Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas FRANÇA ELEVA PARTICIPAÇÃO NA RENAULT PARA MANTER INFLUÊNCIA – Autoentusiastas

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Da Automotive News Europe e Reuters:

O governo francês aumentou sua participação na Renault, fortalecendo sua influência de maior acionista da fabricante, num desafio ao presidente executivo Carlos Ghosn que põe em risco a aliança Renault-Nissan.

A França irá temporariamente aumentar sua posição de 15% para 19,7% e já reuniu a maior parte das ações adicionais, disse nesta quarta-feira o ministro das Finanças.

O governo disse que o ato destinou-se a assegurar o direito a voto dobrado para os investidores de longo prazo — o próprio incluído — após um voto na assembléia de acionistas da Renault em 30 de abril

A legislação introduzida durante o governo do presidente socialista François Hollande dobra os direitos a voto dos possuidores de ações das empresas francesas a menos que optem por ficar fora da chamada lei Florange por maioria de dois terços.

Ao aumentar sua participação na Renault, o governo quer impedir a proposta “uma-ação, um-voto” da fabricante de sair da lei Florange na assembléia marcada para 30 de abril. A medida significa uma derrota pública para Ghosn, que dirigiu a Renault e a Nissan nos últimos dois anos.

George Gallliers, um analista automobilístico da Evercore ISI, disse: “Parece que a Renault está sendo usada como um futebol político.”A intervenção é claramente contrária à vontade da companhia,” disse.

O anúncio do governo foi uma surpresa tanto para a Renault quanto para a Nissan, sua parceira numa aliança de 16 anos. “Foi completamente inesperado,” disse uma fonte sênior da Renault. “Nenhum aviso foi dado à Nissan.”

As empresas não quiseram comentar.

O ministro da Economia da França Emmanuel Macron disse que a compra de ações da Renault reflete a determinação do governo de usar todas as ferramentas possíveis “para promover um tipo de capitalismo progressivo, de longo prazo, que apoie os trabalhadores e ajude as empresas a crescer.”

O governo disse que iria reduzir sua participação na Renault de volta aos 15% após a reunião com os acionistas, falando num sistema de colocação de ações que forem adquiridas para garantir preço mínimo quando 14 milhões de ações forem revendidas.

Estrutura futura da aliança

A compra das ações poderia também complicar qualquer tentativa de garantir o futuro da aliança Renault-Nissan ao substituir as participações recíprocas por uma estrutura de holding melhor definida ou mesmo uma fusão total antes do contrato de Ghosn terminar em 2018.

A Renault tem 43,4% de ações com direito a voto pleno na Nissan e esta possui 15% de ações sem direito a voto na Renault. Enquanto a Nissan não pode votar com a sua participação de 15% na Renault, o peso votante da holding equivalente do governo será um fato sob a nova lei.

“A Nissan já não se sente bem por não poder exercer o direito a voto na Renault,’ disse a fonte da Renault. “Isso demonstra uma determinação bem clara do estado em ponderar sobre qualquer decisão futura da Renault e da aliança.”

Ghosn já havia planejado uma fusão entre a Renault e a Nissan, mas disse que a estrutura de capital da parceria poderia ser revista antes de 2016.

As ações da Renault pouco mudaram após o anúncio do governo antes de eventualmente subirem 0,8% para 85,92 euros às 13h25 de ontem, hora de Paris. As ações da Nissan fecharam em baixa de 1,2% em Tóquio.

Ae/BS



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  • Guilherme Keimi Goto

    Se eu fosse psiquiatra iria pesquisar a doença que leva o cidadão a acreditar que governos são capazes de “gerenciar” empresas com a eficiência das privadas. O governantes franceses não conseguem nem dar conta de equilibrar as contas públicas (a França fechou 2014 com deficit de 91 bilhões de dólares) e decidem se meter naquele que é um dos mercados mais competitivos do mundo. E com o agravante de que isso envolve uma bem sucedida parceira internacional que dura seus 16 anos.
    Uma estratégia errada e o acionista/contribuinte paga o pato.
    Governo fazendo governice.

    • $2354837

      Há os dois lados… Veja a GM no que deu, só no controle privado e quem a socorreu…

  • Wagner Bonfim

    Bem posto! Me lembra bastante um país sul americano em que o governo tentou manter o controle sobre uma das maiores petrolíferas mundiais e … deu no que deu!

    Maldita tradição latina …

    • Guilherme Keimi Goto

      Victor, mas os chineses tem o segundo maior PIB do mundo com crescimento de 7% ano, Estado predominante, pouquíssimos direitos trabalhistas e salários baixíssimos. Resumindo, o trabalhador chinês é a p***nha das empresas estatais chinesa e estrangeiras. Aí é moleza.
      Por outro lado a França tem um estado intervencionista, mas com IDH elevado, com altos salários com direitos trabalhistas e previdenciários plenos. Espere o dia em que o boom chinês se interromper e que se implante um sistema público decente (igual ao francês) e depois a comparação França-China fará algum sentido. Desconfio que não vou estar na Terra para ver esse dia chegar.

      Luiz, o problema era da GM, o governo meteu a mão naquilo para defender algum interesse. Seja da cúpula da GM ou preservar os empregos. Escolha um. Os dois ferem feio os interesses do contribuinte americano.

      Não só isso Wagner, temos ainda a Vale do Rio Doce que, se não fosse a privatização, provavelmente seria outro posto cabidão de emprego para os contribuintes trouxas pagarem a conta. Como empresa privada o governo só recebe imposto e fim de conversa, não existe cabide de emprego e se a empresa quebrar, problema dela e de seus acionistas.

  • Victor Gomes

    Sugiro então que pesquise sobre a atuação de empresas chinesas que atuam em setores estratégicos como o de energia, mineração e telecomunicações. Elas podem ser bem mais ágeis do que as empresas de capital privado. Essas, inclusive, reclamam que há uma concorrência desleal quando as SOE’s (State Owned Enterprises) chinesas atuam em alguns mercados.

  • Paulo Eduardo

    Cai fora logo Nissan. Volte a ser uma nipônica puro-sangue.

    • Filipo

      Para a Nissan sair, esta terá que pagar muitos milhões de dólares de multa a Renault.

      • Paulo Eduardo

        Sem dúvida alguma! E a Renault não vai querer “largar o osso” tão fácil pois a Nissan fatura bem (nos EUA

        principalmente). Mas, assim como a Mazda saiu da Ford (em circunstâncias bem diferentes, admito), seria ótimo ver a Nissan como uma autêntica japa novamente.

  • Filipo

    Temos que lembrar que foi a Renault que salvou a Nissan da falência.
    Por isso, no acordo de “fusão”, a Renault possui muito mais ativos da Nissan do que esta possui da Renault.
    E eu também gosto muito da Renault. Pena que aqui no país virou Dacia.

    • Filipo,
      Não é preciso lamentar. A Dacia fabrica produtos Renault desde 1968 – há 47 anos – e foi absorvida pela fabricante francesa em 1998. O Duster é um Renault na sua essência, nada há de pejorativo em ter marca original Dacia. Esse preconceito não tem sentido.

      • Filipo

        Bob, é com grande surpresa e honra que me sinto por ter um comentário respondido por você.
        Obrigado pelos ensinamentos.
        Abraço.