Woman driv huffingtonpost.com  A pintura é poesia sem palavras Woman driv huffingtonpost

Em 1909, o fundador da Ford, Henry Ford, disse que qualquer cliente poderia pedir o carro Modelo T na cor que bem entendesse, desde que fosse preto. Pessoalmente não concordo com a monocromia — não que não goste de carro preto, gosto, mas sou contra a imposição de uma única opção, pois como disse Voltaire, a pintura é poesia sem palavras. Sei que ele não falava de carros de passeio, mas me permiti um paralelo, já que muitos anos se passaram e atualmente a Ford, assim como os demais fabricantes, oferece uma gama enorme de cores de veículos em todo o mundo.

Hoje ter um carro de cor diferente da do seu vizinho não é mais suficiente e pode-se escolher o tipo de pintura. Mas a questão vai além do aspecto estético — esse totalmente subjetivo. Qual é a melhor alternativa? Qual é a mais durável? E na hora de retocar, qual é a mais fácil? E para revender?

Existem basicamente quatro tipos de pintura no mercado:

– A sólida, a mais antiga, composta por cores básicas como branco, preto e vermelho. É também a mais barata.
– A metálica, que dá um aspecto metalizado e pode ter uma enormidade de opções.
– A perolizada, que dá um aspecto de nácar, que pode ter várias cores. OK, aqui acho que só as mulheres vão entender o “nácar”, pois há uma analogia com os esmaltes de unhas, mas lembra o aspecto da casca de uma ostra. É a opção mais cara.
– O envelopamento, na maior parte dos casos para deixar os veículos totalmente sem brilho, fosco mesmo, uma certa moda hoje.

No Brasil, a preferência tem sido pelas pinturas metálicas, mas o envelopamento vem conquistando um nicho de mercado. Antes de mais nada, é importante dizer que o cuidado com a manutenção com todas as pinturas é basicamente o mesmo: a limpeza de todos os carros, independentemente da pintura, deve ser feita com água e sabão neutro. Ou seja, a receita é sempre a mesma. Portanto, voltamos à questão das preferências, do custo, da valorização e da durabilidade.

Desde a década de 1970 as tintas usadas são do grupo dos isocianato, ou seja, um verniz e dois componentes. Vantagens? Seca mais rapidamente e são necessárias menos demãos, além de maior durabilidade. Digo isso também por experiência própria, pois mandei pintar móveis de alumínio com esse tipo de tinta. Mas, claro, tem pegadinha aí. O isocianato é altamente tóxico e requer muitos cuidados na aplicação. Minha mãe, que é química, me deu uma longa explicação científica, mas, resumindo, o isocianato é parente do cianeto. Isso para mim já é suficiente para ficar longe do compressor na hora da aplicação. Sei lá, acho que é porque me lembro dos filmes de espiões e de quando eles se suicidavam com cápsulas de cianeto ao serem pegos pelos inimigos.

Já as tintas metálicas surgiram nos anos 1960. Elas são feitas com a adição de flocos de alumínio à própria tinta. Depois de aplicada e bem seca aplica-se o verniz que dá brilho.

As tintas perolizadas se popularizaram nos anos 1990. À cor base sólida acrescenta-se pó de mica e depois um verniz transparente específico. O carro perolizado não deve ser polido, pois a camada de verniz é mais fina e pode ser afetada no processo. E ele muda de cor dependendo da luz. É para quem não quer a mesma cor sempre ou gosta de veículos “camaleões”.

O envelopamento é a cobertura do veículo com material adesivo, geralmente fosco. A rigor, não é propriamente uma pintura, mas sim uma forração. Para mim lembra o antigo mas ainda útil Contact que eu usava para forrar meus cadernos na época da escola. Sua primeira utilidade é estética, mas quem o tem diz que protege um pouco mais contra arranhões. Mas nenhum técnico me confirmou isso. Outra vantagem é que pode ser refeito com rapidez e por um preço relativamente acessível, pois basta retirar a película e reaplicar. E sempre há a possibilidade de se voltar à pintura original. Claro, na teoria, pois se o trabalho não for bem executado aparecem bolhas e alguns materiais deixam cola adesiva quando são retirados — e não há como tirá-la sem danificar a pintura.

Em termos de legislação, qualquer alteração na cor deve ser informada ao Departamento de Trânsito — no caso do envelopamento, também deve ser feita a comunicação se houver mudança de cor ou quando a área adesivada supere os 50%. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) diz no artigo 14: Serão consideradas alterações de cor aquelas realizadas através de pintura ou adesivagem em área superior a 50% do veículo, excluídas as áreas envidraçadas. Parágrafo único: será atribuída a cor fantasia quando for impossível distinguir uma cor predominante no veículo”.

Quanto às cores, embora a mais comum do envelopamento seja preta, por lei pode ser qualquer uma, exceto cromado porque poderia ofuscar outros motoristas. Aliás, pensando bem, ofuscaria a todos, não apenas aos motoristas. Imagino que o carro ia parecer uma estrela cadente. Xii, já imagino outro filme, mas agora de ficção científica…

 

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Todas as pinturas oferecem a mesma durabilidade (fonte: duplaoferta.com)

É claro que várias coisas afetam a valorização de um carro, e certamente a pintura é uma delas. Basicamente, a apreciação está associada ao momento, mas ainda assim segue também a questão do custo. Assim, cores perolizadas costumam ser mais bem pagas na hora da revenda do que as metálicas que, por sua vez, são mais caras do que as sólidas. Isso na teoria, pois atualmente há fabricantes que cobram mais caro pela prosaica cor branca – que é sólida e a mais barata, apenas porque está na moda. Tem cada uma!

E qual é o tipo de pintura da preferência do mercado? Veja bem… Carlos Alberto Delli Zotti, gerente da unidade de Pintura da FCA, a Fiat Chrysler, diz que no caso da unidade de Betim os tipos de pintura são lisa, metálica e perolizada aplicada em dupla camada. “As pinturas lisa, metálica e perolizada oferecem as mesmas condições e qualidade de proteção à carroceria. Não há diferença técnica em relação à proteção anticorrosiva e dos raios ultravioleta”, diz. “A opção do cliente parte do pressuposto do efeito estético, ou seja, recai exclusivamente ao gosto individual.” Ele também afirma que os cuidados necessários para a manutenção da pintura são os mesmos para todos os tipos de pintura produzidos pela FCA, tais como lavar o automóvel sempre à sombra e com a lataria do carro fria.

Para Evandro Bastos, Gerente de Marketing Produto da Mercedes-Benz, a fábrica oferece atualmente pintura sólida, metálica, perolizada e fosca. “Todos os tipos de pintura têm a mesma qualidade e durabilidade, a diferença fica realmente por conta do seu visual e do acabamento. Nas cores sólidas, como o próprio nome diz, a percepção é de apenas o verniz por cima da tinta; as metálicas recebem aditivos para que a tinta tenha uma aparência mais brilhante; já as perolizadas recebem outro tipo de aditivo em sua composição, para que gere um efeito multicolorido dependendo do ângulo de visão e da incidência e luz.” E a manutenção? Segundo ele, exceto para a pintura fosca, que necessita de produtos especiais para sua manutenção, as demais demandam o mesmo cuidado quando o tema é longevidade da pintura do automóvel.

Quanto às cores, confirma-se quase totalmente aquilo que qualquer um de nós constata ao parar num sinal e olhar em volta. Delli Zotti diz que as três cores mais pedidas são branco Banchisa (lisa), prata Bari (metálica) e, ao contrário do sempre pedido preto, neste caso o vermelho Alpine (lisa), nesta ordem. O branco é a cor mais popular do mundo e no Brasil caiu no gosto popular ao perder o estigma de “cor de táxi”. “O prata e o vermelho são cores tradicionais e há vários anos estão entre os mais pedidos.” As preferências não mudam muito mesmo quando dinheiro não é problema. Bastos, da Mercedes-Benz, diz que a maioria das cores solicitadas são as metálicas, porém o branco (sólido) vem conquistando seu espaço entre as cores metálicas desde o ano passado. “Também pudemos evidenciar que o azul metálico e o marrom metálico também estão caindo no gosto de nossos clientes. Mas a cor preta continua sendo a mais solicitada.

Delli Zotti diz que no mundo, de maneira geral, há uma forte tendência por tons claros e cores brilhantes. Em todos os continentes, a cor mais vendida é o branco. Na Europa, há uma preferência pelos automóveis azuis e bicolores, principalmente, os modelos esportivos. Os azuis escuros são bastante versáteis, podendo ser usados em modelos mais sofisticados ou os mais esportivos. “É uma cor que permite ser aplicada em carros grandes e pequenos. O brasileiro, apesar de ter fama de conservador, tem aceitado cores diferentes buscando, assim, maior diferenciação.”

E se ainda assim alguém quiser algo diferente?  Bem, a FCA desenvolveu duas cores para o novo Uno 2015: o laranja Ruggine e o verde Amazon (metálicas). A idéia surgiu a partir de pesquisas realizadas no Design Center por meio de tendências de materiais, da moda, arquitetura, entre outros elementos, em um trabalho integrado entre as áreas de engenharia de materiais e fornecedores. Pesquisas sobre comportamento dos consumidores, carros conceitos e de mercado também abastecem os novos desenvolvimentos.

A Mercedes-Benz oferece 12 opções de cores metálicas e três sólidas por modelo, bem como algumas opções de cores perolizadas que variam de acordo com o modelo escolhido. Além das cores “convencionais”, a marca tem um departamento chamado “AMG Performance Studio”, onde são feitos os pedidos especiais de veículos da marca Mercedes-AMG. O cliente pode personalizar inúmeros itens e, além de escolher as cores de linha, pode pedir para que seja criada uma cor única. No Brasil, duas unidades do SLS 63 AMG foram encomendados com pinturas especiais, sendo que uma delas é única no mundo; apenas essa unidade foi pintada com uma cor exclusiva que recebeu o nome de “Yosemite blue”. Da outra também há poucas unidades, pois foi desenvolvida com uma quantidade de ouro na pigmentação, denominada de “Desert gold” para o modelo SLS. Além de Mercedes e FCA, outras fábricas têm outros tipos de pintura, mas basicamente também atendem ao mercado com tintas sólidas, metálicas ou perolizadas. E sempre estão atentas às guinadas do mercado quanto a cores.

O Toninho, meu funileiro que trabalha com tinta automobilística desde os anos 1970, me disse que há tantos tipos de pintura que qualquer uma pode ser retocada. “Não há um tipo mais fácil ou difícil de retocar. Todas dependem de boa matéria-prima e boa mão-de-obra”. Segundo ele, quem vai pintar tem de conhecer bem todos os tipos de tinta, as bases e como combiná-las. E conta que um dos segredos para que não se perceba a emenda na tinta é ultrapassar o trecho pintado com o verniz. Gosto de conversar com o Toninho pois tem muita experiência e adora uma prosa, mas brinco com ele que se dependesse apenas de mim como cliente iria à falência…

Mudando de assunto: Ciclovias, parte II: a Justiça autorizou a continuidade das ciclovias e ciclofaixas na cidade de São Paulo embora a Prefeitura não tenha apresentado um único estudo de nada — impacto sobre o trânsito, planejamento, nada. Apenas um juiz diferente indeferiu o que outro tinha aprovado. Coisas do sistema jurídico brasileiro. Parece que acabado o furor das faixas de ônibus resolveram aproveitar a tinta que sobrou e agora as ciclofaixas são o mais novo xodó da administração pública. Encontrei uma pesquisa do Datafolha de fevereiro deste ano que afirma que três entre quatro paulistanos não têm bicicleta. Dos que têm, 6% a utilizam todos os dias por algum motivo, mas somente 1% pedala para ir ao trabalho e 33% desses 25% utiliza a bicicleta menos de uma vez por semana — dá para imaginar que seja sábado ou domingo, não? E 72% (e a Prefeitura trabalha com o número de 70% ) declararam que utilizam o ônibus para seus deslocamentos diários. Preciso desenhar?

NG

Foto de abertura: huffingtonpost. com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Eduardo Sérgio

    Uma das vantagens da compra do carro zero-km é que se pode as (poucas) cores disponíveis. Sempre optei por cores “de verdade”: Fusca 96 Verde Nice (perolizado); Gol 2001 Bege Júpiter; Uno Mille 2006 Vermelho Barroco (vinho); Uno MIlle 2009 Verde Lagoon; Clio 2011 Bege Poivre; Citroen C3 Branco Nacré (perolizado). São cores bonitas e que se destacam na pobreza do preto-prata-cinza.
    Nunca escolhi cores levando em conta a aceitação futura no mercado de carros usados pois entendo que, fazendo isso, estarei escolhendo um cor “para os outros” (o futuro proprietário), e não para mim mesmo.
    Já que vou pagar, e caro, por um bem de consumo, prefiro ao menos escolher a cor que mais me agrade.

  • CorsarioViajante

    Tema muito bacana. NUnca tive carro colorido, apenas preto e prata, mas em parte porque achei que o preto e o prata caíam muito bem nos modelos. E, lógico, tinha à pronta-entrega com descontos.
    Além disso, costumo ficar muito tempo com meus carros, e cores mais marcantes me enjoam. Quase comprei um Fiesta azul, que acho lindo, mas hoje só de ver ocasionalmente na rua já enjoei do tom tão pitoresco.
    Mas uma coisa que antes eu era indiferente e hoje presto atenção é o tipo de pintura. Noto claramente a diferença entre um preto sólido, um metálico e um perolizado. Hoje é algo que acho que vale muito a pena investir, pois a percepção muda radicalmente com um carro metálico ou mesmo perolizado, qualquer que seja a cor.

  • Fat Jack

    Das cores para o carro do dia-a-dia gosto das metálicas mais discretas (chumbo, bege, verde escuro, etc.), para um esportivo minha escolha recai no bom e velho trinômio “vermelho/branco/preto”, dependendo do caso um amarelo pode até cair bem (Camaro Amarelo, jamais! Hahaha…).
    Ouvia muito na minha adolescência que “metálico não dá retoque”, acreditava nisso até o dia em que um motoqueiro fez um estrago no para-lama de um Escort metálico que eu tinha na época, cujo retoque ficou tão bem feito que mesmo eu, que sabia exatamente a extensão do estrago tinha dificuldade em identifica-lo! (na verdade custei a me convencer de que a peça não havia sido pintada por completo).
    Bons produtos e boa mão de obra são capazes de fazer milagre nessas horas…

    • CorsarioViajante

      Eu acho que cada carro pede uma cor que parece que “veste” ele melhor e valoriza suas linhas.

    • Luiz_AG

      As tintas evoluíram muito. Hoje é fácil conseguir qualquer tom, até de pintura queimada.

      Difícil, um carro hoje sair da funilaria com nuances de cores distintas.

  • Marcelo R.

    Nora,

    O “Mudando de Assunto” de hoje, é uma das coisas que mais tem me deixado indignado, ultimamente, devido ao inferno que tem sido dirigir nesta cidade, por conta destas ciclofaixas…

    • Nora Gonzalez

      Marcelo R. concordo. E fico indignada com a falta de estudos prévios, informações, prestação de contas, competência, em fim, tudo aquilo que o poder público deveria ser e fazer. Que fique bem claro que não sou contra ciclovias nem ciclofaixas. Apenas acho que transporte coletivo deveria ser a prioridade número um em termos de mobilidade numa cidade como São Paulo onde as pessoas andam em condições sub-humanas. E sou totalmente contra a falta de planejamento e trabalhos mal feitos, sejam eles caros ou baratos.

      • Filippe

        Aí você tocou num assunto crucial, as condições de transporte público são sub-humanas, mesmo em países desenvolvidos como Japão ou Inglaterra, nos horários de pico, os trens sempre andam superlotados, parece ser algo intrínseco no sistema de transporte coletivo. No Brasil, o mais estranho é que a concessão para ônibus que está na mão de algumas famílias e ninguém fala em abrir novas concessões ou privatizar por completo o sistema de linhas de ônibus, o resultado disso são quantidades de ônibus insuficientes. Diante disso o que se ouve de muitas pessoas é que elas preferem ficar paradas no trânsito dentro do carro do que no ônibus, o sistema de transporte coletivo é meio que uma justificativa final para se comprar um carro mesmo sem ter plenas condições de se manter um.

  • Rafael Ax

    Lembro do meu velho Gol quadrado branco, que já testava bem surrado quando o comprei (era o que o dinheiro dava). Tinha uns 4 tons de branco pelos retoques que já havia tomado por pequenas batidas, além da tinta já estar meio amarelada com o tempo. Como já faz um tempo, não sei se era a falta de recursos, a falta de capricho dos profissionais, ou os dois.

    Já quando fui reparar meu Corsa cor verde metálico, isso num passado menos distante, ao chegar numa oficina indicada por colegas para fazer um orçamento e ver que o lugar era bem “humilde”, questionei o dono do lugar sobre acertar a cor, já velhinho, que responde: “meu filho, para isso eu chamo um colorista que tira uma foto de um pedaço da chapa, e faz a tinta por computador para mim”. Mandou bem!

    Mas por fim, acabei fechando com outra oficina que deu um orçamento parecido, mas era mais moderna, tinha câmara de pintura e tudo mais. A cor bateu certinho, mas ficou com umas falhas em alguns pontos por terem feito às pressas. Quem vê cara, não vê coração…

    • CorsarioViajante

      O método da foto tem tudo para dar errado, pois dependendo da iluminação, revelação, balanço de branco, tipo de luz, etc, a cor vai parecer uma ou outra. A menos que ele tenha um esquema muito sofisticado de controle de cor.

  • Mingo

    Na minha opinião, a cor mais linda que existe atualmente é aquele branco perolizado da Peugeot. Se eu pudesse comprar um, com certeza seria nessa cor.

  • Carlos Komarcheuski

    As cores prata e preto são as cores mais fáceis de acertar, pelo principio que vão muito menos pigmentos diferentes nas suas formulas.

  • BlueGopher

    Curiosidade: A razão pela qual o Ford modelo T só era fabricado na cor preta não tinha nada a ver com o gosto pessoal do Henry Ford, mas por um motivo técnico e de custos: na época a cor preta era a tinta de secagem mais rápida, e assim a produção de carros/hora poderia ser maior.

    Talvez o que falte às fabricantes é ofertar cores variadas, mas que sejam discretas.
    Gostei muito de um azul metálico que a GM oferece na linha Prisma/Onix.
    Azul parecido vi num EcoSport, mas além de raro, a Ford já o tirou de linha.
    Ainda não vi ao vivo o Uno verde Amazon, espero que seja bonito.

    O que não caem bem são certas cores berrantes ou mesmo de gosto duvidoso (por exemplo, uma fabricante oferece um marrom que, com o perdão da palavra, tem de cor de cocô-de-bebê).
    Estas serão prováveis fracassos de venda, e, pior, ainda acabam reforçando a idéia que o pessoal só compra carro prata/branco/preto…

  • Roberto Neves

    Ao contrário da maioria aqui, tive vários carros com pintura metálica, mas depois do meu tristemente famoso Sandero, que primeiro ralei numa pilastra, depois teve o pára-choque frontal arrancado por um motociclista (que ainda queria brigar comigo, capacete em punho), decidi optar por pinturas sólidas, que são mais baratas para repintar. Pensamento puramente financeiro.

  • GFonseca

    Fugindo um pouco do tema, mas ainda falando de pintura automobilística: como anda difícil achar mão de obra competente! Preciso fazer um conserto em meu carro, e nos locais onde orcei, ou fui esfolado, ou os consertos que vi não estavam 100%, e olha que tenho um olho bem ruim pra ver retoques de pintura…

  • Vera Verão

    Gostei da “pegadinha de 1º de abril”: Visão Feminina, por Bob Sharp…rsrs

    • Bob Sharp

      Vera
      Coincidência, parece mesmo, mas foi engano meu na edição da coluna. Já consta o nome da Nora como autora.

  • Eduardo

    Visão feminina por Bob Sharp, primeiro de abril?

    • Bob Sharp

      Eduardo
      Parece mas não é, foi engano do editor mesmo — eu. Já consertei.

  • Carlos A.

    Já tive carros de várias cores e nunca tive problemas na venda, pois sempre foram bem cuidados. Mas em nosso país acho que vai muito bem cor clara, principalmente pelo clima. Com o calor que costuma fazer no verão, acredito que um veículo com pintura clara esquente menos.

  • Cadu

    Além da evolução das tintas, há o verniz automobilístico que também evoluiu. Antigamente nem havia camada de verniz incolor (clear coat)
    Hoje existem vernizes mais resistentes, cerâmicos.

    Além do envelopamento por adesivo, há um novo tipo, líquido, como se fosse tinta.. O produto, depois de seco, vira uma borracha bem fina, como um adesivo. A vantagem é que o acabamento é melhor, ele penetra em quintas e frestas e não fica aquelas dobras de adesivo nos cantos. O mais famoso é o Plastidip. Utilizei nas rodas de 2 veículos meus já e é fantástico! A vantagem é que não utiliza cola e a remoção não deixa resíduos.

    Pegando um gancho na manutenção: um dos meus maiores vícios é cuidar da pintura e das superfícies: polimentos, produtos, máquinas politrizes. Uma terapia cujo resultado é de encher os olhos. Acho que vale um tópico aqui pra gente debater isso!

  • Mr. Car

    Quando compro um carro, não penso na facilidade de reparação da pintura, nem na facilidade de revenda, prefiro pensar no quanto ela me agrada, he, he! Para qualquer pintura, sempre tomarei os mesmos cuidados para não se estragar, e isso incluí parar longe, beeeem longe (sempre que isto for possível) de outros carros em estacionamentos, e também evitar árvores, por conta dos dejetos de pássaros, e resinas da própria árvore. Não gosto de branco, de preto, e o prata, apesar de não ter nada contra, acho comum demais. Nos carros pequenos, acho que caem muito bem cores mais chamativas, alegres e joviais, nos grandes, já prefiro as mais conservadoras, embora aprecie variedade, como nos anos 70, com uma infinidade de cores e variações de suas tonalidades à disposição do comprador. Torço imensamente pela volta disto. Agora, vamos para dentro do carro: abaixo o infeliz, soturno, sem-graça, e claustrofóbico “pretinho básico”! Tragam de volta (inclusive para carros mais baratos), interiores monocromáticos em cinza bem claro, bege e suas tonalidades (podendo até chegar ao marrom mesmo), vinho, e azul claro. Couro? Dispenso. Sou fã do veludo, para mim a forração mais bela e agradável ao toque, fora o fato de não ferver sob o sol, como ferve o couro.

  • Lipe

    Eu só conserto se amassa ou se danifica alguma coisa. Raspadas leves (mesmo que arranquem a tinta) eu prefiro deixar como estão

  • Lorenzo Frigerio

    Nem se fale no “isocianato de metila”…

  • Leonardo Mendes

    Problema na hora do reparo não é a tinta… é achar um funileiro que tenha noção do que está fazendo, e infelizmente a maioria desses profissionais ou já se aposentou ou faleceu.
    Hoje em dia o negócio é sorte e nada mais.

  • Mr. Car

    Não sei como é este verde Amazon de agora, mas o nome já foi usado pela Fiat antes. Meu Palio 2001 era verde Amazon.

  • Nora Gonzalez

    BlueGopher, tenho que confessar aqui que quando meu marido era bebê meus sogros tiveram um TL verde cocô-de-neném-quando-começa-a-comer-papinha. Mas fica só entre nós.

    • BlueGopher

      Não se preocupe, para esta cor meu comentário não vale!
      Era uma cor talvez inspirada no movimento hippie, no auge dos Beatles, Rolling Stones, Mamas & Papas, calça Lee, e assim por diante….
      A cor do TL era perfeita para esta época muito bacana!

  • Nora Gonzalez

    Mr Car, na medida do possível eu também paro longe de qualquer outro carro. No supermercado me sinto uma sem teto. Enquanto muitos preferem para perto dos acessos eu empurro o carrinho por centenas de metros. E adoro parar do lado de colunas e paredes. Quanto menos vizinhos de vaga, melhor. E também evito árvores. Lembra do anúncio da Ipiranga com o côco? Antológico…

  • Transitando

    Na família temos um Vectra Collection (desta última versão – 2011). O proprietário diz que nunca teve um carro com pintura tão frágil. Qualquer encostadinha que dão, lá se vai um pedaço da tinta dos para-choques (descasca mesmo – desde “zero”), retrovisores, etc. Fica o risco preto, ms não um risco preto na pintura, uma mancha, mas sim um pedaço em preto, mostrando o plástico por baixo da pintura, pois a tinta daquele local “se foi”. Inclusive outrora solicitou retoque da pintura na autorizada, coisa que não o vi fazer com os mais recentes automóveis que teve, onde geralmente um polimento retirava qualquer mancha de material que ficara preso à pintura nestas “raspadinhas”.
    Até mesmo no rebaixo de lataria localizado por trás na maçaneta externa na porta, local de passagem dos dedos ao manusear a maçaneta, possui desgaste acentuado, onde é bem perceptível que a pintura está em tom algo fosco, por conta dos diversos riscos superficiais (ao verniz) da passagem dos dedos (e unhas).
    Ao menos este Vectra tem uma superfície em borracha que melhora esteticamente os arredores do contato de ignição ao longo do uso. Meu automóvel não possui uma superfície dedicada a lidar com este tipo de agressão, mas como sou “bom de mira”, tudo está como novo – e nem utilizo o truque de colocar o dedo da ponta da chave como guia. Mas em outro automóvel que outrora fora oferecido-me à negócio, fiquei bastante incomodado com a quantidade de arranhões nos arredores do contato de ignição; eram tantos e tão profundos, que só pude imaginar que o dono tinha como costume estar embriagado, pois toda a capa da coluna de direção estava – muito – riscada.

    Antes o proprietário do Vectra estava de Palio Weekend, e até mesmo quando ele próprio raspava de leve em paredes por acidente, era a tinta desta que ficava no para-choque, e não a do carro que ficava na parede.

    Dos Honda, o que percebo é que é difícil encontrar um painel (console) sem riscos, pois todo aquele acabamento geralmente em cinza parece ser riscado com enorme facilidade, mostrando logo o fundo em preto, dado que geralmente os encontro assim, bem riscados. Se for em loca próximo ao contato de ignição, manopla de câmbio e freio de estacionamento, ou algum porta-trecos, então é quase certo estar cheio de riscos por conta de chaves, anéis, unhas, etc.

    Não é só por fora que temos que observar a aparência das superfícies, e a manutenção de suas qualidades estéticas, mas por dentro também. E os fabricantes precisam também utilizar-se de materiais menos propensos a desgaste, e que mantem a boa aparência por mais tempo. Precisam ser agradáveis ao olhar, ao toque, e ao tempo, e cada tipo de veículo (proposta) requer um estudo diferente das superfícies do exterior e interior, adequando-se ao uso proposto; é preciso haver equilíbrio entre os materiais empregados, para que mantenha-se a beleza inicial por mais tempo, mesmo que a beleza inicial seja algo simples, por conta de material mais adequado ao tipo de utilização (uso mais descuidado); ainda que seja apenas um simples plástico, este pode ter uma textura agradável ao olhar e ao que posso chamar de “falso toque”, uma espécie de “pegar com os olhos” (sentir sem tocar – uma percepção subliminar), e ao toque verdadeiro, qual é bem mais limitado em superfícies, praticamente resumindo-se em volante de direção, comandos de acessórios, cintos de segurança e maçanetas (exceto se os usuários possuem costume de “fazer carinho” no automóvel – devem ser do mesmo tipo que, em automóvel de uso por adultos, o teto está repleto de manchas por dedos).

    É geralmente algo ligado à moda e tendências (os fabricantes também induzem às tendências – é o marketing a tentar atrair o cliente para comprar algo diferente do que já possui), usabilidade, expectativa de uso e manutenção da aparência.
    Se bem visto, bem estudado, é assunto complexo.

  • Lucas dos Santos

    Imagino que o Uno verde Amazon seja aquele que o Paulo Keller testou em novembro:

    http://autoentusiastas.com.br/wp-content/uploads/2014/11/DSC_0141_resize.jpg

  • Transitando

    É azul Sky o nome desta cor do Onix.
    O vizinho tem um (deve ser um LT 1,4 – a julgar pela aparência das rodas) e eu, já encantado pela cor ao sol (fica algo claro – com as partículas metálicas bem reluzentes), rodas (mistura de partes “polidas” com partes em cinza) etc, resolvi o olhar por trás (o carro! O CARRO!), e achei interessante o encontro das linhas do teto com as laterais superiores do porta-malas etc, algo arredondado e esguio (trecho em subida favoreceu tal percepção). Só é “meio feio” visto de frente, com aquele “bico de canário”, e “olhos esticados”, que chegam à altura da metade das rodas dianteiras.

  • Transitando

    Cores, cores. Meu carro é azul, mas todo mundo diz que é verde (realmente fica esverdeado ao sol). Acho que se outro estiver de posse da documentação e o tentar achar em meio outros de mesmo modelo e de cor azul “realmente azul”, só firmará certeza por conta da informação da placa.

    Nem eu mesmo digo que é azul, “sacomé”… para facilitar e não criar confusão – nunca um outro retrucou por chamar de verde. Nem mesmo no concessionário o chamam (identificam) pela cor azul!

    • Nora Gonzalez

      Transitando, tive um carro verde tão escuro que nos estacionamentos colocavam “preto” no ticket. Eu só olhava se a placa e o modelo estavam certos e pronto. Nem adiantava discutir. E o que dizer do “gris fer” da Citroen? é um lindo azul acinzentado – mas “fer” em francês é ferro e o ferro em estado natural é apenas cinza, mas ao reagir puxa para os vermelhos e alaranjados… Tem coisas do Marketing que nunca vou entender.

  • César

    Certamente que a maioria dos profissionais da repintura já desapareceu, mas não cabe condenar o ofício por causa disso. É um serviço essencialmente artesanal e logicamente o resultado final jamais vai ficar igual ao da pintura feita na fábrica, haja vista que os reparadores não possuem condições de controlar, entre outros fatores, temperatura e umidade do ambiente. Mas ainda é possível encontrar profissionais dedicados a preços razoáveis.

  • João Carlos

    Quanto à proteção à corrosão, pode até ser igual, mas a metálica em comparação com a lisa – na minha experiência pessoal – apresenta maior durabilidade e por tabela demanda muito menos cuidados para se manter bonita.

  • Lipe

    O meu Civic tem 6 anos de uso e nenhum sinal de desgaste dentro (salvo pedais, cuja borracha está gasta). Absolutamente nenhum defeito, seja em volante, manopla de câmbio (e olha que é manual), nem riscos no painel. No contato da chave há riscos, mas não sou tão detalhista assim.
    Se eu estivesse cogitando comprar um carro usado, jamais compraria um carro com o painel danificado… Não é defeito do carro, é evidência de mau uso mesmo, ou intervenções no painel (desmontagem), etc

  • Márcio Santos

    Sinto falta das pinturas tipo saia e blusa.

    • Mr. Car

      Muito bem lembrado. Até hoje me encanta esta pintura usada no Monza Classic SE e na linha Opala/Caravan Diplomata. Lembro até das cores disponíveis: verde, azul, bordô, prata, e champagne, todas metálicas.

      • Nora Gonzalez

        Marcio Santos, Mr. Car, segundo pesquisa da FCA (a Fiat Chrysler) as pinturas bicolores estão em alta. Daqui a pouco chegam (ou voltam) aqui.

  • Cadu Viterbo

    Discordo. Há dezenas de tonalidades de prata. É das piores para acertar numa repintura!

    • Carlos Komarcheuski

      As mais comuns, prata Bari, prata Lunar, vão só uns 3 pigmentos no máximo em sua fórmula, isso no sistema Lazzuril no qual eu mais trabalhei. O vermelho é o bicho-papão, ainda mais em carro antigo porque desbota mesmo. E mesmo assim a cor que mais gosto atualmente é o vermelho Alpine da Fiat.

      • Bruno Ventura

        Carlos, tenho um Alfa 156 prata, pintura toda original, exceto a porta traseira esquerda que precisou de repintura e… ficou horrível! Bem diferente do restante dos painéis. A maioria dos funileiros em que fui disseram que preciso alongar para as outras partes, e eu, inconformado em perder a pintura original, bato o pé em adotar tal solução. O que você tem a dizer sobre isso, sabe um lugar bom a ser indicado em que de fato acertem a cor?

        • Carlos Komarcheuski

          Eu se fosse você alongaria. O problema não é só o acerto, você pode fazer uma tinta que bata 100%, mas com o tempo vai dar diferença porque a porta vai estar com pintura mais verde que o resto do carro, e isso da diferença de ângulo ou de frente por causa do brilho. Um conselho, olhe a etiqueta da pintura do veiculo e compre a tinta e o verniz da mesma marca do fabricante da tinta, assim dá uma exatidão melhor.

  • CorsarioViajante

    A VW tinha dois tons de “cinza” que nada mais eram que um verde e um marrom. MAs chamava de “cinza” porque ninguém compraria um carro verde ou marrom. É mesmo deixar a isca de agrado do peixe!

  • CorsarioViajante

    Pois é, não sei porque tanta gente tem fica falando mal do prata, como se a cor em si fosse ruim. Para dizer o mínimo, os carros alemães tem uma longa tradição em carros prata.

  • Cadu Viterbo

    Nunca trabalhei com tinta. Eu, ao menos, tenho bom olho para saber quando o carro foi pintado. E o que mais vejo dar diferença é o prata. Talvez porque haja mais carros desta cor, não sei

  • WSR

    Carros e cores que nunca saíram da minha mente: XR3 93 bege perolizado, Monza 88 verde escuro metálico, Opala 89 azul metálico (não lembro o nome do tom da cor de ambos), Omega azul Kandinsky, Parati GLS prata Lunar, Fusca branco Lotus, Brasília e Passat marrom Avelã, o Gol GTi 88 azul, Uno 1.5R amarelo… e por aí vai.

  • Marcelo Alonso

    Ciclo faixas, depois do mensalão, trensalão, petrolão e zelotes, vem aí o “pedalão” aonde nós pedalamos e eles enchem a mão. A tinta aplicada dura aproximadamente 40 dias. E os cicloativistas acham tudo ótimo.

  • Cristiano Reis

    Nora, quando vi a foto de abertura do post gelei! Pensei que estivesse esquecido a postagem sobre pinturas! Não sei nem como dizer o quanto estou grato! 🙂 Muito obrigado!

    • Nora Gonzalez

      Cristiano Reis, que bom que gostou. E eu adoro receber sugestões de assuntos dos meus leitores. Abraços