Todos sentados?

Se governo aceitar a próxima proposta dos usineiros, deveria ser processado pelo Ministério Público por falsidade ideológica

 

Ethanol_plant

Álcool goela abaixo dos brasileiros na marra

D. Dilma não brinca em serviço e cumpre o que promete. Cumpriu pelo menos o que prometeu para os usineiros no ano passado, durante sua campanha eleitoral. E tome 27% de álcool misturados à gasolina. Muda pouco para quem tem carro flex, projetado para queimar qualquer proporção de gasolina ou álcool. Mas pode mudar muito para quem tem carro a gasolina (importados ou nacionais fabricados antes de 2003, quando surgiu o flex) pois ainda não se tem certeza dos prováveis problemas que esta absurda quantidade de álcool, ou etanol, pode provocar nos automóveis. A rigor, o governo forçou o Congresso a aprovar este percentual antes mesmo de se verificar sua viabilidade técnica. Depois é que se realizaram os testes. O Centro de Pesquisas da Petrobrás verificou a dirigibilidade (motor pega no frio? Marcha-lenta não vacila? Motor sobe de rotação sem espirros?) e não constatou nenhum problema. Raposa tomando conta do galinheiro, pois a Petrobrás era superinteressada em aprovar o novo percentual. Primeiro, por reduzir importações de gasolina. Segundo, por reduzir custos de produção ao permitir que ela tenha sua qualidade (octanagem) reduzida, compensada pelo maior percentual de etanol.

Coube à associação dos fabricantes de automóveis (Anfavea) pesquisar os efeitos na durabilidade do veículo: mais álcool ainda na gasolina provocaria ferrugem no automóvel?

Como os usineiros (principais beneficiados e superestocados com etanol) pressionavam pelo novo percentual, as fábricas realizaram seus testes em apenas seis meses, rodando cerca de 100 mil km com cada automóvel. Engenheiros do setor, consultados, afirmaram que a possibilidade de corrosão exigiria testes de, no mínimo, doze meses. As afiliadas da Anfavea não registraram — como seria de se esperar — problemas de ferrugem nos carros testados. Mas concluiu que houve aumento de consumo (de até 2%) e de emissões. O que bate no bolso (e no pulmão) de todos os motoristas, não somente dos carros a gasolina, mas também nos que abastecem com ela seu carro flex.

Há quem diga que o governo federal deveria ser processado por falsidade ideológica ao permitir mistura maior que 25% do derivado da cana no do petróleo. Vende e cobra por gasolina mas entrega produto de menor valor energético. Ou então muda sua denominação para gasálcool e passa a vendê-lo opcionalmente com preço reduzido. Nos EUA, a adição de apenas 10% de etanol à gasolina mudou o nome de gasoline para gasohol. E a tentativa de aumentar o percentual para 15% gerou tantos protestos que o governo desistiu da idéia e enfiou a viola no saco…

Mas, estão todos devidamente sentados?

Então saibam que, não satisfeitos com o novo percentual de “somente” 27% de etanol, os usineiros já insinuam outra proposta, de elevar a mistura para 30%. Ou seja, com a tolerância de +/- 1%, a gasolina poderia conter até 31% de álcool. Nossos automóveis seriam então abastecidos com praticamente 1/3 do derivado da cana misturado ao do petróleo. O pleito está em stand-by até que se abaixe a poeira dos 27%.

Ninguém ignora que os usineiros foram, sem dúvida, os grandes prejudicados pela inconseqüente medida do governo federal de segurar artificialmente os preços da gasolina para conter a inflação. A Petrobrás agüentou (…) o prejuízo, mas as usinas não puderam aumentar o álcool. Várias quebraram e outras estão inadimplentes. Entretanto, jogar (mais) esta conta para o bolso do motorista vai além de uma eventual falsidade ideológica. É desaforo que justificaria uma ação do Ministério Público para conter mais esta agressão do governo contra o cidadão brasileiro.

BF

Foto: portuguese.alibaba.com
Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna veiculada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


  • Mr. Car

    Esta é só a última, a mais recente entre uma infinidade de razões para este (des)governo ser processado por falsidade ideológica. Tudo neste (des)governo ou é meia-verdade (e sempre omitindo da gente a metade ruim, que anula a parte boa que nos deixam saber), ou é mentira absoluta, mesmo. Amanhã, dia 12/04, todos às ruas outra vez!!!

    • Bob Sharp

      Mr. Car,
      A maior falsidade ideológica de todas é Dilma falar de “um novo governo”, de “tomar medidas para o ajuste fiscal”, como se ela tivesse recebido a faixa de presidencial só agora. É ser muito cara-de-pau.

      • Mr. Car

        Bob, toda vez que vejo as fuças desta infeliz na TV, tenho vontade de lhe mandar um tanque de Óleo de Peroba. Do tamanho daqueles que estão ardendo em Santos-SP.

      • Guilherme Spader

        É cantar que está tampando um furo, mas quem fez o furo foi ela! Quase todo ajuste fiscal não foi ajuste, foi aumento de impostos! como eu gostaria que se pudesse aumentar impostos só de quem votou nela, será que votariam no PT de novo?

      • Arruda
        • Mr. Car

          Vou ficar atento, Arruda. Minha impressão é de ter visto bem recentemente. Mas já é bom saber que não fui o único a achar este comercial uma provocação, uma zombaria com os cidadãos.

          • Arruda

            Realmente aquela propaganda foi um tapa na cara do cidadão brasileiro.

      • Thiago Teixeira

        Agora é pátria educadora!!!
        Mais !!!!

  • Alexandre – BH

    Sugestão: que tal empurrar o excedente de álcool goela abaixo daquele maldito molusco que começou o processo de destruição do Brasil? Ele é chegado na caninha! E ainda resolveria o problema dos usineiros.

  • E quem tem carro antigo mesmo, terá de pagar R$1,10 a mais o litro por uma gasolina premium, e ainda assim ter 25% de álcool? Porque não vão e oferecem dois tipos de gasolina “comum”, um com 18% de álcool e outro com 27/30/o que for?

    Seria bom se houvesse uma ação coletiva visando ressarcimento de danos causados a veículos não-flex por essa mistureba. Falta de respeito!

    • Vinicius

      Aqui no Rio, a Grid está 3,49 a 3,59 e a Podium 4,19 a 4,39.
      Enfim… Uma bela diferença ao final de um ano. Mas meu carro agradece.

  • gpalms

    Não caberia ao cidadão comum entrar na justiça para ter o combustível nas especificações corretas? Muitos brasileiros ainda possuem veículos exclusivamente a gasolina. Ou será que o Poder Judiciário, aparelhado, é apenas mais um dos braços do partido que tenta se confundir com o Estado?

    • RoadV8Runner

      Acredito que até dê para exigir esse tipo de coisa, mas vejo inúmeros problemas: 1) uma minoria aceitaria entrar com o processo; 2) encontrar um advogado REALMENTE interessado na ação; 3) ter paciência para enfrentar os infindáveis meandros da lei, que arrastariam o processo por anos a fio; 4) acreditar que os postos de combustível iriam vender MESMO essa gasolina ao longo do tempo; 5) encontrar quem aceitasse pagar mais (devido à baixa demanda) por esse combustível. Esses são os pontos principais, mas a lista é grande. Enquanto o povo desta terra torta não cobrar de verdade por mudanças, estamos perdidos. Tem que começar a mudar a mentalidade do brasileiro médio, coisa que considero impossível de eu ver…

  • ccn1410

    Só não entendo uma coisa… Por que agora com 27% de álcool meu carro ficou mais econômico que antes? Será que antes o dono do posto adicionava 30% ou mais?
    Mistério…

    • Thales Sobral

      Está pegando trânsito mais livre… rs

  • Rafael Ribeiro

    Por conta disso, desde o início de março, estou usando a Podium em meu carro a gasolina, pois é importado, com mais de 100.000 km e que pretendo usar por muito mais tempo ainda. Custa cerca de 15% a mais, mas pode evitar futuras despesas indesejáveis de manutenção (cara).

    • Vinicius

      Idem.

    • Eduardo Zanetti

      O Fusca só roda de Podium, e sofre em viagens. Tenho que andar com dois galões de 10L para batizar a mijolina ou STP Octane Booster. Não existe esse combustível nas estradas em número de postos suficiente para atender um deslocamento longo. O outro é mais novo, corta pros dois lados, não faz nada direito, mas queima até caninha 51.

  • Mr. Car

    Sou contra. Ele vai gostar. O maldito pudim de cachaça só nos deu desgostos, não vejo motivos para lhe dar este prazer.

  • Fabrizio Paes

    Isso tudo significa que estamos enchendo nosso território de cana de açúcar, e não de alimentos, muito menos orgânicos, muito mais úteis, para o Brasil e para o mundo. Sabiam que o brasileiro consome em média 5,2 kg de agrotóxicos por ano? E que tudo isso reflete em nossa saúde? É muito mais do que nossos carros, apenas.

    Mas, claro, a cana demanda menos trabalho, menos agrotóxicos, e produz mais e mais rápido, então tá tudo certo. Se conseguir virar 100% álcool a gasolina para sustentar os sucroalcooleiros, está certo. Afinal, se a Mercedes dele tiver algum problema, dinheiro pra comprar outra ele sempre terá.

    Desgoverno mostrando todo seu potencial… De ser o mais corrupto (leia-se comprado, campanha eleitoral paga por) dos últimos tempos.

  • francisco greche junior

    Gasolina travestida de alcool ou seria alcool travestido de gasolina. Bom também faz parte desse governo forçar e apoiar essas mudanças de gêneros, misturando tudo, dizendo que é tudo igual, que todos devem aceitar, que faz parte da vida moderna. Isso passa na tv o tempo todo. Acho que conseguir me fazer entende né… Lamentável.

  • petrafan

    Em documento histórico, Dilma comunica que seu governo acabou.

    Não lembro de ter lido uma publicação com este teor no Diário Oficial. O texto comprova que o PMDB efetivamente emparedou Dilma Rousseff e vai comandar o governo. Michel Temer recebeu um poder paralelo, da forma mais oficial possível. Se Dilma mudar de ideia, terá que EXONERAR o vice-presidente da República, o que caracterizaria uma crise política gravíssima. Agora Temer manda na Dilma. E Renan e Cunha mandam em Temer. Este governo acabou. Saiu hoje (1004/2015) no Diário Oficial.

  • Newton (ArkAngel)

    No caso da volta da inspeção veicular, como ficarão os carros mais antigos, no quesito emissões, que foram projetados para funcionar com a gasolina da época?

    • RoadV8Runner

      Os carros antigos? Ora, bolas, os carros antigos… Se esse bando de FDPs se preocupassem com os carros projetados para uso de gasolina com até 22% de álcool, nunca teriam permitido esses absurdos.
      E não precisa nem de inspeção veicular para aporrinhar. Meu Focus 2002 está reclamando aos borbotões dos 27% de álcool na gasolina. Quando quero sair rápido das execráveis lombadas, sou obrigado a engatar primeira marcha (!!!), caso contrário, o motor falha direto. Com o motor frio então… Sou obrigado a manter o motor sempre acima de 1500 rpm para ter retomadas sem falhas. Com a Podium, que manteve os (já nojentos) 25% de álcool, o desempenho é infinitamente superior em retomadas.

      • francisco greche junior

        Teu Focus é Zetec ou RoCam?

  • RoadV8Runner

    Mr. Car,
    Pois eu tenho é vontade de mandar um tanque cheio de outro produto, isso sim…

  • RoadV8Runner

    Sinceramente? Não acredito mais que esta terrinha torta tenha solução. Chegamos a um ponto onde o (des)governo faz o que quer, dá gargalhadas na cara do cidadão brasileiro. Duvido até que esses protestos estejam sendo levados a sério por eles, afinal o pessoal grita, briga, esperneia, mas no final, continua levando sua vida do mesmo jeito que sempre levou. Reclama, mas continua fazendo as mesmas coisas de sempre.

    E quem quer mudar alguma coisa de verdade acaba se estressando absurdamente, enquanto a plebe ignara segue o passeio. Brava, mas segue mesmo assim. E depois ainda fazem uma propaganda na televisão pelo conformismo! Achei um verdadeiro absurdo quando vi, mas para o brasileiro médio, faz todo o sentido. Desculpem o desabafo, mas não é de hoje que estou até às tampas com essa terra que chamam de Brasil. Aliás, da terra não, mas de uma parte do povo. Vergonha de ser brasileiro.

    • Eduardo Zanetti

      O grande ponto: quem realmente leva o caráter e bons hábitos a sério não fica no Brasil. Aqui se trabalha para trabalhar mais, paga-se impostos sobre impostos porque assim foi definido e ainda tem que conviver com criminalidade alta, falta de estrutura em saneamento e educação, serviços terceirizados de baixíssima qualidade, onde ninguém é responsável por nada e não há para quem reclamar.

  • RoadV8Runner

    Eu estou vivendo um drama de consciência tremendo: usar a Podium para evitar problemas de motor e, ao mesmo tempo, encher ainda mais os bolsos desse (des)governo FDP ou arcar com o possível prejuízo futuro, para então dar dinheiro do mesmo jeito a esse bando de vagabundos?

  • RoadV8Runner

    Eu já sugiro empurrar o excedente de álcool no molusco por outras vias… E quente, para fluir melhor.

    • Mr. Car

      Agora eu sou favorável, he, he!

  • Marco

    Talvez porque o maior aumento no percentual de álcool na gasolina tenha ocorrido na década de 1990.

    Usineiros sempre mandaram e desmandaram no governo, independente do presidente. Sempre obtiveram empréstimos por meio do BNDES – assim como muitas empresas – e simplesmente não pagam. O que ocorre? Nada…

  • Reginaldo Ferreira Campos

    12/04/2015 vai o dia de mandar Dilma, Lula, PT e todo o resto dessas abjetas criaturas darem o fora.

  • Ilbirs

    Esta semana abasteci meu monocombustível com o E27 que está no posto. Ainda havia 14 l (em um tanque de 50) com E25, o que significa que não tenho os 13,5 l de etanol que deveriam estar no tanque caso estivesse exclusivamente com essa mistura. Logo, por ora não posso dizer como ele vai reagir exclusivamente com E27, uma vez que no tanque está ainda 28% de E25. Por ora, o funcionamento está liso, mas vamos lembrar que por ora a quantidade de etanol está próxima aos 12,5 l que uma mistura E25 gera.
    Rodo pouco, o que significa que esse tanque vai durar em média uns dois meses, podendo de repente a mistura até retornar aos normais E20 a E25 que conhecemos nesse tempo. Se isso acontecer, não vai dar mesmo para ter uma ideia de como vai ficar a coisa em longo prazo comigo.

    Porém, aqui levanto o debate sobre aquela que considero que deveria ser a maneira mais apropriada de aproveitar o potencial energético da cana-de-açúcar para movimentar carros. Tivéssemos optado por butanol em vez de etanol, sequer este debate que fazemos aqui existiria, uma vez que tal tipo de álcool pode ser queimado puro por carros a gasolina sem modificação, bem como misturado à gasolina em maior porcentagem do que o etanol. Porém, o Brasil optou por etanol e estamos aqui discutindo isso.
    Porém, ainda há margem para que se adote o butanol no Brasil, principalmente do tipo celulósico, que pode ser feito de qualquer tipo de matéria vegetal. Seria questão de pesquisar esse combustível, inclusive pelo potencial que possui de evitar importação de petróleo. Segue videozinho de palestra do cara que atravessou os Estados Unidos em um Buick Park Avenue 1992 que queimou só butanol:

    E mais uma palestra sobre o tal álcool de quatro carbonos:

  • Aureo Teixeira

    E na hora que você vender seu carro a gasolina, provavelmente haverá uma desvalorização maior. Para piorar a situação, aqui na minha “magnífica cidade”, não é comercializada a gasolina Podium. Fim da picada!

  • marcus lahoz

    Este governo é uma vergonha. Dá náuseas ver as medidas tomadas por esta mulher.

  • Eduardo Zanetti

    Sr Boris, o grande engodo realmente é comprar um produto e receber outro. Para os gasolinômanos resta a conversão ao álcool. Tive que que aumentar a giclagem em um ponto na baixa e na alta, além de tirar as Weber e voltar as Solex fuçadas, para conseguir rodar na cidade normalmente. Na brincadeira perdi muito da diversão.
    Fica o maior problema aos que possuem carros injetados movidos à gasolina que, apesar de corrigirem a mistura, levam na contramão o consumo desmedido. Os esportivos ainda sofrem mais, agravando-se o caso para os que rodam esporadicamente: escapamentos oxidados antes do tempo, groslha na ponta dos bicos ou injetores e funcionamento mais áspero.
    Recentemente andei experimentando a mistura de 1/3 de avgás com o restante de Podium. Achei inviável pelo custo e trabalheira para comprar o combustível no aeroclube, no registro da aeronave de um amigo e ainda ter que fazer a mistura na garagem. Ficou muito bom, ponto de ignição pode ser atrasado mais um pouquinho e o rendimento cresceu mantendo o consumo.
    Essa noite ainda sonhei com meu avô e seus comentários sobre a gasolina com chumbo-tetraetila: filho, podia subir a serra das Araras de pé trancado que não batia pino. Aquilo era gasolina.
    Considerando as taxas de compressão da época e a capacidade antidetonante daquele combustível, imagino hoje uma gasolina livre de álcool e na casa das 90 octanas. Ainda bem que não taxaram os sonhos até o momento.
    No Brasil, hoje, a pior crise é a de caráter.

    Saudações,

    Z.

    • Lorenzo Frigerio

      Bater pino é coisa de gasolina adulterada. Não pense que naquela época não tinha. E o álcool não é necessário para elevar a octanagem. Existem componentes da gasolina atual que cuidam disso, e mais pode ser adicionado. Mas o álcool sai mais barato, né? Especialmente quando vendem a mistura com o nome de “gasolina”.

      • Eduardo Zanetti

        Lorenzo, não é só coisa de gasolina adulterada. Bater pino tem relação direta com o ponto de ignição, altitude e temperatura dentro da câmara. Subir uma serra de pé cravado com os motores daquela época, de válvulas de escapamento bem pequenas como era o costume, gerava acúmulo de calor neste ponto e era prato cheio para detonação. Hoje essas plastiporcarias gerenciadas eletronicamente só não andam por aí estalando graças aos duendes verdes. Tira um pouquinho de ponto aqui, injeta um pouquinho a mais de combustível ali e o negócio continua andando.

        • Lorenzo Frigerio

          Dirigi bastante naquela época (anos 80) e nunca vi carro batendo pino (exceto caso abaixo). Talvez nos anos 40 e 50 fosse comum.
          Alguns carros importados naturalmente batiam. Eu inclusive recalibrei o distribuidor do meu Oldsmobile (compressão 10,25:1) com um kit da Comp Cams ou Mr. Gasket, não lembro. Tem todo um processo, e fui várias vezes à Min. Rocha Azevedo para testar. Tive de usar as molas mais duras, e o avanço a vácuo também passou por recalibragem para avançar menos e mais lentamente.
          Quando era novo de carta, há muitos anos, viajei ao sul e notei que no Rio Grande do Sul o carro começou a grilar. Veja bem, era um 147 1977 com 7,2:1 de compressão. Notei que outros carros também faziam esse barulho. Só podia ser a gasolina deles que não prestava.

    • RoadV8Runner

      Pelo contrário, até meados dos anos 80 nossa gasolina sem álcool era de baixa octanagem, por isso as taxas de compressão dos motores era muito baixa, caso contrário, os carros batiam pino direto. Meu Opala 1980, por exemplo, tem apenas 7:1 de taxa. Gasolina de maior octanagem era a azul e, mesmo assim, tinha a mesma octanagem da gasolina comum de hoje.

      • Eduardo Zanetti

        Road Runner, devo, sempre, escrever em respeito ao bom português.
        Veja que as taxas eram baixas justamente pela gasolina de menor octanagem, gerenciamento de ponto inexistente etc e tal. Com a melhoria dos processos de fração do petróleo em temperaturas é possível obter melhores combustíveis que, somados aos aditivos existentes hoje em dia, me fazem pensar em um combustível sem álcool, na casa das 90 octanas e de preço público baixo.
        O Opala de 140 cv, com taxa 7:1, é um bom exemplo de que taxas conservadoras têm um lado benéfico além da durabilidade: poder atrasar o ponto de ignição sem dó, que o motor fica acordadão sempre.
        Em 1966 o 383 Chrysler saiu com 9,2:1 de taxa, chegando aos 10:1 na versão Four Barrel. Possibilitado por um melhor combustível, ganhava-se em melhor aproveitamento energético. Taxa serve para isso.
        A comum de hoje só tem a mesma octanagem da azul de antigamente por conta do álcool. É uma gasolina barata de fazer, como não era naquele tempo, em vista do que se tinha disponível em tecnologias.

        • RoadV8Runner

          Ah, ! Agora entendi o que você quis dizer da primeira vez. De fato, em termos de qualidade nua e crua, sou mais a gasolina azul antiga do que essa gororoba alcoolizada de hoje…

    • boris feldman

      Zanetti,
      De acordo com sua observação sobre a avgas:tem uma baita octanagem e nem uma gota de etanol. Mas, em desacordo com sua idéia de utilizá-la em automóveis modernos: o chumbo tetra-etila reage com os elementos químicos do catalisador e o “destrói”.

      • Eduardo Zanetti

        Usei a mistura 1/3 avgás e 2/3 gasolina no Fusca preparado. Em carro moderno não, na pior das hipóteses álcool puro neles. Um abraço

  • Newton (ArkAngel)

    Tenho atendido muitos problemas iguais ao seu nestas últimas semanas. O que tenho feito para resolver é o seguinte:

    -velas têm de estar impecáveis, e diminuo em cerca de 0,1 mm. a abertura dos eletrodos.
    -limpeza e equalização dos bicos com ultrassom.
    -troca do filtro de combustível, pois o álcool faz soltar resíduos que estavam impregnados nas linhas de combustível.
    -descarbonização química do coletor de admissão e TBI.

    Depois de tudo isso, zerar os parâmetros auto-adaptativos da injeção (com scanner)

    • RoadV8Runner

      Newton,
      Obrigado pelas dicas!
      Abraço.

  • RoadV8Runner

    É o Zetec 1,8-litro.

    • francisco greche junior

      Te perguntei porque tenho um Escort 1,8 16V e não tive problemas aparentes, porém meu motor esta com cerca de 11,2:1 de taxa de compressão. Mas a princípio notei que está consumindo um pouco mais.

  • Ilbirs

    Hoje dirigi um pouco mais. Ficou a impressão de que estou precisando reduzir um pouco mais as marchas do que reduziria com o normal de E20 a E25. Vale lembrar que, por causa dos 14 l de E25 que estavam no tanque quando da última abastecida, estou com aproximadamente 13 l de álcool anidro, que é apenas 0,5 l a mais que o normal de 12,5 l. Fosse um tanque integralmente de E27, seriam 13,5 l.
    De qualquer forma, essa medida apressada é de uma burrice suprema. Caso se adicionasse 2% de butanol à gasolina, não haveria a preocupação e a incerteza que donos de carros monocombustível a gasolina estão tendo agora. E, como já dito antes, butanol pode ser obtido das mesmas fontes do etanol e até mesmo misturado à gasolina em porcentagens bem maiores.

    • RoadV8Runner

      Mas a idéia de adicionar ainda mais álcool à gasolina é dar vazão aos estoques enormes do produto que os usineiros têm. O resto de vantagens que vem depois dessa medida é apenas um plus.

      • Ilbirs

        Apenas o que sugeri é que o álcool a ser usado fosse o butanol, de quatro carbonos e poder calorífico próximo ao da gasolina a ponto de poder ser usado 100% puro ou em maiores porcentagens que o etanol. Caso o álcool adicionado fosse butanol, não estaríamos com as preocupações que estamos tendo quando a coisa passou de E25 para E27.

  • Lorenzo Frigerio

    O álcool do Brasil é mais caro que o americano, portanto não serve para exportar. O governo criou uma demanda artificial no Brasil só para sustentar essa máfia. Por que não vão plantar alimentos… trabalhar um pouco?

    • RoadV8Runner

      Principalmente se lembrarmos que esses usineiros mafiosos sempre produziram álcool ou açúcar conforme fosse mais vantajoso para eles. Por isso que, no que depender de mim, esse álcool vai continuar sobrando ou vai sobrar ainda mais! Álcool puro, nunca mais… E por conta do aumento em torno de 16% no preço de nosso gasoálcool, enquanto o preço do petróleo cai, reduzi o uso do carro em protesto e passei a gastar cerca de 25% menos combustível por mês. Pois agora é que vou usar meu carro o mínimo possível.

  • Roberto

    Esta nova porcentagem de álcool na gasolina só faz aumentar a diferença que existe entre os demais países do Mercosul, onde até as placas dos veículos serão unificadas, mas não o padrão dos combustíveis. Vai entender…

  • Chico

    Não sou a favor deste novo percentual de álcool na gasolina, mas sinceramente não notei nenhuma diferença no funcionamento do meu carro .

    • Thiago Teixeira

      A diferença poderá aparecer a longo prazo.

  • Luis Carlos

    Para quem pensa que álcool é limpo em relação a gasolina, veja este teste de um motor flex.

    Em todos os poluentes a gasolina (aliás gasoól – 22% de álcool) só polui mais no CO2, isso porque o álcool polui 7,5% a menos que a gasolina.

    No teste tem três combustíveis:
    – etanol – 100%;
    – A85 – 85% etanol e 15% gasolina;
    – A22 – gasoól (22% etanol e 78% gasolina)

    Veja o artigo no link abaixo:

    http://www.proceedings.blucher.com.br/pdf/engineeringproceedings/simea2013/PAP51.pdf

    E com a atual alteração da gasolina para 27% de álcool os carros a gasolina também vão poluir mais, então cadê o Ministério Publico?

  • Ezequiel Favero Pires

    Por isso que no artigo anterior do Boris comentei que já está mais do que na hora de termos gasolina sem álcool ALÉM da com álcool. Se em 1996 houve por parte da Petrobras vontade de comercializar gas. pura para atender os carros importados (e derrubaram essa iniciativa no congresso), pedir isso hoje teria o mesmo desfecho. Então para “acalmar” os ânimos dessa gente gananciosa que forra os bolsos vendendo açúcar em dólar, haveríamos de ter no mínimo três “gasolinas”: E00, E10 ou E15 (para aqueles motores com uma taxa até 11:1) e E25 para os demais…

  • Boni

    No meu carro, que é flex, não senti diferença, ainda. Já na coitada da minha H-D, só com podium agora mesmo. O duro é viajar e ter de ficar vendo os postos da região a fim de evitar colocar esse gasálcool.

    Estou abastecendo com podium no valor de R$ 3,90/l… E pensar que ainda assim há 1/4 de álcool na minha gasolina “premium”.

  • Fernando

    Boris mandando ver!

    Sinceramente acho que tem uma porção grande do povo que gosta de apanhar. E se é assim, ainda haveria mercado para o “gasálcool”. Fizessem assim então: mantinham essa MISTURA à venda pelo preço atual, e passem a ofertar a gasolina pura ao preço que ela certamente custará, para quem a quiser, afinal ninguém será forçado a usá-la, e sim uma opção.

    Os reflexos disso: teria sim um valor muito alto essa gasolina pura. Mas já pagamos por isso, pela ineficiência dessa mistura que compramos, e então o valor seria de certa forma abatido, e quem tem um carro antigo ou importado não sofreria com os efeitos do álcool nessa mistura. Ainda poderíamos saber o consumo de nossos carros comparado com os de outros países, e o da gasolina também. O preço, já pagamos alto por algo que já não é o ideal…