Woman driv huffingtonpost.com  É uma rã? É um guarda-chuvas? Não, é um Citroën 3CV Woman driv huffingtonpost

Entre os carros que duraram muito tempo na Argentina provavelmente o mais folclórico seja o Citroën 3CV, que por si só merece um longo texto. Era um charme de simplicidade e um símbolo da classe emergente argentina.

O modelo era francês, com motor de dois cilindros horizontais opostos arrefecido a ar, que significava um barulho extremamente peculiar e fazia com que dentro dele fosse muito difícil qualquer conversa. Tinha meros 602 centímetros cúbicos e 30 cv. A tração era dianteira e o câmbio tinha quatro marchas com uma alavanca muito esquisita que lembra o cabo de um guarda-chuva e ficava sob o painel, operando horizontalmente. Outras peculiaridades eram que a partida era dada por outra alavanca e o teto de lona permitia que fosse aberto como se fosse um conversível e que lhe valeu o apelido de “guarda-chuvas ambulante”. Um carro para mim cheio de personalidade e um charme único e do qual guardo ótimas lembranças.

Embora tenha começado a ser desenvolvido nos anos 1930, foi lançado no pós-guerra na França para ser um carro resistente e barato e, de fato, cumpria ambas as missões. E ainda por cima econômico. Chegava a fazer 20 km/l. Velocidade? Veja bem… na lista de coisas que o carro tinha de ter ao ser projetado certamente esse item nem entrou e assim resultou que a rã (“rana” como também era chamado na Argentina) não passava dos 80 km/hora, mas isso somente na descida e com muito vento a favor.

Inicialmente, o modelo francês desenvolvido por Pierre Jules Boulanger era o 2CV ou Deux Chevaux (dois cavalos), mas nos modelos fabricados a partir de 1970 na Argentina foi rebatizado como 3CV e “Tres Caballos”, embora fosse apenas uma versão ligeiramente mais moderna, já com os 602 centímetros cúbicos no lugar dos iniciais 425. Sim, já sei, argentino tem mania de grandeza, vocês dirão… Aliás, o nome Dois Cavalos era uma referência à medida de potência fiscal (por isso o CV em maiúsculas, para diferenciar de cv potência nominal) já que era exatamente essa a que se originava do motor de 375 centímetros cúbicos e 9 cv dos primeiríssimos protótipos franceses. Como adoro saber a origem das palavras e dos nomes, e lembrando que em português há uma confusão entre cavalo-vapor e cavalo fiscal, vamos à explicação do porquê do nome. Este último é uma fórmula matemática e como faz tempo que não torturo meus leitores com este tipo de informação, lá vou eu:

Fórmula A  É uma rã? É um guarda-chuvas? Não, é um Citroën 3CV F  rmula AOnde:

Pf = Potência fiscal
T = 0,08 para motores de quatro tempos, 0,11 para motores de dois tempos
D = Diâmetro do cilindro em cm
R = Curso do pistão em cm
N = Número de cilindros

Na Argentina o 3CV (ou 2CV como quiserem) foi fabricado entre 1960 e 1979. Em 1980 a Citroën deixou de fabricar os carros mas continuou montando-os a partir de kits CKD numa versão bastante modificada até que em 1982, devido ao apoio francês aos ingleses na Guerra das Malvinas, a fábrica foi confiscada e entregue a uma empresa argentina.

Atualmente o modelo faz grande sucesso com os turistas que visitam a província de Mendoza, na Argentina e alugam este carrinho para visitar as vinícolas. Se a idéia é flanar pelas lindas paragens e entre plantações de uva bem lentamente, nada me parece mais indicado.

Outra característica deste carro eram a simplicidade com que tudo se resolvia nele. As portas e o capô podiam ser desmontadas pois estavam colocadas sobre trilhos sem parafusos.

A suspensão era um capítulo à parte, pois era composta de braços longitudinais presos ao chassis por varetas fixas a molas helicoidais colocadas longitudinalmente a cada lado. Estas molas ficavam dentro de cápsulas cilíndricas colocadas sob as portas e que suspendiam, ao mesmo tempo e a cada lado, uma roda dianteira e uma traseira. O resultado? Uma tremenda dor nos rins depois de muito tempo piorada pelos bancos que pareciam cadeiras de praia… Mas esse rodar que parecia cambaleante era também característico do 3CV e vê-lo fazer curvas um pouco mais rapidamente era um verdadeiro desafio às leis da gravidade e um acinte às forças centrípeta e centrifuga — e a mais alguma que ele certamente desafiava. O ângulo de inclinação lateral que a carroceria alcançava era inimaginável. Isso não impediu que fossem fabricadas diversas versões, inclusive uma para carga.

 

Cartoon Nora  É uma rã? É um guarda-chuvas? Não, é um Citroën 3CV Cartoon Nora

O 2CV era o carro da família de Mafalda — nada mais típico da Argentina dos anos 1970

Mas se até James Bond dirigiu um 2CV em “Somente para seus olhos” imaginem se eu não teria uma história da minha família para contar sobre este possante? Claro que sim, e foi muito legal relembrá-la com meu querido tio Horacio.

Ele deve ser o recordista de Citroën que eu conheço. O primeiro que comprou foi quando acabava de prestar o serviço militar e não tinha dinheiro para nada melhor do que aquilo. Era um modelo 1962, em frangalhos praticamente. Ainda assim, ele levou a dois de meus primos, minha irmã e eu à Cidade das Crianças, a 50 quilômetros de Buenos Aires. Até hoje lembro com carinho das confusões de um tio pouco mais que adolescente cuidando de quatro pirralhos e da estrada que parecia interminável naquela velocidade. Depois veio o cinza da história que conto a seguir e que ficou com ele por uns três anos. Seguiram-se um modelo 1972 que durou quatro anos até ser roubado (sim, tinha mais gente que queria esses carros, inclusive alguns amigos do Alheio) e o último foi um modelo 1978 cor de vinho que também foi roubado menos de um ano depois de ser comprado.

Vamos, então à história de valentia do segundo 2CV do meu tio.

Fevereiro de 1973, Buenos Aires. Meu tio Horacio comprou um Citroën 2CV usado, modelo 1965. Numa sexta-feira, às 4 horas da tarde, o recebe e sai no dia seguinte de madrugada rumo a Comodoro Rivadavia, cidade distante pouco mais de 1.800 quilômetros e onde morava minha tia Irene. Sim, a família é grande e felizmente muito unida.

A viagem seria feita em duas etapas: a primeira até Puerto Madryn, ou quase 1.300 km e daí até Comodoro. E só ele dirigindo. Mas pouco depois de sair de Buenos Aires, na altura de Bahía Blanca, o forte vento da Patagônia já se fazia sentir e meu tio não conseguia engatar a quarta marcha, indo a somente 50 km/h. Na hora que foi ultrapassado por um caminhão grande, ele, químico e com cabeça de Ciências Exatas, pensou em como vencer a resistência aerodinâmica, o atrito, o arrasto ou sei lá o quê e se colocou atrás dele. Assim, com a proteção do veículo à frente, conseguiu engatar uma quarta marcha. Seguiram assim por uns 120 quilômetros. O gentil caminhoneiro ainda avisava quando cruzavam por algum obstáculo para que o gado não atravesse a estrada, tipo mata-burro, muito comuns naqueles lugares e quando entrou num posto de gasolina fez questão de descer e conversar com meu tio para saber se estava indo bem assim e dizer que sairia da “Ruta 3” um pouco adiante e que a partir daí o Horacio teria de seguir sozinho. Se despediram e cada um seguiu seu caminho. Mas por sorte o vento já não atrapalhava tanto. O que atrapalhava era o cansaço de apertar o acelerador. Foi aí que a lógica voltou a predominar e meu tio encostou o carro e pegou uma pedra que colocou sobre o acelerador para poder descansar o pé. Digamos que era um precursor do controle de cruzeiro de hoje.

A velocidade do Citroën era tão reduzida, mas tão reduzida, que quando num momento cruzaram com um grupo de “ñandúes”, uma espécie de siriema típica da Argentina, meu tio buzinou para o bando que saiu correndo e o ultrapassou! Mas como ele lembra, a lentidão era tanta que dava para apreciar a paisagem e várias vezes parou para ver um tatu que andava pela estrada, algumas raposas e até mesmo aranhas grandes que atravessavam o caminho. Ou seja, além do pitoresco, tudo ia sem problemas até uns 50 km antes de Puerto Madryn. Para se manter alerta, pois a retidão da estrada é maçante, meu tio resolveu fazer zigue-zague na estrada que, claro, estava vazia naquela época. Se vocês pensaram que foi uma péssima idéia, têm razão. Resultado? Beliscou o acostamento e furou os dois pneus do lado direito. E foi então quando começaram a ficar evidentes as virtudes do Citroën. O Horacio trocou o pneu e colocou o estepe na roda dianteira e pôs toda a bagagem do lado esquerdo. Seguiu com o pneu traseiro furado e conseguiu percorrer os 50 quilômetros que faltavam até Madryn, o ponto mais civilizado e próximo de onde estavam. Saudades dos tempos de pneus com câmara!

Parada então num borracheiro para arrumar os pneus e, inclusive apenas consertar aquele que rodou vazio, que não sofreu nenhum estrago a ponto de ser suficiente um remendo comum. Aí foi só aproveitar as lindas paisagens de Península Valdez, num total de uns 200 quilômetros de pedra (o famoso “ripio”). Pronto, turismo feito, rumou ele para Madryn por um caminho diferente do da ida. Meu tio naquela época e com aquele carro dirigia de algumas maneiras, quais sejam: 1) a toda, 2) a toda, 3) a toda, e 4) a toda. Como o diabo está nos detalhes, passou por um daqueles mata-burros em conserto e voou uns 5 metros. Apesar da batida muito forte no chão, meu tio nem quis olhar o tamanho do estrago e seguiu dirigindo até um acampamento em Puerto Madryn onde ficou por alguns dias para aproveitar a linda região.

 

Deuz chevaux Nora  É uma rã? É um guarda-chuvas? Não, é um Citroën 3CV Deuz chevaux Nora1

2CV modelo, parecido com o do meu tio (http://autos.mitula.com.ar)

Começou então a segunda etapa da viagem. Faltavam uns 440 quilômetros até Comodoro, mas 300 eram de pedra e cascalho. Quando faltavam uns 100 quilômetros para o destino uma pane elétrica parou o 2CV irremediavelmente. Nem meu tio conseguiu consertar, mas outro gentil caminhoneiro parou e se ofereceu para puxar o carro. E aí se iniciou um novo perrengue. Já perto de Comodoro Rivadavia, a Ruta 3 é toda em descida, e o motorista ia o mais devagar possível, mas o Citroën ia mais rápido e meu tio tinha de frear. O cambão que o puxava era muito curta e a extensão feita por ele com arame no melhor estilo McGyver quebrou e o 2CV ultrapassou o caminhão sem que o motorista o percebera e continuou descendo. Ao terminar a pirambeira, os dois veículos se reencontraram e fizeram uma nova manobra de engate e assim meus tios foram puxados até uma oficina mecânica em Comodoro Rivadavia. O motivo do defeito? Apenas o condensador em curto-circuito, o que foi rapidamente consertado.

Mas minha tia Irene morava a uns 15 quilômetros da cidade, em Rada Tilly, de frente para a praia. E aqui vale um parêntese. O vento lá é tão forte que as ondas do mar quebram para dentro. É estranhíssimo ver a onda se curvar para o outro lado e ir embora em vez de terminar na areia. E meu primo ia jogar futebol sozinho na areia. Pegava a bola e chutava contra o vento. Ficava fulo quando voltava depois de ter perdido dele mesmo…

Ao chegar na casa da minha tia, nova surpresa. Ela ainda não havia chegado de Buenos Aires e não havia ninguém na casa. Sem celular nem outro meio de comunicação, meu tio pegou a barraca de camping que levava e a montou no jardim da minha tia. Foi dormir e de madrugada chegaram minha tia Irene com meus primos e meu tio, mas não viram a barraca e também foram dormir. Só se viram todos no dia seguinte.

Mudando de assunto: o mês de maio me traz lembranças tristes em termos de automobilismo. E o mês em que Nélson Piquet sofreu aquele horrível acidente em Indianápolis, Ayrton Senna morreu e quando meu outro ídolo Gilles Villeneuve morreu também num acidente que até hoje evito ver. Mas é também o mês do meu aniversário. Ufa…

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Mr. Car

    Em tempos passados, de vez em quando aparecia um destes Citroën aqui no Rio. Era impossível não olhar para ele, diferente de tudo que circulava pelas ruas, he, he! Eu achava o carrinho estranho e simpático ao mesmo tempo.

    • Mr. Car

      Em tempo: parabéns, Nora!

    • $2354837

      Na Copa foi uma delicia andar na rua e ver esses carros. Vi um Fiat 600 andando na cara região da general Osório em SP.
      Não vi nenhum 2CV com placa portenha. Mas em uma oficina vi um furgão recentemente importada, ainda com selos de vistoria francesa no para-brisa

      • Domingos

        O 2CV tentou chegar para a Copa e acabou chegando nos protestos de maio desse ano…

  • Uber

    Nora, cadê o resto da tirinha? O final é a melhor parte! xD
    Achei uma cópia completa:

    • CorsarioViajante

      Esta “série” do pai da Mafalda obsessivo pelo carro é ótima… QUando ele começa com a neurose do “tic tic” então…

  • Felipe Compagnoni

    No mês passado, ao visitar a concessionária Citroen em Caxias do Sul-RS, me deparei com um exemplar extremamente conservado. O achei muito simpático e charmoso. Infelizmente não consegui conversar com o dono para perguntar-lhe sobre o veículo. A seguir algumas imagens, que compartilho com vocês.

  • $2354837

    Parabéns Nora pelo aniversário.
    É o mês de aniversário de Interlagos também.

    Uma pena o Citroën 2CV não ter sido feito por aqui. Argentinos preszam muito carros franceses por causa dessa coisinha estranha aí.

    Deveríamos ter tido o nosso BR-800 ou coisa assim. Ficar apoiado em um modelo popular só (Fusca) não é o ideal.

    Muitos fanboys aqui torcem pelas marcas. Acho isso altamente prejudicial para nós.
    Eu não torço por nenhuma. Compro o que está ao alcance da mão e me toca mais o coração.

    Pena não ter tido esse icônico 2CV por aqui. Nossa vida teria sido muito mais alegre.

  • Ilbirs

    Vi um desses em minha última viagem, a Paraty. Era verde-abacate, não estava em muito bom estado e ostentava a indefectível placa preta com letras brancas e cantos na mesma cor. Só fico pensando como deve ter sido (lento) o trajeto desses argentinos até a cidade histórica fluminense em questão.

  • Diogo

    Gostei bastante de conhecer mais detalhes do 3CV na Argentina, mas bom mesmo foi ler o relato da viagem do tio. Sensacional!

  • Bruno L. Albrecht

    Excelente coluna, me diverti! =)

  • Antônio do Sul

    Nora, parabéns pelo post (muito bom tanto pelo carro descrito quanto pelo “causo” contado) e um feliz aniversário! Visualmente, de perfil, o C3, em suas duas gerações, traz alguma coisa dos Citroen 2CV/3CV. Agora, pela simplicidade mecânica e pelas limitações de desempenho, acho que o modelo contemporâneo mais próximo desse clássico francês (e também argentino) seria o Tata Nano, o que não é nenhum demérito, pois ainda há demanda por carros assim. Na década de 80, nas minhas férias de verão, em Santa Catarina, cheguei a ver alguns, e ainda em bom estado de conservação. Dos compactos argentinos, o que mais desperta a minha simpatia (gratuita, pois pouco sei sobre suas qualidades mecânicas e os seus atributos dinâmicos) é o Fiat 600.

    • Nora Gonzalez

      Antônio do Sul, grata pelos parabéns e pelos comentários. Abraços.

  • Newton ( ArkAngel )

    Muito bacana a história. A necessidade é a mãe da invenção, nada mais correto.

  • Muito bom! não sabia que o excesso de balanço chegava a provocar dores nos rins.
    Incrível como fazia curvas:

  • BlueGopher

    Os antigos comediantes franceses fizeram alguns filmes divertidíssimos
    com a participação do 2CV.
    Jacques Tati e Louis de Funes eram especialistas.

    No vídeo abaixo há uma cena antológica na qual o 2CV se desmancha todo numa trombada:
    http://www.youtube.com/watch?v=BN2DIXHDlmI

    Outro vídeo muito gozado acontece no filme Rabbi Jacob, neste ele dirige um outro modelo Citroen, mas merece ser assistido:

    • Leonardo Mendes

      Aos 0:30, uma das minhas paixões, os “country stickers”… não sosseguei enquanto não fiz um pro meu carro.

    • CorsarioViajante

      Rabbi Jacob é um dos filmes mais engraçados que já vi, impagával! Já o Jacques Tati é um caso de paixão mesmo… rs

  • Eurico Junior

    Nora, parabéns pelo texto delicioso. E o 3CV também é figurinha fácil no Chile, topei com esse atrás do hotel.

  • Clésio Luiz

    Para quem quer ver as peculiaridades do 2CV que a Nora comenta, aqui vai um vídeo. O cidadão que o apresenta é famoso por dirigir (e possuir também) os melhores carros esporte que a Europa produz, e mesmo assim o simpático 2CV é o seu xodó:

  • Leonardo Mendes

    A Nora é o típico caso de aniversariante que presenteia os convivas… excelente texto.
    Só uma correção: não seriam “ariranhas” ao invés de aranhas? Minha mente fértil já imaginou uma recriação do filme Malditas aranhas, desta vez com um 3CV carregado fugindo dos aracnídeos em questão.

    O baile que o 007 dá em dois 504 com um 2CV amarelo é a síntese do clima do filme… Somente para seus olhos tinha a missão de colocar a série nos trilhos depois dos exageros de Foguete da morte, e a sequência caiu bem a calhar: Bond, desprovido de sua Lotus por causa do alarme (entendedores entenderão) teve que se virar com o que tinha a mão.

    E o Chris Harris fez o que eu considero a homenagem definitiva ao carro… toda vez que desejo me lembrar porque gostamos tanto de um determinado modelo eu vejo o vídeo dele e seu 2Cv 1957.

  • Nora Gonzalez

    Romero Florio, é que além do balanço tinhas os bancos, que realmente pareciam cadeiras de praia. Talvez fosse a combinação de ambos que provocava efeito devastador nos rins. Abraços

    • Pois é, um banco sem apoio lombar e lateral cansa muito. Abraço!

  • Nora Gonzalez

    Luiz_AG: bem lembrado o aniversário de Interlagos. Mas enquanto o autódromo faz 75 aninhos eu faço beeeem menos (rs). E o 2CV era mesmo um barato. Bacana ver a vida passar mais lentamente de vez em quando. Acho que tentarei alugar um quando for de novo a Mendoza. E grata pelos parabéns.

  • Nora Gonzalez

    Obrigada, Mr. Car. Abraços

  • Nora Gonzalez

    Leonardo Mendes, vocês leitores é que me presenteiam o tempo todo com seus comentários. E não, meu tio via aranhas, mesmo, tão lenta é a velocidade do 2CV. Daria um ótimo filme trash, no estilo de Sharknado.

  • Ilbirs

    Pegue um 2CV, monte o boxer bicilíndrico refrigerado a ar certo, use a característica de propositadamente ter alta rolagem de carroceria, mantenha pneus canelinha para ter pouco arrasto e veja o que acontece:

    Se a parceria entre PSA e BMW tivesse ocorrido em algum ponto dos anos 1980 em vez de no começo deste século, com certeza o 2CV iria se tornar ainda mais interessante.

    • Perfeito!

    • $2354837

      Tem os BMW-Isetta.

    • $2354837

      Sabe que eu imaginei? Esse 2CV enfrentando os carreteras em uma Mil Milhas em Interlagos.

      O motor boxer das BMW duram a vida inteira, provavelmente faria as Mil Milhas parando só para reabastecer.

  • Nora Gonzalez

    Clésio Luiz, adorei o video! e dá para ver perfeitamente o balanço do carro e o quanto os bancos parecem com cadeiras de praia. Aliás, essa era outra utilidade deles, como bem mostra o Chris Harris. Eram ideais para não precisar sentar no chão num picnic.

  • André K

    Parabéns Nora! E, não apenas pelo aniversário.

    Leitores mais jovens poderiam pensar: O que é um “condensador”? Nem lembrava mais disso!

  • $2354837

    Sobre o preconceiro sobre os 2 cilindros e a baixa potência. Não faz sentido . igual aos 1.0 hoje. Viajei muito com carro 1.0 sedan carregad de cinco pessoas mais bagagem e ar ligado. E o carro foi sem problemas seguindo a media da estrada .
    No transito atual de SP esse carro seria mais que suficiente.

    • Barroso

      Há casos e casos. A pior viagem que já fiz foi num Corsa 1-L carregado. Cansativa demais.
      Agora, viajar nas estradas retas e duplicadas de São Paulo é bem diferente das estradinhas estreitas e montanhosas de Minas Gerais.

      • $2354837

        Cansativo no quê exatamente? Nunca tive cansaço por falta de motor, já tive cansaço por ficar mal posicionado, desgaste por calor, agora motor, nunca… E já viajei até de Fusca 1300. Fui de São Paulo a Brasília de Mille Eletronic sem problema algum.

    • Domingos

      A rigor até um kart com 6 cv seria. Também seria absolutamente assustador nas nossas ladeiras, na marginal e em qualquer necessidade de direção confortável ou defensiva.

      Mas eram outros tempos…

      • $2354837

        Marginal, com limite de 70 km/h? Engraçado que esses carros ainda circulam na França e em vários países da Europa onde a média horária é maior que a nossa.
        Repito: É frescura. Mau costume. Brasileiro gosta de jogar dinheiro no lixo comprando coisa que não precisa ou nem o orçamento permite.

  • César

    Um carro estranho e incomum, mas que consegue ter o mesmo que o Fusca: carisma.
    Apesar de o C3 da primeira geração ter bebido da fonte do 2CV, com certeza jamais conseguiu transmitir a mesma simpatia.

  • Lorenzo Frigerio

    Chris Harris? Num 2CV? Sem drifting? O que ele inventou para chamar a atenção?

    • Leonardo Mendes

      Justamente, ele não inventou nada… apenas deu um passeio com ele na estrada, se bem que em algumas curvas ele deu umas “dobradas” com o carro que deu até medo.

  • Lorenzo Frigerio

    Acho que os brasileiros não teriam engolido essa coisa pré-cambriana. O brasileiro sempre teve uma certa preocupação com imagem, que parece faltar lá embaixo. O sonho do Fusquinha zero sempre foi um ícone por aqui. Os carros argentinos sempre foram muito antiquados e feios, com poucas exceções. Um 2CV me parece muito inferior a um Dauphine, que deve ter sido o nadir da indústria automobilística brasileira (sem contar o Romi-Isetta – meus pais tinham um e subiram a serra com ele, sei lá como… outros tempos).

    • $2354837

      Nâo acho que Ford Sierra, Renaut Fuego, Renault Nevada, Peugeot 505 por exemplo tenham sido antiquados e feitos na sua época.

    • $2354837

      Seu pai subia a serra de Romi-Isetta como eu consego subir a Anchieta com um scooter de 9 cv sem problema algum. Potência é frescura em carro leve, por que não dizer bichice.

      Nossos pais e avós sofram muito felizes com fusca de 38 cv e alguns levaram muita carga em Kombi de 30 cv.

  • Bob, o de Petrópolis

    Muito legal Nora! Fiquei tão interessado no carrinho e suas soluções simples e buscando na Internet encontrei isso aqui:

    http://www.burtoncar.com/burton-uk-manual.asp

    Um kit-car baseado no 2CV. Fantástico!

  • Domingos

    Não compra não, mais porque o financiamento não deixa. A maioria compra os nossos sub-motorizados, lembrando que hoje qualquer carro é pesado.

    Só agora começaram a voltar os carros leves, como o up!

    E sim, mesmo a 70 você já está extraindo todo o suco de um motor com menos de 10 cv, seria como andar dando final o tempo todo.

    Nem carro elétrico funciona de forma ótima assim, imagina um motor a combustão…

    Agora, uma coisa é certa: para o brasileiro que tem um único carro, o certo mesmo seriam grandes ofertas de carros com bons motores. Na faixa dos 100 cv.

    Tal como nos Estados Unidos e Austrália. Somos um país acidentado nos meios urbanos, com grandes distâncias e geralmente as famílias possuem poucos carros.

    • Luiz_AG

      Pare de falar bobagem, olha média anual aqui de 15 mil km… Americano roda o triplo de média por ano. Difícil o cara ir para praia de carro, imagina atravessar o país.
      Conto nos dedos quem tem coragem de rodar mais de 500 km com o carro.

      • Domingos

        Ué, o que tem a média anual a ver com isso?

        Difícil é o cara ir para a praia de scooter. De carro todo mundo que tem vai, oras.

        A questão da média anual não muda a questão de sermos um país com cidades dezenas de vezes maiores que uma cidade padrão na Europa, mesmo aquelas com menos população aqui são bem maiores.

        Também não muda nosso terreno relativamente plano – poucas montanhas, por exemplo – mas em meio URBANO muito acidentado.

        Não há um país da Europa com tantas ladeiras em ambiente urbano como a típica cidade brasileira. Só em Portugal e olhe lá, pois são cidades bem menores (logo por mais íngreme que seja, as extensões a serem cobertas e o número de desafios a vencer são menores).

        • $2354837

          Ok, ciente, próximo..

  • Domingos

    É bom viajar com o motor esgoelando para manter a velocidade normal da rodovia? Até auditivamente cansa. Porque é isso que um Fusca 1300 faz.

    Aí acredito que entre seu lado motociclista. Sem fazer um julgamento aqui, mas qualquer carro comparado a qualquer motocicleta é um mundo de conforto.

    É a mesma coisa que viajar num ônibus lotado e depois num carrinho bem velho. Até meio caído o carro é melhor.

    • Luiz_AG

      Não tenho problema algum com isso, você tem? Problema seu…

      • Domingos

        Exatamente. Só que com esse referencial não dá para falar que viajar num carro de 30 cv, ainda mais barulhento, seja bom.

        Se você considera subir uma serra algo “sem problemas” num scooter, claro que não vai achar problemas em subir num carro tão fraco.

        O problema é que é inadequado. Veículo nenhum trabalha bem sob velocidade máxima e aceleração máxima o tempo todo, velocidade de cruzeiro é algo que todo veículo (mesmo aéreo ou marítimo) mira.

        Seja por conforto, emissões, consumo etc.

  • Domingos

    Todos foguetes em desempenho que vão tomar ultrapassagem de caminhão na estrada. Óbvio que isso não é adequado. Eram outros tempos também… Imagine hoje fazer um fretado com uma Kombi de 30 cv acompanhando o tráfego da Marginal.

    Até na pista da direita vai ser perigoso.

    Concordo com o Lorenzo. Apesar de toda simpatia do 2CV e de concordar em absoluto que a onipresença do Fusca como único popular acabou com nosso mercado até pelo menos os anos 2000, o carro é realmente peça de museu.

    O Chris Harris no vídeo já está com uma versão um pouco mais potente (fala no começo do vídeo) e em descida conseguiu um máximo de menos de 70 km/h. Em compensação o carro faz curvas muito bem para um carro projetado antes da guerra!

    Mas o Fusca era infinitamente superior. Até porque já foi pensado como carro tanto de cidade como de estrada – pensado como carro completo.

    • $2354837

      Beleza, pegue um V-8 e suba a Rebouças, já que tem dinheiro para torrar com combustível.

      Eu não tenho. Não preciso, um carrinho desse me serviria perfeitamente. Não preciso ficar torrando dinheiro. Ando de moto há 20 anos, já tive carro 1-L., motos 110 cm³ de 9 cv e nunca tive problema algum de chegar aos lugares.
      Já fui até Curitiba com moto de 9 cv a 80 km/h de máxima. Cheguei vivo.
      Já fiz São Paulo-Brasília de Uno Mille com 56 cv sem problema algum. Fazia o caminho praticamente todo final de semana São Paulo-Curitiba com um Chevrolet Corsa Classic VHC e nunca tive problema algum de falta de potência.

      Não vejo essa frescura. Não vejo essa necessidade. Não tenho dinheiro para torrar com combustível. Uso dinheiro para outras coisas. Sou filho de europeu, me ensinou o valor do dinheiro e gastar com as coisas certas, pelo menos o que eu considero certo.
      Quando quero sensação de potência pego minha moto de 160 kg e torque de 7 m·kgf que faz de 0-100 em 4,4 segundos e nenhum carro me acompanhou até hoje em saída de sinal ou numa subida de serra.

      Não faço parte do seu clube de pensamento nem tenho nenhuma obrigação de concordar com você.

      Espero ter sido claro.

      • Domingos

        Ué, ninguém está tentando falar que você não possa andar de moto ou de carro menos potente.

        Apenas que é um absurdo achar que um 2CV ou uma Kombi de 30 cv seria algo adequado ao trânsito de hoje – o 2CV em particular não é adequado a lugar algum, tendo a própria Citroën declarado o carro como “para pequenas estradas rurais e pequenos percursos”.

        Se a própria Citroën declara o carro assim, acredito que ela está certa e que não é questão de “concordar”.

        No mais, a noção que um carro com motor adequado é gastão ou torra dinheiro é absolutamente incorreta tanto tecnicamente quanto na prática.

        O Brasil é um país que passou muita pobreza de dinheiro e informação e criou-se o mito que carro fraco é econômico. Aí chegaram os 1,4, os japoneses, os novos 1,0 muito mais potentes e acabou-se o mito.

        Fazia mais km/l com um carro de 136 cavalos que 80% dos 1,0 que conheço – os quais graças a Deus nunca tive.

        As pessoas estão certas em quererem mais da vida que esgoelar um carro, ter desempenho meramente no mínimo (para consumo igual ou pior que um bom carro) e andar a 80 km/h numa estrada.

        O pensamento meio de esquerda é por demais justificativo…

        Como europeu eu também nunca vi essa tara de querer viajar com veículos tão pouco potentes em estradas. Não se vê gente andando de scooter em estradas, questão de bom senso.

        É até proibido em muitos lugares. Imagino o pavor de dividir a pista da direita com caminhões num veículo sem proteção nenhuma e ainda sendo ultrapassado por eles de tão lentos…

        De moto rápida: acho ratoeira. Aí prefiro o 2CV mesmo.

        • $2354837

          Ok, ciente, próximo.

    • $2354837

      ok, ciente… próximo…