Minha paixão por carros e motos é antiga. Diria até que não me lembro do dia em passei a amá-los. Assim, desde muito pequeno, acompanhando as revistas de carros e motos, observava os roteiros de aventuras. Um deles em particular me fascinava: Ushuaia, na Argentina.

Já adulto, outras prioridades sempre entravam na frente dessa grande aventura que eu queria fazer, ir rodando até a cidade mais austral do mundo. Mas em 2012, já relativamente estabilizado e com disponibilidade de tempo, convenci a Lu, minha mulher, de que era a hora de encararmos essa epopéia. Aqui, cabe colocar que em 2007, em nossa lua-de-mel saímos de Brasília e fomos até Buenos Aires, o que achamos relativamente tranqüilo. Utilizamos para tal uma Montana Sport. Aliás, como eram lindas as Montanas da geração anterior!

 

20121031_161642  VIAGEM A USHUAIA – POR LUCAS GUIMARÃES - 23/04/15 20121031 161642

Mas em 2012 já não possuía a bela picapinha. Tinha um problema: meus dois carros, embora muito queridos, não me inspiravam confiança para a empreita: um Astra belga 1995, e um belo Vectra CD 1997. Ambos beiravam os 300 mil km. E eu não tinha dinheiro suficiente para comprar um carro mais novo e nem queria me desfazer desses velhos Chevrolet. A solução estava na garagem: uma Honda Hornet novinha. É. Tive que “passar nos cobres” aquela verdadeira delícia de 600 cm³. Até pensei em ir nela, mas a mulher falou que de jeito nenhum…

Dinheiro da Hornet na mão, e vamos escolher o companheiro da viagem. Exigências: robusto, mecânica conhecida, bom desempenho, estradeiro, câmbio longo, boa autonomia. Ah, e o orçamento era limitado, em torno de 25 mil reais. O vencedor: um Astra hatch 2009.

 

20121025_201155  VIAGEM A USHUAIA – POR LUCAS GUIMARÃES - 23/04/15 20121025 201155

Encontrei um pouco rodado, 25 mil km, e em ótimo estado. Mesmo assim, fiz uma revisão, e corri atrás dos itens que poderiam ser cobrados pelos policiais dos países vizinhos: dois estepes, cambão, lençol branco…

A preparação da papelada também consumiu um bom tempo: documentação do carro em ordem, sem alienação e em meu nome, carta-verde (item mais que obrigatório: todo policial exige), ampliação da cobertura do seguro do carro, plano de saúde internacional, vacinas…ufa!

Partimos em 16 de outubro de Brasília, e demos uma esticada até Curitiba, quase 1.400 km. Fomos muitíssimo bem recebidos por pelo primo André e sua querida família. Descansamos dois dias na agradável capital paranaense.

 

20121027_153921  VIAGEM A USHUAIA – POR LUCAS GUIMARÃES - 23/04/15 20121027 153921

Renovados, partimos para próxima parada, Gramado. Fizemos uma opção interessante: em vez de descermos pela BR-116, optamos pela BR-101, antes utilizando a BR-376, e já no Rio Grande do Sul, chegar a Gramado por uma estrada conhecida Rota do Sol, a estadual RS-453. As três estradas têm trechos maravilhosos, espetaculares, em especial a última. Realmente vale a pena. Chegamos a Gramado antes de meio dia, o suficiente para curtir um pouco a cidade, muito aconchegante.

No dia seguinte, já prevíamos a saída do país. Cedo pegamos estrada, também muito bela, a descida de Nova Petrópolis a Porto Alegre, pela-116. Já com o sol forte do início da tarde, cortávamos a Reserva do Taim, com sua natureza exuberante. Em Chuí, cambiamos algum dinheiro e tocamos com destino a Punta del Este. Estrada de asfalto impecável e muito pouco movimento. Chegamos rapidamente a Punta, onde pernoitamos. Aqui uma observação: a diversidade da frota uruguaia é um espanto, vê-se literalmente de tudo: chineses, puros-sangues europeus, americanos, brasileiros, argentinos. Tudo nos mais variados estados de conservação.

Manhã seguinte, pé na estrada. Meta: chegar a Buenos Aires, utilizando o serviço de balsas, chamado por eles de buquebus, algo como embarcação-ônibus. Seguindo a indicação do GPS fomos pelo interior do Uruguai até Colónia del Sacramento, onde embarcamos. Em pouco tempo estaríamos em solo argentino.

 

20121030_183154  VIAGEM A USHUAIA – POR LUCAS GUIMARÃES - 23/04/15 20121030 183154

Passamos três dias em Buenos Aires. Em um dos passeios, até a cidade de Lujan, distante cerca de 70 quilômetros, me fez perceber como que, em se tratando de trânsito, há algo muito errado por aqui. Pegamos uma autoestrada, a mesma que leva ao Aeroporto de Ezeiza e que corta grande parte da capital. Qual foi a minha surpresa ao ver o limite de velocidade 130 km/h! Não acreditei! Já havia reparado que o trânsito estava fluindo rápido, a uns 120 km/h. Tudo tranqüilo e sem sobressaltos. Resolvi então experimentar andar no limite indicado, mas pelo GPS. Pista da esquerda e 140 km/h no velocímetro. Sem problema. Ninguém travando a pista da esquerda, e nada de pardais que visam somente a arrecadação. Estamos muito atrasados nesse aspecto, concluí.

Mas a viagem tinha que seguir ao sul, agora com destino a Viedma. Estradas boas, porém chuva. Aqui, um erro: estava já com os pneus relativamente desgastados, com 3,5/4 milímetros. Só confirmou aquilo que eu já tinha como verdade: pneu meia-vida é, na verdade, meia-morte. Aquaplanagens foram muito freqüentes. Devia ter saído de pneus novos.

20121028_134757  VIAGEM A USHUAIA – POR LUCAS GUIMARÃES - 23/04/15 20121028 134757

Pernoite em Viedma, e continuamos descendo. Agora o destino é Puerto Madrin. As atrações dessa cidade ficam em suas imediações, como a península Valdez. A fauna impressiona. O acesso é quase sempre por estradas de terra. Aqui a diferença das nossas: bem largas, com manutenção freqüente, patroladas. Anda-se a 80 km/h numa boa, com o carro flutuando deliciosamente. Impossível não lembrar das histórias dos carreteras argentinos, que cortavam estradas de rípio a 200 km/h ou mais. Isso há mais de 50 anos!

Dois dias depois, prosseguimos rumo ao sul. Sempre pela Ruta 3. Nas imensas e desertas retas, procurava andar na velocidade de cruzeiro de 140 km/h. Por que não mais? Primeiro, poupar o carro e o consumo de combustível, pois os postos eram sempre muito distantes um do outro. Ainda assim, médias de mais de 13 km/l foram freqüentes. Gasolina sem álcool é outra conversa. Segundo: a força dos ventos patagônicos! Andávamos com o volante esterçado, a ponto de marcar levemente o ombro dos pneus. Ultrapassar era um desafio, assim como o deslocamento de ar dos veículos no sentido contrário. As carretas andam de lado, realmente impressionante. As ultrapassagens inspiram outros cuidados, além dos tradicionais: o padrão de uso das setas lá é o contrário do nosso: seta para esquerda, pista livre. Seta para direita, carro no sentido contrário.

Comodoro Rivadavia, San Julian, Rio Gallegos… chegamos à fronteira com o Chile. Sim, embora Ushuaia esteja na Argentina, obrigatoriamente se passa pelo Chile. Inclusive, a questão fronteiriça entre esses dois países não é pacífica. Chegamos então à passagem pelo Estreito de Magalhaes, feita por ferry boat. Emocionante, dar-se conta que chegou até ali rodando.   Até ali, mais de 7.000 km. Pegamos novamente uma estrada de cascalho, não tão boa, sol forte e muito frio, 3º C. Novos trâmites aduaneiros –— agora Chile-Argentina — e pousamos em Rio Grande. Por sorte, um hotel excelente estava com uma superpromoção. Um presente. Descansamos realmente.

Dia seguinte, chegaríamos ao nosso destino. Pegamos a estrada, belíssima, e fomos cortando as montanhas nevadas. Andando naquele ritmo rápido gostoso, ao mesmo tempo curtindo a paisagem, ansiosos para chegar, e curtindo uma discreta pilotagem. Quase não falávamos, só curtíamos. Nessas incríveis coincidências, começa a tocar “Enjoy the silence” da banda Depeche Mode. Difícil uma “moldura musical” melhor para esse quadro!

Chegamos. Satisfação, Gratidão. Passamos quatro dias por lá, muitos passeios. Agora a volta. Mais 8 mil quilômetros. Não adiantava desanimar, o caminho seria construído quilômetro a quilômetro, pacientemente. Primeira parada, El Calafate. Absolutamente lindas as atrações como os glaciares e Torres Del Paine. Encontramos dois casais de brasileiros, num Vectra e numa Hilux, que subiriam até Bariloche pela ainda rústica Ruta 40. Melhor oportunidade impossível. Na véspera, porém, desisti. O cansaço falou mais alto. Ainda estávamos longe demais de casa, e isso alongaria ainda mais a viagem. O fato de termos sido relativamente displicentes com a alimentação acentuou o cansaço. Tínhamos que voltar.

 

20121027_153639  VIAGEM A USHUAIA – POR LUCAS GUIMARÃES - 23/04/15 20121027 153639

Volta mais direta, quase que o caminho de volta, só que mais rápido. Optamos por sair pelo nordeste argentino, o que não foi uma boa opção. Alguns trechos de estrada ruim, e o azar de pegarmos um policial corrupto. Detalhe: fomos parados certamente mais de 10 vezes, mas sempre muito bem tratados pelos policiais. Infelizmente, esse fugiu à regra. Como se não bastasse, um problema na aduana com nossos passaportes, que além do desgaste, nos rendeu uma multa. Era de fato hora de voltarmos para o Brasil. Esses contratempos não tiram o brilho dos argentinos, que sempre nos trataram muito bem, não raro com carinho. Retornamos ao Brasil por Uruguaiana (RS), onde pernoitamos.

Subindo pelo oeste de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e Paraná, chegamos a Foz do Iguaçu, para uma parada de três dias. Impressionante é pouco para descrever as Cataratas e a usina de Itaipu.

Saímos de Foz, pousamos em Londrina, para então no último trecho chegarmos em Brasília. Viagem sob forte chuva, mas tudo bem. Carro na garagem, depois de 25 dias e 16 mil km. Nos olhamos como que afirmando “missão cumprida”. Nessa hora, um dos faróis apaga. O nosso único problema mecânico na viagem: uma lâmpada queimada!

 

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  • rafaelaun

    Demais.

    • Lucas CRF

      Que bom que gostou, Aun.

      abraço!

  • Francisco Carlos das Neves

    Lucas Guimarães,

    Primeiramente parabéns pela realização deste sonho… Também tenho esta mesma idéia de viajar de carro pelas Américas. Estou planejando viajar até Santiago do Chile mas nunca coloquei em prática. Penso em ir de Belo Horizonte até a Argentina via Rio Grande do Sul, depois Argentina-Chile passando por Mendoza, Santiago, Atacama, Peru e voltar via Acre… Seria algo para uns dois meses de viagem, hehehe. O veículo seria uma Palio Weekend Adventure transformada em um mini-motorhome conforme vi fotos de uma em um desses fórum da net. Mas por enquanto, eu sem tempo e dinheiro disponíveis, ficarei novamente só na imaginação.

    Aproveitando, você poderia dizer quais foram mais ou menos os custos da viagem relacionados ao carro, somando aí combustível, manutenções, pedágios etc?. Obrigado.

    • Lucas CRF

      Francisco, como você deve imaginar, ir de carro não é o mais lógico, e barato. Mas loucos que somos…
      Eu não botei na ponta do lápis quanto gastei, mas como estava com minha mulher, sempre optei por ficar em hotéis bons. Assim, é claro que o custo subiu. Gastei por volta de 10 mil reais, com tudo, combustível, alimentação… Uma grana preta!
      Esse roteiro que você está imaginando é fantástico, a volta é pela Rota do Pacífico, correto? E é isso mesmo: dois meses ou mais de viagem. Tudo na calma, curtindo. Vá sim!

      Abraço!

  • Mr. Car

    Gostei muito. Inclusive do ponto de partida e chegada: minha adorada Brasília, he, he!

    • Lucas CRF

      também gosto muito daqui, Mr. Car!

      Abraço

  • Janssen

    Show! Um dia farei está viagem, só que tenho mais 3.800 km pois sairei de Teresina-PI. Parabéns pelo relato!

    • Lucas CRF

      É isso aí, Janssen! A viagem é construída quilometro por quilometro. Com fé, vamos loooonge.
      Abraço!

  • Piantino

    Estive em Ushuaia em 2010, mas fui de avião… Em abril de 2016 irei de moto, uma F800GS que comprei recentemente.

    • Lucas CRF

      Piantino, quem sabe não volto com você?! Também tô de GS 800!

  • DPSF

    Boa pergunta. Os custos com combustível, tem algum valor guardado para nos passar? Quanto ao seu problema com o passaporte, se não me engano, para o Chile e Argentina não bastariam apenas a carteira de identidade? Problemas com pneus? Kkkk facilmente resolvidos em uma rápida passagem por Ciudad del Leste… lá vendem pneus das mais variadas marcas e com um preço muito baixo… até em bancas de camelô vendem pneus novos. Vi vários da marca Ceat a venda aros 13, 14, 15 e 16…

    • Eduardo Silva

      Respondendo a uma das questões – para a Argentina só precisa RG (e não serve CNH), mas para o Chile é necessário passaporte.

    • Lucas CRF

      Caro DPSF, não é uma viagem barata, como você pode ler na resposta ao Francisco, logo acima. O que complica de verdade é a quantidade de dinheiro vivo que você é obrigado a andar. Muitos dos postos não aceitam cartão, e muitas vezes, mesmo tendo habilitando seu cartão para operações internacionais, a transação é negada. E aí dá-lhe dinheiro vivo…E como bom brasileiro, sempre espalhar o dinheiro pelas bolsas, pelo carro, etc.

      Mas é possível realizar saques por lá numa rede semelhante ao nosso Bancos 24H. O valor é convertido e sacado diretamente na sua conta.

      Abraço!

  • Viajante das orbitais

    Astra foi um dos últimos carros legais da Chevrolet no Brasil.

    • Lucas CRF

      Adoro esse carro. Estou no meu quarto Astra. O primeiro ainda tenho, mas é para brincar!

    • Netto

      Porque eram Opel rsrs, a linha Opel é magnífica, pena não termos mais por aqui, saudades de Astra e Vectra.

  • Mineirim

    Lucas,
    Que bela viagem! Sempre quis fazer esse trajeto, mas nunca tive coragem.
    Só fui a Buenos Aires de avião. Na maciota, né? rsrs
    Estranhei essa história do passaporte. Quando fui, só precisei apresentar RG recente. Passaporte não era obrigatório. Isso mudou?
    Mais uma vez parabéns pela viagem e obrigado por compartilhar com a gente.

    • Lucas CRF

      Mineirim,

      quando fomos pela primeira vez a Argentina e Uruguai, em 2007, só tínhamos a identidade e foi tudo ok. Aqui uma dica: eles podem aceitar somente o RG, e ainda assim, com foto recente. Carteira funcional, de categoria profissional, etc., podem recusar. Porém, dessa vez, nas aduanas, pediam logo de cara o passaporte, o que de pronto apresentávamos. Mas que foi uma situação chata, ah, isso foi. Pode ter sido um jeito de nos arrancar dinheiro? Sim. mas deram até recibo!

      Que bom que gostou do texto! uma honra compartilhar essas aventura com os outros leitores!

  • Lucas Romeiro

    Show demais!!! Belo roteiro.

    • Lucas

      Que bom que gostou, xará!

      • Lucas Romeiro

        Na verdade gostei muito e estou sonhando em fazer a mesma rota. Gostaria de saber se há oferta de diesel nos postos no caminho, pois meu primo disse que pretende conhecer o sul da Argentina com uma Nissan Frontier.

  • Eduardo Silva

    Maravilha Lucas, parabéns. E eu aqui achando que minha viagem São Paulo – Buenos Aires também passando por Colonia Del Sacramento tinha sido ousada. Na ida entrei no Uruguai por Rivera e passei a noite em Tacuarembó, voltei por Chuí e em Santa Catarina dei uma escapulida para conhecer a Serra do Rio do Rastro.

    Tenho a impressão de que você acabou de me dar uma idéia de roteiro para esse ano, a mulher já está perguntando há um tempo qual seria nossa próxima aventura.

    Duas perguntas:
    Perdeu algum passeio por não estar em um 4×4? Teria sido melhor?
    Teve que fazer a reserva da balsa ou conseguiu chegar e atravessar o Estreito de Magalhães?

    E se puder responder, fiquei curioso sobre esse problema na aduana.

    • Lucas

      Estava me esquecendo do problema na aduana. Estávamos de passaportes novinhos, virgens. Imagine o seguinte: teoricamente, a cada entrada e saída no país batia-se o carimbo correspondente, e lançava-se a informação no sistema.

      Esse processo repetiu-se três vezes na Argentina, pois é necessário passar pelo Chile para chegar a Ushuaia. Porém, vimos que os agentes não tinham critério, hora se carimbava hora não. Chegava-se ao cúmulo de carimbar o meu passaporte e não fazê-lo no de minha esposa que estava logo atrás! Chegamos a questionar, mas disseram que não havia problema. Realmente achamos estranho quando vimos que não só a quantidade de carimbos era diferente.

      Então, na última saída (Paso de los Libres – Uruguaiana), nos questionaram: como vocês estão saindo da Argentina se não consta o registro de entrada?!? Tentamos explicar, mas esses funcionários não quiseram entender, nos deixaram esperando umas duas horas e já estava anoitecendo. Em seguida, veio um supervisor e disse que nos liberaria, mas que teria uma multa. Pagamos a multa, uns 200 reais, com direito a recibo, e retornamos ao Brasil. Foi uma situação muito chata.

      Ressalto que esse comportamento dos agentes foi exceção. Como regra sempre fomos muito bem tratados por esses funcionários.

      Abraço

  • Ilbirs

    Lucas, também tenho essa dúvida sobre manutenção. Se estou certo, além de combustível você teve pelo menos duas trocas de óleo. O Astra saiu com 25 mil km, significando aí que o óleo estava em meia-vida, rodou 5 mil km, trocou o óleo no prazo (provavelmente já fora do Brasil), rodou mais 10 mil km, trocou óleo de novo (talvez já de volta ao Brasil) e depois disso ainda rodou mais 2 mil km, ficando a 8 mil km de uma troca de óleo. Pode ser até que tenham sido mais trocas de óleo, contando-se ser melhor pecar por excesso do que por falta.
    Em relação a combustível, e ainda mais considerando que um carro flex daqui esteja mais mesmo para algo que consome qualquer coisa de E20 a E100 em vez de algo que seja especialmente tolerante a E0 (ao contrário dos monocombustíveis a gasolina nacionais, que se dão muito bem com E0), creio eu que por prudência você tenha usado gasolina de alta octanagem no exterior, de maneira a ter uma octanagem mais perto do etanol e poder calorífico superior ao da gasolina comum, estou certo? Como sabemos, gasolina na Argentina é mais barata que por aqui, significando também que a de alta octanagem acaba compensando, ainda mais levando em conta essa particularidade dos flexíveis (pelo que me lembro, os únicos flex nacionais explicitamente preparados para E0 são os da Renault e o Siena Tetrafuel). Vi que você relatou consumo médio de 13 km/l, algo que me parece razoável pelo que conheço de carros da Chevrolet.

    • Lucas CRF

      Olá, Ilbirs!

      Vamos lá. Saí daqui com o óleo pouco rodado, uns 2 mil km. Então, em Viedma, realizei a troca, tendo rodado, portanto, uns 6-7mil km com esse óleo. Optei, na troca, pelo sintético, com o qual completei a viagem. Chegando em casa, rodei mais um pouquinho e troquei-o, com uns 10 mil km.

      Em relação ao combustível, você está certo. Sempre que podia optava pela “super” que era a melhor que tinha. Tomava o cuidado de verificar se eram “sin plomo”, sem chumbo. Ah, e levei uma segueta, para um eventual corte na descarga caso o catalisador entupisse!

      Quanto à dirigibilidade, uma leve hesitação ocorria nas retomadas, mas depois tudo se normalizava e o carro seguia firme. Minha mulher não chegou a notar diferença.

      Sempre estranho quando colocam o Astra como beberrão. Os meus sempre consumiram normalmente, como qualquer outro carro de porte e potência semelhante. Espanto era o Vectra CD 2,0 16 válvulas que citei. 12,5 km/l com a nossa gasolina na estrada era fácil, pisando sempre quando necessário e ar ligado!

      Abraço!

  • Lucas

    Olá, Eduardo!
    Olha, não senti falta de 4×4 e nem deixei de fazer passeios por conta disso não. Mas escolhi época – outubro, novembro – em que não se pega muita neve. Já vi fotos de quem foi em julho e, aí sim, muita neve.
    Quanto à balsa, é só chegar e atravessar. Não é barato, se não me falha a memória, algo próximo a R$ 150. Aceitam pesos argentinos, apesar de ser no Chile. Porém, como o clima lá é bem hostil, podem ocorrer interrupções no serviço. Melhor chegar cedo, sem exageros. Chegamos por volta de 10h00.Olha o frio:

  • Para entrar no Chile não é necessário passaporte. Fui 2x com minha identidade.
    Mas tem que observar a data de emissão, inferior a 10 anos, para qualquer país.

  • Marcos Namekata

    São histórias assim que atrapalham nossa razão e fazem trabalhar aqueles 10 minutos de loucura que todos nós temos, e fazemos a pergunta: “Por que não?…” Bela história!

    • Lucas CRF

      Valeu, Marcos! Abraço!

  • Pedro Guerra

    Lucas, parabéns pelo relato!
    Tenho vontade de fazer uma viagem parecida, andando um pouco mais pelo Chile, inclusive chegando a Santiago.
    Sabe dizer se encontramos diesel S-10 com facilidade?

    • Lucas CRF

      Pedro, valeu! Sinceramente não sei a questão do diesel S-10. Mas chamou-nos atenção a quantidade de Amaroks por lá. E olha que isso era em 2012! A foto não me deixa mentir:
      Abraço!

  • Boni

    Lucas, fantástico!
    Belas fotos.

    Ainda quero fazer esse roteiro, mas de moto. Provavelmente com minha H-D.
    Sente falta das duas rodas?

    Abraços.

    • Lucas CRF

      Obrigado, Boni! Tanto que senti falta das magrelas que esse ano comprei uma! Não dá para ficar sem elas muito tempo, não! Eu quero voltar lá de moto! Cruzamos com grupos de motociclistas, mas nenhum de H-D. Quase todos de big trail.
      Abraço!

  • TDA

    Muito bom o relato Lucas, tenho vontade de fazer umas viagens dessas de carro, adoro dirigir numa boa estrada, com um carro bom de chão e uma bela companhia rsrsrs. Acho engraçado que brasileiro adora contar vantagem em cima dos hermanos argentinos, mas em questão de trânsito eles são bem mais evoluídos do que nós. Boas estradas, boa educação e entendimento das regras. Claro, tem os maus motoristas, as estradas ruins, mas na média, melhor do que aqui.
    #aprendebrasil

    • Lucas CRF

      Obrigado, TDA! Sempre fomos bem tratados pelos argentinos. O que vimos lá, infelizmente, foram brasileiros sendo bem mal educados. Aí, claro, os argentinos respondem na mesma moeda. Não sei falar espanhol, mas se você se esforçar num portunhol, eles tem a maior boa vontade em compreendê-lo.

      Abraço!

  • Bruno L. Albrecht

    Parabéns pela viagem! Ainda sonho em fazê-la, mas já foi um parto convencer a esposa a fazer São Paulo–Porto Alegre passando pela Serra do Rio do Rastro.. =/

    • Lucas CRF

      Obrigado, Bruno! Ainda quero ir à Serra do Rio do Rastro, de preferência de moto!

      Abraço!

  • Lucas

    Que baita viagem, em xará!! Parabéns!!

    Eu fiquei curioso com relação a uma coisa: os carros para a Argentina costumam vir com taxa de compressão ao redor de quanto? Muito interessante que o Astra da aventura resistiu bem a gasolina de lá. Não me recordo a taxa de compressão desse 2009, mas ele já é flex e ultimamente os carros tem vindo com taxa mais para o álcool do que para gasolina, certamente por conta da nossa alcoolina.

    • Lucas CRF

      Valeu, Xará! Sinceramente, não sei quanto os argentinos têm de taxa, em média. Mas esse Astra tem 11,5:1. Foi tranqüilo.
      Abraço!

  • marcus lahoz

    Viagem bacana, hein! Já fiz uma versão reduzida, de Curitiba a Viña Del Mar. Bom demais.

    • Lucas CRF

      Legal, Marcos! valeu!

  • Roberto Mazza

    Magnífico relato, Lucas. Poderia ter até mais fotos e mais detalhes.

    No site Mochileiros.com há diversos relatos de carro e eu gosto de ler. Já cogitei ir à Argentina e Chile saindo de carro da região Sudeste. MAS recentemente li um relato de viajante que rodou a Argentina num carro local alugado e foi bem menos parado. Somando-se com a quantidade enorme de dias/horas necessárias no volante, poucas chances de tirar 30 dias corridos etc, acabei reduzindo meu preconceito com viagens de carro alugado. Mas de carro próprio também seguirá nos planos.

    • CorsarioViajante

      Também gosto do mochileiros.com. Carro próprio é sempre outra relação de afeto, mas gosto também da idéia de alugar, até porque podemos alugar um carro que hoje não poderíamos ter ou que temos curiosidade de guiar. No caso de outros países, é também uma oportunidade de conhecer veículos que não dispomos aqui.

    • lucas CRF

      Obrigado, Roberto! Mas não há problema em alugar um carro! Realmente facilita as coisas. Mas ir com o carro próprio tem um temperinho extra. Ah, uma foto extra:

      Abraço!

  • CorsarioViajante

    Muito legal a aventura, parabéns! Que bom que deu tudo certo. Eu e minha esposa sempre acalentamos sonhos parecidos mas, no frigir dos ovos, acabamos tendo problemas de tempo e logística, optando por avião e, quando necessário, carro alugado. Mas um dia ainda faço uma viagem dessas sem pressa.

    • Lucas CRF

      Valeu, Corsário! Realize sua viagem sim! Abraço

  • Bruno Rezende

    Ótimo texto, dá vontade de fazer igual.
    Tive o prazer de fazer duas vezes São Paulo–Buenos Aires, por caminhos diferentes. No ano que vem, o destino é o Chile.
    Combinei com o meu irmão e amigos, todos os anos, 10 dias apenas entre amigos, risos e asfalto. As mulheres e filhos compreenderam. Nós homens Temos a necessidade de voltar às origens e voltar a ser moleques, de quando em vez.

    • Lucas CRF

      Que bom que gostou do texto, Bruno. Pura verdade a última frase.

      Abraço

  • Leo-RJ

    Caro Lucas, que bela história, amigo!
    Abç!

  • Lucas CRF

    Fico feliz que tenha gostado, Leo!

    Abraço!

  • Bela história e aventura! Um dia ainda tento uma dessas com a patroa. 🙂

    • Lucas CRF

      Obrigado, Ronaldo! Se ela for de aventura, vá sim!

      Abraço!

  • André Castan

    Que show hein Lucas. Parabéns. Logo pretendo fazer uma dessa. Fiquei com uma dúvida. Você disse passaporte. Precisa de passaporte? Não basta o RG?
    Ahhh, e como eu gostaria de fazer com o meu Belga 95 também, mas acho que não vai dar coragem.

    • Lucas CRF

      Obrigado, André! A informação que tive em 2012 era que o Chile exigia passaporte. Não sei como está hoje. Argentina e Uruguai não exigem, segundo informações da época. Porém, nas aduanas sempre nos perguntaram pelo referido documento. Tavez fosse o caso de responder que só tínhamos o RG.

      Abraço

  • Gustavo

    Meus parabéns pela viagem, meu grande amigo! Espero pelos próximos relatos…

  • André Castan

    Legal Lucas. Vou dar uma pesquisada sobre isso. Valeu!

  • Lucas CRF

    Valeu, Gustavo!

    Grande abraço!

  • Leandro da Cruz

    Corajoso! Parabéns pela viagem

    • Lucas CRF

      Fico feliz que tenha gostado, Leandro!

      Abraço!

      Lucas CRF

  • Gerson Junior

    Bom dia, Lucas.

    Primeiramente, parabéns pela viagem. São relativamente poucos que encaram esse desafio, ainda mais quando se tem uma companhia que partilha das mesmas aventuras.
    Bom, sou louco por estrada, uma paixão herdada de meu pai. Sinto-me livre quando boto o o pé no acelerador. Infelizmente (moro em Florianópolis) encontro-me numa região onde os manezinhos odeiam viajar
    de carro, portanto é mais difícil encontrar uma pessoa que partilhe dessa vontade. (rs)
    A viagem que você realizou está nos meus sonhos desde 2011 e sempre esbarra nos quesitos mencionados por você: tempo, dinheiro, compromissos, ter um carro confiável.
    Meu pai é de Santa Vitória do Palmar/RS, ao lado do Chuí, e já percorri de carro até Buenos Aires, passando pelo Buquebus. A estrada da fronteira Brasil/Uruguai até Punta é realmente incrível.

    Portanto, o que lhe pergunto é o seguinte: foi fácil se hospedar em hotéis da região? Ou você já havia reservado esses hotéis?

    Um abraço a mais uma Vez Parabéns!

  • Lindemberg Silva

    Parabéns pelo passeio, pretendo ir a Ushuaia em agosto de 2016, gostaria de algumas informações.

    se possível gostaria de discutir via email. Lindembergpmr@gmail.com Obrigado

  • Viviane Moura

    Olá, quantos dias vocês levaram ao todo na viagem? Gostaria de fazer o trajeto e viagem Porto Alegre/Ushuaia em 10 dias, será que é viavel?