BRINQUEDOS E “BRINQUEDOS” DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15

Nene car  BRINQUEDOS E "BRINQUEDOS" DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15 Nene car

Nenê Car – o original! As rodas de plástico se quebraram e meu pai, muito habilidoso, torneou um conjunto novo em madeira

Com o conceito de autoentusiasta que tenho hoje, posso dizer que nasci com esse traço!

Nasci em 1978, ano que surgiram os primeiros carros a álcool, ainda existia Chevrolet D-60 com motor Detroit 4.53, o Passat ganhava a frente do Audi 80 B2, a Variant II era recém-lançada…

Meu brinquedo predileto quando muito pequeno era o Nenê Car, um carrinho da Brinquedos Bandeirantes que usei de 1 até os 5 anos de idade. E está conservado até hoje, atualmente “propriedade” do meu filho mais novo de 1 ano e 2 meses…

Com três anos de idade, meus pais me levaram ao Simba Safari e eu, em vez de me impressionar com o leão ou com os macaquinhos que vinham no vidro do UW-8102 (um Passat LS 1981 que meu pai tinha), gostava mesmo era da roda do trator que arrastava uma carretinha com crianças que ia ao nosso lado.

Já maiorzinho, ia ao depósito da empresa da qual meu pai era sócio e a alegria do autoentusiasta-mirim era completa ao ver os grandes caminhões da firma (que hoje com olhos adultos vejo que não eram tão grandes assim…). Lembro-me do 608D preto, dos Ford F-11000 — eram três, dois azuis e um cinza, sendo que um deles tinha um pequeno guindauto chamado pelo pessoal de “muquinho” em alusão à marca Munck), do F-14000 branco (enorme, entreeixos de 5,38 m), que carregava a retroescavadeira Ford 6600. Havia os dois Mercedes LB-2213 betoneira, um LK-2213 caçamba, o “Muque” (um L-1113 com guindauto Munck maiorzinho), o 1313 com terceiro eixo e chassis curto (estranhíssimo) e o 2014, na época zero-km.

Tinha também o Fietão, o caminhão mais feio e mal-conservado que eu me lembro de ter visto: um cavalo-mecânico Fiat 210 com um enorme guindauto Munck (o apelido do caminhão era “Mucão”) agregado com uma prancha de três eixos, usado para carregar pré-moldados. Nunca vi caminhão mais feio que aquele.

 

F14000  BRINQUEDOS E "BRINQUEDOS" DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15 F14000

O F-14000 era idêntico a esse (http://sp.quebarato.com.br/sertaozinho/ford-f14000-ano-90-toco__409E20.html)

Também gostava muito dos carros da empresa. Quatro Kombis (bege Vime, exceto uma picape, que era branca), os Fuscas…Lembro-me de quatro — dois brancos 1980 (as lanternas “Fafá” vermelhas em referência à cor das luzes do pisca), um 1983 amarelo e um 1985 cinza. Tinha os Gols, acho que eram seis. Eu me lembro de um BX 85, um S 1985, dois 1988 e dois 1990. Esse Gol S 1985, inclusive, tinha uma peculiaridade: alguém ao longo da vida dele colocou um virabrequim e pistões de AP1800 — os blocos eram os mesmos — mantendo o câmbio de quatro marchas cuja 2ª, 3ª e 4ª  são mais curtas do que quando o motor é 1,8-L. Ninguém alcançava esse carro numa arrancada!

Nessa época, com meus 6 ou 7 anos, era comum minha mãe me procurar pela casa e me achar, ou apreciando o motor do Fusca, ou brincando de dirigir o Passat LS 1981 que ficou bastante tempo parado na garagem enquanto meu pai não o vendia.

O tempo passou, cresci e o autoentusiasmo também. Posso dizer que cada carro que tive foi um brinquedo que eu comprei. Carro para mim, muito mais do que um artigo de consumo, também é um brinquedo. Um brinquedo de adulto, claro, mas um brinquedo.

E assim tive minhas Saveiros (a CLi 1997 verdinha e a prata “de boy”, a Supersurf 2003/2004); o surradíssimo (e um grande companheiro de andanças) Gol CL 1992 AE e seus mais de 250 mil qilômetros; a Ranger, companheira de aventuras e viagens; o Golf, a F-1000 4×4 (meu “off-road” de cidade,  nunca viu terra), o Fusca 1983 branco que meu avô me presenteou em 1995, que mantenho a pão de ló.

 

Ranger em 2012  BRINQUEDOS E "BRINQUEDOS" DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15 Ranger em 2012

A Ranger em 2012, em Alto Paraíso (GO)

 

Saveiro Super Surf  BRINQUEDOS E "BRINQUEDOS" DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15 Saveiro Super Surf

A Saveiro Supersurf “de boy” e seus pneus “bolachões” 195/65R15 em vez dos 195/50R15 originais

Também pude “brincar” com outras máquinas na propriedade rural que tivemos, como tratores (sempre gostei da linha Ford — gradear terra com o 6600 era ótimo!) e os caminhões, como um basculante Mercedes LK-2213 1980 6×4 e o saudoso Ford F-11000 (cheguei a viajar certa vez, até Maringá para buscar implementos agrícolas — o motorista adoeceu e precisava de alguém para viajar, e logo me dispus).

Tratores também foram máquinas que aprendi a admirar e me entusiasmar (sim, tratorentusiasmo!). Conhecer seu funcionamento, a motorização (sou um apaixonado por Diesel por causa dessas máquinas) me fez, além de conhecer de maneira mais profunda um assunto que curto, me fez um motorista melhor na medida que uma troca de marcha bem feita é a condição básica para….trocar de marcha! Meus modelos prediletos sempre foram os Ford (4630/6600/7630) e os Massey, embora tivesse uma paixão recolhida (porque nunca tivemos um, infelizmente) pelo CBT.

 

Trator  BRINQUEDOS E "BRINQUEDOS" DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15 Trator

O “Fordão” 6600 num primeiro impacto é feio, mas o quanto ele trabalha e resiste mau tratos…deixa ele uma máquina admirável (e até bonita). Tivemos um desse na fazenda e aprendi a operar trator em um modelo idêntico a esse

 

Chave  BRINQUEDOS E "BRINQUEDOS" DE AUTOENTUSIASTA – POR DANIEL S. DE ARAÚJO – 16/04/15 Chave

Essa era a chave do Ford 6600 que tivemos na fazenda. Quando vendemos a propriedade, levei a chave do trator comigo. Anexei essa foto em homenagem ao Carlos Meccia

E assim, a frase “o que diferencia os homens dos meninos é o tamanho de seus brinquedos”, mais do que nunca faz todo o sentido.

E quando eu acho que carro nenhum mais me despertará interesse, eis que me pego imaginando reformar mais algum carro velho (Gol/Saveiro a arrefecida a ar?), namorando alguma picape nova (essa Saveiro Cross com motor EA211 ficou bonita, mas, e a F-250 com motor Cummins MaxPower? E a Ranger reestilizada que deverá sair em 2016 com motor 2,2-L de 160 cv prometida para o ano que vem?  Deve ser um espetáculo de desempenho e consumo!

O fato é que o autoentusiasmo não morre nunca, apenas vai se transformando ao longo do tempo. Vai da alegria de simplesmente olhar e apreciar os veículos quando criança, até o momento de poder comandá-lo, dirigi-lo e sentir a felicidade quando simplesmente aceleramos e o ruído do motor entra em nossos ouvidos.

DSA

ooooo

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  • Mr. Car

    Sim, os carros, para os autoentusiastas, sempre são também um brinquedo, he, he! Quando criança, o meu foi um Jeep de bombeiro, de pedalar, além dos carros de verdade do meu pai e do meu avô, que brincava de dirigir por horas. Depois vieram os que meu avô me emprestava, e por fim, os meus mesmo. Acho que dois carros marcantes na vida de qualquer “criança” são mesmo o primeiro dele , e o seu primeiro 0-km (Alfa Romeo 2300 1977e Palio ELX 1,0 16v Fire 2001, no meu caso). Claro, para “crianças” mais abonadas, pode ocorrer do primeiro já ser um 0-km. Também “brinquei” muito com dois Massey-Ferguson na fazenda, um 65-X, e um 50-X. Mas tinha uma certa admiração pelos Ford, pois os achava mais bonitos que os MF antigos (meu avô nunca teve dos MF remodelados) e, além disso, tinham marca de carro, he, he!

  • ccn1410

    Eu sempre achei os Fiat 210 lindos. Eram na verdade “fenemês” de última geração. Será que você o achava feio devido seu estado de conservação ser ruim?

    • Daniel S. de Araujo

      CCN, o “Fietão” era horrível. Parecia um sinistro de guerra de tão mal conservado!

      Havia uma piadinha corrente entre meu pai e meus tios que quando meu avô pedia para levar o trator de esteiras para a fazenda do Mato Grosso. A conversa era mesma: Se fosse de Mercedes, dois dias, se fosse no 210, 12 dias (dois de viagem e os demais de quebra pelo meio do caminho).

      Muitos anos depois eu vim a saber que cogitaram colocar um conjunto Scania no 210 (motor Scania DS11 + transmissão – uma adaptação que teve alguma popularidade na época), mas o orçamento da reforma mais “powertrain” era economicamente inviável e aí meu pai e tios preferiram comprar um L-2014 novo e vender o “Fietão”.

      • ccn1410

        Naquela época eu tive um amigo que trabalhava com um vermelho de quatro eixos. Era um “truque” na frente e outro atrás, como diziam na época. Era a antecipação do que é feito hoje em muitos caminhões.
        Eu lembro que esse caminhão era conservadíssimo e elogiado pelo amigo que dizia nunca quebrar.
        Então esse caminhão de vocês estava mesmo em pandarecos.

        • Daniel S. de Araujo

          Coisa rara ver FNM/”Fietão” com 4ºeixo. O que eu vi, mês passado foi um Fiat 210 com 3 eixos traseiros combinados. Fico imaginando o terror que deve ser esse caminhão fazer curva em dias de chuva….

          • ccn1410

            Também vi alguns FNMs e Fiats 210 com três eixos traseiros, mas faz muito tempo que não vejo mais nenhum.
            Também já vi alguns FNM D-11000 com 4º eixo, como citei antes, e isso também há muito tempo. Eles eram utilizados principalmente para cargas extremamente pesadas.

          • Antônio do Sul

            Essa adaptação de três eixos traseiros combinados deve ter sido algo bem comum no passado, provavelmente na década de 70. Quando eu era criança e morava no oeste de Santa Catarina, na virada dos anos 80 para os 90, eram comuns Fiat 210, Scania 110 e 111 e até alguns Mercedes 1519 com os três eixos traseiros “puxando” carga refrigerada para Sadia, Perdigão, Seara e outros frigoríficos. Muitos desses caminhões, principalmente os Scania e Fiat, eram cavalos-mecânicos que tiveram o chassi alongado.
            Outra combinação que hoje não se vê mais e era muito comum naquela época: o uso de um cavalo menos potente, quase sempre Mercedes-Benz com motores de 5 cilindros, acoplados a uma carreta de dois eixos.

          • CCN-1410

            Poxa, eu também morei no oeste de Santa Catarina nessa época e vi muitos desses caminhões que você citou.
            Talvez eu seja um pouco “mais antigo” que você, porque também sou do tempo dos F-600 transportadores de porcos e dos International Harvester, que eram lerdos como tartarugas, mas muito resistentes e que nunca quebravam.
            Era comum naquela época ver frotas enormes, com mais de 50 caminhões ao mesmo tempo. Levavam cargas para o Paraná e São Paulo. Os F-600 V-8 que eram rápidos, com carga suína e os FNMs com reboque, no transporte de araucárias serradas.
            No mato, para transportar as toras para as serrarias, ainda imperavam os antigos e fortes F-8.

          • Antônio do Sul

            Você foi um pioneiro no oeste de Santa Catarina! Deve ter chegado lá na década de 50 ou 60 e acompanhado o início dos frigoríficos e a instalação das fábricas de celulose. Deduzo isso pelos modelos dos caminhões citados: o meu avô, nos anos 50, foi caminhoneiro e teve um Ford F-8 e um International Harvester, mas, àquele tempo, morava no Rio Grande do Sul.
            Na década de 80, ainda havia alguns FNM 180 trucados, com baús refrigerados, fazendo fretes de longa distância, mas, para o transporte de ração para as granjas e dos porcos e frangos das granjas para os frigoríficos, os Mercedes-Benz reinavam.

        • János Márkus

          Em BH nos anos 80 tinha um FNM última série com três eixos traseiros com um baú frigorífico enorme da Sadia. Até que andava bem mas devia ser muito desajeitado.

        • Antônio do Sul

          Existe pouca coisa mais bonita do que ronco de FNM. Fico doido quando vejo, no youtube, os pilotos operando a caixa não-sincronizada com dupla debreagem (ou até sem acionar a embreagem) e as duas alavancas simultaneamente (alterna-se entre “caixa alta e baixa” através de uma alavanca que fica no painel).

          • CCN-1410

            “Existe pouca coisa mais bonita do que ronco de FNM”.
            Frase perfeitíssima!
            Nunca concordei tanto em minha vida, hehehe…

      • vstrabello .

        Eu lembro de um desses FNM passando na estrada que separava a casa do resto do sítio do meu avô que eu morava na infância. Era um bicho tão, mas tão carregado que tiveram que puxar ele com um trator, na subida. Não lembro qual máquina o puxou, mas mesmo assim o visual dele sempre me despertou interesse em vê-lo mais vezes. Eu também vivia rodeado de caminhões, como os F4000, um 1980 laranja com teto branco, painel Super Luxo e outro, 1994, que conheci ainda zero km, cor prata. Era sensacional entrar nele. Naquela época eu babava nos Volvo FH12 que começavam aparecer nas estradas e fiquei vislumbrado com o tamanho e o visual da nova máquina. Que tanque enorme! Eu falava quando criança em uma das vindas para o Ceasa aqui de Campinas. Tratores? Um Massey-Fergusson 260 (série 300 000) e um Agrale 4200, acho que 1979 ou 80. Este último está no sítio do meu pai, desde 2001. Lembro que quando ainda no sítio do meu avô um mecânico abriu este último inteiro e aquele cheiro do óleo de câmbio tomava toda a garagem. E foi o primeiro trator que eu tive contato “de gente grande” aos meus 14 anos. Bons tempos.

      • Aldo Jr.

        Trabalhava em concessionário Scania por essa época, e vendi vários kit’s de adaptação desse tipo. O problema era justamente esse: o valor do motor, mais câmbio e peças de adaptação ficavam muito próximos do valor de mercado do caminhão a ser repotenciado, (as vezes até ultrapassavam). Para se ter uma idéia lembro que, quando vendia somente um motor para reposição, tinha vendido o valor correspondente a uma Caravan Diplomata 0-km. Esse kit deveria custar uns 60% a mais, ou seja, só valia a pena porque o valor do caminhão novo, na época, era muito alto, e só compensaria num caminhão em ótimo estado. Porém, o resultado final era excelente. Abraços;

      • Antônio do Sul

        Há pouco tempo, meu pai comentou comigo que ouviu falar de um Alfão que usava motor Caterpillar (retirado de uma carregadeira) combinado a uma caixa de câmbio Scania. Segundo a fonte dessa história, esse FNM, em subidas de serra, dava uma surra em muito caminhão mais novo…

  • ccn1410

    Sempre que vejo um carrinho como esse “Nenê Car” eu fico triste, porque meu sonho de criança era ter um jipinho vermelho de lata e movido a pedal, coisa que não tive.

    Anos mais tarde comprei um fusquinha amarelo de plástico para meu filho, que depois de muito uso, foi completamente destruído pelas mãos da caçulinha.

  • Nunca tive desses carros na minha infância, mas o brinquedo que mais gostava, era um volante de fusca, que tenho guardado até hoje, devo ter dado umas duas ou três voltas ao mundo com ele. Tinha também os caminhões de madeira que meu pai fazia, esses se perderam com o tempo. O F-11000 também fez parte da minha infância, meu trabalha com um até hoje, foi nele que fiz minha primeira de muitas viagens de caminhão. Também tive minhas aventuras com trator, um Valmet 68. Sempre muito bom relembrar os veículos que fizeram parte de nossas vidas e de como essa paixão cresceu junto com a gente.

  • Cesar

    Lembro, quando trabalhando numa lavoura de arroz, saí dum Valmet 85 para um Ford 6600, novinho, que acabara de chegar. Que maravilha. Também trabalhei com International B 450, Deutz 90 e 110, Valmet 80, 85 e 148 (o que mais gostei) CBT 1090, Massey 85X, 95 X e I (esse raro), mas o mais estranho que dirigi foi um Pettibone Wood 730 Speedmixer, com maravilhoso motor Detroit Diesel.

    • Daniel S. de Araujo

      Cesar,
      Eu tive Valmet 148. Cantava bonito a turbina dele! Na Fazenda, também tivemos (e quase morri esmagado num quase acidente) um Massey Ferguson 85X da primeira leva, que diferia dos seguintes porque ele usava motor MWM D-225!

  • César

    Gostei da chave!

  • Lucas CRF

    Que bacana, Daniel, que bacana. Uma honra participar de sua história de autoentusiasmo. Duas passagens me chamaram a atenção em especial. Quando diz que cada carro foi um brinquedo, e o último parágrafo, em que coloca a evolução do autoentusiasmo.

    Curiosamente, você deriva a paixão por carros aos caminhões e tratores. Já eu, às motos.

    abraço

    Lucas CRF

    • Daniel S. de Araujo

      LucasCRF, obrigado pelas palavras! Fico grato por elas!

      Moto também é fascinante! Eu tirei CNH Cat. A numa Yamaha RX-180 de 1979!!!! Era a motocicleta padrão das auto-escolas do interior. A gente chegava de manha, limpinho e cheiroso e saia fedendo óleo 2 tempos queimado.

      Uma vez quase comprei uma moto: Uma Harley Amarelo-ovo (não sei o modelo – mas era linda a moto). O negócio só não deu certo porque o cara queria dinheiro e eu ia transferir uma cota de consórcio contemplada e paga.

  • RoadV8Runner

    Eu tive um Fusca verde da Brinquedos Bandeirantes, maior que o Nenê Car. Usei-o até o fim, literalmente. Depois que a carroceria de plástico começou a se esfarelar devido a degradação do tempo, virou uma espécie de kart a pedal. Usei muito, até que começou a trincar o “chassis” e foi o fim de linha.
    Carro não consigo comprar se não for um modelo que me dê realmente prazer ao volante. Comprar um modelo movido pela razão, é difícil… Por esse motivo é que acabo ficando por anos a fio com meus carros, pois não sinto vontade de trocar, já que foi um modelo escolhido a dedo. Aliás, até hoje vendi somente dois carros: o primeiro, um Passat LS 1981 devidamente apimentado com um AP2000 e o terceiro, um Caravan 4,1-litros 1988. O Passat se foi depois de uma batida homérica, quando um senhor avançou a preferencial e bateu quase de frente, com meu pai ao volante. O Caravan foi trocado pelo meu Focus atual, depois de 10 anos de bons serviços. Meu segundo carro, um Chevette 1989, está com minha mãe até hoje. E esse acho que não vou vender, devo adotá-lo se a decisão de troca por outro carro vier… (se a patroa ler isso lascado!)

    • Daniel S. de Araujo

      Minha mulher quer me matar quando falo que comprarei um carro para mim….sabe que geralmente vem alguma coisa no mÍnimo incomum! Quase dormi na F-1000 quando apareci com ela em casa.

      Meu sonho atual (em termos de carro mais antigo) é um Gol arrefecido a ar. Tem um BX 1985 em bom estado cor de champagne que roda aqui na cidade…to tentando localizar o dono. As lombrigas pulam no estômago cada vez que eu vejo…

  • Leo-RJ

    Belo relato! Acho que todos por aqui tivemos um ponto em comum na infância: carros de brinquedo, como quer que fossem; e na adolescência, quando a ‘brincadeira’ ficava mais séria… rs.

    Foi bom ter guardado da chave do trator Ford!

    Abç!

  • A chave “Oval Ford” é muito legal. Parabéns pelo texto!

  • Luciano Miguel Santos

    O que eu mais lembro quando era criança é do formula 1 branco com pedal, acho que era da Bandeirante , era uma festa no quintal que tinha uma descida e depois o piso ficava plano, quando chegava no final do quintal eu travava os pedais e dava um cavalo de pau pra não bater no muro, era clássico, brinquei e me diverti demais com ele, apostávamos corrida meus primos e vizinhos, eu posso dizer que aproveitei muito na infância, boas lembranças. Tínhamos o costume de brincar nos carros também, Kombi, Variant II, Belina, Monza, na F1000 uma vez eu estava brincando e sem querer soltei o freio de mão, e meu pai sempre prevenido tinha o costume de por um calço de madeira no pneu porque ela ficava parada na rampa do quintal , se não fosse o calço eu tinha feito um estrago, no outro dia levei uma bronca porque ele percebeu que eu tinha mexido no freio quando foi tirar o calço, teve uma fase também que eu e meus primos brincávamos nas carretas do marido de uma prima, cada um ficava em um caminhão e imaginava que estava viajando pelas estradas, lembro muito das Scanias 112hs tinha uma cara-chata branca com as faixas vermelhas, uma bicuda verde com as faixas douradas e um 142hs cara-chata com as faixas douradas, um 141 clássico cara-chata laranja e um Volvo acho que era NL10 intercooler…….quando criança queria ser motorista de caminhão, clássico, né!!!!

    • Danniel

      Eu tinha um carrinho de pedal também.. Acelerava no corredor para chegar à sala de jantar dar uma bela travada nas rodas traseiras.. O piso de taco era todo detonado nesse ponto.. rs

  • Fórmula Finesse

    “Com três anos de idade, meus pais me levaram ao Simba Safari e eu, em vez de me impressionar com o leão ou com os macaquinhos que vinham no vidro do UW-8102 (um Passat LS 1981 que meu pai tinha), gostava mesmo era da roda do trator que arrastava uma carretinha com crianças que ia ao nosso lado”

    A origem do autoentusiasmo realmente é um insondável mistério na maioria das vezes: não há vínculo com pai, com tio… que explique uma criança de ano e meio (ou até menos) vidrada por carros – e não é nem preciso haver carros na família; o filho de uma pessoa que não têm condução pode desenvolver igual entusiasmo, sabe-se de lá de qual fonte.

    Tal como o alto oceano, a alma humana têm profundidade abissal e desconhecida – apesar de parecer mera praia rasa, na figura de uma criança.

    Vidas passadas talvez? Quem sabe! Belo relato.
    FF

    • Luciano Miguel Santos

      Também penso assim, meu pai disse uma vez que eu ficaria até sem comer para ter um carrinho. É, esse amor pelos carros é inexplicável.

  • Diego Clivatti

    Minha primeira experiência com trator foi o irmão menor o 4600, motorzinho valente, queixo duro, trabalhando até hoje tal qual um relógio com meu sogro, a chave à época não era mais original, vou ver ser arrumo uma destas.

  • Fabio Toledo

    Os buguinhos da Bandeirantes foram uma febre, na rua de casa toda a molecada tinha, e ficaram ainda mais divertidos na versão kart (depois da carcaça de fibra quebrar)… Era um “rachão” só descendo a rua, com direito a toques e capotagens… hahaha… Depois foram os rolemãs e o skate respectivamente. E o skate permanece! 8 )

  • Eduardo Mrack

    Belíssima matéria, do tempo em que crianças se distraiam e deslumbravam com carros, máquinas e ferramentas, diferente dos dias de hoje, onde predominam os smartphones.

    A menção do início do texto ao Detroit 4-53 me fez lembrar da minha infância também. Lembro que meu pai era um dos únicos mecânicos da região que se atrevia nos motores Detroit, todos os outros preferiam trabalhar com os MB’s, sendo assim, vinha muito Chevrolet D-60 aqui para a oficina, eu tinha por volta de 5 a 7 anos, não era raro eu me acordar pela manhã por causa dos Detroits entrando em funcionamento. Lembro que eu tinha muito medo do barulho, medo que ao longo dos anos se transformou em prazer, cada dia mais raro de se ouvir. Volta e meia ainda aparece algum caminhão movido a motor Detroit para reparos, pois ainda há no interior do Rio Grande do Sul alguns senhores que os mantém em operação.

    Na época, meus brinquedos sempre foram os magníficos blocos Lego, coisa que me deu até uma base e interesse para o mundo da engenharia e da mecânica, ora, tudo deve se encaixar no mundo das engrenagens, polias, eixos e árvores.

    • Luciano Miguel Santos

      Sou fã do Detroit também, nos EUA são muito comuns, pelo menos pelo que vejo no YouTube. Às vezes fico horas só vendo os vídeos ouvindo o lindo ronco do motor. Nos meus sonhos mais loucos tenho vontade de ter uma picape Chevrolet dos anos 70 e um Detroit. Além do preço, deve ser difícil também encontrar um motor desse à venda hoje em dia.

  • Leonardo Mendes

    Meu herói de infância (e até hoje) é o Herbie… sempre foi meu sonho de menino ter um e, de certa forma, encontrei uma maneira de ter um no autorama.
    Foram inúmeras bolhas de Fusca com o 53 orgulhosamente estampado nas laterais… a última ficou um primor, pintei de branco, coloquei o 53 no capô e tampa traseira e um logo do Chicago Bulls em cada porta.

    Engraçado que eu lembro mais da primeira moto que andei do que do primeiro carro… era uma CBX 750F 87, a “Hollywood”, de um amigo.
    Andei por uns 2 km mas para quem só arrastava os pés na NX 150 do pai andar “tudo aquilo” me fez sentir Evel Knievel por uma noite.

  • Danniel

    Xará,

    Na fazenda, durante seu ápice, meu pai comprou um Ford 7610, “traçado”, para o substituir o CBT (que mais ficava no paiol que no campo, pela má conservação dele).

    Me divertia um bocado com o Fordão, com meu pai sentado no para-lama esquerdo para pisar na embreagem por mim.

    Pena que a relação custo de manutenção com maus operadores de máquinas nos fizeram a ficar somente com o Massey 85X, até por conta da diminuição de serviço que houve anos depois.

  • Rogério Ferreira

    Ah, o tempo de infância. E meus brinquedos eram quase que invariavelmente, carrinhos, Me lembro do Fiat 147 bombeiros bate e volta da estrela, o Passat com teto transparente, Brasílias, Fuscas e jipes, simplicíssimos, de puxar com a corda, o Buggy gigante verde escuro, Tinha o Brucutu 8×8 da Grasslite, e um dos meus preferidos, o Ferrorama XP 200. Tive aviões e helicópteros, como uma réplica do famoso “Trovão Azul”… Não sei fim tiveram, acho que minha mãe deve ter doado, sei lá. Queria ter guardado, mas criança não tem poder de escolha. Fico observando as crianças hoje em dia. O quanto interesse pelos carrinhos diminuiu, e como os carrinhos estão melhores, perfeitos, e sobretudo bem mais baratos que na nossa época. Outro dia vi replicas perfeitas de vários modelos nacionais, lá na prateleira do supermercado, a espera de alguma rara criança autoentusiasta. Se fosse na minha época de criança, ia querer todos! Confesso que fiquei com vontade de comprá-los, e se tivesse um filho seria o pretexto, mas com três mulheres em casa, como é que faço? Bom também brinquei muito nos carros do meu pai, e dos colegas do meu pai, quando ia no trabalho dele. Um deles, tinha largado um Gol BX capotado, lá no pátio da subestação, e eu passava a tarde toda dentro dele, imaginado estar dirigindo com entusiasmo. Tinha muito entusiasmos por ônibus, e os meus preferidos eram os rodoviários, especialmente Volvo e Scania com, carroceria Diplomata Nielson, ou Marcopolo Viaggio. Por ironia do destino, hoje trabalho num lugar onde há poucos funcionários e muitos carros. e assim desejo de criança foi realizado, ainda que tardiamente. tenho à disposição um Palio 1.8, uma L200, uma Amarok, e para variar, um caminhão Mercedes 608D, 1978, que apesar de surrado, trabalha pesado até hoje. Temos também, abandonados, um Fusca 1978 viatura, um Mercedes 1113 caçamba, uma pá mecânica Case, um trator Ford e outro Masey, e dois rolos Dynapac. Todos parados há mais de 20 anos, e infelizmente, ninguém teve a competência de mandar fazer um leilão (mal de órgão público). Eu me interessaria em arrematar o Fusquinha, está todo original, era só trocar o assoalho. Preto com a faixa branca, e uma sirene, viatuda do antigo DNER.

  • Daniel S. de Araujo

    Danniel, realmente o Ford é trator…para bons operadores!

    Tanto que a linha New Holland até hoje faz muito sucesso no Sul onde geralmente é o próprio dono que opera. O norte do Paraná é o paraíso dos 7610/7630!

    O 85X eu confesso…sou meio traumatizado devido a um quase gravissimo acidente que sofri em decorrência de uma falha mecânica no sistema de direção hidráulica.

  • Daniel S. de Araujo

    Uns dois anos atrás parei o transito de uma avenida em Caçapava (SP) só para pedir para o motorista acelerar o D-60 Detroit que estava atrás de mim…

  • Daniel S. de Araujo

    Antonio do Sul, já que tocou no assunto acabei lembrando: Aqui na região de Marilia tem a empresa Glassmar que fabrica caixas de água de fibra. É relativamente comum ver cavalo L-1313 e uma carreta de um unico eixo puxando caixa de água.

    Na região de Santos também é relativamente comum. Já vi até F-600 arrastando carreta com container vazio. Aliás já escutei que a moda na região de Santos era fazer “misto quente”: Pegar Chevrolet C-60 com motor GM 292 (4,8L) e adaptar cabeçote de OM321 do MBB L-1111 e fazer o motor queimar diesel!

    • Antônio do Sul

      Há algum tempo, aqui no Autoentusiastas, alguém, talvez você mesmo, comentou sobre esses GM “misto quente”. Segundo quem trouxe a informação, o desempenho ficava muito bom, já que o motor se mantinha girador como um originalmente a gasolina, mas, sem os reforços para trabalhar no ciclo diesel, agüentava apenas cerca de 40.000 Km.

      • János Márkus

        Já vi essa “salada” numa pick-up Ford F100 1969. Era uma visão bizarra, porque o distribuidor ainda estava lá, sem os cabos. Mas fica uma curiosidade, como que era acionada a bomba injetora?

  • ccn1410

    No oeste de Santa Catarina, trocavam o motor inteiro dos Ford e Chevrolet pelos motores Mercedes-Benz,. alguns também adaptavam Perkins.

    • Antônio do Sul

      Era uma adaptação mais confiável. Mesmo nos F-600 e D-60 que saíam de fábrica com o motor Perkins, adaptavam-se motores Mercedes-Benz. Qual seria a razão dessa troca? Maior disponibilidade de peças?

  • Antônio do Sul

    Santa Cruz do Sul, pelo jeito, foi o paraíso dos motores de dois tempos. Na sua cidade, pelo menos durante a década de 80, ainda havia muitos DKW rodando, graças à boa mão-de-obra especializada. Nessa mesma época, em qualquer outra cidade, mesmo aí no Rio Grande do Sul, Belcar e Vemaguet já eram muito raros.

    • lightness RS

      Opa, sou daqui de Santa Cruz, mas sou novo, nasci após a época dos DKW, legal saber disso!

      • Antônio do Sul

        E eu fui conhecer os DKW aí na sua terra, quando ainda nem sabia ler. O meu pai, admirador da marca, com toda a paciência, tentou explicar para o guri de seis anos por que aquele carro com ronco diferente soltava toda aquela fumaça…

    • Eduardo Mrack

      Realmente os DKW tiveram vida longa aqui em Santa Cruz, graças à experiência do finado Sr. Guido Waechter, fundador da retificadora que leva até hoje o seu nome. Infelizmente, pouco tempo após a sua morte a retificadora decaiu de qualidade de uma maneira absurda. Temos outras três retificadoras na cidade e nenhuma faz um serviço sequer decente. Tenho alguma liberdade de acompanhar ou até mesmo realizar operações dentro de algumas delas e quando não faço ou não acompanho o serviço dos motores que são reformados aqui na oficina, dificilmente eles retornam dentro das medidas e/ou especificações ideais, tendo que mandar de volta o motor ou componentes para retrabalho, isto quando é possível, pois muitas vezes eles chegam a inutilizar componentes que poderiam e deveriam ser reutilizados.

      O pessoal tem uma mania cabulosa por aqui, muitas vezes preferem encamisar cilindros standard ao invés de colocar pistões novos com sobremedida, pois o kit de camisas é mais barato do que um jogo de pistões. Usam os pistões velhos STD, com anéis novos. É realmente uma pena, muitos carros com menos de 10 anos já andam com os blocos do motor violados e impassíveis de retornar à sua integridade. Havendo outras opções, o encamisamento de motores (que não as possuem como parte integral do projeto) é sempre a pior escolha. A transferência de temperatura assim como a sua leitura ficam prejudicadas, cabeçotes empenados, juntas que não vedam, velas trabalhando fora da faixa ideal de temperatura etc. É triste ver carros praticamente novos, transformados em carros-bomba.

  • Juliano Nunes

    Aqui se faz justiça ao nome do site. Mais um ‘parabéns’ entre tantos que já receberam e que vão ainda receber. Não fazem ideia da felicidade que sinto ao ler uma matéria dessas. Definir como completo ainda e pouco..

  • ccn1410

    Pelo que sei, era devido a maior facilidade em fazer o motor girar nas manhãs frias, porque os Perkins daquela época era terríveis nisso, e também porque o caminhão com motor Mercedes ficava mais rápido na estrada.

  • Eduardo Mrack,
    Realmente, quando o nível de qualidade de serviço de uma retificadora cai, é terrível. Um cilindro aberto para usar pistões sobremedida não traz absolutamente nenhum tipo de problema. É como você disse, encamisar um bloco “mata-o” para sempre, só deve ser feito esgotadas as possibilidades de se conseguir pistões de última sobremedida.