Depois da notícia da intenção da Dupla do Mal, Haddad e Tatto, em ir reduzindo cada vez mais a velocidade das vias de São Paulo (e desta forma estarem espalhando o Mal), e de ter publicado a matéria nesta última sexta-feira,  confesso que fiquei muito preocupado e me senti dominado por forte apreensão neste final de semana.

Inclusive, ao irmos os três, o PK, o AK e eu, à Estrada dos Tropeiros ontem para filmar e fotografar uma VW SpaceFox Highline I-Motion, andamos na marginal do Pinheiros à velocidade proposta de 70 km/h só para sentir o que isso significa: é apavorante.

É apavorante a população motorista do município se ver na mão dessa gente que  está praticando o populismo com a intenção escancarada de permanecer no poder, tática mais que conhecida desse partido que de “dos trabalhadores” não tem nada, só no título dos estatutos da agremiação; dentro, nada.

O que apavora é se comparar as atitudes recentes da prefeitura com o que se observa no chamado Primeiro Mundo, onde qualquer um com um pouco de interesse nas questões de trânsito percebe que o assunto trânsito é tratado com toda seriedade, de tal maneira que o ato de dirigir seja algo natural, sem apreensões de qualquer tipo.

Tenho dito aqui no Ae e em outras publicações em que escrevo que quando se está dirigindo no Exterior não é preciso ficar atento à sinalização de limite de velocidade, uma vez imprimimos velocidade que é natural para a via. Tanto que quando se vê uma dessas placas e consultamos o velocímetro, estamos na velocidade-limite.

No caso das marginais, se pegarmos um grupo de motoristas e os colocarmos para dirigir com o velocímetro vendado, constataremos que a maioria trafega ali a 100 km/h porque esta é a velocidade natural ali. Repare-se que para ficar na velocidade atual, 90 km/h, é preciso ficar atento ao velocímetro.

Isso traz à discussão a sinalização de velocidade. Vê-se na Alemanha e na Suíça, por exemplo, que as placas de limite de velocidade têm o formato conhecido, porém constituem painéis eletrônicos, desse modo sendo possível variar a velocidade exibida sob comando de um centro de controle de tráfego. Isso simplesmente quer dizer que em função de fatores vários a velocidade pode variar. Por exemplo, um veículo parado numa faixa, que sempre representa perigo, é motivo para o controle baixar o limite, desse modo contribuindo para a segurança geral do tráfego naquele ponto.

Esse é apenas um exemplo, entre tantos, de como o assunto trânsito é tratado nos citados países.

E há bons exemplo aqui mesmo. No Rio de Janeiro, a velocidade no túnel Zuzu Angel, que liga a Gávea a São Conrado, duas faixas e sem acostamento, a velocidade permitida é de 90 km/h. Nunca houve o menor problema lá desde que foi inaugurado em 1974. Na avenida das Américas, na Barra da Tijuca, recentemente a velocidade máxima na pista lateral passou de 60 para 70 km/h. Nos túneis da rodovia Carvalho Pinto, em curva, a velocidade é a mesma dela como um todo, 120 km/h.

É por isso que a notícia de reduzir a velocidade para 70 km/h nas marginais assusta, ela evidenciou, mais uma vez, o amadorismo da CET/SMT numa questão que nos envolve, e olhe que não somos poucos.

E não satisfeita, a Dupla do Mal diz que nas pista lateral a velocidade será de 60 km/h, hoje 70 km/h, e na local, 50 km/h. Ou seja, ela (a dupla) quer mesmo parar São Paulo.

Há outra questão que passa despercebida mas é igualmente grave. Diz a Dupla e seus seguidores que com menor velocidade as lesões sofridas por um atropelado serão menores.  É o tipo do argumento óbvio, isso existe até nos esbarrões entre pessoas. A gravidade do argumento, eu diria até irresponsabilidade,  é admitir que pessoas continuarão a ser atropeladas, com se fosse inevitável e nada se pudesse fazer a respeito.

Aliás, foi exatamente esse o raciocínio do idiota do prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, ao determinar limite de 40 km/h lá, em ato recente.

Não, a Dupla do Mal sequer considerou medidas educativas e de fiscalização de todos os envolvidos no trânsito no sentido de evitar atropelamentos, que é a primeira medida a tomar por quem se preocupa realmente com os munícipes.

E falando em atropelamentos, no quê as marginais apresentam esse perigo? Alguém saberia dizer?  Uma via expressa, com acesso controlado, não prevê  tráfego (e nem tem) de pedestres.

E quanto aos acidentes nas marginais? Será que as análises dos ditos graves não mostram que eles se dão em velocidades totalmente fora do razoável para ali se trafegar, bem acima do limite de 90 km/h?  É claro que mostram. Mas isso não interessa à Dupla do Mal.

Limites de velocidade absurdamente baixos têm se verificado por toda a cidade ao bel-prazer da Dupla do Mal sem observar o que determina a Resolução 180 do Contran, de 21 de fevereiro de 2007, a que órgãos de trânsito estão obviamente sujeitos, o que constitui total descalabro e até mesmo crime de prevaricação e/ou de abuso de autoridade.

Outro problema sério em São Paulo é a largura das faixas de rolamento, e que não é só da atual adminisração — embora seja injustificável a continuidade da desobediência da CET ao que determina o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, Vol. 4, Sinalização Horizontal.  Está claramente indicado no Capítulo 5.2 – Linhas de Divisão de Fluxos de Mesmo Sentido, que “As larguras das faixas de trânsito são definidas em função da composição do tráfego e dos níveis de desempenho do fluxo veicular, devendo-se evitar variações na largura e no número de faixas, mantendo-se a continuidade (nosso grifo). Ou seja, essa questão em São Paulo beira o caos, em que é comum se ver uma via de três faixas passar a quatro e depois de um cruzamento voltar a três, na mais absoluta zorra, como no cruzamento das avenidas Brasil e Nove de Julho, só para dar um exemplo.

Isso sem contar a largura das faixas que, segundo o citado Manual, deve ser de, no mínimo, 2,70 m, desejável 3,50 m, e nas vias de trânsito rápido, 3,00 e 3,50 m, mínimo e recomendável. São inúmeros os casos de picapes médias não caberem na faixa, de tão estreita, dificultando o deslocamento de todos os carros. Mesmo os pequenos têm essa dificuldade.

Antes que o leitor se prepare para fazer um comentário tipo “Mas, Bob, o que tem faixas com velocidade, que é o assunto desse seu editorial?”, explico. A Dupla do Mal fala insistentemente em “salvar vidas”, não fala? Pois bem, se as faixas obedecessem às normas do Denatran e do Contran criar-se-ia facilmente um corredor para a passagem de ambulâncias e carros de salvamento do corpo de bombeiros bastando pequeno deslocamento lateral dos carros de faixas adjacentes.  Quem de nós nunca presenciou uma ambulância presa num engarrafamento de via expressa, seu motorista desesperado, sirene soando, sem nada poder fazer?

Para terminar, tenho de repetir o que eu disse sexta-feira, a questão das ciclofaixas sub-utilizadas que eliminaram milhares de vagas de estacionamento, complicando a vida dos munícipes em favor de meia-dúzia de gatos pingados que fazem de conta que São Paulo é Amsterdã, obra de um dos membros da Dupla do Mal, o prefeito Fernando Haddad. Para piorar, emporcalhou a cidade que não é dele com a cor vermelha das ciclofaixas, novamente em desrespeito às normas do Denatran quanto a sinalização horizontal.

Apavorante também foi assistir ontem a reportagem televisiva mostrando a importante av. Sete de Setembro, em Curitiba,  transformada em “Via Calma” de velocidade de 30 km/h, enquanto outra meia-dúzia de gatos pingados sulistas usavam a ciclofaixa.

Alguma coisa terá de ser feita, ou a nação mudará a sua face para alguma coisa muito próxima do inferno.

Bob Sharp
Editor-chefe
AUTOentusiastas

“Via Calma” em Curitiba (foto www.infraestruturaurbanapini.com.br)

 

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