Está lembrado da máquina de escrever? Marcas famosas como Olivetti, Remington e Underwood dominavam o mercado mundial. Por falar nisso, qual sua idade? Você ouviu música num disco de vinil em uma vitrola da RCA Victor?

Quem diria, num passado nem tão distante, que Olivetti, RCA Victor e outras marcas importantes desapareceriam e iriam parar nos museus de tecnologia? E o anúncio recente de um relógio desenvolvido pela Apple, para concorrer com Samsung, LG, Sony e Motorola? O que o futuro reserva para a japonesa Citizen?

O automóvel estará a salvo desta invasão da eletrônica em todos os setores produtivos? Ele já está, a rigor, na alça de mira das poderosas empresas de informática. A Google já roda com seu carro autônomo, que dispensa motorista. A Apple desenvolve projeto semelhante.

Detroit foi, no passado, a capital mundial do automóvel. Mas o centro de inteligência da indústria automobilística mundial deslocou-se para a Califórnia. Mais exatamente para o Vale do Silício: além da Google, Apple e Microsoft, várias fábricas de automóveis como Mercedes-Benz, Ford, Nissan, GM e outras estão estabelecendo parcerias ou seu próprio centro de pesquisas na região.

A rigor, já existem hoje no mercado vários modelos mais sofisticados em que a eletrônica assume o papel do motorista e reage com mais eficiência diante de situações perigosas como um carro que vai à frente e pára subitamente. Ou controla o volante e conduz o automóvel numa estrada. Percebe a sonolência do motorista e o alerta com o desenho de uma xícara de café no painel. Criou sistemas que estacionam o automóvel, o start-stop que liga e desliga o motor e dezenas de outros. Na segurança, air bags e freios ABS, entre outros. Em termos de conectividade, ela permite conexão entre automóveis, com a internet, liga para o SUS no caso de um acidente e explica ao motorista como desviar de congestionamentos. No Brasil, o uso do álcool como combustível só vingou quando a eletrônica deu asas ao carro flex, que pode ser abastecido com álcool ou gasolina. O projeto Proálcool (década de 70) não vingou pois o motorista brasileiro perdeu a confiança no álcool quando ele faltou nos postos. E os carros não podiam ser abastecidos com gasolina.

Ponto crucial da questão: o carro do futuro será um computador que se move ou um automóvel controlado pela eletrônica?

Por enquanto as duas indústrias, de informática e automobilística, desenvolvem projetos semelhantes e já investiram centenas de milhões de dólares para rodar seus carros autônomos. Mas existem obstáculos. O primeiro é a legislação específica: quem é responsável no caso de um carro sem motorista envolvido num acidente de trânsito? O segundo: o consumidor estará disposto e sem receios diante da perspectiva de comprar um automóvel totalmente controlado por computadores?

Segundo especialistas, derrubar a indústria automobilística como fizeram com as máquinas de escrever será missão praticamente impossível para as empresas de informática. Elas deverão continuar estabelecendo parcerias e acelerando o futuro do automóvel. Mas não possuem know-how para a manufatura de um produto tão complexo. E menos ainda na distribuição que envolve marketing específico, assistência técnica, treinamento de técnicos, logística de peças e acessórios etc. O automóvel do futuro, com ou sem motorista, vai incorporar muita eletrônica desenvolvida pelas empresas de informática. Mas deverá, segundo eles, continuar ostentando os mesmos logotipos na grade.

Será que os especialistas do passado também asseguravam que a Olivetti jamais entregaria os pontos para a Microsoft?

BF

Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna que sai aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).

Foto da abertura: chicago.reader.com
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • CCN-1410

    Estragou o meu dia, mas vá lá…
    Quanto aos relógios, as atuais fabricantes não estão dormindo. Alpina, Frederique Constant e Mondaine já estão a postos com novos produtos. Os demais é só uma questão de tempo.
    Certamente as marcas com relógios simples e do dia a dia serão as mais afetadas, mas acredito que os relógios de luxo continuarão a vender bem porque seus produtos são jóias além de marcadores do tempo.

    • Eu devo estar ficando muito velho mesmo. Simplesmente não consigo ficar sem o relógio no braço. E para isso o máximo que consigo utilizar é a tecnologia de um digital.

  • CCN-1410

    Agora, quanto a essa nova tecnologia em carros, acredito que vai pegar, nem tanto por ser prazeroso, mas eu penso que muitos, no afã de se diferenciarem, correrão para esses novos produtos, mesmo que em detrimento do prazer.
    Recentemente espatifei o meu celular antigo do tipo Flip Top e adquiri um Smartphone com a tecnologia do momento. Depois de um mês praticamente deixando o aparelho em casa por ser grandalhão e desajeito e por não gostar de usar mídias sociais em qualquer lugar, comprei um celularzinho simples e barato, pequeno, simples e gostoso de usar. Ah! O aparelhinho até cabe naquele bolsinho da calça onde muitos guardam o isqueiro.

    • KzR

      Por sorte, ainda tenho dois antigos que funcionam bem, por enquanto. Nem conto da pressão que sofro para migrar para um “celular inteligente”.
      E sendo franco, nada melhor que um PC para acessar internet. Acho um pouco frustante tentar fazer um mesmo em uma tela de 4,5 ou 5 polegadas. Digitar nem se fala…

    • Também fui um dos que migraram do teclado para tela touch e não gostou. Mas a curiosidade e a satisfação de ver os parâmetros do motor do meu carro pelo aplicativo leitor de OBDII acabaram superando essa resistência. Fora isso, voltaria ao meu velho celular de 3 chips e com botões numa boa.
      Quanto ao assunto do texto, encaro essa possibilidade de termos veículos autônomos apenas como experimentos, demonstração da evolução e aplicação de tecnologia.
      Entre um carro autônomo e um ônibus, fico com o coletivo, com mais calor humano (sem ar-condicionado, claro)…rsrsrs

  • Mineirim

    Relógio, não uso há uns 5 anos. Para mim não faz falta.
    Quanto ao automóvel como conhecemos hoje, acho que em mais uns 20 anos praticamente será extinto na Europa e na Ásia, devido às histéricas pressões ambientais e à ampliação do transporte coletivo.
    Nas Américas, ainda levará muito mais tempo para sua extinção.
    Concordo com o ccn1410: os smartphones fazem de tudo, menos telefonar com eficiência.

    • César

      Celular, não uso há uns 5 anos. Para mim não faz falta.

      Mas ainda gosto de relógio.

  • Putz! Perguntar isto a alguém que não valoriza as novidades eletrônicas na velocidade que o marketing dos fabricantes esperam deveria ser descriminação cronológica… Mas, para nosso consolo ( saudosista! ) o som do vinil ainda é mais puro do que qualquer gravação digital, o som de um motor “redondo” só com ignição eletrônica é puro êxtase, corrigir “no braço” a pequena saída de traseira mesmo de um velho chevette só é comparável a primeira vez que tenhamos dirigido um kart quando meninos e, sim, depois de tentar vários “smartphones” de ultima geração sem sucesso após a falência de meu celular com flip, adquiri pelo site de compras mais antigo nacional, um excelente aparelho “telemóvel” para o mercado luzitano, que mesmo tendo custando pouco mais de cem pilas, carrego a bateria uma vez por semana usando bastante ( e não todo o dia como nos smartphones! ) e ainda não preciso reiniciar a tralha, a cada vez que troco de região de operadoras…E, como salientou o ccn1410 aí em baixo, ainda cabe no bolso do isqueiro de qualquer jeans que honre o nome!

  • Antônio do Sul

    Então, existe mais gente que pensa como eu. Apesar de estar na casa dos trinta e poucos, muitos amigos me olham como se eu fosse um dinossauro ou então alguém sovina como o personagem Nonô Corrêa por ainda usar “um celularzinho simples e barato, pequeno e gostoso de usar”…e por não pretender trocá-lo por outro antes de quebrar e não ter mais conserto. Ninguém acredita quando eu digo que ele é muito prático: cabe no bolso, a agenda tem bastante capacidade de armazenamento e a bateria dura bastante.

    • Eduardo Mrack

      Sou mais um no grupo dos antiquados, tenho 27 anos e não me rendi às futilidades da “tecnologia” atual. Também me enxergam como o miserável que não possui um smartphone, mas meu Nokia antigão faz inveja com sua lanterna quando é preciso averiguar um cofre de motor à noite 😀 , e ainda a sua bateria me garante 7 dias de pleno uso. Mais do que isso, ele cai no chão violenamente e segue funcionando firme, tem manchas de tinta, graxa, solvente, mas jamais deixou de desempenhar suas funções. Quando me perguntam o porquê de ainda usar um aparelho tão ultrapassado, simplesmente respondo : eu preciso é de um celular para mecânico, não para princesa.

    • Lorenzo Frigerio

      Com trinta e poucos anos, você já é praticamente um “digital nativo”, desses que usou computadores na escola. Devia ser mais obcecado com a tecnologia.
      Sou mais velho, totalmente analógico, e acho legais os smartphones, mas praticamente não precisamos de tantos recursos. O smartphone é a verdadeira pedra filosofal do consumismo.
      Enquanto isso, continuo usando meu Nokia flip com 5 anos de uso.

    • Mr. Car

      E faz aquilo que um telefone tem que fazer: telefona, he, he! O meu tem 11 anos, está perfeito, e não largo dele enquanto não quebrar. Um amigo tira sarro de mim dizendo para comprar um smartphone, e aposentar o meu, movido a lenha, he, he! Custou uma merreca, não chama a atenção de ladrão, e se eu perder, não fico com um tremendo prejuízo.

      • Antônio do Sul

        E vai me dizer que um celular que dura 11 anos não é bom…Não acredito que um smartphone dure tanto tempo: como a bateria descarrega mais rápido e a sua vida útil deve, eu imagino, ser medida por ciclo de recargas, ela deve aguentar uns dois ou três anos, no máximo, e talvez seja tão cara a ponto de valer mais a pena comprar um telefone novo.

      • Roberto Neves

        Tenho um celular Sansung que tem duas funções apenas: telefonar e enviar e receber mensagens de texto. Meu maior prazer é, ao andar numa rua deserta e mal iluminada, à noite, dar de cara com três homens fortes e mal encarados: tiro o celular do bolso e começo a conversar, tranquilo, sereno…

    • Oli

      Interessante. O que eu menos faço com meu smartphone é telefonar. Se fosse só telefone nem usaria.

    • RoadV8Runner

      Sou mais um que migrou para os tais dos smartphones, por conta do meu aparelho antigo pedir arrego. Saiu de graça, não precisei usar sequer os pontos de minha conta, mas… Sinceramente, faz um monte de coisas interessantes, ajuda em algumas situações, mas peca sobremaneira naquilo que espero de um celular: conversar do modo tradicional, usando a boca, nada de ficar grudado na tela trocando mensagens de texto. O que mais me irrita é ter que deslizar o dedo para atender uma chamada, coisa mais idiota a meu ver. Vejo essas traquitanas como um microcomputador que te permite uso como telefone.

      • Antônio do Sul

        Mais dia, menos dia, querendo ou não, todos os resistentes, como ccn1410, Mr. Car, Eduardo Mrack, Antônio do Sul e companhia, também acabarão tendo que migrar para o smartphone: a vida útil do celular mais simples chegará ao fim e não haverá mais produto equivalente em produção. A operadora até me ofereceu um smartphone “sem custo” (aparentemente, pois, para poder usar todos os recursos, eu teria que pagar por mais serviços do que pago hoje), mas não troquei só de pena em deixar de lado o meu celularzinho que ainda funciona muito bem.

      • KzR

        Também concordo, Mr. RR. Nada mais cômodo que haver um botão para atender, outro para recusar chamadas. Apesar de ser contra a lei, era muito mais fácil atender chamadas rápidas urgentes a bordo. Os atuais são um parto para atender com esse sistema toca e desliza. E para encerrar? Ai ai ai. Não entendo por que dificultar algo que já era simples e fácil de executar.

    • KzR

      Sem falar da comodidade de se atender e recusar chamada por meio de botão.

  • Lorenzo Frigerio

    O cara que inventar a teleportagem será o verdadeiro algoz do automóvel. Mas ainda assim continuarão a existir as pessoas que curtem o passeio, além do destino. Obviamente, não é o caso da Cidade de São Paulo.
    Não só lembro da Olivetti (tenho uma Olympia portátil, que é Smith Corona por baixo), como sempre sonhei com uma IBM de esfera. Gostaria de ter uma só para decorar a sala.

  • Mr. Car

    Considerando minha idade, quando carros autônomos forem o padrão nas ruas, já estou morto. Ainda bem. Tem coisa que é melhor não ver.

    • Fat Jack

      Espero que estejamos na mesma faixa etária…, pois taí algo que eu não teria o menor prazer em ver…

  • Dilmete Convicta

    Estou há 5 anos pagando as prestações de um relógio e um celular que comprei na Casas Bahia…
    Esse dinheirinho faz uma falta…

  • Transitando

    Mas não possuem know-how para a manufatura de um produto tão complexo

    A Tesla Motors é o exemplo de como pode surgir algo quase que “do dia para a noite”.

    Sabe o que é interessante quando chegamos em determinado ápice de uma tecnologia? Facilidade de reprodução. Basta maquinário, processos e, principalmente, os profissionais corretos. E ainda temos os representantes dos setores de componentes, desenvolvendo e vendendo seus produtos aos que desejam fabricar algo no setor.

    Os “segredos” já não são tão mais “secretos”, e a tecnologia ajuda a descobrir outros tantos – já “ensaia-se” muita coisa digitalmente (virtualmente), poupando tempo e dinheiro, cabendo aos testes reais o ajuste fino.

    Assim como muitos “desenvolvedores e fabricantes de componentes” fornecem para a indústria, também acredito que grande parte dos “desenvolvedores e fabricantes de software” assim o farão à indústria do automóvel. Se houver sinergia, poupa tempo e dinheiro, pois a indústria do automóvel não possuem a capacidade intelectual destas gigantes do software – é um grande número de cabeças pensantes, e que hoje já começam a se envolver em projetos que um dia farão parte do automóvel – a Internet das coisasdos carros.

    Um destes grandes conglomerados automobilísticos já começou a adquirir algo mais especializado (uma das principais desenvolvedoras de sistemas automotivos), para talvez já dar grande impulso nesta área e conseguir certa independência. Apesar de ser uma das principais, o é apenas nos dias de hoje, onde os sistemas automotivos não possuem muita relevância. Quando tornar-se essencial, aí sim, talvez os maiores possam fazer “peso”, em evolução e dinâmica no mercado. Mais o que é interessante neste mundo onde as idéias ganham forma em universos virtuais, sem tanta dependência de enormes estruturas externas, é que um pequeno estúdio poderá conseguir reconhecimento, basta ter a idéia certa, e saber fazer com que a mesma chegue tantos ao conhecimento daquele que contrata (a indústria), como também que usa (o consumidor), pois se o consumidor gostar da idéia, ou seja, “comprar”, a indústria procurará um meio para vendê-la, afinal, é assim que funciona a indústria (só existe evolução se alguém estiver disposto a pagar o preço desta – e quem paga é o consumidor).

    Os carros farão parte da rede, gerando enorme fluxo de dados que, tanto podem ser utilizados para o bem (automóvel sua interação com o trânsito), como para o mal (governos e outros interessados em “controle excessivo”).

    É o futuro. O automóvel servir cada vez mais – e ser servido cada vez menos. Ainda que fique cada vez mais complexo, caminhará para ficar cada vez mais “transparente” toda a complexidade envolvida.
    O conhecimento precisa trabalhar para o homem. Já não é preciso no mundo moderno ter que repetir certas tarefas, e ter que repensar tudo, a cada vez – o que não repensa, corre o risco de fazer errado, e assim acontecem a maior parte dos acidentes humanos (algo a interferir na repetitividade costumeira).

    Assim como muitos conseguem utilizar um computador hoje, assim no futuro muitos conseguirão utilizar o automóvel.
    Sim, muitos conhecem o automóvel um pouco mais que a média da população, e acha inconcebível alguém utilizar o automóvel sem ter o nível de conhecimento aproximado ao dele, ou, até mesmo, aos seus olhos parecer um completo ignorante. Mas é assim que funciona, e muitos apenas desejam utilizar a ferramenta, com apenas o básico para a sua operação. E assim, como muitos não seriam capazes de utilizar um computador 20 anos atrás com a desenvoltura de hoje, tendo o avanço nesta área contribuído para milhares estarem ao alcance desta máquina (destas máquinas – estão por todo lugar, seja na mesa, no bolso, ou até mesmo no pulso), seja para criação em diversas áreas, ou até mesmo para simples intercomunicação, assim também será o automóvel. Se há 20 anos muitos teriam comportamento errôneo ao manuseio do computador, demostrando desconhecimento e certa inaptidão, porém ainda assim com enorme desejo de o utilizar, assim também acontece com o automóvel. Muitos desejam utilizar, e facilitar seu uso (e sua interação com o trânsito) é a evolução deste (assim como ocorreu com os computadores e softwares) – é dar maior oportunidade àqueles que desejam e precisam do acesso à certos tipos de tecnologia, e isto sem ser preciso adquirir profundos conhecimentos sobre as mesmas. O foco deve ser em como a máquina e o que a utiliza irá interagir com o meio.
    E para aqueles que apenas desejam utilizar o automóvel e deseja ter o seu (transporte particular e não público), e não possuem condições financeiras (ou não desejam a companhia de um motorista particular), poderão utilizar-se dos automóveis autônomos. Pensem nas facilidades que podem surgir: o trânsito poderá ficar melhor para quem deseja dirigir adequadamente, pois retirará das ruas grande parte daqueles que não se interessam em dirigir (muitos dos quais dirigem de forma inadequada por não ter interesse em melhorar tal habilidade), e dará oportunidade até mesmo àqueles que hoje já não poderiam fazê-lo – seja um deficiente-físico, ou aquele “casal de velhinhos” que deseja ainda ter a sua liberdade de ir e vir; todos operar o automóvel e definir seus destinos com simples comandos de voz (instruções e confirmações).

    De toda forma o mercado sempre oferece oportunidade para quem quer algo diferente, ou deseja fazer algo diferente. Assim como os que reclamam da falta de “ligação” com seus eletrônicos (com sua eletrônica e manutenção), também existem as mesmas opções para a área automobilística. Só fica um pouco mais caro e mais complexo de encontrar (valor e demanda), mais ainda é possível encontrar, e inclusive encontrar algo melhor, com mais recursos – engraçado que da mesma forma que alguns motoristas aficionados reclamam da falta de “interatividade” (ou “ligação”) com seus automóveis, chamando-os de “eletrodomésticos”, da mesma forma os aficionados por eletrônicos ou software reclamam de forma semelhante; estão presos a sensação de suas épocas, ou até mesmo sensações que os façam sentirem-se “diferentes”.

    Ganha-se por um lado, perde-se por outro, geralmente é assim. Mas assim como pode-se ter uma roupa agradável, com bom preço, e “quase seu número” (ajuste razoável), ainda é possível procurar quem faça a roupa sobre medida, ou faça o ajuste necessário naquela roupa para que fique melhor ajusta em si; gasta-se mais, porém é o preço que tem que ser pago por tais “personalizações” de um produto que é feito para atender a maioria – pense nisto para com o automóvel e encontrará as respostas que procura.
    E pensar que com a eletrônica hoje é possível simular tão diversos tipos de comportamentos do automóvel ao toque de um botão – e já de fábrica – como nunca fora possível antigamente sem que fosse necessário intervenção para um ajuste manual – seja com regulagens, ou até mesmo troca de componentes.

    Sim, os que aqui estão em leitura ou comentando conhecem um pouco mais sobre o automóvel do que o “consumidor comum”, sabendo um pouco sobre o funcionamento se suas entranhas, e até mesmo entendendo algumas técnicas avançadas de uso, e quem sabe até mesmo capazes de realizar alguns diagnósticos e efetuar pequenos reparos. Mas quantos são tão capazes assim com seus eletrônicos, seja sua Smart TV, seja seu Smartphone, ou até mesmo aquele “pequeno aparelho que distribui a internet sem fio em sua residência” (um tal de “ponto de acesso sem fio” ou “roteador de rede sem fio”)? Bem sei que o que aprecia a técnica, a aprecia em diversas áreas, mais mesmo assim seria possível apontar muitos que apenas desejam que estes aparelhos funcionem e entreguem-lhe o básico, e não se sentem atraídos por determinadas características técnicas, pois pouco lhe serão úteis: e assim compram o TV maior ou o telefone que seja mais bonito, ou com a tela maior (por vezes nem se interessam em saber sobre a qualidade de imagem da câmera destes – mesmo com esta moda de selphie).

    É assim que funciona. Por vezes estão cheios de recursos à mão, mas apenas deseja-se utilizar da forma mais simples possível, sem dores de cabeça, e sem ter uma longa estrada de aprendizado – curva de aprendizado. E até mesmo, os apreciadores dos automóveis, os são por diversos motivos – quantos daqui conhecem todos os recursos do seu automóvel? E quantos daqui leram o manual de usuário? Quantos mais do que uma vez, e que conhecem os recursos em profundidade, utilizando-os à perfeição?

    E quantos leram o manual da Smart TV? Não apenas observaram se era compatível com a tensão elétrica local e ligaram à tomada? Conseguem utilizar seus recursos básicos? A evolução tecnológica proporcionou esta facilidade de uso. Quantos não ficariam perdidos com o processo de sintonia e ajustes dos televisores mais antigos? Ou saberiam “programar” vídeo-cassete? Ou foram chamados para fazer esta tarefa pois era complicada para outros?

    Ora, assim como muitos compram o automóvel e talvez utilizarão o seu manual de instruções para sanar alguma dúvida relativa à manutenção ou procuram a sua leitura para sanar a dúvida de operação de recurso nem tão avançado, porém com padrão diferente de utilização de outro fabricante, assim também procedendo com seus “eletrônicos” e “gadgets“, assim deveremos entender os anseios dos demais que querem utilizar o automóvel com o propósito de função básica, a de locomoção (assim como muitos utilizam o televisor apenas para “assistir tv”). E assim como muitos não possuem a educação de utilizar seus eletrônicos de forma adequada em meio social, como quando utilizam em locais e momentos inadequados, e de forma também inadequada (inclusive “virtualmente”), assim também muitos não sabem como comportar-se “socialmente” com o automóvel, ou seja, como comportar-se em trânsito; devemos cobrar a instrução (educação) do comportamento social, e deixar o aprendizado da utilização das máquinas facilitado.

    O ser humano quando se apega a determinados comportamentos soa um tanto irracional: é como aquele que sente falta de quando limpava e “regulava” – isto quando sabiam fazê-lo de forma correta – o carburador do automóvel a cada final de mês. Prazer em consertar algo que, se possível, deveria funcionar bem e de forma “invisível” o máximo tempo possível, denotando excelente qualidade de projeto e aplicação. Porém este que sentia prazer em realizar tal manutenção, ficava profundamente irritado quando surgia problema mais complexo (algo fora da atividade comum de limpeza e de difícil percepção visual de causa) e que não descobrira como resolver. Nestas horas, aquele objeto ora admirado, tornava-se objeto de profundo desprezo.
    Ora, o prazer certamente estava em realizar uma atividade que já era conhecida, sem sustos, sem complicações, mesmo que repetitiva – e até mesmo, para alguns, que o diferenciava dos “comuns”, outros usuários de automóveis.
    Hoje, nada impede de, quem queira, desmontar os eletroinjetores do seu local de funcionamento e realizar a verificação de seu funcionamento (fluxo, uniformidade, etc). Ou se quiser apenas ficar com a limpeza, algo bem básico e pouco gasto com ferramentas, talvez um pequeno transformador a operar em tensão elétrica adequada de saída e a aproveitar os pulsos da rede elétrica para pulsar o injetor “automaticamente”, com o eletroinjetor imerso em solução de limpeza que não seja agressiva para os componentes – dá para fazer em casa.
    É preciso? Não. Assim como quase ninguém escolheria entre dois relógios de mesmo desenho (beleza), mesma precisão, mesma “sonoridade”, uma versão mecânica a precisar de “corda” à cada semana, do que uma versão eletrônica, com troca da pilha a cada ano. É atividade desnecessária, repetitiva, mesmo que seja mais alguma coisa a “ocupar” seu final-de-semana, seu tempo livre.
    Aproveite melhor o tempo livre conversando coma família, com os amigos (até mesmo conhecendo e sendo agraciado com novos amigos), ou aprenda algo novo, leia algo do seu interesse (pode ser até mesmo os manuais dos seus aparelhos e do seu automóvel). Pode até mesmo fazer um passeio, pois até mesmo para quando os mesmos lugares, podem surgir sensações diferentes, ou perceber algo que não tinha percebido. Vá andar com seu automóvel, coloque-o para servi-lo, até mesmo divirta-se com ele (cada um ao seu modo). Não procure arrumar atividade que faça-o de servo do automóvel. Se sente prazer em consertar algo (ou arrumar/organizar algo) que efetivamente precisa de sua atenção; não fique a “arrumar problemas” (desculpas) para fazer algo que não é mais necessário.

    • Luiz_AG

      Cara, parabéns pelo seu comentário. Estamos totalmente alinhados nos pensamentos. Eu trabalho com software e a indústria de software é totalmente anarquista. Do nada do fundo de uma edícula da casa da avó na Sibéria um adolescente pode criar um software que irá revolucionar a forma de fazer determinada tarefa. Vejo em indústria de transformação a volta as origens, do artesão, do ferreiro produzindo hoje peças revolucionárias na pequena impressora 3D no seu quarto. Olho nelas (Impressoras 3D). O potencial de revolução delas é muito maior do que se imagina.

      • Transitando

        Obrigado. E já que tocastes no assunto “Impressão 3D”, deixo exemplo do que já temos à serviço do mercado automotivo “comum”:

        NextEngine’s 3D Scanner – Jay Leno’s Garage

        Neste temos a solução demonstrada desde o princípio, ou seja, a modelagem automática via scanner (fidelidade e praticidade em não ter que modelar inteiramente a peça), reajustes ou modificações ao projeto via software, e impressão do produto.

        E já é possível “imprimir” em outros tipo de materiais fexíveis, se passarmos para mercado de soluções profissionais:

        Create usable rubber seals, gaskets and plugs with 3D printing

        Breakthrough in 3D Printed Product Reality – Flexible Colors

        Ou dar um “boom” na indústria de plástico injetado, o que pode baratear os custos ao criar, e armazenar para posterior uso, moldes para diversos produtos:
        Whale Cuts Lead Time by 97% with 3D Printed Injection Molds

        E o mercado para “impressão de metais”:

        Trumpf – Direct Metal Deposition

        ALL IN 1: Laser Deposition Welding and Milling

        E o melhor: as várias soluções portáteis, de baixo custo, e com excelente qualidade para escaneamento 3D”, tanto o que já existe, como o Occipital Structure Sensor / 3D Systems iSense, como as que estarão por vir, como o Google Project Tango, e ainda com a “Realidade Aumentada” a complementar e facilitar os processos de integração dos elementos.

        Já existem diversas “lojas online” a comercializar os modelos digitalizados em 3D (arquivos digitais), seja de criação própria, ou até mesmo de produtos (objetos) do dia-a-dia, o que certamente gerará uma enorme confusão relacionada aos direitos autorais.

        De toda forma, quando isto cair ao gosto do público e ele enxergar as diversas possibilidades (o mercado de “bonecos” é apenas uma amostra), assim como visto para com a modelagem e fabricação de componentes não mais encontrados no mercado local de reposição, e não ficar somente para prototipagem rápida ou em processos industriais, o mundo será “remodelado”.

        É o futuro, chegando devagarzinho na escala de tempo da juventude atual, mas muito mais rápido do que jamais fora – viveremos “revoluções industriais” a cada década; e isto já acontece!

  • RoadV8Runner

    Minha tia tem uma dessas IBM elétrica, com as tradicionais esferas que permitem uma infinidade de letras diferentes. Mesmo não a usando, é algo que ela não vende.

  • RoadV8Runner

    O dia que esse apocalíptico carro autônomo chegar, se ainda estiver vivo, terei o maior prazer de usar ônibus, táxi ou trem para me locomover, pois o automóvel terá perdido o sentido de existir. Para mim, uma das coisas mais legais dos automóveis é justamente você controlar para onde e como você quer ir. Se uma máquina irá dirigir por mim, a graça que vejo nos automóveis simplesmente desaparecerá.

    • Matheus_Ulisses_P

      Cara, seu comentário merece um Oscar! Penso da mesma maneira!

    • Road Runner, certíssimo, mas ainda terá uma vantagem. O sossego, em um mundo cada vez mais cheio e compartilhado.Mas o nome desse transporte não nserá mais carro.

    • Fat Jack

      Concordo…,
      Eu, nem que seja “ilegal”, vou manter um veículo a moda antiga pra guiar, mesmo que seja escondido de madrugada…

  • Antônio do Sul

    Gostei dessa resposta de usar celular que não é para princesa, mas para mecânico! Depois de ouvir uma dessas, nenhum xarope enche mais a paciência. E o pior é que a maior parte desses amigos que me criticam são mulheres, enquanto só um ou outro amigo homem implicou com o meu Samsung simplesinho e confiável.

  • Antônio do Sul

    Não cheguei a usar computadores na escola, Lorenzo. No meu tempo de 1º e 2º graus, o recurso mais avançado que estava disponível era a apostila, muito bem-vinda por nos poupar parte do trabalho de copiar a matéria do quadro negro…
    E eu também nunca fui muito aficcionado por videogames. Preferia outras diversões, como andar de bicicleta, ler ou a natação, que pratiquei muito quando adolescente.

  • Ricardo

    Gosto de tecnologia, mas tenho receio quanto a maquinas comandarem nossas coisas autonomamente. Deveria existir um limite. Não que eu seja um neo-ludista, mas muita gente em Informática lá fora, discute seriamente a possibilidade das máquinas adquirirem autoconsciência. O futuro poderia prescindir de nós, seres humanos. Já pensaram em um monte de HAL’s (não sabe o que é? sugestão: vejam 2001) no nosso cotidiano?

  • Guilherme Reis

    Todos os computadores com que já trabalhei uma hora travaram, ainda que um pouco. De Macintosh de 30 mil reais a smatphones. Vez ou outra travam por vários motivos: Superaquecimento, tempo de uso, trabalho excessivo, pane de programas e até por variação da atividade solar que interfere diretamente nos eletrônicos, derrubando até sistemas bancários com freqüência. É claro que o homem também falha e muito. Mas, eu não confio em ter um carro que dirige sozinho para mim, principalmente na estrada onde o erro tem danos maiores…

  • KzR

    Nos meu Nokias velhos, só faltou mesmo a função lanterna, rsrs.
    E como já disseram outros, fazem melhor que os mais novos a função básica de um celular: telefonar.

  • KzR

    Estou com um pouco de remorso por não ter gravado os nomes de tantas máquinas de escrever que via outrora, rsrs. Mas eram bem legais naquela época.
    Engraçado, seriam a opção certa para quem digita muito texto e não quer ficar refém de notebooks com baterias descarregando de duas em duas horas.
    Quanto a carros autônomos, não vejo muito sentido nessa busca em desenvolver completamente o conceito. As assistências de segurança até são muito bem vindas na prevenção de acidentes, vá lá. Mas na hora que começarem a ganhar as ruas com força, não teria sido melhor investir em transporte urbano rápido e eficiente? E a um custo muito mais baixo.

  • Fat Jack

    – O automóvel estará a salvo desta invasão da eletrônica em todos os setores produtivos?
    Não estará e já não está, basta ver pelas ruas de São Paulo, a grande quantidade de gente que ao invés de motorista são meros “operadores de veículos”, daqueles que ficam teclando em seus celulares ou “brincando” em sua centrais multimídia sem prestar a mínima atenção no que está fazendo e que nem sequer sabe o que são aquelas “luzinhas vemelhas” que se acendem no painel antes de dar a partida no carro…(parece exagero, sei, mas já ouvi isso…)
    – Ponto crucial da questão: o carro do futuro será um computador que se move ou um automóvel controlado pela eletrônica?
    Não tenho a menor dúvida de que (lamentavelmente) será um computador que se move e leva o dono junto…, a grande maioria das pessoas que utiliza o carro hoje como meio de transporte não o faz por prazer e sim por necessidade e comodidade, e normalmente não está “nem aí” para o automóvel, adorariam poder estarem 100% conectadas com a internet, o facebook, o whatsapp enquanto o carro as leva para casa.
    Eu, que adoro carros e mais ainda tenho um imenso prazer em dirigir (e olha que meus carros são bem simplezinhos, estão na “parte debaixo” da pirâmide evolutiva) só posso lamentar, pra mim, a bordo do carro honestamente a conectividade que me interessa é entre eu e o carro, o resto consigo numa boa deixar pra quando chegar em casa…

  • ccn1410

    Li ontem, que em pesquisa feita nos Estados Unidos, que 59% dos entrevistados rejeitou a proposta do relógio inteligente da Apple.
    Também não consigo ficar sem relógio no braço.
    Eu uso um digital quando vou dormir, para quando acordar de madrugada ficar fácil de ver as horas. Durante o dia, eu uso um tradicional com ponteiros.