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Por mera coincidência essa foi a “Semana da Motocicleta” no Ae. Teste da Honda CTX 700N pelo AK, a história do leitor Marcos Alvarenga e o triste evento da Simone, a matéria de ontem. Os três assuntos geraram até o momento em que escrevo esta um total de 117 comentários entre 12 horas do dia 31/3 a agora de manhã. Portanto, motocicleta é um assunto importante e por isso mesmo muito discutido.

Por isso, faço a pergunta (como sempre me fiz): será mesmo a motocicleta um veículo perigoso?

Tudo leva a crer que sim e há praticamente um consenso quanto a isso. Pais e mães que se recusam taxativamente a dar uma para seu filho, como minha mulher quando nosso filho falou no assunto anos atrás.

Um leitor-amigo do Rio comentou a matéria de ontem dizendo andar de moto há 40 anos sem nenhum tipo de problema. Disse ele: “Este ano completo 40 anos andando de moto,TODO DIA, cada vez me cuidando mais, mais atento, mais cerebral… Não temos mais peças de reposição, amigo.”

Em vista do que ele disse, afirmo aqui : a motocicleta NÃO é um veículo perigoso. Tudo está na pecinha que está sobre a sela e com as mãos no guidão, só que com uma importância um pouco maior do que a outra que fica entre o banco e o volante.

O que o amigo-leitor carioca disse sobre ficar cada vez mais atento, mais cerebral, é a síntese de como deve ser o comportamento do motociclista. Com atitudes como essa, por acaso exatamente a minha desde que comecei a andar de bicicleta a motor em 1955, com 12 anos, dificilmente quem anda de motocicleta se verá causando ou se envolvendo num acidente.

Infelizmente não é o que se vê.

Nunca vou vou esquecer a morte do Milton Silva, irmão de um grande amigo, o Nélson Silva, brincando de empinar sua Honda CB 500, excedeu a potência e a moto caiu para trás, ele batendo a cabeça no solo e tendo morte instantânea. Estava sem capacete, claro, afinal era apenas um brincadeira diante de amigos num sábado à tarde.

Creio que o maior problema da motocicleta é ser necessário conhecimento perfeito do veículo e ter a técnica e habilidade para pilotá-la, algo muito parecido quando se trata de aviões. Isso, obviamente, não existe e até certo ponto é impraticável.

 

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A Honda ministra cursos de pilotagem de motociclistas (foto motonline.com.br)

Por ser impraticável um aprendizado e treinamento semelhante  a um curso de pilotagem de avião, o motociclista novato apenas aprendeu a fazer a moto andar, mas praticamente nada conhece de seu funcionamento, das leis de Física envolvidas nela que, combinado com atitude pouco ou nada séria em relação ao veículo que está conduzindo, leva ao acidente e, como conseqüência, à pecha de “veículo perigoso”.

Isso se combina com a tendência de experimentar, vivenciar a velocidade (até com automóvel acontece) e aí temos o que se vê, mortes, lesões graves, seqüelas.

A coisa é tão absurda e chegou a tal ponto de distorção da realidade que o hoje a profissão de motomensageiro passou a ser classificada como de alta periculosidade pela lei que rege as relações trabalhistas — só porque o índice de acidentes com motociclistas — em especial  com motoboys —é catastrófico, praticamente duas mortes por dia em São Paulo.

Entretanto, casos como o do leitor-amigo carioca e meu próprio são mais numerosos do que se pensa.

Quando começou a onda de motocicletas bem no começo dos anos 1970, resultado da ofensiva japonesa nos mercados mundiais, comprei uma Yamaha DS7 250 bicilíndrica e um ano depois, uma RD 350. Menos de dois anos depois, uma Honda CB 500. Quando vim para São Paulo em 1978, pouco depois comprei de um vizinho de prédio uma Honda CB 450 pouco rodada. Usei muito essas três motos como transporte pessoal, raras vezes (e só no começo, pela novidade) em passeios. Portanto, sempre em meio ao tráfego. Nunca tive problemas de acidentes senão um pequeno tombo ao parar no sinal devido a óleo na pista com a RD e um raspão num táxi (Corcel branco, me lembro) com a 500. Machucar-me, jamais.

 

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Minha primeira japonesa, Yamaha DS7 (foto caldas.com.br)

É perfeitamente possível andar de motocicleta com toda segurança desde que se conheça o veículo, se tenha treinamento de verdade e não se procure fazer do uso normal a prática do motociclismo de competição. Também, é claro, ter a moto em perfeito estado de manutenção e sem esquecer dos únicos dois pontos de contato com o solo: os pneus. Eles não podem jamais ter profundidade de sulco inferior a 2 mm.

Tão importante quanto esses cuidados, o conhecimento pleno do código de trânsito, seus deveres e obrigações.

E a motocicleta deixará simplesmente de ser um “veículo perigoso”.

BS

Foto de abertura: fisherlawgrouptennessee.com
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