handwrtiting

(procopywriters.co.uk)

Um texto bem escrito é como uma pessoa bem vestida, normalmente não se nota, ao contrário de outra mal vestida, que logo desperta a atenção, destoa. Antes que o leitor pense tratar-se de assunto fora de tópico, não é, pois o assunto é justamente automóvel.

Resolvi falar nesse assunto depois que uma assessoria de imprensa de importante fabricante de autopeças, multinacional, enviou notícia de que na feira Automec, em São Paulo, em curso,  seriam sorteadas duas viagens “para o Grande Prêmio de Monza, na Itália”. Só que não existe grande prêmio de estado, município, comuna (de Monza), muito menos de autódromo, mas de país, por exemplo, Grande Prêmio do Brasil, Grande Prêmio do Canadá etc. Claro, avisei à assessora sobre o erro.

Por falar nisso, é comum se dizer/escrever ‘Grande Prêmio Brasil’ em vez de ‘Grande Prêmio do Brasil’, em que o primeiro é a tradicional prova de turfe no hipódromo do Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, em agosto. É que dá um trabalho colocar o ‘de’…

 

GP Brasil

O verdadeiro e único Grande Prêmio Brasil

O leitor do Ae sabe que as matérias apresentam o Português mais correto possível segundo as regras ortográficas e gramaticais e, também, que decidimos continuar com as regras do Acordo Ortográfico de 1943, complementado por um acordo entre o Brasil e Portugal, em 1971, pelo qual houve ligeira modificação no que diz respeito à acentuação.  Chegamos a adotar as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 que passou a vigorar em janeiro de 2009 e que seria obrigatório seguir em janeiro de 2013, mas no dia 6 de agosto de 2011, numa matéria intitulada Protesto, comunicamos aos leitores que voltamos às regras antigas. Vale a pena ler ou reler esta matéria para entender os motivos.

Mas ao apagar das luzes de 2012 o governo adiou por três anos a obrigatoriedade de adotar a novidade, ficando para 2016. Até lá decidiremos o que fazer, se mudamos para os absurdos de escrever ‘voo’ em vez de ‘vôo’ ou ‘o carro para para desembarcar passageiro’ em vez de ‘o carro pára para desembarcar passageiro’, entre outros contra-sensos — que hoje é ‘contrassensos’…

 

Reforma ortográfica

Portugal e Brasil, tudo bem, mas Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor- Leste? Faça-me o favor… (arte fatonovo.com)

O motivo de termos tanto cuidado com o idioma não é para parecermos melhores do que os outros, mas uma questão de respeito ao leitor ou leitora, já que achamos que todos têm o direito de ler um texto sem erros. Tanto é assim que, como editor-chefe, reviso até os comentários — certamente muitos que comentam já notaram isso. Por que? Porque comentários são parte integral e indissociável das matérias, especialmente por se tratar de internet e sua inerente rapidez, impossível para a mídia impressa.

Perco um bom tempo com essas revisões dos comentários, mas felizmente esse trabalho vem diminuindo paulatinamente, uma vez que os próprios leitores têm se esmerado em escrever corretamente, evitando o “smartphonês” e seus q, tbm, css, início de frase e nomes próprios em minúsculas e outros hábitos do gênero. Aliás, quero agradecer aqui esse tipo de atenção.

Termos banidos

Além de nos basearmos no Manual de Redação e Estilo d’ O Estado de S.Paulo, escrito pelo saudoso Eduardo Martins, falecido em 2008, e com quem eu me relacionava por e-mail para sanar dúvidas, temos também o nosso “manual” .

Assim, o leitor do Ae jamais lerá aqui a palavra ‘montadora’, que tomou conta das redações brasileiras de uma maneira impressionante, o que para mim é um mistério maior que o da Santíssima Trindade.  Outra palavra de amplo emprego é ‘automotivo(a)’, também banida aqui, apesar de reconhecida nos dicionários. É que se trata de falso cognato, oriundo do inglês automotive, cuja tradução correta é ‘automotriz’ . Tanto que electromotive force é força eletromotriz em português e não força eletromotiva. Então, indústria automobilística sempre, nunca indústria automotiva.

Outra impropriedade é escrever ‘carroceria de fibra’, como se esta fosse o material empregado, quando na realidade a carroceria é de plástico. A fibra, no caso fibra de vidro, é apenas reforço do plástico. Esses materiais diferentes, juntos, têm o nome de compósito, daí o leitor ver nossos textos ‘compósito de fibra de vidro’ ou ‘compósito de fibra de carbono’, outro tipo de plástico que vem sendo cada vez mais utilizado pela indústria automobilística para reduzir peso.

 

Fibra

Esta não é uma carroceria de fibra, mas de plástico (foto mercadolivre.com.br)

SUV é outra sigla que avança nas redações, talvez preguiça de escrever (veículo) utilitário esporte. Aqui criamos a palavra suve, apenas uma palavra homofonia da pronúncia da sigla em inglês que muitos adotam ao falar — americanos nunca a pronunciam, apenas falam as letras, como ‘éss’iu’vii’.

‘Cilindradas’ usado com unidade de volume já foi bem mais comum, hoje felizmente quase desaparecido, mas vez por outra ainda se vê esse erro absurdo. Atribuo-o também à preguiça, pois é mais trabalhoso falar centímetros cúbicos do que cilindradas. O mesmo para a utilização do ponto para separar a parte inteira de fracionária ao exprimir a cilindrada em litro, com 1.0, 2.5 etc. Novamente caso de preguiça, acho, por ser mais fácil dizer um-ponto-zero do que um-vírgula-zero. Pelo menos os radialistas das emissoras em FM pronunciam a vírgula, ouve-se sempre, com em noventa e quatro vírgula sete mega-hertz.

 

emblema 1.0

(mercadolivre.com.br)

Portanto, reafirmando o que está dito no título, escrever bem é arte e técnica. Os melhores exemplos de arte são o que o Arnaldo Keller (AK) e o Marco Antônio Oliveira (MAO) trazem a você, e de técnica, o que você lê aqui no seu Ae.

BS



Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • O texto bem redigido é uma das características do Ae, um dos motivos que dá gosto de ler.
    Mas, aproveitando o gancho sobre matérias e comentários que há no texto, gostaria de saber se há a perspectiva de solucionar o problema da migração do blog para o site, pois muita informação importante foi perdida nesse processo ou não conseguimos acessá-la no blog, por causa do redirecionamento.

  • RMC

    Bob
    Muito legal a manifestação. Deixo de ler algumas publicações justamente por apresentarem má qualidade nos textos. De nada adianta apresentar belas fotos se o texto é mal redigido e/ou incorreto ou superficial. Tanto que hoje as avaliações do Ae são, de longe, muito melhores do que as da revistas ditas “especializadas”. Há muito mais informação técnica e muito melhor descrição dos carros em teste e no uso.
    O pior é que é um fenômeno que extrapola nossas fronteiras. Sou assinante da Quattroruote italiana há bastante tempo e é muito triste constatar que a qualidade das matérias vem caindo muito, quase chegando ao nível das revistas nacionais.
    Triste isso tudo, não? Pelo menos temos o Ae e o Best Cars para nos salvar da mesmice e da superficialidade. Continuem assim, por favor!
    RMC

  • Marco

    Ao contrário do Bob, eu noto SIM um texto bem escrito. Talvez por este motivo é que não utilize Facebook (a futilidade das discussões também é razão). É triste ler textos de pessoas que estudaram comigo em colégios bons, lá nos idos da década de 1990, escreverem “mais” ao invés de “mas”.

    Aliás, não é incomum se deparar com muitos profissionais que possuem cargos elevados, escreverem mal.

    Sou bastante crítico comigo mesmo e acredito escrever razoavelmente. No entanto, sempre que redijo um texto para terceiro, o reviso. É vergonhoso ler um texto formal e se deparar com erros grotescos de gramática.

    Não é necessário escrever de forma floreada ou difícil. Basta o texto ser claro.

    No colégio, um professor de Português dizia que um texto é resultado de 10% de inspiração e 90% de transpiração. Sem leitura e treino da escrita, nada feito.

    Por fim, os textos do Arnaldo são MUITO bons. Além de gramaticalmente corretos, são muito leves e prendem a atenção do leitor. Dá a impressão que ele – AK – está ao seu lado contando a história.

    • Lorenzo Frigerio

      A sua geração adora o termo “seguimento” (sic). É o que mais se vê nos fóruns automotivos (automobilísticos?).

  • Mr. Car

    Também me nego a adotar a nova ortografia. Ainda bem que não vou mais fazer vestibular, he, he! Outra coisa que não me entra (no bom sentido, claro), é o internetês. E como sou viciado em “YouTube”, onde se pode comentar sobre os vídeos, outra coisa que me incomoda tanto quanto erros na grafia do português, é a falta de capacidade que muita gente tem de expressar uma idéia, dar sentido ao que se está querendo dizer: simplesmente fica impossível saber que mensagem o cidadão estava querendo passar!

    • Rodrigo Baccino

      identifico-me com este mesmo problema, Mr Car., digamos assim, as pessoas estão casa vez mais preguiçosas e burras, só pode ser, porque não é possível que o cara não consigo externar uma idéia ou um pensamento de forma que ao menos o leitor consiga interagir e responder ou ao menos perceber que há pessoas que compartilham da mesma opinião, eu às vezes sinto que estamos sendo “carregados” pela geração de pessoas de idade média (nem todas, claro, mas uma grande parte, até financeiramente mesmo), porque essa juventude são uns verdadeiros idiotas, infelizmente é a verdade…

  • Mingo

    Faço coro com o Mr. Car. Me nego a adotar essa nova e ridícula ortografia. Vou continuar a escrever e pontuar como aprendi lá no passado, e como já sou um “tiozinho”, acabo passando por excêntrico mesmo…
    Aliás, acho importantíssimo também ter uma letra legível, pois às vezes pego textos manuscritos que nem um arqueólogo conseguiria decifrar. Não adianta nada “escrever” bem e ter uma letra horrível, que ninguém consegue ler.

  • Rogério Ferreira

    Eu agradeço muito ao trabalho que o Ae tem de corrigir alguns comentários que postei, pois, escrevo na correria, nos breves intervalos – inclusive neste comentário – e confesso que, nem sempre, consigo revisar o texto. Eu tento, ao máximo, não cometer erros, mas a nossa língua é deveras complicada. Quando eu era estudante secundário, tinha que me dedicar metade do meu tempo de estudos à Língua Portuguesa e o tempo remanescente às demais matérias. Mesmo com tanta dedicação, ainda não consigo me lembrar de todas as regras. O emprego da crase, por exemplo, quase que invariavelmente, vou errar, pois é uma regra – a conjunção do artigo “a” com a preposição “a” com muitas exceções e não me lembro de quase nenhuma delas. A nova revisão ortográfica causa grande confusão na minha cabeça, especialmente quanto ao emprego do hífen. Aqui onde trabalho, sou obrigado, muito a contragosto, escrever “infraestrutura”. Outra palavra que me dá ojeriza de ouvir, é a tal da “Presidenta”… Presidente, no meu entendimento, nunca flexionou em gênero, tal qual a palavra policial. Se a regra valer, então devemos referir à policial feminina como “Policiala”. Bom é isso.

    • Lucas dos Santos

      Parece-me que termos como “presidenta”, “estudanta” e “ajudanta” eram aceitos antigamente.

      Ao menos, a minha mãe me conta que era ensinado assim nas escolas e, pelo que pesquisei, parece que, até um tempo essas flexões eram consideradas corretas. Posteriormente, esses termos caíram em desuso e são incorretos até os tempos atuais.

      Portanto, “presidenta” é um termo antigo e defasado, que a “Excelentíssima” insiste em usar na atualidade.

  • Eduardo W.

    Nego-me terminantemente a adotar a novilíngu-, quer dizer, a nova ortografia. Acho o u tremado (ü), por exemplo, algo fundamental para diferenciar cinqüenta de “cinkenta”, fora todos os outros casos como o excelente exemplo do “pára para”.

    No entanto, tenho algo a questionar sobre o ponto ou a vírgula no caso do deslocamento volumétrico dos cilindros. O Brasil é um dos únicos países que adota a vírgula para separar decimais e o ponto para separar milhares, sendo que o normal no mundo (e nos livros-texto de engenharia e ciências exatas de alcance mundial) é o inverso.

    Eu pessoalmente uso o ponto para milhares e a vírgula para decimais, pois quando em Roma faça como os romanos, certo? E assim ainda evito dúvidas com leitores brasileiros.

  • Italo

    Eu acrescentaria o texto do sr. Nasser em sua coluna semanal, que é um belo exemplo de conhecimento do idioma, algo de quem domina o artesanato de juntar palavras formando um texto divertido, mas que mantém sua função informativa.

    Pode ser só uma percepção errada minha, mas ultimamente tenho notado uma certa simplificação, talvez de tanto reclamarem do seu estilo “rebuscado demais”, que para mim é justamente o que dá tempero e personalidade ao texto.

    • Davi Reis

      E pensar que já vi muita gente reclamando que os textos do Nasser eram “chatos e confusos”… Também acho a escrita dele um ótimo exemplo de classe e objetividade.

  • Jaques

    Se algum dia tudo der certo nesse país, ainda teremos esse idioma que não é sério.

    Sugestões para correção:
    “já que achamos (que) todos têm o direito”;
    “falar centímetros cúbicos do (que) cilindradas”

    • Bob Sharp

      Jaques
      Opa, duas “eclipses”! Acrescentados os pronomes faltantes e, obrigado! Cometo muito esse erro, formo a frase na cabeça mas não escrevo algum elemento.

  • Newton ( ArkAngel )

    As pessoas não lêem livros impressos hoje em dia. Este é o principal motivo pelo qual a maioria escreve tão mal. Os livros passam por revisão gramatical, o que não acontece com textos da internet em sua maioria, e como a disseminação destes é extremamente rápida, os erros também se propagam em velocidade incrível, até tornarem -se padrão.
    A linguagem é um código, e como tal, deve ser padronizada de forma a ser compreendida pelo maior número possível de pessoas.

    • Bob Sharp

      Newton (ArkAngel)
      Observação correta, a linguagem é um código.

  • Lorenzo Frigerio

    Peças automotivas e não peças automotrizes, Bob.

    • Bob Sharp

      Lorenzo
      Nem uma, nem outra: peças automobilísticas.

      • Lorenzo Frigerio

        Errado de novo, Bob: “automobilístico” diz respeito ao automobilismo. Tudo o mais é mau uso da palavra, que de tão intenso sobrepujou o sentido original. Ex.: “indústria automobilística”.
        Por isso, só cismo com as aberrações flagrantes; a língua pertence a quem a usa, não ao dicionário.

  • RoadV8Runner

    No que depender de mim, esse novo e ridículo acordo ortográfico vai morrer na praia…
    Mas um dos diferenciais do Ae é justamente a boa qualidade dos textos, tanto em conteúdo quanto em qualidade do Português.

  • Lucas dos Santos

    Enquanto não se soluciona o problema mencionado, eu tenho feito da seguinte maneira: abro o http://autoentusiastas.blogspot.com/ no navegador Opera 12 – aquele mais antigo – e nele desativo o JavaScript.

    Dessa forma, o redirecionamento não funciona e é perfeitamente possível ler as matérias. O único inconveniente é que, desse modo, a caixa de busca do blog deixa de funcionar, o que não chega a ser um grande problema.

  • Boni

    Sem falar dos comentários aqui do Ae, sempre bem escritos e de fácil interpretação, Bob. Tenho certeza que os editores filtram o que é bom e o que não é.

    Vida longa ao Ae.

    • Bob Sharp

      Boni
      A depuração, filtragem, é mínima, tenha certeza.

  • Aldo Jr.

    Bob, fiquei horrorizado dias atrás quando vi o script para os atendentes de uma empresa de Telemarketing, repleto de erros de concordância e gerúndios desnecessários, (é daí que eles vem, e não só da “criatividade” dos atendentes), isso numa empresa que, em tese, deveria tentar apresentar uma imagem impecável. Diria que, além de arte e técnica, é também uma questão de interesse. Porém, com as escolas, públicas e privadas, formando cada vez pior, e as pessoas lendo cada vez menos, não demora muito para chegarmos ao “nóis pega o peixe”. De minha parte agradeço as correções feitas nos meus escritos, uma vez que isso me poupa dos vexames públicos. Abraços;

  • Perneta

    Em uma época em que escrever corretamente pode parecer pedantismo e num país como o nosso em que revistas simplificam seus textos para descer ao nível dos leitores, é auspicioso ver o Bob e seus colegas forçarem seus leitores a crescerem junto com a leitura dos artigos dos autoentusiastas!

    “A arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem de subir à arte” – Lenine

  • Lucas dos Santos

    Lá em 2002 – nossa, como o tempo passa – quanto eu tive o primeiro contato com a internet, eu era adepto do “internetês”. Eu considerava uma forma “moderna” de se comunicar, como se fosse um outro idioma, próprio para computadores. Porém, comecei a ter dificuldades ao digitar trabalhos de escola, pois eu sempre deixava “escapar” alguma abreviatura imprópria e o trabalho para revisar o texto era dobrado. Cheguei ao ponto de acrescentar essas abreviações no recurso de “Auto Correção” do editor de texto, para poder digitar despreocupadamente.

    Até que um dia o computador estragou e foi necessário reinstalar o sistema operacional, de modo que eu perdera todas as abreviações cadastradas na Auto Correção. Desse dia em diante, decidi que seria hora de mudar e eu passei a utilizar apenas as abreviações mais básicas, como “vc”, “tb”, “qdo” e similares, de modo que isso não me atrapalharia nos trabalhos de escola – menos abreviações para revisar.

    A mudança veio quando comecei a participar ativamente de um fórum de informática (que agora virou “TI”) e notei que os participantes que escreviam corretamente, utilizando linguagem culta, inclusive, aparentavam ser mais “maduros” e tinham muito mais credibilidade. Foi o que bastou para eu banir de vez o “internetês” do meu vocabulário! Mudei a forma de escrever e foi notável o quanto as pessoas passaram a dar muito mais atenção ao que eu escrevia naquele ambiente.

    Hoje, não importa onde eu escreva, sempre procurarei utilizar a linguagem mais culta possível. Sempre procuro ler textos bem escritos a fim de aprender palavras novas ou maneiras novas de construir frases ou de me expressar. Era engraçado como, na época do “finado” MSN Messenger, as pessoas estranhavam a minha preocupação em escrever certo. Cheguei a receber comentários curiosos do tipo “Calma! Aqui você não precisa escrever dessa forma!” e, certa vez, quando revelei a minha idade para uma pessoa – na época eu tinha 18 anos – recebi como resposta: “Nossa! Você escreve tão certo que achei que fosse muito mais velho!“.

    Agora, a única coisa que falta eu melhorar na escrita é a minha caligrafia. Habituei-me a escrever tudo com letras de forma, para que outras pessoas conseguissem ler com facilidade. Certa vez, no meu antigo trabalho, precisei redigir uma carta à mão e só era admitida escrita cursiva. Para piorar, tinha que ser em um papel em branco, sem linhas. Passei vergonha nesse dia, pois eu parecia um semianalfabeto escrevendo, ou melhor, “desenhando” as letras, pois fazia muitos anos que eu não escrevia dessa forma! Na hora lembrei-me de um professor de Português, da escola onde estudei, que chamava de semianalfabeto aqueles que só escreviam com letra de forma. Ele estava certo!

  • Fórmula Finesse

    O Ae é diferenciado, entre outras coisas, pelo respeito dedicado ao léxico. Colunistas, comentaristas…todos fazem a sua parte, pois ler algo bacana e bem escrito te contagia a escrever e se expressar melhor também. É um exercício constante, e agora temos a tecnologia como aliada. Não entendo essa nova geração que insiste em escrever de modo desleixado, com corretores fáceis de serem utilizados, com toneladas de informações na palma da mão. Temos a história toda da humanidade no bolso das nossas calças, na nossa mesa…e, geralmente, a grande maioria dos sites sérios escrevem de forma correta, em todo o leque de assuntos que podemos selecionar. Será que por leitura, por osmose (sic), a gente não pode escrever um pouco melhor? Por pura repetição de leitura, do exercício constante…a tecnologia facilita, mas a preguiça ainda é um obstáculo sério para muitos jovens que acham mais adequado culpar tão só e somente o ensino básico. Falta interesse, em suma…
    Escrever bem é arte, técnica – e por quê não? – um tanto de paixão.
    Tenho certeza que meu pequeno rascunho exibe algum erro de concordância, de pontuação, de vírgulas…mas o exercício é constante: ler, reler, editar…escrever bem – ou tentar – é algo tão interessante quanto ler linhas entusiasmantes.

  • Carlos A.

    Aqui se aprende não apenas sobre carros, mas também assuntos diversos, entre eles a boa maneira de se escrever!
    Infelizmente algumas pessoas pararam de pensar e não é só na escrita o problema. Os números também sofrem bastante atualmente, muitos não sabem mais nem fazer conta corretamente.

  • BlueGopher

    Aproveito a ocasião para também deixar aqui o meu aplauso ao sensacional Manual de Redação e Estilo d’ O Estado de S.Paulo, escrito por Eduardo Martins.
    Tenho um destes, da 3ª edição, 1997, que consulto constantemente, e que guardo com muito carinho.
    A meu ver, todo professor de português (e se possível todo aluno) deveria ter um exemplar deste manual consigo.
    Ah, se as luzes brilhassem no nosso Ministério da Educação…

  • Tudo é possível num país que elege um analfabeto para presidente!

    • André K

      Aquele a quem você está se referindo e que (como nos filmes do Harry Potter) não deveríamos falar o “nome” estaria mais para Portador de Deficiência Cultural Severa do que analfabeto propriamente dito…

  • Pedro Maia

    Ótima questão a ser levantada.

    Acho inconcebível que profissionais pagos para redigir textos sobre um assunto específico cometam equívocos de gramática/ortografia e, mais ainda, equívocos técnicos; tanto em casos que o segundo ocorre graças aos primeiros, quanto à estes ocorrendo dissociados,

    Estes acordos ortográficos também são dignos de pena. Apesar de novo (tenho 23 anos), minha alfabetização foi feita na ortografia “antiga” e quando anunciaram que seria mudado o acordo ortográfico (terminei o ensino médio em 2008), fiquei com a impressão de que estão tentando “nivelar por baixo” a língua portuguesa.

    Prefiro nem comentar sobre o mal que se espalhou, principalmente a partir da minha geração, do “internetês”.

    Apenas tenho um ponto de discordância: a forma amplamente utilizada de se referir ao deslocamento volumétrico utilizando o ponto para separar a parte inteira da decimal pode ter duas origens que, a meu ver, deveriam ser consideradas antes dessa atribuição à preguiça dos outros:

    – A grafia “1.0” pode ter sido originada da abreviação de “1.000 cc” com o ponto remanescente da divisão gráfica utilizada a cada três números, que é usual se fazer;

    – Ou pode ter sido importada de outros países, já que lares de indústrias automobilísticas fortíssimas como Estados Unidos, Reino Unido e Japão fazem uso do ponto como separação decimal.

    Abraços!

  • Perneta

    Sugiro também que os chavões, bordões, clichês, frases feitas e provérbios sejam evitados como se fossem picadas de cobra.

  • Josenilson

    Parabéns pelo texto, Bob.
    Cheguei até o Ae (na época ainda o blog) procurando a avaliação de um carro que desejava adquirir, mas fui fisgado pela qualidade do texto e por ser um espaço dedicado aos carros e que não fala somente disso, ou que fala disso também, mas não da forma comum que se vê na imprensa. Um dos meus primeiros comentários foi justamente sobre a qualidade dos comentários aqui.
    Vida longa ao Ae.
    Abraços,

  • Lucas dos Santos

    Textos bem escritos são prazerosos de ler. É uma das razões de eu gostar do AUTOentusiastas. Aprendi muito por aqui.

    Em um primeiro momento, não tinha notado o erro em “Grande Prêmio de Monza, na Itália”, embora eu sempre tome cuidado para não escrever dessa forma. Bastaria inverter a posição dos nomes das localidades e ficaria tudo certo: “Grande Prêmio da Itália, em Monza”.
    De início eu não entendia porque, mesmo com um sistema de comentários mais elaborado, como o Disqus, os comentários ainda eram moderados. Só recentemente fiquei sabendo que eles passavam por revisão. Apoio a iniciativa, pois fica muito mais agradável de ler assim.

    Quanto ao novo acordo ortográfico, também não o “engoli”. Eu costumo dizer que é algo a ser adotado apenas pela nova geração, para quem está sendo alfabetizado agora. Dos comentários redigidos por mim neste espaço, só aparecem termos na nova grafia porque o navegador os corrige automaticamente. Agora, a perda do acento no verbo “parar”, quando conjugado na terceira pessoa do presente, é inadmissível! Quando o navegador corrige, eu volto lá e deixo como estava! Essa eu não vou aceitar nunca!

    O termo “montadora”, foi aqui no Ae que aprendi que é errado utilizá-lo. “Automotivo” sempre me causou dúvidas e, por isso, evito utilizar. Ao dizer, por exemplo, “tinta automotiva”, dava a impressão de se tratar de uma “tinta que se move por si só”! Sobre a questão do plástico reforçado com fibra de vidro ou de carbono também aprendi aqui. Devo mais uma a vocês!

    O problema do termo “cilindrada” utilizado como unidade de medida de volume está ligado ao fato das pessoas associarem “cc” a “cilindradas”. Dessa forma “750 cm³”, por exemplo, é lido como “setecentos e cinquenta centímetros cúbicos”, mas se for expresso como “750 cc”, a maioria das pessoas vai ler “setecentas e cinquenta cilindradas”, pois sequer imaginam que “cc” significa “cubic centimeters“! Fico imaginando de que forma essas pessoas leriam o termo “250 ci”!

    Quanto à colocação do ponto em cilindradas expressas em litros, creio que esse será um vício muito difícil de ser superado. Acho que somente se as “montadoras” passarem a usar vírgula nos emblemas.

  • Bob Sharp

    Ítalo
    Também notei certa simplificação nos textos do Nasser, mas partiu dele. Nunca alterei nada e concordo, ele tem perfeito domínio do idioma. Gosto muito de ler o que ele escreve.

    • Eduardo Silva

      Vai ver ele está se vingando por ter que escrever “o Brasília”.

  • Lucas dos Santos

    Saindo um pouco do assunto da linguagem escrita e entrando no campo da linguagem falada, há o famigerado “preconceito linguístico”. Dizem que quem não sabe falar corretamente sofre tal preconceito, mas vejo exatamente o inverso.

    Normalmente, quem fala corretamente é quem sofre “preconceito linguístico”. É taxado de “metido a intelectual”, pedante, “nerd”, “coxinha” e outros adjetivos absurdos!

    Conheço pessoas que têm perfeito domínio da língua portuguesa, mas falam errado de propósito, temendo serem “rejeitados” por determinados grupos de pessoas. Digo isso com conhecimento de causa, pois eu mesmo era assim. Até o dia que eu ouvi a minha própria voz em uma gravação e me dei conta do quão ridícula era a maneira que eu falava. O problema é que isso se torna um “vício” e agora tenho me policiado para falar, ao menos, da mesma maneira que escrevo.

  • Bob, o AutoEntusiastas é sinônimo de excelência!

  • Bob Sharp

    Eduardo
    Todos os países que utilizam o sistema métrico usam a vírgula para separar parte inteira e fracionária, sem exceção. Já o ponto para separar os milhares é facultativo, servindo apenas para clareza de leitura. Os americanos, por exemplo, escrevem US$ 3,000.00 e 1.5-liter engine. Você escreve certo.

    • Eduardo W.

      Obrigado pelo esclarecimento!

    • mecanico anonimo

      Nem todos os países que adotam o sistema métrico usam a vírgula como separador decimal. Japão, Austrália e Coreias (do Norte e do Sul) são alguns dos exemplos de países “métricos” que usam vírgula como separador decimal. Em geral são países que receberam maior influência inglesa e/ou dos EUA.

      • mecanico anonimo

        Corrigindo: “Japão, Austrália e Coreias (do Norte e do Sul) são alguns dos exemplos de países “métricos” que usam o ponto como separador decimal.”

    • Lorenzo Frigerio

      O Reino Unido adotou formalmente o sistema métrico – exceto para milhas, acres, libras e stone, que se tornaram mais informais – mas o uso de vírgula continua imperial.

  • Eduardo Mrack

    Bob, prezo sempre pelo português escrito em sua essência, pois penso que enquanto povo/nação, temos e devemos de ter a obrigação de mantermos a língua que nos unifica padronizada, para que possamos continuar nos entendendo de maneira plena. Refiro-me à escrita utilizada freqüentemente na internet, não aqui, aqui é o paraíso da boa leitura, mas em redes sociais, fóruns e onde haja conversação, muito é escrito de maneira incompreensível e/ou errada demais, tornando difícil a troca de idéias ( sim, com acento agudo ), pois este é o papel da escrita.

    Sobre a abolição do termo “montadora” nada mais justo. Cerro os dentes de raiva quando ouço alguém bem informado do meio automobilístico utilizando o termo. Nas conversas informais xingo todos que o proferem também.

    Sobre as cilindradas, bem, nisto eu ainda faço confusão e não tenho certeza se devo insistir em usar o termo ou não, pois a cilindrada “cc” é tida em muitas áreas como unidade de medida de volume, equivalendo ao centímetro cúbico. Em produtos importados e já vi até em produtos nacionais, o informativo 50cc, 80cc, etc. Em manuais técnicos de máquinas operatrizes a recomendação de óleo lubrificante sempre é em cilindradas, “abasteça o reservatório com 40 cc de óleo SAE-90” , portanto me pergunto se falar e escrever “cilindradas” é realmente errado ? E por que?

    • Leandro N. Tuzuki

      Neste caso, “cc” significa “centímetros cúbicos” e não “cilindradas”. Portanto, ” cilindradas” como unidade de medida está errado.

    • Eduardo Mrack

      Obrigado pelas respostas pessoal.

  • Lucas dos Santos

    Bob,

    Uma coisa que me irrita profundamente é o termo “graus centígrados”!
    Sempre quando eu ouvia esse termo, eu ficava me perguntando qual era a diferença entre “centígrados” e “Celsius”.

    Até que resolvi pesquisar, e descobri que a designação “centígrados” foi abolida em 1948(!) e, desde então é utilizada a expressão “Celsius”.

    Como podem utilizar até hoje uma expressão defasada há mais de meio século?!

    • André K

      Centígrado – adjetivo. Dividido em cem graus: termômetro centígrado.
      Que pertence a uma escala que tem cem graus: grau centígrado. (As denominações graus centígrados, termômetro centígrado tornaram-se obsoletas depois da Conferência Geral de Pesos e Medidas de 1948, tendo preferência as formas graus Celsius, termômetro Celsius.)

      Esse termo qualifica a escala de medição e não a propriedade medida, então não faz sentido usar centígrado para precisar sobre qual sistema de medidas se está tratando.

      • Ces

        Centígrado é mais bonito.

      • Lucas dos Santos

        Exatamente!

      • Lorenzo Frigerio

        A escala tem cem graus do congelamento à fervura ao nível do mar; logo, Centígrados e Celsius são a mesma coisa, porque só a escala Celsius tem esses marcos.
        Agora, falando em centígrados, por que em português falamos “Antártida” e não “Antártica”? “Antártica” quer dizer “Anti-Ártico”; não sei onde trocaram o “c” por “d” aí.

        • André K

          A não utilização prática de escalas graduadas centesimalmente para medir Kelvin ou Fahrenheit não torna o centígrado sinônimo de Celsius.
          Para mim, a pior é “inflamável” que teoricamente seria algo que não “flama” ou não pega fogo…

        • André K

          A não utilização prática de escalas graduadas centesimalmente para medir Kelvin ou Fahrenheit não torna o centígrado sinônimo de Celsius.
          Para mim, a pior é “inflamável” que teoricamente seria algo que não “flama” ou não pega fogo…

  • Bob Sharp

    Rogério Ferreira
    Faço essas correções com o maior prazer, esteja certo. Os seus comentários têm requerido pouca interferência.

  • Silvio

    Bob,

    Difícil encontrar um texto bem escrito hoje em dia, portais de internet parecem viver num tempo em que não havia corretor ortográfico, para corrigir o mínimo.

    Quanto ao novo acordo ortográfico, a idéia é a que mais me incomoda, escrever ideia e não acentuar. Ainda foi possível assimilar que não devo mais acentuar a palavra. Colocar ou não colocar hífen sempre foi complicado acho que ajuda a descomplicar, e não muda muita coisa.

    Já o termo montadora é cada dia mais atual, as fabricantes de automóveis são cada dia mais meras montadoras de auto peças (ou autopeças, ou auto-peças) fabricadas por terceiros. Um Henry Ford que verticalizou toda produção, até Pneus e ferramentas, hoje em dia se veria perdido no meio de um processo Toyota, uma planta mínima, com um estoque mínimo, e uma logística crucial de just-in-time. De qualquer forma acho que o termo deve ter surgido lá no início do século passado, quando as marcas que aqui se instalaram somente montavam o que era fabricado lá fora, o chamado CKD. As montadoras de hoje trabalham quase que em SKD.

  • Marcos Alvarenga

    Quer escrever bem?

    Sugiro começar pelo começo: leia muito, leia de fontes certas: jornais e revistas ou livros, desde que prezem pelo português-padrão. E escreva um texto mais longo nem que seja de vez em quando, Sempre releia o que escreveu antes de dar o trabalho por terminado.

    Em tempo: me recuso a abreviar palavras mesmo no Whatsapp e companhia. Prefiro gastar alguns décimos de segundo a mais para escrever “você” em vez de “vc”, só para ficar no mais óbvio. Usar acentuação correta é essencial. Pontuação, então, nem se fala. E o quanto as vírgulas têm sido negligenciadas, parece brincadeira.

    Infelizmente acredito que a arte de escrever corretamente deve se perder em poucas gerações, se tornando uma técnica erudita e distante da maioria, o que é lamentável. Como vemos no livro “1984”, de George Orwell, acabar com a linguagem é o primeiro passo para a submissão e dominação de um povo.

    • Marcos Namekata

      Ler bem para escrever bem. Ter o hábito de ler. E mais do que nunca, criar a habilidade de discernir o que é certo e errado, quando o uso da linguagem é feito da forma correta e quando não o é. Atualmente parecem-me que até mesmo os revisores ortográficos de jornais e revistas andam cometendo suas falhas…

    • Roberto Mazza

      Gostei da sugestão. Vou parar de abreviar de imediato. Obrigado.

    • claudio fischgold

      Marcos,

      confesso meus pecados. Raramente me dou ao trabalho de reler o que escrevi.
      E obviamente vez por outra sai um escorregão de tecla. Também tenho que reconhecer que, principalmente no teclado do Smartphone, às vezes minha mão é acometida de shimmy.
      Uma palavra que não tem nada a ver com automobilismo é blanquet, que no Brasil foi bastante aportuguesado para “blanquêt).

  • Fat Jack

    Bob, extremamente interessante (e porque não dizer educativo?), sempre notei a qualidade das redações do AE, não havia lido a matéria “Protesto” e achava que somente eu tinha restrições quanto ao acordo citado, fico feliz ao ver que não.
    Sobre a questão da “cilindradas”, certa vez ouvi uma explicação (apesar de mesmo naquela época não usá-la) a qual sempre que possível repasso:
    “Dizer que determinado motor tem 400 cilindradas é como dizer que entre São Paulo e Rio de Janeiro há 400 distâncias, cilindrada não é unidade de medida, tal qual distância.”
    Agradeço aos meus pais por terem tido condições de me proporcionar um bom estudo e confesso, há duas situações em que um texto “nem tão bem escrito” me incomoda absurdamente: em traduções de programas de televisão e nas rádios (é incrível o que mesmo eu, sem formação universitária, percebo de erros), pois infelizmente grande parte da população fala o que ouve, então a meu ver é algo crítico, um desserviço mesmo.

  • francisco greche junior

    Bob, amigos do Ae, vocês não sabem o quanto me sinto feliz em participar daqui desde o começo e sempre perceber o cuidado nos textos elaborados por vocês. Algumas vezes, como nessa matéria, sendo reafirmado o compromisso com a boa escrita que proporciona uma ótima leitura. Aqui me sinto em casa.

  • Victor

    Grande Bob! Bom esse cuidado com a língua. Até peço desculpas porque eu sempre escrevo com abreviações, eu sou muito prático e dispenso a grande maioria das discussões que são irrelevantes como usar o termo montadora ou fábrica, ou gerações do Gol chamadas pelo mercado ou as reais. Outra ponto de vista é esta questão do português… olha, eu tenho um certo rancor dessas pessoas que ficam ocupando uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, não têm o que fazer, estão aposentados, sei lá, têm seus egos, querem provar seu ponto de vista e ficam acertando mudanças nesta língua que já é complicada além do que deveria. Você gasta o tempo das crianças na escola estudando eu, tu, ele, nós, vós (!), eles… , sem falar nas regras, todas elas tem exceções! É ridículo. Se a Academia Brasileira de Letras quisesse fazer um bom trabalho poderia começar simplificando as regras e adotando formas já consagradas de uso, afinal a língua evolui.

  • Pablo

    Chamar motor de “bloco” é outro modismo incompreensível!

    • cascagrossa

      Ainda tem outra “americanice” que não entendo, os carros agora possuem “marchas” em caixas manuais (câmbio manual de 5 marchas) e “velocidades” em caixas automáticas (câmbio automático de 6 velocidades). Será que eu é que não estou entendendo?

  • Sergio Araujo

    Bob, compreendo bem o esforço dos senhores e parabenizo-os por isso. Mas “suve” fica muito esquisito. Pior que isto é “estadunidense” que o Calmon escreve vez por outra. Pode estar correto, mas os ossos de Camões devem trincar na sepultura.

  • Viajante das orbitais

    Fazer uso da linguagem de forma correta e natural é algo que eu considero arte. Um texto sem redundâncias, claro e fluido é gostoso de ler.

    Eu apoio a não reforma ortográfica. Acredito que é preciso respeitar essa herança portuguesa. E ainda mais, se a língua é criação dos portugueses, nós não temos a menor autoridade para modificá-la.

  • Marcos Amorim

    Ainda bem que não falaram de caligrafia. Eu iria ficar triste, bem triste…

  • Felipe Rocha

    O “cc” nesse caso quer dizer “centímetros cúbicos” ou “o inglês “cubic centimeter”

  • RafaelPH

    Bob, esta é para ti, lombada em corredor de ônibus, mais uma solução bizarra e execrável do poder público. http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/transito/noticia/2014/09/eptc-instala-lombadas-em-corredores-para-reduzir-velocidade-de-onibus-em-porto-alegre-4610056.html

  • Bob Sharp

    Sérgio Araújo
    SUV é estranho tanto quanto VUE (veículo utilitário esporte). Suve pode até ser esquisito, mas pelo menos é palavra homófona a SUV pronunciado e é muito melhor do que aplicar uma sigla em inglês. Usar estadunidense é correto, da mesma forma que sul-riograndense. Em espanhol também se usa o termo. Às vezes se usa para substituir ‘americano’ ou ‘norte-americano’ (que não gosto), para evitar repetição.

    • Lucas dos Santos

      Bob,

      O que ocorre é que não existe um “consenso” sobre a “pronúncia” de SUV. Há quem leia “suve” e há quem leia, ou melhor, soletre, “ésse ú vê”, como é o meu caso. Por isso, quem lê a sigla soletrando acaba achando estranho o termo “suve”.

      Ao contrário de LED, que normalmente é lida como “léd”. Se alguém falar “televisor de éle ê dê”, por exemplo, certamente causará estranheza.

    • Rafael

      Sul-riograndense ou simplesmente riograndense é muito melhor do que gaúcho. A imigração tornou o RS numa multiplicidade de etnias, e o termo gaúcho trata todas como se fossem uma só.

  • Bob Sharp

    Pablo
    Acredite se quiser, já vi isso num site francês. Essa para mim ultrapassa a fronteira do inimaginável.

    • Marcio

      Talvez esse uso seja conseqüência da nomenclatura estadunidense small/big blocks. Estadunidense já tinha reparado nas colunas do Calmon e, pensando bem, faz mais sentido, afinal somos todos americanos (e os canadenses são norte-americanos)! Depois de uma aula dessas fiquei até com medo de escrever!

      • Fat Jack

        Acredito que você tenha razão e confesso, sempre falei “bloco do motor”…

        • Newton ( ArkAngel )

          Existe a nomenclatura americana para “motor parcial ” (short block) e motor completo (long block). Traduzindo ao pé da letra fica meio estranho.

        • mecanico anonimo

          Não vejo nada de errado em “bloco do motor”, errado é usar “bloco” no lugar de “motor”. Por exemplo: “Na versão equipada com bloco 1.4, este carro…”

    • Gabriel Bastos

      Também acho que veio do inglês “big block” ” small block” e acho bem feio , prefiro falar motor; Usina de força já é demais… (risos)

      • Bob Sharp

        Gabriel Bastos
        Aí não se trata de preferência, simplesmente não se pode jamais usar bloco como sinônimo de motor. O bloco é parte do motor.

  • Bob Sharp

    Lucas
    Inclusive, a expressão correta é o ºC ficar afastado um espaço do número, como em 25 ºC, e nunca 25º C.

    • Lucas dos Santos

      Confesso que nunca tinha tomado esse cuidado, Bob. Eu sempre escrevia tudo junto, como em 25°C.

      Aprendi mais uma. Obrigado!

  • Bob Sharp

    Eduardo
    O Felipe, abaixo, já esclareceu. Acrescento que o cc era o símbolo antigo, agora é cm³ (centímetro cúbico) de acordo com o Sistema Internacional (de Medidas). Inexplicavelmente, o pessoal da motocicleta usa o cc, inclusive o nosso Roberto Agresti, que publica a Revista da Moto. A cilindrada, que deriva do francês cylindrée, é o volume correspondente ao deslocamento do pistão do Ponto Morto Superior ao Ponto Morto Inferior, expresso em centímetros cúbicos (cm³) ou litros (l ou L). Portanto, a cilindrada é uma medida, não uma unidade de medida e por isso nunca se pode dizer que um motor tem tantas cilindradas.

    • Rafael

      A cilindrada é de tantos cm³.

  • Bob Sharp

    Ricardo
    Obrigado pelas palavras e pela leitura!

  • Bob Sharp

    Ricardo Dias Martins
    É claro!

    • Otaviano

      Daí a ensinar as crianças na escola que “os menino pega o peixe” como está nos livros distribuídos pelo mec (em minúsculas mesmo) é o fim da várzea. Soa como um deboche a educação e a cultura do país. É nivelar muito por baixo mesmo.
      Felizmente isto se combate com a boa escrita.
      Vida longa ao Ae!

  • Bob Sharp

    Perneta
    Essa frase é perfeita! Diz tudo.

  • Le

    Desculpe o meu comentário, posso estar equivocada, mas na frase “Outra impropriedade é escrever ‘carroceria de fibra’, como esta fosse o material empregado (…)”, por acaso não está faltando o “se” depois de “como”?

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    Não; automobilístico(a) diz respeito a veículos auto-móveis,que se movimentam por si sós, não a automobilismo. Se você leu isso em algum dicionário, está errado. automotive industry é indústria automobilística.

  • Bob Sharp

    Eduardo
    Brasília-veiculo é masculino, o Nasser está certo.

    • petrafan

      de fato, carro é sempre masculino.
      eu abro somente uma exceção: a Ferrari.
      a Berlineta Boxer.
      a 250 GTO.
      e por aí vai.

      • Bob Sharp

        petrafan
        Inexiste exceção para gênero. Ou é um, masculino, ou outro, feminino. Esse é outro caso de hábito que, como todos, pode ser mudado. É questão de querer apenas. Aposto que você nunca diria “O Mário e a João são grandes amigos meus”…

  • Bob Sharp

    mecanico anonimo
    Neste caso, esses países usam o ponto erroneamente, tal qual no Brasil.

    • mecanico anonimo

      Nesses países que mencionei, o ponto é o separador decimal oficial, assim como a vírgula o é no Brasil. Aparentemente, cada país define o símbolo separador decimal oficial que bem preferir, assim como o formato de data.

  • Bob Sharp

    Le,
    Certíssimo, faltou o ‘se’, e já acrescentei. Agradeço sua colaboração;

    • Leila

      Tenho certeza que foi erro de digitação 🙂
      Ótimo texto! Boa noite.

  • Bob Sharp

    RafaelPH
    Esse pessoal enlouqueceu. Não está longe o dia de colocarem uma lombada no Rio Guaíba!

    • Lucas

      Lombada na ponte aérea….

    • Rafael

      Mais uma vez Porto Alegre entra no noticiário de forma negativa.

  • Sidnei

    Só não entendi a legenda da figura com as bandeiras. Qual o propósito?

  • Bob Sharp

    Perneta
    Gostei da comparação com picadas de cobra!

  • Bob Sharp

    BlueGopher
    É mesmo uma ferramenta muito útil para quem escreve. Até procurei no site do jornal para passar o url aos leitores, mas não tem mais, uma pena.

  • Bob Sharp

    Bluegopher
    Espere, achei no Tio Google, é http://www.estadao.com.br/manualredacao/

  • Roberto Mazza

    Apenas para ilustrar, listo para os nobres colegas algumas expressões que se repetem e muito me incomodam.

    O “a nível de” é já é um clássico conhecido. Além deste, me lembro do estranho uso do “primeiramente”, mas de forma curiosa eu NUNCA vi alguém prosseguir relatando “segundamente”, “terceiramente”.

    E por fim outra expressão que me causa estranheza é o início de uma frase, parágrafo ou idéia com um “no caso” sem que exista nenhum “caso” contado anteriormente, algo solto, esquisito. E sinto falta também do uso da contração da preposição (de) com o artigo (o, a, os, as). Algo como “no caso dos, no caso das”. Em geral este tipo de situação pode ser bem contornada quando quem escreve opta por “neste caso”, forma que me parece mais agradável. O “no caso” seguido de uma pausa (vírgula) me soa algo pobre.

    Enfim, não sou profissional vinculado ao ensino da língua portuguesa, mas reparo nessas coisas.

  • Bob Sharp

    Lucas dos Santos e leitor Marcos Amorim
    Todos podem melhorar a caligrafia. Digo-o com toda propriedade, pois no 2º ginasial e ao entrar na sala de aula no primeiro dia vi que não havia mais escrivaninhas, mas cadeiras com prancheta no braço direito. Canhoto, me vi em apuros, pois naquela época (1956) ainda não existiam essas cadeiras para canhotos. Juntar outra cadeira no meu lado esquerdo não era boa solução, era muito ruim. Tomei a decisão de escrever com a mão direita. No começo, é claro, um horror, cansativo, letra pavorosa. Mas em um mês eu já estava escrevendo normalmente e com boa letra. Por isso digo que vocês podem melhorar nisso. Entrem no Tio Google com ‘melhorar caligrafia’ para encontrar uma infinidade de sites de orientação. Só como curiosidade, tornei-me ambidestro, para escrever uso a mão mais conveniente. Ao computador, mouse na mão direita e caneta na mão esquerda para anotar qualquer coisa. E outra, um belo dia vi que se eu podia efetuar movimentos de escrever da esquerda para a direita, com a mão direita, eu poderia fazer o mesmo com a esquerda, ou seja efetuar os mesmos movimentos da direita para a esquerda. Resultado: com a mão esquerda escrevo em escrita especular, como em a-i-c-n-â-l-u-b-m-a, com as letras em posição correta. Era como Leonardo Da Vinci escrevia suas idéias e planos;

  • petrafan

    e abaixo o novo acordo ortográfico!

  • Le

    O propósito dele com certeza foi o de mostrar quais são os países que assinaram o acordo ortográfico. Está perfeitamente dentro do contexto. 🙂

  • KzR

    Escrever bem é mesmo a fusão de arte e técnica. Dominá-lo é fundamental.
    O novo acordo ortográfico surge para complicar o que muitos já se habituaram a escrever como padrão. Idéia sem acento é uma má ideia.
    Muito bom o alerta do Bob quanto aos termos. Eu uso o ‘automotivo’ indistintamente perante ‘automobilístico’, todavia, usando força eletromotriz como exemplo faz muito sentido.
    Ainda que nosso separador de casas decimais seja a vírgula, o ponto para dizer cilindrada em litros é bem cômodo ao se falar. Já ficou natural.

    • Jonas Jorge

      Bob, o hábito de usar ponto é primazia do Corcel II em terra brasilis? O pior é a bizarrice, pelo menos em meu ponto de vista, do termo um-ponto-zero.

  • Bob Sharp

    KzR
    Não é que tenha ficado natural dizer dois-ponto-zero, é que ficou o hábito devido a ‘ponto’, um bissílabo, ser mais fácil (dar menos trabalho…) pronunciar do que ‘vírgula’, trissílabo. Repare que todas as emissoras de rádio dizem a freqüência usando vírgula, jamais ponto, noventa-e-quatro-vírgula-sete mega-hertz.

    • Newton ( ArkAngel )

      Noventa e quatro vírgula sete, boa rádio. Também gosto da cento e um vírgula sete!

    • Rafael

      Há várias rádios que – infelizmente – utilizam o ponto.

  • Bob Sharp

    Lucas dos Santos
    Esse caso de siglas pronunciáveis é mesmo curioso. Paulistanos dizem [cê-é-tê](CET), cariocas dizem [set]. De qualquer maneira, acho impróprio escrever uma sigla inglês,embora ache natural ABS, por exemplo, mas nesse caso se trata de equipamento e não tipo de veículo. Talvez eu mesmo pare com preguiça e passe a escrever utilitário esporte em vez de suve, mas questiono se todos entenderão ao ler… Mas SUV é que não dá.

  • Leonardo Mendes

    Tenho a convicção que o idioma é o terceiro maior patrimônio de uma nação, depois da bandeira e do hino… salvo as exceções de praxe é inadmissível que alguém com o mínimo de estudo saia proferindo o bordão “a Língua Portuguesa é complicada demais.”

    Não culpe o idioma pela sua incapacidade.

    A respeito das abreviações, lembro de um fato curioso ocorrido há uns bons anos quando uma professora deu notas baixíssimas para metade de sua turma pelo uso das mesmas em prova…

    • Bera Silva

      Conterrâneo Leonardo, concordo com o que disse sobre a falsa dificuldade da língua. Toda vez que escuto isso me dá uma paúra. Engraçado que os que falam isso não conhessem outro idioma e se limitam a citar as poucas formas verbais da língua inglesa, como se isso fosse parâmetro para alguma coisa. E também desconhecem a dificuldade enorme dos falantes da língua inglesa de soletrar.
      E pensar que os romanos, no latim, mudavam a forma da palavra, caso ela estivesse no sujeito, no predicado ou no objeto.

  • Luiz Otávio Rujner Guimarães

    Estimado Bob,

    Raramente me manifesto neste espaço, embora devesse melhor aproveitá-lo. Surpreendido pelo conteúdo, li a matéria e aplaudo a iniciativa de abordar um assunto tão negligenciado ultimamente, nossa língua. Algo tão notório, que 101 leitores se prontificaram a fazer 101 comentários (até o momento) sobre o desmazelo que temos tido com nossa língua portuguesa. Coisa evidente na forma oral. Acredito que na forma escrita os erros de concordância e sintaxe soem mais berrantes e passem menos desapercebidos do que quando falados. É fácil observar que nós brasileiros tendemos a suprimir o “s” quando falamos no plural, entre outros vícios. Ultimamente tenho notado, até nos meios mais formais da comunicação falada e neste caso me refiro aos telejornais que deveriam zelar pela língua culta, que o português do Brasil possui as seguintes pessoas: eu, tu, ele, “a gente”, vós e eles. Não se usa mais o nós, para tudo usa-se “a gente”. Lamentavelmente o “nós” foi escamoteado e raramente ouve-se o uso dele. Perdem todos e principalmente as novas gerações, que amparadas pelas facilidades providas pela tecnologia e insufladas pela massificação dos meios de comunicação, leem e escrevem cada vez menos nas escolas e fora dela. Admiro esse desprendimento dos editores do Ae, abordar assuntos independentes que transitam além do esfera automotiva, enriquecem o “site” e suscitam questionamentos e diálogos interessantes entre leitores.

  • Jonas Jorge

    Bob, um erro recorrente é o uso do termo “célula combustível”, ou “célula-combustivel, ou ainda “célula de combustível”, no lugar de “pilha a combustível”.

  • Jonas Jorge

    Bob, um erro recorrente é o uso do termo “célula combustível”, ou “célula-combustivel, ou ainda “célula de combustível”, no lugar de “pilha a combustível”.

  • Bera Silva

    Dá gosto de ler o Autoentusiastas. Só tenho a agradecer.
    Graças ao Bob, aprendi como escrever corretamente número seguido de unidade, por exemplo. Hoje mesmo, aprendi a diferença entre automotivo e automobilístico.
    Posso afirmar que, meio sem perceber, passei a cuidar melhor da forma como escrevo e falo.
    É gratificante saber que aqui se preza pela boa língua, enquanto que na grande maioria dos meios de comunicação houve um rebaixamento do idioma e um desleixo para com o leitor.
    Gostaria que todos aqueles que detêem a alta cultura seguissem o exemplo do Ae e tivessem esse cuidado e essa generosidade de ensinar, seja com ações, seja com exemplos.
    E como o leitor é tratado como gente, como retribuição, os comentários são de alto nível, tanto técnico quanto lingüístico.

  • Sergio S.

    Eu sempre procuro escrever bem e corretamente, tanto para me comunicar com clareza e precisão quanto pelo respeito que tenho à nossa língua e ao leitor.

  • Bob Sharp

    Sergio S.
    Ótimo hábito. Eu acentuo até nome de arquivo no computador. Assim como a placa “Pare” só tem um significado, que é parar, escrever só tem uma maneira de fazê-lo, que é corretamente.

    • Lucas dos Santos

      Bob,

      Eu também fazia isso. Colocava acentos nos nomes de arquivo, fazia pontuação quando necessário e começava com letras maiúsculas. Mas acabei mudando esse hábito.

      Quando eu escrevia para um site, ao utilizar acentuação no nome das imagens, os caracteres acentuados eram substituídos por códigos ininteligíveis ao fazer o upload. Dessa forma ficava complicado para inserir as imagens no texto via código HTML. Então, aboli a acentuação em nomes de arquivos. O mesmo problema ocorria com os espaços no nome, que às vezes eram substituídos por “%20″”. Então passei a substituir os espaços por hífens. Dessa forma “Nome do arquivo” virava “Nome-do-arquivo”.

      Quando experimentei o Linux, convivi com uma peculiaridade do sistema, que era a diferenciação de maiúsculas e minúsculas. Logo, um arquivo com o nome “Documento” era diferente de um com o nome “documento”. A partir daí me habituei a nomear todos os arquivos com letras minúsculas, para evitar problemas para encontrá-los via linha de comando. Os espaços no nome também geravam problemas nas linhas de comando e, para não precisar escrever os nomes entre aspas, preferi abolir os espaços.

      Mas os nomes de arquivos são a única exceção. Nas demais ocasiões, sempre procuro utilizar o português mais correto e culto possível.

  • Bob Sharp

    Jonas Jorge
    Exatamente! Traduziu-se errado no começo e ficou. Por exemplo, ninguém traduz gasoline engine como motor de gasolina, mas motor a gasolina. Cell nesse contexto não é célula, mas pilha, daí os franceses dizerem apropriadamente pile à combustible.

    • Lucas dos Santos

      Pois é, Bob, tem ainda os erros de tradução.

      Chega a “doer” em mim quando eu ouço falar em “super câmera lenta” como tradução de super slow motion. “Câmera superlenta” seria bem mais adequado.

      • Rafael

        Mas não é a câmera que é lenta.

        • Lucas dos Santos

          Sim, na verdade o movimento que é lento. Se a câmera fosse realmente lenta, as imagens sairiam borradas.

          Mas, como convencionou-se chamar de câmera lenta, “câmera superlenta” ficaria mais adequado nesse contexto.

  • Bob Sharp

    Luiz Otávio
    Essa do “a gente” é de doer mesmo. No “Jornal Hoje”, quando o Evaristo Costa ou a Sandra Annenberg se despedem com aquele “a gente se vê amanhã”, dá desgosto. E já vi textos em que o ‘a gente’ estava grafado ‘agente’. Quer ver outra? Enterraram de vez o adjetivo ordinal. Não se diz mais, por exemplo, “O suspeito foi levado para quinquagésima segunda delegacia policial”, mas “O suspeito foi levado para a delegacia policial de número cinqüenta e dois”.

    • Rafael

      Mas, convenhamos, usar ordinais para nomear delegacias não faz muito sentido, pois não há uma hierarquia entre elas. Ademais, ordinais acima do 9º (nono) são dispensáveis ou até incorretos, como é o caso de artigos de lei. Além disso, conforme vão avançando, tornam-se cada vez mais longos e até pedantes.

    • Lucas dos Santos

      Bob, quando um jornalista ou apresentador de TV diz “a gente de vê amanhã”, o meu pai costuma comentar: “Não. EU é que verei vocês amanhã, pois vocês não têm como me ver!”. Afinal, é uma situação em que não há reciprocidade.

      Quanto ao não-uso do adjetivo ordinal, isso é comum ao se referir ao Quartel da minha cidade, o 13º Batalhão de Infantaria Blindada ou, simplesmente, 13º BIB. É comum falarem “treze bib” ou simplesmente “treze”, como ao dizer: “minha casa fica na R. Carlos Cavalcanti, lá perto do treze”!

      O mais interessante, é que no nome da 13ª Subdivisão Policial, o adjetivo ordinal é falado corretamente, geralmente em sua forma reduzida ao dizer “o suspeito foi levado à décima terceira”.

      • Bob Sharp

        Lucas dos Santos
        Aqui em casa falo a mesma coisa que seu pai!
        E o que dizer quando um/a jornalista fala “caeme 54” (km 54)?

    • Lorenzo Frigerio

      Pior, Bob, falam “o suspeito foi levado para o cinquenta e dois DP”.

  • Bob Sharp

    Jonas Jorge
    Sim, foi visto pela primeira vez no Corcel II. Certamente o marketing da Ford quis inovar exprimindo a cilindrada em litros em vez de centímetros cúbicos, mas se esqueceram do detalhe de que no Brasil a separação é por vírgula.

    • Rafael

      O pior é que essa praga se alastrou de tal forma que hoje já vemos na TV até notas sendo atribuídas com ponto no lugar da vírgula. mas há também o caso da temperatura, percentuais, e por aí vai.

  • Rafael

    Esse pavoroso acordo ortográfico apenas escancara as desinteligências que permeiam a cultura luso-brasileira.

  • Rafael

    É um reducionismo. Chama-se o todo pelo nome de uma parte. Simplesmente incompreensível.

  • Rafael

    O correto é Antártica. A variante Antártida é um galicismo. Creio que se evita o primeiro caso para não fazer indiretamente propaganda da marca. Mesmo assim, não se justifica.

  • Gabriel Bastos

    Faltou citar o Roberto Nasser, com seu peculiar estilo .

    • Rafael Carvalho

      Verdade! Acho o estilo dele sucinto, mas muito bem escrito.

  • Antônio do Sul

    Mas o adjetivo pátrio “estadunidense” é o único correto para designar aqueles que são cidadãos dos Estados Unidos. “Americano” é todo aquele que nasce no continente América, seja na América do Sul, Central ou do Norte, e “norte-americano” é quem nasce no sub-continente América do Norte, como os mexicanos, canadenses e estadunidenses.

    • Sergio

      Quem gosta de usar o termo ‘estadunidense’ são os petistas. 🙂

  • Bob Sharp

    Rafael,
    Não tem nada a ver com hierarquia, mas de ler o que está escrito! É essa a discussão;

  • Bob Sharp

    Lucas dos Santos
    Também tem os erros de tradução. Para mim o pior nas dublagens alguém se despedir e dizer ^Te vejo mais tarde^…

  • AGB

    “Ne sutor ultra crepidam” sr. Sharp. A boa qualidade informativa de seu álbum eletrônico não lhe garante a pretensão de ensinar Português a seus leitores. Por exemplo, o sr. recusa o adjetivo “automotivo” mas não lhe parece esdrúxulo o termo “compósito”. Quem sabe devamos eliminar do idioma pátrio a palavra “locomotiva”.

  • Bob Sharp

    AGB
    Não venha me dizer o que não devo fazer arrotando latim com esse “Não deve o sapateiro julgar além da sandália” (se leitor quiser entender plenamente o porquê da frase em latim, leia em http://migre.me/prMYu). Este site (essa de álbum eletrônico é mesmo fantástica…) tem donos e fazemos o que queremos — até ensinar Português. Ficou claro? Alguma dúvida? O resto do seu comentário foi eliminado porque não admito ofensas aos leitores.

    • WSR

      Lamentável a atitude do tal AGB. O pior é quando a gente topa com tipos assim na rua. Dá vontade de não mais sair de casa.