Monza 1970

GP da Itália, Monza, 1970 (foto bbs.hupu.com)

Quem assiste a um filme ou vídeo de corridas de Fórmula 1 dos anos 1960/70/80 fica impressionado com o grau de competitividade, bem diferente do que se observa hoje. Tudo bem que automobilismo é evolução, os carro evoluíram, a pista ajuda no progresso de tecnologia automobilística, mas será que o caminho está certo? Na minha opinião, não. A high tech passou, ou está passando, do ponto.

E não por simplesmente passar do ponto sob uma ótica técnica, passou do ponto numa questão sempre e cada vez mais sensível: custo.

Teria sido realmente necessário partir para a hibridização atual para manter o interesse nessa fantástica categoria de esporte a motor?

Teria sido necessário aprimoramento aerodinâmico de tal ordem que deixaram os carros com cara de tudo menos de carro de corrida? Carros extremamente feios, deselegantes?

 

Veja os dois carros acima: qual  tem mais cara de carro?

Certo, a aerodinâmica hoje foca muito mais na downforce, a força vertical descendente, do que no efeito perverso do arrasto aerodinâmico, daí os “monstros” que se vêem hoje. Mas para que tanta downforce? Ah, aumenta a velocidade em curva, muitos responderão.  Mas, como ficam então os carros de F-Indy, que têm limitações de superfícies que geram sustentação negativa, com downforce bem menor mas que andam em velocidades nas retas inimagináveis num F-1 atual? Será que saem decolando a torto e a direito nas pistas de altíssima velocidade como Indianápolis e Michigan? Alguém viu? Eu, nunca.

 

Indyr reta

A 350 km/h, tudo junto e sem problemas (foto f1weekends.com)

E tampouco parecem ser lentos nas curvas verdadeiramente de alta, confere? Então para que tanta downforce, se o que importa mesmo é ver disputa, sendo a velocidade até certo ponto irrelevante?

Mais, com tanta produção de downforce a turbulência gerada atrás do carro é enorme, muitas vezes perturbando o ar pelo qual o carro de trás vai passar ou está passando. Já nos F-Indy estamos cansados de ver entrarem colados nas curvas de Indianápolis a 320~330 km/h.

E o que dizer da mirabolante invenção do DRS, drag reduction system, reduzir o efeito da asa traseira para ganhar velocidade na reta e poder ultrapassar o carro da frente “freado pelo ar” por estar com a asa traseira na posição de máxima downforce? Se alguém conhece algo mais artificial, por favor, diga.

E o narrador ainda diz “agora fulano já pode abrir a asa!”, como se fosse uma coisa espetacular. Isso para mim não é automobilismo, é show circense.

O leitor pode pensar que sou contra o desenvolvimento. Não sou.

O câmbio robotizado, por exemplo, prestou um enorme serviço ao automobilismo. Não pela facilidade de trocar marchas, mas por impedir reduções que levem a excesso de rotação, causa invariável de quebra de motor. Já conhecemos isso dos carros de rua, se a redução for resultar em troca excessiva, ela simplesmente é recusada.

Inversamente, nas trocas ascendentes, se, por exemplo, ao passar de terceira para quarta o piloto errar, reduzir para segunda, o câmbio também se recusa, uma vez que ocorreria igualmente  excesso de rotação.

Porém, acho que volante é para esterçar e por isso as trocas deveriam ser pela alavanca, para trás e para frente como em muitos carros hoje, como os Stock Cars. Por tradição acima de tudo. Outro dia assisti a um vídeo do Senna em Mônaco, a câmera mostrando ele cambiando a caixa manual, sensacional.

Tecnologicamente, poderia continuar a “briga” turbo x aspirado” extinta em 1989, isso dá colorido à corrida. Mas usar coeficiente diferente de 2 (1,2 litro superalimentado, 2,4 litros atmosférico), pois os turbocompressores evoluíram muito nos últimos anos. Talvez um coeficiente 2,3 deixasse as coisas iguais (1,04 L superalimentado, 2,4 litro atmosférico), mas isso caberia a consenso entre construtores.

Nos freios, nada de pastilhas e discos de carbono, que só encarece. Discos de ferro fundido ou aço com pastilhas “ecológicas” também desaceleram bem e o piloto precisa administrar bem a frenagem para não ocorrer fading. Se todos os carros assim forem equipados, qual o problema? Todos terão a mesma dificuldade.

Para que limitar, como hoje, o combustível a 100 kg por prova? Para dizer que “a F-1 está colaborando com o meio ambiente”? Hipocrisia pura. Podem fazer isso de outra maneira, estabelecendo um Índice Energético e dar pontos ao Construtor que tivesse o carro mais econômico da corrida.

E por falar em hipocrisia, acho que o leitor já sabe do que vou falar: propaganda de cigarro nos carros. A idéia que me faz sentido é a seguinte: quem não fuma não vai passar a fazê-lo só porque leu Marlboro no Ferrari. Basta manter a proibição de “testemunhos” do tipo “Faça como eu, depois de vencer quero o meu Marlboro”. A propaganda de cigarro nos carros serve apenas para quem fuma, convencê-lo a mudar de marca, tanto convencer alguém a passar de Ford para Chevrolet ou vice-versa.

 

Emerson Lotus c

Emerson Fittipaldi numa magnífica derrapagem de potência com seu Lotus 72D ostentando a marca de cigarros John Player Special (foto sutton.images)

E com isso a ajuda financeira da indústria do fumo voltaria a ser expressiva, tirando muitas equipes da penúria financeira em que se encontram.

Acho que F-1 tem jeito. É só pensar um pouco.

BS

 

 



Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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  • Guilherme Rocha David

    Concordo com tudo o que disse, Bob.
    Outra coisa que acho que deveria mudar é voltar a ter várias marcas de pneus, livre concorrencia e que os mesmos sejam fornecidos com a consistência que a equipe desejar. Isso aumentaria os custos, mas a propaganda e o nível de competitividade aumentaria (consequentemente maior audiência, mais patrocínios, mais dinheiro), compensando os gastos.

    • Bob Sharp

      Guilherme Rocha David
      Totalmente de acordo. Eu é que esqueci de mencionar isso. E está perto o dia de proibirem ostentar marca de companhia de petróleo por vender combustível fóssil….

      • Domingos

        Já tentariam isso numa corrida da Bélgica há uns anos atrás, via protesto do Greenpeace…

  • luiz

    Bob, parabéns pelo bom senso, apenas acrescento nos seus comentários, a renovação do público que não está havendo no automobilismo como um todo.

    • Bob Sharp

      luiz
      Obrigado. Todavia, acho que embora o público presente esteja diminuindo, o público telespectador aumenta graças à qualidade das transmissões e aos enormes televisores LCD. Mas não tenho números, vou procurar.

      • Marcos Alvarenga

        Infelizmente as gerações mais novas não se interessam por automobilismo. Miniatura virou coisa de adulto, brincar de carrinho perdeu espaço para os smartphones da vida.

        A verdade é que somos uma espécie em processo de extinção. Sempre haverá alguns, mas vai virar esporte de nicho. Como jogar sinuca, caça esportiva e outros entretenimentos. Pará a massa, carro vai ser só mais um eletrodoméstico. As corridas, então…

        Triste fim.

        • Marcelo Alonso

          Caça esportiva é assassinato, não esporte. Se é esporte, que tal caçar esportivamente mulheres, crianças, e depois pendurar suas cabeças na parede?

        • Victor De Lyra

          Não mesmo colega. As miniaturas podem ter sumido assim como bonecos e outros brinquedos físicos, mas no mundo virtual a oferta por jogos eletrônicos e simuladores cresceu mais que nunca. Agora você “pode” pilotar seu carrinho dos sonhos nas curvas de Spa ou nas ruas de Mônaco. Pode acertar cambagem e regular o aerofólio. O autoentusiasmo está se adaptando aos novos meios.

  • Mr. Car

    Não sei se estou falando besteira, mas não concordo com o sistema de pontuação. Acho que deveria ser de apenas 1 ponto a diferença entre as colocações. Assim, por exemplo, o vencedor levaria 10 pontos, o segundo colocado 9, o terceiro 8, etc, até 1 ponto para o décimo lugar.

    • Lucas dos Santos

      Mas aí as primeiras colocações deixariam de ser atrativas e os pilotos não iriam mais se esforçar para vencer uma prova.

      Iriam se ater mais à regularidade e fariam apenas o necessário para manter a vantagem para seus principais concorrentes na tabela de pontos.

      Inclusive, na época em que a pontuação ia somente até a oitava posição (10, 8, 6, 4, 3, 2, 1), reclamava-se muito que a distribuição de pontos premiava mais a regularidade e fazia com que os pilotos não se arriscassem para tentar vencer uma prova, o que resultava em “corridas-procissão”. Muitos defendiam a volta do sistema antigo (10, 6, 4, 3, 2, 1), o que foi resolvido com o sistema atual (25, 18, 15, 12, 10, 8, 6, 4, 2, 1).

      • Mr. Car

        Não acho, Lucas. Imagine se um Senna, um Piquet, um Schumacher, um Prost, enfim, eles ou qualquer outro grande e vaidoso piloto, iria abrir mão de vencer. Iam querer as duas coisas: o campeonato, e as vitórias, a glória do primeiro lugar, o recorde de vitórias como parte de sua história. Vejo mais como desestímulo aos outros, que se esforçaram tanto quanto, não chegaram na frente muitas vezes por detalhes que não tiveram culpa (um retardatário que os atrapalhou, por exemplo, ou um erro da equipe nos boxes), e são premiados com tão menos pontos que o vencedor.

        • Lucas dos Santos

          Certamente que não abririam mão de vencer. Mas esse sistema de pontuação premiaria a regularidade e isso daria margens para algum piloto conquistar o título sem nunca ter vencido uma única corrida sequer na temporada – algo que esteve muito perto de acontecer na temporada 2013 da GP2.

          Ou seja, um piloto, mesmo com várias vitórias na temporada, poderia perder o título para um que nunca pisou no degrau mais alto do pódio. Dessa forma, para quem corresse pensando no campeonato, acabaria não valendo a pena se arriscar por uma vitória, mas sim “administrar” a corrida e poupar o carro para ir até o final a fim de conquistar pontos importantes.

          É por essa razão que muitos defendem a volta dos “descartes”. Se o piloto se arriscasse para conseguir uma vitória e não tivesse êxito, não seria prejudicado, pois poderia “descartar” esse mau resultado da pontuação final.

          • Mr. Car

            Não vejo nada de errado em se conquistar o título sem vitória, he, he!

        • Sor

          Certamente que iam, dependendo de suas características. Senna eShumy realemtne corriam sempre para vencer as corridas, mas Piquet e Prost corriam pelo campeonato, não por cada corrida.

    • André

      Era o que eu estava pensando quando comecei a acompanhar a temporada passada.antigamente,a diferença de pontos entre o primeiro e o segundo colocado era de 3 pontos (9 para o vencedor, 6 para o segundo) o que deixava tudo mais competitivo.Acho que a idéia de um sistema de pontuação como você sugeriu não seria ruim, mas se voltasse pro sistema antigo já seria muito bom

  • Luiz_AG

    Os carros deveriam usar peças de prateleira. Deveria ser proibido peças para motores e freios produzidos especificamente para a competição. Isso reduziria custo e faria lucro enorme para os fabricantes. Já pensou comprar a pastilha de F1 na prateleira para o track day?
    Carros híbridos já existe Le Mans para isso. A NASCAR usa carburadores e ninguém reclama disso. E o mundo não vai ser destruído se 30 carros andarem por 2 horas em uma pista fechada. Querem ser ecologicamente corretos arrumem forma de transportar pessoas usando o mínimo de energia possível.

    • Aldo Jr.

      Concordo em gênero, número e grau. Inclusive com os motores derivados de blocos utilizados em rua, e combustível de melhor octanagem disponível no mercado. Isso tecnicamente, porém, tenho certeza de que nunca irá ocorrer. Não sei se falo tremenda bobagem, e se o faço me desculpem, mas acredito que competições desse nível de valores são uma das únicas formas de se contabilizar dinheiro não contabilizado, numa economia super vigiada quanto a do primeiro mundo. Quanto custam as peças? Quanto custa o desenvolvimento? Só o fabricante tem a resposta exata, mas declara quanto quer! Lembro que algum tempo atrás tentaram limitar os gastos da categoria, ideia que me pareceu razoável e que seria aceita sem discussão mas, surpresa, houve até quem tenha ameaçado abandonar a categoria! Não parece suspeito?Abraços a todos;

      • $2354837

        Exato, ponto importante. A F-1 sempre foi uma grande lavanderia para dinheiro ilícito. Veja a história da equipe Onix, que fechou graças a denúncia de lavagem de dinheiro.
        Sobre o bloco do motor a BMW foi campeã com a Brabham exatamente usando um bloco de carro de carros de ferro velho no BT-52.

    • Domingos

      Só que isso parece legal na fantasia, mas é chato na realidade. Carros de rua possuem completamente outra exigência que um carro de competição, sendo que com alguma coisa deveria haver um compromisso.

      Ou seja, ou as peças dos carros de rua iam ser muito caras e inúteis ao uso em rua ou os carros não iam ter competitividade na pista.

      Isso se aplica para o rali e olhe lá…

    • Viajante das orbitais

      Essa seria uma ótima forma de lutar contra o downsizing dos motores.

    • Lucas dos Santos

      Mas aí a Fórmula 1 deixaria de ser o “laboratório do automobilismo” – papel esse que, na minha opinião, está cada vez mais nas mãos da WEC.

      O papel da Fórmula 1 é ser a “categoria máxima” do automobilismo e desenvolver coisas inovadoras, que ainda não existem nos carros de rua. O problema é que tudo isso tem um custo (alto), que a categoria não está conseguindo bancar!

  • Luiz_AG

    Só como curiosidade o Copersucar usava caixa de direção de Chevette.

  • Mineirim

    Também não concordo com as exigências técnica da Fórmula 1 atual. Ficou sem graça. Sempre vi esse esporte como uma competição de técnica e perícia dos pilotos, além de laboratório para soluções mecânicas.
    Os motores híbridos, por exemplo, dificilmente serão usados em larga escala nos carros de rua. No médio prazo, mais fácil prevalecerem os elétricos.

  • Lucas

    Concordo. Evoluiu demais e passou do ponto. Está pior que no passado.

  • totiy

    Bernie Eclestone nao gosta de corridas,gosta de mulheres com pernas grandes e muito dinheiro,por isso a F1 esta acabando. . .

  • Fernando

    E o quanto ao público? Se perdeu ou não os que gostavam do modo antigo do automobilismo? Eu perdi o interesse por essa categoria, e um dos motivos é o modo comercial de como está, igualmente atraindo um público que se interesse por algo visual mas com pouco da essência, que para esse público não seria sentida mesmo.

    A sugestão dos freios mesmo, é algo que certamente no primeiro acidente grave que ocorresse, seria apontado como causa. Não concordo com isso, mas sei como a ânsia por achar culpados está ultimamente, faz parte da onda do politicamente correto.

    Como não fumante digo que essa influência das propagandas nunca me incentivaram nem um pouco. Assim, a não ser algo apelativo como os testemunhos encenados que também tem em diversos outros produtos, não vejo problema.

    Agora o câmbio com alavanca, é realmente algo que eu gostaria de ver…

  • WSR

    Bob, como sempre, com um texto irretocável. Sinto falta, também, de um carro com bitolas e pneus traseiros mais largos, como os dos anos 80. Costumo comentar com alguns amigos sobre o aerofólio traseiro muito estreito e o dianteiro largo, desde quando foram adotados, parecendo algo desproporcional, mas eles rebatem e dizem que sou viúvo de uma época que já passou, de quando ainda passava a marcha na alavanca. Penso que ou eu sou mesmo um viúvo ou eles é que são conformistas demais com o que está sendo oferecido. Sinceramente, está tudo muito chato, isso sim. Enfim, tenha um bom fim de semana, Bob! 🙂

  • Guilherme Jun

    É como bolo com adoçante. O bolo já é por si só uma bomba de carboidratos pela farinha.

    Se querem correr, que corram para valer. Muita politicagem impossibilita coisas como comparar remotamente um F-1 e um Indy no mesmo circuito.

  • Leister Carneiro

    Bob a impressão que me passa assim como em todas as empresas que trabalho é que o dirigentes não sabem o que querem. Na F-1 acho que um motor turbo sem ser hibrido seria suficiente para disputa mas deveria ser livre não obrigatório ser V-6
    Apesar de achar a Stock meio marqueteira a disputa na Corrida do Milhão foi muito legal, carros lado a lado, uma disputa mais pura. A F-1 passa a imagem de uma coisa irreal
    Acho também que eles se apegam tanto a aerodinâmica porque todas as equipes construíram um e tem que dar motivo para usar
    Andei lendo que nesta mudança estão gastando mais do que o dobro de antes, fica difícil entender a lógica deles parece que é palco para aparecer quem gasta mais
    Sua sugestão do freio achei muito boa, vejo que os freios de carbono melhoram conforme a temperatura, no meu ponto de vista valoriza o piloto pé de chumbo
    Grande abraço e parabéns pelo post.

  • Lucas dos Santos

    Bob,

    O problema, ao meu ver, não está na evolução tecnológica, mas sim no regulamento técnico “engessado” que a Fórmula 1 possui hoje.

    Ao ditar, nos mínimos detalhes, como um carro de Fórmula 1 deve ser, o regulamento limita a criatividade dos engenheiros, o que resulta em carros muito parecidos. Aí, para que uma equipe se destaque, ela precisa “puxar pelos detalhes” para ver o que pode ser melhorado e isso tem um custo alto, limitando as equipes que possuem um orçamento mais apertado e, por fim, resultando em corridas “mais do mesmo”.

    Quanto à evolução aerodinâmica, a F-Indy, a partir de 2015, também aderiu ao mundo das “asas, asinhas, asonas, aletas, aletinhas e aletonas” e é questão de tempo para os carros perderem a “cara de carro”.

    http://senna.wheels.morethanafan.net/wp-content/uploads/2015/03/2015-honda-indycar-road-course-aero-kit-dhl-livery-front-view.jpg

    Quanto à asa móvel, acho uma invenção fantástica. O problema está no uso que fizeram dela. Esse negócio de somente o piloto que estiver atrás poder usá-la e tão artificial quanto os atalhos que Mr. Bernie quis criar nos circuitos para “facilitar” as ultrapassagens.

    Quanto às trocas na alavanca, até mesmo a Indy e a Stock Car Brasil já deixaram de usar. Boa parte das categorias de turismo também já abandonou a alavanca de mudanças. Acho que somente o WRC é que ainda resiste a essa mudança – tanto que, na categoria principal, somente o piloto Robert Kubica tem permissão para utilizar as borboletas devido aos problemas motores em seu braço direito.

    Dizem que o combustível é limitado para “estimular o desenvolvimento de carros cada vez mais econômicos”, mas sabemos bem onde isso termina: os carros continuam gastando o mesmo de sempre e a “economia” é feita “no pé direito do piloto”! Aliás, creio que qualquer medida que vise economia de combustível resultará nisso.

    Agora, se a evolução tecnológica atrapalha, tem uma “involução” que atrapalha ainda mais: os pneus com durabilidade propositalmente limitada! Só porque em um certo GP do Canadá, a escolha de pneus errados para a prova pegou a todos de surpresa e produziu uma corrida movimentada e interessante, não quer dizer que a utilização propositada de pneus inadequados produza o mesmo efeito nas outras provas! A partir da metade das provas, a pista fica horrivelmente repleta de fragmentos de pneus! Nem provas de Endurance deixam a pista daquele jeito! As equipes deveriam ter à sua disposição diferentes tipos de pneus. Inclusive pneus que durassem uma prova toda (como os de 2005), para quem quiser arriscar fazer uma corrida sem paradas!

    Quanto ao fim das publicidades tabagistas, isso mexeu demais com as equipes! Muito dinheiro deixou de entrar ali por conta do fim desse tipo de patrocinador. Para se ter uma noção do impacto da perda de um patrocinador desse porte, basta ver como ficaram a McLaren em 2006, a Renault e a Honda em 2007 e a Ferrari em 2009! Algumas não se recuperaram até hoje, outras fecharam as portas!

    • Curió

      Se a Fórmula 1 não virar autorama em 20 anos, já estamos no lucro.

    • Bob Sharp

      Lucas,
      “Engessamento” em termos, pois há que haver uma “fórmula” de carros de corrida — F-1, F-2., F-3, F-Ford etc. Esse foi o espírito da F-1 quando foi criada em 1950. Inclusive, havia boa dose de criatividade a ser explorada, como os motores poderem ser de 750 cm³ superalimentado ou 2.500 cm³ aspirado (todo mundo usou aspirado). Suspensão, por exemplo, não há limite para idéias novas.
      Asa móvel não é novidade. Tanto é assim que a FIA proibiu superfícies aerodinâmicas móveis quando o pessoal começou a mexer com asa ainda nos anos !960. Chegaram ao exagero de proibira Renault de usar o amortecedor de massa de Citroën 2 CV no bico do RE25 em 2005 alegando “mudança na aerodinâmica” com o carro em movimento. Aí, de repente, a asa de características de fluxo móveis vira a “solução”. Os caras estão completamente sem rumo.
      Essa da F-Indy eu não sabia, o vírus da maluquice atravessou o Atlântico, uma pena realmente. Aliás, esse vírus tem feito estrago na terra de Tio Sam, vide o que fez o idiota do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, 40 km/h na cidade toda para o caso de atropelamento o coitadinho ter mais chance. Imbecil completo.
      E o estrago continuou com a adoção de borboletas de troca de marcha nos IndyCars, ridículo, bem como a papagaiada aerodinâmica na foto que você mandou. Esses caras estão matando o automobilismo, só pode ser sarcasmo. O pior é que foi invenção da…Honda! Coitado do Soichiro — ou felizardo, de ter sido poupado de ver essas aberrações.

      • Leandro1978

        Sobre os apêndices aerodinâmicos da Indy, parece que há riscos ao público, uma fã foi seriamente ferida quando um pedaço da fibra de carbono atingiu a sua cabeça durante a etapa de abertura da temporada em São Petesburgo.

        Fonte: http://www.autosport.com/news/report.php/id/118319

  • Arno moura cavalcanti

    Sem falar que o excesso de giro deixou o carro parecido com enxame de abelha. Até 1,0 com descarga meia-boca ronca melhor

  • Fred

    O DRS parece coisa de Dick vigarista, o piloto cola no carro daí mexe numa parte que dá um plus só pra ultrapassar! E pior, proibindo o que está defendendo posição também poder fazer isso… Quando são com dois pilotos da mesma equipe então, com carros teoricamente iguais – como foi entre as Williams na última prova – fica até feio.

  • Marco de Yparraguirre

    Resumindo tudo: A categoria ficou chata,deveria ser mais simples como no passado,e há muito oba oba. Quanto ao público, anos 50/60/70/80/90 o público era classe A e B hoje os heróis são outros para a nova classe que surgiu.Simples assim.

  • Fred

    A F1 é cativante justamente por acompanharmos os grandes pilotos e suas competências: do ‘feeling’ para acertar o carro; da eficiência pra uma volta que ultrapasse limites, bata recordes; da segurança ao guiar, intercalada por momentos de ousadia em que se ultrapassa e se conquista resultados, ‘no braço’. A partir do momento em que a tecnologia iguala os pilotos na facilidade ou impede a alguns demonstrar talento, é porque evoluiu demais mesmo…

    • Thales Sobral

      Ah, existem talentos e talentos… Já foi questionado se o Schumacher seria “O Schumacher” lá nos anos 80, em que existia uma preocupação muito grande em poupar a máquina, ao passo que o Schummy tinha como talento andar em ritmo de classificação por muito tempo.

  • Curió

    Creio que os freios devem ser projetados para evitar ao máximo o “fading” – não por discordar que ele seria uma dificuldade igual para todos, mas porque é difícil precisar tão bem quanto se exige numa corrida de tão alta velocidade o uso do pedal para que se evite isso. Ao menos, como leigo, parece-me assim. E perder os freios a 300 km/h só não é morte certa por muito pouco. Mas interessante mesmo não seria o câmbio manual, Bob? Cambiar é uma grande parte do modo como se dirige, e acho que seria um diferencial melhor correspondente à Fórmula 1 e também mais emocionante. Quebrando motores, mas ainda assim… De resto, eu concordo plenamente com o artigo. Eu, que tenho achado a categoria cada vez mais sem graça, só não digo que assino embaixo porque minha assinatura não vale nada. Uma pena que é bem possível que os nossos apelos não tenham serventia. A maioria dos espectadores, aparentemente, não concorda conosco, pois as mudanças no sentido que criticamos seguem acontecendo.

  • Viajante das orbitais

    Deixar a F1 a categoria mais legal do automobilismo é fácil:

    – 2 corridas por evento, não mais que 30 voltas em cada.
    – Gasolina e pneu a fole, LENHA o tempo todo !!
    – Motores aspirados de volta e mais potência.
    – Menos downforce
    – Peso mínimo maior

    • Domingos

      Gasolina eu colocaria um limite maior, suficiente para fazer um motor econômico mas para também correr bem ao menos 80% do tempo.

      Pneu eu deixava livre mesmo. Se quiser comer um jogo atrás do outro e isso funciona, que seja. Coloca um limite de tipo “mínimo de 10 voltas” só para não surgir algum exagero como um pneu que seja 10 segundos mais rápido, mas dure 2 voltas apenas, que está ótimo.

  • Marcelo R.

    Para mim, a forma como devem ser utilizadas as asas móveis, e a limitação de velocidade nos boxes tiraram boa parte da graça das corridas. Fora tudo o que já comentaram aqui…

  • CharlesAle

    Evoluiu tanto que ficou desinteressante!!!

  • Milton

    Texto irretocável, Bob, parabéns. Eu parei de acompanhar a F1 porque não há disputas como antigamente, hoje o piloto cede a posição não há disputa.

  • Thiago Teixeira

    Gosto de Ford e Chevrolets rsrsrs
    Acho que a F1 é um show car high tech. Como tecnologia, interessantíssimo. Competitividade zero.
    Por isso adoro a Nascar. O último pode ser o primeiro.

  • Heberth de Souza

    Olá Bob, ótimo post! Também sinto falta das disputas tanto pelas corridas quanto pelo título da temporada. Permita-me apenas discordar sobre a utilização das borboletas no volante, penso que é uma evolução que ajuda a máquina e não atrapalha a disputa. Quanto a asa móvel, concordo com você: é absurdamente ridículo que um piloto disponha de um recurso totalmente artificial para ultrapassar um oponente. Este momento é o “gol” das provas de automobilismo e deve advir da competência e talento do piloto que sabe poupar a máquina e ter arrojo e ousadia no momento certo para realizar a manobra, claro que o circuito não pode ser como os labirintos modernos atuais que, no geral, dificultam as ultrapassagens. Infelizmente a F1 virou um mero negócio, alcançando “mercados” mais interessantes comercialmente que, entretanto, não possuem tradição na formação de pilotos em categorias automobilísticas competitivas, contudo paga bem pelo “espetáculo” do circo da F1.

  • Luiz Dranger

    Bob, belo texto. Concordo 1000% com tudo. Abração

  • Enorio Luiz Simon

    E como foi colocada no cabeçalho a foto de Monza 1970,
    lembro que o mesmo GP em 1971, teve a mais estreita diferença entre os que
    chegaram a frente. Entre o primeiro e o quarto colocado, míseros 19/100 de
    segundo. Deve ter sido uma das corridas mais eletrizantes da história.

    • Lucas dos Santos

      Sem dúvidas, deve ter sido uma corrida incrível!

      Aqui tem um vídeo das voltas finais daquele GP:

  • J Paulo

    Não só na F-1. Nos esportes olímpicos é a mesma coisa. Piscinas ultramodernas onde o fundo delas se mexe pra minimizar a agitação da água, super maiôs, super bicicletas, super capacetes, super suplementos…quando a evolução no esporte se distancia muito da realidade, a coisa fica chata.

  • Bob Sharp

    Heberth de Souza
    As borboletas não atrapalham a disputa, concordo, mas não vejo em que elas ajudem a máquina. Só que a troca de marchas pela alavanca exige mais do piloto, e isso é interessante do ponto de vista esportivo, fora que não é absolutamente nada estranho à condução de um automóvel, pelo contrário.

    • Sandro

      Olha, salvo engano meu, até a Stock adotou as borboletas e isso gerou um “bafáfá” no início da temporada passada, quase voltaram à alavanca. Agora… assisto à F1 pela TV há mais de trinta anos e realmente nunca foi tão sem graça, por estar tão pouco competitiva. E neste ano nem corrida na Alemanha vai ter… só falta acabar com Spa e Monza.

      • Domingos

        Se acabar Spa eu vou assistir Copa Uno mas não assisto F1.

  • Bob Sharp

    Marcelo R.
    Bem-lembrado. A entrada nos boxes em velocidade reduzida é simplesmente patética.

  • Daniel S. de Araujo

    Brilhante seu texto! Brilhante mesmo!!!!

    Hoje em dia, tudo muito padronizado, e isso sem falar na hipocrisia da proibição de propaganda de cigarro (de bebida alcólica pode, né?!) e dessa história de “Formula 1 em sintonia com o meio ambiente” e de quebra tendo que usar gasolina com biocombustivel junto (pasmem!) em quantidades limitadas!

    Concordo quando diz que a F-1 devia se atentar mais as tradições do que aos modernismos. Devia liberar a velha briga turbo x aspiração natural, numero de cilindros livres (lembro de um tempo que tinha os motores Ford V8, os V10 e a Ferrari usava V12, todos para o mesmo deslocamento volumétrico), pilotos mais pilotos e não operadores de máquinas nem “radialistas” reféns da telemetria.

    Não tenho o menor interesse em ver F-1 hoje. Sou honesto. Assisti e vibrei demais na época de Senna, Piquet, Mansell e Prost (e fora o Patrese!). Hoje nem perco meu tempo com ela.

  • Bob Sharp

    Curió
    Quando o Jaguar C venceu a 24 Horas Le Mans de 1953, com grande parte da vitória ter sido creditada aos freios a disco, usados pela primeira vez numa corrida, teve que enfrentar e domar o problema de fading, o mesmo ocorrendo nas décadas à frente em todo tipo de corrida. Portanto, não ter fading é questão de desempenho, não de segurança. Saiba que até 1975 só se usavam discos e pastilhas convencionais na F-1 e nem por isso havia problema de freios. Já quebrar motor por excesso de rotação, além de representar despesa alta, geralmente provoca lançamento de óleo na pista, o que deve ser evitado em nome da segurança.

  • Lucas dos Santos

    Uma coisa que deveria voltar o quanto antes na Fórmula 1 são as asas dianteiras mais estreitas, como as utilizadas até 2008.

    As utilizadas a partir de 2009, por serem da largura do carro, ficam muito expostas e se quebram muito facilmente com qualquer toque, além de ficarem em uma posição fácil de furar o pneu do oponente. Aí, às vezes o piloto está fazendo uma corrida espetacular e é arruinado por uma asa quebrada ou um pneu furado, gerando um verdadeiro “anticlímax”.

    Aliás, acho que nunca se trocou tanta asa quebrada e pneu furado na Fórmula 1 como de 2009 em diante.

    • Domingos

      Além de terem ficado feias para burro junto com as asas traseira “menina magrela”. As largas e baixas usadas até 2008 eram lindas.

    • Thales Sobral

      O argumento a favor das asas “patrola” de hoje em dia era pra poder ter mais aproximação do carro da frente nas curvas. Não rolou, e só serviu pra deixar os carros mais feios.
      Os carros do fim dos 90/começo dos 2000 eram mais simples aerodinamicamente, e pra mim mais bonitos.

      • Lucas dos Santos

        Ah, sim. Por um momento, havia me esquecido dos problemas de aproximação.

        Lembro-me de que uma das propostas para se tentar resolver isso foi acrescentar pequenas asas após as rodas traseiras, parecidas com aquelas carenagens que os carros da Indy utilizam na parte de trás.

  • marcus lahoz

    Bob concordo com o texto. Boas corridas vem de carros muito potentes, pouco freio, pouca estabilidade e pouca tecnologia.

    Minha sugestão para a F1 seria:

    Menos donwforce.
    Motores livres, em forma construtiva, limitem a potencia e o torque.
    Fim do KERS e do DRS
    Pneus mais largos.
    Reabastecimento.
    Fim do limite de combustível.

    Corridas dividias em duas etapas de 45 minutos.

    Grid invertido na segunda.
    Fim da bandeira azul.
    Ponto para quem liderar, pole, volta mais rápida e mais voltas na lideranças.

    Fim das fabricantes, volta dos garagistas.

    • Bob Sharp

      marcus lanhoz
      Concordo com quase tudo, porém grid invertido na segunda bateria é artificialismo, é punir o os melhores em vez de premiá-los; a bandeira azul, ao contrário do que se pensa, não é para o carro da frente dar passagem, mas para quem está tomando uma volta não atrapalhar os ponteiros; com um regulamento técnico sem os exageros de hoje os garagistas têm chance contra as fabricantes, veja o exemplo do Jack Brabham, que fez seu carro e utilizou bloco do motor de carro de rua, o do Oldsmobile F-85. O carro deu o campeonato Jack Brabham em 1966 e a Denny Hulme em 1967.

      • marcus lahoz

        Bob já imaginou se fosse obrigatório o bloco do motor ser como de um carro de rua. Pelo menos 500 unidades.

  • Anderson SP®

    Complicado, o Bernie Ecclestone precisa ser melhor assessorado e ouvir melhor o seu público e ex-pilotos para tornar a F1 mais atraente, ele pensa tanto no financeiro que está esquecendo o que está sendo posto aos espectadores, nem só por este lado tecnológico que querendo ou não ajuda pela evolução, mas nem tanto por causa de regras ridículas impostas por ele, mas também o triste é ver circuitos como da Alemanha sendo excluídos da etapa por causa que não cederam aos seus caprichos financeiros, lamentável, ano que vem pode ser SPA e Monza ficarem fora da temporada, em prol destes circuitos novos chatos que parecem um Autorama, a F1 vai ter que rever muito dos seus conceitos no geral para poder seguir nas novas gerações, porque atualmente quem não gosta, fazer gostar vendo estas corridas de hoje é dose.

  • RoadV8Runner

    Concordo que há mesmo um exagero no emprego de tecnologia na F1 atual. De fato, de que adianta ter carros ultra rápidos em curvas se as disputas por posição são mínimas? E o que dizer então da hegemonia de uma única equipe que vem acontecendo nos últimos anos? Saudade dos tempos em que os carros entravam colados nas curvas de alta, justamente aproveitando ao máximo do vácuo do carro à frente, para no momento certo dar o bote e ganhar a posição.
    Essa foto do Emerson Fittipaldi a bordo do Lotus 72D é clássica! Lembro-me de ter lido uma entrevista em que ele dizia entrar a mais de 200 km/h na parabólica do circuito de Monza e o carro escorregando nas quatro rodas. Segundo palavras do próprio piloto, Era uma delícia!

    • Cadu

      Essa hegemonia não é nova. Vira e mexe uma equipe se sobressai com uma tecnologia inovadora. Foi assim com a McLaren, com a Williams, Ferrari, Red Bull e agora a Mercedes
      Mas parece que a situação vai piorar com essa distribuição de lucros abismal!

  • Cristiano Reis

    Eu queria mesmo era ver uma corrida com os carros originais de fábrica! Seria interessante ver quem se sairia melhor entre Corolla, Civic, Focus, Fluence, ou Ka, up!, HB20, Picanto… Acho que deveriam fazer algo assim pelo menos uma vez na vida.

    • Domingos

      Na Índia existe a Copa Etios e no Brasil havia a Copa Clio, que durou por muitos anos e era muito legal. Infelizmente não há interesse nem dos organizadores e nem dos canais de TV em fazer uma mínima divulgação dessas categorias.

      Na TV a cabo acho que vi umas 2 vezes em toda minha vida alguma coisa de categorias menores e no Esporte Interativo durante a madrugada passa as categorias de turismo em resumo.

      Não tem como seguir em frente assim. Nos anos 70 e 80 ao menos as fabricantes pagavam pela publicidade, aí dava certo.

  • Domingos

    Nossa Bob, acho que leu minha mente com esse post. Também acredito que, como tudo o que acaba sendo bem entendido por quem gosta do assunto, naturalmente se converge a um bom equilíbrio e a um bom consenso.

    A questão do downforce contra o arrasto é algo que, por baixo do regulamento, a FIA e as equipes discutem há anos. E, ultimamente, seria a MELHOR forma de promover economia de combustível ao se focar na resistência baixa e não na alta quantidade de força descendente.

    O problema é que a fórmula aerodinâmica voltada ao downforce é viciante às equipes, pois permite um carro em que todo o resto seja secundário. Isso reduz custo às grandes equipes, que não precisam se esforçar tanto numa suspensão ou num freio – basta acertar na aerodinâmica.

    Para as equipes menores é uma chance de ter algum sucesso mesmo com poucos recursos e fazendo um carro ruim. Suspensão e motor pode ser meia-boca, por exemplo, que se conseguir um carro que cole no chão pelo ar o negócio vira tempo e consegue patrocínio…

    Por isso ninguém mexe. Focar na resistência faria com que voltasse a ter a graça do desenvolvimento e da parte mecânica dos carros, além de economizar em combustível enormemente – pense em reduzir pela metade o arrasto enorme de um F1 que tenta grudar no solo o tempo todo…

    Limita-se a velocidade final por questões de segurança e economia e pronto. Está aí uma fórmula legal, mais conectada ao público e ao entusiasta e muito mais econômica em combustível.

    Só que aí não dá pra ter equipinha de aventureiro querendo chamar atenção, porque vai ter que ter gente que sabe fazer um carro da cabeça aos pés – e não só um cara bom de aerodinâmica e um túnel de vento.

    O problema é que a fórmula atual desde o começo dos anos 2000 saturou e virou isso, essa procissão de gente que nem deveria estar ali mas dá dinheiro, e acabou sendo aceita eternamente justamente por dar dinheiro.

    Até 2005/2006 era legal porque ao menos os carros eram bólidos com cara de carro. Eram bonitos mesmo.

    Depois começou os exageros e a FIA sentou em cima obrigando certas proporções ridículas em nome da redução do downforce máximo por segurança.

    Essa única medida mudaria tudo mesmo. E detalhes como obrigar a mudança por alavanca e os freios de metal dariam mesmo um charme interessante à categoria, meio que combinando o último em tecnologia mas ainda exigindo uma pilotagem mais completa – em que ao menos o piloto saiba e tenha que fazer mudanças com a mão fora do volante, como num carro normal, e saiba/tenha que fazer frenagens longas e bem planejadas.

    Mas sem ficarem como os carros da Indy dos últimos anos, por favor. Aquilo é uma aberração enorme, é feio mesmo aquelas caixas de roda.

  • Domingos

    Baniram o feedback da equipe pela telemetria. Na minha opinião, já que a parafernália toda está lá, ao menos que tenha a emoção do trabalho de time.

    Era legal ouvir as dicas de ser mais ou menos rápido em curva tal e de como atacar o piloto da frente. Ficava menos monótono também.

  • gpalms

    Concordo com a maioria dos argumentos… Porém sempre há o contraponto. Como impedir a F1, topo do automobilismo, de buscar as maiores inovações tecnológicas? É muito difícil essa equação… Concordo também que o rumo da evolução não deveria ser a ecochatice, e sim o desempenho.
    Outro detalhe, o DRS é uma aberração, digamos assim, saudável. Sem ela veríamos mais chatice, uma fila de carros sem chance de ultrapassagem (devido a dificuldade de sair de uma curva colado – necessidade de ar para gerar downforce e turbulência do carro da frente).

    • Bob Sharp

      gpalms
      Isso de inovação tecnológica na F-1 não é bem assim. Onde estão o controle de estabilidade e tração, e o ABS, que já viraram carne de vaca nos carros de rua? São proibidos na F-1. Já o DRS é um aritificialismo deplorável, a correção de uma situação — turbulência — criada pela própria evolução de downforce exagerada. É inadmissível que um F-1 atual possa andar no teto de um túnel tamanha é a “upforce” no caso. E o arrasto aerodinâmico devido às soluções para criar tanta downforce é tão forte que só de levantar o pé do acelerador a desaceleração é de 0,8 G, a mesma de um carro de rua em frenagem de emergência.

      • Cristiano Reis

        Eita!

  • Ricardo

    Hegemonia de única equipe acontecia nos anos 80 também, com Prost X Senna. Uma das questões que Bob não falou é que brasileiro não gosta e nunca gostou de F-1. Gostava é de torcer por pilotos brasileiros.

    • Bob Sharp

      Ricardo
      Concordo plenamente. Tanto que uma das frases mais comuns depois de morte de Ayrton Senna era “Depois que o Senna morreu não assisto mais F-1”.

    • Domingos

      Brasileiro nunca gostou de automobilismo ou qualquer esporte que não fosse o futebol, em especial pelo futebol ser o único esporte onde o efeito “subi de vida” é visível.

      O brasileiro tem uma verdadeira obsessão em se ver representado no tal “nasci pobre e fiquei rico” nos esportes, levando mais a sério isso do que o esporte em si. Tanto que os times geralmente refletem grupos sociais e não cidades ou apreciadores em suas torcidas.

      Ou seja, brasileiro na verdade não gosta de esporte e nem vê graça em nada que não dê para fazer música ostentação em cima.

    • RoadV8Runner

      Também, com essa dupla e o McLaren MP 4/4, era pura covardia! Faturaram 15 das 16 provas de 1988. Concordo que brasileiro não gosta de F1, mas sim de torcer pelo piloto de casa. Tanto é que os pseudo-entendidos adoram denegrir as qualidades do Barrichello e do Massa.

    • Cadu

      Pura verdade! E os “conhecedores” vomitam abobrinhas como: piadas sobre o Rubens, “tecnologia que pilota”….

  • Bob Sharp

    Cristiano Reis
    Seria ótimo e é perfeitamente viável, carros reunidos em classes de cilindrada. Isto está devidamente previsto no Anexo J ao Código Desportivo Internacional da FIA. O pior é que já tivemos isso no Brasil nos anos 1960/70/80, com total sucesso.

  • Bob Sharp

    Lucas dos Santos
    Depois de ver essas imagens, é ou não de se perguntar: para quê tanta força vertical descendente?

  • braulio

    Acho que não é tanto a evolução, mas o regulamento que tem engessado a F-1. Concordo em exigir bons resultados em crash-tests e manter os carros em um patamar de desempenho semelhante. Mas por que não dar as exigências e deixar as equipes livres para buscar os resultados da forma que melhor quiserem?
    Poderíamos ter uma variedade monstruosa de motores, número de cilindros e formas de alimentação se a limitação fosse a potência máxima. Cada motor teria vantagens e desvantagens, e combinados com um câmbio de ajuste mais livre (ou também limitar apenas que duas rodas devem tracionar o carro de cada vez e ver no que os engenheiros pensam…), fariam com que fosse praticamente impossível que a mesma equipe dominasse todas as corridas. A possibilidade de mexer nesses carros também precisaria ser revista: Atualmente, ou o carro nasce perfeito, ou morre manco. Não é possível sanar problemas no meio do caminho, e isso significa que já na primeira corrida sabe-se quem será o campeão ao final da temporada, quem brigará pelo pelotão intermediário e quem está de Renault. Ainda que alguns carros sejam de fato melhor projetados que outros, essa situação não pode continuar. Que tipo de esporte não busca o aperfeiçoamento contínuo?

  • REAL POWER

    Na minha opinião o que esta matando as corridas é mesmo o uso demasiado de downforce e eletrônica. Tudo para fazer o carro ser o mais rápido possível nas curvas. E isso é que mata o fator humano. Pois é nas curvas que um bom piloto é mais rápido, que faz a diferença, por freia mais dentro, acelerar antes. A melhor coisa em uma corrida e ver os carros em traçados diferentes buscando ser mais rápido. Outra questão é a velocidade. Ela em si não é responsável pela emoção da corrida. Pode se ter uma corrida extremamente emocionante para pilotos e público mesmo com velocidades abaixo dos 200 km/h ou menos. A emoção vem de disputas nas freadas, entrar lado a lado nas curvas, ver um carro melhor de curva ser ultrapassado nas retas e retomar a posição novamente nas curvas, e isso repetir até a última volta. Fazendo sempre o melhor piloto dessa disputa sair vencedor.

  • É…
    Tenho muitas saudades das décadas de 70,80 e 90… Não só pelos pilotos, mas sobretudo por o carro não fazer nada sozinho, era tudo o piloto que
    comandava…

  • Ivan Rocha

    Virou uma chatice. Aquele tempo que eu colocava o despertador para tocar e para eu ver uma corrida acabou faz tempo. Esse lance de pode abrir asa, pode isso, pode aquilo, é uma chatice e uma grande bobagem. Queria ver carro sendo carro e piloto sendo piloto. A Indy é uma imitação barata de F1. Preferindo ver corrida na terra.

  • Luiz_AG

    Não via nada de chato no motor BMW M-12 do Brabham BT-52 que utilizava bloco de motor de rua. Inclusive rendendo 1400 cv em versão de treino e levando Piquet ao seu bicampeonato mundial. A indy usou bloco de rua por muito tempo, o GT-40 também.
    Já ouviu falar em economia de escala?

    • Domingos

      Era lenda isso. A BMW já falou sobre isso, inclusive desmentindo que o motor tinha “1500 cavalos”.

      Bloco de motor nenhum, nenhum, NENHUM de rua com seus 200 cv originais ia agüentar mais de 1.000 cv durante uma corrida.

      Isso é enganação. Economia de escala dá para pensar numa categoria de turismo. Só.

  • Lucas dos Santos

    Foi em 2013, um protesto do Greenpeace contra a Shell – patrocinador da prova.

    Não lembro bem dos detalhes, mas parece que era porque a Shell tinha começado a extrair petróleo do Pólo Norte.

    • Domingos

      Foi isso mesmo! Bem lembrado!

  • Lucas dos Santos

    Eu também não.

    Mas é como dito anteriormente: sendo possível conquistar um título sem vitória, alguns pilotos – “orientados” pelas suas respectivas equipes – prefeririam ficar na “zona de conforto” do que se arriscar por uma vitória. Isso, por sua vez, tornaria as corridas mais monótonas, em que ninguém passaria ninguém.

    Não é à toa que o Sr. Bernie tinha proposto acabar com o sistema de pontuação e adotar o sistema de “medalhas”, em que ganharia o título o piloto que vencesse mais!

    Por outro lado, há quem defenda que todos os pilotos que conseguissem terminar a prova deveriam pontuar, como acontece na IndyCar Series e outras categorias.

  • Lucas dos Santos

    Sim. Dentre as equipes que ameaçaram deixar a categoria estava a Ferrari. Bernie Ecclestone afirmara que sem a Ferrari a Fórmula 1 jamais seria a mesma e “mexeu os pauzinhos” para derrubar a idéia do teto orçamentário.

    Acho essa submissão de “Mr. B.” à equipe dos carros vermelhos extremamente prejudicial. Isso possibilita que a equipe “mande e desmande” na categoria. Se algo não estiver bom, do jeito que ela quer, basta usar as “palavrinhas mágicas” e ameaçar abandonar a categoria!

  • Lucas dos Santos

    Excesso? Mas, nos novos motores os giros caíram consideravelmente.

    O que gerava aquele som belíssimo dos motores dos F-1 era justamente o alto regime de giros, que já chegou muito próximo das 20 mil rpm na época dos V-10!

    Se os V-6 pudessem girar mais, o som certamente seria muito melhor!

    • Thales Sobral

      Próximo não, passou dos 20 mil rpm. Os motores BMW chegaram a beliscar os 22 mil.

      • Domingos

        E como cantavam bonito!

    • Domingos

      Exatamente. E todo aquele barulho era algo especial da F-1 e que tinha todo um charme, toda uma confirmação que aquele era o ápice de um carro.

      Os V-6 de baixa rotação que parecem um aspirador bem feito, daqueles mais caros…

    • Bob Sharp

      Arno moura cavalcanti
      Hoje o limite é 15.000 rpm, era 18.000 nos V-8 2,4-litros de aspiração atmosférica até 2013.

  • Lucas dos Santos

    Em 2006 já se falou em acabar com Monza por conta do circuito ser considerado “perigoso”! As reclamações só cessaram após reformas no circuito.

    Quanto à Spa, Bernie já ventilou a possibilidade de substituí-lo por um desses circuitos “modernos” da atualidade. Basta surgir alguém disposto a pagar bem e o “chefão” da F1 tira Spa do calendário sem pestanejar!

  • R.

    Muito bem colocado esse seu comentário…

  • Lauro Agrizzi

    A Formula 1 escolheu um caminho equivocado para a evolução que acabou com a competitividade, ao contrário da Indy.Não sei o que é pior as corridas ou a narração das corridas pela GROBO. O cara é o maior piloto do mundo e depois vira o pior do mundo? Tudo pela mídia nada pela competição. Piloto hoje não responde nem por 5%. Carro manda 95%.

    • Domingos

      De boa, a F-1 pode estar chata, mas o piloto anda mandando mais que nunca. Veja a diferença entre um Vettel e um Räikkönen, apesar que este ainda está entrando no lugar esse ano.

    • Cadu

      Típico comentário senso-comum, sem conhecimento. Olha a diferença entre pilotos de mesma equipe. Ou mesmo piloto de equipe inferior superando equipes superiores…

  • Paulo César_PCB

    Todas invenções de “gênios”. Todos muito diplomados, Mba’s, Phd’s, etc., mas ninguém apaixonado ou com o espírito das corridas. Excesso de marketing, do ruim, não daquele que facilita a “chegada” de novos torcedores e que mantém os antigos.

    Acredito que o melhor exemplo de manter a tradição e modernizar na dose certa é a Nascar, é só conferir a estatística de tudo nos últimos 40 anos.

    Quem gosta de automobilismo acompanha hoje a F1 porque, no Brasil, não há categoria internacional que tenha a mesma amplitude. A Indy chegou perto, rachou, voltou mas não com a mesma força e a emissora que transmite não sabe fazer com o mínimo de estratégia e interesse, apenas para ter no “portfolio” da Emissora.

  • Roberto Alvarenga

    Outro problema é a quantidade de pistas sem graça que inundou a F1 nos últimos anos… Abu Dhabi, Bahrein, China, Coréia do Sul, Cingapura… onde estão Imola, Estoril, Paul Ricard? E acabaram com a velha Hockenhein…

    • Lucas dos Santos

      Sei que foram perguntas retóricas, mas…

      Imola saiu do calendário no fim de 2006 por conta das condições precárias em que a pista – e, especialmente os boxes – se encontrava na época. Foi também quando surgiu aquela “restrição” quanto a não haver dois GPs no mesmo país na mesma temporada – saiu Imola, ficou Monza. O circuito hoje está reformado, com novos boxes, mas sem previsão para retorno à F1.

      http://www.racingcircuits.info/assets/components/phpthumbof/cache/Imola%2009.9bc9a004cc457692f565d27e5fe876e480.png

      Estoril saiu do calendário por não atender as várias reivindicações para melhorias nas instalações. Em 1997, o evento foi cancelado e em 1998 apareceu provisoriamente no calendário, mas não se concretizou. Somente em 2000 o circuito foi reformado, tendo várias partes do traçado redesenhadas por Hermann Tilke. Tal reforma mudou totalmente o desenho das primeiras curvas e da Parabólica a fim de aumentar as áreas de escape e diminuir a velocidade, o que tirou um pouco a graça do circuito. O circuito, porém, ainda não possui homologação da FIA para receber provas de F1.

      http://www.racingcircuits.info/assets/components/phpthumbof/cache/Estoril00.9bc9a004cc457692f565d27e5fe876e468.png

      Paul Ricard perdeu espaço para Magny Cours na F1 e para Le Mans na Moto GP. Mudou de dono em 1999 e se tornou uma pista exclusiva para testes. Passou por várias reformas, ganhando áreas de escape semelhantes à de Abu Dhabi. Somente em 2006 obteve novamente a homologação da FIA para corridas, mas as corridas em si só foram reintroduzidas depois de 2009. Conversas de bastidores falam de negociações para Paul Ricard voltar à Formula 1 em um futuro próximo, no lugar de Spa.

      http://www.racingcircuits.info/assets/components/phpthumbof/cache/Paul-Ricard3C-10.9bc9a004cc457692f565d27e5fe876e4153.png

      Um circuito antigo que voltará ao calendário em 2015 é o Hermanos Rodríguez, GP do México. O traçado, como era de se esperar, foi reformado e não possui mais a curva Peraltada por questões de segurança. Isso, porém, já era esperado e nem surpreende. O problema foi aquela sessão com os esses (Horquilla), que o Sr. Tilke transformou em um série de retas e hairpins. Uma grande perda!

      http://www.racingcircuits.info/assets/components/phpthumbof/cache/Mexico-City15p.9bc9a004cc457692f565d27e5fe876e4232.png

      • Roberto Alvarenga

        Até as pistas mais legais foram mutiladas… acho que só sobraram Monza, Interlagos, Mônaco, Canadá, Spa e Suzuka. Austin também é boa. O resto…

        • Lucas dos Santos

          Se analisarmos mais a fundo, sob um ponto de vista bem “purista”, o cenário é ainda pior:

          Em Monza trocaram as rapidíssimas variantes esquerda-direita-esquerda-direita do início da volta por aquelas duas verdadeiras “esquinas” que atendem pelo nome de “Variante del Retifilo”. E, ano passado, botaram uma área de escape de asfalto na Parabólica, de modo que fazê-la no limite deixou de ser um desafio.

          Em Mônaco “abriram” as curvas Saint Devote, Nouvele Chicane e o Complexo da Piscina a fim de melhorar a visibilidade, mas isso deixou as curvas menos intimidadoras.

          Em Spa modificaram totalmente a região da “Bus Stop chicane” transformando-a em uma curva “comum”.

          Em Suzuka mexeram na 130R após o acidente do Allan McNish e também alteraram a chicane no final. Ao menos eu preferia como era antes.

          Só sobrou Interlagos e Montreal, que ainda resistem sem mudanças no traçado. Tanto uma como a outra só tiveram uma única mudança realmente significativa com o passar dos anos.

          Dos circuitos novos, também gosto de Austin. O traçado ficou muito bem acertado. Também gosto de Sepang. O circuito de Moscou, pelo que vi em alguns vídeos e em simuladores parece ter ficado bom também.

        • Fat Jack

          Roberto, estes são os traçados antigo e novo de Interlagos…

          • Roberto Alvarenga

            Ainda assim, o que sobrou é melhor que a média das pistas da F-1 atual…

      • leoayala

        Ímola, para mim, não faz falta alguma. Até em outras categorias produzia corridas extremamente chatas. É aquela história do traçado mal desenhado. Já Hermanos Rodriguez, concordo em tirar os esses, mas a Peraltada tinha que continuar, pela atratividade e principalmente pela tradição! E ainda vai colocar uma sucessão de grampos de baixa para aumentar o tempo de volta… Sinceramente, não sei para onde foi o bom senso da F-1.

  • Antonio Filho

    Já viram a DTM como exemplo ? Nada de tantas frescuras, as marcas fazem o melhor do melhor e lembrem que estamos falando de marcas topo de linha de tecnologia ! E a competitividade violentamente linda de se ver.

  • Bob Sharp

    Domingos
    Sem duvidar do que você disse, quando ao BMW resolveu fazer o motor de F-1 para a Brabham, estimou que o bloco de ferro fundido 2-L do 2002 aguëntaria o que previam de potência. E de fato agüentou, não sei se 1400 cv, mas 1.200 cv era certo para uma ou duas voltas na classificação. Para corrida baixavam a potência para no máximo 800 cv, justamente para que durasse as 2 horas/300 km de corrida. E, realmente, “caçaram” esses motores do 2002 pelo mundo, pois já na fabricavam esse bloco e não fundiriam blocos novos, uma vez que quanto mais velho o bloco de ferro fundido, melhor. No Brasil, a Vemag fez o mesmo quando resolveu aumentar a cilindrada dos motores de corrida de 981 para 1.089 cm³, procurava motores bem “idosos” e rodados de táxis.

    • Domingos

      Bob, me parece que o Piquet mesmo declarou que não passava muito dos 1000 cavalos e ainda existe uma certa imprecisão na medição usada na época.

      1400 e 1500 cavalos não alcançaram mesmo.

      E, em corrida, usavam outra configuração realmente. Mas isso era comum em todos os turbos da época.

      Agora, me parece aí um caso em que projetaram o motor de rua já pensando no uso esportivo, o que com certeza levou a fazer um bloco mais reforçado e pesado/caro do que o que poderiam ter feito para uso apenas em rua.

      O que leva os blocos de ferro a serem melhores com o tempo?

  • Cadu

    Minha visão é de que a F-1 SEMPRE foi focada em tecnologia de ponta! Diferentemente da Indy, que não tem fábricas gerenciando equipes e que as regras as equalizam. A F-1 sempre foi laboratório de tecnologia e os carros sempre abrigaram o que havia de mais moderno para a época. E não é diferente agora! Com a diferença que essa evolução parece não ter fim e estamos cada vez mais avançados. A questão é que sempre surgem “problemas” com tanta tecnologia. Foi assim com o turbo, foi assim com o ABS, foi assim com o control de tração. E não seria diferente com a aerodinâmica e com os geradores elétricos.

    O que me contraria é tanta mudança de regulamento sem sentido. Que eu me lembre agora: redução gradual de deslocamento de motores; pneus com sulcos para redução de velocidade (!); limite de consumo — numa categoria que os carros produzem mais de 800 cv e correm em círculos, me parece um contras-senso; pontuação diferente na última corrida; DRS;

    Todo ano há uma picuinha aqui e ali. Claro que é para manter o interesse financeiro dos patrocinadores e dos fãs, mas parece que o tiro está saindo pela culatra.

    Eu sou totalmente a favor da tecnologia e acho bem contraditório recuar no uso de materiais nobres como carbono para freios de aço, por exemplo. São situações que expões os pilotos a maior risco, num esporte que pode matar seu praticante.
    Limitar o desenvolvimento e criatividade técnica é acabar com o que diferencia a F-1 de outras categorias monoposto.

    O que deve haver, penso eu, e que é o maior problema atualmente, que está minguando o grid e MATANDO a F-1 é a divisão de lucros e receitas, que geram uma disparidade ENORME entre as equipes tracionais, de fábrica e as menores.

    PS (off): Não me desce essa história de que piloto não conduz o carro e que só ganha quem tem bom carro. A primeira idéia é absurda e basta acompanhar um pouco que você nota que não é assim. Dizer que o computador guia o carro é desconhecer o esporte!
    E sobre o melhor equipamento: isso é fundamental pra vitória desde a invenção das competições auomonbilística. Todos os grandes pilotos tinham poderosos carros como regra. Com raras exceções!

    • André Castan

      Fala sério, você acha que esses carros de 2014 pra cá proporcionam alguma emoção para o público? Só se for para quem não é apaixonado por carros. Nada como um motor berrando forte e fazendo arrepiar os cabelos. Quer tecnologia de ponta, a F-E tá aí pra isso.

      • Domingos

        A FIA tem alguma mania de querer ter sempre uma única categoria com destaque. Aí começam a aproximar a categoria que está “saindo de moda” ou a que é menos interessante da que ela quer promover, fazendo uma salada de frutas que mata uma das categorias.

        A aproximação da F-1 à uma proposta ecológica quase tão grande quanto a da F-E é o mesmo processo que deve acabar com a F-1 como foi feito com o WRC quando este começou a tirar audiência da Fórmula 1.

  • pkorn

    Me identifico mesmo com o Autoentusiastas, como nesse caso, meu pensamento é bem parecido com o do texto e muito bem representado pelos colegas nos comentários…. estou em casa!

  • BRA993

    Sou contra propaganda de cigarros (e também de bebidas)… Com ou sem hipocrisia, é mau exemplo e ponto final…

    • Newton ( ArkAngel )

      Essa coisa de proibir isso e aquilo é a maior prova de que subestimam nossa inteligência. Cresci em meio a todo tipo de propaganda, e nem por isso virei fumante ou alcoólatra. Viciados em qualquer coisa sempre existiram mesmo antes dos comerciais. Permitir esse tipo de patrulhamento é assinar atestado de burrice.

      • BRA993

        Deixe de ser puxa-saco e tenha um pouco de bom senso. Nunca disse que deveria ser proibido. Cada um faz o que quer. Pode ter produção, pode ter comercialização. Não pode ter propaganda. Não pode ter incentivo já que é mais do que sabido, pelo menos pelas pessoas que não são ignorantes, dos malefícios do tabaco. Inclusive infarto. Simples assim.

    • leoayala

      Ainda bem que o consumo de outras drogas ilícitas é bem baixo por este motivo, o de não ter propaganda em meios de comunicação…

  • marcus lahoz

    Bacana, não sabia a situação era essa.

  • Dieki

    Você gosta da Stock Car brasileira? A DTM (e a maioria absoluta das categorias de turismo) segue a mesma receita. A diferença é que na DTM os motores não são iguais e as bolhas são realmente diferentes entre si.

    • leoayala

      A Stock Car, por si só é muito tosca, no sentido literal da palavra, e não pejorativo. Os carros são muito defasados tecnologicamente. Deve ser por isto mesmo que as disputas são tão intensas…
      O problema mesmo da Stock é a total subserviência às vontades da RGT. Aquela corrida de duplas até é uma boa ideia, mas por os caras “ìmportados” para correrem só 15 minutos para não atrapanhar o início do “Esquenta”…

  • Dieki

    Cara, não vejo sinceramente ganho algum em simplificar as curvas clássicas em prol de aumento de área de escape. Não faz, simplesmente, diferença alguma. Bastaria colocar um material mais absorvente nas paredes (como aqueles barris com água). A modificação na curva do Café em Interlagos só piorou o traçado…

  • Fat Jack

    Bob, concordo com você em vários do seus comentários a respeito da F-1, inclusive sobre a “ecoterapia” que se impôs à categoria, eu acho que uma questão muito importante é a “comercialização” da categoria. Hoje não se elege autódromos para sediar a categoria por serem mais interessantes, por poderem proporcionar melhor espetáculo (entenda-se corridas mais competitivas) ou outro item benéfico ao esporte, simplesmente leiloa-se, na prática é o que tenho visto ultimamente, autódromos que mesmo com a “asa móvel” formam filas de competidores amarrados uns aos outros, enquanto isso autódromos interessantíssimos ficam de fora por não pagarem o absurdo que os dirigentes da famigerada F-1 exigem – para benefício próprio é bom que se diga, estes digníssimos senhores conseguiram até a magia de excluírem a Alemanha do calendário, lamentável!

  • Bob Sharp

    BRA993
    Não tem nada de ponto final e tampouco de mau exemplo, de onde que você tirou isso? As indústrias do fumo e de bebidas são perfeitamente legais e como tal têm todo direito de anunciar. Isso que você defende se chama patrulhamento, o que é totalmente condenável por cercar a liberdade do industrial. Se alguém acha que fumar e ingerir bebida alcoólica prejudica, que se proíba a fabricação e comercialização desses produtos.

    • Fat Jack

      Bob, isso é que eu acho interessante, proíbe-se daqui, restringe-se dali, não pode isso, muito menos aquilo, mas das gigantescas cargas de impostos que tanto o cigarro quanto as bebidas geram NINGUÉM abre mão… hipócrita, não?
      Ainda em tempo, alguém por acaso se tornou fã do ABBA só porque o grupo anunciava na F1?

    • BRA993

      Bob Sharp
      Vamos aproveitar e incentivar as crianças a brincarem com armas de brinquedo (quer coisa mais legal que brincar de matar o amiguinho ?) enquanto “fumam” cigarros de chocolate. Afinal, ambos os produtos são perfeitamente legais.
      Tem ponto final, sim, cidadão.

      • Newton ( ArkAngel )

        Que coisa mais idiota…
        Há algum tempo atrás uma psicóloga queria mudar a letra da música “Atirei o pau no gato”, afirmando que isso incentivaria a violência. Pois bem, milhões de crianças cresceram cantando essa música, INCLUSIVE A TAL PSICÓLOGA, e não viraram assassinas de gatos. Ela mesma pode servir de exemplo que contraria sua própria teoria.
        Nos dias de hoje vejo que existe uma infantilização da sociedade, o tal do “politicamente correto” julga todos como débeis mentais e incapazes de pensarem por si mesmos. E tem gente que ainda compra essas idéias. Não percebem que toda essa baboseira é mais um método de manipulação, é mais fácil manipular pessoas previsíveis.

        • Lucas dos Santos

          Já ouvi uma mãe cantando a “versão limpa” de “Atirei o pau no gato” para uma criança. Simplesmente deprimente!

        • leoayala

          E os caras que querem censurar as obras de Monteiro Lobato por suposta inclinação rascista por causa da Dona Benta do Sítio do Pica-Pau Amarelo? Quer idiotice maior do que esta? Isso é coisa para maquiar a falta de atividades das autoridades. E tenho a certeza absoluta que eles nunca leram um livro sequer deste autor…

      • Domingos

        Ainda bem que eu comprei minhas arminhas de brinquedo antes dessa proibição boçal, que é a mesma das pessoas que acham que se deve liberalizar maconha – algo que com certeza vai ser usado por menores e, ao contrário de uma arminha de brinquedo, terá más conseqüências imediatas ao seu usuário.

        Até hoje não matei ninguém e, inclusive, é mais fácil vender e comprar drogas no Brasil que comprar uma arminha de brinquedo ou uma arma de verdade para ter como defesa em casa.

        Inversão de valores nota 1000.

      • leoayala

        Aqui no Brasil não tem propaganda de arma, nem de maconha, nem de cocaína… Estamos no paraíso?
        O caso é que este tipo de proibição é usado como uma espécie de placebo para curar um câncer. Faz-se isto para se mascarar a ineficácia dos governos em inibir o consumo de drogas. Já que eles são tão contra o cigarro, por que não proibir de vez a venda? Ah, e daí virar uma outra maconha, sem controle de vendas e principalmente, sem pagar impostos, isso eles não querem!
        P.S.: Eu comi bastante cigarros de chocolate Pan quando era pequeno, aquele do menino negro e ouro branco na capa vermelha. Achava aquilo o máximo, e não virei fumante por causa disso. O exemplo e a educação que os meus pais deram foi o que me deixou livre de qualquer encrenca na vida adulta.

  • Bob Sharp

    marcus lahoz
    Seria uma boa idéia, mas 500 unidades é pouco, deveria ser 2.500 dentro de um ano.

  • Bob Sharp

    Domingos
    É algo relativo à acomodação molecular do ferro fundido, de modo que quanto mais velho, melhor.

    • Domingos

      O pessoal de arrancada também costuma preferir os blocos mais antigos, algumas vezes pensando ingenuamente que esses eram mais reforçados que os dos mesmos motores em fabricação mais recente.

      Mas era esse efeito mesmo. Não sabia o que o causava… Obrigado!

  • André Castan

    Excelente análise Bob! Só um comentário. Show circense é mais digno e melhor que essa porcaria que é a F1 atual.

  • Leo-RJ

    A F1 estava ficando tão monótona, que já nos anos 90 eu não mais assistia às corridas.

    Lembro bem das corridas do final dos anos 70 e início dos anos 80, que eram bem melhores e todos (quase) torcíamos pelo grande Nelson Piquet!

    O autódromo de Jacarepaguá – RJ, era maravilho, um traçado lindo, e das arquibancadas tínhamos visão de toda a pista, com duas retas defronte as arquibancadas (a principal e a dos boxes)… bons tempos…

    Agora a F1 é a chata e o prefeito Eduardo Paes destruiu o autódromo para virar diversos condomínios de prédios…

  • Barroso

    A F1 não evoluiu demais, o aconteceu é que foi tolhida demais. A FIA parece a politica econômica do governo brasileiro, inventa tanta graça que mais atrapalha que ajuda.
    Acho totalmente desnecessária a propaganda tabagista na F1 atual. A F1 continua a ter publicidades milionárias, só que de empresas de outros ramos. Carros-maço só serviriam hoje como nostalgia mesmo.

    • Domingos

      A retirada das empresas de álcool e tabaco fizeram MUITA diferença nos orçamentos das equipes, questões morais à parte.

      Como o Bob disse, a verba faz falta. Não se falava em restrição de custo antes disso e as equipes menores não ameaçavam fechar toda santa semana.

      O problema é, também, que a F1 tem um sistema de distribuição de lucros e direitos de imagem que só beneficia o Bernie e companhia.

      Quando essas companhias abasteciam os times com bastante dinheiro, não fazia falta os lucros de direitos de imagem e esse modelo era até compatível. Hoje faz falta e não é mais…

      • Lucas dos Santos

        Lembrando que propagandas de bebidas alcoólicas não foram proibidas… ainda…

  • Bob Sharp

    Barroso
    Você acha que a propaganda tabagista desnecessária porque a verba que era destinada às equipes não lhe faz falta. Muito fácil emitir um opinião sem nexo dessas.

  • Domingos

    Eu acho que pode até dar um melhor exemplo e uma imagem mais jovial à categoria, algo que provavelmente foi o objetivo, porém eu acho o mesmo que o Bob:

    Ou você proíbe de vez a venda de um produto ou você deixa fazer propaganda. Não há nada de errado com bebidas, embora eu por exemplo não aprecie.

    Essa história tem dedo do politicamente correto e da F1 indo para países de cultura muçulmana, o que poderia ser corrigido se mudando as propagandas nessas etapas do campeonato.

    Aliás, hoje eu começo muito mais a preferir que haja a propaganda do álcool do que o vácuo que a falta dela faz, abrindo espaço para outras substâncias muito piores…

    • Newton ( ArkAngel )

      Se as coisas fossem assim como você diz, deveríamos estar vivendo em um paraíso.
      Apesar de toda essa patrulha, a cada dia que passa tem mais gente drogada, assassina e estúpida. O efeito está sendo contrário.

      • Domingos

        Concordo plenamente e é a minha percepção dos tempos atuais: quanto mais se restringe coisas que “podem ser ruins”, mas que não são intrinsecamente ruins, mais vamos em direção a uma sociedade de gente infeliz, revoltada, emburrecida, assassina e drogada mesmo.

        E, como todo erro, o pessoal pede como solução que se tenha ainda mais dessas medidas – já que elas nunca satisfazem.

        Proibir ou criminalizar comportamentos normais e mesmo saudáveis porque podem serem ruins vez ou outra (geralmente por abuso) é abrir espaço para que coisas ruins mas vez ou outra “positivas” (geralmente por aparência) tomem lugar.

        Isso é EXATAMENTE a idéia, infelizmente.

    • Newton ( ArkAngel )

      Domingos, me desculpe, meu comentário foi dirigido ao BRA993.

      • Domingos

        Imagina, ficou visível que era a ele.

    • BRA993

      Se proibir de vez o que os fumantes vão fazer? Vão “traficar” cigarros dos países fronteiriços?

      • Domingos

        Acredito que os fumantes não sejam pessoas com tamanho vício e tamanha necessidade de se meter em risco quanto os usuários de drogas, porém é bem possível que muitos fizessem isso.

        Mas se trataria de uma proibição universal para ter que ao mesmo tempo banir a propaganda de um carro de F-1, que corre por todo o mundo.

        O que quero dizer é que são coisas muito diferentes cigarro, bebidas e drogas. O primeiro causa uns problemas de saúde que o governo aceita alegremente pagar pois é um produto com uma taxa ENORME em cima dele (tabaco é barato, o resto é imposto e lucro). Taxa essa aliás que nos países onde se legalizou drogas, de efeito muito pior, não se tem cobrado…

        O segundo só faz mal se consumido em excesso e foi usado até mesmo biblicamente. O terceiro é uma das piores coisas da humanidade e não tem nada a ver em termos de efeitos e necessidade de proibição com os outros dois.

        Dito isso, se é permitido, que se faça a propaganda. Ao menos a de bebidas é plenamente justificável.

    • Lucas dos Santos

      Quanto a mudar as propagandas em solo de cultura muçulmana, isso já ocorre na Fórmula 1 atualmente.

      Ano passado a Williams suprimia o logo da Martini do seus carros quando competia nesses países.

      Somente em Abu Dhabi é que as restrições foram ainda maiores e a equipe teve de mudar também as cores do carro, a fim de não ficar tão óbvio quem era o patrocinador deles (propaganda subliminar).

  • Domingos

    Infelizmente a categoria desde o meio dos anos 2000 foi pragueada de limitações de desenvolvimento, que basicamente fazem com que seja mais barato à equipe dominante manter a hegemonia e com que o resto do grid seja chato e não tenha chances – com a moeda de troca da ilusão da “redução de custo”.

    Nesse contexto de limitação, idéias como freios de aço podem colocar mais diversão de volta à categoria…

  • Domingos

    Tilke acertou na Malásia em cheio e na China e Turquia fez um bom trabalho. Do resto o cara meteu a mão pra fazer chatódromo.

    Estoril –como vocês estavam tocando no assunto aí acima – está sem condições alguma de receber corrida de F-1 por enquanto, até mesmo as arquibancadas e o estacionamento são precários e minúsculos.

  • Domingos

    Piloto ainda faz muita diferença mesmo. O que falta é mais equipes brigando na ponta, mas esse ano até que promete algo bom nisso.

    O que precisam entender também é que é AUTOMOBILISMO, logo o carro melhor tende a ganhar e o piloto melhor precisa ao menos de um carro no mesmo segundo para arriscar uma vitória “por suas mãos”.

  • Domingos

    Esse período, até algumas exceções nos anos de 2005 e 2006, realmente foi o dos carros mais bonitos. Os bem do final de 90 tinham inclusive um desenho todo arredondado que nenhuma outra época teve.

  • Domingos

    Vejo nesse pessoal mais novo isso também. Muitos mal conseguem ter um carro, mas investem muito em simuladores.

    É uma alternativa válida…

  • Fat Jack

    Concordo plenamente com você!
    E inundou porque gera rios e rios de dinheiro, o espetáculo que se dane, agradeça ao Sr. Bernie Ecclestone por isso.
    Cabe aqui também um porém, basta prestar um pouco de atenção pra notar que muitas vezes as imposições da categoria são diferenciadas conforme a locação do autódromo, Interlagos mesmo raramente consegue passar um ano sem “obras de grande monta”, enquanto na Europa isso é bem mais raro.
    Criou-se o estigma de que “curvas de alta são perigosas”, poucos são os traçados nos quais a F1 correr em que podemos encontrá-las. O Circuito da Catalunya (Espanha) por exemplo, teve uma chicane (essas por sinal, parecem lombadas em SP pelo tanto que se proliferam nos circuitos mundo a fora) adicionada entre as curvas que levavam a reta principal.
    Há outras formas de se preservar a integridade dos pilotos sem “picotar” os traçados (ok, nem sempre são aplicáveis, mas em sua maioria sim), a questão é que é necessário um melhor estudo e muita vezes um investimento maior, aí, na dúvida “põe uma chicane que resolve”

    • Lucas dos Santos

      A justificativa “oficial” para a chicane acrescentada no Circuito da Catalunha em 2007 foi possibilitar que os carros chegassem mais próximos entre si na reta principal, a fim de facilitar as ultrapassagens.

      Na minha opinião, tal alteração não gerou o efeito esperado e ainda matou um trecho interessante da pista.

  • Marcos Amorim

    Interlagos foi completamente mutilado no fim dos anos 80 por motivos que até hoje geram muitas contradições. Pior que isso, abandonaram completamente o traçado original, elogiado por todos os grandes pilotos de F1 que passaram por lá.

    • Fat Jack

      E um dos pouquíssimos traçados que apesar de longo poderia trazer condições de segurança aos pilotos, pois com seu traçado “caracol” as equipes médicas e de socorro não teriam perda de tempo de deslocamento apesar dos seus mais de 7 km de extensão, além de três retas dignas das do circuito chinês (claro, uma delas me refiro a “reta” dos boxes…)

  • Marcos Amorim

    Outro detalhe importante: algumas disputas que antes eram normais, hoje são punidas por supostas questões de segurança.
    Aliás, a F1 começou a ficar bem chata depois da morte do Senna. Boa parte da segurança que negligenciaram por anos foi aplicada de forma bastante exagerada depois do acidente, chegando ao cúmulo de comemorarem corridas sem disputas, como ocorreu, salvo engano, em um GP de Ímola ainda nos anos 90 (não lembro exatamente qual ano, mas foi um dos mais chatos que já vi). Deve-se buscar a segurança, mas não acabar com a disputa.

    E ainda sobre disputa, o que tem de piloto ganhando fama de mimado por causa de algumas conversas de rádio não é brincadeira. Creio que hoje algo como a famosa disputa de Rene Arnoux e Gilles Villeneuve no GP de Dijon de 1979 seria punido com punição severa para ambos, depois de muito choro nas conversas com os boxes.

  • Fabricio Maas

    Sobre a perda de apelo da F1 com o grande público brasileiro, grande parte disso se da pela pifia transmissão da RGT. Ficam narrando a vida privada dos pilotos em detrimento dos detalhes tecnicos da F1. A F1 atual é fantastica, cada corrida apresenta evolução nos carros, em varios pontos, seria otimo se tivessemos a opção de assistir uma transmissão mais tecnica, que mostrasse como a alteração na asa tal gera um vortice tal que em tal situação de corrida é uma vantagem considerável, enfim, é só um exemplo, assunto não falta.

  • josé amaral

    Acho que o errado na Fórrmula1 é o alto custo mesmo, para fazer isso teriam que cortar muitas coisas que só as grandes equipes têm. Se você pegar um treino de sexta-feira para acertar o carro para o sábado numa equipe como a Mercedes.que tem dezenas de engenheiros analisando cada dado do carro isso se for pensar só em acerto do carro, imagina no desenvolvimento do carro

  • Bob Sharp

    BRA993
    Nada de ponto final, quem diz se é ou não aqui sou eu, ficou claro? Você confundiu as coisas. Crianças sempre brincaram com armas de brinquedo e isso não as tornou criminosas. Havia até revólver com espoleta para reproduzir o estampido Eu mesmo brincava muito de “bandido e mocinho” . O que tem de ter ponto final é esse patrulhamento asqueroso que você obviamente defende. Agora sim, ponto final.

  • Bob Sharp

    Alexander Arake
    Não precisava nada disso para se ter uma F-1 bonita e competitiva. Para as fabricantes, tenha certeza de que é uma dor-de-cabeça ter de desenvolver tudo isso, a custos astronômicos e que pouca ou nenhuma valia tem para os carros de rua. Mas, como você, continuo telespectador assíduo das corridas de F-1.

    • Alexander Arake

      obrigado pela resposta Bob, mas apagaram meu comentário…

  • Bob Sharp

    BRA993
    O leitor Newton não tem nada de puxa-saco, é apenas uma pessoa inteligente, qualidade da qual você evidentemente carece. Tanto que você acha que quem não fuma nunca terá infarto – a mesma lógica de achar que a aranha escuta pelas patas, em que cortando-as o aracnídeo não se move ao ser chamado… Outro insulto desses e você será banido dos Comentários.

    • puxa saco

      Falando em propaganda de cigarros me vem a cabeça o McLaren do Senna estampado com Marlboro!
      Saudade…

  • Bob Sharp

    BRA993
    Você tem alguma dúvida disso?

  • Domingos

    Infantilização não, a idéia é substituir bons valores e coisas naturais por um vácuo onde se mete coisas ruins e valores doentios.

    O “extra sensível” que acha que a criança vai fumar por causa de um cigarrinho de chocolate (ninguém da minha geração começou a fumar por causa disso) ou que vai ser “opressor” por causa de uma arminha de brinquedo é aquele que, logo depois, vai enfiar na cabeça da criança por manipulação e distorção das coisas ideários imbecis e assassinos como comunismo, uso de drogas, promiscuidade, sexualidade na pré-adolescência etc.

    É tudo bem planejado, embora o efeito seja quase automático.

  • Domingos

    Que coisa mais curiosa. Um achado esse anúncio na F-1. Coisa de fã, só pode ser.

    Espero que voltemos a esses tempos um pouco mais impetuosos e bondosos, hoje uma banda fazer propaganda na F-1 seria impensável a não ser com 8 milhões de estudos dizendo que o público alvo é exatamente o que assiste as corridas.

  • Eduardo Edu

    F-1 virou a versão medrosa dela mesmo