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AMG-GT carro de segurança da F-1, nem sub, nem sobreesterçante

No domingo passado falei sobre a questão do comportamento sub ou sobreesterçante, que gerou muitos comentários. Hoje estou escrevendo  e assistindo o GP de Mônaco, um circuito de rua, bem travado e, estranho, não vi nenhum carro sair de traseira e tampouco piloto algum contraesterçar nas saídas de curva, o que as câmeras de bordo denunciariam facilmente. Isso corrobora o que venho dizendo, aquilo que se dizia que “a tração é nas rodas que Deus quis que fossem as motrizes”, frase que li há muito tempo em matéria do jornalista automobilístico canadense Jim Kenzie, editor de Veículos do jornal The Toronto Star, ao falar do conceito Cadillac Evoq mostrado no Salão de Detroit de 1999, passou à história.

 

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Conceito Cadillac Evoq, de 1999 (foto inexepensive.buycarnow.org)

Com o desenvolvimento e o conhecimento adquiridos em geometria de direção e pneus, carros de rua estão todos praticamente com o mesmo comportamento, ou seja, neutros. Os carros de corrida, notadamente os F-1, contam ainda com o concurso da aerodinâmica geradora de força vertical descendente, que aos poucos vem sendo estendida aos carros nossos de todo dia.

Ainda sobre o GP de Mônaco,  se fazer curva atravessado ajudasse a fazê-la mais rapidamente, o carro de F-1 lá seriam ajustados para terem a “traseira feliz”.

Ainda na prova monegasca, quando o holandês de 17  anos Max Verstappen saiu reto na curva St. Dévote e bateu, levando o carro de segurança intervir, este, um Mercedes-AMG GT S (foto de abertura), andando muito rápido — em regime de competição para ele puxando a fila dos F-1 — não mostrava a menor saída de frente ou de traseira.

Agora, que é chato dirigir um carro que se recusa a entrar na curva, subesterçando acentuadamente, sem a menor dúvida que é. Há quatro anos estive no lançamento do Audi A1, que envolveu andar no Kartódromo de Aldeia da Serra, vizinho à capital paulista, e em seguida ir para a estrada nas redondezas. O pequeno Audi nas curvas do kartódromo era subesterçante demais, surpreendi-me, escrevi isso.

Portanto, a escolha de um fabricante entre tração dianteira e traseira prende-se mais às necessidades de configuração da carroceria do que qualquer outro fator. Até a BMW, adepta fervorosa da tração traseira, tem agora um  tração-dianteira, o 225i Active Tourer, e já garantiu que a maioria dos proprietários não sentirá diferença de comportamento para os demais modelos da marca bávara. É preciso muita certeza (e coragem) para afirmar tal coisa.

 

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BMW Active Tourer,um tração-dianteira (foto whatcar.com)

Tudo isso tem muito a ver, é claro, com os méritos da junta homocinética, sem ela essa mudança de rumo seria impossível.

O importante não é ter tração dianteira ou traseira — como ficaria o caso da tração integral? — mas o projeto da tração e do carro como um todo, pois para dirigir (que me desculpem até os colegas do Ae, como o AK) é a mesma coisa se o carro for bom, caso recente do Renault Mégane R.S. e, de outro dia, do novo Audi TT cupê.

Por falar em tração dianteira, vem-me à cabeça a tal da “direção comunicativa”, termo cunhado, até onde me lembro, ao jornalismo especializado americano dos anos 1950/60. Tenho impressão que isso veio das direções assistidas hidráulicas daquele tempo com elevado grau de assistência que deixava o “peso” do volante baixo demais, imagino que seja isso. Já contei aqui uma viagem a Buenos Aires com um Ford Galaxie, em que depois de uma centena de quilômetros o carro estava absolutamente na mão — mesmo com a assistência de direção exagerada que o modelo tinha. A direção “não comunicativa” em nada atrapalhou o dirigir mais rápido.

 

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Ford Galaxie Ltd: direção nada “comunicativa”, e daí? (foto quatrorodas.abril.com.br)

Assim, acho que foi falha de verbalização dos colegas americanos para a sensação de volante leve demais e falta de definição de centro, que veio se perpetuando e chegou ao Brasil. Comunicação, acho,  seria ser possível sentir no volante o piso onde se trafega, como observei há alguns anos, no meu tempo no Best Cars,  num Citroën C4 subindo a serra para Campos do Jordão, em que o asfalto imperfeito de então se manifestava acentuadamente no volante (foi corrigido depois).

Uma coisa é certa, os carros — todos — estão com comportamento cada vez melhor e cada vez menos exigem habilidade especial para dirigi-los. Que ótimo!

BS

 

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