Simone

Simone Fernandes Sardinha, 38 anos, é a moça que aparece nessa foto, a única que tenho dela. Ela trabalha há cinco anos para meus primos Billy e Anna. Casada, tem duas filhas, 13 e 9 anos. Uma graça de pessoa, educada, atenciosa e competente.

Há poucos dias seu primo foi visitá-la, no trabalho, com uma motocicleta de pequena cilindrada. Simone quis dar uma volta, ali mesmo, de farra, dentro da propriedade dos primos, na pequena via de acesso à casa, pavimentada de bloquetes. Velocidade possível ali, 30 km/h, se tanto, conheço.

Não se sabe como, ela se acidentou e lesionou gravemente o pé e perna esquerdos, fratura exposta. Foi levada de carro até o hospital em Bananal (SP), mas pela gravidade do ferimento precisou ser transferida, de ambulância, para o hospital de Cruzeiro, no mesmo estado, cerca de 120 quilômetros distante pela Via Dutra (pela Rodovia dos Tropeiros é menos, mas por ser mais travada o tempo de viagem é bem maior).

Ontem chegou-me a notícia: a região gangrenou e foi preciso amputar a perna abaixo do joelho. Vi a foto do ferimento, que me abstenho de publicar aqui. Como vi também a foto dos pés do Nélson Piquet quando ele bateu de frente no muro em Indianápolis em maio de 1992, no treino para a 500 Milhas, que me pareceu serem lesões bem mais graves. Não quero e não tenho como fazer julgamentos, mas tenho impressão de que tivesse a Simone sido medicada no mesmo hospital que atendeu Piquet, o Methodist Hospital, em Indianápolis mesmo, conhecido por sua eficácia no tratamento de feridos de guerra, não teria havido a gangrena e amputação. É só uma suposição.

 

Piquet Indy

O terrível acidente de Piquet em Indianápolis (foto racingaccidents.blogspot.com)

Seja como for, é a razão do título, “Máquina fantástica, mas frágil” — o corpo humano.

Cada vez que ouço casos semelhantes me bate uma grande tristeza. Pessoas que perdem a vida ou ficam mutiladas por motivo fútil, por absoluta falta de cuidado, habilidade ou desconhecerem o veículo que dirigem.

Por isso vivo apelando para qualquer pessoa, e fiz isso com meus filhos e agora com o neto, que tudo que envolve movimento do corpo, até caminhar, exige atenção. E nem precisa movimento:  eu ensinava os filhos a sempre que fossem colocar colírio nos olhos, pegar o frasco com as duas mãos, lerem o rótulo e confirmarem para si mesmos “isto é colírio”. Achavam graça, exagero, mas hoje agradecem o ensinamento.

Pequenos, jamais correr com copo na mão, mesmo de plástico, pois num tombo um pedaço do copo que venha a se quebrar pode atingir os olhos. Portas, de casa ou do carro, nunca deixar dedos no caminho delas. E por aí vai. Fazer da segurança uma rotina, não uma exceção.

 

crianca-copo-plastico

Correr com copo na mão, jamais (foto boaspraticasfarmaceuticas.blogspot.com)

Assim é tudo. Sempre ter em mente que o corpo é frágil e acidentes não têm hora para acontecer. É ficar numa espécie da alerta permanente.

Por exemplo, nunca caminhar manipulando o smartphone, como tanto vejo. É melhor parar de andar quando for ver qualquer coisa no aparelho ou enviar SMS ou mensagens pelo WhatsApp. Nunca caminhar com fones de ouvido e deixar de escutar o tráfego à volta.

Cuidados dessa ordem, é claro, envolvem dirigir qualquer veículo automotor ou de tração humana, como a bicicleta. É fundamental ter consciência de que privados das nossa plena capacidade de raciocínio, como estar alcoolizado acima de determinado nível, como 0,5 ou 0,6 grama de álcool por litro de sangue — esqueça-se a idiota dessa “lei seca”, a do álcool zero, pois poderemos estar em outro país, de gente mais esclarecida — não se deve dirigir. Mas se for fazê-lo nessas condições por qualquer motivo, que o faça bem de-va-gar, por saber que os reflexos e julgamento estão prejudicados.

 

Choperia

Se beber, é melhor não dirigir, mas se tiver que fazê-lo, faça-o devagar (foto baressp.com.br)

Também, abandonar a idéia de que se pode dirigir com segurança tendo os vidros da condução escurecidos. Não se pode. Já li comentários no Ae do tipo “sou jovem e enxergo bem”, como  que implicitamente dizendo que sou velho e por isso a dificuldade que tenho em dirigir com essas execráveis películas escurecedoras. Engano total. Apesar de estar com 72 anos, tenho visão perfeita.

A visão é, de longe, o mais importante sentido ao dirigir. Nada, absolutamente nada, justifica perdermos nossa plena capacidade de enxergar o que está à frente, nos lados e atrás, daí minha cruzada contra as películas que são autênticos sacos de lixo.

Que a Simone se recupere desse trauma, de tudo isso, e possa seguir sua vida de maneira praticamente normal. A Anna já está falando com seus contatos na AACD para conseguir uma prótese para ela.

Sempre, e nesse fim de semana prolongado da Semana Santa, dirija o que for sem se arriscar. Não é vergonha ser cauteloso.

BS

 

 



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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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  • Daniel S. de Araujo

    Belo texto Bob! Nosso corpo é uma máquina complexa, fantástica mas extremamente frágil. Uma simples queda de uma cadeira pode levá-lo ao colapso (aconteceu com um familiar nosso).

  • Marcos Amorim

    “Pega a moto aí para dar uma voltinha, é simples, eu te ensino.”

    Melhor não. Como não tenho confiança para isso, muito menos com alguém que nem carteira A possui ensinando, prefiro continuar com dois pés ou quatro rodas. Duas rodas, por enquanto, só se for bicicleta.

    • Fabio Vicente

      Compartilho do mesmo pensamento.

    • Mr. Car

      Eu tenho carteira A, quer que te ensine? Brincadeirinha, he, he! Na verdade quero distância de moto, e só tenho pois por ocasião das aulas de auto-escola para minha primeira CNH, havia uma promoção “2 em 1”, tipo “pague pelas aulas no carro e receba grátis as aulas de moto”, aí fiz as aulas, e tirei as duas, mas raríssimas vezes subi em uma moto, mesmo assim, em cidades de trânsito bem mais sossegado que o das cidades grandes, ou dentro da fazenda do meu avô, sem trânsito nenhum.

      • Roberto Neves

        Tirei carteira para moto pelo mesmo motivo. Tive moto por dois anos, aqui no Rio de Janeiro, vi amigos e conhecidos morrerem e vendi a moto depois do terceiro acidente, em que tive muita sorte de não ter me ferido gravemente.

  • Rafael Ribeiro

    A dica do colírio é muito pertinente. Eu mesmo dei 30 gotas de colírio para minha filha tomar, achando que era um anti-térmico, pois as embalagens eram semelhantes e à noite não percebi o erro.

    • Mr. Car

      Minha mãe, pelo mesmo motivo (embalagens extremamente parecidas), pingou no olho (ardeu muito, por isto percebeu o erro e só pingou em um) algo que não era colírio. Fomos atrás de um pronto-socorro, já que clínica particular, nem pensar, era dia 01/01. Adivinha se foi fácil achar um oftalmo de plantão. Só depois de muuuuuito peregrinar. Felizmente, não era uma substância cáustica por exemplo, que exigiria um socorro mais imediato e mais especializado, e no fim, tudo foi só um susto, mas e se fosse?

  • Mr. Car

    Lamentável. Por absoluto desconhecimento das especificidades deste caso, também vou conceder o benefício da dúvida, se bem que pelo histórico de nossos hospitais, sejamos levados a acreditar que em um de primeiro mundo, as chances de um final não digo perfeito, mas bem menos terrível, seriam bem outras. Quanto ao resto, é aquele negócio: “seguro morreu de velho”. Minimizar as possibilidades de que algo dê errado é uma regra de ouro, se bem que há tantas coisas tão corriqueiras que fazemos, e aparentemente tão desprovidas de riscos, que fica até difícil imaginar como aquilo possa resultar em um acidente de proporções até trágicas.

  • Paulo Roberto de Miguel

    Paciência e prudência são as melhores amigas. Aprendi muito bem com meus erros… Muitas vezes por causa de um segundo de impaciência temos uma consequência irreversível.

  • Fabio Vicente

    Lamentável o ocorrido.
    Lembrou-me o filho de um conhecido que se acidentou de moto, e infelizmente veio a falecer. Disseram as testemunhas que ele estava devagar, mas derrapou em um banco de areia e o ferimento na cabeça foi fatal.
    A dica do smartphone é excelente Bob. Eu me peguei cometendo esta mesma imprudência ontem, pois caminhava em um corredor de shopping center digitando mensagens no whatsapp. Parece algo inofensivo, mas poderia ter prejudicado não somente a minha saúde, como de outras pessoas em volta. Só de lembrar me dá vergonha…
    Quanto a beber e dirigir… não sou hipócrita de falar que nunca fiz isso. Mas tenho comigo o seguinte: após consumir bebida alcoólica, a velocidade máxima que trafego é 40 km/h, só após ter bebido bastante água e em vias que eu tenho certeza que há pouco movimento. Não elimina, mas minimiza o risco de acidentes.

  • Lucas

    Ótimo texto e ótimos conselhos. A julgar pelo que a gente vê por aí nos noticiários e por a Simone ser pessoa pobre (de recursos financeiros diga-se, pois pode ser rica de muitas outras coisas) e negra, não seria de se surpreender que o atendimento a ela dispensado tenha sido negligente. Não sou médico nem nada mas não duvido que essa amputação do pé dela poderia ter sido evitada.
    E também é muito pertinente o alerta para os cuidados ao pegar a estrada. Para mim, o feriado de Páscoa é o pior do ano para se viajar, especialmente o domingo, pois praticamente todo mundo volta para casa no domingo.

  • Aldo Jr.

    Assunto extremamente pertinente, principalmente numa véspera de feriado. Interessante essa dica do “prestar atenção a tudo”! Meu filho mais velho sempre gostou de bicicleta, skate e afins, e a única recomendação que lhe fazia era essa: fosse qual fosse a manobra ou a distancia, que planejasse com cuidado e avaliasse os riscos. Fazendo isso, ele não se meteria em encrencas. De fato, agora indo para o carro, tento fazer com que ele leve essas recomendações simples que o salvaram até aqui. E, Bob, obrigado pela sensibilidade de não publicar a foto pois não há a menor necessidade. Bom feriado a todos;

    • ccn1410

      Também acho que não seria conveniente publicar as fotos.
      Foi melhor assim.

  • Roberto Neves

    Perfeito, Bob. A vida é muito frágil, precisamos cuidar dela com carinho. Vejo tanta gente atravessando ruas a ler o smartphone. Como sou deficiente auditivo, procuro estar sempre atento a meu redor.

  • Marco Antonio

    Na década de 80,fui trabalhar em uma Multinacional Americana, e todos os colaboradores ao serem admitidos, passam por curso de direção defensiva e outros cursos de segurança, nesta corporação a palavra Segurança e a frase A Vida é Frágil era repetida constantemente, e todos se acostumaram a usar cinto de segurança, isto na década de 80.

    Melhoras e Força para Sra. Simone!

    Marco Antonio

  • Roberto Alvarenga

    Moto não é brinquedo. Para conduzir uma, deve-se ter habilitação e conhecimento. Há inúmeros casos de pessoas inexperientes que infelizmente sofrem acidentes de moto.

  • Lipe

    A diligência nos atos cotidianos é essencial. Já nos ensina a obra de Allan Kardec, inspirada nas lições dos espíritos de filósofos históricos (e pré-socráticos), datada de 1854.
    Contudo, o que mais me faz refletir é essa questão do atendimento médico, pois é algo que carece de isonomia (valor constitucional fundamental nos países evoluídos e no Brasil também, mas não muito respeitada por aqui).
    Tenho contato político com diretorias de hospitais hoje e frequentemente percebo que os médicos são obrigados (alguns são “comprados”) a deixar humanos sem atendimento adequado em muitos casos, quase sempre em razão de questões financeiras.
    Aquele que é “ladrão” a vida toda (por exemplo, o político corrupto, que ele mesmo dá ensejo a hospitais em situação de precariedade!) terá o melhor dos atendimentos em vida. O Governador de SC (sem dizer que é corrupto ou honesto, apenas um exemplo) esteve se tratando recentemente num dos melhores hospitais privados de São Paulo-SP. E os seus governados? Será que todos em SC temos condições de nos tratar de maneira particular na principal cidade do Brasil?
    Lembro-me também de um familiar que teve câncer, cujas sessões de quimioterapia custavam 3 mil reais cada uma, caso o tratamento não fosse feito pelo SUS (sim, quem tem câncer, na maioria dos casos, depende do SUS!!!). Outro familiar teve de vender um imóvel, que outrora adquirira como fonte suplementar de renda e futuro benefício aos filhos em herança, para custear uma cirurgia de urgência.
    Depende-se muito, nesses casos, quando não se tem dinheiro de sobra e se necessita recorrer ao sistema público da humanidade, dos valores éticos e morais, bem como do amor ao próximo, exclusivamente do médico como pessoa individual. Será que ele quis aquilo? Ou foi obrigado pelos pais a optar pela profissão? Ou se tornou médico apenas em razão dos bons ganhos econômicos e não tem nenhum amor aos pacientes?
    Os valores éticos e morais daquela pessoa que veste o jaleco branco, com seu nome bordado no bolso frontal precedido de “Dr.”, que irão dizer se a pessoa miserável em condições financeiras (mas tão humano quanto qualquer outro) irá merecer bom tratamento.
    Porém, sozinho ele não pode fazer muito. Várias vezes se depende de transferência rápida, melhores equipamentos, leitos especiais etc, o que depende de todo o sistema de saúde daquele município ou daquele estado, em que novas barreiras são impostas para as pessoas com pouco dinheiro. São frequentes os casos de pessoas que entram na Justiça para conseguir o fornecimento de medicamentos caríssimos indispensáveis a sua sobrevivência…
    E agora volta o caso do ladrão que, farto de dinheiro (principalmente para manter-se vivo e continuar gozando os prazeres da vida), é capaz de dar toda sua fortuna pelo melhor tratamento.
    Quem já ouviu aquelas histórias de que o filho do rico (seja rico honesto ou ladrão) volta a enxergar “pra ontem”, mediante a compra de córneas de criança assassinada por eutanásia no chamado mercado negro de órgãos?
    A solução pra tudo isso, a meu ver, só encontra alguma resposta na espiritualidade/religião, pois está além da compreensão da vida.

    • ccn1410

      Recentemente eu estava em um pronto-socorro, quando vi negado o atendimento a uma menina de aproximadamente uns dois anos, porque seu pai não tinha convênio médico.
      O pai da criança reclamou e invadiu o local do atendimento. A polícia então foi chamada e apaziguou a situação, mas a criança saiu de lá sem atendimento médico e olha que ela estava com mais de 39º de febre.
      Depois que saíram, eu comentei com minha esposa que se tivesse lembrado, eu teria pago a consulta. Só estranhei que o cidadão que não quis pagar, estava de carro novo.

      • Lorenzo Frigerio

        Claro… provavelmente mora numa daquelas casinhas cujo portão tem uma “barriga” para a calçada, para que o “patrimônio” caiba na garagem.

  • Christian Govastki

    Eu quase pinguei dipirona sódica no olho, as embalagens são semelhantes, só não cometi o erro pois quando fui pingar vi que o líquido era amarelo e não transparente.

    Por medida de segurança no quarto só usamos copos/canecas e garrafas plásticas, nada de vidro.

    • Bob Sharp

      Christian Govasti
      Isso é mesmo um perigo. Num GP de F1 na década 1970 um piloto, que não lembro qual, estava no carro, já a minutos da largada, e pediu que sua mulher fosse correndo ao boxe pegar o colírio. Veio líquido antiembaçante de viseira em vez do colírio. O piloto foi dali direto para o posto médico e não pôde correr. Não houve seqüela, mas poderia ter havido.

      • Lorenzo Frigerio

        Devia ter álcool isopropílico e etileno glicol. E se fosse metílico, ficava cego.

    • Lorenzo Frigerio

      As bulas de remédios no Reino Unido dizem: “NÃO TOME REMÉDIOS NO ESCURO”. Faz um tempo uma velha pingou Super-Bonder no olho da neta… por sorte não houve tragédia. Acho que nem foi no escuro, foi escuro da mente, mesmo.
      E o que dizer da enfermeira da Santa Casa que injetou vaselina na veia de uma menina, ao invés de soro, porque tinha tudo sido colocado em frascos “genéricos”? A jovem morreu.

  • Carlos A.

    Na correria nossa de cada dia, um texto assim ajuda muito.É um belo alerta para que todos prestem muita atenção. Eu ando muito a pé e quase sempre preciso desviar de outro pedestre que caminha distraído manipulando um smartphone.

  • marcus lahoz

    Bom texto.

    Um exemplo de distração vem do meu sogro, em maio de 2014 ele deixou seu veículo no estacionamento e foi ao oftalmologista; para tal precisava atravessar a Praça Rui Barbosa (em Curitiba), ali temos ônibus dos mais variados tamanho e velocidades (um absurdo veículos no meio de praças, mas em todo caso..); fato é que ele se distraiu e “atropelou” a traseira do ônibus que estava em movimento, foi arremessado ao chão, bateu a cabeça e veio a falecer. Simples e pura distração, afinal de acordo com relatos ele estava limpando os óculos.

    Todo cuidado é pouco, e na verdade se as pessoas prestassem mais atenção ao que estão fazendo 90% dos acidentes não aconteceriam.

  • Bob, o de Petrópolis

    Lembro-me das lições sobre segurança na revista Quatro Rodas, principalmente nas décadas de 70 e 80. Graças a essas informações e a principal recomendação que minha mãe me deu – no trânsito, sempre dirija pelos outros, nunca me acidentei gravemente.
    Cabe aqui uma história: estava dirigindo nos Estados Unidos, no deserto, onde temos quase infinitas retas. Pois bem, um caminhão me ultrapassou, em alguns minutos cheguei nele novamente e ultrapassei. Estranhamente ele me ultrapassou de novo e ficamos assim por umas boas 200 milhas. Quando finalmente segui sem a companhia do caminhão, notei que esse foi um movimento deliberado dele para manter a atenção na estrada. Por estamos em um ambiente que é monótono, nossa atenção é desviada e caímos em um transe quase hipnótico. As ultrapassagens constantes faziam que prestássemos mais atenção, rompendo a monotonia.

    • Lucas dos Santos

      Muito bom! Eu jamais pensaria nisso!

    • Victor

      Nossa! nunca tinha pensado nisso! Eu ficaria irritado nessa situação (até hoje, pensava assim: se quer passar, passe e vá com Deus. Se eu passei, fique para trás, cada um tem sua velocidade)

  • Piantino

    Ótimo texto Bob!

    O corpo humano é realmente uma máquina um tanto quanto frágil.
    E é exatamente o que você disse, uma besteira, pode te trazer complicações imensas!
    Eu mesmo tenho moto para fazer trilhas há quase 10 anos, e nunca sofri um arranhã sequer. Porém há exatos 2 anos, estava chegando ao estacionamento onde paramos o carro para desencarretarmos as motos e trocarmos de roupa para seguirmos para as trilhas, em Macacos (povoado distante 35km de Belo Horizonte) e sofri um acidente.

    Eu havia descido do carro para abrir um portão de correr (ele deve ter uns 3 m de altura por 3,5 m de largura), quando abri o portão, percebi que ele estava solto no trilho superior e começou a cair, e logo aos seus pés dormia um cachorro conhecido da vizinhança, foi quando que no impulso, coloquei minha perna direita para tentar formar uma alavanca com o corpo e segurar o portão para que este não caísse em cima dele e o matasse. Para o meu azar, o portão inclinou muito e não consegui segurar, ele havia também soltado do trilho inferior e estava apoiado somente em um ponto, foi quando ele caiu sobre minha perna. Fraturei o fêmur. A fratura foi muito cominutiva e tive que colocar uma prótese intra-medular chamada Gamma Nail, fiquei sem poder andar por quase 5 meses, e usei muletas durante quase 1 ano. Hoje estou recuperado, mas ainda tenho uma sequela do acidente, que é ter uma perna 3,5 cm mais curta que a outra, assim tenho que usar palmilhas para igualar o nível e não sofrer com a coluna.

    • João Carlos

      Curioso que um vizinho quebrou a perna numa situação parecida. Mas a fratura foi simples. Era um portão de correr de uns 2 m de largura por uns 2 m de altura.

      E, ao lado de casa, tem um portão que está por um triz pra cair, só que ele é muito mais pesado apesar da mesma dimensão, pois é de ferro fundido daqueles antigos. Cedeu as rodas em baixo e está para sair do trilho de cima.

      Eu, como leigo, só imaginava como são pesados, mas não tanto.

      Vou alertá-los mais uma vez.

  • É Bob, a vida é tão frágil, mas quase nunca pensamos a respeito. Quase nunca paramos prá pensar que um simples escorregão num chão ensaboado pode nos deixar de cadeira de rodas, ou um simples tombo de bicicleta, ou moto, no caso que você conta, pode ter sérias consequências na nossa vida.
    Infelizmente, às vezes, por não vermos perigos em coisas simples, descuidamos, e muito, da nossa segurança. O exemplo de se caminhar olhando para o celular é clássico.
    Infelizmente, a maioria das pessoas só se lembra disso quando é tarde demais.
    Espero que a moça se recupere e consiga ter uma vida normal.

  • Fat Jack

    Lamento muito o ocorrido, verdadeiramente fico entristecido.
    Infelizmente noto que cada vez mais as expressões acidente e fatalidade são usadas como “desculpa” para a irresponsabilidade geral ao volante, pior ainda no caso de muitos pais, que permitem que crianças fiquem de pé sobre o banco traseiro enquanto dirigem, ou seja, sem proteção alguma e com as mais variadas desculpas:
    “– Ah, mas ele(a) não pára”
    “– Ele(a) não gosta da cadeirinha”
    “– Não quero ouvir choradeira”
    “– Mas ele(a) quer ver o que tem lá fora”
    “– Não se preocupe, vou devagarinho”
    “– Eu tomo conta pelo espelho retrovisor”

    E por aí vai…, meu filho NUNCA andou nessas condições, disse NUNCA!
    Para vocês terem uma idéia, ele saiu da maternidade numa cadeirinha/berço, devidamente preso ao cinto do carro – sempre o central – e presinho ao cinto da cadeirinha (mesmo meu carro na época contanto com somente cinto subabdominal, eu deixava a cadeira tão presa – costumava dar um trabalhinho fazê-lo – ao banco e ao cinto que balançá-la significava balançar o carro.
    Nunca permiti que minha irresponsabilidade pudesse pôr sua vida em risco, acidentes acontecem, óbvio, mas é OBRIGAÇÃO dos responsáveis minimizar seus os efeitos por meio da prevenção.
    Gente, aqui não tem “trocar peça”, dar uma “guaribada”, “pagar o estrago”. Não há segunda chance, por isso mesmo há de se tratar a vida com toda seriedade e cuidado possível, inclusive a dos seus filhos.

    • Lucas dos Santos

      Perfeito. E deixar uma criança solta no banco traseiro – ou em qualquer banco – gera risco para os demais ocupantes também. Em caso de colisão, ela poderá ser arremessada contra um deles, com força suficiente para feri-los gravemente ou até mesmo matá-los! O mesmo vale para o transporte de animais de estimação ou objetos. Muita gente não considera essa possibilidade.

      Agora, sejamos francos. Deixar uma criança solta no carro, enquanto o motorista e/ou os demais ocupantes estão devidamente retidos com o cinto de segurança, além de ser uma irresponsabilidade, é um tremendo egoísmo! Pois, em caso de acidente, somente eles estariam protegidos – ou não, no caso da hipótese anteriormente mencionada.

  • REAL POWER

    No dia 31/12/2014 eu sofri um acidente enquanto estava em uma bóia sendo puxado por um jet ski em um grande lago. O acidente aconteceu devido a falta de conhecimento básico das leis de física do condutor do jet. Apesar de meus pedidos constantes para diminuir ele fez uma curva em alta velocidade. Ele estava entre 85 a 90 km/h. O jet em questão pode chegar a 110 km/h. Acontece que tinha 20 m de corda entre eu e ele. Imagina a que velocidade eu cheguei!!!!.
    Junta esta velocidade mais uma onda causada pelo próprio jet, e deu no que deu. Simplesmente fui arremessado nas alturas e depois bati na água como se ela fosse uma parede de concreto.
    Desmaiei no momento da 1º batida na água e como estava com colete salva-vida, voltei a superfície e acordei quando o jet chegou, isso depois de alguns segundos. Resultado, noite de Ano Novo no hospital e 20 dias com dores nas costelas, que somente não quebraram porque o colete absorveu um pouco o impacto. Tive ainda uma torção no joelho.
    Claro que meu amigo não queria fazer aquilo, mas acidentes acontecem justamente por falta de atenção ou precaução.

    • Lorenzo Frigerio

      A pior coisa é andar em garupa de moto. O motorista acelera bruscamente como se estivesse sozinho, e você não tem onde se segurar. E eles sempre fazem isso. De moto, quero distância.

      • Marcio

        Este problema aí, especificamente, não é da moto, e sim do condutor, oras! Você precisa querer distância desse condutor, que vai fazer desses absurdos tanto de moto, carro, jet sky, avião, triciclo… Cada uma…

  • CorsarioViajante

    A história mostra algo que me foi ensinado por meu pai: veículo nenhum é brinquedo e pode ser dirigido “por farra”.
    Duas “manias” horrendas que se tornaram febre: dirigir com fone de ouvido (!!!!) e mandando mensagem. Pego rodovia praticamente todo dia e SEMPRE vejo pelo menos umas três pessoas dirigindo em torno de 110 km/h mandando mensagem no celular… Fácil identificar: carro não mantém trajetória, velocidade irregular etc, etc. Isso deveria ser fiscalizado com mais rigor.

  • marcelocb13

    Motocicletas (mau uso) causa milhares de mortes, amputações e prejuízos (sobra para o INSS) aos montes. Teria sido melhor se o governo perdesse arrecadação e vendesse carros a preços de motos. O gasto com INSS e a perda em vidas não compensa.

    • Guilherme Keimi Goto

      Você só parece não saber que a moto paga seguro obrigatório absurdamente mais caro que os carros.

      • Guilhermino

        Mas o seguro obrigatório não tem nada a ver com os gastos da previdência. Trata-se de uma indenização única e de valor bem irrisório em vista dos danos sofridos por quem a recebe, que também terá a cobertura previdenciária (pensão por morte, aposentadoria por invalidez, auxílio-doença) custeada pelo INSS do mesmo jeito.

    • Lucas dos Santos

      Não sei se vender carros a preços de motos [de baixa cilindrada] seria a solução. Porém é fato que muita gente só anda de moto porque não pode comprar – e sustentar – um carro.

      As motos que vemos aos montes por aí – normalmente de baixa cilindrada – são pilotadas, em sua maioria, por pessoas que estão fartas do transporte público e conseguiram “se livrar” dele! Não raro, pilotam sem estarem habilitados, o que só aumenta o potencial para acidentes – o atual processo de formação de condutores pode não contribuir muito nesse sentido, mas ainda é melhor do que nada!

      Em alguns países é mais raro ver motos nas ruas, porque lá as pessoas que querem ter o seu próprio meio de transporte geralmente têm condições de ter um carro e as motos acabam sendo mais utilizadas por entusiastas.

      • César

        Bem, isto é verdade! Aqui na cidade onde moro, em 90% dos acidentes envolvendo motocicletas, e não são poucos, o coadjuvante principal é uma CG pilotada por um sujeito sem habilitação.

  • Douglas Sanches

    Por essas e outras que até hoje não tive coragem de pilotar motocicletas, apesar de adorá-las. Sei que deve ser um prazer imenso pilotá-las, mas sou um autoentusiasta e não sei se conseguiria me conter e levar a risca todas as cautelas indispensáveis, e em cima de uma destas, qualquer pequeno vacilo, mesmo em baixa velocidade, meu corpo é o para-choque e será primeiro contato com o obstáculo que for encontrado. Assim, me privo, abdicando de uma de minhas paixões, que neste caso é platônica, e fico nas velhas e boas 4 rodas, que também possuem suas cautelas no manuseio, porém a segurança é indiscutivelmente maior dentro de um automóvel.

    • ccn1410

      Andar de moto é muito bom. Já tive algumas, mas desisti por achá-las perigosas.
      Quando eu tinha motos, nunca tive problemas com carros e tampouco com pedestres, mas o motivo de minha desistência foram os motoqueiros malucos, que sentem prazer mórbido em tirar fininho.
      Tô fora!

      • César

        Depois de começar a andar de moto, cheguei à conclusão que o maior perigo do trânsito são mesmo os outros motociclistas!

        • Marcio

          O maior perigo do trânsito é perder a humildade de saber que você mesmo pode ser um perigo. Meus caros, essa coisa de que o maior perigo do trânsito é o taxista, o motoqueiro, o caminhoneiro, a mulher etc, é desculpa para defender a própria categoria, a própria probabilidade de errar. É claro que se o indivíduo se acidenta de moto com certeza vai se dar mal, ao contrário de quem está no carro, que muitas vezes só vai tomar um susto. Eu ando em São Paulo tanto de carro quanto de moto, não tenho um dado estatístico para apresentar aqui, mas tenho a nítida impressão de que tomo MUITAS fechadas tanto em uma modalidade quanto na outra. E ultimamente os carros tem me espremido para fora da faixa quando estou de moto, como se a minha obrigação fosse andar no corredor. E eu sei que os motoboys fazem absurdos no trânsito, mas também vejo carros costurando sem dar nenhuma seta e acelerando no acostamento. Lamentável. E essa vender carros mais baratos para vender menos motos seria uma faca de dois “legumes”, oras, ia entupir as ruas de carros e o pessoal que não quer perder tempo ia andar de moto de novo!

    • Lucas dos Santos

      Sou habilitado também na categoria – há apenas 2 anos – e ando de moto sempre quando for preciso – até porque a motocicleta do meu pai é o único veículo automotor que tenho à minha disposição no momento. Mas, vou lhe dizer: não consigo ter prazer em pilotar! Fico bastante tenso enquanto estou no trânsito.

      Eu até consigo me conter e pilotar cuidadosamente – meu pai mesmo costuma destacar a forma cautelosa como eu piloto – mas tenho muito medo que alguém faça alguma bobagem no trânsito e acabe me envolvendo! Em outras palavras: autoconfiança eu tenho; eu não confio é nos outros!

      Um dos meus maiores medos é ser atingido na traseira. Fico muito apreensivo quando vou parar em um semáforo ou fazer uma parada obrigatória e há algum veículo atrás de mim. Temo que o motorista esteja distraído e não perceba que estou parando. Por isso, acabo acionando o freio com bastante antecedência, para que o motorista de trás tenha tempo de perceber que a luz de freio da moto está acesa! Também tenho medo quando andam muito colado na minha traseira. Dá a impressão que, se eu precisar fazer uma frenagem de emergência, o veículo de trás vai passar por cima da moto! E, em ambos os casos, quem leva a pior é sempre o motociclista.

      Enfim, por essa razão, pilotar uma motocicleta acaba se tornando extremamente estressante. Definitivamente não é para mim. Inclusive já faz vários meses que eu não piloto! Já devo até ter perdido a prática!

      Apesar disso, não considero a moto um “veículo perigoso” por si só. Creio que é perfeitamente possível pilotar com segurança. Não é culpa da moto! O (meu) problema é apenas a sensação de insegurança que a pilotagem me causa.

  • ccn1410

    Só que aí faltaria espaço nas ruas. Você não acha?

  • ccn1410

    Coisa de menos de duas semanas, aqui perto de casa um motorista de picape média se esborrachou na traseira de um caminhão e teve morte instantânea. Ao verificarem seu celular, viram que ele falava e filmava enquanto dirigia.
    Simples, não é mesmo?

    • Bob Sharp

      ccn1410
      Lamentável, perder a vida por uma besteira dessas.

    • Guilherme Keimi Goto

      Foi a L200 branca em Palhoça – SC?

    • Lorenzo Frigerio

      Teve umas moças dando final na Pe. Manuel da Nóbrega com um Gol (acho que caixa) e filmando com celular; capotaram e morreram. Já faz uns 2 anos, talvez um pouco mais.

  • ccn1410

    No dia 24 de dezembro, saí com meu filho para tirar algumas fotos de uma cachoeira. Eu fiz questão de acompanhá-lo para cuidar dele, que mesmo adulto, poderia ser imprudente e se acidentar.
    Ledo engano, porque quem se acidentou fui eu. Escorreguei na laje do rio e caí de costas com violência. Além de espatifar meu celular, bati as costas e a parte de trás da cabeça com muita força.
    Nesse lugar exato que caí, na semana anterior um jovem de vinte e poucos anos também caiu, só que teve menos sorte que eu e escorregou cachoeira abaixo.
    Ele morreu!

    • Bob Sharp

      ccn1410
      Puxa, que coisa chata! Você poderia ter-se machucado bem!

      • CCN-1410

        É verdade… Quem sabe agora eu poderia não estar aqui.

  • Lucas dos Santos

    Muito boa a reflexão, Bob.

    Eu, quando criança, também fui orientado a jamais correr com qualquer objeto na mão e tampouco colocar a mão no batente das portas.

    Quanto ao colírio, soube de história parecida, porém ao inverso. De uma pessoa que acordara, no meio da noite, com dor de cabeça e, sonolenta, tomara colírio com água achando que era analgésico em gotas – ela não tinha acendido a luz e administrou o medicamento no escuro mesmo. A pessoa só soube que ingerira colírio porque ficara com preguiça de guardar o medicamento no lugar e deixara o frasco em cima da mesa. No dia seguinte, ao se levantar, encontrou o frasco do medicamento e se deu conta do que fizera!

    Manipular o telefone celular – ou falar mesmo, com ele na orelha – ao caminhar na rua foi algo que fiz poucas vezes e hoje não faço mais. A minha atenção ficava toda voltada ao aparelho, o que resultava em tropeções e esbarrões em outras pessoas. Hoje, se eu precisar falar no celular enquanto caminho, somente o faço com fones de ouvido. Dessa forma ouço melhor e não preciso dedicar tanta atenção ao aparelho. Mas mesmo assim evito. Quando eu trabalhava em um supermercado, por várias vezes quase atropelei clientes com o carrinho que utilizava para levar as mercadorias do depósito à área de venda, por que estavam no celular e entravam na minha frente sem perceber a minha aproximação. Depois, quando avistava alguém com o celular na orelha (ou na mão), passei a tomar cuidado redobrado.

    Quanto a dirigir privado da visão ou da capacidade de raciocínio, perfeito. Mas acrescento aí dirigir com sono. O fiz duas vezes e não o farei mais! Dirigir – ou, no meu caso, pilotar uma motocicleta – com sono é uma das piores sensações que existem! Eu perdia totalmente os reflexos, cometia erros primários, errava marcha, não conseguia calcular com precisão a distância de frenagem, errava o caminho e perdia a suavidade nos comandos do veículo! Não recomendo a ninguém dirigir nessas condições!

    Quanto à prevenção, fiz parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) em uma empresa em que trabalhei e aprendi muito nessa parte. É uma pena que a maioria dos funcionários negligenciava isso. Achavam que usar o Equipamento de Proteção Individual (EPI) era “frescura”, “exagero”. Comentários do tipo “Como pode um marmanjo desse tamanho utilizar ‘luvinhas’ para trabalhar com produtos de limpeza? Não tem vergonha?” eram simplesmente deprimentes! Gente carregando mais peso do que o permitido era rotina! O pior era que esse pessoal era tido como “trabalhador”, “eficiente”, enquanto os que respeitavam o limite de peso a carregar eram vistos como “medíocres”.

    Prevenção é fundamental para permanecermos vivos e fisicamente íntegros. Não basta apenas confiar na sorte. Nessas horas tem que ser “pessimista” mesmo, pois é isso o que nos leva a nos prevenir!

    • Mr. Car

      Vivi isto na fazenda do meu avô. A gente dava todo o equipamento de proteção/segurança e fazia usar. Dava as costas, tiravam na hora. Depois, se aparecesse algum fiscal do trabalho, quem levava a multa? O patrão “capitalista selvagem” que não dá a mínima para a segurança/saúde dos funcionários. E ainda era capaz de algum advogadozinho do sindicato fazer a cabeça do sujeito para pedir indenização por doença ocupacional.

      • Marcio

        Isso aí aconteceu comigo: o rapaz que trabalhava lá no sítio era fã de boteco, até que de tanto encher a cara e até bater na esposa de tão alterado que ficava, um advogadozinho resolveu que ele deveria pedir indenização trabalhista por intoxicação por agrotóxicos… Queria R$100 mil, até que meu advogado pediu um exame toxicológico e aí ele arregou. Será que foi porque ele usava todos os equipamentos de segurança e dificilmente estaria intoxicado de outra coisa, senão cachaça?

      • Lucas dos Santos

        É como o instrutor que nos ministrou o treinamento da CIPA nos disse: o esperado seria que o empregado, preocupado com sua própria segurança, exigisse que o empregador lhe fornecesse todos os equipamentos de proteção. Mas, como isso não ocorre, o empregador é que precisa obrigar seus funcionários a utilizar o equipamento, invertendo totalmente a lógica.

      • Antônio do Sul

        É complicado, mesmo. A legislação e o Ministério do Trabalho acham que o empregador deve tratar o funcionário como criança…Uma prima minha, engenheira, quando trabalhava na construção de edifícios, vivia brigando para que os operários usassem os EPIs, até o dia em que um deles, em um acidente, só não perdeu o dedão de um dos pés graças a botina que usava. A partir daí, ninguém mais trabalhou sem capacete ou de chinelo de dedos…

  • Bob Sharp

    Fat Jack
    Parabéns, você está mais do que certo.

  • Bob Sharp

    Piantino
    Que história horripilante, essa sua! Que infelicidade! Como um simples ato altera nossa vida, não?

    • Piantino

      Exatamente Bob… Um simples ato pode mudar sua vida para sempre. Precisamos realmente estar sempre atentos!
      Grande abraço!

  • Bob Sharp

    Bob, o de Petrópolis
    Espetacular, isso que Você contou. Estratégia perfeita!

  • Bob Sharp

    Paulo Roberto de Miguel
    Exatamente, por um segundo!

  • Joel Gayeski

    Eu caí de bicicleta a menos de 20 km/h e fiquei semanas com o joelho doendo. Qualquer coisinha é suficiente pra nos levar a um ferimento.

  • César

    Pois é Bob, este post é pertinente. Em certa oportunidade, a repartição pública onde trabalho nos patrocinou um curso sobre trabalho em altura, segurança do trabalho e equipamentos de proteção. Para todos os efeitos legais, 2 metros já é considerada altura de risco. Na hora em que soube, achei graça e fiz pouco caso. Até a oportunidade em que, durante a vistoria a uma obra, para encurtar o caminho de saída, pulei um degrau de uns 40 centímetros e destruí o osso calcâneo de um dos pés. O estrago só não foi maior, creio, por estar usando botas tipo “motociclista”, que protegem bem os tornozelos. Aí passei a acreditar que qualquer altura pode ser perigosa.

  • Aureo Teixeira

    Quando me tornei pai, aprendi a ver como dentro de nossa casa existem perigos por todos os lados. Quando a criança começa e engatinhar até seus primeiros passos, percebemos que objetos que parecem ser inofensivos, tornam-se perigosos. Assim, no trânsito, os grandes riscos existentes são praticamente ignorados por excesso de confiança, que só pode acontecer com os outros , e assim por diante. Fazendo uma comparação, nós somos como bexigas cheias d’água, que ao menor impacto elas se estouram!

  • Antonio Gonçalves

    Caro Bob, sou médico ortopedista com 32 anos de carreira e posso te dizer com toda certeza: se a Simone tivesse sido atendida no mesmo hospital que o Piquet suas chances seriam bem melhores, não porque teria médicos melhores, mas porque teria melhores condições estruturais para que seu trauma fosse melhor tratado.

  • Eduardo Sérgio

    Sobre o acidente de Nelson Piquet em Indianapólis, o próprio piloto reconheceu que, se aquele acidente fosse no Brasil, com certeza o hospital que o atendesse iria amputar seu pé.

  • Vinicius

    Uma vez, soube da morte de um cara que estava lavando a moto perto de um muro. Ao virar a moto, sem estar montado, se desequilibrou entre o muro e a mesma e quebrou o pescoço ao não largá-la e se apoiar. Depois, confirmei a veracidade…

  • Fernando

    Excelente reflexão!

    Com a vida corrida é ainda mais difícil nos lembrarmos das coisas mais simples e elementares, para a própria segurança.

    E para ela mesma, em muitas vezes eu deixo muitas coisas da pressa de lado para não fazer besteiras, querer fazer mais do que dá, resulta em porcaria…

    Nesses cuidados pequenos da rotina, tenho uma mania de calçar a porta com o pé (com calçado, lógico) perto do meio dela, para mesmo que ela resolva bater, ter uma restrição no caminho. E em casas em que encana muito o vento quem não faz isso se assusta ou já teve um dedo premido alguma vez, mesmo na maçaneta a força fica bem maior.

  • Marcio

    Ou uma das piores desculpas de todas: é ali pertinho! Uma pesquisa na Inglaterra, não me lembro de qual universidade, levantou dados de seguradoras e concluiu que a maioria dos acidentes acontecem a cerca de 4 minutos da residência do indivíduo. Algumas das causas possíveis seriam por ele ficar autoconfiante por conhecer o lugar, ou por ele ainda não estar totalmente alerta, ou por achar que já chegou e “baixar a guarda”.

  • Lemming

    A maioria dos autoentusiastas sabe sim…mas o mais caro que pagam não é suficiente para “cobrir” uma cirurgia e muito menos indenização por morte ou invalidez…

  • ccn1410

    Para evitar o sono nas longas viagens, eu costumo parar de tempos em tempos para dar umas voltinhas ao redor do carro. Lavo o rosto e tomo café, se tiver, e me distraio vendo o trânsito na estrada por algum tempo. Outrora eu tinha o hábito de parar em qualquer lugar, mas hoje somente paro em postos da polícia ou em frente algum estabelecimento comercial, como postos de gasolina, entre outros.
    Caso venha o sono, o melhor mesmo é parar, ou se for impossível, ligar o rádio fora das estações e em volume alto. O ruído é insuportável e que ninguém, mesmo que esteja “morrendo” de sono, consegue dormir.

    • Lucas dos Santos

      Pior é o sujeito já sair de casa com sono – porque dormiu pouco – e dirigir, como foi o meu caso.

      E nem precisou ser uma viagem longa. Uma simples ida no supermercado, sem sair do bairro, já foi algo “arriscado” de se fazer com sono.

    • Roberto Neves

      Já parei num posto de gasolina, na Presidente Dutra, voltando de São Paulo para o Rio, mandei todo mundo sair e cochilei meia hora. Voltei a dirigir “inteiro”. Quando sinto sono e não é possível parar, abro a janela e dirijo com o vento na cara até encontrar onde parar e cochilar um pouco.

  • ccn1410

    Na primeira empresa onde trabalhei, os carregadores do depósito, faziam campeonato para ver quem carregava mais peso e em menor tempo, e ai de quem utilizasse algum aparato de segurança. O cara simplesmente não ficava muito tempo na empresa.

  • Roberto

    Aqui em casa também somos contra o uso de películas, até muito antes de ter conhecimento do Ae. Na loucura do trânsito dos dias atuais, você tem que prestar atenção no que você e os outros fazem, e assim qualquer redução na visão faz a diferença. Além disso, nunca acreditamos no que afirmam os vendedores de películas (de que elas reduzem o número de abordagens dos marginais e que aumentam a eficiência do ar-condicionado). Aliás, com uma busca rápida na internet achei até alguns testes que provam ao contrário destas afirmações, como este realizado por alguns alunos na Unicamp que mostraram que o desempenho do ar-condicionado não melhora com o uso de películas:

    http://www.ifi.unicamp.br/~lunazzi/F530_F590_F690_F809_F895/F809/F809_sem1_2009/BrunoG-FlavioGandra_RF3.pdf

    Neste caso a lógica dos resultados é relativamente simples: as películas filtram a luz solar à custa de absorção. Como a película é instalada na parte interior dos vidros, a energia solar absorvida acaba sendo liberada na forma de calor para o ar no interior do automóvel.

    • RoadV8Runner

      Essa constatação de que películas não resfriam o interior dos veículos já havia verificado na pele. É uma questão de lógica, cores escuras assim o são porque absorvem luz, que vai se transformar em calor. Fiz um teste informal antes de remover esses sacos de lixo logo após comprar meu carro atual – usado, cerca de 5 anos atrás: com películas (absurdas G20!!!), o interior ficava cerca de 7 °C mais quente depois de um dia inteiro sob sol de verão. Chegou a absurdos 68 °C de temperatura interna, para um pico de 38 °C na temperatura externa. Além disso, o carro levava mais tempo para resfriar.

  • Lucas

    Sobre habilitação penso o seguinte: é muito fácil tirar carteira no Brasil. Não que seja barato, mas para isso dá-se um jeito. O problema é a formação que é dada no processo de habilitação. O que é ensinado nos CFCs é uma vergonha. Tirar carteira devia ser um processo muito mais elaborado e totalmente diferente do que é hoje.

    • Lucas dos Santos

      Quanto a isso, não há dúvidas. O ensino é bastante básico, especialmente na categoria A.

      Agora, se a pessoa, mesmo habilitada, não está preparada para encarar o trânsito do dia-a-dia, que dirá aquela que nunca sequer leu sobre o assunto e acha que conduzir um veículo em via pública é uma brincadeira?

      Obviamente que não estou me referindo ao pessoal que, apesar de não ter habilitação, recebera orientações de alguma pessoa experimente – normalmente algum familiar – ou pesquisou bastante sobre o assunto e tem interesse em pilotar bem e corretamente. Esses, normalmente, dirigem até melhor do que motoristas habilitados que só tiveram a autoescola como referência – meu caso.

  • Bera Silva

    Que notícia triste, espero que a d. Simone se recupere e fique bem.
    Estava tentando colocar o motor do Opala do Chevette, o motor estava amarado com corda pelo suportes, suspendi o motor e fiquei dentro do cofre (prêmio Darwin…). Sai do cofre e fui baixando o motor, faltando pouco para ele encostar nos coxins, a corda desamarra e o motor despenca. Se eu ficasse mais 30 segundos dentro do cofre, estaria aleijado agora.
    Ontem a noite, voltando do trabalho, passei pela Anchieta e ví o incêndio nos tanques na Alemoa, em Santos. Chegando em casa, depois de relaxar, comecei a pensar no risco que todos alí estavam expostos, não tanto pelo fogo, mas devido aos tanques próximos conterem produtos químicos (alguém falou sobre amônia). Percebi que a cidade não está preparada para uma situação de emergência.
    Ontem mesmo houve a notícia do acidente de helicóptero, onde morreram cinco (incluindo a filho do governador) e também um desabamento de um sobrado em reforma, graças a Deus, sem vítimas graves ou fatais. Não podemos criar paranóias, mas ter noção do perigo é algo que devemos exercitar sempre.
    Bom feriado a todos e aguardemos A Ressureição, compadecendo do sofrimento dO Cristo nesta Sexta-feira Santa.

  • Antônio do Sul

    Bob, se os seus primos não conseguirem essa prótese junto à AACD, o Autoentusiastas poderia fazer uma campanha para arrecadar fundos com o objetivo de se adquirir uma prótese para a Simone. Cada um doaria de acordo com as suas possibilidades.

  • Bob Sharp

    Antônio do Sul
    Excelente idéia! Agradeço sua solidariedade à Simone.

    • nelson taniguchi

      Olha, mesmo conseguindo a prótese, poderiamos fazer a campanha, porque vai ser uma luta diária. Quem poderia organizar isso? Vamos por isso em prática, não podemos ficar só rezando e falando. abcs a todos

  • Leo-RJ

    Belo post, Bob! Nos dá muito o que pensar. Como o ser humano, que está acabando com o mundo, é frágil diante deste mesmo mundo.

  • RoadV8Runner

    Poxa, que coisa ler essa notícia. A única coisa que posso fazer neste momento é me solidarizar com a Simone, seus familiares e amigos.
    E concordo totalmente com a idéia do Antônio do Sul. Se necessário, ajudo com prazer a conseguir uma prótese para a Simone.

  • Não sei vocês, mas para mim caminhar com fone de ouvido piora até o equilíbrio.

  • ccn1410

    Sim!

  • Guilherme Keimi Goto

    Mais ou menos, não é, Guilhermino? Parte da arrecadação dos estados vai para a União e depois ela volta (des)balanceada para os estados. Corrija-me se comento algum engano.

    • Guilhermino

      Sim, mas o INSS tem receita própria. Como é deficitário, há complementação com outras receitas, mas teoricamente não do DPVAT. Quanto a este, encontrei a seguinte informação:

      “50% do pagamento que você faz são usados no pagamento de indenizações e administração das operações do Seguro DPVAT, em nível Brasil. Os 50% restantes, são repassados diretamente ao governo federal, pelos bancos arrecadadores, para serem investidos na manutenção da saúde pública e na política nacional de trânsito, sendo:

      – 45% destinados ao Fundo Nacional de Saúde – FNS, para custeio da assistência médico-hospitalar dos acidentados no trânsito;

      – 5% destinados ao Departamento Nacional de trânsito – DENATRAN, para desenvolvimento de programas de prevenção de acidentes no trânsito.”

      Daí se pode concluir que o DPVAT das motos é mais caro porque a quantidade de sinistros e indenizações é mais alta e, de quebra, a gente ainda paga 50% de imposto sobre ele.

  • nelson taniguchi

    Estou com 49 anos e meu primeiro meio de transporte foi uma moto, ML 125, viajava muito, troquei a coroa por uma menor para ganhar mais velocidade na estrada… 18 anos, era o rei do mundo, super-homem… ainda bem que não tinha dinheiro para comprar uma CB 400 ou “sete galo”, porque senão morria por imprudência. No mês passado encontrei um amigo de infância, ele tem uma Bandit 750 e disse para dar uma volta… Meu sonho sempre foi ter uma “sete galo” e agora eu podia dar uma volta em uma, na minha frente, motor enorme… Recusei, hoje tenho medo de andar de moto, tenho 2 filhos para educar, para amar, eu que fui pesquisar passeio de asa delta, tenho medo até de andar de bicicleta no meio desse trânsito caótico. Sou tão obcecado que quando paro num congestionamento ou obra na rodovia, deixo um espaço na frente, caso o carro/caminhão não consiga frear a tempo, assim eu simplesmente viro para o acostamento e acelero… Loucura? Sei lá, já me acostumei a isso. Tenho carteira de moto faz 31 anos… talvez eu volte a usar.
    Falando em álcool e direção, não sei como é no EUA, mas no Japão nem o passageiro pode beber, simplesmente porque atrapalha o condutor. Num bairro boêmio como a Vila Madalena deveria estar cheio de táxi e nenhum carro particular, é o que acontece em pais de Primeiro Mundo. Mas não é só a lei, o povo precisa ter consciência disso, o país só muda quando o povo mudar, temos que educar as crianças, porque os adultos já estão com as idéias formadas é difícil transpor esse obstáculo. Se todos tiverem consciência que não se pode beber e dirigir, não se pode jogar lixo nas ruas, não pode derrubar árvores, não pode desmatar, não pode deixar o leito do rio descoberto… é uma lista sem fim. Quando todos seguirem essas regras, o país será outro!!