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Vettel, o mais italiano dos alemães (foto Ferrari)

Na Malásia, Alemanha brilha novamente na F-1, mas desta vez com o piloto dos vizinhos italianos. Disputa entre Massa e Bottas acabou mal para o brasileiro, que teve paradas no boxe atrapalhadas; Nasr foi décimo segundo. Campeonato ganha ares de disputa entre Mercedes e Ferrari e prossegue dia 12 na China.

 

Hamilton liderou as primeiras voltas até que a escolha dos pneus... (Foto Ferrari)  Tião ilumina o fim do túnel 150060 mal

Hamilton liderou as primeiras voltas até que a escolha dos pneus… (Foto Ferrari)

A indecisão dos céus, que ora mandava chuva, ora um calor escaldante e o tempo todo deixavam todos a produzir cântaros de suor tropical, deu uma boa forcinha, mas a realidade e que ninguém encaçapou tantas bolas quanto a Ferrari na mesa de bilhar de Sepang, autódromo que tem lá seus desníveis, mas tem um dos pisos mais planos da temporada. Num país de maioria muçulmana — e portanto oficialmente nada chegado ao álcool —, foi exatamente o coquetel de bom aproveitamento dos pneus e ótima estratégia de box que garantiu ao bar tender de plantão servir o melhor aperitivo desta fase inicial do campeonato.

Sebastian Vettel, o herói mais celebrado de um grupo que parece mais motivado do que nunca, não escondeu que iria celebrar sua primeira vitória pela Ferrari em grande estilo, leia-se com um porre homérico. Ele nem se preocupou com a ressaca, que certamente ainda faz sinos soarem na cabeça do staff de Ecclestone & Co., grupo ainda sem saber direito o que fazer para transformar o cenário de crise que assola a F-1 em um palco de musicais dignos da Broadway. A última idéia lançada foi criar um campeonato para mulheres, ideia que — com todo respeito às meninas em atividade no desporto motor — não tem como dar certo a curto ou médio prazo.

 

Massa não conseguiu segurar Bottas (foto Williams)  Tião ilumina o fim do túnel 20150320 Massa Bottas Williams Lat

Massa não conseguiu segurar Bottas (foto Williams)

Menos mal que Ecclestone tem com quem dividir suas hangover mornings: a estratégia adotada pela Mercedes não foi das mais felizes; melhor dizer que a estratégia da Ferrari para Vettel foi a mais eficiente: parou apenas duas vezes e dos seus três stints completou os dois primeiros (17 e 20 voltas) fez com pneus médios e só usou compostos duros nas 19 voltas finais. Hamilton, que largou na pole, fez três paradas (nas voltas 4, 20 e 38) e completou 38 giros com pneus duros, o dobro que seu rival alemão. Nem mesmo seus companheiros de equipe conseguiram rendimento semelhante: Rosberg parou a primeira vez junto com com Hamilton na quarta volta e Räikkönnen ainda mais cedo, logo na segunda. Não adiantou nada, muito pelo contrário.

 

Nasr não contou com um carro competitivo em Sepang (foto Sauber)  Tião ilumina o fim do túnel d reinhard mal 15 2113

Nasr não contou com um carro competitivo em Sepang (foto Sauber)

Os pneus também influenciaram o desempenho dos Felipes brasileiros: Massa foi prejudicado na sua segunda troca de pneus – o traseiro esquerdo fez a parada se alongar para semi-eternos cinco segundos e alguns décimos – e no final sucumbiu aos ataques de Valteri Bottas. Apesar da boa disputa entre ambos, os fãs do Felipe veterano certamente não gostaram de vê-lo perder a batalha. Por seu lado, Nasr fez a segunda melhor volta da prova com pneus médios (1.43:902) atrás não tão apenas de Rosberg, o melhor nessa condição: a diferença para o alemão foi de bons nove décimos de segundo: 1.42:062. Curiosamente, os três melhores tempos com pneus duros foram 1.43:125 (Hamilton), 1.43:648 (Vettel) e 1.43:990 (Massa).

 

Conseguirá a Ferrari manter o mesmo rendimento na China? (foto Ferrari)  Tião ilumina o fim do túnel 150053 mal

Conseguirá a Ferrari manter o mesmo rendimento na China? (foto Ferrari)

Passada a euforia pela volta da Ferrari ao topo do pódio, a pergunta que fica é se no clima mais frio de Xangai os carros italianos conseguirão extrair a mesma aderência dos pneus. Em outras palavras, antes de apontar favoritos ao título é preciso analisar o comportamento dos modelos 2015 em diferentes circunstâncias de piso e clima, isso para não falar na mais enigmática das equações de um esporte de equipe: o entrosamento do time. Neste aspecto a Ferrari 2015 parece viver um período de filé à parmegiana enquanto a Mercedes viveu, em Sepang, um domingo de roer o joelho de porco.

O resultado completo e todas as informações sobre o GP da Malásia você encontra neste link.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

 

 

 

Sobre o Autor

Wagner Gonzalez
Coluna: Conversa de Pista

Jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 300 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. É a mais recente adição ao quadro de colunistas do AUTOentusiastas.

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  • Fabio Vicente

    A Mercedes subestimou demais a concorrência após o GP da Austrália.
    Porém, a estratégia de 3 paradas pode ter revelado outra coisa: o problema de confiabilidade do carro visto no ano passado em GP’s disputado sob alta temperatura permanece lá… o carro não casou bem com o composto de pneus e aí está um problema para a Mercedes resolver. E uma vantagem da qual os concorrentes podem se aproveitar.
    Wagner, podemos destacar também o bom terceiro lugar do Tony Kanaan na Fórmula Indy, e a volta de Montoya ao lugar mais alto do pódio.

    • Domingos

      Falam que mesmo com a estratégia do Vettel a vitória não teria sido garantida à Mercedes, podendo dar na mesma.

      O Mercedes claramente estava engordando as curvas e isso ficou óbvio até mesmo em relação a carros do meio do grid. Parecia que não conseguiam encontrar grip ou que precisavam economizar pneu.

      O Rosberg dirigiu o tempo todo colocando marcha mais longa em algumas curvas, sinal de que o desgaste de pneus era grande demais para dirigir como se deve o tempo todo – como nos Mercedes de 2013.

      Acho que toda corrida com característica de exigir mais do pneu, como foi na Malásia, deve dar boa briga com a Ferrari – e esta está até em vantagem.

      Bom para o campeonato e os fãs, ainda mais num ano que a menor quantidade de carros no grid faz aparecer o pouco barulho dos motores ainda mais – a Austrália foi de dormir…

  • Transitando

    Segurar um carro igual, e com possibilidade de acionar o DRS (asa móvel), e nada poder fazer para também acionar o seu, por não ter um carro com diferença menor que 1s à frente, e ainda mais em pista com bons pontos de ultrapassagem utilizando o DRS, é jogo duro. Gastou os pneus freando no “Deus Me Livre”, acelerando cedo, tudo para fechar as portas. Se fosse um circuito mais travado e estreito, a coisa era mais fácil, mas não foi o caso. Nisto tudo, em duas voltas acabou-se qualquer paridade de pneus, e em erro comum de quem quer escapar e ainda pensa que pode fazê-lo, erra, e o colega de equipe passa, sem ser nem mesmo área de DRS.
    Na última volta. Não tem como não ficar triste em ver o Massa perder posição para o colega, mesmo tendo consciência de todas as adversidades.

    • Domingos

      O erro de boxes da Williams não pode ser esquecido também. Tirou a vantagem do Massa e deu de bandeja pro Bottas com pneus mais novos.

  • BlueGopher

    Só não entendi aquela parada prematura do Hamilton & cia logo na quarta volta.
    Só para aproveitar o safety car?
    Acho que ele foi ali que ele deu de presente a corrida para o Vettel.

    E não falo isto só agora, vendo o resultado final.
    Já naquela hora achei a tal estratégia uma grande bobagem para uma corrida longa.

  • marcus lahoz

    WG finalmente uma corrida razoável de F1. O Massa tomou por fora, algo que eu considero como um gol com a bola passando dentre as pernas do goleiro. Não entendi o que aconteceu com o Nasr, e nem ele (pela declaração).

    Agora a Ferrari mandou muito, mas muito bem. Conseguiu equilibrar o carro da forma correta, esta com um piloto que sabe tocar (quando tem um bom carro); precisa apenas de um motor mais forte e ai sim poderá chegar a Mercedes.

    • Domingos

      Já está pronto o motor mais forte, porém a Ferrari decidiu introduzir ele mais para o meio do ano. Assim se evitou um cenário como com os carros com motor Renault – que estão com um bom motor, mas não podem usá-lo a todo seu potencial para não terem quebras.

    • Wagner Gonzalez

      Marcus,

      O Nasr declarou ter encontrado problemas com o diferencial; isto sugere algumas possibilidades básicas: desgaste prematuro, estresse por uso indevido (o piloto de testes usou o carro na sexta-feira de manhã), falta de verba para o reparo e/ou substituição… É importante considerar que normalmente o Nasr é em torno de meio segundo mais rápido que o Marcus Ericsson… Quanto à Ferrari você disse tudo.

      Abraço,

      WG

      • marcus lahoz

        WG

        Com certeza o Nasr é mais rápido que o Ericsson, o que comentei foi em cima do que ele afirmou após a corrida, que precisava analisar o que aconteceu. Concluindo-se que não sabia o que havia acontecido.

  • Carlos Komarcheuski

    Vocês estão esquecendo do erro da Mercedes de escolher o jogo de pneus errado pro Hamilton, isso decretou a vitoria do Vettel.

    • Domingos

      Não foi erro aparentemente. O jogo de médios estava usado e talvez fosse aguentar menos ainda a tocada exigente em pneus da Mercedes. Hamilton no final das contas fechou só 2 segundos em relação ao Vettel no lugar de encostar nele e passar, como se imaginava.

      Com os médios pode ser que Hamilton chegasse a ficar próximo, mas depois despencasse com um pneu inutilizável. Fizeram o mesmo com o Rosberg, que não precisou dar muito mais voltas que o Hamilton.

    • Wagner Gonzalez

      Carlos e Domingos, não se trata de esquecer isto ou aquilo. A Ferrari soube aproveitar o momento. Vamos ver o que acontece na China…

      Abraços,

      WG

  • André Castan

    Hummm, por que será que a Ferrari está com o melhor dos ambientes e as coisas mudaram tanto?

  • Wagner Gonzalez

    Renovação, oportunismo, sorte, empenho e muito trabalho. As simple as that…

    • André Castan

      Me desculpe Wagner, mas não consigo ver sorte ou oportunismo nessa evolução da Ferrari. Vejo muito trabalho, pessoas que tem vontade de fazer acontecer e competência.

  • Wagner Gonzalez

    Domingos,

    Todas as equipes e fabricantes programam melhorias ao longo do ano, aparentemente as novidades da Ferrari deram frutos mais cedo….
    Abraço,

    Wagner

    • Domingos

      Parece que eles, no entanto, já tinham esse motor durante os testes do começo do ano WG.

      Só que decidiram atrasar para evitar problemas. Mas, com certeza, não serão os únicos a melhorar o motor até o meio do ano.

  • Wagner Gonzalez

    BlueGopher,

    Não podemos esquecer que uma hora somos lembrados que a perfeição, aquela meta defendida pelo goleiro – como diziam ao prezado amigo Afonsinho -, e que vez outra não aparece para o trabalho….

    WG

  • Wagner Gonzalez

    Transitando

    Realmente os torcedores do Massa e os apreciadores de uma boa disputa esperavam mais do brasileiro.

    Enfim, muitas voltas ainda vão passar por debaixo desse campeonato…

    WG

  • Wagner Gonzalez

    Domingos, esse erro foi lembrado e se não deu de bandeja pelo menos o delivery do finlandês não deixou a pizza esfriar…
    WG

  • Wagner Gonzalez

    Domingos, convenhamos que o horário da prova também não ajudou muito, não é mesmo?

    WG

    • Thales Sobral

      O horário não ajuda, mas a prova da Austrália foi bem chatinha mesmo.

    • Domingos

      Sim, verdade. Apesar que prefiro assistir as corridas de noite mesmo.

      Como o Thales falou, a prova que foi bem chatinha. A da Malásia foi bem legal.

      A pista ajuda. É uma das mais interessantes, mais até que a maioria das européias. Um dia quero dar uma volta lá!

  • Domingos

    Meio óbvio. O Alonso é um enorme talento. Veja as classificações e corridas dele de 2004 e 2005 e você verá um foguete em forma de piloto, o cara era agressivíssimo sem errar. Jogava mesmo o carro nas curvas e frenagens, sem perder tempo. Dirigia rápido mesmo.

    Só que é também um dos pilotos menos colaborativos e éticos da Fórmula 1. Dizem que ele tem até um certo nojo de testar carro e ajudar em desenvolvimento, não ajudando nem mesmo a parte dos carros de rua.

    A vinda do Vettel, trazendo muita coisa da Red Bull e uma mentalidade COMPLETAMENTE diferente com certeza já estava fazendo efeito desde a contratação dele ano passado.

    A equipe provávelmente estava dando graças pela saída do Alonso e deve ter recebido uma enorme ajuda na pré-temporada e testes, que se reflete num carro que ganha dos outros por não quebrar e não comer pneus.

    • André Castan

      Exato amigo. Quem trabalha, quem participa, quem une, com certeza colhe bons frutos.

  • Domingos

    De fato esse início de temporada e essa organização atual do time da Ferrari parece ter pouca relação com sorte.

  • Wagner Gonzalez

    André, talvez oportunismo soe como uma derivada da lei de Gérson. Na verdade eu me referi à oportunidade rara de ter todos os ingredientes trabalhando em harmonia.