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Terça-feira, 24 de março de 2015. Tinha até me esquecido, vivendo em São Paulo em tempos de administração irracional (e que não é só de hoje, vem de longe) de um assunto que, quer queira, quer não, afeta a vida de todos, independente de condição social: trânsito.

Fiz a foto enquanto passageiro no Jeep Renegade Sport manual, no momento dirigido pelo colega e amigo Fernando Siqueira, de Natal (RN). O local, a pista sentido norte da av. Infante Dom Henrique no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Hora, por volta de 16h30.

A placa de advertência é emblemática. Ao mesmo tempo em que informa que a zona tem alto índice de acidentes — informação a mais nunca é de menos — o faz também com relação ao limite de velocidade. Um coquetel de respeito e inteligência, algo que anda (bem) em baixa em São Paulo e outras cidades brasileiras.

Aqui é uma via de trânsito rápido ligando a zona sul ao centro da cidade. Esse tipo de via é definido pelo Código de Trânsito Brasileiro como “aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível”. A autoridade de trânsito carioca assim e corretamente o entende e definiu a velocidade-limite de 90 km/h.

Mas visitemos uma avenida normal, que pelo CTB é  “aquela caracterizada por interseções em nível, geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade.”  Refiro-me à Av. Atlântica, na Praia de Copacabana. Local densamente povoado e que, por ser praia, a travessia de pedestres é constante.

Muito bem, segundo a “inteligência” do prefeito de Nova York Bill de Blasio e do de São Paulo, o petista Fernando Haddad (“nós pega o peixe”), a velocidade  deve ser baixa para, em  caso de atropelamento,  a vítima não morrer — estou para ver pensamento mais imbecil do que este, como se atropelamentos fossem rotina ou inevitáveis. Quão baixa? 40 km/h.

Pois o respeito & inteligência carioca definiu para a Av. Atlântica 70 km/h! Em São Paulo os imbecis baixaram para 50 km/h o limite em vias importantes como a Radial Leste (Av. Alcântara Machado) e a Av. Ibirapuera. Era 60 km/h, já abaixo do natural.

 

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Av. Atlântica, Praia de Copacabana: 70 km/h

Voltemos a São Paulo e visitemos o Corredor Norte-Sul, compreendido principalmente pelas avenidas 23 de Maio, Ruben Berta e Moreira Guimarães, tão via de trânsito rápido quanto a av. Infante Dom Henrique no Rio de Janeiro. Começou errado na inauguração, no dia em que São Paulo completou 415 anos, 25 de janeiro de 1969, ao ser estabelecido limite de 80 km/h.  Não era preciso ser especialista em trânsito para constatar que poderia ser 10 km/h mais.

Eis que em 2010, com Gilberto Kassab prefeito, as “capacidades” da CET baixaram o limite para 70 km/h. Pronto, o trânsito que por ali fluía razoavelmente bem, travou a olhos vistos. A CET jurou que não nos jornais, chegando a repetir a opinião de um consultor de engenharia de tráfego e transporte de que num trecho de dez quilômetros o tempo de viagem em apenas 1 minuto e meio. O papel é mesmo uma beleza, aceita tudo…

Esse consultor e os “cérebros” da CET desconhecem, ou fingem desconhecer, o fator velocidade natural das vias, com um objetivo claro: tungar o bolso do cidadão com multas e, assim, encher os cofres do município.

Mas a foto de abertura mostra outra questão do dito coquetel: a largura das faixas. Os mesmos “cérebros” da CET abusam da paciência dos cidadãos ao estabelecerem larguras de faixas inconcebíveis à luz da razão em várias ruas e avenidas da cidade.

 

Faixas diferentes

Mesma via do Corredor Norte-Sul, larguras de faixas diferentes (foto linkedin,com)

A foto acima mostra, inclusive, a incoerência emanada dos  “cérebros” da CET:  enquanto no sentido Sul (direita) as faixas têm largura normal, no sentido oposto são “sardinha na lata”. Já na mesma avenida carioca, larguras de faixas decentes.

 

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Av. Infante Dom Henrique, sentido Sul

É mesmo o caos artificial do trânsito em São Paulo e outras cidades brasileiras. E esses são apenas dois aspectos. Falar de todos daria um livro.

BS

Fotos: autor, a menos que indicado na foto.
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