Fonte: barkpost.com  VIRA-LATA SIM SENHOR vice

Fonte: barkpost.com

Diz-se que o brasileiro tem o complexo de vira-lata. Segundo este complexo, os próprios brasileiros se colocariam em posição de inferioridade ao que se encontra em outros países. Algo como “importado é que é bom”, como se brasileiro não prestasse. Pois bem, após passar 10 dias dirigindo na Europa, posso dizer que sim, no que tange a estradas, organização e, principalmente, educação, o complexo de vira-lata tem razão de ser sim.

Dirigi em vários países da Europa: Áustria, Alemanha, República Checa, Polônia e Eslováquia. Em todos eles, chamou-me a atenção a ótima conservação das estradas (certo, o asfalto das ruas de Bratislava não é exemplar, lembra o nosso), a farta sinalização e a boa organização do trânsito. Mas o que mais impressiona é o fator humano: a educação dos motoristas.

É este fator humano que permite que se possa adotar limites de velocidade de 130 km/h (Áustria, República Checa e Eslováquia), de 140 km/h (Polônia) ou até abrir mão de limite de velocidade, como se faz nas famosas Autobahnen, as autoestradas alemãs. Sei que o Bob Sharp é contrário aos limites de velocidade, é difícil apoiá-los quando se dirige em uma Autobahn e se constata que a falta de limite não causa acidentes, mas acredito que um ponto que ele não leva em consideração ao pensar na abolição dos limites ou em seu aumento no Brasil é a educação para o trânsito do motorista médio brasileiro.

 

Fonte: mmmarciniak.blox.pl/  VIRA-LATA SIM SENHOR 140 polonia

Os poloneses andam a 140… Fonte: mmmarciniak.blox.pl/

Nosso motorista médio não tem nem de longe a educação para o trânsito de um motorista médio europeu. É justamente esta educação, o saber se inserir no trânsito, a consciência de que se faz parte de um sistema como um todo e, principalmente, que os que o cercam são iguais e que têm o mesmo direito de usar a estrada é que faz toda a diferença de mentalidade. Sendo assim, o pensamento vigente lá é que o carro do lado é dirigido por um outro cidadão, não por um inimigo ou adversário.

Exemplos disso não faltam. Não se vê por lá gente furando fila. Em uma saída da A22 para Viena, vi fila de mais de 1 km. Todos pacientemente esperando na faixa da direita a sua vez. A Autobahn fluía, apenas com uma faixa parada, a daqueles que aguardavam sua vez para sair dela. Lembrei-me imediatamente da Rua das Juntas Provisórias, no Ipiranga, em São Paulo: ao final dela, há uma saída à direita, dando acesso à Av. Prof. Luiz Ignácio de Anhaia Melo, em direção à Zona Leste. Esta saída é congestionada e seu congestionamento se estende até o início da Rua das Juntas Provisórias, mais de 1 km antes, porque, como a faixa da direita é congestionada, muitos motoristas insistem em vir pela esquerda para só na última hora entrarem à direita. Fazendo isso, fazem com que quem quer seguir em frente pegue mais de 1 km de congestionamento para que eles — suas majestades — não precisem esperar na fila da direita como os outros mortais. Sim, fica uma fila de fura-filas!

Trafegar ou ultrapassar pelo acostamento? De jeito nenhum! Peguei hora do rush em Frankfurt e não vi NENHUM espertinho de acostamento, todos trafegando na sua vez. Acostamento é para emergência, não é faixa rápida para os motoristas mais espertos que todo mundo. E a multa nem é tão cara — € 75 —, chegando a ser mais barata do que no Brasil (R$ 574,62, o equivalente a € 175), mostrando que o problema não é a existência ou grau de penalidade, mas sim a educação. Mais uma vez, ninguém, exceto os veículos de emergência, tem mais direito que os outros de chegar.

 

... e os alemães andam a quanto querem Fonte: cdn.rideapart.com  VIRA-LATA SIM SENHOR 2014 10 autobahn unlimited speed sign

… e os alemães andam a quanto quiserem. Fonte: cdn.rideapart.com

Outro exemplo disso é o que presencio em relação à questão de estacionamento no DF. Simplesmente ninguém respeita as placas de proibido estacionar, é como se elas não existissem. E, quando confrontados, os motoristas sempre têm uma desculpa prontinha na ponta da língua: não há vagas suficientes, o transporte público não funciona, o medo de ser assaltado… As desculpas não param.

Só que Brasília é uma das cidades com maior disponibilidade de estacionamento público e gratuito, a cidade foi pensada para o automóvel. Uma prova disso é que quase inexistem estacionamentos privados no DF, apenas em shopping centers. O povo da capital dá todas estas desculpas simplesmente porque não quer andar! É como se não parar na porta desonrasse o brasiliense, como se houvesse alguém “mais importante” que ele que não precisou andar. As regras? As regras são para os outros…

Além da má educação, isso acontece porque não há uma CET no DF e o Detran é insuficiente para fiscalizar tudo, além de disciplinar o trânsito. Então, na falta de fiscalização, o povo deita e rola mesmo, como se a lei só importasse quando houvesse penalidade, se não há penalidade, não seria preciso cumprir a lei. E quando, às vezes, o Detran resolve fazer uma operação de fiscalização e multa quem está estacionado irregularmente? O brasiliense reclama… do Detran! O sujeito é devidamente multado por estar estacionado irregularmente e, em vez de reconhecer o erro, ainda vem com o rosário de desculpas. Até reclamar de chuva eu já ouvi, como se o guarda-chuva nunca tivesse sido inventado.

 

No proibido, em cima da calçada... "Mas eu preciso estacionar!" Fonte: R7  VIRA-LATA SIM SENHOR estacionamentoirregular nilomartins

Onde é proibido parar e estacionar, parte na rua, parte em cima da calçada… “Mas eu preciso estacionar!” Fonte: R7

O brasileiro tem o péssimo hábito de achar que seu tempo é mais precioso que o tempo dos outros, que sua urgência é mais importante que a urgência alheia. Pensando assim, ele legitima este comportamento fura-fila e anti-social. “Mas eu estou atrasado…”. E os outros não têm hora? Seu atraso permite que você ignore as regras? Aliás, vejo este péssimo hábito ser estimulado pelas companhias aéreas: se você chegar pelo menos uma hora antes do vôo, como pede a empresa, pegará toda a fila do check-in. Agora, se chegar faltando 35 minutos, será colocado numa fila prioritária de “encerramento”, que nada mais é uma fila dos fura-filas para aqueles que chegaram atrasados. E, obviamente, passará na frente dos que não estão atrasados, aumentando o tempo que estes passam na fila.

No Brasil, o que o passageiro recebe por chegar na hora estipulada? Perder mais tempo na fila! Quem desobedece e chega atrasado ainda é premiado com a fila rápida! Depois reclamam quando quem obedece às regras diz que se sente trouxa…

Aliás, obediência às regras é seguida à risca nas Autobahnen: o sujeito pode estar a 220 km/h, mas se aparecer uma placa limitando a 100, ele imediatamente freia e passa a andar a 100 km/h. Chega a ser engraçado. Em um minuto o trânsito está fluindo entre 140-160 km/h (cheguei a ver van de entrega andando a 150 km/h), logo depois, perto de uma cidade, o limite cai para 100 km/h e todo o trânsito passa a andar a 100. Em estradas de pista simples, onde é proibido ultrapassar, ninguém ultrapassa. E nem ficam pressionando para andar mais rápido.

O trânsito é muito mais pacífico e civilizado. Se você está na esquerda ultrapassando, ninguém fica colado na traseira em zigue-zague pressionando, como acontece no Brasil. Espera-se o fim da ultrapassagem, quando quem está na frente dá seta para a direita e libera a esquerda.

Seta é outra coisa levada a sério. Dá-se seta para qualquer mudança de faixa, avisando quem vem atrás da intenção. Além disso, dá-se a seta e olha-se, não se dá seta e entra-se, como acontece aqui. Seta não é autorização para invasão de pista, mas sim aviso de intenção de mudança de direção ou de faixa. É para que quem vem em alta velocidade saiba da intenção de entrar e prepare-se para isso, pois se a distância for grande, será necessário frear. E ninguém xinga quem entrou na esquerda para ultrapassar um carro mais lento, simplesmente espera-se o término da ultrapassagem.

Nem poderia ser diferente: a chance de um acidente caso se mude de faixa sem o devido cuidado aumenta. E dado que é perfeitamente possível que quem vem pela outra faixa esteja acima de 200 km/h, o acidente seria gravíssimo. Por isso, ninguém arrisca uma manobra perigosa. Lombadas? Para que, se todo mundo respeita os limites de velocidade? Se o limite é 30 km/h nas pequenas ruas de bairro, anda-se a 30 km/h e ponto. E sem lombada nenhuma! Lombada é coisa de subdesenvolvido mal-educado que não respeita limite de velocidade. Em países cujo povo tem educação elas não são usadas.  

Como as coisas são mais simples quando as regras são seguidas, não? Mas é este rígido respeito às regras é que faz com que o sistema como um todo funcione. Apesar de todas as teorias de nossas célebres “otoridades” que pregam que “a velocidade mata”, a velocidade não mata na Alemanha. O que mata é a falta de educação para entender a necessidade do cumprimento da legislação de trânsito. O que mata é a postura egoísta de pensar só em si mesmo. Enfim, o que mata é o jeito do brasileiro se portar no trânsito.

Então, se não dá para evitar os acidentes porque o material humano não ajuda, pelo menos tentam diminuir-lhes a gravidade diminuindo a velocidade em que eles podem ocorrer. E dá-lhe os limites ridículos que vemos por aqui.

É certo que muito destes limites baixíssimos, abaixo da velocidade natural das vias é fruto de administrações públicas mal-intencionadas, de olho na arrecadação das multas. Mas, excetuando este tipo de situação, também bem brasileira, e contrariando o Bob Sharp, eu diria que nós não merecemos ter estradas sem limites de velocidade. Ainda não somos evoluídos o suficiente como povo para termos direito a acelerar até onde nossos carros permitem.

Imaginem uma Autobahn no Brasil: velocidade liberada. Um carro velho caindo aos pedaços entra na rodovia de repente, sem dar seta, até porque esta está queimada. Quem vem atrás joga para a esquerda, também sem olhar e nem avisar porque fez uma manobra repentina. Um sujeito vem a 150 km/h pela faixa da esquerda e bate na traseira do que desviou. Morre todo mundo, exceto o motorista do carro velho que iniciou a cadeia de eventos.

Outra situação: o sujeito compra um surrado carro dos anos 1990 e resolve turbinar o motor. Mas, como o dinheiro é curto, ele só mexe no motor mesmo. Mantém os freios, suspensão (já cansada) e etc. Pneu? Não tinha dinheiro pra colocar novo, foi um jogo de remold mesmo. Aí o cara entra na estrada e resolve ver se o carro chega a 200, para ver se o turbo ficou bom… Será que a suspensão e os pneus estão preparados para uma velocidade dessas? E se precisar frear, os freios darão conta? Com certeza não. É a receita para a tragédia.

 

Imaginem isso a 220 numa Autobahn tupiniquim... Fonte: carrostunadospoint.blogspot.com  VIRA-LATA SIM SENHOR gol quadrado 1 e1428864633253

Imaginem isso a 220 numa Autobahn tupiniquim… Fonte: carrostunadospoint.blogspot.com

Fica fácil perceber, assim, o quanto estamos distantes de merecermos estradas sem limite de velocidade ou mesmo com limites mais altos. O problema não é da velocidade em si, mas sim da falta de condições do trânsito para liberá-la. Sendo assim, se a matéria-prima que temos, tanto humana quanto mecânica, nos deixa muito mais propensos a todo tipo de acidentes, melhor que estes ocorram em velocidades mais baixas, até como forma de conter os danos.

Fala-se sempre em educação para o trânsito, mas a coisa vai bem além disso. Primeiro, antes até de se pensar em educação para o trânsito é necessário uma conscientização sobre o papel de cada pessoa dentro da sociedade. Aprender a agir sempre considerando que seus atos impactam os que estão ao redor, aprender que todos têm os mesmos direitos e que ninguém é mais importante que ninguém e nem há pessoas acima da lei. Depois disso é que se pode pensar em educar para o trânsito, ensinar as regras e a importância do respeito às mesmas para a integridade de todos.

Acabou? Não, além das regras, é necessário ensinar a dirigir corretamente, com atenção, sabendo integrar-se com o veículo e aprender a conhecer o seu comportamento. Depois disso tudo é que poderemos pleitear o direito a maiores velocidades e menos regras absurdas, como, por exemplo, ter que reforçar com uma errônea placa PARE antes de uma rotatória, onde deveria haver apenas a sinalização de “dê a preferência”, quando muito. Ou então a absurda placa “proibido parar e estacionar, exceto para embarque e desembarque”, que existe no aeroporto de Congonhas.

 

Recorre-se ao absurdo para tentar forçar o cumprimento das leis. Educar teria sido melhor  VIRA-LATA SIM SENHOR Proibido parar 1

Recorre-se ao absurdo para tentar forçar o cumprimento das leis. Educar teria sido melhor

O caminho é muito longo e difícil, passa por mudanças na mentalidade, na educação e na formação de condutores. CNH deve ser um direito a ser conquistado, não distribuído. Se nem todos podem pilotar um avião pelo óbvio motivo de que nem todos conseguem possuir as habilidades necessárias para tanto, o mesmo deveria ocorrer em relação à obtenção de CNH. Infelizmente, assim como é consenso que nem todos nasceram para pilotar um avião, nem todos nasceram para dirigir um automóvel, que, apesar de ser tarefa bem menos complexa, também exige um conjunto de habilidades. Na Alemanha os testes para se tirar a Carteira de Motoristas são muito mais rigorosos. Uma amostra das provas pode ser vista aqui.

Levará muito tempo, mas se estas medidas forem implantadas, um dia poderemos ter um trânsito mais civilizado, com menos regras e com estas sendo mais justas. E poderemos parar com esse bordão de “a velocidade mata”. Até lá, continuaremos vira-latas.

Ou nem isso, uma vez que vira-latas são animais sociais e ajudam-se mutuamente. Talvez tenhamos algo a aprender com eles.

CMF

Sobre o Autor

Carlos Maurício Farjoun

Formado em Administração de Empresas, atualmente trabalha como servidor público na área tributária. Apaixonado por carros, mecânica e história dos automóveis desde a infância, conhece bem a área de marketing e comportamento do consumidor, gostos que costuma trazer para posts que às vezes acabam gerando polêmica.

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  • petrafan

    O caminho é longo e difícil e nunca chegaremos lá. a educação que falta não é a do motorista e sim a do povo, do cidadão. e essa. só piora.

  • Paulo Roberto de Miguel

    Como em tudo o mais, faltam investimentos no trânsito, tanto no comportamento quanto na fluência. Apenas mais um sintoma do descaso. Um bom comportamento não virá “de baixo para cima”, mas sim “de cima para baixo”. É necessário investir em educação e em fiscalização. Fora disso não há luz no horizonte. De novo vou citar o ótimo exemplo do cinto de segurança. “Pegou” porque foi feita uma campanha ampla e uma fiscalização à altura. Muitas outras coisas poderiam ser assim.

  • V_T_G

    Ótimo texto.

  • Mr. Car

    Talvez nem seja a mais perigosa ou prejudicial, mas destas viralatices todas, uma que me deixa com vontade de confiscar o carro do infeliz e condená-lo a andar com os próprios pés pelo resto da vida, é o uso do acostamento como pista. Se depois o sujeito ainda inventasse de voltar para a faixa regular na minha frente…costumava não deixar, não deixava mesmo, mas aí começavam dentro do meu carro: “deixa prá lá”, “vai arranjar briga”, “pode tomar um tiro por nada”…então, agora deixo. Mas rogo uma praga que já deve ter matado uns dez, he, he!

    • Roberto

      É a tal inversão de valores que existe no Brasil. Além de se sentir um trouxa, quem segue as leis torna-se um refém dos maus elementos. Além do problema cultural (e outros citados no texto), no Brasil temos várias leis que não são efetivamente aplicadas, ou que a aplicação ocorre de forma tão lenta ou fraca que ninguém se preocupa. E aí acontece aquela velha história: se não vai “dar em nada”, pra quê se preocupar em ser direito se é possível sempre levar vantagem em tudo.

  • marcelo

    Excelente texto. A pena é que aqueles que gostam de dirigir e tem condição de comprar um veículo adequado a maior velocidade, não podem usufruir de seu bem. Como diz minha esposa, tinha que jogar uma bomba no Brasil e colonizar de novo. Mudar a cultura de um povo é praticamente impossível.

  • CCN-1410

    Certa vez eu estava na BR-470 em velocidade permitida, quando um Fusca caindo aos pedaços e que estava no acostamento, subitamente entrou na pista bem em frente ao meu carro. Para não bater, joguei meu carro para a esquerda e o ultrapassei. Era uma reta, mas com faixa dupla. A manobra não teve nenhum risco, porque não vinha ninguém em sentido contrário.
    Logo após, o motorista do Fusca manobrou na pista e seguiu em sentido oposto ao que estávamos indo.
    Fui parado e multado.
    Não resolveu eu argumentar que fiz a manobra para me safar do acidente e que se alguém nesse caso tivesse que ser multado, seria o outro motorista e não eu.
    Meu argumento não valeu nada e ainda fui seguido uns trinta quilômetros, mais ou menos, pelo cidadão que efetuou a multa.

  • CCN-1410

    Quanto a placa que existe no aeroporto de Congonhas, aqui em minha cidade tem várias como ela, mas ninguém dá a mínima para a sinalização.

  • Newton (ArkAngel)

    Não me lembro quem escreveu isso: “O brasileiro desceu direto da árvore para detrás do volante”
    Falar em Lei do Gérson é meio lugar comum, mas nada descreve tão bem a nossa cultura.

    • Arno moura cavalcanti

      Foi um alemão nos primeiros tempos da VW aqui. não lembro o nome. Talvez Wolfgang Sauer

    • Lorenzo Frigerio

      Eu diria que ele foi visionário, porque naquela época pobre andava de busão. Alguns conseguiam comprar uma fuqueta. De uns 15 anos para cá, com os carros de boa qualidade dos anos 90, todos começaram a disputar o trânsito com a classe média mais educada. Virou um desconfortável socialismo das estradas, que chegou antes dos socialismo das pessoas.

  • WSR

    CMF, ainda não tive a oportunidade de visitar os países que você citou, mas estou morando na Europa, em Roma. Sabe como é o trânsito aqui? Horroroso! Igual ou pior ao brasileiro, no geral. [Existem exceções no Brasil: em algumas cidades do RS, o trânsito é exemplar. Basta andar em Lajeado ou proximidades para constatar]. Em Roma é muito comum ver carros parados em fila dupla; estacionados sobre as calçadas; estacionados em locais proibidos; não respeitando semáforo e faixa de trânsito, mesmo quando os pedestres estão atravessando, dentre outros [já quase fui atropelado 2 vezes !!!]. Moro no oitavo andar de um prédio desde meados de janeiro e já presenciei 4 acidentes no cruzamento daqui de perto, sendo o último na semana passada, durante a madrugada, onde um Clio jogou outro Clio contra um Panda que estava estacionado irregularmente [o sinal estava amarelo para todos]. Vez ou outra eu ando a pé ou de ônibus por aqui e vejo faixas e fotos em locais onde pessoas morreram em acidentes, algo similar com as cruzes que a gente vê por aí nas estradas. É claro que isso não serve como desculpa para os nossos erros, pelo contrário, é interessante para pesquisar e encontrar as deficiências e similaridades nos 2 países. [Não vi as estatísticas de acidentes/mortes no trânsito daqui, mas creio que não devem ser animadoras]. Temos que nos espelhar na Suécia, que simplesmente reverteu o quadro sombrio que havia no trânsito, passando a ser referência a ser seguida, assim como os seus carros, que passaram a ser projetados visando a segurança em caso de acidente. Enfim, ainda não sei se é uma particularidade de Roma, mas vou continuar observando. P.S: a foto do Gol está espelhada. Percebi isso ao ver a mufla aonde deveria estar o reservatório de água do radiador.

    • jr

      Me parece que você está equivocado. Lá pelo menos as estatísticas são bem mais leves que as nossas.
      Dados de 2011:
      http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/06/110622_mapa_estradas.shtml

      E pelo que consta lá tem caído ano a ano, e muito.

      • WSR

        Dados estatísticos são complicados para analisar. Mas eu enfatizei o trânsito de Roma, já que tomar os dados da Itália toda poderia ser algo generalizante demais. Apesar de a incidência de mortes por 100 mil habitantes da Itália ser metade do índice brasileiro, ela acaba sendo quase o dobro da Suécia e o triplo de San Marino, que estão na Europa. Mas eu reafirmo: o trânsito de Roma está (muito) longe de ser exemplar positivo. Talvez seja por Roma ter uma população grande. Bom, vou pesquisar um pouco sobre isso. Agradeço pelos dados. 🙂

      • WSR

        Mais um acidente acabou de acontecer. Observei que o povo daqui chega no cruzamento, diminui a velocidade e avança ao mesmo tempo, sem dar a preferência ao motorista da direita. Agora foi um E36, um Smart e um Clio que está estacionado em local proibido.

    • Carlos Mauricio Farjoun

      Já foi consertada a foto, obrigado pelo aviso.

      Minha esposa já morou na Itália e diz que o brasileiro se parece muito mais com o italiano do que com o português.

      • WSR

        CMF, disponha. Eu é que tenho que agradecer ao time do Autoentusiastas por aturar a participação do leitor, rs. E sim, percebi que o italiano é realmente mais próximo, inclusive na empatia. Estou com uma viagem programada para um congresso em Portugal, em julho, daí poderei ter mais referências sobre isso. Ah, esqueci de dizer que, apesar de o trânsito aqui não ser seguro, não existem quebra-molas em Roma. [p.s.: O que eu realmente gosto daqui são os carros… se eu pudesse, levaria alguns Fiat 500 na mala, inclusive os fabricados nos anos 90.]

      • Lorenzo Frigerio

        Sim, pela extroversão e superficialidade. É uma espécie de Rio de Janeiro.

    • Lucas dos Santos

      Há quem diga que a Itália seria “o Brasil da Europa”. Se for realmente conforme demonstrado pela animação a seguir, não duvido:

      • WSR

        Alguns italianos falam isso. Já escutei. Aliás já me falaram: “tanto lugar para estudar aqui na Europa e você foi logo escolher a Itália?”.

      • Lorenzo Frigerio

        Os ônibus em Londres não são muito diferentes. Não estou falando da zona central, mas dos bairros. Você fica esperando 50 minutos por um ônibus que deveria passar a cada 15. Aí, quando aparece o dito cujo, é um comboio de dois ou três idênticos. É inexplicável, e um fato amplamente conhecido na cidade.

  • Marvin

    Muito bom o texto, eu vejo o problema do trânsito da seguinte maneira, no meu estado os dois lados erram, os usuários, porque pagam para não fazer as aulas teóricas, pagam e não fazem todas as aulas praticas, e pagam para passar, o Detran porque sabe de tudo isso e não faz nada, enquanto isso as auto-escolas enriquecem.
    Há uns anos avia uma verba para educação de 10 milhões, haviam bons projetos, tinha o dinheiro, só não havia a boa vontade, no final do ano a verba voltou para o cofre do estado pois não foi usada.
    O Denatran não é um órgão sério, e não quer se importar com o problema.
    Tem que mudar muito para tentar melhorar o trânsito, a começar pela educação. Abraços.

  • Luciano Miguel Santos

    Realmente falta educação ao brasileiro, vejo circulando nas ruas carros ditos novos e até mesmo caros com os pneus carecas, me pergunto, será que o cara não tem condições de trocar os pneus, logo não deveria ou não poderia ter tal carro ou é relaxado mesmo e não se preocupa com a sua segurança.

  • RoadV8Runner

    Para mim, o problema de tudo aqui no Brasil é a falta de cidadania do brasileiro. Pensar somente em si e levar vantagem sobre os outros é, além de falta de educação, falta de consideração com os demais. O brasileiro não tem apenas complexo de vira-lata, sente orgulho em ser vira-lata. Eu não acredito que vou ver esta terra melhorar antes de fazer a passagem, pois a situação só piora. O brasileiro usa o erro dos outros para justificar os próprios, poucos assumem a responsabilidade pelos atos errados. Isso é nojento de se ver.
    O fato de muitos furarem fila não é o atraso, mas sim levarem vantagem sobre os outros. Ficar na fila, eu? Para quê, se dá para ir pela pista paralela e forçar a barra lá na frente? Educação ou consideração pelos outros é visto como estupidez por aqui. Exemplo mais recente: tempos atrás tive que fazer uma manutenção mais pesada em meu carro (Focus) e, por ser importado, o preço ficou bem salgado frente ao valor de mercado. Sugestão de muitos: vende e compre outro. Ou seja, deixe os problemas para o próximo proprietário, simples assim. E assim a vida é aqui no Brasil.
    Toda vez que viajo para a Europa, é um choque negativo pisar de volta nestas terras. A única vez que voltei dirigindo do aeroporto para casa, depois de uma temporada na Holanda, sinceramente, tive vontade de parar o carro e ir a pé. Por essas e outras que digo que tenho vergonha de ser brasileiro.

    • Luciano Miguel Santos

      Uma vez troquei o tanque de combustível que estava amassado pouco tempo antes de colocar o carro à venda, prefiro gastar e vender o carro em ordem do que enganar a alguém, valores que temos que passar com quem convivemos em nosso dia a dia, pois a sociedade está contaminada com o dito jeitinho brasileiro.

      • RoadV8Runner

        Esse é justamente o ponto: questão de educação e respeito para os demais. Para mim, são questões que não têm preço.

  • Ricardo

    Resumindo, falta-nos civilização. Somos um povo selvagem. A TV, por exemplo, não fica toda hora exaltando a “malemolência” e o “improviso” do brasileiro? Depois por que se espantar que obras não são entregues no prazo, que empregados faltem ao serviço sem justificativa, que absolutamente nada funcione 100% no Brasil? isso aí, palmas para o “gingado”, o “descompromisso”, a “malandragem” nacionais.

  • Lorenzo Frigerio

    Não consigo conceber o que é dirigir a 200 km/h. Nas poucas vezes que cheguei a 160 ou 170 km/h as coisas passavam muito rápido e não dava para tirar o olho da estrada à frente. A visão fica “em túnel”. Acabei até perdendo a saída para o Rodoanel, porque você deixa de reconhecer a paisagem e a esse nível de velocidade não dá para mudar de faixa em meio aos carros. Quando está numa velocidade dessas, precisa estar na reta e a estrada tem que ser absolutamente plana, sem distrações.
    Acho que existe um pouco de folclore nesse negócio de andar a 200 km/h em autobahn. Não tenho dons de pilotagem, mas tenho muitos anos de carteira. Acho que estou no grupo dos que apenas dirigem bem, e os alemães não podem ser diferentes.

    • marcus lahoz

      Só porque não tem limite não quer dizer que precisa dar VDO no velocimetro. Nesta autopista, você pode andar a 110, 120 ou mais. Basta escolher a pista da direita.

      Simples e educado, cada um na sua.

    • Thiago Teixeira

      Lorenzo, é questao de costume. Nao costumo andar a 200km/h, mas 140~160km/h. E voce se adapta. Outra coisa é em que lugar voce esta andando. Em estrada essa velocidade parece pouca. Ai voce entra num posto de combustível e percebe que entrou muito rápido pois parecia devagar. Numa via movimentada e com muitas referências visuais acaba nessa visão de túnel aí. E ainda tem a questao dos outros motoristas, que nao se pode confiar. Num autódromo 200km/h parece a metade.
      outro destaque e o que esta te levando a 200km.h. Dirigi um eclipse certa vez e o domínio do carro é total. Foi o carro esporte mais legitimo que já dirigi. Diferente de um carro “comum” que não transmite segurança a 120km.h por exemplo.

    • Gustavo

      Lorenzo, tive a oportunidade de dirigir em autobahn em velocidades da ordem que você comenta (170km/h) e lhe garanto que naquelas estradas as dificuldades que você comenta não existem. Primeiramente porque os carros são produzidos para esta velocidade lhe proporcionando aceleração (muito importante ao ingressar numa via de rápida velocidade), estabilidade (para garantir a velocidade de cruzeiro mesmo em curvas) e capacidade de frenagem (esse carro terá que parar em algum momento). Ainda, as estradas são pensadas para esta velocidade onde todas as informações que você precisa cabem do referido “túnel” e a qualidade do asfalto e organização das entradas e saídas compatíveis com a alta velocidade. Por fim, o motorista ao lado tem consciência de direção tornando o convívio seguro e mudanças de faixa tranquilas. Esteja certo, não é folclore. É perfeitamente possível. Mas não para nós motoristas médios brasileiros.

    • TwinSpark

      Questão de referência visual e do que o carro transmite. Lembro-me bem do meu pai atravessando aquelas imensas fazendas do Goiás a bordo de um Monza Classic a 170 km/h. Como a estrada era plana, a vegetação baixa e o carro muito bom, não parecia estar naquela velocidade. Quando chegávamos às estradas estreitas do Piauí ele dirigia a no máximo 110 km/h, mas parecia estar correndo bem mais por conta da vegetação alta e da estrada sem acostamento.

      Eu não sou adepto das grandes velocidades. Em minha região há muitos animais na estrada (alguns quadrúpedes e outros que forçam ultrapassagens) e raramente há vias duplicadas.

    • Bob Sharp

      Lorenzo
      A turma acelera realmente lá, acredite. Você também aceleraria depois de ficar um tempo na Alemanha. É algo totalmente natural. Como comentou o Gustavo, tudo é feito considerando as altas velocidades praticadas.

    • Pensador

      Raciocínio falho. Fazendo uma analogia, seria o mesmo que dizer “dirigi um Fusca por muitos anos. Um dia dirigi um Ferrari e senti muita dificuldade. Logo concluo que ninguém consegue dirigir um Ferrari, pois é muito difícil.” Fácil de ver que raciocínio não se sustenta.

      • Lorenzo Frigerio

        Você não disse onde o raciocínio é falho. Inventou uma situação diferente para embasar sua afirmação, substituindo a minha por ela.. Falácia do espantalho. Seja mais objetivo da próxima vez.

  • marcus lahoz

    Concordo 200%.

    Há tempos venho falando que trânsito se ensina na escola, desde o primário. Não apenas em 2 semanas de auto-escola.

    Educação é a solução para todos os problemas do Brasil, do trânsito, trabalho, jeitinho, política e economia.

  • WSR

    Algumas fotos aí com as infrações de trânsito. E uma do acidente que citei no comentário anterior. Os ocupantes do Clio saíram pelas janelas.

  • Lucas CRF

    Nossa! Que texto excelente! Parabéns, Farjoun! Mas não precisa ir tão longe para se ver limites de velocidades adequados a motoristas minimamente educados. Na nossa vizinha Argentina, cruza-se grande parte da capital a 130 km/h – não me engano, Ruta 7-, sem essa saraivada de pardais, e sem tumultos e sustos.

    A nossa situação é de fato complicada, vai além de educação de trânsito. O que falta aqui é educação de casa, de família -independente de sua configuração- aquela que se aprende a respeitar os outros, a se colocar no situação do próximo, a pensar- e arcar- com as consequências de seus atos. Sem isso, caro Farjoun, jamais conseguiremos um transito razoável.

    Abraço

    Lucas CRF

  • Guilherme Jun

    Furar fila no Brasil tem outras origens também: com a sinalização deficiente que temos em nossas vias, é muito difícil de prever que há uma saída logo à frente, e muito menos que há uma fila para a saída. Mas claro que há espertinhos que passam lá e furam a fila todos os dias, e talvez sejam a maioria.

    Quando a regra é o improviso, o caos toma conta. Nossas leis em grande parte não fazem sentido, e portanto não há razão para que sejam cumpridas. Com isso, vem o suborno, afinal, se a regra é inútil e ainda pode-se ganhar um dinheirinho, por que não? A perda de ordem da lei deixa de ser prejuízo.

  • João Guilherme Tuhu

    Ótimo artigo. Mas há um elemento crucial que nos diferencia: a impunibilidade. Educação caminha pari passu com a punibilidade…

    • Carlos Mauricio Farjoun

      E o que me diz da punição para o tráfego no acostamento na Alemanha custar menos da metade do que custa no Brasil e ainda assim não se verem espertinhos do acostamento por lá? Não é só questão de punição (que eu acredito que funcione, sim), mas também de educação. Não pode é não pode e pronto, independente do quanto de multa.

      • Oli

        O valor da multa não tem a ver com impunidade. Na Alemanha se você andar no acostamento, provavelmente será multado, pouco importa se 10 ou 1000. No Brasil nunca soube de alguém multado por isso

      • Aldo Jr.

        Maurício, concordo com você quanto ao valor, mas pergunto: cometida a infração, quais as chances de ser autuado, aqui e lá? Tenho certeza que nesses países a multa é quase certa, não? Aqui, apesar da indústria da multa, muita coisa fica impune. Abraços;

      • Lorenzo Frigerio

        A razão pela qual se anda no acostamento é porque certas pessoas andam a 40 km/h na faixa de rolamento. Onde transformaram o acostamento em faixa, os veículos pesados transitam pela faixa da esquerda na maior cara de pau, sempre a 40 km/h, obrigando os veículos leves a pegar a buraqueira. E quando a via tem duas faixas, os domingueiros vão por “default” para a faixa da esquerda; você tem que ultrapassar pela direita.
        No Brasil do Gérson, ultrapassar pelo acostamento ou pela direita infelizmente é uma necessidade. É por isso que é tão estressante dirigir aqui.

      • João Guilherme Tuhu

        Pois é, complementando, a punição é também social: o cidadão – na acepção primeira da palavra – já introjetou os princípios da cidadania e teme ser malvisto pelos seus iguais. Não é apenas uma questão financeira, sem dúvida.

  • Eduardo Mrack

    Sobre a placa logo acima, do aeroporto de Congonhas, dá um nó na minha cabeça. Fico abismado por ver que existe tal aberração.
    A placa, por padrão, proíbe parar a estacionar, logo abaixo a inscrição permite embarque e desembarque. Se seguirmos de fato o que a placa sugere, o sujeito deve vir com o carro andando na menor velocidade possível, com a porta direita aberta ou até mesmo o vidro da porta aberto e o candidato a passageiro vem correndo e realiza um salto para dentro do carro, este sempre em movimento. Pronto, para um acrobata é fácil seguir as leis e normas do Bananasil. Ah, nem em bananas somos auto suficientes, grande parte vem do Uruguai.

    • Carlos Mauricio Farjoun

      Este é o absurdo! A diferença entre o proibido estacionar e o proibido parar e estacionar é o… Parar! E a definição de parar no CTB é justamente a parada para embarque e desembarque. Ora, do jeito que está, a placa diz: “Proibido parar e estacionar – permitido parar”

    • Bob Sharp

      Eduardo
      Essa placa é de uma burrice inominável. A CET alega (já publiquei matéria sobre ela aqui há alguns anos) que a palavra “Automóvel” explica que embarque e desembarque só não é possível para outros tipos de veículo, com uma van. Esse pessoal de CET é completamente tapado.

    • Lucas dos Santos

      Recentemente, em frente ao depósito de uma loja de materiais de construção, puseram uma placa com o sinal “Proibido estacionar” e, logo abaixo, a informação complementar: “Exclusivo carga e descarga”.

      Seria, então, a proibição exclusiva para carga e descarga, sendo permitido o uso da vaga para qualquer outra finalidade? Preciso fotografar isso.

      Mas é como o colega ccn1410 afirmou anteriormente: ninguém dá a mínima para a sinalização…

    • Lorenzo Frigerio

      Provavelmente é para taxistas não licenciados não encostarem ali na cara de pau, aguardando os incautos.

  • Bob Sharp

    CMF
    Essa questão de educação e limites de velocidade é como a velha questão do ovo ou da galinha, qual teria vindo antes. A evolução do motorista brasileiro viria naturalmente uma vez elevados os limites. A ficar como está essa evolução jamais haverá. Ou então aplicando a Síndrome do Tostines, as velocidades no Brasil são baixas porque os motoristas são mal educados e dirigem mal, ou são mal educados e dirigem mal porque as velocidades são baixas?

    • Carlos Mauricio Farjoun

      Bob,
      Entendo seu ponto de vista, mas acho que o principal problema é a péssima educação para o trânsito, reflexo de nossa péssima educação para a vida e para o viver em sociedade. Mesmo com os limites ridículos, continuamos campeões de mortes… Acredito que primeiro precisemos de uma revolução na forma de pensar e de encarar a sociedade, para depois podermos nos acostumar com maiores limites de velocidade.

    • Lucas dos Santos

      Bob,

      Essa é uma situação que só pode ser resolvida de duas formas: “por bem” ou “por mal”.

      “Por bem” seria educar os motoristas para que dirijam de maneira segura o suficiente para justificar o aumento da velocidade máxima permitida nas vias. “Por mal” seria simplesmente aumentar os limites de velocidade e deixar a “Seleção Natural” agir – só “sobreviveriam” os motoristas que dirigissem bem.

      A solução “por mal” é rejeitada logo de imediato, mas também não se faz nada para se resolver a situação “por bem”. Assim fica difícil o motorista evoluir.

    • Roberto

      Bob Sharp, pensei exatamente a mesma coisa que você. Comentário perfeito!

      Tem outra questão em que tenho o mesmo posicionamento: arma de fogo. Muitas pessoas dizem que brasileiro não tem cultura/inteligência para ter porte de arma liberado e alguns até teimam em dizer que isso só aumentaria a violência. Hoje temos porte extremamente restrito e índices enormes de violência. Com porte liberado aconteceria exatamente o contrário – menos violência.

      Abordando a questão de violência entre pessoas comuns.
      Simplesmente haveria um equilíbrio de forças. Ninguém arrumaria confusão à toa no trânsito sabendo que a outra pessoa pode ter uma pistola na cintura. E não seria por medo. Quando todos estão em igualdade (todos armados), ninguém é forçado a nada e sim convencido, pela conversa.

      • Lorenzo Frigerio

        Meu caro, eu não estaria preparado a testar a sua “teoria” através da liberação indiscriminada do uso de armas. Acho que muitos outros também não estarriam.
        Lugar de arma é na mão de profissionais, e porte ilegal deveria dar cadeia.

        • Roberto

          Não é minha nem mera teoria. Isso é uma realidade em diversos países!

          OK. Ninguém está dando uma arma na sua mão e o obrigando a portá-la. Isso é para quem deseja. Igual a direção de veículo. Isso é para homens “cão pastores” não “ovelhas” (nada contra os que não tem o senso de sobrevivência e não querem ter a responsabilidade de se defender e seus entes queridos).

          • Lorenzo Frigerio

            Talvez “pitbull” seja um termo mais adequado para o que você chama de “cães pastores”. Quanto às “ovelhas”, eu as chamo de “seres humanos que não andam por aí com 4 pedras na mão”.

      • Fabricio d

        Porte de arma em casa eu sou a favor, ou em estabelecimentos comerciais, mas na rua, livre, acho extremamente perigoso.

        • Roberto

          Mas aí é que tá! A arma de fogo serve para salvaguardar as pessoas nos momentos perigosos. A primeira e melhor regra de segurança que existe: tenha uma arma sempre.

          Sim, eu entendi o que você quis dizer.
          Isso a pessoa quem deve decidir. Realmente é necessário estar sempre em alerta máximo e bastante condicionado para reagir no momento certo quando se está armado.

        • Lorenzo Frigerio

          A priori, sou contra em qualquer circunstância, mas acho compreensível tê-las em sítios e fazendas isolados.

      • Bob Sharp

        Roberto
        Concordo plenamente com sua idéia. Como estamos numa guerra civil (cidadãos de bem x criminosos), temos o direito de nos defendermos.

        • Roberto

          Prezado Bob, eu fui traído pelos meus dedos. Corrija-me, por favor: eu quis escrever “pensei exatamente a mesma coisa que o senhor”!

        • Lipe.·.

          Respeito as opiniões contrárias, mas devo fazer registrar a minha opinião. Segue.
          a) Cidadão de bem: tem família, é um amador no manuseio de armas, principalmente numa situação estressante como um assalto.
          b) Bandido: dorme com a arma embaixo do travesseiro, assalta rotineiramente, não tem absolutamente nada a perder, está ciente da impunidade.
          Diante dessas circunstâncias, num duelo de valentões armados (bandido x civil), quem vai morrer primeiro?
          As armas acabam servindo para “resolver” brigas no trânsito e/ou para “resolver” brigas quando um valentão canta a mulher do outro. Ou seja, brigas de ego.
          Basta notar que as pessoas dizem que têm arma “para não usar”, isto é, para dar aquela sensação psicológica (ou patológica) de superioridade frente aos semelhantes humanos.
          Num assalto no trânsito uma arma nunca será eficaz. Absolutamente nunca.
          E a suposta idéia de que os bandidos teriam medo de cidadãos armados… Teriam mesmo, motivo pelo qual praticariam os assaltos ainda mais inflamados e agressivos, quase sempre sob efeito do crack (como de fato já é hoje).
          A solução é só uma e, curiosamente, consta das escrituras antigas (o que chamam de Velho Testamento da Bíblia) e, para quem simpatiza, do primeiro livro de Allan Kardec, sugerido pelos espíritos de filósofos pré-socráticos, editado em 1854: a educação.

          • Bob Sharp

            Lipe
            Voltando para sua cidade, à noite, o tráfego pára na estrada que seja perto de uma “perifa” dessas conhecidas. Você prefere, nesse momento, ter uma arma ou não? Eu prefiro ter. E numa briga de trânsito (hipoteticamente falando, não brigo há décadas) o machão de arma na mão vai pensar duas vezes se souber que o outro também está armado. O leitor Roberto está certíssimo com esse raciocínio. Aliás, poderia até haver um adesivo do tipo ^Motorista armado^.

          • Lorenzo Frigerio

            Bob, quando duas pessoas estão armadas, ganha quem saca a arma primeiro. Em geral, será o meliante. O único que saca a arma depois e consegue ganhar é um profissional da lei experiente. Mas todo dia lemos que um morreu no embate.

          • Roberto

            Não. Ganha quem acerta primeiro. Sacar, apontar, atirar não significa nada se o projetil não acerta um ponto que seja capaz de parar o alvo.

            Você só vê policiais mortos porque a TV só quer que você veja isso. Eu recebo notícias praticamente diárias de policiais que reagiram à roubos ou ataques e eliminaram os algozes, mas essa notícia não dá ibope.

            Infelizmente, há muitos casos, sim, de policias sendo mortos, mas são inúmeros os motivos que causam isso. Não porque ele simplesmente estava armado. Vemos que há muitos policiais que acreditam que apenas o fato de estarem armados já os colocam em vantagem, ledo engano. São necessárias diversas atitudes pró-ativas que qualquer cidadão é capaz de realizar para ter um resultado positivo em uma ação armada.

            Como: muito treino de tiro, de saque com as roupas usadas diariamente, atenção ao que acontece ao redor, arma sempre destravada e munição na câmara para pronto disparo etc

            É uma falácia dizer que só porque o sujeito é policial ele está apto a reagir eficazmente. Muitos policiais só atiraram na formação inicial há muitos anos, não frequentam cursos, treinamentos, não atiram em estandes particulares, não limpam as armas. Conheço advogados que atiram melhor que oficiais da PM.

          • Lorenzo Frigerio

            Sim, e nem se fale nas tragédias domésticas envolvendo crianças. Lei de Murphy: 1) “Armas de fogo sempre encontram o caminho das mãos inábeis ou irresponsáveis”; 2) “Se houver uma arma em casa, o adulto vacilará na guarda e uma criança se apoderará dela, com consequências trágicas e irreversíveis”.

          • Roberto

            Sendo bem realista. Aí, está uma família feliz dentro de sua confortável residência quando 5 homens invadem a casa e mantêm todos em cárcere privado, agredindo-os, abusando a filha e a esposa. E aí, o pai que poderia impedir tudo isso se estivesse armado não pôde fazer nada. Se ele tivesse uma arma o resultado seria bem diferente.

          • Roberto

            Situação a: é uma questão de treino. Todos podem ser treinados a utilizar uma arma de fogo de maneira eficiente.
            b: exatamente por não ter nada a perder que ele pode matar qualquer pessoa. Basta o cidadão de bem estar preparado para repelir a injusta agressão.

            Quem vai vencer? O mais preparado. Cabe ao cidadão se preparar para o confronto.

            Acontece exatamente o contrário e sou testemunha disso. Um exemplo verídico muito comum: o valentão dá em cima da mulher alheia porque acha que se garante na briga. Todo folgado, ele canta a mulher na frente do cara e ainda o ameaça. O cara vai perguntar ao machão o que está acontecendo e antes do valente ousar desferir um soco no companheiro da mulher, esse saca uma pistola IMBEL .45 da cintura e traz a paz ao recinto. O valente pede desculpas e vai embora.

            Nunca? Tem certeza disso? Gostaria de ver você falando isso para mulheres que já evitaram roubo seguido de seqüestro e possível estupro por estarem armadas dentro do carro.

          • Lorenzo Frigerio

            Alguns anos atrás, um jovem promotor “queimou” um rapaz mais forte que gracejou à sua namorada. Conseguiu escapar da expulsão do Ministério Público, mas terá que carregar essa para o resto da vida.
            Quando eu era novo, um conhecido meu com mania de brigar em boate estava com um colega de igual reputação quando se desentendeu com uns rapazes que estavam conversando na rua. Um deles puxou uma arma, mas ele foi em cima mesmo assim e levou chumbo. Tentou fugir e levou o tiro fatal pelas costas. Pois uma semana antes haviam apontado uma arma para ele e ele foi em cima assim mesmo – a arma estava descarregada. Mas não desta vez.
            Pois o rapaz que atirou disse que se sentia “inseguro” na rua e por isso saiu com a arma do pai. Contratou o eminente jurista Waldir Troncoso Peres e se safou da prisão, mesmo tendo atirado pelas costas no outro que fugia.
            Dois filhinhos de papai, um morto por besteira. Então é óbvio, esses caras que andam armados já saem com a intenção de atirar em alguém ao primeiro espirro. É muito mais fácil que enfrentar o touro à unha, como todo mundo.

      • jeffersonp

        Os dados da recente legalização do porte de arma em Chicago mostram exatamente o que você falou, caso você tenha interesse. Abraço!

      • Roberto

        Lipe, você está completamente equivocado. Você parece que vive em outro planeta, em um mundo de fantasias, bonitinho. Mas a realidade é totalmente diferente. Com todo o respeito.

        O ladrão é covarde. Assim como qualquer pessoa ele tem medo de morrer. Em entrevistas com ladrões presos pude constatar uma posição unânime entre eles (acredite, eles falam isso com todas as letras): “se eu souber que o motorista do carro que eu vou roubar está armado, eu passo pra outro porque já perdi vários “irmãos” porque o motorista tava armado e reagiu”.

        Atualmente, não reagir não garante que você deixe de sofrer violência. Chegamos a um ponto crítico. Recentemente conheci uma pessoa que passou por essa situação. Ele estava com uma moto recém comprada e foi abordado por ladrões. Não reagiu, entregou tudo com a maior tranquilidade. Um dos ladrões disse pro parceiro: “Atira nele, não gostei da cara dele”. Felizmente, a pistola travou e eles fugiram.

        Eu tentaria argumentar com você, mas há um texto perfeito para esse momento – de onde eu tirei o argumento da minha primeira mensagem.

        A arma é civilização

        Major L. Caudill – Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA

        As pessoas só possuem duas maneiras de lidar umas com as outras: pela razão e pela força. Se você quer que eu faça algo para você, você tem a opção de me convencer via argumentos ou me obrigar a me submeter à sua vontade pela força.

        Todas as interações humanas recaem em uma dessas duas categorias, sem exceções. Razão ou força, só isso.

        Em uma sociedade realmente moral e civilizada, as pessoas somente interagem pela persuasão. A força não tem lugar como método válido de interação social e a única coisa que a remove da equação é uma arma de fogo (de uso pessoal), por mais paradoxal que isso possa parecer.

        Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela força. Você precisa usar a razão para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou o uso da força. A arma de fogo é o único instrumento que coloca em pé de igualdade uma mulher de 50 Kg e um assaltante de 105 Kg; um aposentado de 75 anos e um marginal de 19, e um único indivíduo contra um carro cheio de bêbados com bastões de baseball.

        A arma de fogo remove a disparidade de força física, tamanho ou número entre atacantes em potencial e alguém se defendendo.

        Há muitas pessoas que consideram a arma de fogo como a causa do desequilíbrio de forças. São essas pessoas que pensam que seríamos mais civilizados se todas as armas de fogo fossem removidas da sociedade, porque uma arma de fogo deixaria o trabalho de um assaltante (armado) mais fácil.

        Isso, obviamente, somente é verdade se a maioria das vítimas em potencial do assaltante estiver desarmada, seja por opção, seja em virtude de leis – isso não tem validade alguma se a maioria das potenciais vítimas estiver armada.

        Quem advoga pelo banimento das armas de fogo opta automaticamente pelo governo do jovem, do forte e dos em maior número, e isso é o exato oposto de uma sociedade civilizada.

        Um marginal, mesmo armado, só consegue ser bem sucedido em uma sociedade onde o Estado lhe garantiu o monopólio da força. Há também o argumento de que as armas de fogo transformam em letais confrontos que, de outra maneira, apenas resultariam em ferimentos.

        Esse argumento é falacioso sob diversos aspectos. Sem armas envolvidas, os confrontos são sempre vencidos pelos fisicamente superiores, infligindo ferimentos seríssimos sobre os vencidos.

        Quem pensa que os punhos, bastões, porretes e pedras não constituem força letal, estão assistindo muita TV, onde as pessoas são espancadas e sofrem no máximo um pequeno corte no lábio.

        O fato de que as armas aumentam a letalidade dos confrontos só funciona em favor do defensor mais fraco, não do atacante mais forte. Se ambos estão armados, o campo está nivelado.

        A arma de fogo é o único instrumento que é igualmente letal nas mãos de um octogenário quanto de um halterofilista. Elas simplesmente não funcionariam como equalizador de forças se não fossem igualmente letais e facilmente empregáveis.

        Quando eu porto uma arma, eu não o faço porque estou procurando encrenca, mas por que espero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser forçado, somente persuadido. Eu não porto arma porque tenho medo, mas porque ela me permite não ter medo. Ela não limita as ações daqueles que iriam interagir comigo pela razão, somente daqueles que pretenderiam fazê-lo pela força. Ela remove a força da equação.

        E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado. Então, a maior civilização é onde todos os cidadãos estão igualmente armados e só podem ser persuadidos, nunca forçados.

        • Newton ( ArkAngel )

          “Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela força. Você precisa usar a razão para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou o uso da força.”

          Ok, mas essa situação torna-se inválida se o opositor estiver também armado, e pior ainda, se a arma dele estiver camuflada. Seria um caso de uso do fator surpresa pelo adversário.

          É algo difícil para eu julgar a questão da liberação das armas. Existem muitos prós e contras, todos válidos. Só chamo atenção para alguns fatos:

          -um meliante sob ação de entorpecentes fortes deixa de usar a razão, perde totalmente o medo, o que aliás é um dos motivos para usarem drogas antes da ação.
          -não existe controle sobre balas perdidas.
          -o fato de um cidadão não ser um criminoso não o torna imune a um descontrole emocional.
          -o fator surpresa reduz muito a vantagem de estar armado, e pode até gerar sentimentos de vingança em mentes transtornadas.
          -o fato de todos saberem que seu opositor pode estar armado e, com isso, serem mais cautelosos, pode ser um estímulo ao desafio para alguns. Mais ou menos como em filmes de faroeste. Quem saca mais rápido e acerta ganha a parada. É doentio, mas nossa sociedade está doente atualmente.

          Realmente não sei se a liberação das armas melhoraria ou pioraria a situação. O argumento de que se todos se sabem armados geraria cautela é muito forte. Por outro lado, se a maioria não tem sequer condições psicológicas para dirigir, imagine então dar uma arma para pessoas assim.

      • Sinatra

        Roberto,
        Sou da mesma linha de raciocínio e, para mim, esta idéia tem seus fundamentos nos mesmos princípios da teoria da deterrência (deterrence theory, em sua língua original), porém em nível individual.
        Tal teoria propõe que a existência de alta probabilidade de um risco custoso no processo de agressão, ainda que bem sucedido, desmotiva e desestimula a prática do próprio ataque. É um dos princípios do equilíbrio de forças, pelo qual a inexistência de perspectivas vantajosas (aqui tanto em sede de assalto a um cidadão por um criminoso quanto de ataque nuclear de uma nação para outra) lastreada pela possibilidade de repelimento por meio de força igual e contrária é fator determinante para a não consecução do fato agressivo. Simplesmente deixa de valer a pena agredir face às consequências posteriores.
        Arrisco dizer, pelo fato de esta teoria ter se mostrado impecavelmente verdadeira até este momento, que EUA e Rússia, assim como outras nações nucleares, jamais entraram em sangrentos conflitos de campo justamente pela ameaça da retaliação nuclear mútua e, principalmente, do custo desta retaliação.
        Em países cujo índice de acesso a itens ilegais seja baixo e controlável, assim como altos os níveis de educação e civilidade, justificar-se-ia o banimento da arma de fogo, afinal, o risco acidental e eventual que ela representa seria maior do que o risco de inoponibilidade de forças pelo cidadão comum confrontado pela agressão injusta de um criminoso.
        Agora, no Brasil, com a violência endêmica e institucional, sendo o crime legítimo poder paralelo que confronta o incapaz aparato estatal, os meros riscos colaterais da posse de arma de fogo pelo cidadão comum jamais se equivalem em magnitude ao poderio do injusto praticado pelo criminoso em face destes.
        Se de nossas instituições não se espera a total proteção, não se pode exigir do cidadão comum que abra mão de seu imediato poder de defesa contra o injusto, tanto por uma questão de ética como por coerência: temos bombeiros para suprimir o fogo, mas nos obrigam a ter extintores em nosso automóveis; do mesmo modo, temos polícia para reprimir o crime, mas então por que não podemos ter armas em nosso porte para a mesma finalidade? A necessidade de imediatidade de reação permanece a mesma nas duas situações.

        • Sinatra
          Aplaudindo (demoradamente) de pé. Parabéns!

      • caique313131

        Sinceramente, discordo. Na minha vida inteira, provavelmente, não estarei disposto a aprender a usar uma arma, correr o risco de ter que tomar uma decisão que poderia me impactar negativamente pelo resto de minha vivência, tanto psicologicamente como judicialmente, andar por aí com algo perigosíssimo, entre várias outras coisas negativas. Prefiro deixar as armas SOMENTE com a polícia, como deveria ser. Agora, imagine a situação em que eu estaria no meio de um monte de doidos armados, sendo um dos poucos a não ter arma? Eu passaria a viver amedrontado, mais ainda do que agora?

        A criminalidade não é vencida transformando o país em um estande gigante de tiros, mas sim com punições corretivas à altura do crime cometido, educação, e remoção dos direitos de cidadão (incluindo os humanos e outras baboseiras), até o cumprimento de sua pena, de qualquer pessoa que cometa crimes hediondos, independentemente de idade, sexo ou classe social, entre outras medidas.

        • Newton ( ArkAngel )

          O que falta aqui no Brasil é o conceito de “law enforcement”, ou seja, faça-se cumprir as leis. De nada adianta termos leis se não existe a força que faça com que sejam respeitadas e cumpridas.

    • Eduardo Mrack

      Bob, como que a indústria da multa continuaria plena, operante e lucrativa, se não houvessem limites que possibilitam as multas ? Não precisa responder, a pergunta já é auto explicativa.

      • Bob Sharp

        Eduardo
        Continuariam para outras infrações, e que são muitas.

    • Lorenzo Frigerio

      Com certeza, as velocidades são baixas porque não dá para confiar nos motoristas brasileiros. Então, que tal unir o útil ao agradável e colocar uns radares para dizer que o Estado se importa com a segurança do público?

    • Arruda

      Certa vez vi uma reportagem na Globo com um “especialista” em trânsito. Foram para a Serra das Araras, munidos de um radarzinho de mão, mostrar que ninguém respeitava a velocidade limite de (pasmem) 40 km/h, que os motoristas brasileiros eram muito mal educados etc, etc.
      Ninguém aventou a possibilidade da sinalização ser desrespeitada justamente por ser excessivamente baixa, ou será que somos todos loucos irresponsáveis ao volante?

  • Lucas dos Santos

    Parabéns pelo texto, Carlos.

    Corresponde totalmente à minha linha de pensamento sobre esse assunto – apesar de eu nunca ter visitado outros países.

    Há dois pontos do texto que eu gostaria de comentar:

    – Quanto à urgência exagerada, convivi com isso diariamente quando trabalhava de balconista no comércio. Frase comum era “me atenda rápido porque estou com pressa!”. Ou então: “Seja rápido porque eu estacionei em local proibido e preciso voltar lá antes que o guardinha apareça!” – o velho hábito de “transferir” os problemas para os outros. E, a situação que mais me irritava: loja cheia, todos os atendentes visivelmente ocupados e cliente esbravejando: “Não tem ninguém para me atender não? Estou com pressa!”. Já aconteceu de cliente chegar na loja e pedir – ordenar – para que fosse atendido antes dos demais – ou ao mesmo tempo em que eu atendia a outro cliente – porque “tinha um compromisso” ou “porque o guarda vai multar o meu carro”.

    – Quanto à CNH ser um direito que deve ser conquistado e não distribuído, digo mais: dirigir é um privilégio e não um direito. Esta frase pode soar arrogante, mas é verdadeira. Da mesma que pilotar uma aeronave também é um privilégio e não um direito.

    Constantemente fico prometendo a mim mesmo que não irei mais me incomodar e nem me estressar com esse tipo de coisa, que aqui é assim mesmo e que isso não tem jeito – no melhor estilo “aceita que dói menos” –, mas não dá, não consigo. São situações que me incomodam bastante e que não dá para ignorar!

    • ricardo kobus

      Eu também trabalho em comércio e o pior de tudo é o seguinte: atendemos rápido a pessoa, daí ela fica esperando o serviço ser feito e chega uma pessoa conhecida e ficam conversando um tempão! Acho que um costume besta do brasileiro achar que tem pressa!

      • Lucas dos Santos

        Sem falar que, no comércio, procuramos atender a TODOS os clientes da forma mais ágil possível, esteja o cliente com pressa ou não.

        Logo, é virtualmente impossível atender aos apressados com ainda mais agilidade, pois, normalmente, já estamos dando o nosso máximo.

        No fim das contas, clientes com pressa serão atendidos da mesma maneira que clientes sem pressa, pois não há como fazer diferente.

  • RJGR

    Brasil, pátria da idiotas!
    Hoje pela manhã um ônibus me viu chegando ao cruzamento e passou no vermelho mesmo assim. Afinal, ele era bem maior que eu…

    • Mendes

      Situação semelhante ocorre com os automóveis em relação aos pedestres. Vêem o pedestre se aproximando da faixa –sem semáforo – e não dão a preferência. Afinal, os veículos são bem maiores que o pedestre…
      A única regra seguida por aqui é a do “quem pode mais chora menos”!

      • Não querendo puxar sardinha, mas até hoje só vi DUAS cidades no Brasil em que os motoristas respeitam a faixa de pedestre: Brasília (onde moro) e João Pessoa. É lamentável ser assim…

      • Bruno

        Há também os casos onde o pedestre atravessa beeeeem devagar com o sinal piscando, só para provar que não vai ser atropelado na faixa.

        Animal tem em tudo quanto é canto, seja dirigindo, pedalando ou andando.

    • Bruno

      Já tomei buzinada por estar parado em sinal fechado.

  • ccn1410

    Um de meus irmãos morou três anos na Inglaterra e depois mais três na Itália.
    Quanto a Inglaterra, ele sempre diz que é país de primeiro mundo mesmo. Tudo funciona e deveria servir de exemplo para o mundo.
    Sobre a Itália, ele diz ser um pouco melhor que o Brasil, mas só um pouco mesmo.

  • Marco

    Concordo e discordo.

    Dos países citados no post, já dirigi na Alemanha, Áustria e Rep. Checa. De fato, nesses locais, pavimentação, sinalização são excelentes e respeito dos motoristas é muito grande.

    Mas quanto ao estacionamento, cansei de me deparar com veículos parados em locais proibidos. Não eram locais que prejudicavam sobremaneira o trânsito, mas estavam onde não deveriam estar.

    Em compensação, vá para a Itália. Última vez que estive na Europa, visitei o país. Em muitas estradas de pista única, precisei reduzir a velocidade ou ir para o acostamento porque o veículo em sentido contrário estava simplesmente ultrapassando pela contramão. Dirigem como aqui. Dão farol alto e “vamo que vamo”…Carros estacionados em fila dupla e locais proibidos nem preciso comentar.
    Ao entardecer ou neblina, muitos trafegam somente com a lanterna ligada.
    E essas “lombofaixas” também infestam muitas cidades italianas. Evidentemente que não são tão elevadas quanto às que são construídas aqui, mas que existem, existem.

    • Lorenzo Frigerio

      Cara, sou filho de italiano mas detesto a Itália. E olha que não dirigi lá, não.

  • Thiago A.B.

    CMF,
    Perfeita análise educacional e cultural entre diferentes níveis de civilidade. E, percebe-se que toda essa falta de base educacional se espelha em todos os ramos da vida civil, o trânsito potencializa a noção de que “eu tenho mais direitos e privilégios que os outros”, meu tempo vale mais, tenho preferência, e outros sinais de um povo que engatinha na democracia. Se fizermos uma auto-análise, veremos que também pecamos em muito desses aspectos. Abraço

  • Felipe Parnes

    Tirou o pensamento de minha cabeça, porém eu acrescentaria que não basta a educação de trânsito dada nas aulas do CFC, mas também na educação em casa e nas escolas.
    O problema é que infelizmente conseguimos piorar em vez de melhorar com o passar dos anos.

  • Rafael L M

    CMF, moro no Paraná, e há poucos dias eu estava no Sudoeste do estado visitando familiares e retornei ao Norte do mesmo. Estava com pressa e vim com o pé em baixo. Em um trecho de 270 km, entre Cascavel e Maringá, existe três pedágios no valor de R$ 10,10 cada um. Porém, pista duplicada que é bom, sou apenas uns 30km, se muito. Em algumas partes desse trecho pedagiado, andar rápido é perigoso pois há ondulações na pista e também partes de asfalto remendado, fazendo o carro dar saltos ou quicar. Aí, meus amigos, imaginem as manchetes nas mídias se chegar a acontecer um acidente: “motorista IMPRUDENTE em alta velocidade provoca tragédia”. E a culpa nunca é do asfalto porco pago pelos altos valores de pedágio e IPVA.

  • Leo-RJ

    Para quem já morou fora, no meu caso nos EUA e em Portugal, a diferença de material humano – educação mesmo –, e senso de coletividade, é duro ter de retornar… Infelizmente, acho que nem em 50 anos estará melhor, pelo contrário, a tendência é piorar.

    Leo-RJ

    • caique313131

      Portugal até entendo, mas EUA não. Eu posso afirmar com aboluta certeza que os motoristas de lá são horríveis, péssimos, descordiais e “road ragers”. São um pouco piores do que os brasileiros no quesito perícia, só ficando à frente dos italianos que, até hoje, é o lugar com os piores motoristas/trânsito que eu já vi.

      • Thales Sobral

        Onde você andou lá? Minha pouca experiência (somente Miami) demonstra outra coisa.

        • GFonseca

          Minhas experiências dirigindo nos EUA também dizem o contrário, bem melhor que por aqui.

          Já sobre a Itália, concordo com ele, lá vi muitas das barbaridades que vejo por aqui.

        • caique313131

          Na Flórida e arredores, geralmente devido à intensa presença de estrangeiros e uma cultura consideravelmente diferente, há um trânsito um pouco mais cordial. Ao se deslocar para os grandes centros urbanos no nordeste, ou do outro lado do país, na Califórnia, é que vocês vão encontrar com o estadunidense de verdade. Vale mencionar também que a infraestrutura excelente deles mascara a verdadeira índole dos motoristas.

          • Lucas dos Santos

            Nunca estive nos EUA, mas, pelo que já li a respeito, parece que há uma diferença cultural entre leste e oeste do país. Como se o povo do leste fosse mais “evoluído” e civilizado que o pessoal do oeste.

            O depoimento deste brasileiro, que viveu vários anos nos EUA, parece corroborar com isso: http://www.clubedohardware.com.br/artigos/radio-cdh-programa-041/3070

        • Rafael Ramalho

          Entrando na discussão, estou morando aqui por 6 meses. Já dirigi pelos estados do leste (MA, FL, NY, NJ) e em breve vou rodar pelo oeste, afirmo sem medo de errar, americano não sabe dirigir. Uma coisa é senso de civilidade, outra coisa é perícia, isso eles não tem! Não sabem fazer balizas, não são ágeis em pequenas situações do dia-a-dia e principalmente, algo que me irrita MUITO, eles não saem da esquerda, você pode solicitar passagem, deixar a seta “mofando”, buzinar, grudar na traseira… Eles não saem, muito menos olham no retrovisor. Como disseram abaixo, os números de acidentes, só são menores por conta da excelente infraestrutura. Os brasileiros em geral dirigem infinitamente melhor.

      • Bruno

        Caique

        Morei nos EUA e nada disso acontece por lá. Dirigi por uns cinco estados diferentes e TODOS obedecem as leis de trânsito, com uma pouca exceção nos limites de velocidade em que a própria polícia, em alguns casos, faz vista grossa, como, por exemplo, em estradas onde o limite é 65-70 mph onde se anda acima disso. Em locais residenciais, o limite costuma ser rígido.

        Mas eles não fazem cortesia para quem não obedece as leis. Avance um sinal, fure fila, não pare em uma placa de “Stop”, não dê preferência, ultrapasse um ônibus escolar quando estiver parado e veja o que fazem com você. Te xingam, mostram dedo, buzinam… mas só se você fizer a besteira. Se você foi tratado assim, provavelmente mereceu.

        Uma coisa é fato. São um pouco barbeiros por não terem direção defensiva pois não esperam que o outro cometa um erro… avanço de sinal geralmente acaba em acidente grave.

        Outra coisa, não acho o motorista brasileiro imperito, mas sim mal educado, pois é obrigado a se proteger das barbeiragens diversas, inclusive das suas.

  • João Carlos

    Uma coisa que noto em outros países é otimizarem mais os espaços ao estacionar nas ruas.

    Aqui é comum alguém deixar muito espaço – mais de meio carro em cada ponta – tudo para proteger seu parachoquezinho. A praga dos engates confirma isso. Pior que quem tem esse tipo de atitude, é que são considerados os “apaixonados por carros”.

    • CorsarioViajante

      Na praia das Astúrias, no Guarujá, pintaram no chão a marcação das vagas, para otimizar o espaço. Ninguém vê! É incrível como todos param aleatoriamente. Fico doente, minha esposa não agüenta mais.

  • Félix

    Sim concordo com tudo o que foi escrito. O problema do trânsito aqui somos nós, os brasileiros. E fazemos essa baderna em todo lugar, no trânsito, nas redes sociais, na política… Admitir a culpa é um bom primeiro passo para reparar os nossos erros.

  • Victor

    Nossa! Perfeita a argumentação. Concordo totalmente com a opinião do autor. Povinho sem-vergonha e mal educado tem que ser tratado pelas autoridades como acéfalos mesmo.

  • gpalms

    A solução por mal pode funcionar, mas não sem antes ceifar a vida de inocentes e de bons motoristas, vítimas da convivência com maus motoristas.
    Estamos em um momento na nossa sociedade que não permite que o bom senso e educação nos guie. É preciso rigidez…
    Infelizmente é o que aconteceu com a lei seca. Os controlados, que tomam um cálice de vinho numa janta estão no mesmo barco que os baladeiros que bebem a noite inteira e saem dirigindo. Dadas as circunstâncias, consigo compreender que a lei seca, hoje, é um mal necessário.

    • Bob Sharp

      gpalms
      Já falei muito aqui mas não custa repetir: a lei seca é uma lei boçal sancionada por outro e, portanto, desnecessária. Sabe dizer por que só começou a fiscalização depois dessa lei, se já havia limite de alcoolemia antes, definido no CTB, e bêbados dirigindo? A coisa é tão boçal que 99,9% das pessoas, William Bonner entre elas, acha que as blitze são da lei seca, quando já poderiam existir desde 23 de setembro de 1997, data da entrada em vigor do CTB.

      • Lucas dos Santos

        Tudo porque confunde-se punição com fiscalização.

        Reivindica-se o “endurecimento” das leis, ao invés de se cobrar fiscalização, que, em muitos casos, é inexistente.

        Aí, o governo, em uma atitude totalmente populista, sanciona leis absurdas apenas para “atender aos anseios da população” e dane-se a lógica e a razoabilidade. No fim das contas sobram dados distorcidos como o citado caso das blitze “da lei seca”.

  • Bob Sharp

    João Carlos
    Essa é Grande Mentira, brasileiro não é apaixonado por carro coisa nenhuma. Não só a praga dos engates o confirma, o hábito de fazer do carro esconderijo, colocando sacos de lixo nos vidros, também.

    • Lorenzo Frigerio

      Saco de lixo é comum nos EUA também, e lá é permitido dirigir ao celular. Às vezes também vejo acidentes absurdos em plena luz do dia em estradas-tapete com ampla visão e sinalização; os motoristas de lá não são exemplo para ninguém. O que ajuda é a espetacular infra-estrutura.

      • R.

        O número de idosos (pessoas acima de 80 anos) dirigindo por lá é bem elevado. Não sei , mas talvez explique alguns acidentes inexplicáveis..
        Já presenciei um idoso que esqueceu a chave e o motor se seu carro ligado ao parar no estacionamento do Key-Mart..Tentei avisá-lo e percebi que tinha grande dificuldade em escutar..
        A monotonia das grandes retas nas freeways e relativo baixo limite de velocidade também dão um sono danado em quem esta dirigindo…

  • Bob Sharp

    Mendes
    Brasileiro freia quando é cachorro e acelera quando é gente.

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    Na Alemanha nacional-socialista o limite de velocidade nas Autobahnen era de 100 km/h. Depois de 1948 mudou completamente.

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    Dirigir é coisa para profissionais somente?

    • Roberto

      Perfeito, Bob. E outro exemplo bem óbvio. A questão dos extintores. Se extintores existes e são obrigatórios em determinas lugares, por que a arma de fogo não?!

    • Lorenzo Frigerio

      Com todo respeito, o que tem uma coisa a ver com a outra?

  • Bob Sharp

    Roberto
    Que bobagem! É “você” mesmo. Agradeça aos seus dedos (rs)

  • Aldi Cantinho

    Perfeito! Assino embaixo… tem que levar para as manifestações, para o povo aprender que o problema do Brasil não tem só a ver com a Dilma ou o PT ou o PSDB ou com os bandidos no Congresso (afinal, alguém votou neles?), mas tem, sim, a ver também com nosso próprio comportamento.

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    Nunca vi lá saco de lixo nos vidros de condução. Independentemente der proibido ou não, o fato é ninguém usa. É claro que não tê-los não evita acidentes, assim como não fumar não evita infarto e câncer de pulmão.

  • Danniel

    A observação das placas de proibido estacionar em Brasília foi perfeita.. Elas são sumariamente ignoradas, poderiam ser retiradas que ninguém sentiria falta. Algumas vezes realmente é difícil arranjar uma vaga, mas nada impossível e que justifique parar em local proibido.
    Some-se a isso a falta de demarcação de vagas em ruas residenciais de alguns bairros. Morei por muitos anos em Taguatinga e minha rua durante um dia só passava um de cada vez, pois havia carros parados dos dois lados.

  • Fabricio d

    Estava em uma pista duplicada e apareceu um e colou na minha traseira, havendo trânsito à minha frente. Beleza, abriu uma brecha fui para a direita. Aí, quando a pista fica livre para pisar, o imbecil não sai da faixa da esquerda.

    • CorsarioViajante

      Meu caro, sofro constantemente com isso. Gente que não tem RITMO para dirigir. Você está mantendo seu ritmo, digamos, 100 km/h. Vê um caminhão lá na frente a 70 km/h, olha no retrovisor, vê um carro que está na esquerda há horas na mesma velocidade que você. Dá seta, vê que o cara continua lá, e vai para esquerda ultrapassar. Nisso o sujeito fica doido, mete o pé, acelera, cola, dá farol, seta para esquerda, ufa! Aí você concluí a ultrapassagem, sai para a direita, retoma seu ritmo de 100 km/h, o cara te passa olhando feio… E três quilômetros à frente você ultrapassa ele andando a 80 km/h. Na esquerda. Dureza.

  • Bruno

    Perfeito!

    Enquanto nossa população não perceber que o fluxo de carros é um organismo (BS também já escreveu sobre isso), estamos fadados a ficarmos presos na legislação idiota. O trânsito é coletivo e qualquer um com pensamento individualista atrapalha tudo.

    Solução? Muita educação, o que não se resolve no curto prazo.

  • Roberto Neves

    Perfeito! Dirigi apenas em Portugal e Espanha, fora do Brasil, até hoje. Não são países “top” no universo europeu, mas a disciplina de seus motoristas é impecável, se comparada à nossa. Eu, que me considero bastante bem educado no trânsito, cheguei a levar algumas broncas dos nossos irmãos “tugas” por entrar nas “rotundas” no momento errado. Ninguém dirige na faixa da esquerda, nas rodovias. Servem exclusivamente para ultrapassagem. Não há buzinaços nas ruas. Precisamos nos educar!

  • Lorenzo
    Há motoristas profissionais e amadores, certo? Uma classe pode dirigir tão bem (ou tão mal) quanto a outra. O mesmo se dá com o uso de arma de fogo.

    • Lorenzo Frigerio

      Acho que a arma de fogo é uma coisa equiparável a andar na corda bamba, não a dirigir carros: não há “profissionais” ou “amadores”, só profissionais.
      Se sou “bração” ou “cabaço”, posso andar devagar e à direita. Com arma não tem isso.

  • Bruno
    E eu já tomei uma leve batida por trás de uma moto conduzida por motoboy ao parar diante de uma placa “Pare” antes de acessar a marginal do Pinheiros onde não há faixa de aceleração, que veio dizer que eu estava errado e queria eu pagasse o prejuízo dele (no meu carro, nada). Deixei-o conversando com o garfo torto da sua CG…

    • Lucas dos Santos

      Situação essa que, às vezes, vem acompanhada de “mas ninguém pára aí!“…

  • Félix

    Senso de coletividade…. é isso que nos falta. Educação dá para mudar, mesmo que demore uma geração inteira, mas parece que o coletivo tende a ser esquecido, ainda mais em tempos de Facebook.

  • Marco de Yparraguirre

    As rotundas são complicadas,atrapalhei-me também. Questão de costume.Tudo o que foi dito é o que acontece.Falta de civilidade.

  • disqus_tHjSUs6BnQ

    Nem ao céu, mas um pouco perto do inferno, o Brasil está no terceiro mundo da civilidade, junto com países como o México, a Rússia, e a China para citar alguns e um pouco melhor que outros como a Índia, e o Egito por exemplo.
    Já dirigi bastante na Alemanha, e nos Estados Unidos, e concordo com o texto do Carlos Farjoun respeitando a opinião do Bob Sharp.
    A limitação de velocidade em velocidades baixas não é uma situação exclusiva brasileira, os americanos tem estradas maravilhosas, semi desertas e com limite máximo de 75 mph ou menos, não existe estrada nos EUA com limite acima de 75 mph, e algumas cidades pequenas de interior também colocam os radares escondidos (speedtraps) para arrecadar algum dinheiro dos motoristas incautos.
    Na Alemanha como quase todos sabem a situação é diferente, em determinados trechos das Autobans não há limite e em quase 4 mil quilômetros rodoviários de Alemanha, não vi nenhum acidente ou qualquer situação de risco envolvendo a alta velocidade. Além disso, os motoristas são mais leais e as estradas são muito boas.
    Dito isso, na minha opinião, considero que o Brasil tem muitos problemas para a adoção do sistema utilizado na Alemanha, porque os motoristas não tem preparo, porque as pessoas compram a CNH, porque não há fiscalização quanto as demais infrações, porque as estradas são onduladas, cheias de degraus e esburacadas, enfim, se a partir do mês que vem fossem abolidos os limites de velocidade em determinados trechos de algumas rodovias teríamos um faroeste rodoviário, um salve-se quem puder sem precedentes nas estradas brasileiras que custaria vidas (além das já perdidas no trânsito de velocidade limitada), por isso, a adoção do modelo alemão que reputo como o melhor porque aumenta-se a vazão de veículos e porque o indivíduo que dirige um veículo deve ser habilitado para andar em uma estrada a altas velocidades, ainda é impraticável no Brasil.

  • joao

    Temos que ser orgulhosos da nossa pátria, estamos no topo em várias categorias: os maiores buracos nas pistas, o maior número de mortes, tanto causadas pelo trânsito como por armas de fogo, e o maior escândalo de corrupção do mundo. Somos top…

  • Lucas

    CMF, esse é para você, sobre os carros mal estacionados no DF: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/04/motorista-ergue-carro-parado-fora-da-vaga-para-liberar-passagem-video.html
    E esse leiteiro deve ser do tempo do taro de leite!!

  • francisco greche junior

    Não sei, não gostei muito do texto, para ser sincero não li 100%. Escrever “Imagine isso a 220…” foi de muito mau gosto. Pelo que parece naquele exemplo de carro dos anos 90 turbinado parece ser exemplo de um bem montado e cuidado. Agora você vai me dizer que carro popular popular comum, ou mesmo um sedã tipo Civic ou Corolla é muito melhor assim de conjunto que aquele da foto? Eu não sei. Existem preparações e preparações.
    Esta parte do teu texto cairia melhor em um site tipo do Auto Esporte e não aqui para alguém que realmente gosta de carros, motor e desempenho. Isso que nem fã de AP e turbo eu sou.

    • R.

      Infelizmente, é o tipo de carro, que se encontra nas periferias das grandes cidades. Fazem pegas e rachas nas ruas e colocam todos em risco.
      Um carro como esse jamais passaria em qualquer tipo de fiscalização…

    • WSR

      Ele foi apenas irônico. Só pelas rodas é possível notar que segurança passa longe do projeto, rs. E um Gol dinossauro, para andar a 220 km/h com segurança, precisa praticamente ser refeito.

    • Bikentusiasta

      “Imagine isso a 220…” Não acho que foi de mau gosto. Carro rebaixado em pelo menos 80% dos que estão nas ruas são lixo. Todos os professores de engenharia na faculdade que tocaram no assunto têm a mesma opinião, suspensão demanda projeto e dimensionamento, não é só cortar mola. Outro dia aqui em Belo Horizonte teve um encontro de carro rebaixado no Parque das Mangabeiras e eu por acaso estava ali, alguns carros não passavam pela lombada na entrada do parque e aparentemente isso deixava o dono do carro feliz, vai entender…

  • francisco greche junior,
    Como pode dizer que não gostou, se não leu tudo? Quanto ao Gol da foto, não notou o carro socado, sem curso de suspensão? É mesmo de se imaginar “isso a 220” , por que não? Não há mau gosto algum nisso. O que autor escreveu está totalmente dentro do contexto da matéria.

    • francisco greche junior

      Sabe Bob, Carlos, não tenho intenção de ser deselegante.
      Estou aqui desde o começo todos os dias e me sinto bem à vontade e estas foi uma das poucas vezes que vi algo que não gostei e assim comentei. Não estava fluindo para mim a leitura e quando vi o exemplo eu realmente achei ruim.

  • Cristiano Reis

    O cabra é o Hulk!

  • Leo-RJ

    Caique 313131,
    Morei na Califórnia, Nova York e na Flórida, e não vi nada disso que você falou, mesmo na Flórida, que é infinitamente melhor que o Brasil, não por acaso, o trânsito lá (na Flórida) mata menos de 10% do que mata no Brasil.

    Você morou lá quanto tempo? Até achei mesmo o motorista da Flórida pior que o da Califórnia, o que eles mesmo lá atribuem aos “latinos”, mas nada muito diferente da Califórnia e Nova York, e passei pouco mais de seis anos por lá…

    • caique313131

      Não morei lá. Minha experiência é de viagens a passeio ou outros afazeres. Bom, pelo meu ponto de vista, não acho os motoristas norte-americanos superiores aos motoristas médios brasileiros. Pode ser que eu seja menos tolerante com certas atitudes, não sei. E claro, estatisticamente falando, o trânsito de praticamente todos os lugares do mundo é mais seguro que o brasileiro. As minhas avaliações se baseiam em experiência própria mesmo, pois sei que, numericamente, o que falo seria um absurdo.

  • Leo-RJ

    Concordo integralmente!

  • francisco greche junior
    Tudo bem, deixemos para lá essa discussão. Mas que é uma bela análise de comportamento de motoristas e aspectos de velocidade, não tenho dúvida disso.

  • Roberto Alvarenga

    Bob, mudando de pato pra ganso, hoje demitiram o Carsughi da Jovem Pan, depois de 60 anos de casa. Acho que vale o registro e o abraço de todos os autoentusiastas a essé ícone do jornalismo.

    • Leonardo Mendes

      Uma pena essa demissão…. mas não creio que ele fique muito tempo fora do ar.

  • Victor De Lyra

    É fácil entender porque nossos condutores não sabem dirigir no trânsito, falta qualificação. Peguei minha CNH faz pouco mais de dois anos e até hoje lembro como o curso de formação foi ruim. Nas aulas teóricas só se falava de algumas placas e regras para cruzamentos, além de itens obrigatórios, mas pouco era dito sobre como funciona o trânsito e como devemos nos comportar nele.

    Ou seja, não se aprende a dirigir, mas sim a não tomar multas.

    Acho um absurdo não haver obrigatoriedade de se ter aula de direção em autoestrada nas aulas práticas. Conheço pelo menos três pessoas que dirigem para todo lugar usando até a terceira marcha (!!!) e uma delas afirmou não passar de 60 km/h, mesmo na Rodovia Presidente Dutra.

    Percebe-se que temos um circo armado, o condutor recém-formado é treinado para não tomar multas e o governo sempre dá um jeito de multar mais.

    • Roberto

      Concordo com você. Entretanto, assim como existem bons e maus condutores também existem bons e maus centros de condutores (pena que são minoria). Eu, antes de começar o processo de habilitação, pesquisei vários para ter certeza de encontrar um que não preparasse só para a prova do Detran. Tanto que aprendi algumas coisas sobre comportamento no trânsito e legislação que gente com anos de habilitação não sabe. Claro que parte do aprendizado venho do meu interesse tanto nas aulas práticas e teóricas, e que eu acho que não reflete a situação da maioria dos alunos. Além disso, também acho que 20 horas de aula prática é muito pouco para ter uma boa noção do trânsito e para quem nunca dirigiu na vida até a auto-escola, que é algo bem comum nos dias atuais.

  • CorsarioViajante

    Excelente texto. Tbm cada dia noto mais que o grande problema do trânsito (e em geral mesmo) é a falta de cidadania e bom senso de alguns.
    Coisas comuns que vemos: carro estacionado obstruindo na calçada, mesmo tendo vaga na rua dez metros à frente. Ultrapassar em local perigoso e sem visão, para ficar apenas UM carro à sua frente. Furar filas. Ultrapassar pelo acostamento. Colar no carro da frente e ficar pedindo passagem de forma agressiva mesmo vendo que está tudo parado e ele não tem nem como dar passagem. Andar rápido demais no bairro e devagar demais na estrada. Estacionar em vagas preferenciais ou em locais sinalizados com zebras. Não respeitar, ignorar e até desconhecer todo tipo de sinalização.
    Em suma, agir como um idiota inconsequente arrogante.

  • Diego

    Nem as autoridades aqui estão preparadas. Hoje parei meu carro em um lugar com placa de proibido estacionar. Mas pelo Código de Trânsito Brasileiro posso parar naquele local. Surge um guarda e manda eu tirar meu carro, pedi desculpa, respondi que estava parado e ele respondeu que tinha uma placa indicando que eu não podia parar e que iria me autuar.
    Percebi que ele não sabia do que se tratava a placa na nossa frente, nem da diferença entre parar e estacionar. Tive que sair e achar outro lugar para poder parar.

  • Fat Jack

    Lendo o texto lembrei-me de uma ideia que o Bob divulgou com a autorização do autor numa revista sobre o início do ensino das normas de trânsito como “matéria escolar”, confesso que pareceu-me uma excelente ideia, seria finalmente um grande e sério começo disso não tenho a menor dúvida.
    Somente, não sei se seria suficiente (pois creio que este tipo de comportamento citado na matéria – infelizmente visto realmente na grande maioria dos motoristas brasileiros – “vem de berço”), pois algo que grande maioria dos pais hoje tem em mente é que este ensino é dever da escola, ledo engano, educação, gentileza, respeito ao próximo, e etc. vem de casa e de mais nenhum outro lugar.

  • Daniel San

    Não raramente,tenho a impressão de estar dirigindo à mão inglesa,no mau sentido. Ônibus,caminhões e veículos que acham que são donos da faixa da esquerda,sem liberar passagem,me obrigando a passar pela direita. Em certo sentido,até entendo,pois muita gente acha que só por estar na direita pode andar como se estivesse dentro de casa. Como bem lembrou o autor do post,tudo passa pela questão da educação. Mas o pior disso tudo é que não há interesse dos governantes em melhorar isso,pois aproveitam o ensejo para rechear as ruas e estradas de pardais e de guardas municipais não preocupados em ordenar o tráfego,mas em multar. Nesse meio tempo,vem a mídia amestrada,como uma matéria altamente tendenciosa,mostrando a diferença de distância de parada entre um veículo a 40 km/h e outro a 60, legitimando,assim,a atitude de certas prefeituras em reduzir ainda mais os já ridículos limites de velocidade. Como já foi dito,é tudo uma questão de educação,só que isso não é conveniente para setores chave do governo…

  • Diego
    Nesse caso parar se pode, mas não estacionar, que é o tempo superior a embarque/desembarque de passageiros. Área de carga/descarga é delimitada especificamente. Por favor, esclareça com mais detalhes o que aconteceu, esse é um ponto importante.

    • Roberto

      Lembrando que carga e descarga, segundo o CTB, é considerado estacionamento. Digo isto pois muita gente ainda acha que é possível fazer carga e descarga em locais onde é permitido somente parar, assim como era no antigo código de trânsito. Isto é problema, já que é comum a faixa da direita das avenidas estar bloqueada por conta de alguém estar fazendo carga e descarga em local proibido.

  • Bikenentusiastas
    Dá para entender sim, mera pobreza de espírito.

  • TDA

    Carlos, só tenho que lhe dar os parabéns pela excelente matéria. Sua leitura do trânsito brasileiro em comparação com os países desenvolvidos foi perfeita. As pessoas que trafegam pelas vias brasileiras estão cada vez piores do que antes, a perspectiva de melhora é nula.

  • Eurico Junior

    A madame estacionou numa esquina, em cima da faixa de pedestres e bloqueando uma rampa de cadeirante. É mole?

  • Fernando

    Brilhante texto!

    Infelizmente vivemos no país em que o certo está errado, e o errado está certo.

  • KzR

    Esse texto deveria estar presente em toda cartilha/manual de curso de formação de condutores. Perfeito!

  • Luiz caudio fontenelle

    Leia bem o código de trânsito: a velocidade mínima permitida é a metade da máxima. Se o limite é 120 ou menos, 60 km/h. Dirigi durante muitos anos minha Rural Willys usando só até a terceira marcha. Só tinha três….

    • Luiz Cláudio
      Só para dar conceito correto, o número de marchas do câmbio não tem nenhuma relação com a velocidade que o veículo pode desenvolver. Se fosse assim seria muito fácil aumentar a velocidade de um veículo apenas alterando a relação de transmissão. Esse Artigo 62 do Código é falho, pois no caso de rodovias a velocidade mínima deve ser de 75% a 80% da máxima, por questão da segurança do trânsito como um todo. Um veículo lento torna-se um objeto móvel, algo bastante perigoso.

  • Luiz Claudio
    Talvez você devesse ter colocado o “kkk” mesmo…

  • Luiz Claudio
    Você disse em comentário anterior que era engenheiro, mas diante do que você disse sobre carros no mesmo sentido (e não direção, “engenheiro”) com velocidades bem diferentes não constituírem perigo, começo a duvidar se você é, de fato, engenheiro. Além disso, eu estava mesmo para falar a respeito de comentário anterior seu, longo, sobre “nós, velocistas, que matam”, que mostra duas coisas: uma, que você tem uma visão totalmente distorcida dos fatos de trânsito; outra, que seu lugar definitivamente não é aqui e por isso você está banido. Você comentar de novo será perda de tempo, pois novo comentário seu será sumariamente deletado. Aliás, todos os comentários seus serão retirados. Boa sorte, “engenheiro”.

  • Ricardo

    Parabéns pelo texto. O nosso trânsito é o reflexo de nossa (egoísta) sociedade. O brasileiro tem mania de cobrar (corretamente) o poder público, mas se esquece de ser um bom cidadão.

  • Adriano

    Às vezes eu também tenho essa impressão, mas tem momentos em que eu encontro alguém com bom senso. Estive vendo um vídeo de um cara com uma CBR 500R numa Autobahn, ele estava em dados momentos a 180 km/h e em qual faixa ele estava? Direita! Ia para a esquerda só para ultrapassagens, mas voltava em seguida.
    Enquanto segunda-feira, quando eu voltava para casa, logo após a saída de um pedágio um motorista – se é que posso chamá-lo assim – com seu Gol G2 na faixa da esquerda a 80 km/h. Esperei um pouco para ver se ele ia acelerar mais ou ir à faixa da direita, mas, nada. Dei sinal pedindo ultrapassagem, nada. Um ônibus nos ultrapassou pela direita tamanha a letargia do camarada.
    Percebi que ele nem olhava no retrovisor, acho que ele nem percebeu que eu estava atrás dele. Não tive escolha senão ultrapassá-lo pela direita, fazendo-o o mais rápido possível, porque a última coisa que eu queria naquele momento seria ele mudando de faixa abruptamente e me derrubando. Segui viagem e uma olhada no retrovisor, a 500 m atrás de mim ele continuava na esquerda sem ninguém na rodovia.

    • Adriano
      O exemplo perfeito do energúmeno dirigindo.