seus verdadeiros proprietários.
          Sei que alguns não vão acreditar em mim, mas conheci dono de loja multimarcas que é sério e que trabalha vendendo carros deixados em consignação ou com modelos não-premium que lhe são repassados pela concessionária de modelos premium da qual é ex-funcionário. Mesmo assim, para se comprar de lojas independentes, o cuidado tem que ser bem maior.

      • Newton ( ArkAngel )

        Antonio, o principal problema nas concessionárias atualmente é a contratação de mão de obra. Nem sempre contam com técnicos preparados adequadamente, pois os salários pagos são menores do que aqueles oferecidos pelas oficinas independentes.

        • Antônio do Sul

          O problema é que os técnicos mais preparados e/ou experientes, quando conseguem juntar algum capital, acabam montando uma oficina. Mesmo assim, acho que o “olho bom” de um avaliador de usados mais experientes já consegue peneirar muita coisa.

  • Roberto

    Outra coisa é esta história de garantia de três meses somente de câmbio e motor para carros usados. Total desrespeito ao código de defesa do consumidor que a maioria das revendas e concessionárias ainda insistem.

    • César

      A garantia legal é de 90 dias para qualquer produto, bem ou serviço considerado durável. O código do consumidor não distingue produtos novos de usados.
      Se as montadoras dão garantia de 1, 2, 3 ou até 5 anos para carros novos, todo o tempo acima de 90 dias é considerado uma cortesia.
      Em relação aos itens cobertos até posso concordar com você, mas entendo que, para quem não está disposto a correr os riscos de um defeito num carro usado, a melhor coisa a fazer é optar por um novo.

      • Leo-RJ

        Esses três meses não cobrem eventual vício oculto, o que se conta a partir do momento em que se descobre o vício. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é, mesmo o carro sendo usado, a concessionária deve se responsabilizar pelo produto que vende, e, de outro lado o fabricante se responsabiliza pelo concessionário que ostenta a sua marca.

        Como o consumidor é parte vulnerável na relação, deve ser indenizado. O fabricante que, se quiser, ingresse em ação de regresso contra o concessionário para se ressarcir do que dispendiou na ação.

        • Vinicius

          Ainda está amadurecendo a teoria da “vida útil” de um bem, de acordo com sua característica. Processei a Luxottica (Oakley) por isso, pois as lentes descascaram após a garantia e ganhei a ação.
          Terei que fazer o mesmo com a Peugeot. Amanhã explicarei.

    • Leonardo Mendes

      Penso que com a ampliação dos prazos de garantia de fábrica a tendência é essa garantia de 90 dias ficar cada vez mais em segundo, até terceiro plano.

      Hoje em dia se tornou um tanto comum carros com 1, 2 anos de uso com garantia de fábrica ainda vigente… isso ai será o princípio de uma virada no segmento de usados.

  • Mineirim

    É complicado… No meu carro atual, a bateria acabou com um ano e meio de uso. Fui na assistência Moura, eles constataram o defeito, mas a troca teria que ser feita pela Ford. Fui na concessionária e ela queria que deixasse o carro alguns dias, para os trâmites.
    Para não ficar sem o carro, decidi comprar uma bateria nova numa autorizada Moura, que fez a troca em menos de meia hora. O detalhe: a bateria original era de 52 Ah, que nem é vendida no comércio. Acabei fazendo um upgrade para 60 Ah e ela funciona bem até hoje, mais de dois anos depois.
    Sempre luto pelos meus direitos, mas as fábricas dificultam a solução quando envolvem fornecedores.

    • Renato

      Então, desde que trocou a bateria, você vem gastando mais combustível.

      • Mineirim

        Por quê?
        O alternador do Focus é inteligente. A bateria de 52 Ah não existe na linha de produção. A de 60 é mais adequada.

    • Marlon J Anjos

      Também tenho um Ford (Focus 2013) e a bateria também de 52 Ah arregou com menos de um ano e meio. Achei a bateria até subdimensionada pro veículo (2-L A/T cheio de eletrônicos).

  • Mr. Car

    Pois é. Teoricamente, o negócio mais justo é fazer os cachorros grandes brigarem entre si. O pneu ou a bateria que foi fornecida ao fabricante deu problema? Eles que se entendam. Se deixar o consumidor final sair no pau contra as grandes corporações, a gente já sabe de que lado a corda vai arrebentar. Por outro lado, depois de algum tempo de uso, existe sim a possibilidade (e não é remota) de que o defeito tenha sido causado por mau uso do consumidor. É uma questão complicada.

    • Fat Jack

      Perfeitamente!

  • Lorenzo Frigerio

    Nos anos 80, conseguir a troca de um pneu defeituoso, só com processo. Melhorou bem, e pelo menos agora o Procon funciona.

  • Christian Bernert

    Acho que as histórias felizes também devem ser compartilhadas.
    Em julho do ano passado (2014) fiz uma viagem com a família saindo de Curitiba, onde moro, a Vitória. O carro é o CR-V da minha esposa, que estava então com quase dois anos e pouco mais de 40.000 km.
    Porém, bem no dia da saída a bateria teve uma morte súbita e não ressuscitou mais. Tive então que fazer uma escala forçada na concessionária Honda HPoint, no Morumbi, em São Paulo. Lá recebi a troca da bateria em garantia em um serviço muito rápido e atencioso.
    Eu, que já esperava as tradicionais encrencas das redes autorizadas Chevrolet e Volkswagen com as quais estou acostumado, saí muito satisfeito com a agilidade e descomplicação. Só não posso dizer que me surpreendi, pois já sabia da fama da rede autorizada nipônica.

  • marcus lahoz

    Eu acredito que tudo que é vendido na concessionária é co-responsabilidade da fábrica. Afinal eles utilizam o nome, propaganda e tudo. Assim tem responsabilidade também.

    • Antônio do Sul

      Corretíssimo. Na fachada de uma concessionária, o nome/logotipo do fabricante tem um destaque muito maior do que o nome da loja, que age em nome e sob a supervisão daquele, como uma preposta.

  • Costa

    Texto muito bom, parabéns Boris!

  • Fernando

    É muito bom ter reflexões do tipo.

    Tem casos de processos que na verdade são bem descabidos, por motivos de mau uso a fabricante acaba entrando em um processo sem ter efetiva culpa.

    Mas há outros casos em que realmente o consumidor é que fica em situação complicada. Nas revisões que o diga a empurroterapia…

    E em mais um: já vi diversas vezes(eu mesmo ou acompanhando alguém lá) não haver tal peça em estoque e que teriam de encomendar, além de preços que não se tem explicação para algo produzido em massa ter injustificado valor por vezes superior à mesma peça no mercado comum.

    • Roberto

      Sobre isto, lembro o caso de um Peugeot onde o dono reclamou que a concessionária queria cobrar pelo problema elétrico que estava ocorrendo durante a garantia. Só que o dono do carro instalou um som fora da concessionária e aparentemente o instalador mexeu na fiação elétrica. Ele não aceitou o fato que isto (como é de praxe) acarretou na anulação da garantia da parte elétrica e colocou toda a culpa na marca, sendo que na realidade ele deveria responsabilizar o instalador.

  • WSR

    Minha maior preocupação com os usados é de algum dia comprar algum carro que tenha sofrido perda total e ter sido montado com partes de outros carros. Uma tia minha passou por isso quando comprou uma perua Corsa usada e devolveu o carro quando mostrei para ela as emendas escondidas sob o carpete. Era chover e o carro ficava encharcado por dentro. Não lembro como dos detalhes, mas lembro que ela conseguiu devolver o carro sem precisar acionar a justiça.

    • Leonardo Mendes

      Numa reportagem da Quatro Rodas publicada há muitos anos apareceu um fato semelhante a esse que você citou e, por coincidência, com um Corsa.
      O carro havia sido capotado num acidente dois anos antes (inclusive com dois óbitos), recuperado e vendido… e o novo dono ainda comentou que depois de descobrir isso que ele passou a entender as infiltrações de água no carro.

      Pode parecer radical para alguns, mas sempre fui da opinião que no ato da decretação da perda total os documentos tem que ser cancelados e o carro enviado para prensagem.

      • WSR

        Concordo contigo. Eu já fiz a mãe de uma amiga devolver um Celta que parecia ser uma junção de 2 carros batidos. E os caras da loja ainda disseram que o carro não tinha batido forte. Ela trocou por um Palio que acabou quebrando a embreagem com uma semana de uso. Os caras reembolsaram o prejuízo, mas ela acabou trocando o carro por uma Classe A muito bem conservada. Tempos depois a loja faliu, rs.

        • Leonardo Mendes

          “A loja faliu”
          Não consigo imaginar o porquê…rs.

    • Mineirim

      Em Belo Horizonte, aconteceu um caso desse alguns anos atrás. Foi um Peugeot 307 que caiu na Lagoa da Pampulha em 2009 durante um “teste” do mecânico após a revisão. A seguradora deu PT no carro.

      Anos depois, um outro cidadão comprou o mesmo carro, da mesma concessionária. Só descobriu o embuste, porque um ex-mecânico da Peugeot, que abriu uma oficina, descobriu lama debaixo dos carpetes e lembrou do caso. A Justiça mandou indenizar o novo dono e o carro ficou na concessionária apenas como veículo de test-drive.

      Vejam no link http://carplace.uol.com.br/peugeot-foi-para-o-brejo-cliente-enganado-adquire-carro-que-caiu-na-lagoa/

    • Roberto

      O DETRAN oferece um serviço de vistoria para verificar se o chassi não é remarcado e se o carro não foi montado a partir de partes de outros. É meio caro (aqui no RS custa em torno de R$250), mas para evitar este tipo de aborrecimento, acho que ainda assim vale a pena.

  • Luís Galileu Tonelli

    Os casos apresentados são todos legítimos e de responsabilidade da fabricante também. Principalmente nos anúncios. Quer ficar bem na foto? Agora arque com isso, quem mandou tentar enganar?

  • Sandro

    E o que dizer da venda e do incentivo ao uso pelas concessionárias autorizadas de acessórios ou modificações proibidas pelo CTB? Exemplo: escurecimento de vidros pela aplicação de películas plásticas, abaixo da transparência mínima permitida. Os fabricantes de automóveis deveriam ser rigorosos junto à suas redes autorizadas em relação a isso, contribuindo assim para a conformidade dos veículos e para a segurança viária. Eu mesmo já tive que insistir com um vendedor (Hyundai) para que não colocasse o bendito filme nos vidros do carro que eu acabara de comprar. Talvez quando os fabricantes passarem a ser co-responsabilizados, o comportamento mude.

    A propósito, isto me faz lembrar das inúmeras estações de rádio que incentivam os “ouvintes” a enviar informações sobre o trânsito utilizando o telefone celular (voz, mensagens & afins). Será que todos que enviam mensagens às rádios param, estacionam o carro, utilizam o aparelho e depois retomam a direção? Salvo engano, já houve caso nos EUA de ouvinte acidentado que acionou judicialmente a emissora de rádio alegando ter sido induzido ao uso do smartphone.

    • Sandro
      Esse é o lado do povo americano que me desagrada profundamente, esses atos de autênticos vivaldinos. Eu não estranharia se alguém processasse um fornecedor de GPS por mandá-lo entrar numa rua contramão. É mesmo o país do litígio — haja vista o imbecil do vivaldino-mor Ralph Nader.

  • Mineirim e Renato,
    Para o alternador a capacidade da bateria é irrelevante, portanto em nada ela influencia no consumo de combustível. O que determina o consumo é o esforço do alternador para gerar a corrente que atenda às necessidades de consumo de energia elétrica com o carro em movimento. Para dar um exemplo, um F-1 anda exclusivamente no alternador, a bateria tem capacidade mínima, coisa de 3 A·h

    • Christian Govastki

      Bob, e se a bateria tiver uma reserva de carga muito alta e o alternador for de baixa capacidade?

      Esta situação em geral acontece com os jipes (duas baterias de 65 Ah ou mais e um alternador de 50 A) eu já li que neste caso o alternador não conseguiria gerar carga suficiente para carregar as baterias.

      Procede ou não a informação?

  • Fat Jack

    Boris, para mim é 100%, pois só assim as fábricas tomarão as devidas precauções na hora de conceder os direitos de comercialização a terceiros, não nos esqueçamos que as concessionárias ostentam os logotipos das fábricas. É muito prático credenciar qualquer “zé oreia” e se eximir dos problemas, penitenciando o consumidor.
    Caso hajam problemas, que resolvam entre si, judicialmente se for o caso, contanto que o consumidor seja resguardado.
    E isso a meu ver para todas as “redes”, sejam fabricantes de veículos, fast food, lojas de sapatos, roupas etc…

  • WSR

    Rapaz, eu lembro da reportagem do carro que caiu na lagoa. Putz, os caras são safados mesmo. Mas eu tenho medo de pegar um carro todo “remendado” e não ter a segurança mínima sob um acidente de maior impacto. O carro pode simplesmente partir todas as soldas e separar-se em vários pedaços.

  • mecanico anonimo

    Por falar em Moura, minha última bateria, da marca, durou 6 anos. Me surpreendeu, pois apesar do uso predominantemente rodoviário, esperava 5, como as anteriores.

  • Rogério Ferreira

    Quanta coincidência. Acabei de ter um problema com a bateria original do meu carro. Fui na Fiat, disseram que a garantia de fábrica não cobria e que eu deveria procurar o representante da. Moura. Fui na loja autorizada da Moura, e me disseram, que para baterias originais de fabrica, o prazo de garantia é de 1 ano. (meu carro tem 1 ano 4 meses) Curiosamente, para baterias de reposição, o prazo de garantia é de 18 meses! Procurei na internet e vi uma “enxurrada” de reclamações de consumidores. inconformados ao terem problemas com as baterias originais Moura, que costumam apresentar problemas tão logo a garantia acaba, e é claro, que não é coberta pela Fiat. Também estou um tanto perplexo com a qualidade dos pneus Pirelli originais do Novo Palio, meu carro está com 27.000 Km, sempre alinhado, só rodando em asfalto, (sou muito cuidadoso com isso) e o pneus já estão chegando no limite da segurança. Meu caro anterior, um 206 1,4, ano 2006, a bateria original chegou aos 80.000 Km, com 4 anos de uso, e os pneus também Pirelli, chegaram aos 60.000 Km. A impressão que tenho, que a qualidade geral das peças, especialmente as classificadas como de “desgaste natural” caiu demasiadamente nos últimos anos.

    • Mineirim

      Não sou engenheiro, mas em geral a durabilidade das peças é proporcional à categoria do veículo. Só que, no caso da bateria, a sua durou o mesmo que a minha. É problema de fornecedor.

    • Fat Jack

      Nossa, o desgaste dos pneus está elevado, estou chegando aos 20.000 km e acabei de fazer o rodízio dos mesmos, eu diria que os dianteiros estavam com 70% da via útil, enquanto os traseiros 90% (Bridgestone Turanza).

    • Ramiro Junior

      Rogério, os pneus cinturato p7 do meu novo palio tiveram de ser trocados com 26 mil km, troquei por michelin. No meu palio elx anterior, já tinha colocado michelin desde zero, foram trocados dois com pouco mais de 60 mil km, e os outros dois ainda ficaram um tempo com o comprador. Complicado mesmo.

  • Christian,
    Seria como um bomba d’água de pequena vazão encher uma caixa d’água enorme: levaria muito tempo. Mesma coisa, o alternador vai ficar gerando mais tempo. A informação não procede.

    • Christian Govastki

      Bob, grato pela explicação.

  • Vinicius

    Bem, como eu disse que relataria meu problema, aqui vai:
    Sou advogado aqui e em Portugal. O que ocorre no Brasil, que faz com que a indústria do dano moral seja fomentada é o escárnio e falta de compromisso da indústria e empresariado em geral com suas obrigações perante o consumidor. Em todos os ramos, sendo que na prestação de serviços a situação é ainda mais crítica.

    Porém, por outro prisma, muito consumidor gosta de dar uma de esperto, tentando obter vantagem indevida.

    Mesmo sendo advogado sou contra o litígio por qualquer problema. Embora admita que nosso Judiciário, com sua tese da vedação ao enriquecimento sem causa, defira indenizações pífias em muitos, para não dizer todos os, casos.

    O sujeito perde o pai em um acidente e a indenização, por vezes, é de R$ 70.000,00; R$ 100.000,00. Com ose o sujeito “escolhesse” perder o pai e receber esse dinheiro, ou seja, escolhesse “enriquecer vendendo” a vida do pai (ou outro parente).

    Já havia dito aqui que no Brasil é mole manter um contencioso. As empresas lesam no atacado e indenizam no varejo. E com a fama de acomodado do brasileiro, é muito mas fácil lesar e sair impune. (lembrem das indenizações pífias).

    Então, embora o nosso CDC seja muito bom do ponto de vista técnico, amparando o consumidor como deveria, ao mesmo tempo, o Judiciário é conivente com as práticas abusivas, pois o único instrumento para punir (tirando dinheiro do bolso) é limitado face ao argumento da vedação do enriquecimento a custa de outrem.

    Bem, voltando ao meu caso, meu 307 2004/05 possui todas as revisões na concessionária. TODAS, até hoje, carimbadas no manual. Lá no manual consta garantia contra corrosão de 12 anos, preenchendo os requisitos ali descritos, dentre os quais, possuir as revisões.

    Ok. Dito isso, em março último verifiquei que a coluna A, do lado do passageiro, se encontrava úmida (ela possui um acabamento em tecido). Levei à concessionária que verificou que a infiltração ocorre entre a chapa do teto e a travessa onde o mesmo se acopla. Ou seja, entre duas chapas. Agora, qual o motivo? Não vejo outro que não seja corrosão.

    Solicitei a garantia e foi negado. Enviei email para várias pessoas dentro da Peugeot (marketing, pós-vendas etc.). Entraram em contato comigo e ficaram de analisar novamente. Aproveitei e enviei um telegrama para o Sr. Carlos Gomes, aqui na Praia de Botafogo, no Rio. Novamente recebo o telefonema e sou informado que fora negado, alegando que meu carro está fora de garantia desde 2006.

    E olha que me ofereci a pagar a mão de obra (600,00 reais) e queria que eles arcassem com o custo da peça (somente o forro seria necessário trocar, pois peço orçamento, poderia vedar a infiltração sem trocar a folha do teto).

    Ou seja, tentei várias vezes resolver amigavelmente. NADA!
    Solução? Ação judicial. E depois da ação, descubro pelo consultor da concessionária que meu caso está na regional da Peugeot aqui no Rio, e que está dando o que falar.

    Ora, agora eu pergunto: vale o que está escrito no manual? Cumpri todas as regras para fazer jus à garantia e quando preciso sou enganado. É justo? Sou fiel à marca, o meu carro pelo estado em que se encontra, é super elogiado e serve até de propaganda gratuita e recebo isso em troca? Hoje, eu o uso pouco. Tenho outro carro (um Punto) mas não me desfaço dele. Minha esposa tem um Fit e queria trocar o carro dela em um 308 THP (para depois pegar para mim rs.). Mas sinceramente, fica difícil.

    Então, tanto concessionárias como fabricantes devem ser solidários analisando o caso concreto. Neste meu caso, a concessionária não tem culpa. Quem dá garantia (e paga pela mesma) e a fabricante.

    Complicado.

    • Antônio do Sul

      Será que o problema não pode ter sido causado por alguma falta de resistência da carroceria à torção, que acabou fragilizando algum ponto de solda? Outra possibilidade é de aquela massa aplicada por cima dos pontos de solda como impermeabilizante não estar cumprindo o seu papel. De qualquer modo, o pessoal da regional da Peugeot aí do Rio deveria falar menos e agir mais.

      • Vinicius

        Olha Antônio, pensei nisso também. Mas eu creio que, ainda que seja isso, de chegar ao ponto de “descolar” a estrutura soldada, seria ainda pior configurando um erro de projeto, em minha humilde opinião.

        Esse carro não passou por nenhum sinistro, não é usado em terrenos acidentados, etc. Ora, e a garantia de carroceria, ao meu ver, deve ser abrangente, pois se a chapa do teto “descolou” e houve entrada de água, logicamente com o tempo vai (e já está) um pouco corroído.

        Enfim, manterei o povo atualizado. Ontem o consultor me ligou informando que reenviou o processo para o supervisor regional, inclusive com fotografias!

        • Mineirim

          E aí, Vinicius? Novidades sobre a garantia?
          Estava revendo as colunas do Boris e lembrei do seu caso.
          Abraço

  • A industria deve ser responsabilizada por todos os componentes do veículo, lampadas, pneus, bateria, pastilhas de freio etc. Em todo o mundo é assim

    • Vinicius

      Realmente, Meccia. Quem escolhe os fornecedores para a montagem do veículo é a fabricante. Logo, ela quem deve ser responsabilizada no período de garantia.

  • Valdek Waslan

    Muita gente fala da Indústria de indenização, mas muita gente se esquece também da indústria do recall. Tecnologia demais e cuidado de menos!!! Tecnologia demais e responsabilidade de menos, é assim que está a indústria automobilística!!! Não tem uma única semana em que não se ouve falar em recall.

  • Vinicius

    Fala, Mineirim!!! Ainda não atualizei, pois a Peugeot autorizou e estou aguardando a chegada da peça na CCS. Quando o serviço estiver pronto, vou te responder aqui!!! Mas a Peugeot autorizou a troca em garantia!