Íntegro. Se fosse o caso de usar uma só palavra para definir o Jeep Renegade, esta é sob medida. Adjetivo de largo espectro cobre desde sua fidelidade ao estilo e conceitos da marca até sensação verdadeira de robustez quando se exige dele fora de estrada. Surpreende ainda o acabamento interno e a longa lista de equipamentos e opções inéditas.

Trata-se do primeiro SUV a diesel abaixo da barreira simbólica de R$ 100.000 (exatos R$ 99.900) com tração 4×4 não permanente, bloqueio central do diferencial, modo virtual de reduzida e caixa de câmbio automática de nove marchas. Suspensão independente nas quatro rodas, freio de estacionamento elétrico e controle de trajetória (ESC) compõem itens de série. Entre os opcionais se destacam o inédito (entre carros nacionais) sistema de assistência eletrônica para estacionar e dois tetos solares de compósito de fibra de vidro (o dianteiro, elétrico) destacáveis para guardar no porta-malas.

Em termos de segurança, o Renegade deverá obter nota máxima porque estruturalmente é igual ao produzido na Itália. Aqui pode ter também até sete bolsas de ar. Apesar de produzido em uma fábrica inteiramente nova, em Goiana (PE), com investimentos pesados, longe de alguns fornecedores e ainda à espera de investimentos atrasados em infraestrutura, o utilitário esporte compacto da Jeep tem preços bastante competitivos, em especial frente ao EcoSport e ao recém-lançado HR-V.

O preço inicial de 69.900 na versão Sport já o coloca em posição privilegiada e dentro de dois meses terá versão despojada por R$ 66.900. A intermediária Longitude, de tração dianteira como a primeira, custa R$ 80.900 e traz câmbio automático de seis marchas. Todos os modelos a diesel nesse segmento, por legislação, devem ter tração nas quatro rodas, o que encarece bastante, além de não se encontrar combustível S-10 em todos os postos. No outro extremo se coloca a Trailhawk (2 L, 170 cv e impressionantes 35,7 kgfm) por R$ 116.900 que deve ter participação quase simbólica.

Cerca de 80% das vendas serão mesmo com motor flex de 1,8 L que manteve potência de 132 cv, mas teve ligeiro aumento de torque para bons 19,1 kgfm e em giro mais baixo. Em torno de metade do mix inicial está previsto com câmbio automático e aí começam alguns pontos fracos. Pela robustez do projeto este SUV pesa 1.432 kg e suas acelerações são relativamente modestas. Fábrica informa 0 a 100 km/h em 11,5 s, mas dá a impressão de ficar acima de 13 s (câmbio manual o deixa mais ágil).

Versão a diesel, com 250 kg extras em razão do motor, sistema de tração e equipamentos, acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 s (segundo o fabricante). Porém, o que se destaca é a 120 km/h o motor sussurrar a pouco menos de 2.000 rpm. Em uso fora de estrada o Renegade impressiona pela capacidade de vencer obstáculos sem ser desconfortável. Nos congestionamentos o rival HR-V tem a vantagem do freio de estacionamento elétrico de aplicação automática e liberação ao toque no acelerador, sempre muito conveniente.

Porta-malas do Renegade é limitado, apenas 260 litros, menor que alguns hatches compactos. No entanto perde por pouco para o EcoSport (com estepe fixado na tampa) e por muito para os 437 litros do HR-V. Entre estes três modelos o Jeep é o mais cotado para liderar, mas a Ford deve reagir e a Honda brigará para-choque a para-choque.

 

RODA VIVA

CONFORME comentado pela Coluna a consolidação mundial ainda não terminou. Uma possível fusão entre Peugeot Citroën e FCA (Fiat Chrysler Automobiles) era especulada há tempos. O presidente do grupo francês, o português Carlos Tavares, admitiu abertura a negociações logo que superar a fase atual de recuperação financeira.

RENAULT garante: Logan e Sandero continuarão a ser fabricados em São José dos Pinhais (PR). Parte da produção será transferida para a Argentina pela complicada situação cambial e econômica do país vizinho. A marca francesa (ainda) não confirma, mas se dá como certo o compacto de baixo custo, sucessor do Clio, na fábrica paranaense.

SPIN Activ surgiu de pesquisas sobre atratividade do estepe fixado na tampa traseira. Para evitar danos involuntários em outros veículos, em manobras de ré, o sensor de distância é de série. De fato, indispensável no uso cotidiano. Retrovisão fica algo prejudicada e o peso extra do robusto sistema de suporte exige muito do motor de 1,8 L/108 cv, em especial com câmbio automático.

CRISE econômica do País não desanimou a Rolls-Royce. Decidiu importar seu modelo mais em conta, o Ghost Series II. Há um interessado em pagar R$ 2,9 milhões. Subsidiária da BMW, a centenária marca inglesa oferece duas opções de entre-eixos (3,2 m e 3,46 m). Como cresce agora em todo o mundo, por que não aqui em longo prazo?

MAIS uma prova da descentralização no mercado brasileiro. Em 2004 São Paulo respondia por um terço dos veículos novos vendidos. Uma década depois, em 2014, o estado representou 26% do total. Tendência é cair para 25%, ou menos.

FC

fernando@calmon.jor.br
Foto da abertura: Divulgação/Marcos Camargo
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Sobre o Autor

Fernando Calmon
Coluna: Alta Roda

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  • Christian Sant Ana Santos

    Minha dúvida: os 260 litros são com a divisória ?

  • Thiago Teixeira

    Manter todo o arco do teto na mesma cor da carroceria ao invés do efeito preto deixaria o carro mais harmônico; As lanternas poderiam abandonar aquele artifício no centro e ficar mais lisa; a lateral lembra um pouco o Doblò (!), me lembra mesmo.
    Da mecânica, nada a declarar. Parece um engenho sem detalhes.
    Carro interessante, vai dar trabalho e agora junto com o HRV vai desbancar o reino do Eco. Bem feito pra Ford, que dormiu no ponto. Não ouviu as criticas maiores que permanecem desde o inicio do primeiro modelo, a qualidade construtiva. E o pneu pendurado na mala.

  • Viajante das orbitais

    Esse carrinho é atraente, com certeza as versões mais baratas vão disputar bem com Duster e EcoSport.
    Vai vender muito bem.

  • Daniel S. de Araujo

    Apesar do diesel S-10 não ser encontrado em todos os postos, a grande maioria dos postos que vendem diesel tem o S-10 pois os caminhões de 2012 em diante só podem rodar com esse combustível.

  • Eric Darwich

    Apesar de ter saído de linha, estou pasmo como todos os meios de comunicação não citaram a TR4 sequer como um concorrente. Estão bradando aos ventos que esse é jipe de verdade. Sim na marca e no diesel, mas aptidão no off-road….a TR4 não fica atrás nem a pau.

    • Danilo Grespan

      Concordo plenamente, temos TR4, o antigo Tracker (GM), todos pequenos e acredito que melhores na terra. Porém, ambos morreram, a TR4 se não me engano parou de ser fabricada no mês passado. Deixarão um vácuo que acredito que não será totalmente preenchido pelo Renegade.

  • Marques Goron

    Puxa vida, a Ford dormiu no ponto?? Desde 2002 ela nadou de braçada vendendo EcoSport que nem água. Passados tantos anos era mais do que hora de aparecerem mais concorrentes não acha?
    A Ford já ganhou muito dinheiro com o Eco, com ou sem estepe pendurado nas costas…

    • Thiago Teixeira

      Dormiu no sentido de que não corrigiu os problemas de sempre. Não faço critica com base no que disseram, mas vi. E o EcoSport o problema da porta traseira com um vão enorme. Para uma fabricante centenária isso é problema simples que não se resolveu. Outro é o estepe externo, que não sei qual a população dessa clínica que indicou à Ford ser essa a preferência. Afasta consumidores, tanto que na Europa ja esta sendo revisto. E o 4×4 diesel? Por que não desenvolveu um? Motores tem. Os carros topo são os que criam a imagem do carro.

    • Douglas

      Agora vai ter de correr atrás por conta concorrência.
      A primeira coisa a fazer deve ser melhorar aquele acabamento interno, é pior que o do Fiesta nacional que já é pior que o do Onix.
      E se for comparar com os carros da sua categoria então, perde feio para o HR-V.

  • Douglas

    O maior problema é o preço inicial da versão diesel.
    Bem que poderiam oferecer câmbio manual e tirar o controle de estabilidade e bolsas de ar da versão mais simples para reduzir esse valor.

  • Domingos

    Não acho que a diesel vai ter participação simbólica não. Pensa bem: o carro é realmente um 4×4, pode ser usado como carro urbano ou para algo mais pesado e na faixa dos 116.000 não se tem muitas opções de veículos diesel – muito menos que não sejam tão grandes e desajeitados como uma picape.

    Para mim a Fiat sabe muito bem o que faz e por isso mesmo mirou o preço nessa faixa, onde só grandes picapes existem como alternativa e ela pode reinar sozinha.

    Imagine num carro algo que possa ser usado em cidades do interior e com a economia do diesel pegando bastante estrada para as cidades do entorno e as grandes cidades… O público enorme que hoje compra picape mesmo sem precisar por causa do diesel ou mesmo o público “agroboy” e até mesmo os tão freqüentes casos nessas situações do cara que tem mesmo a utilidade num 4×4 econômico mas que ao mesmo tempo não incomode num centro de cidade!

    Vai vender bem essa versão.

  • Ivan Antonio

    Se tivesse grana sobrando o diesel seria a pedida. Como não tenho, não vou pagar 80 mil para ter o motor do meu punto 1.8 de 132 CV vestido de Jeep. Daqui uns 5 anos eu arrisco um usado desses aí. Agora estamos em trégua para sobreviver até 2018 se a Dilma não afundar o Brasil de vez.

  • gpalms

    Para mim, o “deal breaker” é o minúsculo porta-malas. Atenção: para mim!!