Rio 450

A cidade do  Rio de Janeiro (São Sebastião do Rio de Janeiro) foi fundada por Estácio de Sá no dia 1° de março de 1565, portanto acabou de completar 450 anos. Para tanto, a revista Veja publicou edição especial sobre a data, com todo louvor.

No entanto,  nada foi dito sobre a tradição da cidade no que diz respeito ao automobilismo e as pessoas ilustres que praticaram, o que gerou indignação do eminente cidadão, piloto e autor de livros sobre o  tema, Paulo Scali, sob a forma de carta à revista e que me autorizou publicá-la, tornando-se desse modo uma carta aberta. Ei-la:

“Como leitor desta conceituada revista, que sempre surpreende com a qualidade de informações muitas vezes desconhecidas por nós, muito apreciei a reportagem que escolheu os 450 nomes de pessoas que passaram pelo Rio de Janeiro e aqui deixaram suas marcas. Com o quadro de renomados personagens escolhidos não poderia ser de outra forma, destacando pessoas de todas as classes sociais, além de muitos esportistas que deixaram sua marca. Entretanto, senti falta de menção de algum personagem e do Circuito da Gávea, conhecido também como “Trampolim do Diabo”, no qual foram realizadas importantes provas internacionais de automobilismo no período de 1933 a 1954.

Muitas destas competições aqui realizadas contaram com a participação dos melhores pilotos da época, já que elas antecedem ao Campeonato Mundial de Fórmula 1. Nomes renomados, inclusive o argentino multicampeão de Fórmula 1 Juan Manuel Fangio e seu compatriota José Froilán Gonzalez, duas vezes vice-campeão na F-1, e os italianos Giuseppe Farina, primeiro campeão Mundial de F-1, Luigi Villoresi, Achille Varzi e, especialmente, Carlo Pintacuda, que inclusive teve seu nome mencionado em marchinha de carnaval, além do alemão Hans Stuck e da francesa Hellé-Nice, que também ficou famosa aqui no Brasil. O circuito da Gávea também teve vitórias importantes de pilotos brasileiros como Chico Landi, vencedor de três edições na Gávea, sendo o primeiro brasileiro  a correr na F-1, bem como Gino Bianco, brasileiro naturalizado que sempre viveu no Rio e foi o segundo piloto a representar o Brasil na F-1. As provas do Circuito da Gávea, também conhecido como “Trampolim do Diabo”, foram um importante evento na cidade chegando a ter público estimado em 300.000 espectadores. Além disso, esse circuito teve como um de seus criadores o diplomata Manuel de Teffé, membro de tradicional família do Rio e que, inclusive, foi o vencedor de duas edições do Circuito da Gávea.

Outro carioca conhecidíssimo, o arquiteto Sérgio Bernardes, pessoa querida de uma família do Rio. Sérgio era pai do Serginho, pessoa ligada ao cinema, e do Cláudio, também arquiteto, que morreram  prematuramente, todos conhecidos nos mais variados locais, agradáveis, mostrando sempre um Rio que produz. Sérgio também correu Gávea, bem como Rubem Abrunhosa, vencedor de uma edição no Circuito da Gávea, comandante de voos internacionais da saudosa Panair, empresa que deixou saudades no Rio. Lembro da mesma forma do petropolitano que morou no Rio, Irineu Corrêa, vencedor na Gávea e que morreu posteriormente em acidente no circuito, assim como Nino Crespi, que também faleceu em  acidente no Circuito da Gávea.

Outro personagem que merecia um reconhecimento é o saudoso Wilson Fittipaldi, pai dos campeões Wilson Jr. e Emerson e que era um apaixonado pelo Circuito da Gávea, e sempre se lembrava de que acompanhou as provas desde 1936, quando tinha apenas 16 anos de idade, foi de trem, era escoteiro, e nunca mais se esqueceu. Wilson Fittipaldi faleceu recentemente no Rio de Janeiro, cidade onde escolheu para residir seus últimos anos de vida. Outro paulistano, Chico Landi, que venceu as edições de 1941, 1947 e 1948 do Circuito da Gávea, também residiu aqui no Rio e, naquele período, foi sócio do cantor Chico Alves numa empresa de táxi, falecido na Via Dutra em 1953. Lembrei-me do Arthur Souza Costa Filho, marido da minha amiga Emilinha Borba e filho do ministro Souza Costa na era Vargas. Por sinal, Getúlio Vargas acompanhou desde a primeira prova em 1933 até a última em 1954.

Pós-Gávea, o piloto  Norman Casari, que foi figura expressiva da vida social do Rio de Janeiro nos anos sessenta e setenta, também não teve nenhuma referência, apesar de ter conquistado vários títulos de campeão e o título de recordista brasileiro de velocidade, em 1966. Assim, sinto com pesar que não só a Gávea foi esquecida, mas também o “Automobilismo do Rio”. Na verdade estou falando de algo muito específico, como automobilismo esportivo, mas reconheço que vocês talvez não teriam espaço para escrever sobre isso e, da mesma forma, também teriam motivos até para desconhecer, pois a Cidade Maravilhosa, que há poucos anos tinha um dos melhores autódromos do Brasil, no qual foram realizadas provas internacionais de Fórmula 1, Indy, Motovelocidade, hoje não tem mais esse autódromo, que foi demolido e não tem previsão real da construção de um novo circuito. Para nós, automobilistas sem autódromo, é o mesmo que o pessoal do futebol sem o Maracanã. Também reconheço que, se vocês por acaso tivessem procurado os dirigentes do nosso automobilismo, provavelmente muito pouca coisa seria acrescentada, já que a maioria deles desconhece a nossa rica história esportiva e também não teriam interesse algum em divulgá-la… Fico triste com a não citação do Circuito da Gávea e também de personagens conhecidíssimas que não apareceram, mas que foram figuras marcantes do Rio. Por sinal, o Renato Murce, pessoa muito especial que vocês destacam na reportagem, também correu no Circuito da Gávea nos anos trinta, mas parece que o Circuito da Gávea não foi importante pra ele. No entanto, várias pessoas comentam da felicidade de ter corrido no Circuito da Gávea. Mesmo assim, tenho que parabenizá-los pela reportagem. Talvez nós automobilistas também tenhamos um pouco de culpa pelo fato do esporte pelo qual somos apaixonados ser tão pouco reconhecido pelos políticos e dirigentes do Rio de Janeiro, apesar do Brasil já ter conquistado oito títulos mundiais na Fórmula 1.

Muito Agradecido.

Paulo Scali”

Veja respondeu:

Assunto: Resposta

Prezado leitor (a),

O departamento de Atendimento ao Leitor de VEJA recebeu seu e-mail

Sua mensagem eletrônica será encaminhada para a pessoa que melhor poderá atendê-lo. Se sua carta é destinada à publicação na seção dos leitores, queremos adiantar que por uma questão de espaço nem toda a correspondência que recebemos é publicada. Qualquer comentário que ela contenha será encaminhado aos nossos editores para que eles tomem conhecimento de suas críticas e observações. Se o objetivo de sua carta é outro, por favor, aguarde uma resposta posterior.

Agradecemos o interesse por VEJA e esperamos atendê-lo o mais rápido possível.

Atenciosamente,

Atendimento ao Leitor
Revista VEJA

Ou seja, uma reles resposta-padrão — Prezado leitor (a)! — para um assunto dessa importância, sem menos identificar quem a escreveu e seu cargo na empresa jornalística, prática, aliás, cada vez mais comum hoje. lamentavelmente.

 

Quem é Paulo Scali

 

Paulo Scali4 cPetropolitano, 62 anos, advogado, Paulo Scali vem se dedicando há vários anos a escrever livros sobre o automobilismo brasileiro. Suas obras, na ordem de publicação, “Chico Landi de Ponta a Ponta”, “Circuito da Gávea”, “Interlagos, Autódromo Internacional da Cidade de São Paulo” e “Circuitos de Rua 1908–1958” contam em detalhes toda uma época, seus pilotos, seus carros. Podem ser adquiridas nas principais livrarias ou, caso esgotadas, em sites como www.estantevirtual.com.br/paulo-scali .

Paulo, atualmente, está trabalhando num livro que conta a história do piloto Christian Heins, o primeiro a dirigir a equipe Willys e que faleceu num acidente na 24 Horas de Le Mans de 1963, uma das grandes perdas do automobilismo brasileiro.

Ae/BS

 

 



  • Mr. Car

    Bob, este “esquecimento” talvez também seja um pouco o reflexo do processo de demonização do automóvel. Na visão de eco-histéricos e politicamente corretos em geral (muitos deles nas redações de jornais, telejornais, e revistas), corridas de automóveis só servem mesmo é para torrar dinheiro (que poderia estar sendo usado para salvar os micos-leões-dourados), jogar poluentes na atmosfera, e incentivar os motoristas comuns a praticarem nas ruas, a direção competitiva e agressiva das pistas.
    Abraço.

    • Lucas dos Santos

      Sem falar dos autódromos, considerados por alguns “um espaço desperdiçado, onde os riquinhos vão brincar com seus brinquedos caros, que poderia ser melhor utilizado para construção de moradias para quem não tem onde viver” (sic)!

      Acho que não preciso nem dizer onde foi que li esse comentário…

      • Antônio do Sul

        Se não foi na Carta Capital, bem que poderia ser…

  • Daniel San

    Sem falar no esquecimento da primeira corrida na Região Metropolitana do Rio de Janeiro,no Circuito de São Gonçalo,que foi a segunda corrida realizada em território brasileiro.
    Tragicamente,de uns anos pra cá, com a ênfase na famigerada”luta de classes”, cismaram que automobilismo é esporte de burguês, e como tal, merece ser banido. Só este “raciocínio” explica a falta completa de incentivo a este esporte e a conseqüente demolição do Autódromo de Jacarepaguá, sem a menor perspectiva de se construir outro, pois nenhum político quer ver sua imagem associada às “zelite”. Lamentável, para dizer o mínimo.

  • Lorenzo Frigerio

    Faz tudo parte de um processo, que inclui o fim do autódromo de Jacarepaguá. Na verdade, automobilismo é uma diversão de poucos; um nicho, mesmo. Depois da morte de Ayrton Senna, o olhar do público lentamente se afastou disso. Aliás, o esporte em geral no Brasil decaiu muito. A turma prefere assistir BBB.

  • RoadV8Runner

    Esse foi o principal motivo pelo qual deixei de assinar as publicações da Editora Abril: o total descaso com os leitores, principalmente quando questionados sobre alguma matéria.

  • Roberto Mazza

    Excelente e apropriada abordagem. Não vivi a época, mas deveria ser um Rio de Janeiro muito especial com esse contexto. Sempre que posso vejo fotos e textos sobre esse Rio antigo.

  • Teu verdadeiro pai

    A Veja é isso aí, não dá para esperar muita coisa. O de$taque depende da di$spo$ição

  • Fiquei com vergonha de ser carioca…

  • Bera Silva

    Graças à Deus ainda há pessoas que guardam a memória automobilística do Brasil. Parabéns ao sr. Paulo Scali pela resposta e ao Ae por publicá-la.

    Mudando um pouco o foco, mas mantendo a coerência: esses dias estava pensando naquela idéia do Bob de fazer uma associação de motoristas. Acredito que não há tempo melhor que o agora para iniciar tal empreendimento. Aproveitar essa disposição das pessoas em protestar, de fato, contra as agruras que sofrem. Já que não podemos contar com os grandes (CET, Anfavea, DNIT, fábricas, Denatran etc.), então façamos nossa própria organização, de baixo para cima! Chega de esperar!
    Não sei quantas pessoas acessam o Ae por mês, mas se uma parte contribuir com R$ 10,00 por mês, conseguiríamos levantar um fundo razoável. Com esse fundo, seria possível criar uma estrutura, em princípio pequena, para levantar dados históricos e promover pesquisas, criar uma base científica que desse subsídios para ações efetivas no que tange a trânsito, memória, cultura automotiva, educação. Futuramente poderíamos ajudar estudantes (bacharelandos, mestrandos e doutorandos), em diversas áreas do conhecimento para que estes estudassem soluções para o trânsito, por exemplo. Com o automóvel, e também o motorista, tratado com respeito, este “esquecimento” da Revista Veja com certeza não se repetiria. Outro exemplo é o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília. Se já tivéssemos uma associação funcionando, salvaríamos aquele acervo e daríamos uma banana para o Ministério dos Transportes.

    Tudo isso não será construído em um ano, mas em décadas. Só que para isso temos que começar já. Temos que seguir o exemplo do sr. Eduardo Souza Ramos, com o complexo Velo Città, e também o sr. Paulo Trevisan com seu complexo em Passo Fundo (RS).
    Parafraseando o Mestre: a reclamação sem tomada de ação é morta.
    Desculpem o texto, mas acho que tem tudo a ver com a matéria publicada.

  • Fabio Vicente

    Isso porque o Paulo Scali não citou o próprio Bob Sharp (ou citou e não foi publicado por uma questão de modéstia do editor), o Roberto Moreno (que é dos melhores acertadores de carros de corrida), e o Gualter Salles, que também representou o Brasil no exterior e hoje é sócio na Vogel, equipe de Stock Car.
    O Paulo expõe o problema, e ao mesmo tempo explica a causa: nossa curta memória e má vontade em preservar o esporte a motor, como se este fosse a maior blasfêmia do mundo.
    As vezes, tenho a impressão que desde de a trágica morte de Ayrton Senna, nosso automobilismo definha lenta e cruelmente ano após ano.

  • O Paulo Scali tem toda razão! Se esqueceram da história do automobilismo no Rio. Além do Circuito da Gávea, tinha um na Cidade Universitária no Fundão (Ilha do Governador) e na Barra da Tijuca (todos circuitos de rua) sem esquecer o de Petrópolis. Provavelmente foram essas provas que incentivaram a construção do primeiro Autódromo da Cidade do Rio de Janeiro (aquele que tinha o lago) e onde vi os maiores ídolos da minha vida! Inclusive o Bob Sharp!

  • Ricardo Dias Maritins,
    Sim, é como se nunca tivesse existido automobilismo no Rio; Além dos que você citou (foi no Circuito do Fundão que Emerson Fittipaldi estreou em corridas de automóveis), havia o Circuito da Quinta da Boa Vista (Fangio correu lá com um Maserati 300 S e venceu, claro), o Circuito do Maracanã, enfim o Rio era um palco de corridas incrível. Minha estréia no Circuito da Barra da Tijuca, a Seis Horas da Barra da Tijuca, em 1962. O poder desportivo nacional era do Automovel Club do Brasil (ACB),.como era na Argentina (e eh ate hoje) o Automovil Club Argentino, o ACA. So que o ACB se esfarelou e hoje temos a super-ineficiente Confederacao Brasileira de Automobilismo.

  • Bera Silva
    Você tem toda razão, a hora é agora. Todos esses desmandos não podem continuar incólumes. Vou conversar com um advogado amigo para saber como constituir uma associação nesses moldes. E nada de se desculpar, seu texto disse tudo e soberbamente escrito.

    • Bera Silva

      Muito obrigado pelo elogio.
      Acredito que o Ae já é a semente de uma futura associação de motoristas, tanto pelo calibre dos colaboradores, como também pela qualidade dos leitores e comentaristas. Com a internet, muitas coisas podem ser feitas virtualmente, diminuindo os custos.
      Por favor, assim que tiver novidades, nos conte.

  • Lorenzo Frigerio

    Acho que não seria, não. A afirmação é tosca demais. O blog do Paulo Henrique Amorim é um bom lugar para se ler isso.

    • R.

      Paulo Henrique Amorim e o alucinado Blog 247

    • João Carlos

      Pensei a mesma coisa.

      No fim do ano passado ele estava todo feliz tentando profetizar que a Globo não iria mais transmitir F1.

      Fiquei sabendo nessa época que o Paulo Henrique Amorim tinha virado um lulo-petista fanático. O blog dele beira o surreal, o cara fala mais bobagem que qualquer esquerdista da américa latina.

  • Cleber

    A Veja é um lixo de revista. Não a leio desde o início da década passada.

  • Mirion F. Langaro

    Infelizmente os brasileiros imaginam que esporte é futebol e o resto não interessa. A história do autobilismo no Brasil é riquíssima, pelo arrojo de seus pilotos e a criatividade dos preparadores e construtores de veículos de competição. Muitas vezes o piloto era o construtor e preparador de seu carro, até mesmo na história mais recente, onde o carioca, mais tarde morador de Brasília, Nelson Piquet preparava, transportava e pilotava seu carro da Fórmula VW 1600. Ou os irmãos Fittipaldi, construindo aquela maravilha de desenho chamada Fitti-Porshe, que antecedeu os Fórmula 1 construídos por eles e vilipendiados por brasileiros e por pseudo humoristas de programas de televisão.
    O Circuito da Gávea era um acontecimento mundial numa época sem internet e outras facilidades de comunicação. Mesmo assim em um país de pouca importância comercial ou tecnológica, atraía pilotos do primeiro escalão do automobilismo e as melhores fábricas de carros de competição vinham para o Rio enfrentar veículos artesanais, como o de Irineu Correia ou os carros modificados por Chico Landi. Se o Circuito da Gávea não fosse importante, o que viriam aqui fazer Juan Manoel Fangio, Gigi Vilorezzi, Carlo Pintacuda, Achile Varzi e tantos outros que aqui vieram. Infelizmente nenhum deles jogava futebol…

  • Antonio Filho

    Vocês não sabem que quem tem carro é elite esquerdista?

    Quem gosta do mundo automotivo é playboy elitista?

    Então para os governos em geral, independente de partido político, somos elitistas que gostam de um esporte ou estilo de vida caro e pouco acessível à massa, que só de tentar comprar e quitar um carrinho mais ou menos já é muito para o povo…Fora que não temos mais nenhum grande piloto que mova o esporte, que o povo fique torcendo, que gere receita, que seja popular e que tenha atenção única da mídia.

    Infelizmente a morte do chefe Senna foi muito pior para nós brasileiros que a perda do esporte em si, pois a partir dele o povo desistiu do automobilismo, foi muito abrupto, foi traumático, perdemos uma parte de nós literalmente e a paixão do brasileiro por carros ficou muito restrita.

  • marco lima

    O incrível é que VEJA é de um grupo editorial (Abril) que tem na revista Quatro Rodas um de seus sustentáculos. Portanto, tudo que Scali disse em sua carta, consta nos arquivos da editora, que assim, tinha todos os elementos para realizar um belo trabalho. Lamentável…

  • Marcelo R.

    Quatro Rodas? Depois que eles pararam de fazer os testes de velocidade máxima dos carros, se limitando a citar a velocidade indicada pelas fábricas (isso quando não aparece um “n/d”), e se um carro automático, no Longa Duração, não apresente falhas de funcionamento no câmbio não tem mais o mesmo desmontado, eu parei de ler essa revista… O AUTOentusiastas tem muito mais conteúdo que ela, hoje em dia…

    • Rogério Ferreira

      Concordo Plenamente, Quatro Rodas baixou ao nível do Auto Esporte. Acompanho eventualmente o Longa Duração, mas só pela internet.

    • Fórmula Finesse

      É preciso destacar que publicação alguma faz teste de velocidade máxima – provavelmente porquê é inútil em Limeira (pista limitada a 1600 metros de aceleração útil) ou porque não está mais disponível a pista circular da GM. Ou seja, no Brasil, testes de velocidade máxima nunca mais (sim, também sinto falta, mas é uma condição igual para todas as revistas).
      FF

    • Marcelo R.
      Todo teste de velocidade máxima exige uma reta de pelo menos 5 quilômetros ou uma “reta infinita” como a Pista Circular do campo de provas de GM, em Indaiatuba. Fiz muitos testes de velocidade máxima lá no meu tempo nas revistas Quatro Rodas e Autoesporte, mas hoje a GM não empresta ou aluga mais o campo de provas para a imprensa, uma pena. Mas cabe salientar que lá não era o ideal, por estar a 620 metros acima do nível do mar e pelo raio de curva relativamente pequeno (1.369 metros) que, combinado com a superelevação ser de 30% na faixa externa, limitava a velocidade de estabilização a 170 km/h. Acima disso era preciso esterçar continuamente, como que fazendo uma curva, ocasionando arrasto de pneus e impedindo que o carro atinja sua velocidade máxima de fato. Pista circular boa é a de Nardò, na Itália, de 12,5 km a volta (GM, 4,3 km), ali qualquer carro atinge a máxima (a pista foi comprada pela Porsche em 2012). Mas boa mesmo é a pista da Volkswagen em Ehra-Lessien, na Alemanha, duas retas de 10 km cada unidas por curvões bem rápidos. Foi lá que o Top Gear chegou a 407 km/h com o Bugatti Veyron. Disse o jornalista que as retas absolutamente planas são tão longas que que não se vê o fim delas devido à curvatura da superfície da Terra. Nos anos de revista Oficina Mecânica testávamos velocidade máxima na Rio-Santos, retão de Bertioga, 5 km; Hoje, fora o tráfego pesado lá, está cheia de dejetos viários…

      • Antônio do Sul

        Bob, nessa época em que você esteve na revista Oficina Mecânica, havia algum apoio da Polícia Rodoviária Estadual ou DER no sentido de se bloquear a estrada durante os testes de velocidade máxima? Pergunto isso porque, hoje, além de o volume de tráfego ter aumentado muito, não acredito que esses órgãos de trânsito teriam alguma boa vontade em colaborar.
        A “pista de testes” realmente era muito boa, tanto por estar ao nível do mar quanto pelo comprimento, mas como vocês faziam para mitigar a influência dos ventos (comuns no litoral) no resultado dos testes? Mesmo fazendo várias passagens, metade em cada sentido da pista, o clima litorâneo é muito instável, o que torna muito difícil a repetição de condições semelhantes para todos os testes.

      • Marcelo R.

        Bob / MFF / Rogério,

        Na pressa eu acabei escrevendo pouco. Mas, o que o Rogério postou é exatamente o que eu queria dizer. O conteúdo (ou seja, o nível técnico e editorial) da revista não é mais o mesmo (diminuiu muito ao longo do tempo), e mesmo o Longa Duração, que ainda me fazia ler a revista, também está perdendo conteúdo, como o que eu citei acerca da não-desmontagem dos câmbios automáticos, caso não haja alguma irregularidade no funcionamento do mesmo. Estou vendo a hora deles nem desmontarem mais os carros, como era na época dos testes de 30.000 km, “já que o carro não apresentou nenhuma irregularidade no funcionamento que justificasse o desmonte”, como eu li a cerca do desmonte do câmbio do i30, e tem se tornado praxe no caso dos automáticos…

        Agora, falando especifícamente dos testes de velocidade máxima, o Ae pode não fazê-los. Mas, o resto da avaliação compensa isto amplamente. Mesmo sem um nº para mostrar, vocês conseguem nos transmitir se o desempenho do carro é bom ou não, e, sinceramente, aqui eu nem sinto falta de ler qual é a velocidade máxima do carro “x”, ou quanto ele faz de “0-100 km/h”. Ao contrário de outras publicações por aí que, exagerando um pouco, se fizerem um comparativo entre um Palio Fire e um Bravo T-Jet, o Palio ganha o comparativo por ser flex, ter o preço mais baixo, o seguro ser mais barato, o custo da cesta básica de peças ser inferior e, para completar, ser mais fácil de revender que o Bravo…

        Um abraço!

  • Marcio

    Não é nesse blog que ele faturou 700 mil reais em um ano com um bannerzinho da Caixa?

  • RoadV8Runner

    Como se faltasse espaço para construir moradias, sendo necessário destruir autódromos para tanto. Pensando de forma míope assim, o mesmo vale para os estádios de futebol, em número muito maior do que os autódromos e, também, usados pelos riquinhos brincarem com a bola. Quem escreveu essa opinião deveria ter vergonha de escrever tamanho despropósito…

  • RoadV8Runner

    A idéia é boa, pois o país está tomando um rumo que vem me assustando, sem exagero. Já que nem tudo pode ser mudado, que comecemos por aquilo que gostamos e, sem falsa modéstia, conhecemos razoavelmente bem: os automóveis e suas implicações à sociedade.
    Eu me disponho, inclusive, a pagar um valor superior aos R$ 10,00 mensais, pois sei que esses valores serão bem aplicados em prol do bem comum. E acredito que, quando os frutos dessa associação começarem a surgir, outras pessoas, cada uma em suas especialidades, se sentirão motivadas a fazer associações nesses moldes.

  • Ricardo Talarico

    Tô dentro!
    Sugiro a criação de uma ONG. Quem sabe com essa sigla não sejamos vistos (ainda mais) como inimigos da sociedade.

  • Lucas dos Santos

    Não, esse foi o comentário de um internauta no site do G1, na notícia que falava sobre o fim de Jacarepaguá.

  • Geraldo C. Meirelles

    O Paulo Scali tem toda razão em apontar a crassa falha da Revista Veja por não ter sequer mencionado a história do automobilismo em relação aos 450 anos do aniversário da Cidade do Rio de Janeiro. Uma
    lástima sem sombra de dúvida.

  • Fórmula Finesse

    Bob Sharp – sem o MÍNIMO puxa-saquismo – poderia e deveria ser citado também.
    O trabalho feito por esse senhor há décadas, seja no âmbito esportivo ou jornalístico, é de uma importância fundamental para o desenvolvimento do:
    – Esporte;
    – Indústria;
    – Jornalismo;
    – Patrimônio intelectual histórico;
    – Formação de novos condutores.
    Muitas pessoas ditas letradas simplesmente ignoram o que o carro é, e o que o seu condensado de virtudes significam, alguns exemplos.
    Que gosta de carro gosta de:
    – História: qual elemento que baliza melhor a evolução humana de forma tão tangível?
    – Ciência: revoluções, evoluções, novos materiais, métodos de fabricação, processo químicos e físicos etc;
    – Filosofia: a alma humana transposta no carro, o senso de liberdade, modo e filosofia das fábricas;
    – Religião: culto as marcas, experiências sensoriais, o divino inspirando que a próxima criação seja melhor;
    – Esportes: todos que orbitam em torno do esporte a motor;
    – Economia: reflexos econômicos, planejamento, valores, fornecedores, cadeia produtiva, impostos, contribuição econômica, impacto em toda sorte de orçamentos;
    -Ecologia: novos modos de pensar a locomoção, influencias no eco sistema, matrizes energéticas diferentes, seu impacto etc;
    – Antropologia/Psicologia: estudo da sociedade servida pelo carro, aspectos culturais incutidos pela revolução sobre rodas – modo de pensar, de se perceber tendo o carro como reflexo do seu ego;
    – Cultura: desenho, formatos, cores, interiores…a busca do belo, forma e função definindo o pop de ontem, de hoje, de amanha.etc; música, cinema, filmes e bandas inspiradas pela cultura do automóvel.
    A lista é longa, mas resumindo…carros e seus personagens, encerram por si só, o mundo!
    Nunca deveriam ficar em segundo plano…
    FF

  • joao

    Apoiado! Por mais que tenha que trabalhar 5 meses para manter nosso governo tão zelozo com nosso dinheiro, contribuiria com a quantia que fosse pedida.

  • Newton (ArkAngel)

    Coincidentemente, o penúltimo lugar em que trabalhei foi exatamente ao lado da oficina do Sr. Domingos Papaleo. Para quem não o conhece: http://www.bandeiraquadriculada.com.br/Domingos%20Papaleo.htm

  • Newton (ArkAngel)

    FF, faço minhas as suas palavras.

  • Gustavo

    Há algum tempo, após recomendação deste Ae, procurei o livro “Circuito da Gávea” para comprar e ler. Por não encontrar mais nas livrarias, mesmo na internet, entrei em contato com a editora, que me repassou o email do autor. Tive o prazer de trocar alguns emails com o sr. Paulo Scali e adquirir um exemplar diretamente dele. Após devorar o livro e me deleitar com as fotografias e papel de qualidade, peguei meu carro e refiz o antigo circuito. Foi uma bela aventura passar por aquelas curvas acentuadas e imaginar carros de corrida, totalmente inseguros para os padrões atuais, atingindo mais de 200 km/h em alguns trechos.

  • Cláudio Grossi

    Concordo plenamente. O automobilismo carioca, tão bem retratado pelo Paulo Scali, profundo conhecedor do assunto, não poderia ficar de fora naquela matéria sobre os 450 do Rio de Janeiro. Só o circuito da Gávea, já justificaria a inclusão na matéria.

  • Rita Landi

    Concordo plenamente com Paulo Scali, que além de profundo conhecedor da história do automobilismo, faz parte do círculo restrito desse mundo, sendo amigo de grande parte dos pilotos ou melhor dizendo de quase todos eles. Meu pai Chico Landi durante anos morou na cidade maravilhosa, inclusive quando do falecimento dele foi declarado 3 dias de luto oficial. O Circuito da Gávea, além de grandes nomes que por lá correram, foi um marco em toda a história do automobilismo brasileiro. A reportagem foi extremamente infeliz na sua seleção de nomes, deixando de fora grandes pilotos que marcaram a história e abriram portas para as gerações futuras.

  • Rafael D’amico D’amico

    Meus parabéns pela matéria do querido Scali. E pela publicação no Aa. Quanto à sugestão de Bera Silva, já me sinto sócio fundador e contribuinte. Abraços.

  • BIRD

    Brasil é o quarto mercado mundial de automóvel e abriga o maior número de fabricantes no mundo. Ayrton Senna, é o grande ídolo nacional, nossos pilotos conquistaram oito campeonatos mundiais e oito vices na Fórmula 1, seis vitórias na 500 Milhas de Indianápolis, o maior evento esportivo do mundo com um público de quinhentas mil pessoas, além de tantas outras glórias ao redor do planeta. Não faltam motivos para que a história do automóvel e do automobilismo brasileiro sejam tão importantes, e Paulo Scali é um dos principais e mais prestigiado historiador nesta área.
    Que a luminosidade de AUTOentusiastas incentive o grande autor, que com o apoio da Mahle Metal Leve está lançando mais um livro contando a trajetória de Christian Heins, um dos grandes protagonistas da história do automobilismo brasileiro.
    BIRD Clemente

    • Bird
      Assim que eu soube que o Paulo havia escrito essa carta à Veja, pedi a ele que me autorizasse publicá-la no Ae. Essa falha da Veja foi imperdoável. E estou ansioso para ler esse novo livro sobre o Christian Heins.
      Um abraço!

  • Rita Landi
    Que prazer vê-la aqui na “nossa” casa. Seu pai, que conheci bem, era uma pessoa fantástica, fora o que andava forte. Foi ele quem realmente deu início a isso tudo, que projetou o Brasil no exterior pelo automobilismo.
    Um abraço!

  • Fórmula Finesse,
    Tudo bem, o Paulo se esqueceu, acontece. Realmente não me importei com o fato. Mas obrigado pelo apoio assim mesmo;

  • Leo-RJ

    Caro Bera,

    Estou dentro! Pode contar comigo nessa jornada!

  • Leo-RJ

    Caro Bob,

    Por acaso, a aprazível cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, cidade do Paulo Scali, é berço que algumas boas oficinas que tiveram origem nas pistas.

    E ele está coberto de razão. Personagens que fizeram parte da história do Circuíto da Gávea, da Quinta, da Barra da Tijuca (com trecho pela Rua Olegário Maciel), e até mesmo do Autódromo de Jacarepaguá, é imperdoável.

    Já contactei o Paulo Scali para compra de seus livros.

    Por curiosidade, Bob, o Circuito da Gávea, bairro onde, salvo engano, você residiu, tinha o apelido de “Trampolim do Diabo” em razão daquelas curvas, nas quais erros jogariam o carro lá encosta abaixo?

    • Leo-RJ
      Se você reler a matéria sobre o novo Clio (http://autoentusiastas.com.br/2012/11/novo-renault-clio-e-a-evolucao-do-motor-1-litro/) você ver um vídeo curto, 2 minutos, eu dirigindo (e filmando) no Circuito da Gávea, bairro em que morei 31 anos até me transferir para São Paulo em 1978. Note a foto antes do vídeo, há curva de 180° logo adiante (dá para ver). Pois bem, não havia aqueles cortiços pela frente, de modo que se via daquele ponto toda a Lagoa Rodrigo de Freitas. O ponto de onde fiz a foto é exatamente o topo da serra, em que de repente se avistava a cidade (a lagoa) embaixo, por isso lembrando um trampolim.

      • Leo-RJ

        Obrigado pela explicação, Bob!
        Eu sabia que tinha lido em algum lugar que você morou na Gávea, que aliás, até hoje, acho o melhor local da Zona Sul do Rio para se morar.
        Acabei de ver o vídeo, e que interessante, verdadeiro trampolim… rs! Eu já sou da época daqueles cortiços ali…